terça-feira, junho 24, 2014

É tudo novo de novo 

Confesso que gostaria que tivesse sido diferente, que tivéssemos mudado na mesma direção, no mesmo tempo, na mesma sintonia. Que algo em mim harmonizasse algo em você e que a reciproca existisse. Queria ter sonhado sonhos juntos. Queria ter vivido em realidades não só paralelas, porque linhas paralelas nunca se encontram, queria que fossemos mais interseção que distâncias.

 Mas, veio a vida, essa que por si só toma conta dela mesma. Veio o movimento e se fez. Me mudou inteira. Me fez voltar pra roda a fim de ver o que me cerca. Me fez voltar a procurar cor no ar. Alegria no desconhecido. Vontade em possibilidades.

 A vida é realmente como um jogo de xadrez, um passo em falso, e lá se vai um peão. Em uma madrugada dessas, eu e o um amigo voltávamos andando e falando sobre o infinito de possibilidades. Sobre como a vida adulta te cobra posições, decisões e como isso gera uma infinita ansiedade. Uma escolha é também a aceitação de uma perda.

 Eu não fiz todas as escolhas certas, mas aceitei o resultado de todas elas. Já deixei gente incrível partir enquanto abracei meu orgulho. Já acreditei demais e era menos. Já acreditei menos e era mais. Já me apaixonei mil vezes pela mesma pessoa e já me desapaixonei por uma ação do vento.

 Faz pouco tempo que percebo o infinito das opções em mim. Faz algum tempo que sou mais do possível do que do abstrato. Faz tempo que somos apenas retas paralelas.

sábado, junho 07, 2014

If your heart was full of love could you give it up?

Minha mãe me perguntou dia desses porque ainda sofro tanto com a sua partida. O problema é que não é ainda, é porque sofro agora, 8 anos atrás transformei a dor em impulso e um tanto de raiva. Impulso para viver porque você não teve tempo, você que sempre amou a vida mais do que a maior parte das pessoas que conhecia até ali, você que sempre dava força pra gente continuar quando era sua a maior batalha. Quando foi você quem ficou 3 meses sem poder tomar água e ficava feliz porque ao menos tinha o algodão para molhar os lábios, um tanto Pollyanna e seu jogo do contente.

 Fiquei os últimos anos todos sendo forte, algumas vezes mais do que poderia realmente, fiquei os últimos anos vivendo sonhos extremamente racionais. Vivendo uma vida que via de regra me levava a não assumir grandes riscos. Eu que te prometi viver, fiquei tempo demais, sem realmente fazer isso. Quando vim morar no Rio, não fazia a menor ideia do que estava fazendo com minha vida, sabia que ia ser diferente de tudo até então e sabia que não saberia lidar com muito daquilo. Para variar, assumi o risco de um movimento completamente desconhecido. Os últimos meses me fizeram olhar mais para dentro do que para fora, me conheci enquanto me sentia completamente perdida, ainda sinto que me conheço a cada dia, quando mudo um caminho conhecido para ver o que acontece se fizer de outro jeito. Deixei de me repetir, os erros e também os acertos. Hoje me sinto mais aberta, mais positiva, mais leve e também mais feliz.

 E se minha mãe me perguntasse porque ainda sofro tanto com a sua partida, hoje saberia dizer que é porque agora sofri, agora olhei pra sua partida sem achar o mundo injusto e sem julgar a forma de sofrer a dor que um outro tem. Hoje vi um filme que cita o "último dia bom" e lembrei do seu, como você se encheu de vida um pouco antes dela escorrer pelos seus dedos, lembrei da última vez que te vi e como naquele momento toquei o sentimento mais complexo e profundo que experimentei. A sua fragilidade exposta me fez por oito anos tentar ignorar a minha. E, como eu perdi por isso, foram oito anos tentando em vão ser forte e sempre alerta, perdi alguns arranhões do destino e muito do acaso dele, grande parte das surpresas boas que nos encontram como estamos simplesmente disposto a sentir. Nem todos os dias vão ser de paz e muito menos de guerra. Mas, que todos os dias, do nosso pequeno infinito, sejam sempre cheios de vida.

quinta-feira, maio 22, 2014

Espelho

Faz sete meses que cheguei e hoje foi a primeira vez que olhei realmente pra trás, literalmente, em uma viagem pela minha timeline do facebook, onde encontrei infinitas sutilezas que desenharam parte de uma história. Tanta coisa que deixei pelo caminho. Pessoas que ficaram, pessoas que chegaram, noites que imaginei e nunca tive, como outras que jamais imaginei e aconteceram.

