domingo, dezembro 18, 2011

Mais mundo

"Mais pureza, mais carinho, mais calma, mais alegria no meu jeito de me dar". Faz dias que tenho pensado nessa música, nas frases prontas, no violão dedilhado, na poesia que pode fazer folia e como tenho sentido só no meio da multidão. Ainda existem os meus amigos, os de sempre e os que vão e vem, os que cabem cada um em uma situação e os que são universais. Existem pessoas que me fazem pensar e eu tenho tentado evitar ao máximo o momento que pensar vai ser inevitável. É como o cara que pulou do carro em movimento, no filme bobo que assisti hoje, apenas para não enfrentar a conversa pós-separação. É fuga, nossas imensas e constantes fugas, essas que podem ser pular do carro em movimento ou evitar as pessoas que sabem exatamente como colocar em prova as minhas certezas, nesse momento, tão vazias.

De repente, me falta gente. Gente que cala e sorri. Gente que chora e fala. Gente que arde. Gente que grita. Gente que é gente na sua mais doce complexidade. Gente que é bicho no amor pelas coisas todas. Gente que enxerga. Gente que se envolve. Gente que é como gato e se acostuma. Gente que é como cachorro e se apaixona. Gente que é vida. Gente que separa as coisas, que consegue me levar de forma mansa, que me faz querer parar os minutos antes que eles se tornem horas e me tirem o tempo. Me falta gente de verdade. Me falta um querer genuíno qualquer que me envolva em um fim de tarde. Me falta... E eu não consigo admitir.

domingo, dezembro 04, 2011

Entre ser e estar

Dezembro chegou com tudo. Me fez pedir a vida que tenha calma, pedir aos dias que passem sem serem notados, pedir a sorte de um agora tranquilo. Foi um ano intenso, me desprendi do passado, me perdi, me encontrei e me aceitei com tudo que tenho e sou. Cada uma das dúvidas mais fundamentais. Cada um dos ataques de riso e de melancolia. Cada momento que me equilibro me apoiando no simples fato de saber que sou feita de extremos. Mas, como um rio, o ideal é me escorar nas margens enquanto fluo pelo meio.

O fim do ano sempre me faz olhar para tudo que fiz e quem fui pelos 365 dias de mais um ciclo que se fecha em uma noite que chamamos de reveillon. Diferente de até então, quero a partir de agora, viver o presente. Não quero um daqui pra frente que só consiga ver se materializar daqui muitos dias, meses ou anos. É hora de crescer e deixar alguém entrar.

Não é mais estranho notar aquele lugar vazio e lembrar dos almoços, dos cafés, da companhia, da cumplicidade, das conversas, das palavras. Tem cheiros que provocam a falta que transformo em apenas uma doce lembrança de algo que existiu em um período e não se consolidou para me marcar no para sempre.

Faço do passado lembrança e, finalmente, me coloco a disposição de um agora. Sem mais nada que não me deixe ser... apenas ser, o que for.

quarta-feira, novembro 30, 2011

Comemorações


No domingo, o Claritromicina completou mil textos e hoje, dia 30 de novembro, ele completa cinco anos. Cinco anos dividindo coisas, inventando outras, compartilhando vida nas entrelinhas e me escondendo em palavras para me encontrar na vida. Cinco anos mantendo a sanidade com a ajuda de letras e dividindo ela com pessoas que conheço e outras que nunca vi.

Ainda na linha de aniversários, esse ano eu e a Livya Knoll completamos oito anos de amizade. Três anos no colegial, quatro anos de faculdade, um ano de formada. Ela que sabe tudo antes de tudo ser alguma coisa e por isso, dei pra ela a tarefa de escrever o texto de aniversário do blog... Minha amiga por opção e irmã por tudo da vida.

O (lindo) texto dela:

UM MUNDO EXTRAORDINÁRIO

Claritromicina. Quando começou, tive que favoritar, porque nunca me lembrava do nome direito, era difícil demais para escrever. O apelidinho ainda era “clari”, o que não me ajudava em nada a lembrar do resto da palavra. Hoje, 5 anos depois, sua leitura é obrigatória para que eu tenha uma semana minimamente sã.

Nessas linhas, já li minha vida esquadrinhada, já vim procurar soluções aos meus problemas, já vim ler nas palavras dos outros aquilo que eu estava tentando dizer, mas não conseguia, aquilo que estava tentando entender mas não conseguia.

