E no final, assim, calado
Você apareceu quando tudo parecia fora do lugar. Trouxe de longe o que deixei em outra cidade. Provocou um encontro esperado e necessário, coloriu meu carnaval e me deu a mão em silêncio. Não me cobrou posições, nem quis nada além do pouco que tinha para dar. Aceitou de imediato que estamos sempre vivendo processos e sorriu diante das minhas infinitas dúvidas.
Queria poder resolver tudo por decreto, daqui por diante, os caminhos vão ser mais simples e vou conseguir entender cada coisa que sinto. Daqui por diante viveríamos novidades. Daqui por diante nenhum "e se" me incomodaria. Nenhum fantasma me assombraria.
Mas, o caminho é conturbado. As questões são muitas. Os quilômetros são vários. O meu não saber não é mal te querer. Te quero bem, te quero aquém, te quero longe de mim porque perto sou furacão e com você a vida merece ser calmaria.
Apenas, te quero bem e agora não posso ser esse um bom alguém. Ainda preciso me perder para encontrar o caminho. Vou errante, errada e distante. Vou só.
terça-feira, abril 29, 2014
terça-feira, abril 15, 2014
TENHO 25 ANOS DE SONHO
O que eu ganhei? Tanto e tantas coisas. Shows incríveis, noites memoráveis, sessões de cinema impressionantes. Ganhei em vida e arte. Ganhei tanto e perdi também algumas crenças. Quase não acredito mais em pessoas. São pouquíssimos que ainda me ganham em sorrisos simples. Desconfio e confio pouquíssimo.
Uma parte é só decepção e medo. Outra é só um lado que vai duvidar sempre de amores fáceis. Não vai ser fácil sentir. Como nunca foi antes. Sou de leveza certa e brisa que bate intensa. Me ganha quem me tira sorrisos, quero da vida vários alegrias mansas e algumas pequenas certezas. Quero muito pouco do que não posso ter de certo em mim. Do mais, corro atrás e percorro quaisquer que sejam os caminhos. Não durmo ou acordo na madrugada derradeira. Não temo trabalho desde que dentro dele me caiba pequenos sorrisos para que eles me levem, sempre.
E quem em mim ainda acredite ter certeza aviso apenas que nem mais eu tenho. Em mim sou incerta e só incerteza me cabe. Amanhã, quem sabe?
O que eu ganhei? Tanto e tantas coisas. Shows incríveis, noites memoráveis, sessões de cinema impressionantes. Ganhei em vida e arte. Ganhei tanto e perdi também algumas crenças. Quase não acredito mais em pessoas. São pouquíssimos que ainda me ganham em sorrisos simples. Desconfio e confio pouquíssimo.
Uma parte é só decepção e medo. Outra é só um lado que vai duvidar sempre de amores fáceis. Não vai ser fácil sentir. Como nunca foi antes. Sou de leveza certa e brisa que bate intensa. Me ganha quem me tira sorrisos, quero da vida vários alegrias mansas e algumas pequenas certezas. Quero muito pouco do que não posso ter de certo em mim. Do mais, corro atrás e percorro quaisquer que sejam os caminhos. Não durmo ou acordo na madrugada derradeira. Não temo trabalho desde que dentro dele me caiba pequenos sorrisos para que eles me levem, sempre.
E quem em mim ainda acredite ter certeza aviso apenas que nem mais eu tenho. Em mim sou incerta e só incerteza me cabe. Amanhã, quem sabe?
terça-feira, abril 01, 2014
Solidão eu já vivi na cidade que não volta
É muito louco. É tudo muito louco. Meus dias tem passado sempre mais rápido. Me divido entre contas, coisinhas para o apartamento novo, trabalho que paga todo mês e os trabalhos que aparecem a cada novo mês, esses que me permitem comprar mimos novos fora do meu orçamento.
Aliás, orçamento? Eu tenho isso agora. Quanto preciso guardar e quanto posso gastar em mimos novos para casa nova.
É muito louco como cinco meses atrás jamais pensei que minha vida fosse ser assim agora. Estou cada vez mais feliz. Cada dia uma alegria nova, como uma cafeteira ou por finalmente ter achado a colcha perfeita. Parece bobo, mas diante de milhões de flores, achar uma colcha na cor perfeita sem flor nenhuma me fez sentir como ter vencido a Copa do Mundo. Aliás, a Copa do Mundo, essa coisa que fez os aluguéis serem mais caros no Rio, aluguéis? Não me imaginava cinco meses atrás pensando neles também, não aqui, não no Rio, não na cidade que escolhi para escrever minha independência e que me acolheu como sua.
Tive desilusões e quem não tem? Aprendi a duras penas e também a leves. Conheci pessoas incríveis, estive em lugares absurdos, me apaixonei a cada novo dia pela vida que escolhi e continuo me apaixonando.
Vivi tantos momentos mágicos. Trabalhei em projetos inimagináveis e cresci, dia após dia, tombo após tombo, riso após riso.
Meus finais de semana sempre tiveram um motivo para ser e eles chegam com a leveza de dias sem compromissos embora eles se amontoem ao redor dele. Chegam cheios de paz. Nos meus dias cabem tanta coisa inclusive amor.
Depois do Rio descobri como tem valor as coisas pequenas, as coisas menores, a presença de um amigo querido nos seus dias e os risos que ele te tira nas histórias tortas que escreve na sua breve passagem. E estamos todos passando, sempre, passando porque no Rio também se corre e como corre. No Rio não é sempre dia claro e os dias claros apagam os nem tanto. No Rio se guarda o que é bom e aí está a diferença. O que é ruim, a gente manda o mar levar e ele se encarrega de colocar longe ou em manchas de protetor solar na sua camiseta preferida. Ele se encarrega de deixar a vida mais leve e que ela me leve, dia após dia, como deve ser.
Por mais loucura, mais paz e mais amor. :)
É muito louco. É tudo muito louco. Meus dias tem passado sempre mais rápido. Me divido entre contas, coisinhas para o apartamento novo, trabalho que paga todo mês e os trabalhos que aparecem a cada novo mês, esses que me permitem comprar mimos novos fora do meu orçamento.
Aliás, orçamento? Eu tenho isso agora. Quanto preciso guardar e quanto posso gastar em mimos novos para casa nova.
