quinta-feira, janeiro 22, 2009
Então deixei a rotina ao lado da porta, guardei as minhas músicas preferidas para ouvir aquelas com som de saudades. Músicas que me fazem sentir o cheiro do interior das minhas cidades favoritas, São Paulo e Bahia. Hoje, foi assim, sentei o dia inteiro ouvindo um cd que me faz lembrar as crenças deles, a origem da minha família com sotaque carregado e o clima interior daquelas modas de viola, que eu não tenho vergonha de ouvir sempre que quero lembrar de um cheiro especial.
quarta-feira, janeiro 21, 2009
terça-feira, janeiro 20, 2009
Eu tenho me desfeito de enigmas e deixado claro que estou para poucos. Me livrei de antigas certezas para encontrar sorrisos mais sinceros, piadas inteligentes e uma doce ironia. Tenho prestado mais atenção em coisas que não sei o nome. Liberta de proteção além da natural, me visto com meus olhos curiosos e vou para o mundo descobrir algo guardado nesse controle da pressa, do dia-a-dia calculando o recomeço. Cansaço tem sido pequeno e indiferente diante dessa leveza, chamada acaso.
quinta-feira, janeiro 15, 2009
Finalmente, eu sou mais prática do que nunca. No meio de uma conversa e talvez um pequeno susto ouvi um "ai, que insensível, Suellen". É, pois é. Comecei a pensar que se não dá certo, separa. Se não sente nada, termina. Se está bom porque ter companhia é sempre bem-vindo, continua. Se quer tentar algo diferente, longe ou perto, tenta. Se quer viver pensando que todos os dias serão seguros como o outro, vive.
Pra mim, só não dá para aceitar a inércia, o resto...
é sempre possível.
Though some have changed*
Ao contrário do que pode parecer, eu sou uma garota de interesses limitados. Me apaixono devagar por uma coisa de cada vez. Coisa, porque não é necessariamente uma pessoa, pode ser um livro ou uma banda, quem sabe, até uma situação. E eu estou sentindo a leveza de uma paixão que volta a fazer sentido. A relação com a profissão, que escolhi para chamar de minha, sempre misturou empenho e paixão. Um novo trabalho pode me fazer sorrir outra vez, me fazer borbulhar de idéias, fazer renascer ideais.
Sinto muito, qualquer pessoa ou outra coisa, nesse momento, minha paixão chama "trabalho novo". Pode ser efêmero, mas irá durar pelo tempo que eu definir como suficiente. Daqui, eu posso controlar, isso que chamo de vida.
* O título é Beatles, porque eles são a trilha sonora de momentos felizes.
terça-feira, janeiro 13, 2009
domingo, janeiro 11, 2009
A cidade pode parecer um deserto quando você quer transpor as barreiras dos estados e em segundos chegar em outro lugar. Queria atravessar São Paulo, subir para o Rio de Janeiro, sentar na praia de Copacabana com um abraço certo. Depois contar tudo que me deixou com medo todos esses anos, como foi difícil esquecer e recomeçar tantas vezes. Tem pessoas que são pequenas e gigantes.
Queria sentar ao lado de Drummond para ler Clarice e esquecer dessa poesia toda que habita minha vida, sem nem ao menos pedir licença.
Sinto saudades do carioquês querido da garota que escreve bem e não tem medo de sentir; talvez, um pouco demais para os seus poucos anos.
Eu, que nunca fui muito de praia e o sol não é meu amigo, basta alguns dias para eu passar outros tantos descascando. De repente, encontro a paz sentada olhando o mar, como se todos os problemas estivessem na linha do horizonte, bem longe do meu alcance.
No Rio, em qualquer praia de São Paulo, ou na selva de pedra dessa cidade tenho procurado e encontrado...
paz.
Sabe o que acontece? A minha própria indiferença machuca mais do que a de um batalhão. A indiferença que eu sinto por alguém depois de tanta coisa, me fez sentir desonesta, como se tudo não tivesse passado de uma farsa. E, mesmo acabado, resolvido, explicado, quero para todos que tiveram um pedaço das minhas linhas, o meu melhor. No livro da minha vida, a indiferença só machuca.
sábado, janeiro 10, 2009
Eu queria entender toda essa indiferença que se formou e como a distância parece então necessária, e tudo vai se transformando devagar até finalmente ser nada e por fim, alguma coisa que não importa.