Contudo, o que poucos sabem é que este blog não é uma obra de ficção. É um relato cru da vida daquela que o escreve, apenas disfarçado de ficção para aqueles que olham de longe. Nestas páginas, estão os mais sinceros sentimentos, as mais angustiantes dúvidas, e as mais felizes alegrias de sua autora. Basta ter a chave para as passagens secretas que te levam para dentro de uma das cabeças mais brilhantes que você vai ter a oportunidade de conhecer. A chave pode estar escondida num trecho, numa palavra, numa rima, em reticências... mas você só vai percebê-las se a escrevedora assim o quiser. Às vezes, nem ela se deixa encontrá-las, não admitindo sequer a existência delas! Mas se ela permite que você, especificamente você, adentre tais passagens secretas, saiba: você tem passe livre para um mundo extraordinário. É uma pessoa de sorte.

domingo, novembro 27, 2011

Mil palavras. Mil formas de dividir os questionamentos todos. Mil maneiras de me procurar. Mil perguntas. Mil dias inteiros de muitas coisas. Mil dias de dias inteiros. Mil formas de me emocionar. Mil formas de notar como alguém pode se emocionar. Mil abraços cheios de vida. Mil abraços vazios de verdade. Mil sorrisos inertes. Mil sorrisos inteiros. Mil de tudo. Mil de muito. Mil de nada. Entre mil... alguns amores passados, alguns amores inventados, algumas faltas sentidas, algumas mágoas transcritas em palavras. Mil formas para contar que esse post é o de número mil do Claritromicina.

Quem sabe... além

São tantos caminhos, são tantas opções, é tanto tudo e eu só quero a escolha de um agora manso. Quero encontrar paz no tumulto, poesia nos dias, felicidade nos sorrisos e leveza nas lágrimas. Quero uma relação de admiração. Quero representar a dualidade, yin e yang. Quero equilíbrio nas diferenças. Quero as noites com alguém que me faça notar melhor os dias. Quero o olhar carinhoso e o abraço de corpo inteiro.

Quero a inocência que transforma a vida em pecado. Quero manha que encanta. Quero me apaixonar mil vezes por minuto em cada segundo que chamaremos de presente. Quero alguém com dividir segredos e com quem eu possa ser. Quero risadas compartilhadas, silêncio dividido, escolhas conjuntas. Quero ir para um lugar onde não existam conhecidos, não exista passado e nada além de um agora.

A constante busca por alguém... além.

terça-feira, novembro 22, 2011

do meu ponto de vista

Alguém que compreenda que entre a paz e a tormenta existe calor e vento. Alguém que me faça esquecer o dia inteiro dentro de um abraço. Alguém que prenda a lua dentro do quarto e ilumine a vida com o sorriso. Alguém que faça tudo ter mais sentido com o leve toque dos dedos. Alguém que não me deixe sair do espaço dos seus braços. Alguém que me faça entender porque se chama o agora de presente. Alguém que me envolva nos seus sonhos, me faça dormir com o som da sua respiração e me faça viver no ritmo do que planejarmos.

Alguém com quem criar gatos, cachorros e ideias. Alguém com quem salvar o mundo dentro do nosso universo. Alguém que me faça parar de trabalhar quando chego em casa. Alguém com quem assistir o último do Almodóvar, discutir Woody Allen e com quem matar a tarde assistindo um filme adolescente bobo qualquer.

Alguém que pareça ter saído da melodia de uma música que adoraria ter composto. Alguém que pareça ter saído de um livro que adoraria ter escrito. Alguém que se reinvente e aceite que precisamos nos apaixonar, todo o tempo, ainda que por nós mesmos. Alguém que me faça viver poesia em prosa e transforme o cotidiano em um mundo particular. Alguém que seja discreto com os nossos segredos. Alguém que conheça exatamente o poder da ação e a da reação. Alguém que por ato reflexo conheça as minhas vontades e que me entregue a senha que revela as suas manias.


Alguém com quem dividir esse e outros pontos de vista.