A vida se escreve em linhas tortas. A gente se perde para se encontrar. E vive se perdendo, se encontrando e se magoando com palavras. A gente vive fazendo algumas coisas erradas na tentativa de estar bem. Pensamos em histórias lindas para viver e tropeçamos nos próprios pés. Queremos substituir um amor errado por um novo, sem saber que o erro está em não se esgotar, está no simples fato de que a transferência vem também com o ruim de antes. É preciso viver o luto de um amor para se entregar a um novo. Desfazer o que de ruim ficou até que só fiquem as lembranças boas sem que elas nos façam pensar em voltar ao lugar onde já estivemos. Passar por aquele abismo que é se esquecer da dor a ponto de se iludir com a diferença em um futuro tão breve.

 Estou desatando alguns nós do passado. Olhando pro que minha adolescência fez de mim e o que faltou nela. Revendo a relação com meus pais. Revisitando alguns feridos abatidos pelo caminho. Procurando ouvir o que silenciei na tentativa de racionalizar as dores. É um caminho nebuloso e outras vezes coloridos. É um caminho silencioso e outras vezes barulhento. É um caminho de sorrisos e algumas lágrimas. É um caminho de aceitar que fui o que poderia ser no momento presente. Mas, que posso mudar o meu daqui pra frente. Quero desfazer as expectativas que tenho sob mim e os outros. Quero recomeçar de onde sinto que me anestesiei pro futuro. Quero as alegrias e as dores. Dias e noites repletos de destino. Quero viver o momento presente e me sentir sempre no agora. Pelos próximos dias, semanas, meses e anos.

sábado, maio 17, 2014

Não Éramos Tão Assim

 Essa foi provavelmente uma das minhas semanas mais difíceis desde 2009. Foi tanta coisa em pouco tempo, tive que olhar pro que estou deixando de ser para segurar o que não posso perder, o senso prático e a capacidade de pensar friamente em uma situação extrema. Tomar decisões, tomar partido, tomar posição.

O pesadelo acabou e trouxe alívio. Também pensei em você essa semana. Lembro que quando acabou você escreveu um bilhete que carreguei na bolsa por meses. Sabíamos, os dois, que por mais que no momento o que estava escrito parecesse uma verdade, demoraria pouco tempo para se tornar uma mentira. Você não esteve na semana mais difícil como eu também não vou estar nos seus dias ruins e nem nos bons.

Agora enxergo que as minhas expectativas me atrapalharam ver o que não chegaríamos a ser. Te agradeço pelo impulso e até por ter soltado minha mão permitindo a queda livre direto ao que vim buscar de mim. Preciso realmente me conhecer dessa forma de agora. Não tenho mais planos bem traçados, objetivos claros, segurança extrema. Tenho uma vida que estou construindo de forma diferente. Me permitindo mais esbarrões com o destino sem me proteger deles.

Claro que vez ou outra até penso no que poderia ter sido, se fôssemos certo um pro outro, se fôssemos claros um com o outro, se eu tivesse sido ainda mais honesta e humilde admitindo que não sabia o que estava fazendo. Não sabia, mas conseguia ficar sem o meu celular, quando estava com você. Não sabia, mas admitia a ideia até de quem sabe um dia acampar, mesmo sendo fresca demais pra isso e tendo medo de ficar dias inteiros sem internet. Não sabia quais eram as concessões que podia fazer sem ferir o que sou e nem as que poderia querer de você sem te desconfigurar. Hoje vejo que mal tivemos a oportunidade de nos conhecer. Lembra que te pedi isso? Quando tudo estava desmoronando, eu quase implorei a possibilidade de te conhecer, e por bem, você fechou a porta e foi. Apenas foi.

domingo, maio 04, 2014

Sucecasa

 Sempre me imaginei tendo a minha casa para receber os meus amigos. Porque nunca fui mesmo de balada, o dia seguinte abria um vazio tão grande, ter o mundo por algumas horas e depois da madrugada nada ficar. Sempre quis e esperei mais da vida do que poucas horas.

 Hoje vejo cada dia mais minha vontade sendo real. Tenho minha casa, posso receber os meus amigos, tomar um bom vinho e falar da vida. Posso rir das dificuldades passadas porque elas já parecem realmente distantes.