É muito louco como cinco meses atrás jamais pensei que minha vida fosse ser assim agora. Estou cada vez mais feliz. Cada dia uma alegria nova, como uma cafeteira ou por finalmente ter achado a colcha perfeita. Parece bobo, mas diante de milhões de flores, achar uma colcha na cor perfeita sem flor nenhuma me fez sentir como ter vencido a Copa do Mundo. Aliás, a Copa do Mundo, essa coisa que fez os aluguéis serem mais caros no Rio, aluguéis? Não me imaginava cinco meses atrás pensando neles também, não aqui, não no Rio, não na cidade que escolhi para escrever minha independência e que me acolheu como sua.
Tive desilusões e quem não tem? Aprendi a duras penas e também a leves. Conheci pessoas incríveis, estive em lugares absurdos, me apaixonei a cada novo dia pela vida que escolhi e continuo me apaixonando.
Vivi tantos momentos mágicos. Trabalhei em projetos inimagináveis e cresci, dia após dia, tombo após tombo, riso após riso.
Meus finais de semana sempre tiveram um motivo para ser e eles chegam com a leveza de dias sem compromissos embora eles se amontoem ao redor dele. Chegam cheios de paz. Nos meus dias cabem tanta coisa inclusive amor.
Depois do Rio descobri como tem valor as coisas pequenas, as coisas menores, a presença de um amigo querido nos seus dias e os risos que ele te tira nas histórias tortas que escreve na sua breve passagem. E estamos todos passando, sempre, passando porque no Rio também se corre e como corre. No Rio não é sempre dia claro e os dias claros apagam os nem tanto. No Rio se guarda o que é bom e aí está a diferença. O que é ruim, a gente manda o mar levar e ele se encarrega de colocar longe ou em manchas de protetor solar na sua camiseta preferida. Ele se encarrega de deixar a vida mais leve e que ela me leve, dia após dia, como deve ser.
Por mais loucura, mais paz e mais amor. :)
segunda-feira, março 24, 2014
Um breve momento pode ser eterno
Sabe, tia, finalmente sinto que consegui cumprir todas as promessas que fiz pra você e pra vida. Fui e sou a melhor jornalista que posso ser, embora ainda tenha um caminho além que vai se mostrar dia após dia, mas aquele prêmio selou nosso compromisso. Sou a melhor pessoa que posso ser porque sempre dou um jeito de levantar diante de cada novo obstáculo que se mostra instransponível e estou sendo a melhor que posso ser, dia após dia.
A sua falta me dói todos os dias. Tem cheiros que me lembram sua presença. Tem festas que jamais serão as mesmas sem você. Tem momentos seus que jamais serão os mesmos. A sua ausência me faz sentir um misto de tristeza e alegria, a sua breve passagem deixou momentos lindos para recordar, e se sua ausência é sentida só se explica pelo fato de que sua presença sempre foi notada.
Tenho mágoas que talvez nunca passem. A família se divide entre antes e depois da sua doença, me desculpa pela intolerância a todos depois da sua partida, mas é apenas a sua falta que nunca vai me deixar esquecer quem você foi pela força, coragem, garra e alegria diante dos piores obstáculos. Por tudo isso, obrigada.
Sempre aprendo com você, com sua ausência e com a sua breve presença.
Sabe, tia, finalmente sinto que consegui cumprir todas as promessas que fiz pra você e pra vida. Fui e sou a melhor jornalista que posso ser, embora ainda tenha um caminho além que vai se mostrar dia após dia, mas aquele prêmio selou nosso compromisso. Sou a melhor pessoa que posso ser porque sempre dou um jeito de levantar diante de cada novo obstáculo que se mostra instransponível e estou sendo a melhor que posso ser, dia após dia.
A sua falta me dói todos os dias. Tem cheiros que me lembram sua presença. Tem festas que jamais serão as mesmas sem você. Tem momentos seus que jamais serão os mesmos. A sua ausência me faz sentir um misto de tristeza e alegria, a sua breve passagem deixou momentos lindos para recordar, e se sua ausência é sentida só se explica pelo fato de que sua presença sempre foi notada.
Tenho mágoas que talvez nunca passem. A família se divide entre antes e depois da sua doença, me desculpa pela intolerância a todos depois da sua partida, mas é apenas a sua falta que nunca vai me deixar esquecer quem você foi pela força, coragem, garra e alegria diante dos piores obstáculos. Por tudo isso, obrigada.
Sempre aprendo com você, com sua ausência e com a sua breve presença.
domingo, março 16, 2014
Leave me no room for doubt
Hoje faz uma semana que você foi e me deixou com muitas coisas boas. É engraçado como o tempo brinca com a gente. Te mostrei um dos meus curtas preferidos e sem saber, naquele momento, fazia o contrário do que o personagem dizia: eu saía do buraco ao invés de aumentar ele, eu sempre tão habituada a aumentar ele. Naquele sábado, olhávamos pra fora, o dia estava feio e o verão apenas ia ficando pra mais tarde.
Os últimos dias foram de reencontro. Me achei outra vez nas esquinas da minha própria vida. Senti nos meus amigos o verdadeiro sentido de pertencer. Mesmo que de forma diferente, mudamos tanto e eu aceito de bom grado as mudanças todas. Foi essa semana que liguei pra consultar minha melhor amiga, como advogada, e meu chefe ao se despedir agradeceu com um "obrigada, doutora" e eu notei que já não somos realmente mais os mesmos embora não tenhamos mudado tanto. Ainda nos desentendemos, nos desencontramos, discordamos das atitudes uns dos outros e até criamos distâncias. Mas, amizade é ponte indestrutível. Ainda mais daquelas que acompanham as mudanças, o crescimento e a verdade do outro que se constrói a pequenos passos.
Meu carnaval foi de reconstrução. Percebi que as pontes estão disponíveis e eu posso sempre visitar cada um dos meus, a qualquer momento, do outro lado. Sair de mim em direção a alguém é sempre um desafio. É preciso tentar fazer essa viagem sem a mala de preconceitos, sem arrogância, sem o nosso ego interferir na vontade da troca. É preciso permitir que aconteça e se permitir nem sempre é simples.
O amadurecimento é um processo doloroso. As quedas já não são no sentido literal, tropeçamos e as feridas não curam com o sopro da mãe. As lágrimas não são só de manha. Mas, é também reconfortante segurar as rédeas da própria vida. Está tudo bem trabalhar um domingo inteiro pra aumentar um pouco o orçamento e fazer uma viagem no próximo mês. Está tudo bem trabalhar muito para juntar dinheiro e realizar sonhos. Está tudo bem em passar uma noite de sábado dormindo. Está tudo bem em subir um morro pra conhecer um lugar inimaginável. Está tudo bem. Finalmente, está tudo bem, meu bem...