Eu queria te garantir que isso jamais aconteceria com você. Mas eu decidi que não vou tentar controlar nenhum dos passos da vida. Porque o silêncio fala mais do que milhares de palavras juntas. Simplesmente porque essa amizade mudou tanta coisa sendo apenas sincera. É bom conhecer alguém que entende meu desespero antecipado porque o amor da minha vida vai ficar um ano longe. As pequenas coisas que todo mundo acha bobeira encontra compreensão nas nossas conversas. E, quando eu digo que não espero absolutamente nada, é porque as minhas expectativas se cansaram e eu prefiro viver um dia após o outro e só.
quinta-feira, janeiro 08, 2009
o que o tempo faz é mudar alguns hábitos que já não funcionam mais. Desfaz mentiras que construímos para viver uma coisa qualquer. O tempo, vilão e mocinho das melhores histórias, faz dos pequenos momentos, eternos. Das voltas pela cidade para encontrar um sorriso, pequenos passos. O tempo, meu companheiro intolerante, despreza quem tem medo de sentir o que é.
Você me mostrou que poderia ser engraçada a forma como eu curto as minhas psicoses. Além de me deixar experimentar conceitos como a garota que gosta de sorvetes coloridos. Entendeu que as dúvidas fariam parte assim como faz a sobremesa.
Eu sempre soube que muitos atirariam opiniões como pedras. Iriam falar, falar, falar. E só a exaustão iria calar. Com você, aqui nunca esteve escuro.
Agora você me mostra como é perder tudo, afinal somos acordos temporários. E só fica certo que o tempo e a distância não iram tirar nada do nosso lugar.
Que o mundo nos abençoe nas viagens, conquistas e dúvidas.
ps. alanis, a música que ela fez pro irmão, não por acaso. (eu não posso falar abertamente, xiu!)
domingo, janeiro 04, 2009
Mãe Dinah
Finalmente fui obrigada a me enfrentar diante da pergunta que não imaginei ouvir de um desconhecido. No meio de uma festa em uma casa incrível, som alto e uma piscina, ele pegou na minha mão como se decifra-se cada uma das linhas da minha vida e perguntou "quando você vai gostar de você?". Como se ele soubesse cada um dos problemas que minha cabeça tratou de manter longe dos meus sentimentos. Quando finalmente consegui separar o joio do trigo.
Duas semanas longe e agora tudo parece igual. O tempo parou naquele momento com quem a vida escolheu para tornar meus dias melhores. Quando os fogos começaram a colorir o céu, eu parei como uma criança, olhei para o alto enquanto meus olhos se enchiam de lágrimas quentes e felizes que caíram em silêncio durante um abraço. Eu tinha conseguido me manter distante nos últimos seis meses de tudo que me fez mal. Apaguei sentimentos. Desfiz erros. Conheci pessoas especiais. Aprendi lentamente a simplicidade do verbo viver.
É hora de viver esse ano. Correr mais riscos. Gostar mais das pessoas certas e de mim. Estar com os meus amigos. Ignorar todo mundo que pesa demais. Esquecer tudo que me fizeram passar. Deixar que tudo (re)comece. Eu já consigo ouvir Dido e não achar tão triste. Voltei a detestar o peso da vida dos outros. A falta de colorido nos olhos. Voltei a acreditar no que eu escolhi para ser meu e tinha perdido. Voltei...
terça-feira, dezembro 30, 2008
Se eu pudesse definir esse ano em uma palavra, ela seria: intenso. As coisas aconteciam por vontade própria, meus sentimentos corriam de mim e eu deixava eles circularem, presenteava com carinho e não ligava para o pouco caso. Corria até perder o ar só para deitar na grama depois. Sorria até não sentir a bochecha. E chorava sem medo de molhar o rosto. Deixei tudo simplesmente fluir. Era o fim e o começo de uma nova era.
Talvez esse ano passe devagar, com a calma desse sentimento que me invadiu. Pra você, eu vou sempre ser a memória, talvez volte para onde terminamos e um dia nós cheguemos a conversar sobre isso. Não agora, nesse momento, que não é mais seu. Eu gostaria de te pedir desculpas. Mas, eu não serei jamais a sua inimiga.
É o fim de um ano complexo e doce. É o fim do ano em que eu me (re)encontrei.
Eu só queria agradecer cada abraço dos meus amigos. Cada palavra sincera. Com vocês, eu sinto que posso ser inteira, vocês são meus pedaços todos. Meus melhores pedaços.