Alguém...

domingo, novembro 06, 2011

I don't blame you

Lembro a forma que você me acalmava. Era engraçado como o seu sorriso perdido e o seu jeito de garoto podiam me fazer sentir muito mais calma. Lembro do seu ombro amigo e como ele me faz falta, todo dia. Lembro dos filmes, das músicas, dos CDs gravados, de você acabando com a minha moral no videogame ou no imagem&ação. Lembro daquela vez que achamos dar certo fazer caipirinha com trakinas e de como ficou horrível. Lembro das noites no Astronete, no Studio SP, na Funhouse. Lembro da sua camiseta do Ludov, a da Cat Power que você fez e era linda, de todas as camisetas que você fazia das bandas bonitas que a gente ouvia. Lembro dos shows divididos, dos segredos divididos, de cantar Fiona Apple no banco do café da faculdade até a gente errar a letra. Cada dia a gente lembrava uma parte nova até que conseguimos cantar "Paper Bag" inteira. Nunca te contei o quanto eu chorei quando fui buscar meu diploma, a vida mudou tanto que nos últimos anos nos reduzimos a estranhos, sem se falar, sem fazer parte um da vida do outro. No meio do caminho aquele café no Vanilla que pareceu deixar tudo como antes. Mas, infelizmente, a vida não quis e não dava mais para ser assim.

Não aconteceu mais sair do trabalho, passar na sua casa, jantar e depois ir para aula. No dia que fui buscar o diploma, fiquei meia hora sentada sozinha, ouvindo Paper Bag em um repeat infinito, rindo de lembranças boas e chorando pela falta que me faz saber que não estamos mais construindo. O que sobrou da nossa amizade é passado, são lembranças gravadas com super 8 na memória afetiva e no daqui para frente nada mais vai acontecer.

Cortamos o que era profundo e somos superficiais. Rimos de coisas tolas e não temos mais cumplicidade. Destruímos confiança e construímos um muro de coisas que são apenas efêmeras. Eu mudei, entrei no universo que escolhi viver, me fiz mais dura para aguentar as porradas do caminho, mais cética para não cair em tantas armadilhas e mais descrente para poder continuar crendo. Você mudou, não sei como e nem quanto, só sei que de cidade.

Sem saber e com absoluta certeza: tudo mudou tanto e eu sinto muito a sua falta, amigo.



quem tirou essa foto foi o mega talentoso Fernando Freitas.

domingo, outubro 30, 2011

someone like you

É estranho pensar que a falta de tempo me faz sentir falta de alguém. Alguém que tenha uma vida tão estranha quanto a minha. Alguém que por inquietude ou vocação procure ser mais que apenas um. Alguém que não se limita, não se proibe e não desiste. Alguém que prefere se emocionar a se tornar indiferente diante do acaso. Alguém que compartilhe a alegria de uma semana incrível e não julgue a minha constante preguiça de enfrentar a fila da balada.

Não sei se fui eu ou a minha vida que mudou. Tenho me sentido mais velha, mais cansada, mais aflita com isso que parece ser uma sede insaciável. É verdade que minha busca não trabalha com disciplina. Mudo de planos, de foco, de ideia. Me dedico ao trabalho e deixo a vida ao redor simplesmente passar. Preciso que o aqui seja o meu agora e sinto que isso é quase egoísta. Afinal, um encontro de vidas exige que dois 'agora' caibam em um aqui complementar ou que um aqui complementar seja ao menos o mesmo destino. Por plano ou por encontro, comigo e alguém, isso ainda nunca funcionou. Então, sigo aqui enquanto é só o meu agora...

domingo, outubro 23, 2011


Tem gente que cabe dentro de um sonho. Tem gente que parece transbordar os limites do que o subconsciente é capaz de produzir e segue para a vida com a difícil possibilidade de preencher todas as vontades. Tem gente que nem sabe que você existe e por quem o acaso te faz nutrir algo que não se explica em palavras. É como sentir que conhece alguém da primeira até a última palavra trocada. É alguém que te deixa sem jeito mesmo que aquele seja o seu lugar. É alguém com quem você se importa e que importa o que esse alguém achou de você, dos primeiros até os últimos minutos, poucos, juntos. É uma risada sincera que te coloca perto. São as mãos que parecem precisar se procurar e com quem você queria se encontrar, todo dia no fim do dia.

É alguém...
Letra, nota e melodia.

domingo, outubro 16, 2011

Agora

Sinto falta de quando sonhava. Dos meus dias em suspenso, das ilusões, das músicas com letras fofas, dos sorrisos trocados com o acaso debaixo da chuva no centro da cidade. Sinto falta de quando os sonhos me divertiam e eu escrevia roteiros de vidas que não vivi. Quando eu conseguia fazer da fantasia meu porto seguro e só queria encontrar alguém que fosse capaz de sonhar. Alguém com quem pudesse reescrever tudo que não está funcionando. Alguém por quem continuar tentando acertar as arestas.