 Lembro que nosso refúgio até então era a casa de alguém que os pais adoravam viajar. A casa de uma das minhas melhores amigas que tem o sótão mágico, sempre era possível morrer subindo ou descendo, mas a gente subia para dormir todos juntos e respeitávamos o primeiro que capotou fazendo um pouco de silêncio. Aliás, respeito parece tão simples, mas não é. Respeitar o colega que dormiu, o outro que não acordou em um dia bom ou só o que é realmente diferente. O diferente assusta, eu sei.

 Tenho amor por tudo que tenho sido e por todos que tem sido perto de mim. A maior parte dos meus amigos tem hoje os seus pequenos refúgios, os seus amores e suas dores que confessamos rindo nas mesas dos bares. Mas, tem e sentem, o que é uma coisa linda de existir.

 O meu amor é de vocês, meus amigos, meus queridos. :)

terça-feira, abril 29, 2014

E no final, assim, calado

Você apareceu quando tudo parecia fora do lugar. Trouxe de longe o que deixei em outra cidade. Provocou um encontro esperado e necessário, coloriu meu carnaval e me deu a mão em silêncio. Não me cobrou posições, nem quis nada além do pouco que tinha para dar. Aceitou de imediato que estamos sempre vivendo processos e sorriu diante das minhas infinitas dúvidas.

 Queria poder resolver tudo por decreto, daqui por diante, os caminhos vão ser mais simples e vou conseguir entender cada coisa que sinto. Daqui por diante viveríamos novidades. Daqui por diante nenhum "e se" me incomodaria. Nenhum fantasma me assombraria.

 Mas, o caminho é conturbado. As questões são muitas. Os quilômetros são vários. O meu não saber não é mal te querer. Te quero bem, te quero aquém, te quero longe de mim porque perto sou furacão e com você a vida merece ser calmaria.

 Apenas, te quero bem e agora não posso ser esse um bom alguém. Ainda preciso me perder para encontrar o caminho. Vou errante, errada e distante. Vou só.


 

terça-feira, abril 15, 2014

TENHO 25 ANOS DE SONHO


O que eu ganhei? Tanto e tantas coisas. Shows incríveis, noites memoráveis, sessões de cinema impressionantes. Ganhei em vida e arte. Ganhei tanto e perdi também algumas crenças. Quase não acredito mais em pessoas. São pouquíssimos que ainda me ganham em sorrisos simples. Desconfio e confio pouquíssimo.

 Uma parte é só decepção e medo. Outra é só um lado que vai duvidar sempre de amores fáceis. Não vai ser fácil sentir. Como nunca foi antes. Sou de leveza certa e brisa que bate intensa. Me ganha quem me tira sorrisos, quero da vida vários alegrias mansas e algumas pequenas certezas. Quero muito pouco do que não posso ter de certo em mim. Do mais, corro atrás e percorro quaisquer que sejam os caminhos. Não durmo ou acordo na madrugada derradeira. Não temo trabalho desde que dentro dele me caiba pequenos sorrisos para que eles me levem, sempre.

 E quem em mim ainda acredite ter certeza aviso apenas que nem mais eu tenho. Em mim sou incerta e só incerteza me cabe. Amanhã, quem sabe?

terça-feira, abril 01, 2014

Solidão eu já vivi na cidade que não volta

É muito louco. É tudo muito louco. Meus dias tem passado sempre mais rápido. Me divido entre contas, coisinhas para o apartamento novo, trabalho que paga todo mês e os trabalhos que aparecem a cada novo mês, esses que me permitem comprar mimos novos fora do meu orçamento.

Aliás, orçamento? Eu tenho isso agora. Quanto preciso guardar e quanto posso gastar em mimos novos para casa nova.

 É muito louco como cinco meses atrás jamais pensei que minha vida fosse ser assim agora. Estou cada vez mais feliz. Cada dia uma alegria nova, como uma cafeteira ou por finalmente ter achado a colcha perfeita. Parece bobo, mas diante de milhões de flores, achar uma colcha na cor perfeita sem flor nenhuma me fez sentir como ter vencido a Copa do Mundo. Aliás, a Copa do Mundo, essa coisa que fez os aluguéis serem mais caros no Rio, aluguéis? Não me imaginava cinco meses atrás pensando neles também, não aqui, não no Rio, não na cidade que escolhi para escrever minha independência e que me acolheu como sua.

