terça-feira, dezembro 30, 2008
Se eu pudesse definir esse ano em uma palavra, ela seria: intenso. As coisas aconteciam por vontade própria, meus sentimentos corriam de mim e eu deixava eles circularem, presenteava com carinho e não ligava para o pouco caso. Corria até perder o ar só para deitar na grama depois. Sorria até não sentir a bochecha. E chorava sem medo de molhar o rosto. Deixei tudo simplesmente fluir. Era o fim e o começo de uma nova era.
Talvez esse ano passe devagar, com a calma desse sentimento que me invadiu. Pra você, eu vou sempre ser a memória, talvez volte para onde terminamos e um dia nós cheguemos a conversar sobre isso. Não agora, nesse momento, que não é mais seu. Eu gostaria de te pedir desculpas. Mas, eu não serei jamais a sua inimiga.
É o fim de um ano complexo e doce. É o fim do ano em que eu me (re)encontrei.
Eu só queria agradecer cada abraço dos meus amigos. Cada palavra sincera. Com vocês, eu sinto que posso ser inteira, vocês são meus pedaços todos. Meus melhores pedaços.
Esse fim de ano anuncia um 2009 maravilhoso. Que ele seja doce, cheio de mudanças, em um caminho de certezas, com sorrisos iluminando cada um dos passos. Eu só espero que todos tenham a coragem de se enfrentar. Por mais um ano.
ps. Esse é o último post do ano, estou voltando para a viagem mais divertida dos últimos tempos da última semana. Feliz ano novo, meus especiais e (para os não especiais também). x)
quinta-feira, dezembro 25, 2008
No fim daquela semana que premeditaria o fim de mais um ano e esse foi tão diferente para nós. Um ano distante. Precisávamos nos reconhecer dentro de tanta história pela metade, um ano para escrever nossa própria história, queria ter te ligado tantas vezes, quando eu consegui de uma vez por todas te esquecer, queria ter contado que conheci alguém capaz de me mostrar que existia muita coisa além de tudo que você nunca soube fazer acontecer. Alguém que me deixava a vontade para voltar a ser eu. Teve também aqueles outros dias. Alguns lugares maravilhosos que a sua presença teria iluminado ainda mais. Noites no carro atravessando a cidade numa velocidade muito maior que a permitida e os pensamentos voando baixo. Faz um ano e, o nosso café de aniversário me fez voltar a viver cada dia do ano que acaba na semana que vem.
Nas nossas conversas o seu sorriso davam o tom das palavras. E os meus olhos, fugitivos e infantis, falavam em códigos. Mesmo que nunca tenhamos de fato conseguido entender muito bem o que tenha formado esses momentos. Você tem uma porção de coisas que eu considero insuportáveis. Talvez nunca tenha entendido a forma como me entrego a vida. Quando dizia que precisava estar apaixonada o tempo inteiro e como uma decepção acaba de vez com um sonho. Porque demora demais até confiar e um segundo para desconfiar.
Te contei dos meus dias. De como esse ano me aproximou mais dos meus amigos daqueles tempos de colégio. Porque a nossa vida caminhou em paralelo para o mesmo lugar. Eram meus amigos por não terem medo de viver, de ser feliz, de pular em um montinho, de conhecer a falta de limites quando buscávamos ser feliz. Queria te contar que agora, nesse momento, tenho medo da distância que se aproxima, porque eu não sei como vou lidar com a falta do meu porto seguro, todos poderiam sempre passar, me apaixonar e desapaixonar fervorosamente durante décadas, mas sabia que tinha alguém a distância do meu celular, são cinco anos da melhor amizade que eu tenho na vida, e ainda teremos muitos e muitos, só que esse um ano que se aproxima, me deixa aqui sem saber como lidar com a falta que eu já sinto. Talvez fugir e deixar passar seja um jeito de evitar a dor. Talvez esquecer das despedidas e viver esse último mês, outro. Depois mais doze meses e eu não sei como eu fico aqui. Porque com todo esse pensamento me sinto a mais egoísta, embora por outra lado morra de orgulho de tudo que ela conquista e saiba que conheço a melhor futura advogada desse país. Talvez sejamos isso com quem amamos, egoístas, queremos prender a presença e não lidamos bem com a falta. Queria te contar tudo isso durante o nosso café, mas tem coisas que ficam melhor no silêncio.