Esse fim de ano anuncia um 2009 maravilhoso. Que ele seja doce, cheio de mudanças, em um caminho de certezas, com sorrisos iluminando cada um dos passos. Eu só espero que todos tenham a coragem de se enfrentar. Por mais um ano.
ps. Esse é o último post do ano, estou voltando para a viagem mais divertida dos últimos tempos da última semana. Feliz ano novo, meus especiais e (para os não especiais também). x)
quinta-feira, dezembro 25, 2008
No fim daquela semana que premeditaria o fim de mais um ano e esse foi tão diferente para nós. Um ano distante. Precisávamos nos reconhecer dentro de tanta história pela metade, um ano para escrever nossa própria história, queria ter te ligado tantas vezes, quando eu consegui de uma vez por todas te esquecer, queria ter contado que conheci alguém capaz de me mostrar que existia muita coisa além de tudo que você nunca soube fazer acontecer. Alguém que me deixava a vontade para voltar a ser eu. Teve também aqueles outros dias. Alguns lugares maravilhosos que a sua presença teria iluminado ainda mais. Noites no carro atravessando a cidade numa velocidade muito maior que a permitida e os pensamentos voando baixo. Faz um ano e, o nosso café de aniversário me fez voltar a viver cada dia do ano que acaba na semana que vem.
Nas nossas conversas o seu sorriso davam o tom das palavras. E os meus olhos, fugitivos e infantis, falavam em códigos. Mesmo que nunca tenhamos de fato conseguido entender muito bem o que tenha formado esses momentos. Você tem uma porção de coisas que eu considero insuportáveis. Talvez nunca tenha entendido a forma como me entrego a vida. Quando dizia que precisava estar apaixonada o tempo inteiro e como uma decepção acaba de vez com um sonho. Porque demora demais até confiar e um segundo para desconfiar.
Te contei dos meus dias. De como esse ano me aproximou mais dos meus amigos daqueles tempos de colégio. Porque a nossa vida caminhou em paralelo para o mesmo lugar. Eram meus amigos por não terem medo de viver, de ser feliz, de pular em um montinho, de conhecer a falta de limites quando buscávamos ser feliz. Queria te contar que agora, nesse momento, tenho medo da distância que se aproxima, porque eu não sei como vou lidar com a falta do meu porto seguro, todos poderiam sempre passar, me apaixonar e desapaixonar fervorosamente durante décadas, mas sabia que tinha alguém a distância do meu celular, são cinco anos da melhor amizade que eu tenho na vida, e ainda teremos muitos e muitos, só que esse um ano que se aproxima, me deixa aqui sem saber como lidar com a falta que eu já sinto. Talvez fugir e deixar passar seja um jeito de evitar a dor. Talvez esquecer das despedidas e viver esse último mês, outro. Depois mais doze meses e eu não sei como eu fico aqui. Porque com todo esse pensamento me sinto a mais egoísta, embora por outra lado morra de orgulho de tudo que ela conquista e saiba que conheço a melhor futura advogada desse país. Talvez sejamos isso com quem amamos, egoístas, queremos prender a presença e não lidamos bem com a falta. Queria te contar tudo isso durante o nosso café, mas tem coisas que ficam melhor no silêncio.
Lembra quando te falava do jornalismo? De como é importante estar apaixonada? Você recebeu a notícia da minha nova paixão com espanto. Até eu sorrir e falar que era pelo mesmo, pela profissão que escolhi para doar a minha vida. Finalmente comecei a trabalhar com música, entrei no caminho que quero trilhar, estou feliz e isso me faz acreditar que tudo vai ficar bem.
Esse nosso ano de distância acaba e eu já não sei se cabemos um na vida do outro. Mais um café, outro sorriso, a reconstrução da confiança... Não sei o que se perdeu.
Ouvi mais músicas, fiz outros cds, terminei de ler alguns livros, comecei outros e parei porque eles sufocavam ou não diziam nada. De verdade, não lembro de uma noite inteira e esqueci outras de propósito. Me certifiquei que meu sensor de caráter funciona e quando eu sinto desde o começo que não devo confiar, o mais certo é não confiar, e que tentar mesmo que todos os meus instintos digam não, tem sempre um fim ruim.
Conheci pessoas que escrevem maravilhosamente bem. Ouvi músicas que não imaginei jamais gostar. Fui em festas estranhas. Desconheci o meu passado e sorri com o presente. Mudei...
O mais importante é que 2009 chega e, com ele mais uma chance de fazer tudo diferente, agora.
ps. desenho do hermano, Bruno Lazzari.
domingo, dezembro 14, 2008
I've got the records
That we used to share
And they still sound the same
As when you were here
The only thing different
The only thing new
Cat Power
Ela cantando lindamente (outra música) perfeita pro meu sonho, haha.
Eu posso ser muito tolerante, muito bondosa, ter o coração puro e receptivo, mas eu não suporto o máximo da carência. Não sei como alguém pode gostar de alguém, sem gostar de si, sem se conhecer, sem saber onde moram os seus maiores prazeres. Não por necessidade de autosuficiência, porque é sempre bom ter alguém para dividir, só que antes de dividir é muito mais seguro ser um inteiro.
"E sou feliz assim. Mulherzinha. Mas com bolas."
Clarah e sua frase mais brilhante.