 Tive desilusões e quem não tem? Aprendi a duras penas e também a leves. Conheci pessoas incríveis, estive em lugares absurdos, me apaixonei a cada novo dia pela vida que escolhi e continuo me apaixonando.

Vivi tantos momentos mágicos. Trabalhei em projetos inimagináveis e cresci, dia após dia, tombo após tombo, riso após riso.

 Meus finais de semana sempre tiveram um motivo para ser e eles chegam com a leveza de dias sem compromissos embora eles se amontoem ao redor dele. Chegam cheios de paz. Nos meus dias cabem tanta coisa inclusive amor.

Depois do Rio descobri como tem valor as coisas pequenas, as coisas menores, a presença de um amigo querido nos seus dias e os risos que ele te tira nas histórias tortas que escreve na sua breve passagem. E estamos todos passando, sempre, passando porque no Rio também se corre e como corre. No Rio não é sempre dia claro e os dias claros apagam os nem tanto. No Rio se guarda o que é bom e aí está a diferença. O que é ruim, a gente manda o mar levar e ele se encarrega de colocar longe ou em manchas de protetor solar na sua camiseta preferida. Ele se encarrega de deixar a vida mais leve e que ela me leve, dia após dia, como deve ser.

Por mais loucura, mais paz e mais amor. :)



segunda-feira, março 24, 2014

Um breve momento pode ser eterno

Sabe, tia, finalmente sinto que consegui cumprir todas as promessas que fiz pra você e pra vida. Fui e sou a melhor jornalista que posso ser, embora ainda tenha um caminho além que vai se mostrar dia após dia, mas aquele prêmio selou nosso compromisso. Sou a melhor pessoa que posso ser porque sempre dou um jeito de levantar diante de cada novo obstáculo que se mostra instransponível e estou sendo a melhor que posso ser, dia após dia.

 A sua falta me dói todos os dias. Tem cheiros que me lembram sua presença. Tem festas que jamais serão as mesmas sem você. Tem momentos seus que jamais serão os mesmos. A sua ausência me faz sentir um misto de tristeza e alegria, a sua breve passagem deixou momentos lindos para recordar, e se sua ausência é sentida só se explica pelo fato de que sua presença sempre foi notada.

 Tenho mágoas que talvez nunca passem. A família se divide entre antes e depois da sua doença, me desculpa pela intolerância a todos depois da sua partida, mas é apenas a sua falta que nunca vai me deixar esquecer quem você foi pela força, coragem, garra e alegria diante dos piores obstáculos. Por tudo isso, obrigada.

 Sempre aprendo com você, com sua ausência e com a sua breve presença.

domingo, março 16, 2014

Leave me no room for doubt

 Hoje faz uma semana que você foi e me deixou com muitas coisas boas. É engraçado como o tempo brinca com a gente. Te mostrei um dos meus curtas preferidos e sem saber, naquele momento, fazia o contrário do que o personagem dizia: eu saía do buraco ao invés de aumentar ele, eu sempre tão habituada a aumentar ele. Naquele sábado, olhávamos pra fora, o dia estava feio e o verão apenas ia ficando pra mais tarde.

 Os últimos dias foram de reencontro. Me achei outra vez nas esquinas da minha própria vida. Senti nos meus amigos o verdadeiro sentido de pertencer. Mesmo que de forma diferente, mudamos tanto e eu aceito de bom grado as mudanças todas. Foi essa semana que liguei pra consultar minha melhor amiga, como advogada, e meu chefe ao se despedir agradeceu com um "obrigada, doutora" e eu notei que já não somos realmente mais os mesmos embora não tenhamos mudado tanto. Ainda nos desentendemos, nos desencontramos, discordamos das atitudes uns dos outros e até criamos distâncias. Mas, amizade é ponte indestrutível. Ainda mais daquelas que acompanham as mudanças, o crescimento e a verdade do outro que se constrói a pequenos passos.

 Meu carnaval foi de reconstrução. Percebi que as pontes estão disponíveis e eu posso sempre visitar cada um dos meus, a qualquer momento, do outro lado. Sair de mim em direção a alguém é sempre um desafio. É preciso tentar fazer essa viagem sem a mala de preconceitos, sem arrogância, sem o nosso ego interferir na vontade da troca. É preciso permitir que aconteça e se permitir nem sempre é simples.

