domingo, março 28, 2010

"Cale-me com um segredo
Que eu não possa ver a cor"


Nunca vou conseguir revelar metade do que senti, talvez porque naquelas horas não senti metade, senti um inteiro novo e desconhecido. Entrei no reino do meu mundo particular. Olhei para dentro e encontrei coisas inexplicáveis.

Senti o meu coração bater enquanto não notava que tinha dedos. Meu corpo solto e minha alma vagando. Meus olhos fechados e a cabeça fazendo uma festa de cores, de sons, de luzes. Foi tudo tanto e tão intenso que só posso dizer... particular.

Mais um momento para o caderno da vida. Meu eu.

domingo, março 21, 2010

(des)Encontro


Apaixonada. Fielmente apaixonada por tudo que tem acontecido nos últimos tempos. Mas, ainda falta a peça que dá um sonífero para a angústia, minha companheira leal. Alguma coisa que falta e não se revela. Um sorriso que não conserta. Uma verdade que não preenche e uma solução definitiva que nunca encontro.

Não existe uma fórmula ou uma certeza que ponha fim nisso. Existem os tratamentos paliativos que me fazem esquecer durante o tempo de uma noite. Os dias de uma viagem. Os minutos de um sorriso importante. As horas de uma conversa relevante. Existem pequenos prazeres que me fazem esquecer o que sempre incomoda.

Já tentei de um tudo. Literatura de todos os espaços. Teorias de vários mundos. Espiritismo, kardecismo, catolicismo, budismo, umbadismo e todos os ismos religiosos. Nada que me dê alguma resposta embora sempre aumente as perguntas. Já vivi de várias formas, visitei vários lugares, conversei com muitas pessoas e poucas me dizem mais do que a programação exige. Todos estão ligados e prontos para falar do simples. Esses dias ganhei uma camiseta em tom de brincadeira que é uma grande verdade. "Clube dos descontentes", eu e Cristina do Woody Allen e uma porção de outras pessoas que fui descobrindo e me identificando pelo caminho. É isso que nós faz crescer, mudar, é o estímulo do desencontro que proporciona pequenos encontros.

Talvez algum dia alguma teoria (me) explique. Mas, agora, vivo do inexplicável (todo o tempo). Sempre assim embora diferente.

domingo, março 14, 2010

"se você pensa..."

Noite de sábado e eu estou sóbria depois de uma noite diferente. Sinto muito por não ter terminado a madrugada em um bar da augusta respirando o ar dessa quente da cidade. Mas, aos sábados aquele lugar não parece mais ser o meu, apesar dos meus poucos anos todos os últimos foram passados naquelas calçadas invertendo a ordem do mundo e reescrevendo a ordem das coisas.

Sábado, augusta e os últimos tempos me mostram só pessoas demais, perdidas demais, embora sempre estivéssemos perdidos (também), tínhamos uma busca. Uma busca que transformávamos em palavras nos guardanapos dos botecos ou em histórias para risadas na manhã seguinte. Mas, hoje, só resta uma energia estranha que me toma e me faz viver de um jeito sem manhã seguinte. Não dá. Não quero jogar esse jogo e ser tomada por tanta coisa, sem que elas sejam, ao menos, boas.

Sempre segui experimentando tudo. Enquanto uns brincavam de ligar os pontos até formar um elefante, eu queria as respostas das palavras-cruzadas. Queria o raciocínio do sudoku. Queria muito de tudo só que também queria paz. Me atormenta pensar no desejo reprimido e nessa verdade contida. Não poder falar e tão pouco tocar os seus pensamentos que completam os meus. Que riem em um tom semelhante das regras. Sentir o seu abraço que envolve em respeito as diferenças dos outros. Tocar na sua pele que em brasa espalha o cheiro por onde passa. É o seu cheiro que me persegue.