Hoje faz uma semana que você foi e me deixou com muitas coisas boas. É engraçado como o tempo brinca com a gente. Te mostrei um dos meus curtas preferidos e sem saber, naquele momento, fazia o contrário do que o personagem dizia: eu saía do buraco ao invés de aumentar ele, eu sempre tão habituada a aumentar ele. Naquele sábado, olhávamos pra fora, o dia estava feio e o verão apenas ia ficando pra mais tarde.
Os últimos dias foram de reencontro. Me achei outra vez nas esquinas da minha própria vida. Senti nos meus amigos o verdadeiro sentido de pertencer. Mesmo que de forma diferente, mudamos tanto e eu aceito de bom grado as mudanças todas. Foi essa semana que liguei pra consultar minha melhor amiga, como advogada, e meu chefe ao se despedir agradeceu com um "obrigada, doutora" e eu notei que já não somos realmente mais os mesmos embora não tenhamos mudado tanto. Ainda nos desentendemos, nos desencontramos, discordamos das atitudes uns dos outros e até criamos distâncias. Mas, amizade é ponte indestrutível. Ainda mais daquelas que acompanham as mudanças, o crescimento e a verdade do outro que se constrói a pequenos passos.
Meu carnaval foi de reconstrução. Percebi que as pontes estão disponíveis e eu posso sempre visitar cada um dos meus, a qualquer momento, do outro lado. Sair de mim em direção a alguém é sempre um desafio. É preciso tentar fazer essa viagem sem a mala de preconceitos, sem arrogância, sem o nosso ego interferir na vontade da troca. É preciso permitir que aconteça e se permitir nem sempre é simples.
O amadurecimento é um processo doloroso. As quedas já não são no sentido literal, tropeçamos e as feridas não curam com o sopro da mãe. As lágrimas não são só de manha. Mas, é também reconfortante segurar as rédeas da própria vida. Está tudo bem trabalhar um domingo inteiro pra aumentar um pouco o orçamento e fazer uma viagem no próximo mês. Está tudo bem trabalhar muito para juntar dinheiro e realizar sonhos. Está tudo bem em passar uma noite de sábado dormindo. Está tudo bem em subir um morro pra conhecer um lugar inimaginável. Está tudo bem. Finalmente, está tudo bem, meu bem...
sexta-feira, janeiro 10, 2014
Sobre segundas
Hoje passou um filme besta desses adolescentes na televisão. Era sobre uma menina que fazia um programa de rádio e saia do mundo que os adolescentes vivem, aquele que busca aceitação, o que espera ser gostado pelo que é em uma fase que não se sabe muito o que é.
Em comum, o rádio e o que sentia a cada segunda-feira, eu podia ser eu e gostar de uma banda obscura da Nova Zelândia apenas porque gostava, sem ser julgada de alternativa. Sempre rejeitei o rótulo dos alternativos porque é o que todos somos, alternativas de nós mesmos, diversas pessoas em uma só. Alguns acreditam que o grande lance era uma falsa sensação de prestígio, mas essa nunca muito bem me enganou. Na real, foi a fase da minha vida que descobri ser possível viver sendo eu. Tudo começou com uma entrevista feita para pagar uma dívida de colégio. Passei anos fazendo piada com o fanatismo de um dos meus melhores amigos, o blog que ele atualizava e os amigos que fazia na internet por causa de uma garota que gritava "seja você mesmo que seja estranho". No meu caso, como Narciso, eu também rejeitava tudo que não era espelho e ser eu naquele momento era apenas um sonho demasiado utópico. Vivia na onda do que esperavam de mim. O colégio, o curso técnico de informática, as aulas de inglês, o time de futebol, as aulas inteiras passadas no mastro do colégio quando os amigos levavam o violão e a gente ficava horas cantando músicas ruins.
O filme de hoje passou em uma tarde quente, enquanto eu fazia relatórios e meu corpo doía por causa de um resfriado que vem chegando. Passou no dia do aniversário de uma das pessoas que mais amo no mundo e no dia que dei um sorriso cúmplice com a vida. O rádio, o querer e de agora ser eu mesmo que seja estranho.
Hoje passou um filme besta desses adolescentes na televisão. Era sobre uma menina que fazia um programa de rádio e saia do mundo que os adolescentes vivem, aquele que busca aceitação, o que espera ser gostado pelo que é em uma fase que não se sabe muito o que é.
Em comum, o rádio e o que sentia a cada segunda-feira, eu podia ser eu e gostar de uma banda obscura da Nova Zelândia apenas porque gostava, sem ser julgada de alternativa. Sempre rejeitei o rótulo dos alternativos porque é o que todos somos, alternativas de nós mesmos, diversas pessoas em uma só. Alguns acreditam que o grande lance era uma falsa sensação de prestígio, mas essa nunca muito bem me enganou. Na real, foi a fase da minha vida que descobri ser possível viver sendo eu. Tudo começou com uma entrevista feita para pagar uma dívida de colégio. Passei anos fazendo piada com o fanatismo de um dos meus melhores amigos, o blog que ele atualizava e os amigos que fazia na internet por causa de uma garota que gritava "seja você mesmo que seja estranho". No meu caso, como Narciso, eu também rejeitava tudo que não era espelho e ser eu naquele momento era apenas um sonho demasiado utópico. Vivia na onda do que esperavam de mim. O colégio, o curso técnico de informática, as aulas de inglês, o time de futebol, as aulas inteiras passadas no mastro do colégio quando os amigos levavam o violão e a gente ficava horas cantando músicas ruins.
O filme de hoje passou em uma tarde quente, enquanto eu fazia relatórios e meu corpo doía por causa de um resfriado que vem chegando. Passou no dia do aniversário de uma das pessoas que mais amo no mundo e no dia que dei um sorriso cúmplice com a vida. O rádio, o querer e de agora ser eu mesmo que seja estranho.
terça-feira, setembro 03, 2013
"Quando Bate Aquela Saudade"
Você surgiu assim de repente. Como se fosse mais um entre tantos e me fez sorrir. Surgiu e me fez sonhar como ninguém e mostrou que não seria mais um. Mostrou que mudaria tudo dentro de mim, mostrou os seus sonhos e os seus medos, mostrou suas vontades e suas dúvidas, mostrou suas vontades e incertezas.
Abriu a porta do apartamento também sem saber como seria, me encontrou na frente da tv e me abraçou, apenas porque se nada fosse seríamos aquele abraço, o do encontro na frente da tv. Mas, nada tinha na tv e construímos um cenário dentro do abraço.