 O amadurecimento é um processo doloroso. As quedas já não são no sentido literal, tropeçamos e as feridas não curam com o sopro da mãe. As lágrimas não são só de manha. Mas, é também reconfortante segurar as rédeas da própria vida. Está tudo bem trabalhar um domingo inteiro pra aumentar um pouco o orçamento e fazer uma viagem no próximo mês. Está tudo bem trabalhar muito para juntar dinheiro e realizar sonhos. Está tudo bem em passar uma noite de sábado dormindo. Está tudo bem em subir um morro pra conhecer um lugar inimaginável. Está tudo bem. Finalmente, está tudo bem, meu bem...



sexta-feira, janeiro 10, 2014

Sobre segundas

 Hoje passou um filme besta desses adolescentes na televisão. Era sobre uma menina que fazia um programa de rádio e saia do mundo que os adolescentes vivem, aquele que busca aceitação, o que espera ser gostado pelo que é em uma fase que não se sabe muito o que é. 

Em comum, o rádio e o que sentia a cada segunda-feira, eu podia ser eu e gostar de uma banda obscura da Nova Zelândia apenas porque gostava, sem ser julgada de alternativa. Sempre rejeitei o rótulo dos alternativos porque é o que todos somos, alternativas de nós mesmos, diversas pessoas em uma só. Alguns acreditam que o grande lance era uma falsa sensação de prestígio, mas essa nunca muito bem me enganou. Na real, foi a fase da minha vida que descobri ser possível viver sendo eu. Tudo começou com uma entrevista feita para pagar uma dívida de colégio. Passei anos fazendo piada com o fanatismo de um dos meus melhores amigos, o blog que ele atualizava e os amigos que fazia na internet por causa de uma garota que gritava "seja você mesmo que seja estranho". No meu caso, como Narciso, eu também rejeitava tudo que não era espelho e ser eu naquele momento era apenas um sonho demasiado utópico. Vivia na onda do que esperavam de mim. O colégio, o curso técnico de informática, as aulas de inglês, o time de futebol, as aulas inteiras passadas no mastro do colégio quando os amigos levavam o violão e a gente ficava horas cantando músicas ruins.

 O filme de hoje passou em uma tarde quente, enquanto eu fazia relatórios e meu corpo doía por causa de um resfriado que vem chegando. Passou no dia do aniversário de uma das pessoas que mais amo no mundo e no dia que dei um sorriso cúmplice com a vida. O rádio, o querer e de agora ser eu mesmo que seja estranho.


terça-feira, setembro 03, 2013

"Quando Bate Aquela Saudade"

Você surgiu assim de repente. Como se fosse mais um entre tantos e me fez sorrir. Surgiu e me fez sonhar como ninguém e mostrou que não seria mais um. Mostrou que mudaria tudo dentro de mim, mostrou os seus sonhos e os seus medos, mostrou suas vontades e suas dúvidas, mostrou suas vontades e incertezas.

 Abriu a porta do apartamento também sem saber como seria, me encontrou na frente da tv e me abraçou, apenas porque se nada fosse seríamos aquele abraço, o do encontro na frente da tv. Mas, nada tinha na tv e construímos um cenário dentro do abraço.

É você que tem os olhos gigantes. É em você que descansei tantas buscas e onde encontrei paz. É em você que ainda vejo tanto de mim e que não me sinto urgente porque sinto que tenho tempo. Queria te guardar no espaço presente e ao mesmo tempo guardarei o melhor de mim para o próximo encontro, enfim.

terça-feira, agosto 13, 2013

E agora, o que é que vou fazer?

Me sinto como se já te conhecesse a tanto tempo e tivéssemos apenas interrompido o curso do nosso momento. Cada uma das formas como você me sorri e me diz frases soltas. A fórmula exata como você tem algo entre o sonho e o real. Sonhos enormes de quem sabe que para realizar é preciso também caminhar no chão. A sua responsabilidade me apaixonou naquele dia cedo que a nossa vontade era passar o dia todo estendendo nossa preguiça, mas que você levantou contrariando meu abraço que te procurava, usando da responsabilidade que tão bem combina com você.

 Te quero fazendo planos cada vez maiores e que eu caiba neles. Quero te ver realizando sonhos e te dar um abraço a cada um deles. Quero criar vida junto a sua criatividade enorme. Quero encontrar harmonia nas nossas diferenças. Compreensão nas nossas falhas. Calma nas nossas discussões. Quero paz e mais amor a cada novo dia.