Rá x)
ps. a cariocash maish querida colocou esse post aqui. beijo, pequena.
quinta-feira, dezembro 11, 2008
O melhor de ficar feliz é notar que são as pequenas certezas que te deixam assim. São os pequenos gestos e os caminhos mais improváveis. Porque eu procuro na vida o mais incrível, o maior sonho, o melhor beijo, o abraço mais acolhedor, a melhor cabeça pensante. Tudo isso e a certeza de que jornalismo é a única coisa que não muda...
Certeza não muda, eu sei.
ps. parabéns para os caras do "Eu, cuidador", TCC fudido, orientado pela Heidy. Assistido com as melhores companhias. ;)
terça-feira, dezembro 09, 2008
Sempre escrevi os meus limites em linhas tortas, nunca fez sentido se me sentisse presa ou acomodada. Gosto de lugares que estou porque quero estar. Pessoas por quem reviro o mundo para ver. Sorrisos sinceros em noites iluminadas pela nossa vida.
Nunca soube o que era certo ou errado, criei meu próprio código, segui minhas vontades e fui sincera, comigo, acima de tudo. E por mais que minha cabeça não parasse de contestar meus passos eu caminhava mesmo assim. Deixei as pessoas entrarem e serem importantes na minha vida, me mudarem, pequenos gestos e um perfume me lembra alguém só de passar ao meu lado. Uma música distorcida que só eu e alguns poucos amigos gostam, o meu gosto duvidoso que lembra você.
Queria te ligar e falar que passo aí para falar sobre nada como era. Te mostrar a minha vida e como todos os finais de semana fazem sentindo estando com algumas pessoas por perto, mesmo que o sentido sempre falhe quando penso que poderia ter mais um para completar os sorrisos.
E amanhã, seguindo os dias de simplicidade, recomeça o meu paraíso particular. As dúvidas sorriem enquanto esqueço delas. E ele me empresta um abraço para deixar tudo mais calmo. Porque apesar de contestarem os meus passos, eu caminho mesmo assim...
ps. o título é dela, garota alemã.
sexta-feira, dezembro 05, 2008
Não adianta. Não vou ficar por aqui recolhendo seus pedaços, tentando montar aquilo que conheci, não existe, se perdeu, acabou. Se nem nas coisas banais você consegue mais ser verdadeiro. Se me omite nomes de perguntas diretas. Se guarda de mim tudo que pode ajudar isso a se transformar em nada, é porque já se transformou. Não é fácil olhar o seu rosto se virar sem a cor que eu conheci. Não é bom, perder, se perder, te perder. Mas é de longe, necessário. Acabar com as frases truncadas, os sonhos inacabados. Existe um ponto final em algum lugar aqui, onde?
Não saberia dizer como tudo começou, porque se alongou, como acabou... Talvez tenha sido aquele dia com o karaokê e o jeito todo seu de gostar de Beatles, a coincidência de a primeira música que entendi sem notar que não era minha língua ter sido Help. Os dias se seguiram, as conversas se encontrarem, os segredos se trocarem. Uma ótima companhia para fazer nada. Um lugar para encontrar conforto em silêncio. Quando você não precisa falar nada, quando não precisa ouvir nada, e sabe que não precisa entender porque em algum momento aquilo tudo será ou não, compreendido. É como um estalo no meio da tarde quando procuro paz. Algumas palavras, outras letras, alguns sorrisos.
Talvez você note que eu ando meio perdida. Falando alguns "não sei", mais agitada do que todo o comum, talvez perceba que eu não queira nenhum deles porque não sei mais o que quero. Sair de mim. Me livrar de lembranças de fatos não consumados. De sonhos sonhados até o momento ideal, quando meu edredom amarelo me empurrava para realidade, mesmo que ali, parado. Não sei. Você já me ouviu falar alguns "sei lá". Não sei em que instante as coisas deixaram de ser comuns e se tornaram diferentes. Quando notei que você existia de uma forma diferente dos outros. Mesmo que odeie análises, te vejo de muitas formas, forte e decidido, simples e calmo, complexo e sonhador, uma intensidade omitida. Às vezes, tenho vontade de te pedir para sair na chuva e deixar a água molhar todos seus sonhos. E se com isso, você só ganhar um resfriado, existe aquele chá que minha mãe fazia quando eu era pequena, que seria bom para a sua voz voltar a ser ouvida.
Sabe, tem algumas coisas que eu nunca contei para ninguém, algum detalhe seu, que fez toda a diferença.
Cansei de todo mundo achando o que eu devo fazer. O que eu preciso fazer. Como eu preciso falar. O que eu devo guardar. Cansei de não poder ser feliz do meu jeito. E quem disse que viver ia ter que ser sempre igual?
Ponto, achei.