É você que tem os olhos gigantes. É em você que descansei tantas buscas e onde encontrei paz. É em você que ainda vejo tanto de mim e que não me sinto urgente porque sinto que tenho tempo. Queria te guardar no espaço presente e ao mesmo tempo guardarei o melhor de mim para o próximo encontro, enfim.
Você surgiu assim de repente. Como se fosse mais um entre tantos e me fez sorrir. Surgiu e me fez sonhar como ninguém e mostrou que não seria mais um. Mostrou que mudaria tudo dentro de mim, mostrou os seus sonhos e os seus medos, mostrou suas vontades e suas dúvidas, mostrou suas vontades e incertezas.
Abriu a porta do apartamento também sem saber como seria, me encontrou na frente da tv e me abraçou, apenas porque se nada fosse seríamos aquele abraço, o do encontro na frente da tv. Mas, nada tinha na tv e construímos um cenário dentro do abraço.
É você que tem os olhos gigantes. É em você que descansei tantas buscas e onde encontrei paz. É em você que ainda vejo tanto de mim e que não me sinto urgente porque sinto que tenho tempo. Queria te guardar no espaço presente e ao mesmo tempo guardarei o melhor de mim para o próximo encontro, enfim.
terça-feira, agosto 13, 2013
E agora, o que é que vou fazer?
Me sinto como se já te conhecesse a tanto tempo e tivéssemos apenas interrompido o curso do nosso momento. Cada uma das formas como você me sorri e me diz frases soltas. A fórmula exata como você tem algo entre o sonho e o real. Sonhos enormes de quem sabe que para realizar é preciso também caminhar no chão. A sua responsabilidade me apaixonou naquele dia cedo que a nossa vontade era passar o dia todo estendendo nossa preguiça, mas que você levantou contrariando meu abraço que te procurava, usando da responsabilidade que tão bem combina com você.
Te quero fazendo planos cada vez maiores e que eu caiba neles. Quero te ver realizando sonhos e te dar um abraço a cada um deles. Quero criar vida junto a sua criatividade enorme. Quero encontrar harmonia nas nossas diferenças. Compreensão nas nossas falhas. Calma nas nossas discussões. Quero paz e mais amor a cada novo dia.
Me quebrei em duas cidades. Uma parte de mim ficou dentro do último abraço no aeroporto. Outra parte voltou em lágrimas dentro do avião. Não me falta o que deixei, não me dói o que ficou, só que essa é a parte que mais brilha, são alguns sonhos e um querer manso. O que voltou, são vontades precisas e não abstratas. Não me cabe mais os enormes medos de antes. Pode ser que sim, que a gente se perca. Mas, depois de acreditar só nos restar crer e isso você já me deu, a crença em um gostar desse tamanho. Obrigada, amor.
Me sinto como se já te conhecesse a tanto tempo e tivéssemos apenas interrompido o curso do nosso momento. Cada uma das formas como você me sorri e me diz frases soltas. A fórmula exata como você tem algo entre o sonho e o real. Sonhos enormes de quem sabe que para realizar é preciso também caminhar no chão. A sua responsabilidade me apaixonou naquele dia cedo que a nossa vontade era passar o dia todo estendendo nossa preguiça, mas que você levantou contrariando meu abraço que te procurava, usando da responsabilidade que tão bem combina com você.
Te quero fazendo planos cada vez maiores e que eu caiba neles. Quero te ver realizando sonhos e te dar um abraço a cada um deles. Quero criar vida junto a sua criatividade enorme. Quero encontrar harmonia nas nossas diferenças. Compreensão nas nossas falhas. Calma nas nossas discussões. Quero paz e mais amor a cada novo dia.
Me quebrei em duas cidades. Uma parte de mim ficou dentro do último abraço no aeroporto. Outra parte voltou em lágrimas dentro do avião. Não me falta o que deixei, não me dói o que ficou, só que essa é a parte que mais brilha, são alguns sonhos e um querer manso. O que voltou, são vontades precisas e não abstratas. Não me cabe mais os enormes medos de antes. Pode ser que sim, que a gente se perca. Mas, depois de acreditar só nos restar crer e isso você já me deu, a crença em um gostar desse tamanho. Obrigada, amor.
sexta-feira, agosto 02, 2013
Sambinha bom
Adoro o som da sua voz. O volume da sua risada. O seu sotaque e a sua vontade. O jeito que me faz sentir especial. As frases que me diz e as que guarda pra você. A maneira que me deixa segura e como me faz esquecer o depois, as ressalvas, os medos que sempre me acompanharam. Com você não sinto medo porque o nosso agora já vale a nostalgia.
O meu sentir até então não me mostra nenhuma fórmula, não deixou um precedente, não me ilumina um caminho seguro. Me deixei levar pelas suas mãos, pelos seus sorrisos, pelas certezas inexistentes, por esse agora manso, pelo presente que você me dá de presente a cada um dos últimos dias.
Quero apenas que seja sempre presente, o agora e o depois, o tempo todo. Eu sinto que me reinventei em você, que bom.
Adoro o som da sua voz. O volume da sua risada. O seu sotaque e a sua vontade. O jeito que me faz sentir especial. As frases que me diz e as que guarda pra você. A maneira que me deixa segura e como me faz esquecer o depois, as ressalvas, os medos que sempre me acompanharam. Com você não sinto medo porque o nosso agora já vale a nostalgia.
O meu sentir até então não me mostra nenhuma fórmula, não deixou um precedente, não me ilumina um caminho seguro. Me deixei levar pelas suas mãos, pelos seus sorrisos, pelas certezas inexistentes, por esse agora manso, pelo presente que você me dá de presente a cada um dos últimos dias.
Quero apenas que seja sempre presente, o agora e o depois, o tempo todo. Eu sinto que me reinventei em você, que bom.
segunda-feira, julho 29, 2013
o imponderável você
"Não sei". É essa a resposta para todas as perguntas que tem surgido nos últimos dias. Como começou. Como cresceu desse jeito. Como e quando comecei a fazer planos. Eu que faço apenas planos concretos, com tempo e espaço, com possibilidades reais e impossibilidades que cabe apenas a mim transpor. Eu que sempre fui sentimentalmente objetiva embora de uma forma um tanto quanto subjetiva.
De repente me sinto Monalisa, com seu meio sorriso, sempre enigmático enquanto tento decifrar com qual chave você abriu algum espaço desconhecido em mim. Embora nada seja simples e tenhamos que ponderar o imponderável. Acordo lembrando do som da sua risada no dia anterior, no jeito nervoso que você interrompe os seus pensamentos, na sua ansiedade que surge atropelando palavras e te fazem perder a linha de raciocínio.