 Me quebrei em duas cidades. Uma parte de mim ficou dentro do último abraço no aeroporto. Outra parte voltou em lágrimas dentro do avião. Não me falta o que deixei, não me dói o que ficou, só que essa é a parte que mais brilha, são alguns sonhos e um querer manso. O que voltou, são vontades precisas e não abstratas. Não me cabe mais os enormes medos de antes. Pode ser que sim, que a gente se perca. Mas, depois de acreditar só nos restar crer e isso você já me deu, a crença em um gostar desse tamanho. Obrigada, amor.

sexta-feira, agosto 02, 2013

Sambinha bom

Adoro o som da sua voz. O volume da sua risada. O seu sotaque e a sua vontade. O jeito que me faz sentir especial. As frases que me diz e as que guarda pra você. A maneira que me deixa segura e como me faz esquecer o depois, as ressalvas, os medos que sempre me acompanharam. Com você não sinto medo porque o nosso agora já vale a nostalgia.

 O meu sentir até então não me mostra nenhuma fórmula, não deixou um precedente, não me ilumina um caminho seguro. Me deixei levar pelas suas mãos, pelos seus sorrisos, pelas certezas inexistentes, por esse agora manso, pelo presente que você me dá de presente a cada um dos últimos dias.

 Quero apenas que seja sempre presente, o agora e o depois, o tempo todo. Eu sinto que me reinventei em você, que bom.

segunda-feira, julho 29, 2013

o imponderável você

 "Não sei". É essa a resposta para todas as perguntas que tem surgido nos últimos dias. Como começou. Como cresceu desse jeito. Como e quando comecei a fazer planos. Eu que faço apenas planos concretos, com tempo e espaço, com possibilidades reais e impossibilidades que cabe apenas a mim transpor. Eu que sempre fui sentimentalmente objetiva embora de uma forma um tanto quanto subjetiva.

 De repente me sinto Monalisa, com seu meio sorriso, sempre enigmático enquanto tento decifrar com qual chave você abriu algum espaço desconhecido em mim. Embora nada seja simples e tenhamos que ponderar o imponderável. Acordo lembrando do som da sua risada no dia anterior, no jeito nervoso que você interrompe os seus pensamentos, na sua ansiedade que surge atropelando palavras e te fazem perder a linha de raciocínio.

 E, eu que sempre escrevo sobre o irreal onde tudo sei, apenas sei que não sei e tô indo, até breve.

segunda-feira, julho 08, 2013

Entre o chão e os ares, vou sonhando em outros ares

Quantas pessoas você conhece de verdade? Com quantas pessoas você é de verdade? Somos todos feitos de muitos ainda que sendo apenas um. São diferentes nuances, sonhos escondidos e outros visíveis. Por fim, somos feitos de matéria invisível já que são pouquíssimos aqueles que conseguem tocar o inteiro.

 Tem dias que acordamos cheios de sol e outros em que passamos dias inteiros sendo noite. Porque a noite te leva de volta a casa ou ao lar. A noite te leva aos sonhos. Os sonhos te levam a vida. A vida possível e aquela impossível.

 Tenho me sentido mais cansada. Menos solar. Menos a vontade dentro da minha pele. Tem dias que queria apenas passar ele inteiro sem ser eu porque o que sou quase não me tem. Represento diversos personagens. Sou filha, sou jornalista, sou amiga, sou muitas. Sou tantas que me sinto dividida e não conjunto de tudo.

 Em São Paulo me sufoca a impessoalidade dos dias e no Rio me sufoca as expectativas de que sendo estrangeira de mim encontre a peça que me faz ficar, em algum lugar, qualquer lugar. O ar ficando cada vez mais rarefeito como efeito do quanto me sinto deslocada em qualquer parte. Uma parte de mim perdida, extremamente perdida, descolada do inteiro. Uma parte fundamental que fez (até aqui) tudo parecer possível. Nesse agora, nada fica, nada continua, tudo passa. Tudo passa.


sábado, junho 22, 2013

"Duvidei de mim tanto e quase me perdi" 

 Depois de um tempo para respirar, voltar me faz sentir tanto e tudo, outra vez. Não encontrava nenhuma razão que explicasse as suas idas e vindas nos meus pensamentos nos últimos dias. Parecia apenas que era você o ponto de partida para todo o bem e mal que se seguiu. Lembrei do seu sorriso, da sua voz, dos seus pensamentos, das inseguranças todas e da segurança que me fazia sentir. Mas, longe de um ideal romântico, é você apenas o elo com a minha inocência e o lugar de onde nunca escolhi sair.