Preciso de compreensão no incompreensível. Alguém com quem dividir guardanapos de vida e de história. Alguém que escreva em linhas tortas os sonhos da noite seguinte. Alguém que me faça sentir segura para continuar sentindo. Alguém que me olhe nos olhos quando fala, que procure minhas mãos no escuro da madrugada e que mantenha a mágica acesa na manhã seguinte. Alguém que acorde cheio de planos mirabolantes para a rotina ser um pouco diferente. Alguém que me espere rodeado de carinho, de cachorros, de gatos, de vida e que tudo isso venha até mim quando abrir a porta de casa.

É claro que o passado me mudou. Não sou mais a garota capaz de atravessar a Consolação parada pela companhia do almoço, de gravar CDs e fazer encartes com recortes, de querer acreditar mesmo que a verdade fosse o nada. Estou pronta para relacionamentos possíveis, para manter em silêncio o que não precisa ser dito, para encontrar verdade nos olhos transparentes de quem também quer começar algo diferente. Não mais reescrever, não mais repetir, não mais procurar no que não existe, o que não completa. Não quero uma vida de 'não mais' quero uma vida de 'agora sim'. Porque me interessa o agora mesmo que o agora dure pelo espaço de pequenos segundos.

quinta-feira, outubro 06, 2011

We're so helpless
We're slaves to our own forces
We're afraid of our emotions

Faz tempo que acabou. Os seus olhos já não me dizem palavras silenciosas. O seu encontro não me encanta e o seu cotidiano não caminha com o meu. Somos estranhos. Estamos estranhos e é simplesmente assim. Te quis amigo, te atualizei dos meus sonhos, te contei da minha vida e você não conseguiu lidar com a sinceridade. Por falta de verdade, acabou.

Tem tudo estado muito bem. Me encontrei mais uma vez em mim, refiz sozinha a rota da minha vida, esvaziei a mente e o coração. Sinto que estou pronta para deixar alguém entrar pela porta da frente sem esbarrar com nenhuma mágoa. Tenho meditado e olhado mais para dentro. Tenho sido mais feliz e leve. Conheci pessoas incríveis, tive mais perto dos meus amigos, mudei a minha forma de trabalhar. Aceitei que em tudo que vejo existe literatura e que escrever como se jogasse com as palavras é a única forma de ser eu.

Voltei a sorrir do acaso e de encontrar identificação em conversas rápidas. Me interessa as pessoas que são plenamente tudo que desejam ser no espaço de tempo do agora. Mesmo que o depois mude, que mudem os planos e as ideias, que mudem as vontades e os desejos. Não quero ser porque quero estar. Quero estar. Quero encontrar. Quero alguém para dividir querer e com quem eu sonhe. Alguém para confessar segredos banais e construir dias de paz.

Estou no olho do furacão com tudo acontecendo rápido. As pessoas passam correndo, eu passo correndo, os dias passam correndo. Até que...


ps. o título é So Sorry da Feist porque a versão no show secreto em uma igreja é linda. clicaqui.

domingo, outubro 02, 2011

The power of not knowing
Where you belong

Tão enjoada do mesmo me pego sentindo que é hora de trocar. Trocar carinho, trocar silêncio, trocar músicas e palavras, trocar o jeito que tudo é sempre parecido. Me recolher e escrever mais. Viver e escrever mais. Viver os extremos sem apenas me entreter. Gosto de sorriso sincero, de abraço que surpreende, de gente cheia de vida e verdade. Gosto de vidas que se completam e se recusam. Vidas com as suas particularidades. Gosto dos silêncios que terminam em beijo roubado e em momentos que terminam com o olhar desviado. Tem gente que te olha no fundo na primeira vez que te vê e gente que passa a vida tentando.

Sou a romântica do fone de ouvido que andava pelo centro da cidade notando a bagunça das ruas se misturar com a bagunça da própria vida. Lutava para não deixar os problemas me endurecerem, queria sentir a leveza sair de mim e encontrar semelhantes. Sou a mulher que cresceu lendo Pollyana e vendo magia no jogo do contente. Não que me force a ser sempre feliz. Mas, fico melhor assim.