E, eu que sempre escrevo sobre o irreal onde tudo sei, apenas sei que não sei e tô indo, até breve.
"Não sei". É essa a resposta para todas as perguntas que tem surgido nos últimos dias. Como começou. Como cresceu desse jeito. Como e quando comecei a fazer planos. Eu que faço apenas planos concretos, com tempo e espaço, com possibilidades reais e impossibilidades que cabe apenas a mim transpor. Eu que sempre fui sentimentalmente objetiva embora de uma forma um tanto quanto subjetiva.
De repente me sinto Monalisa, com seu meio sorriso, sempre enigmático enquanto tento decifrar com qual chave você abriu algum espaço desconhecido em mim. Embora nada seja simples e tenhamos que ponderar o imponderável. Acordo lembrando do som da sua risada no dia anterior, no jeito nervoso que você interrompe os seus pensamentos, na sua ansiedade que surge atropelando palavras e te fazem perder a linha de raciocínio.
E, eu que sempre escrevo sobre o irreal onde tudo sei, apenas sei que não sei e tô indo, até breve.
segunda-feira, julho 08, 2013
Entre o chão e os ares, vou sonhando em outros ares
Quantas pessoas você conhece de verdade? Com quantas pessoas você é de verdade? Somos todos feitos de muitos ainda que sendo apenas um. São diferentes nuances, sonhos escondidos e outros visíveis. Por fim, somos feitos de matéria invisível já que são pouquíssimos aqueles que conseguem tocar o inteiro.
Tem dias que acordamos cheios de sol e outros em que passamos dias inteiros sendo noite. Porque a noite te leva de volta a casa ou ao lar. A noite te leva aos sonhos. Os sonhos te levam a vida. A vida possível e aquela impossível.
Tenho me sentido mais cansada. Menos solar. Menos a vontade dentro da minha pele. Tem dias que queria apenas passar ele inteiro sem ser eu porque o que sou quase não me tem. Represento diversos personagens. Sou filha, sou jornalista, sou amiga, sou muitas. Sou tantas que me sinto dividida e não conjunto de tudo.
Em São Paulo me sufoca a impessoalidade dos dias e no Rio me sufoca as expectativas de que sendo estrangeira de mim encontre a peça que me faz ficar, em algum lugar, qualquer lugar. O ar ficando cada vez mais rarefeito como efeito do quanto me sinto deslocada em qualquer parte. Uma parte de mim perdida, extremamente perdida, descolada do inteiro. Uma parte fundamental que fez (até aqui) tudo parecer possível. Nesse agora, nada fica, nada continua, tudo passa. Tudo passa.
Quantas pessoas você conhece de verdade? Com quantas pessoas você é de verdade? Somos todos feitos de muitos ainda que sendo apenas um. São diferentes nuances, sonhos escondidos e outros visíveis. Por fim, somos feitos de matéria invisível já que são pouquíssimos aqueles que conseguem tocar o inteiro.
Tem dias que acordamos cheios de sol e outros em que passamos dias inteiros sendo noite. Porque a noite te leva de volta a casa ou ao lar. A noite te leva aos sonhos. Os sonhos te levam a vida. A vida possível e aquela impossível.
Tenho me sentido mais cansada. Menos solar. Menos a vontade dentro da minha pele. Tem dias que queria apenas passar ele inteiro sem ser eu porque o que sou quase não me tem. Represento diversos personagens. Sou filha, sou jornalista, sou amiga, sou muitas. Sou tantas que me sinto dividida e não conjunto de tudo.
Em São Paulo me sufoca a impessoalidade dos dias e no Rio me sufoca as expectativas de que sendo estrangeira de mim encontre a peça que me faz ficar, em algum lugar, qualquer lugar. O ar ficando cada vez mais rarefeito como efeito do quanto me sinto deslocada em qualquer parte. Uma parte de mim perdida, extremamente perdida, descolada do inteiro. Uma parte fundamental que fez (até aqui) tudo parecer possível. Nesse agora, nada fica, nada continua, tudo passa. Tudo passa.
sábado, junho 22, 2013
"Duvidei de mim tanto e quase me perdi"
Depois de um tempo para respirar, voltar me faz sentir tanto e tudo, outra vez. Não encontrava nenhuma razão que explicasse as suas idas e vindas nos meus pensamentos nos últimos dias. Parecia apenas que era você o ponto de partida para todo o bem e mal que se seguiu. Lembrei do seu sorriso, da sua voz, dos seus pensamentos, das inseguranças todas e da segurança que me fazia sentir. Mas, longe de um ideal romântico, é você apenas o elo com a minha inocência e o lugar de onde nunca escolhi sair.
Sinto que agora preciso decidir e o momento de experimentar foi o mesmo que você esteve por perto. De certa forma, me agarro as lembranças como quem se agarra a infância. Me agarro a você como quem se agarra a possibilidade de postergar as escolhas. Estou formada há anos e me sinto pronta para voltar a estudar. Achei que com 25 estaria pós-graduada com um emprego incrível vivendo em um prédio qualquer da Paulista com uma parede de vidro que me fizesse sentir próxima e ao mesmo tempo protegida do caos. Nem pós-graduação e nem o apartamento existem. Achei que com 40 anos ganharia um prêmio e reconhecimento profissional, os dois chegaram aos 22. Meu tempo passa fora das expectativas e os fatos desobedecem sem perdão a ordem cronológica dos planos.
Tenho procurado o verdadeiro sentido das coisas. Olho para dentro e tento encontrar quando foi que comecei a me perder de mim. Quando me desocupei de um agora para viver aos olhos de um futuro incerto. Quais são as raízes que se fincam alguns passos adiante e me impedem de estar plena no instante presente.
Nos corredores das lembranças te encontrei e me esquivei de encarar o que ficou errado, fora do lugar, incompleto e não dito. Recolhi cartas que nunca entregarei e escrevi outras. Tantas coisas que não ditas se tornaram apenas ficção. Sinto falta dos dias que falávamos por horas e depois dormíamos exaustos. Sinto falta de te ouvir me chamando de adolescente sonhadora, quase uma acusação, que diante do seu sorriso me soava doce. Era o seu modo de me fazer sentir os sonhos conservando em mim os ares de menina enquanto misturávamos a nossa pretensão de crescer sem endurecer.