Você passou de invisível para invencível na luta diária da minha cabeça. E, nela, não existe certo ou errado, forte ou fraco. É só...

segunda-feira, março 08, 2010

if that's the way it has to be

Alguma coisa fora do lugar. O que e onde deveria estar, não sei. Essa insatisfação permanente, esse espaço sempre me fazendo procurar algo desconhecido. Sinto falta de me apaixonar como antes, sem medo das marcas, sem medo dos tombos, sem medo das pessoas. Diante do passado me protejo no presente. Não me reservo o direito de querer ninguém por mais de alguns segundos. Vivo o efémero e me guardo do cotidiano.

Talvez alguém consiga reinventar a rotina e me fazer querer voltar. Cansada de viver (sempre) uma noite qualquer perdida em lugares que me deixam tão pouco além da ressaca na manhã seguinte. Bukowski me entenderia. Mas, não quero me afogar em jogos e apostar em cavalos. Quero achar a minha saída para a insatisfação. Quero andar pelo meu próprio caminho. Quero tantas coisas (que nem sei o nome).


ps. título de Bandoliers do Them Crooked Vultures.

sábado, março 06, 2010

all is love

Os dias corridos tinham me condicionado a viver para fora. Precisava dividir o ar com tantas coisas que pareciam me sufocar. Por mais que tivesse tanto, de tudo, todas as coisas me diziam algo que não me importava. Ficava por várias horas procurando o que de errado havia comigo. Queria entender porque a minha cabeça vive sempre em um ritmo maluco e os sonhos parecem sempre a fuga que a noite me proporciona. Por tanto tempo achei que o erro estava em mim, até perceber que o caminho e o acertos também estarão. Vou ser escrava da minha vontade e refém dos meus desejos. Seguirei por todos os caminhos procurando algum que me diga algo além. Me sinto bem com pessoas que transpiram paixão pelas mesmas coisas que eu. Parte de um todo que me interesse e por mais que o ar seja rarefeito, em uma sala pequena e apertada, não sinto a falta de ar constante. Por um espaço de tempo o oxigênio faz o seu papel essencial e provoca aquelas reações cheia de fórmulas que nunca aprendi.

Caminhei por vários quarteirões na Paulista iluminada e impessoal. Consegui ver sem ser vista. Olhar casais e seus cachorros. Ver crianças segurando a mão dos pais apressados que parecem não terem se desligado do que passou. Sinto compaixão por elas - invisíveis - que crescem em meio a essa selva de pedra. Lembrei da fuga para Bahia nas férias, de andar de bicicleta e brincar de pedrinha (cinco pedras, joga uma pega a outra, joga uma pega duas, joga uma pega três, joga uma e pega as quatro). De subir na laranjeira e ir até o mais alto de uma árvore qualquer. Meu corpo ainda carrega as marcas da infância. Olho para as crianças que serão esquecidas em milhares de aulas que dirão muito pouco. Se vive pela metade nessa cidade e se vive por inteiro. Noite e dia te dão e tiram na mesma proporção. Um eterno perde e ganha.

De tudo que perdi e ganhei, guardo o essencial. Tenho poucos e bons amigos. Vários conhecidos e desconhecidos íntimos. Respiro essa ciranda de sentimentos que poucos devem entender. É estranho ser milhares sendo uma só. Quero ser todas para alguém que não sei. Quero algo que não conheço a forma, não sei a cor, talvez tenha na minha vida ou não tenha encontrado. Quero algo que não sei definir em palavras. Quero muito (e quero menos). A simplicidade de mãos dadas com o acaso me trouxe até aqui e me fez entrar na sala com ar rarefeito.

Quase (...) meses.

terça-feira, março 02, 2010

time is running out


Quero ouvir as suas razões em silêncio, guardar as suas explicações dadas pelo seu olhar, quero apenas um motivo para ser sua. Para acabar com a espera e consumar esses pecados. A doçura do seu toque e a intensidade do seu desejo trocados em miúdos pela sua forma simples de querer.

Tenho o espaço do vazio. Estou livre do meu passado, tudo foi aberto para um futuro desconhecido enquanto desenho o prazer no presente.