Lembra quando te falava do jornalismo? De como é importante estar apaixonada? Você recebeu a notícia da minha nova paixão com espanto. Até eu sorrir e falar que era pelo mesmo, pela profissão que escolhi para doar a minha vida. Finalmente comecei a trabalhar com música, entrei no caminho que quero trilhar, estou feliz e isso me faz acreditar que tudo vai ficar bem.
Esse nosso ano de distância acaba e eu já não sei se cabemos um na vida do outro. Mais um café, outro sorriso, a reconstrução da confiança... Não sei o que se perdeu.
Ouvi mais músicas, fiz outros cds, terminei de ler alguns livros, comecei outros e parei porque eles sufocavam ou não diziam nada. De verdade, não lembro de uma noite inteira e esqueci outras de propósito. Me certifiquei que meu sensor de caráter funciona e quando eu sinto desde o começo que não devo confiar, o mais certo é não confiar, e que tentar mesmo que todos os meus instintos digam não, tem sempre um fim ruim.
Conheci pessoas que escrevem maravilhosamente bem. Ouvi músicas que não imaginei jamais gostar. Fui em festas estranhas. Desconheci o meu passado e sorri com o presente. Mudei...
O mais importante é que 2009 chega e, com ele mais uma chance de fazer tudo diferente, agora.
ps. desenho do hermano, Bruno Lazzari.
domingo, dezembro 14, 2008
I've got the records
That we used to share
And they still sound the same
As when you were here
The only thing different
The only thing new
Cat Power
Ela cantando lindamente (outra música) perfeita pro meu sonho, haha.
Eu posso ser muito tolerante, muito bondosa, ter o coração puro e receptivo, mas eu não suporto o máximo da carência. Não sei como alguém pode gostar de alguém, sem gostar de si, sem se conhecer, sem saber onde moram os seus maiores prazeres. Não por necessidade de autosuficiência, porque é sempre bom ter alguém para dividir, só que antes de dividir é muito mais seguro ser um inteiro.
"E sou feliz assim. Mulherzinha. Mas com bolas."
Clarah e sua frase mais brilhante.
Rá x)
ps. a cariocash maish querida colocou esse post aqui. beijo, pequena.
quinta-feira, dezembro 11, 2008
O melhor de ficar feliz é notar que são as pequenas certezas que te deixam assim. São os pequenos gestos e os caminhos mais improváveis. Porque eu procuro na vida o mais incrível, o maior sonho, o melhor beijo, o abraço mais acolhedor, a melhor cabeça pensante. Tudo isso e a certeza de que jornalismo é a única coisa que não muda...
Certeza não muda, eu sei.
ps. parabéns para os caras do "Eu, cuidador", TCC fudido, orientado pela Heidy. Assistido com as melhores companhias. ;)
terça-feira, dezembro 09, 2008
Sempre escrevi os meus limites em linhas tortas, nunca fez sentido se me sentisse presa ou acomodada. Gosto de lugares que estou porque quero estar. Pessoas por quem reviro o mundo para ver. Sorrisos sinceros em noites iluminadas pela nossa vida.
Nunca soube o que era certo ou errado, criei meu próprio código, segui minhas vontades e fui sincera, comigo, acima de tudo. E por mais que minha cabeça não parasse de contestar meus passos eu caminhava mesmo assim. Deixei as pessoas entrarem e serem importantes na minha vida, me mudarem, pequenos gestos e um perfume me lembra alguém só de passar ao meu lado. Uma música distorcida que só eu e alguns poucos amigos gostam, o meu gosto duvidoso que lembra você.
Queria te ligar e falar que passo aí para falar sobre nada como era. Te mostrar a minha vida e como todos os finais de semana fazem sentindo estando com algumas pessoas por perto, mesmo que o sentido sempre falhe quando penso que poderia ter mais um para completar os sorrisos.