Você me disse uma vez que aprendeu comigo que poderia ser o quisesse. Poderia viver, sonhar, crescer, cantar, escrever, pintar, desenhar ou fazer nenhuma dessas coisas. Poderia e poder é também um estado de graça.
Sabe, ganhei um bloco novo, um desses de anotações e ele me remeteu diretamente ao assalto onde levaram a minha bolsa. Embora o iPhone perdido tenha me doído no bolso, o que ainda me faz falta é o moleskine levado. Estava nele pensamentos que nunca mais devo conseguir reunir em palavras. Os shows e os festivais, desde o primeiro, que cobri. Algumas frases que não se reescreverão e fatos que não voltarei a viver apenas ao olhar a minha letra corrida ou perdida. Esse bloco novo não é do tamanho exato do moleskine, o com capa preta que cabia dentro do bolso de trás da minha calça com precisão cirúrgica e, isso me faz pensar (sem pesar) que as coisas podem nunca mais ter o tamanho exato. De certa forma, você nos meus pensamentos e tão longe da minha vida, me faz sentir que as escolhas realmente já foram feitas. É apenas vida que segue e eu quero estar nela. Plena e inteiramente viva na minha vida.
ps. esse texto é resultado de um emaranhado de pensamentos acumulados nas férias (no Rio) e de diversos textos realmente escritos como cartas que nunca serão enviadas. Resultado de horas de papo com minha melhor amiga (que além de advogada faz o papel de minha analista nas horas vagas), de muitas músicas ouvidas e do curta da Maria Ribeiro, Vinte e Cinco, que foi a peça do quebra cabeça que me faltava pra entender o que esta(va) acontecendo. Com gratidão a tudo (música, literatura, palavras, conversas e arte) e a todos que jogam luz nas palavras (e na vida).
ps²: o curta da Maria Ribeiro você encontra nesse link: http://goo.gl/8OJv6 e o título é um trecho de Vou Adiante da Luiza Possi.
Depois de um tempo para respirar, voltar me faz sentir tanto e tudo, outra vez. Não encontrava nenhuma razão que explicasse as suas idas e vindas nos meus pensamentos nos últimos dias. Parecia apenas que era você o ponto de partida para todo o bem e mal que se seguiu. Lembrei do seu sorriso, da sua voz, dos seus pensamentos, das inseguranças todas e da segurança que me fazia sentir. Mas, longe de um ideal romântico, é você apenas o elo com a minha inocência e o lugar de onde nunca escolhi sair.
Sinto que agora preciso decidir e o momento de experimentar foi o mesmo que você esteve por perto. De certa forma, me agarro as lembranças como quem se agarra a infância. Me agarro a você como quem se agarra a possibilidade de postergar as escolhas. Estou formada há anos e me sinto pronta para voltar a estudar. Achei que com 25 estaria pós-graduada com um emprego incrível vivendo em um prédio qualquer da Paulista com uma parede de vidro que me fizesse sentir próxima e ao mesmo tempo protegida do caos. Nem pós-graduação e nem o apartamento existem. Achei que com 40 anos ganharia um prêmio e reconhecimento profissional, os dois chegaram aos 22. Meu tempo passa fora das expectativas e os fatos desobedecem sem perdão a ordem cronológica dos planos.
Tenho procurado o verdadeiro sentido das coisas. Olho para dentro e tento encontrar quando foi que comecei a me perder de mim. Quando me desocupei de um agora para viver aos olhos de um futuro incerto. Quais são as raízes que se fincam alguns passos adiante e me impedem de estar plena no instante presente.
Nos corredores das lembranças te encontrei e me esquivei de encarar o que ficou errado, fora do lugar, incompleto e não dito. Recolhi cartas que nunca entregarei e escrevi outras. Tantas coisas que não ditas se tornaram apenas ficção. Sinto falta dos dias que falávamos por horas e depois dormíamos exaustos. Sinto falta de te ouvir me chamando de adolescente sonhadora, quase uma acusação, que diante do seu sorriso me soava doce. Era o seu modo de me fazer sentir os sonhos conservando em mim os ares de menina enquanto misturávamos a nossa pretensão de crescer sem endurecer.
Você me disse uma vez que aprendeu comigo que poderia ser o quisesse. Poderia viver, sonhar, crescer, cantar, escrever, pintar, desenhar ou fazer nenhuma dessas coisas. Poderia e poder é também um estado de graça.
Sabe, ganhei um bloco novo, um desses de anotações e ele me remeteu diretamente ao assalto onde levaram a minha bolsa. Embora o iPhone perdido tenha me doído no bolso, o que ainda me faz falta é o moleskine levado. Estava nele pensamentos que nunca mais devo conseguir reunir em palavras. Os shows e os festivais, desde o primeiro, que cobri. Algumas frases que não se reescreverão e fatos que não voltarei a viver apenas ao olhar a minha letra corrida ou perdida. Esse bloco novo não é do tamanho exato do moleskine, o com capa preta que cabia dentro do bolso de trás da minha calça com precisão cirúrgica e, isso me faz pensar (sem pesar) que as coisas podem nunca mais ter o tamanho exato. De certa forma, você nos meus pensamentos e tão longe da minha vida, me faz sentir que as escolhas realmente já foram feitas. É apenas vida que segue e eu quero estar nela. Plena e inteiramente viva na minha vida.
ps. esse texto é resultado de um emaranhado de pensamentos acumulados nas férias (no Rio) e de diversos textos realmente escritos como cartas que nunca serão enviadas. Resultado de horas de papo com minha melhor amiga (que além de advogada faz o papel de minha analista nas horas vagas), de muitas músicas ouvidas e do curta da Maria Ribeiro, Vinte e Cinco, que foi a peça do quebra cabeça que me faltava pra entender o que esta(va) acontecendo. Com gratidão a tudo (música, literatura, palavras, conversas e arte) e a todos que jogam luz nas palavras (e na vida).
ps²: o curta da Maria Ribeiro você encontra nesse link: http://goo.gl/8OJv6 e o título é um trecho de Vou Adiante da Luiza Possi.
sexta-feira, abril 26, 2013
Conjunções
Vamos nos distanciando de nós e indo cada vez mais para um outro lugar. Um novo eu, um novo alguém que não conheço ainda, que nunca vi. A cada novo fim a bagagem de mão pesa menos, largo algumas esperanças, solto alguns hábitos, atravesso um novo espaço de tempo. Nunca fico para ver o que vem depois disso, depois que saio, depois que a porta se fecha. É como se cada chave fosse gastando a fechadura, entre idas e vindas, alguns meses, entre esses meses algumas histórias, vários sorrisos, jantares, trocas e o fim certo. Me enclausura as expectativas, me sufoca as cobranças, me desespera as necessidades. Não consigo precisar, talvez por ter sido só na infância, filha única de pais ausentes, a necessidade me amedronta. Tenho medo de desapontar o outro no seu castelo de sonhos.