Encontro calma na urgência. Sinto paz nos seus olhos cheios de alma e enxergo suas dores rasbicadas nas paredes da vida. Quero terminar de resolver o que passou e retirar o peso que ficou. Por fim, começar uma nova vida para um novo tempo (agora).

sábado, fevereiro 27, 2010

i do appreciate you being round

Sinto falta de alguma coisa que não sei o nome. Não é nenhum dos aspectos comuns. Talvez "help!" dos beatles esteja roteirizando minha vida. Como na música, quando era mais jovem, nunca senti falta de ninguém. Era eu e a minha cabeça, eu e os meus livros, eu e as minhas músicas, eu e o meu mundo particular cheio de copos e alguns amigos.

Mas, agora, nesse instante particular onde tudo parece tão calmo, preciso de alguém. Porque a calma me desespera. Essa serenidade me dá ideias malucas e vontades surreais. Alguém para dividir uma garrafa de vinho, alguém para assistir um filme bobo, para discutir as questões irrelevantes dos aspectos minúsculos do cosmo, para ver o céu sem estrelas dessa cidade cheia de luz, para acreditar em ETs e procurar espaço nave no céu (mesmo sabendo que é maluquice demais), alguém que veja tudo maior do que é como se enxergasse através de uma lupa e soubesse que às vezes seremos minúsculos, alguém de extremos e calma, alguém que não saiba como viver dentro da própria cabeça e não fosse capaz de abrir mão disso, alguém que não me concedesse direitos sobre sua vida e não pedisse isso na minha, alguém que gostasse dos meus amigos e que eu gostasse dos dele, alguém que não criasse expectativa e controla-se a minha.

Gosto do jeito que me faz pensar em aspectos desconhecidos de algo que pensei por vários dias. Gosto de sentir que meus pensamentos não agridem ou incomodam (por existir). Gosto de sentir que posso não ser nada disso em uma noite diferente.

Minha vida mudou em tantos sentidos...

domingo, fevereiro 21, 2010

onde quero chegar

Estava tudo chato. Sem graça. Silêncio demais enquanto meus pensamentos gritavam. Andava em companhia do desconhecido, segurando a mão de uma tranquilidade morna enquanto me iludia. Sem encontrar nada que matasse a minha sede apenas bebia mais. Um jeito simples de acalmar meus pensamentos enquanto eles pensam em partir. Enquanto quero apenas pedir ao mundo que seja menos mundo. Vamos fugir para um lugar longe daqui onde possamos ouvir cada acorde solto, onde os livros sejam escritos fora da forma e eu possa ouvir o som da sua risada.

Quando foi que você se apossou dos meus pensamentos? A sua cabeça me fascina enquanto você nega em voz alta tudo o que eles pensam. Se contradiz da cabeça aos pés e se revela enquanto olha no olho. Pulsa inteiro enquanto me faz pulsar sem ritmo.

Você parece uma esfinge desfilando a profecia do "decifra-me ou devoro-te". Certo de que nunca encontrará Édipo e pronto para lutar bravamente enquanto segue. Até que a luta se torne outra coisa e a profecia se desfaça em silêncios, quem sabe.

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Entre julgamentos e encontros

Cansei. Cansei de ter que fingir por quatro horas do meu dia que faço parte daquilo, que as piadas (sem graça) me interessam, que acredito naquela revolução armada de filhinho de papai. Cansei até do bar, dos malucos que caem de pára-quedas do seu mundo particular. Cansei dos sorrisos forçados, da falta de respeito, dos esbarrões que uns dão nas dores do outro. Lembro perfeitamente das piadas sobre alguém com câncer. "Peralá grande, a mãe dela morreu disso". Cansei de fazer do real algo pitoresco.