Gosto de músicas tristes, da melancolia do piano, da sutileza do violão dedilhado, das letras de amor passado. Porque amor passa, não se perde, amor se transforma e virá outra coisa... Amor se renova e amor se encontra. Só não sei onde...

hmmm...

quem sabe?



ps. título é Power Of Not Knowing música linda do Kings of Convenience. clicaqui.

domingo, setembro 25, 2011

i'm so tired of playing

A vida inteira discorrendo como se estivesse escrito em um manual de instruções. As pessoas se reduzindo para caber nos poucos milímetros que existem entre certo e errado. Em cima do muro, em cima dos sonhos, em cima das vontades e das virtudes, em cima do sorriso que dói inteiro. Parece que falta verdade no olhar, lágrimas nos olhos, volume e cores na voz. Sempre parece que falta.

Não pode ficar feliz demais porque é desespero. Ficar triste é quase crime de estado. Pensar pode ser fatal e todos querem levar a vida ainda que só levar. É quando me canso e sinto uma preguiça monstruosa de viver fora dos meus livros, longe dos meus discos, fora do alcance dos meus filmes preferidos. Eis que me jogo na zona de conforto e me conforto em me vestir de preguiça. Passo um fim de semana onde o maior dilema é a cor do esmalte que vai me acompanhar a semana inteira. Por fim, admito, também sinto falta e me entedia a plena ausência de movimento desde que as antigas paixões se desfizeram. Nenhuma mensagem para esperar, nenhum CD gravado para dar ou receber, ninguém para me mostrar um filme novo ou um outro ponto de vista.

Depois de tanto me encontro desfeita de expectativas. Não é que espere, é só que adoraria se... Encontrasse alguém que adorasse animação e não ligasse de assistir o filme cabeça da temporada. Alguém que gostasse de bons restaurantes tanto quanto de bons botecos. Alguém que gostasse de biografias e literatura, de poesia e prosa, de noite e dia. Alguém com quem fugir para as montanhas e amanhecer na praia. Alguém que fosse versátil sem deixar de ter personalidade. Alguém com gosto bom de manhã e abraço bom a noite. Alguém com que eu partilhasse os meus amigos e tudo além da cama. Alguém com sonhos mansos e vontades imensas. Alguém com quem criar um ritmo novo, um segredo discreto ou uma paixão gigante. Alguém com quem fugir e ficar com ou sem todo o resto.


ps. o título é Portishead e uma das músicas mais lindas em uma das versões mais incríveis com uma orquestra em NYC. clica aí: Glory Box.

quarta-feira, setembro 07, 2011


Tem alguma coisa que falta. Tem alguma coisa não dita, não ouvida, não feita que atrapalha o agora. Tem alguma coisa sua comigo ou alguma coisa minha contigo. Tem alguma coisa que falta. Isso que não me liberta, não me deixa seguir, não me deixa continuar. Isso que de tão meu é seu. Um cílio dentro do olho, pequeno porém incômodo. Mas, diferente da destreza que as lentes de contato de me deram, sinto que minha vida ainda é mais frágil que meu olho, não consigo simplesmente tirar o que me incômoda. Parece que posso quebrar mais do que as lembranças, parece que você vive ainda aqui, parece que você ocupa sempre consegue e se encarrega de ocupar os meus espaços vazios.

O que falta, o que me falta, o que te falta, o que nos falta é naturalidade para lidar com o que nos tornamos: pessoas diferentes. Não precisamos ser dois estranhos, não precisamos nos afastar ou nunca mais nos falar. Precisamos aceitar que o daqui para frente é apenas diferente. Quero te contar que conheci alguém e ouvir da sua vida. Quero poder dividir as minhas descobertas, mesmo que não seja mais o primeiro a ouvir. Como adultos, sabemos que a ordem que nos parecia natural, mudou.

Preciso que você me ajude a continuar. Não me prenda, de forma alguma, ao passado. Não tente me ver voltando a ser o alguém que eu era. Já não caibo em estreitos, quero mais de alguém, quero entrega e companhia, quero compartilhar gostos e cheiros, quero os extremos e as dúvidas, quero a segurança e o ciúmes bobo, quero a alegria nos olhos e a cumplicidade nos sorrisos, quero que seja de verdade. Mas, ainda preciso da sua ajuda... apenas me deixa ir... por favor.

terça-feira, setembro 06, 2011

Bruta flor do querer

Não adianta. As noites não resolvem os dias conturbados e o vazio do dia seguinte só aumenta a confusão. Eu não sou assim, não consigo sorrir para qualquer um que passa, não quero entrar nesses jogos todos de faz de conta. Quero um fim de semana no Rio de Janeiro contando certezas e contemplando o pôr do sol do Arpoador. Quero confessar que gosto tanto do Arpoador porque é lá que sinto toda a poesia da vida, como se o lugar guardasse mais do que a infinitude do mar, como se no alto daquelas pedras houvesse algo além da paz.

