segunda-feira, agosto 27, 2012

A sentença

De mim, eu sei. Sei que tenho uma personalidade complexa, sou feita de enormes exceções e minúsculas regras. Sei que minha prioridade não é a mesma da imensa maioria, meus sonhos são diferentes e minhas vontades mutáveis.

 Preciso de silêncio e não me faz mal estar sozinha. Gosto de domingos inteiros de pijama com a companhia de uma série recém descoberta, de um livro que me prende no sofá, de uma música que não consigo parar de ouvir. Gosto das coisas que independem da presença de alguém.

 Amo os meus. Meus amigos e minha família. Não confio em quem não tem ao menos um grande amigo, ao menos uma grande pessoa com quem consiga dividir tudo sem o menor receio. Preciso de quem me entende sem julgar e que guarda em si uma risada sonora da piada subtendida que existe na minha vida.

 Não sou uma daquelas pessoas que conseguem caber dentro da expectativa de outro. Destrua suas expectativas e conquiste minha admiração. Dê mais para o mundo do que espera dele. Construa seus sonhos e trace planos de como viver o irreal. Faça do irreal um céu que consiga tocar. Toque e me olhe no olho quando falar comigo. Me conte suas posições políticas, sua música preferida, o livro que mudou a sua vida e o filme que te faz chorar sempre na mesma cena. Me deixe te conhecer e me conheça ao mesmo tempo.

 "Acho que quando você gostar de verdade de alguém, achará tempo e paciência". De tudo que alguém não entende de mim, essa frase, quase como uma agressão me foi dada como uma sentença. Não nego toda verdade que cabe nela. Até a vírgula é uma possibilidade e depois dela o encontro. Tudo na minha vida acaba por tempo e paciência. O tempo que gasto sonhando, indo de um lado pro outro, fazendo a unha, andando muito mais devagar porque preciso estar de salto. O tempo que não tenho. E a paciência que me falta. Sempre que fica demais, acaba. Sempre que não acho o tom certo, mudo a cadência da minha música. Sempre que não anda, desanda. Falta persistir ou falta achar alguém que eu goste de verdade. É falta. É o que me falta.

 Mas, daí, chega um whatsapp que me faz rir pela compreensão que existe de quem divide comigo essa verdade de não caber em estreitos. Ou não caber em lugar nenhum, o que espero que não. Por agora, me vale estar entre os meus, entre o que existe enquanto desenho um irreal... até que.