Foram três anos e falta mais um. Porque me parece besteira essa coisa do encontro de interesses entre universitários. Meu encontro aconteceu antes. Precisei perder meu porto seguro para notar que ele andaria de mãos dadas comigo. E só assim, então, encontraria um teto no irreal. Eram nas letras, nas músicas, nas palavras. Era no que toco e no que sinto. Tive que aprender a conviver comigo e ser suficiente. Encontro no caminho alguns iguais para os quais o paraíso se resume em algo muito simples. Uma noite em um lugar com luzes vermelhas para transformar o tédio em melodia. Uma tarde em um café para verbalizar pensamentos contidos. Andar pela augusta pulando os buracos das calçados, desviando dos malucos (demais), revelando sorrisos enquanto pedidos aos céus para segurar a chuva que sempre tem caído em São Paulo.

Cansei dos que vivem me julgando. Porque você é assim ou assado. Sou crua, pronto. Estou no ponto exato das mudanças. Vou afirmar sem medo de errar que mudarei constantemente.

E, por outro lado, o mundo tem sido bom comigo. Estou vendo utopia virar realidade. Portas se abrindo em lugares desconhecidos. Olho para dentro, com receio porém sem medo. Acredito no que aprendi até aqui e vejo tanto para aprender. O conhecimento me motiva, o que tenho e o que posso ter. Mas, tudo isso está dentro de uma sala de aula ouvindo o óbvio ou na vida?

Sem pular etapas, sigo por elas, impaciente.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

incolor

Talvez procurasse algo que não existe. Sentir que era compreendida em silêncio enquanto todos se perdiam em palavras, notar que no alto de uma árvore uma folha diz algo incompreensível ao que estamos acostumados. Me pego reparando em formas desconhecidas, notando ritmos obscuros, ouvindo notas musicais inexistentes. Quero o que não tem nome, o que não tem cor, o indefinível em forma. Quero sentir que não sentir é apenas um espaço de tempo. Quero sentir tudo tão maior, os seus olhos claros iluminando um caminho desconhecido enquanto se fazem enigmas impressionantes. Quero o simples de um dia cheio, a calma do mar depois das ondas, nado sem direção até a calmaria não me parecer tédio. Te desfaço no infinito de algo indefinido. Busco alguém sem cor, sem nome, um segredo repleto de si. Quero o seu sorriso contido e o seu pranto reprimido. Quero experimentar o inteiro enquanto você acredita ser meio. Quero algo que não tem forma, não tem cor, não tem nome... Quero apenas você?

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Proibido proibir

É tão bom voltar a viver no desconforto que é ser o que sou. Admito, me adequei durante todo o ano que passou para deixar as coisas mais simples. Não queria ser julgada, apontada, questionada. Não queria ser vista porque não tinha para onde correr, não conseguiria me sentir em casa estando tão longe. Me faltou o chão. Me faltou ar. Tomei banhos de chuva a procura de algo que não encontrei na água.

Entre a corrida achei outros lugares que me faziam sentir livre para ser. Cheguei a viver como queria, como sabia, como podia. Notei que o meu erro era guardar tudo em um lugar só. Me reservava demais o direito de não compartilhar. Como uma filha única que não aprendeu a dividir, me guardava fundo.

Conheci pessoas que me fizeram rever alguns dos meus conceitos. Pessoas que me desvendaram em poucos momentos apenas por poupar julgamentos. Identificação e alguma outra coisa que talvez tenha a ver com vidas passadas ou algo maior que rege a falta de lei do mundo. Nunca consegui as respostas. Só colecionei mais perguntas a medida que encontrava um caminho para solucionar a primeira. Não acredito nas leis dos homens. Não acredito nisso que estamos fadados a viver. Me diz mais a felicidade de fazer o que gosto do que uma cifra. Adoro os perdidamente apaixonados, os impulsivos, os amantes da própria verdade. Essa que vivemos procurando enquanto ela muda. Mudamos todos os dias diante de um sorriso sincero de uma criança, de uma música, de uma frase solta. Diante dos dois pombos que pareciam estar em uma mesma sintonia esquecendo-se que eram só pombos. Pareciam dois amantes celebrando alguma coisa qualquer. Sim, eram só pombos, pequenos porém gigantes me fazendo sorrir de algo que quase nunca notamos. Era a vida, mesmo que não a humana, coexistindo livremente.