 Sinto que agora preciso decidir e o momento de experimentar foi o mesmo que você esteve por perto. De certa forma, me agarro as lembranças como quem se agarra a infância. Me agarro a você como quem se agarra a possibilidade de postergar as escolhas. Estou formada há anos e me sinto pronta para voltar a estudar. Achei que com 25 estaria pós-graduada com um emprego incrível vivendo em um prédio qualquer da Paulista com uma parede de vidro que me fizesse sentir próxima e ao mesmo tempo protegida do caos. Nem pós-graduação e nem o apartamento existem. Achei que com 40 anos ganharia um prêmio e reconhecimento profissional, os dois chegaram aos 22. Meu tempo passa fora das expectativas e os fatos desobedecem sem perdão a ordem cronológica dos planos.

 Tenho procurado o verdadeiro sentido das coisas. Olho para dentro e tento encontrar quando foi que comecei a me perder de mim. Quando me desocupei de um agora para viver aos olhos de um futuro incerto. Quais são as raízes que se fincam alguns passos adiante e me impedem de estar plena no instante presente.

 Nos corredores das lembranças te encontrei e me esquivei de encarar o que ficou errado, fora do lugar, incompleto e não dito. Recolhi cartas que nunca entregarei e escrevi outras. Tantas coisas que não ditas se tornaram apenas ficção. Sinto falta dos dias que falávamos por horas e depois dormíamos exaustos. Sinto falta de te ouvir me chamando de adolescente sonhadora, quase uma acusação, que diante do seu sorriso me soava doce. Era o seu modo de me fazer sentir os sonhos conservando em mim os ares de menina enquanto misturávamos a nossa pretensão de crescer sem endurecer.

 Você me disse uma vez que aprendeu comigo que poderia ser o quisesse. Poderia viver, sonhar, crescer, cantar, escrever, pintar, desenhar ou fazer nenhuma dessas coisas. Poderia e poder é também um estado de graça.

 Sabe, ganhei um bloco novo, um desses de anotações e ele me remeteu diretamente ao assalto onde levaram a minha bolsa. Embora o iPhone perdido tenha me doído no bolso, o que ainda me faz falta é o moleskine levado. Estava nele pensamentos que nunca mais devo conseguir reunir em palavras. Os shows e os festivais, desde o primeiro, que cobri. Algumas frases que não se reescreverão e fatos que não voltarei a viver apenas ao olhar a minha letra corrida ou perdida. Esse bloco novo não é do tamanho exato do moleskine, o com capa preta que cabia dentro do bolso de trás da minha calça com precisão cirúrgica e, isso me faz pensar (sem pesar) que as coisas podem nunca mais ter o tamanho exato. De certa forma, você nos meus pensamentos e tão longe da minha vida, me faz sentir que as escolhas realmente já foram feitas. É apenas vida que segue e eu quero estar nela. Plena e inteiramente viva na minha vida.


ps. esse texto é resultado de um emaranhado de pensamentos acumulados nas férias (no Rio) e de diversos textos realmente escritos como cartas que nunca serão enviadas. Resultado de horas de papo com minha melhor amiga (que além de advogada faz o papel de minha analista nas horas vagas), de muitas músicas ouvidas e do curta da Maria Ribeiro, Vinte e Cinco, que foi a peça do quebra cabeça que me faltava pra entender o que esta(va) acontecendo. Com gratidão a tudo (música, literatura, palavras, conversas e arte) e a todos que jogam luz nas palavras (e na vida).

ps²: o curta da  Maria Ribeiro você encontra nesse link: http://goo.gl/8OJv6 e o título é um trecho de Vou Adiante da Luiza Possi.

sexta-feira, abril 26, 2013

Conjunções

Vamos nos distanciando de nós e indo cada vez mais para um outro lugar. Um novo eu, um novo alguém que não conheço ainda, que nunca vi. A cada novo fim a bagagem de mão pesa menos, largo algumas esperanças, solto alguns hábitos, atravesso um novo espaço de tempo. Nunca fico para ver o que vem depois disso, depois que saio, depois que a porta se fecha. É como se cada chave fosse gastando a fechadura, entre idas e vindas, alguns meses, entre esses meses algumas histórias, vários sorrisos, jantares, trocas e o fim certo. Me enclausura as expectativas, me sufoca as cobranças, me desespera as necessidades. Não consigo precisar, talvez por ter sido só na infância, filha única de pais ausentes, a necessidade me amedronta. Tenho medo de desapontar o outro no seu castelo de sonhos.