Quero domingos infinitos, quero sábados dividindo a mesa do bar com os amigos, quero que a busca simplesmente se acalme. Quero sentir algo além da angústia e das incertezas. Quero certezas pequenas. Quero sentir São Paulo dentro de um abraço, quero sentir que a cidade guarda mais do que pessoas apressadas, quero deixar de ser uma dessas pessoas apressadas que sufocam as inseguranças com sucesso profissional. Preciso, de uma vez por todas, delimitar os espaços na minha vida. Deixar de suprir falta com efêmeras conquistas. Preciso... rio, quem sabe em janeiro?


ps. o título é Caê.

domingo, agosto 28, 2011

freedom never greater than its owner

A vida vive se pondo, o sol e a confusão, a manhã seguinte fria e a noite quente, a tarde abafada e os sentimentos conturbados. Tudo se põe em movimento enquanto fico parada no balcão do bar assistindo aos que parecem mais perdidos do que eu ali, aos que discutem na mesa ao lado, aos que pertencem, aos embriagados e os que pedem a terceira saideira.

Fim de tarde, o sol ilumina a casa em raios desencontrados. E se fizermos da vida, um roteiro de cinema, aproveitamos o cenário para te contar do instante em que eu encontro um daqueles discos que queria dividir com você sorrindo contra a luz enquanto me acusa de ser sentimental demais. Sorrindo, me acusando, implicando e ao mesmo tempo, marcando o ritmo do som com os pés até que interrompe o movimento com um ar sério, me encara e só então estica os seus braços para encontrar o meu corpo, me abraçando e colocando mais perto. Mais perto do seu rosto sorridente, da sua vida, do seu jeito só seu de ser.

Queria que você fosse viajar com os meus amigos e estivesse nos momentos mais engraçados. Queria que você fosse conquistado e conquistasse cada um deles. Queria te contar as histórias, os momentos, o que faz cada um ser especial e que você não me julgasse por ter os mesmo amigos há tanto tempo. Não julgasse a minha dificuldade em me entregar, em confiar, em chamar de amigo apenas tão poucos já que coleciono tantos conhecidos.

Acho que o problema é esperar alguém que caiba no meu sonho. Alguém que não é mais quem um dia, eu sonhei. Alguém que eu não conheço, alguém que já não sei quem, só alguém... pra mim.

terça-feira, agosto 23, 2011

Entre canis

O mundo se refaz em cumplicidade, essa vinda das amizades mais profundas, dos sorrisos mais intensos, da verdade que se esconde dentro das risadas que se multiplicam ao vento. E, nos multiplicamos, iguais e diferentes, metades e inteiros, muitos e vários, cheios das mais diversas histórias, vestidos das mais belas diferenças. Nos escondendo, jogando, fazendo birra, se perdendo enquanto nos encontramos. Seria mais fácil se pudéssemos anular a falta que se sente em um momento de extrema embriaguez. Quem sabe assim pudéssemos fingir melhor que nada se sente quando os sentimentos se embriagam de lucidez.

Mas, é só pensar que eu quero desfazer os jogos e fechar os pesares. É só pensar que me sinto leve outra vez. É só pensar... e eu sei... não é mais você.

segunda-feira, agosto 22, 2011

Não digo que não sinto falta

Tem dias que o mundo parece mais hostil e a vontade é ficar em um lugar onde só ouça a sua voz e a dos passarinhos, a das melodias leves que escolhemos para aquecer o frio da solidão que corre lá fora, de tudo que corre, por fora. O dia, as contas, as impossibilidades, as frases nunca ditas e as nunca ouvidas, o que faz falta e se cala, o que cala e por isso faz falta, a sua falta. A falta do melhor de mim que só encontro com você por perto. O peito dói e sinto um nó na garganta. Tudo parece ainda mais hostil quando a sensibilidade simplesmente se espalha por todos os poros. Transbordo as lembranças e faço do passado um veneno letal. Mato, sem querer, o presente enquanto massacro as minhas relações fragéis graças a sua onipresença em todas as minhas expectativas.