É confortável falar direto da minha zona de desconforto. Continuo seletiva, evitando muitos, me protejo com os fones de ouvido e me guardo nos livros. Acredito na minha intuição e sigo por esse lugar imprevisível que chamamos de vida. "Vou olhar os caminhos, o que tiver mais coração, eu sigo."




ps. a última frase é cortesia do Caio F.

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Despedida

Um beijo seu carrega a surpresa de uma música desconhecida, sem letra, só uma melodia leve que embala o corpo para chegar a um lugar além do que imaginamos, fizemos, planejamos, quase um risco que jamais assumimos. Queria planejar um ano inteiro de surpresas para quando eu estiver longe, quando nossas vidas deixarem de coexistir no mesmo espaço, sem te ver, seria a minha forma de te reservar mais riscos, menos certezas, mais felicidade, menos comodismo e te roubar alguns sorrisos, que eu não veria, já que não estarei mais no mesmo lugar. Menos dramático, mas com a mesma ideia daquele filme romântico e bonito que tem nome de música dos beatles.

Queria poder sentir isso de forma plena. Já não sei o que se passa aqui, não consigo desvendar os meus sentimentos, nem entender os meus pensamentos. Tudo tão misturado com a vontade que apareceu, assim de repente. São algumas dúvidas, me faltam certezas, sobram possibilidades. Quem sabe quando desistir de fugir eu note que o tempo inteiro foi sempre: você.

02/08/2009

domingo, janeiro 31, 2010

our wrongs remain unrectified

Não falo do que senti naquele momento porque seria tão banal quanto explicar o amor. Comum e particular como só os sentimentos genuínos são. A construção e a desconstrução fazem do cliché a bússola. Aos poucos são destruídos os alicerces e, de repente, tudo parece meio bambo, meio solto, sustentado por alguma coisa muito frágil. Ainda daria tempo de salvar algo, não deixar tudo acabar, o prédio virar.

Se as verdades tivessem sido simplesmente ditas e os sentimentos enfrentados poderíamos deixar o tempo fechar o que o acaso abriu. Mas, se nem isso, pra que então?

Eu amo várias vezes e em doses particulares. Amo meus amigos, alguns poucos e outros vários que me fazem simplesmente feliz. Alguns livros que me fazem sentir em palavras que nunca estarei só embora adore estar sozinha. Algumas músicas que transformam em melodia o que meus sonhos contam. Amo o sorriso da minha irmãzinha. O abraço da minha avó por adoção, dos meus avós por concepção. Amo acordar de um sonho bom ainda sentindo ele passear em imagens dentro de mim. Alguns filmes que representam em imagens as histórias que adoraria contar. Amo coisas que não mudam em letras, palavras, melodia, imagem e amo os que são só outros. Pessoas, como eu, procurando sempre alguma coisa que nunca definimos. Tem aqueles que (também) perceberam que são as perguntas que nunca acabarão. É, dentro dessa busca que viveremos todos os nossos dias até o último, quem sabe. Tem amor que virá outra coisa. Tem história que muda de página. Tem música que troca de melodia. Tem amigo que decepciona ou condiciona o presente a um passado que deveria ser irrelevante. Tem também, aqueles que, não são amigos. Embora, a gente, um dia tenha acredito que...

segunda-feira, janeiro 25, 2010

i told you i was trouble

Em que momento entrou essa racionalidade desconhecida? Como uma intrusa me fez pensar nos meus defeitos e proteger alguém de mim. Porque eu sei que ia perder o interesse tão logo qualquer coisa acontecesse. Como perdi antes, como sempre acontece. Sou uma romântica que sonha com o desafio que nunca existiu entre nós.