E amanhã, seguindo os dias de simplicidade, recomeça o meu paraíso particular. As dúvidas sorriem enquanto esqueço delas. E ele me empresta um abraço para deixar tudo mais calmo. Porque apesar de contestarem os meus passos, eu caminho mesmo assim...
ps. o título é dela, garota alemã.
sexta-feira, dezembro 05, 2008
Não adianta. Não vou ficar por aqui recolhendo seus pedaços, tentando montar aquilo que conheci, não existe, se perdeu, acabou. Se nem nas coisas banais você consegue mais ser verdadeiro. Se me omite nomes de perguntas diretas. Se guarda de mim tudo que pode ajudar isso a se transformar em nada, é porque já se transformou. Não é fácil olhar o seu rosto se virar sem a cor que eu conheci. Não é bom, perder, se perder, te perder. Mas é de longe, necessário. Acabar com as frases truncadas, os sonhos inacabados. Existe um ponto final em algum lugar aqui, onde?
Não saberia dizer como tudo começou, porque se alongou, como acabou... Talvez tenha sido aquele dia com o karaokê e o jeito todo seu de gostar de Beatles, a coincidência de a primeira música que entendi sem notar que não era minha língua ter sido Help. Os dias se seguiram, as conversas se encontrarem, os segredos se trocarem. Uma ótima companhia para fazer nada. Um lugar para encontrar conforto em silêncio. Quando você não precisa falar nada, quando não precisa ouvir nada, e sabe que não precisa entender porque em algum momento aquilo tudo será ou não, compreendido. É como um estalo no meio da tarde quando procuro paz. Algumas palavras, outras letras, alguns sorrisos.
Talvez você note que eu ando meio perdida. Falando alguns "não sei", mais agitada do que todo o comum, talvez perceba que eu não queira nenhum deles porque não sei mais o que quero. Sair de mim. Me livrar de lembranças de fatos não consumados. De sonhos sonhados até o momento ideal, quando meu edredom amarelo me empurrava para realidade, mesmo que ali, parado. Não sei. Você já me ouviu falar alguns "sei lá". Não sei em que instante as coisas deixaram de ser comuns e se tornaram diferentes. Quando notei que você existia de uma forma diferente dos outros. Mesmo que odeie análises, te vejo de muitas formas, forte e decidido, simples e calmo, complexo e sonhador, uma intensidade omitida. Às vezes, tenho vontade de te pedir para sair na chuva e deixar a água molhar todos seus sonhos. E se com isso, você só ganhar um resfriado, existe aquele chá que minha mãe fazia quando eu era pequena, que seria bom para a sua voz voltar a ser ouvida.
Sabe, tem algumas coisas que eu nunca contei para ninguém, algum detalhe seu, que fez toda a diferença.
Cansei de todo mundo achando o que eu devo fazer. O que eu preciso fazer. Como eu preciso falar. O que eu devo guardar. Cansei de não poder ser feliz do meu jeito. E quem disse que viver ia ter que ser sempre igual?
Ponto, achei.
domingo, novembro 30, 2008
Uma vez por mês eu entendo toda a humanidade, o jeito que todo mundo anda sem fé ou esperança no futuro, que banalizam o amor, que esquecem a simplicidade do sorriso de uma criança. Uma vez por mês eu entendo e sou como todos os outros. Me falta esperança, fé e vontade. Nesse mês, o meu dia de me sentir igual, veio depois de um em que me senti diferente. Esperança de que toda vida se encaixaria naquele melhor sorriso, que nada importaria tanto assim, que todo esse desencontro era armadilha da vida para armar algo maior e mais bonito. Um dia antes do meu dia de todos os outros, me senti feliz e acolhida por um lugar que já reconheci como parte da minha rotina, que fez de algum dos meus dias os melhores, perto de quem fez de toda diferença, equilíbrio. Um dia antes do meu dia de todo mundo, eu consegui dormir uma noite inteira calma, com sonhos doces dos quais não me lembro, mas eram doces, isso eu sei.
Depois do meu dia de todo mundo. Dormi poucas horas um sono agitado e cheio de pesadelos. Um maldito rato, que a maldita pessoa que estragou tudo apareceu para brincar, uma cobra e um leopardo em um restaurante moderno demais, todas essas coisas que sendo hippie o suficiente para pesquisar o significado dos sonhos, simboliza falsidade. Uma vez por mês, eu sinto medo, não só de mim, como é habitual, dos outros, sinto medo de todos que não entendem absolutamente nada das diferenças, dos que banalizam os sentimentos, da indiferença que você se veste. Uma vez por mês eu sinto algumas coisas, ruins.