Não é por maldade, não é descaso, nem tampouco desinteresse. Mas, preciso de um gostar manso, sem cobranças, com espaços para transitar, uma casa ampla que me abrace a cada volta. Um cachorro doce que pula nas minhas pernas a cada retorno mesmo que me puna com alguma indiferença depois da euforia. Meus relacionamentos sempre estiveram próximos disso, um doce cachorro com indiferença e euforia, tenho trânsito livre entre esses dois extremos.
Só que até então todos foram diferentes. A caminhada dos outros me parecem tão clara, os relacionamentos duradouros tem na sua base a aceitação e a omissão de alguns desejos que a mim são primordiais como o espaço meu para não. A minha necessidade de não. Alguns lugares que são meus como o reino das palavras que não permite a vontade alheia de compreender. Não nasci para esfinge, decifra-me OU devore-te, a conjunção disjuntiva na regra ortográfica da minha vida é adjetiva, decifra-me E devore-te. Me conservar em mistério é o que me faz ficar, em mim, assim...
Vamos nos distanciando de nós e indo cada vez mais para um outro lugar. Um novo eu, um novo alguém que não conheço ainda, que nunca vi. A cada novo fim a bagagem de mão pesa menos, largo algumas esperanças, solto alguns hábitos, atravesso um novo espaço de tempo. Nunca fico para ver o que vem depois disso, depois que saio, depois que a porta se fecha. É como se cada chave fosse gastando a fechadura, entre idas e vindas, alguns meses, entre esses meses algumas histórias, vários sorrisos, jantares, trocas e o fim certo. Me enclausura as expectativas, me sufoca as cobranças, me desespera as necessidades. Não consigo precisar, talvez por ter sido só na infância, filha única de pais ausentes, a necessidade me amedronta. Tenho medo de desapontar o outro no seu castelo de sonhos.
Não é por maldade, não é descaso, nem tampouco desinteresse. Mas, preciso de um gostar manso, sem cobranças, com espaços para transitar, uma casa ampla que me abrace a cada volta. Um cachorro doce que pula nas minhas pernas a cada retorno mesmo que me puna com alguma indiferença depois da euforia. Meus relacionamentos sempre estiveram próximos disso, um doce cachorro com indiferença e euforia, tenho trânsito livre entre esses dois extremos.
Só que até então todos foram diferentes. A caminhada dos outros me parecem tão clara, os relacionamentos duradouros tem na sua base a aceitação e a omissão de alguns desejos que a mim são primordiais como o espaço meu para não. A minha necessidade de não. Alguns lugares que são meus como o reino das palavras que não permite a vontade alheia de compreender. Não nasci para esfinge, decifra-me OU devore-te, a conjunção disjuntiva na regra ortográfica da minha vida é adjetiva, decifra-me E devore-te. Me conservar em mistério é o que me faz ficar, em mim, assim...
i'm not gonna sit around
and waste my precious divine energy
and waste my precious divine energy
trying to explain and being ashamed
of things you think are wrong with me
of things you think are wrong with me
domingo, abril 14, 2013
repetições
Tive que ir embora antes que terminasse. Um pouco antes de transformamos os meses bons que vivemos em mágoas. Nos acusaríamos, procurando culpados, tentando dar ao outro a responsabilidade do fim que era certo desde o dia que nos conhecemos. Somos tão diferentes no presente e nas aspirações de futuro. Nos desentendíamos em conversas simples. Gostar não seria o suficiente daqui pouquíssimo tempo. E, mais uma vez, eu saio um pouco antes do fim. Antes de ficar difícil demais e antes de ver o que viria depois. Suponho que assim evito despedidas dramáticas e mantenho a porta aberta entre nós para que possa surgir algo bom como uma amizade entre pessoas que respeitam o carinho do passado.
Me mantenho a quase uma distância segura, entro nos lugares e procuro logo uma saída, deixo tudo simples para ir e vir. Não crio raiz, não viro fruto, sou quase passarinho. Mas, tem me faltado calma e paz, um lugar para ficar, como você foi nos últimos meses. Me desculpa, mais uma vez, torço e espero que tenhamos a sorte de encontrarmos um amor tranquilo, em algum lugar, já que não em nós.
Tive que ir embora antes que terminasse. Um pouco antes de transformamos os meses bons que vivemos em mágoas. Nos acusaríamos, procurando culpados, tentando dar ao outro a responsabilidade do fim que era certo desde o dia que nos conhecemos. Somos tão diferentes no presente e nas aspirações de futuro. Nos desentendíamos em conversas simples. Gostar não seria o suficiente daqui pouquíssimo tempo. E, mais uma vez, eu saio um pouco antes do fim. Antes de ficar difícil demais e antes de ver o que viria depois. Suponho que assim evito despedidas dramáticas e mantenho a porta aberta entre nós para que possa surgir algo bom como uma amizade entre pessoas que respeitam o carinho do passado.
Me mantenho a quase uma distância segura, entro nos lugares e procuro logo uma saída, deixo tudo simples para ir e vir. Não crio raiz, não viro fruto, sou quase passarinho. Mas, tem me faltado calma e paz, um lugar para ficar, como você foi nos últimos meses. Me desculpa, mais uma vez, torço e espero que tenhamos a sorte de encontrarmos um amor tranquilo, em algum lugar, já que não em nós.
domingo, abril 07, 2013
Você foi crescendo
Penso no som da sua risada, na verdade do seu abraço, na pureza dos seus sentidos. Te conheço pouco e talvez seja esse o grande segredo. Tenho quase medo de me aproximar demais e ser engolida pela realidade.
Queria brincar com os seus dedos enquanto conto que passei os últimos dias organizando meus discos, reencontrando as coisas que gostava de escutar, lembrando de gente que passou pela minha vida e deixou suas marcas aqui. Sem que nada disso tenha me tirado do agora e nenhuma lembrança tenha atormentado o que de você existe no presente. Tenho lido mais e gostado de ficar quieta. Respiro mais devagar enquanto espero algo que me faça sentir.