É como se os seus excessos de verdade tivessem acabado com o mistério que faz tudo parecer mágico. E, diferente de antes, me privei do momento. Em um ataque de lucidez mantive a sua vida nos eixos e longe da minha.

Sabemos, mesmo sem querer, que não caminho pelo óbvio. Não convivo em paz com a calmaria. Tudo que iria encontrar se tornaria um fardo em questão de poucos dias. E, outra vez, teria que me desculpar com você pelas ausências ou comigo pela traição iminente do meu compromisso com a liberdade. you know i'm no good.


ps. frases emprestadas da Amy e a ansiedade pelo cd novo dela só aumenta.

domingo, janeiro 24, 2010

"downy sins of streetlight fancies"


Reencontrei o valor das coisas que haviam se tornados superficiais só para não me revelar demais. Me guardo o direito de ser várias para ser uma só e me mostro cada vez menos. Tenho mais partes dentro dessa matrioshka que é a vida. Sim, a boneca russa, uma dentro da outra, até a última que tem sempre um centímetro e é a única que não é oca. A essência. Comprimida em um centímetro de existência estão as marcas, as lembranças, as crenças. Está tudo aquilo que ninguém me tira e que não negocio. Estão as experiências e os sorrisos. A saudades de alguma coisa e a esperança sempre renovada. Dentro de um centímetro está a busca, os pensamentos, tudo aquilo que não parece, os lugares onde ninguém entra, os lugares que guardo para alguém, o que reservo e o que conservo de mim.

Me entrego quando as palavras saem, os medos se confessam, os olhos se encontram como se nada mais houvesse. Naquele momento em que uma aura nasce ao redor e ao que, sem compromisso, damos o simples nome de desejo.

Vivo a noite como se não houvesse um dia seguinte. Esqueço os compromissos, invento minhas próprias regras, crio com o mistério uma relação estável. A espera de que um dia queira que a noite vire dia. E então, uma parte de mim, será calma...

quarta-feira, janeiro 13, 2010

take me there

Queria poder dar tudo de mim. Sentir que todas essas letras são possíveis. Mas, como me libertar das marcas das minhas paixões erradas? Como recomeçar a sonhar um sonho que não vivi e já está cansado de ser errado?

Você tirou os meus pés do chão quando eles pareciam enterrados. Me fez imaginar o seu sorriso contemplando os nosso planos. Queria acreditar nos deuses dos homens e na ilusão da fé em algo que meus olhos desconhecem. Quando te tenho comigo chego a acreditar que acharemos um jeito de chegar ao sol e prender as estrelas no nosso mundo particular. Quero sentir que a liberdade ao seu lado fica maior e não que isso vai me apressionar. O inferno é esse valor sobrenatural que dou ao que posso viver sem me adaptar aos relacionamentos dos outros.

Queria acordar ao seu lado e sentir diferente do que estou acostumada. Não querer ir embora, levantar correndo com uma desculpa qualquer para começar o meu dia longe das marcas do presente.

Eu queria conseguir tentar ser sua. Por uma noite, por um dia, por uma semana, pelo tempo que o desejo controlar as nossas ações. Você pode me levar, eu sei.

terça-feira, janeiro 12, 2010

alma dissonante

Eu quero revirar seus pensamentos e mudar a ordem das coisas. Quero fazer uma bagunça gigante diante do seu sorriso. Quero os pensamentos complementares respirando em voz alta. Quero sentir a sua verdade transbordando pelo seu corpo. Quero ver suas lágrimas lavando a sua alma do pecado. Quero as músicas e o silêncio transformando "o tédio em melodia". Quero que todo dia seja como o primeiro e seja desfeito o cotidiano. Quero sentir que o impossível é possível ao seu lado.