Uma vez por mês, eu sinto uma vontade absurda de ouvir Cranberries até o mundo acabar. Sabe, o que é? Uma vez por mês eu quero que o mundo acabe. Meus sentimentos se explodão. A verdade caia como uma luva nas suas mãos. Os sonhos se desfaçam. E a esperança morra. Devia querer isso todos os dias, mas eu li Pollyanna demais, percebi cedo que só os riscos valem a pena na vida e viver sem eles, é a inércia que torna os dias previsíveis, demais, para mim, que não sei viver assim. Mas, uma vez por mês, eu sei.
Eu continuo, dia após dia, testando os limites das palavras. Confissão, impulso, uma falta completa de razão, uma vida inteira de emoção, uma das nossas eternas diferenças é que eu não sei esconder o coração, eu já te pedi para me ensinar, mas essa é uma das coisas que você me negou com um sorriso. Uma vez por mês, eu queria ser diferente, só para não ser assim todos os dias. Uma vez por mês, eu tenho tpm e canso da fé. Sempre, uma vez por mês.
ps. o turbilhão de pesadelos dessa noite foderam a vida. =\
ps2. primeira mixtape =)
terça-feira, novembro 25, 2008
after all this time i don´t know why*

Sinto falta de como você me equilibrou. De como todo meu impulso era controlado pela sua razão. E nossas mãos se perdiam em lutas sem ganhadores. O seu sorriso sempre disse mais do que as suas palavras. Era com ele que você se vestia sempre que não queria responder ou perguntar. Era assim que você se limitava a conhecer do mundo apenas o essencial. Talvez você nunca tenha saído muito da sua rota. Medo de olhar para dentro e notar que diferente de tudo isso, algo te move, como a lágrima da fênix que cura todo o mal, o fim dos seus medos te curariam. Seria um dia após o outro como aqueles que vivemos. Uma frase solta grudada na outra. Um sorriso guiado pelo outro. Sonhos coloridos e confessados baixinho. Sem o medo de não ser bom o suficiente, seriamos um, pelo tempo do eterno, mesmo que não seja para sempre.
Quando eu era muito mais garota do que hoje. Eu acreditava que encontraria alguém para me completar, alguém que formasse tudo que eu imaginei, mas o tempo passou e o mundo mostrou que eu encontraria alguém que me equilibrasse e eu seria o desequilíbrio da vida dele. Nossas visões de mundo seriam diferentes porque era necessário aprender também. Nossos sonhos seriam parecidos, nossas vontades seriam semelhantes, nossa capacidade de ouvir seria igual. Nesses pequenos detalhes encontrei você.
Faz dias que encontrei alguns sorrisos que me mostram um novo caminho ou iluminam o antigo. É como se caminhasse no meio de uma estrada e o destino estivesse ao lado, um dos dois lados, mas eu continuo no meio, seguindo sem notar que quanto mais caminho, mais a estrada se afunila e ali no fim dela, os dois virão um único. Como se fosse inevitável chegar a um lugar que se escreveu nas estrelas, no dia que você notar a existência delas e deixar que todo peso do que é obrigado, se vá. Não é preciso mudar, não era, mas você fez. Adequou-se e virou isso que eu não reconheço mais...
Até o fim da estrada, ainda não consigo enxergar os pontos, e me deparo com os dois lados. Escolhas?
-- * Girl - The Beatles
domingo, novembro 23, 2008
A diferença de se encontrar ou parar, é que ninguém se acha sem se perder, é preciso aquele período de experimentar a sensação de 'não saber', para que a arte do encontro seja real. Se não, é só a inércia nos levando até um ponto qualquer. "Ela sabe exatamente o que não quer". A partir daí se desenrolou uma infinidade de coincidências. É estranho como não encontro um porto, porque sigo com a premissa máxima de que só o 'não realizado pode ser romântico' e, eu nem sabia disso até uma conversa em um bar, porque algumas pessoas pensam coisas parecidas, algumas pessoas também são diferentes. Outras se encontram em um conto de fadas e buscam um 'para sempre'. Enquanto aprecio o caminho e o desenho de detalhes. Procuro sorrisos. E vivo em busca de pequenas doses de verdadeiro sentimento. Desprezo quem precisa estar com alguém. Esqueço quem se perde em uma vida vazia. Encontro quem sorri da sua própria loucura. Quem se aceita da cabeça aos pés e enxerga os próprios defeitos. Aqueles que me fazem sorrir e chorar de felicidade.