Eu, criança habitando vida de adulto, me faço menina diante do que é vão. Te vejo partindo e me roubando o chão. Tenho medo das minhas perguntas porque não sei se quero conhecer as suas respostas. Queria saber da sua vida agora. Mas, temo já não caber mais nela e me forçar, mais uma vez, a partir. Me reparto em partes minúsculas enquanto me largo a seu bom guardo. Te peço, sem palavras, que saiba, mesmo que nunca de fato: é sempre você.

E, então, me perco na madrugada, sem nada de verdade, esperando que o vento me sopre para longe... de ti. E, por sorte ou por tempo, eu esbarre em outro mundo onde o seu não caiba. Torço para me sentir plena, mesmo que me doa o fato de passar você. Por fim, espero que da dor sobre a doação do amor que não coube.

domingo, agosto 14, 2011

Quase uma guerra

Achei que tinha passado até você voltar a habitar os meus pensamentos. O acaso colocou em prova a minha doce ilusão de esquecimento e então tudo veio a tona, outra vez. É claro, existiram os momentos que a paz era maior que as lembranças, que eu acreditei na plena substituição, no ato de um outro alguém tirar você de mim ou me tirar de você. Só queria ser capaz de me desvencilhar da sua capacidade de fazer tudo desmoronar ao meu redor pela simples menção do quanto tudo parecia completo com você por perto.

Quero respeito quando decidir que a tristeza é a minha companhia na tarde de domingo fria. Quero carinho quando quiser uma semana inteira quietinha. Quero alegria quando os amigos se cruzarem e a vida for festa. Quero alguém que me conte os livros que não li e me deixe interessada em tudo que ainda não vivi. Quero alguém que desperte em mim os sete mares e me liberte ao vento. Quero os sonhos de Ícaro com a inteligência de Galileu. Quero só deixar o meu passado, passar, pura e simplesmente. Um passo de cada vez em pequenos gestos que iluminam o futuro. Fim de semana com gosto de paz e batalha vencida. Vamos adiante, vida.

quarta-feira, agosto 03, 2011

Pode parecer óbvio

É claro que sinto falta. Daquele jeito seu de me acalmar e do jeito que tudo parecia paz ao seu lado. Sinto falta do jeito que eu era paz ao seu lado, de comentar um dia difícil de trabalho enquanto você absorvia os meus aborrecimentos para me devolver em risos uma dica qualquer que poderia ter tornado tudo mais simples. E, no dia seguinte, quando algo sem importância viesse a me aborrecer, usaria a sua dica que se fez em sorrisos breves.

Sinto falta de me apaixonar. Sinto falta de me sentir uma adolescente e dos textos, das músicas, da vida, da entrega, do sentir algo que não a falta.

Me encontro diante de uma vida inteira de possibilidades e me entrego a novos sorrisos, novas perspectivas, novas expectativas, novos momentos e segredos compartilhados. E, a grande novidade é que por não ser mais indiferente, você se faz presente... Mas, não é mais você quem me faz falta, são as coisas boas que senti por você e que podem se renovar, se refazer, se reencontrar com um outro alguém. Alguém.

domingo, julho 31, 2011

Fim de semana sabático

Depois de um tempo de calmaria: sem sentir nada, sem deixar nada interferir nos meus planos, sem deixar ninguém transpor a minha barreira de conforto, veio um tornado. Foi como um vento forte que joga papeis no chão, bagunça a sala de estar e me deixa estar com muita confusão. Ligações, SMS, recados de várias espécies em tentativas de desfazer o erro de acreditar no que eu aparento. Minha aparência é proteção e afasto quem não tem a sensibilidade de notar isso.

Aceitei a confusão que me coloquei e notei que a calmaria era resultado apenas de não encarar os meus problemas. Precisei deixar claro que infelizmente não dá para ser por vários motivos que fogem do meu controle. Notei que esquecer vai além de simplesmente ignorar. Mas, no meio do que notei, decidi não mais me deixar afetar. Quero e preciso de distância dos seus jogos para me manter por perto. E, de volta, a liberdade (quase) perdida de deixar a vida aberta para novas possibilidades.

Nesse caminho será que alguém percebeu? Gosto de carinho, de atenção, de recado no meio da tarde, de sorriso bobo, de fala mansa, de convite despretensioso. Gosto de música brega que me lembra coisas que ainda não aconteceram. Gosto de pensar...




em você.