Salvo todas as minhas ressalvas. Reservada a minha forma particular de pensar. Desfeita as marcas do passado e o medo, o futuro é uma incógnita guardada em uma equação que não sei como resolver. Acaso?

quarta-feira, janeiro 06, 2010

everything is slowing down

Estamos todos morrendo de tempo. Do que vai, do que falta e do que fica. O tempo que gastamos segurando o medo, horas perdidas reprimindo os pensamentos, vivemos contendo os desejos enquanto reinvidicamos um espaço que nem sabemos se realmente existe.

Todos esses atores da vida real. Os jovens velhos de 18 anos, iludidos pela idade acreditam que já conhecem tudo. E então, um ano após o outro, o passar dos minutos se mostram amigos. Seres humanos, o vinho, melhor com os anos se armazenado da forma certa. A garrafa deitada, uma pessoa livre. A temperatura ideal, alguém que se interessa pela arte que se esconde no cotidiano.

Morremos de tempo quando perdemos ele fazendo julgamento. Quando vamos nos adequando, se encaixando, abrindo mão, fazendo concessões demais por preguiça de acreditar na própria verdade.

E daqui para frente? Só interessa o tempo que fica e marca nossa pele evidenciando o doce passar dos anos. Tempo, amigo analógico.

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Zelig

Nos momentos que parecia piada me peguei pensando que Britney Spears entenderia. Um dia ela é vista com a doida que raspa o cabelo e quebra vidros de carro com um guarda-chuva e duas semanas antes era a "princesinha do pop". Normal, só que alguém muito mais exposta as expectativas dos outros.

Todo mundo tem seu dia de não. Um dia de pouco se importar com a humanidade embora viva envolvida em projetos sociais. Um dia que encontra genialidade no acaso e outro que repugna tudo que não consegue controlar.

Todo mundo é milhares sendo apenas um. Quantas pessoas conhecem tudo que você realmente é? Quem conhece a sua intolerância e a sua meiguice? Quem conhece os seus sonhos e os pesadelos? Quem sabe o seu filme preferido e a banda que você não suporta? Quem conhece o seu tom de voz quando está tentando esconder algo? Quem tem as chaves completas do outro? E quem tem o controle absoluto sobre si? Quem recusa as mudanças, dispensa o novo, não desconhece a evolução?

É evidente que os defeitos são exagerados, evidenciados, as consequências escancaradas. Não consigo conviver com "camaleões" que mudam a favor do externo, que se adequam, se encaixam, diminuem ou aumentam conforme a necessidade. Porque como a Anais Nin "ajusto-me a mim, não ao mundo" e sigo no ritmo do Raul quando "prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo".

domingo, janeiro 03, 2010

i wanna let go of the pain i've held so long


O ano novo revela o que tentamos esconder enquanto estamos presos ao chão e às obrigações do passado. O alto da montanha desmascara meus medos escondidos, percebo que estou repetindo um erro e não tenho feito nada para mudar. Não sei como continuar subindo sem cair, não conheço o caminho embora já tenha andado por ele, o eterno retorno que o Nietzsche contou, agora, me parece falho. Os sentimentos se repetindo e não se reconhecendo frente aos novos fatos.

Lembro da mensagem no meu celular que mais tarde virou piada. "Um enigma que vou passar a vida tentando decifrar". Me pego sentindo a mesma coisa. Me sinto invadida pela mensagem, pela pessoa que me mandou, pela revelação silenciosa feita sem pretensão. Realmente devo ser um enigma que EU vou passar a vida tentando decifrar. O enigma é interno e por isso que dificulto a entrada dos outros. Na porta da minha vida, uma seleção natural impede o contato simples. Sou vestida de sarcasmo, envolta em piadas, largamente revestida de uma proteção diferente. Só apareço aos poucos, são pequenos e insignificantes segredos que me fazem uma garota no corpo de mulher.

Escondo as músicas da Britney Spears que tenho no PC ou não deixo ninguém ver no msn quando ouço Linkin Park. Deixo acreditarem que sou só a garota que gosta dessas coisas que "eles conhecem como bom gosto". É tudo mais cheio de mistério do que parece. E, exatamente por isso, é simples. Entra, a porta está aberta (para você).