Quero cantar até perder a voz. Viver até não me sentir estrangeira de mim mesma. Não me prender jamais ao que esperam de mim. Quero uma vida plena. E assim, eu prefiro 'regretting instead of forgetting with somebody else', como canta a Nega.
E ainda existem pessoas que acham tanta contradição, charme. Apesar de acreditar no não realizado, o realizado é bem melhor e me carrega leve por dias sem notar...
-- Nina Simone
terça-feira, novembro 18, 2008
As coisas só começaram a fazer sentido quando eu aceitei que seria diferente. Meus sonhos não responderiam as expectativas dos outros. Minhas vontades seriam particulares. Meu gosto estaria extremamente ligado a liberdade. Quando aceitei que poderia sentir falta de quem quisesse no show de quem fosse. Quando as coisas finalmente fizeram sentido...
Com uma dose extra de sorte encontrei amigos maravilhosos e pessoas que vivo revendo pelo mundo. Fora os meus amigos, lembro com carinho de alguns outros, porque as pessoas deixam mais do que marcas no meu corpo. Escrevem a sua história em um, ou mais, capítulos da minha. E se hoje, tudo é assim tão impreciso, é porque resolvi que mais vale observar os passarinhos voarem livres....
Um beijo,
Carinho...
* título dessa música
Could we
Take a walk
Could we
Have us a talk alone
In the afternoon
(...)
-- da Cat Power
segunda-feira, novembro 17, 2008
Um monte de músicas, um monte de frases, um monte de coisas sem sentido concreto que fariam mais sentido com você, que nem sei quem é. Uma pessoa que eu espero para me deixar quieta quando eu teimar em falar. Para olhar nos meus olhos e descobrir que eles podem esconder tanta coisa, menos de você, que eu nem sei quem é. Alguém capaz de desmontar todas as minhas armadilhas sem cair em nenhuma. Que não se deixe ser boicotado pela minha mania de ficar sozinha. Que note a diferença entre necessidade de silêncio ou capricho.
Sabe, você, pra quem eu entregaria algumas coisas que nunca deixei ninguém tocar. Só você, que nem existe, porque não tem mais um alguém atrás do meu você. Não precisa mais tentar fazer eu te esquecer, porque eu já esqueci, você foi um produto maravilhoso da minha imaginação que não funcionou no jogo da vida real.
Sabe, eu continuo esperando você com meu guarda-chuva para te proteger da água e com um sorriso para te proteger do mundo. O resto a gente faz funcionar, dar certo, acabar. Com um toque de leveza nessa vida cinza, da chuva, do dia a dia...
domingo, novembro 16, 2008
Queria te pedir para não iluminar demais os meus dias. Não sorrir nos momentos certos e nem saber exatamente o que falar. Queria te pedir para não preencher espaços com a sua vida e nem deixar a minha mais leve. Queria te pedir para nunca, jamais, em hipótese alguma pensar em ser especial.
Reconheço que nesse momento me deixei ser vista, sorrio mais e falo do meu passado com doçura e certeza de que o melhor é andar para frente. Penso nas coisas que seriam dele, só dele, as minhas mãos cuidando do seu presente, meus dedos escrevendo broncas para ele notar que não pode andar sem guarda-chuva e depois a minha voz meio brava, meio compreensiva perguntando se não seria melhor eu ir socorre-lo com o meu guarda-chuva vermelho. Lembro de pequenas e bobas frases para o fazer sorrir. Das minhas canetas com ele, esperando uma nova história ser escrita.