 Não é por maldade, não é descaso, nem tampouco desinteresse. Mas, preciso de um gostar manso, sem cobranças, com espaços para transitar, uma casa ampla que me abrace a cada volta. Um cachorro doce que pula nas minhas pernas a cada retorno mesmo que me puna com alguma indiferença depois da euforia. Meus relacionamentos sempre estiveram próximos disso, um doce cachorro com indiferença e euforia, tenho trânsito livre entre esses dois extremos.

 Só que até então todos foram diferentes. A caminhada dos outros me parecem tão clara, os relacionamentos duradouros tem na sua base a aceitação e a omissão de alguns desejos que a mim são primordiais como o espaço meu para não. A minha necessidade de não. Alguns lugares que são meus como o reino das palavras que não permite a vontade alheia de compreender. Não nasci para esfinge, decifra-me OU devore-te, a conjunção disjuntiva na regra ortográfica da minha vida é adjetiva, decifra-me E devore-te. Me conservar em mistério é o que me faz ficar, em mim, assim...



i'm not gonna sit around
and waste my precious divine energy
trying to explain and being ashamed
of things you think are wrong with me


domingo, abril 14, 2013

repetições

Tive que ir embora antes que terminasse. Um pouco antes de transformamos os meses bons que vivemos em mágoas. Nos acusaríamos, procurando culpados, tentando dar ao outro a responsabilidade do fim que era certo desde o dia que nos conhecemos. Somos tão diferentes no presente e nas aspirações de futuro. Nos desentendíamos em conversas simples. Gostar não seria o suficiente daqui pouquíssimo tempo. E, mais uma vez, eu saio um pouco antes do fim. Antes de ficar difícil demais e antes de ver o que viria depois. Suponho que assim evito despedidas dramáticas e mantenho a porta aberta entre nós para que possa surgir algo bom como uma amizade entre pessoas que respeitam o carinho do passado.

 Me mantenho a quase uma distância segura, entro nos lugares e procuro logo uma saída, deixo tudo simples para ir e vir. Não crio raiz, não viro fruto, sou quase passarinho. Mas, tem me faltado calma e paz, um lugar para ficar, como você foi nos últimos meses. Me desculpa, mais uma vez, torço e espero que tenhamos a sorte de encontrarmos um amor tranquilo, em algum lugar, já que não em nós.

domingo, abril 07, 2013

Você foi crescendo

É quase uma loucura. Dessas que ignoramos enquanto torcemos para que algo como um milagre simplesmente aconteça. Tenho pensado em você nos últimos dias. Seus olhos que parecem deixar sua alma descoberta. Sua doçura que esconde diversas fases de alguém que é milhares ao invés de apenas um. Suas particularidades que me deixou ver quando mostrou suas frases escondidas. Seus segredos que me confiou diante de sorrisos descompromissados.

 Penso no som da sua risada, na verdade do seu abraço, na pureza dos seus sentidos. Te conheço pouco e talvez seja esse o grande segredo. Tenho quase medo de me aproximar demais e ser engolida pela realidade.

 Queria brincar com os seus dedos enquanto conto que passei os últimos dias organizando meus discos, reencontrando as coisas que gostava de escutar, lembrando de gente que passou pela minha vida e deixou suas marcas aqui. Sem que nada disso tenha me tirado do agora e nenhuma lembrança tenha atormentado o que de você existe no presente. Tenho lido mais e gostado de ficar quieta. Respiro mais devagar enquanto espero algo que me faça sentir.

 Estive nos últimos dias realizando sonhos, vendo shows inimagináveis, realizando planos antigos. Faz algum tempo que deixei tudo apenas seguir o rumo das coisas, me soltei nas mãos do destino, leve para que ele também seja. Ah, por leve, lembrei mais uma vez do seu sorriso, dos seus olhos, da sua alma mansa... Lembrei de você.