Cansada do marasmo fui naquele lugar sentir saudades. Trocar passos com os sonhos marcados, os medos retidos, as palavras guardadas. Me vesti do silêncio e sorri para a compreensão. De repente existe identificação em algum lugar de um sorriso. Cantei de olhos fechados todas aquelas músicas com letra demais, vida demais, verdade demais e a melodia que movia cada um dos meus dias passados, demais. Esperava o tempo inteiro uma música que me denuncia da cabeça aos pés, que encaixa cada uma das frases na minha vida e me faz sorrir. No fim, encaixadas as diferenças, subia a Augusta outra vez, com um sorriso no rosto. As coincidências representam o acaso de uma das minhas frases que transformei em clichê na vida: "os melhores dias chamam acaso". E esse foi, por acaso... carinho.
quinta-feira, novembro 13, 2008
Se escrevo menos, talvez seja a necessidade de guardar, doar os meus pedaços apenas para quem escolho. Minhas palavras desenham um caminho. Minhas vontades sorriem dos meus medos. A sensação de dever cumprido apaga todo o meu cansaço. E felicidade pode ser um sorriso quando você precisa de um;
em alguém.
segunda-feira, novembro 10, 2008
Achei o necessário. Hoje eu preferi demorar horas pra chegar em casa, porque eu tinha um livro e um cd no ipobre que chama 'cd mulherzinha', passei dois dias encaixando as músicas, escolhendo a ordem, pensando no ritmo que um cd gravado com esse nome teria e agora demoro um mês para gravar. Enquanto isso tenho um livro e ele no ipobre para me deliciar com minha própria companhia silenciosa. Olho para as pessoas no ônibus, arrisco um sorriso para senhora que me olhou sentada com o livro em um canto estratégico que não chegou a ser um banco. Não queria ouvir as pessoas e nem falar com elas. Preferi o silêncio e voltar para casa mais cedo do que a interação na faculdade. Ficar com meu pijama da hello kitty rosa que beira o rídiculo depois de passar pelo infantil e uma ou duas pessoas com as quais troco palavras nesse computador, o msn fechado e o gtalk escolhendo pequenas letras. Cansada.
O difícil é encontrar alguém que entenda as diferenças. Que não critique por eu gostar de Nina Simone e não esquentar por viciar em uma música daquele filme adolescente. A que pode amar um filme do Woody Allen, saber de cor todas as falas de Closer ou assistir mil vezes Brilho Eterno só para ver aquela cena onde ela diz ser uma garota ferrada procurando sua própria paz de espírito; a mesma que pode passar um fim-de-semana fazendo maratona High School Musical com a irmã de onze anos. Posso ficar semanas lendo a mesma coisa do Caio só porque ele me envolve demais e achar o livro novo do escritor russo do momento um porre, continuar a mesma ainda que tenha esperado pelo lançamento do último livro que fechou a minha infância junto com J. K Rowling. Sendo essa contradição inteira, sem deixar de ser eu. Posso me apaixonar perdidamente por um sorriso e desapaixonar pela forma que não olha nos olhos daquele garoto que te pede atenção.
O mais importante é saber que eu sou capaz de esquecer do mundo por um só. Mesmo que eu pareça a garota inquieta demais, inconstante demais, irritada demais. Demais, é o que os outros vêem. Todos eles.
Enfim...
L’essentiel est invisible pour les yeux.
domingo, novembro 09, 2008
Se eu fosse uma garota com um manual de instrução, ele seria cheio de letras minúsculas descrevendo as minhas pequenas particularidades. Eu não preciso ouvir coisas bonitas, porque elas me cansam com a mesma intensidade da ausência delas. Me assusta certas palavras e eu fujo só para não ter que enfrentar uma coisa andando mais rápido do que eu. Essa é a mesma garota que pode gostar e deixar de gostar com a mesma intensidade. No mesmo ritmo das atitudes infantis, porque o Caio disse uma vez algo como se "amar fosse conseguir enxergar, e não mais amar, deixar de". A essência era essa, mas a frase nem de longe parece com isso, porque ele sempre esteve muitos passos a frente.
Eu estou perto de coisas que são verdadeiras, intensas, diferentes. Deixo as coisas acontecerem e noto que eles não acertam os lugares que me deixam sem ar, sem chão, sem pensar em consequência.
Eu sinto por tudo que jamais chegou a ser. Pelos dias pela metade que vivemos. Pelos sonhos atravessados que sonhei. Pelos sorrisos cúmplices que se completavam e agora sorriem sem sentido. Pelo carinho que se trocou. Sinto que meus passos não poderiam esperar o diferente ser banal. Não gosto de esperar, a vida leva, me leva. E agora, eu tenho a opção de caminhar devagar, sorrindo com os cabelos soltos e o sol queimando meu nariz. Sorrindo dos meus dias passados e fazendo planos silenciosos enquanto procuro o sol em um outro olhar. Posso fazer tudo isso e me encontrar. Mas prefiro continuar sozinha com a intensidade certa de quem não precisa jogar a mão na vida de outro. Quem pode viver a sua própria vida. Quem suporta seus próprios problemas. Sustenta seu próprio castelo.
Naquele meu Manual de Instrução estaria escrito: "Cuidado frágil - capaz de mudar pela ausência da palavra certa ou pela insistência das erradas".
Opa, queb...
quinta-feira, novembro 06, 2008

Quando percebi que meu inglês finalmente era usual entendi Beatles e todas as palavras pareciam fazer parte do meu cotidiano. Não que eu as usasse sempre, mas os jovens garotos de Liverpool cantaram algumas das minhas histórias antes mesmo delas acontecerem. Esperei até o momento chegar e Help! deixar de fazer sentido, inverti a ordem das histórias e criei a minha própria. Meu maior presente foi hoje poder estar com alguém sem precisar. With a little help from my friends.
Penso em Eleanor Rigby e me pergunto se seria uma das pessoas solitárias que nunca se sabe de onde vem. Penso como contrario o I'll be back, te deixei com algo melhor para fazer e fui viver. Mesmo que odeie te deixar. Eu precisava voltar a sorrir e não posso ser uma peça do seu jogo. Minha prudência repentina me faz ir devagar, se apaixonar pelas idéias e não pelos ideais, pela essência e não pela força, pelo sorriso e não pela ausência.
Toda vez que ouvir 'and i love her', vou lembrar de você e de como um dia achei que bastaria 'bright are the stars that shine dark is the sky'.
Só sei que enquanto corro e faço tudo caber nos próximos, observo devagar os modos, as neuras, os medos e tudo que me apaixonaria por existir serem medidos dentro de todo esse valor que desconhecia existir. Sempre me senti sozinha entre muita gente; até então...
Compreensão.
E tudo isso é porque finalmente tenho a discografia dos garotos de Liverpool.
Obrigada pelo presente =)
terça-feira, novembro 04, 2008
Quando vejo a cena da garota com um livro naquele mesmo banco marrom, com as árvores de companhia, lembro de como eu gosto de me sentir daquele modo. Algumas letras e o banco esquecido no meio do nosso lugar de sempre. Deixei toda incerteza me levar a beira de um abismo. Até que alguém me agarrou pela blusa e mostrou que longe dali existia a minha vida inteira, a mesma esquecida durante todos aqueles sonhos.
Em um momento qualquer finjo que a vida não tem peso e consigo me sentir feliz. São os sorrisos e a verdade que não encontro nos olhos de quase ninguém. Tenho medo de me decepcionar e ao mesmo tempo não sei me entregar pela metade. Descobrimos o nosso ponto fraco. Sabemos onde tocar. Sentimos, enquanto respiramos devagar aquilo que nos convida a viver. Se eu me perder, procure dentro de uma palavra que escrevi para você, toda minha verdade existe em palavras.
Os jogos imaginários só tem graça quando os dois lados conhecem as regras sem que elas nem se quer existam. As brincadeiras só são grandes quando o sorriso é inexplicável. Os sonhos só são reais, quando é muito para ser verdade, vivemos sempre do que é muito para nós.
Eu só quero, não sentir medo nenhum. I'm beginning to find that when I drive myself my light is found.
drive - incubus*
sexta-feira, outubro 31, 2008
Hoje eu precisava daqueles minutos de paz. Enxergar coisas boas nos olhos de quem vive com direito de inventar as suas próprias regras e, se importa, quando todo mundo já desistiu de acreditar. Acho que a definição da Bruna Beber pro shuffle, "esse botão chamado destino", se aplica aqui também. Sem controle, eu só espero que a música não termine nunca.
ps: a frase da Bruna está no blog da Fernanda.
e tá feita a festa dos links
quinta-feira, outubro 30, 2008
Será que algum dia alguém vai ouvir as canções que escolhi para serem suas? Será que algum dia eu vou conseguir fazer algo parecido com o que fiz pra você? E esse outro alguém vai ter um sorriso ainda mais bonito e muito mais para me dar. Será que esse dia chega logo?
Ou esse, será só mais um dia, além...