Estive nos últimos dias realizando sonhos, vendo shows inimagináveis, realizando planos antigos. Faz algum tempo que deixei tudo apenas seguir o rumo das coisas, me soltei nas mãos do destino, leve para que ele também seja. Ah, por leve, lembrei mais uma vez do seu sorriso, dos seus olhos, da sua alma mansa... Lembrei de você.
sexta-feira, abril 05, 2013
Você não sabe, mas eu sempre te esperei
Minhas paixões se renovam também na ausência. Me solta, me deixa voar e me faça sentir vontade de voltar para compartilhar o que vi no tempo que não estávamos fazendo tudo juntos. Não consigo entender os casais que se esforçam para se tornar um, já que para mim o principal é encontrar outro. Um alguém que viva intensamente as suas próprias possibilidades e me conte no fim do dia como ele foi.
Só não se ausente demais. Não me faça sentir que longe é melhor. Não me cobre no retorno. Conserve a possibilidade do trânsito por mais que a cidade quase não ande. Respeite as nossas diferenças e a minha necessidade de estar em lugares que não são seus.
É verdade que espero alguém que me faça rir de problemas pequenos. Busco em frases, em livros, em filmes, em bares, nos cinemas, em uma praça, em shows, nos lugares todos alguém que caiba dentro de algo que não quero definir. Amores platônicos quase me ganham. Eles alimentam os sonhos já que na realidade sempre encontro o que não compreende. Não é fácil aceitar os meus defeitos todos feitos pela liberdade. Não pode, não se aplica. Não vai, não existe. Eu posso e eu vou... Mesmo que só.
Vou passar horas de vida na companhia dos meus amigos. Vou me perder de madrugada. Vou precisar ficar quieta para não escapar de mim. Vou sair de casa para observar pessoas e imaginar histórias. Vou precisar sonhar, sempre, o tempo inteiro. Podemos criar um universo inteiro de possibilidades ou apenas destruí-las... Podemos ir além.
ps. Título e música da Luiza Possi.
Minhas paixões se renovam também na ausência. Me solta, me deixa voar e me faça sentir vontade de voltar para compartilhar o que vi no tempo que não estávamos fazendo tudo juntos. Não consigo entender os casais que se esforçam para se tornar um, já que para mim o principal é encontrar outro. Um alguém que viva intensamente as suas próprias possibilidades e me conte no fim do dia como ele foi.
Só não se ausente demais. Não me faça sentir que longe é melhor. Não me cobre no retorno. Conserve a possibilidade do trânsito por mais que a cidade quase não ande. Respeite as nossas diferenças e a minha necessidade de estar em lugares que não são seus.
É verdade que espero alguém que me faça rir de problemas pequenos. Busco em frases, em livros, em filmes, em bares, nos cinemas, em uma praça, em shows, nos lugares todos alguém que caiba dentro de algo que não quero definir. Amores platônicos quase me ganham. Eles alimentam os sonhos já que na realidade sempre encontro o que não compreende. Não é fácil aceitar os meus defeitos todos feitos pela liberdade. Não pode, não se aplica. Não vai, não existe. Eu posso e eu vou... Mesmo que só.
Vou passar horas de vida na companhia dos meus amigos. Vou me perder de madrugada. Vou precisar ficar quieta para não escapar de mim. Vou sair de casa para observar pessoas e imaginar histórias. Vou precisar sonhar, sempre, o tempo inteiro. Podemos criar um universo inteiro de possibilidades ou apenas destruí-las... Podemos ir além.
ps. Título e música da Luiza Possi.
domingo, março 31, 2013
upside down
Cada vez sinto que pertenço menos. Dou voltas no mundo e conheço pessoas diferentes em credos, em vontades, em formas, em cheiro, em cor, em volume, em sonhos, em som. Esbarro em tantos e não fico, não pertenço, não me sinto parte de quase coisa alguma.
Meu aniversário me faz refletir e me sentir meio certa ainda que tão errante. Já não tento mais fazer ninguém caber no meu sonho e não me prendo no tempo do eterno. Vivo no agora e espero apenas encontrar paz em companhia. Já quis tanto um daqueles amores cheios de ideal que as possibilidades se anulam e se faz sempre platônico. No meu agora só cabe quem me entrega calma, compreensão, sorrisos sinceros, verdades leves e segurança. Troco a tempestade de uma paixão arrebatadora pelo calor de um gostar manso. Troco exageros por compreensão. Troco cobranças por silêncio. Troco preces por prazeres. Troco juras por olhares.
Tem horas que me falta ar, me falta o chão, me falta vontade e inspiração. Um vazio me preenche de nada e quase sufoco por tudo. Busco sempre indo, de onde estou, de quem está comigo. Procuro enxergar de um panorama seguro, talvez próximo de uma saída, a espera de um acidente, de uma frase, de um nada qualquer que me empurre até o fim. De rima pobre, de compasso simples, de forma leve até que o som apenas me leve... Enfim.
Cada vez sinto que pertenço menos. Dou voltas no mundo e conheço pessoas diferentes em credos, em vontades, em formas, em cheiro, em cor, em volume, em sonhos, em som. Esbarro em tantos e não fico, não pertenço, não me sinto parte de quase coisa alguma.
Meu aniversário me faz refletir e me sentir meio certa ainda que tão errante. Já não tento mais fazer ninguém caber no meu sonho e não me prendo no tempo do eterno. Vivo no agora e espero apenas encontrar paz em companhia. Já quis tanto um daqueles amores cheios de ideal que as possibilidades se anulam e se faz sempre platônico. No meu agora só cabe quem me entrega calma, compreensão, sorrisos sinceros, verdades leves e segurança. Troco a tempestade de uma paixão arrebatadora pelo calor de um gostar manso. Troco exageros por compreensão. Troco cobranças por silêncio. Troco preces por prazeres. Troco juras por olhares.
Tem horas que me falta ar, me falta o chão, me falta vontade e inspiração. Um vazio me preenche de nada e quase sufoco por tudo. Busco sempre indo, de onde estou, de quem está comigo. Procuro enxergar de um panorama seguro, talvez próximo de uma saída, a espera de um acidente, de uma frase, de um nada qualquer que me empurre até o fim. De rima pobre, de compasso simples, de forma leve até que o som apenas me leve... Enfim.
quinta-feira, março 07, 2013
Faltam horas nos meus dias e quanto mais de mim se vai menos fica aqui. Corro quase em fuga do que sou enquanto cumpro os compromissos, as responsabilidades, quando sigo gastando os dias que vão em vão. Todos morrendo de tempo.
São raros os dias de nada quando tocamos o vazio em paz. A vontade de tudo é tanta que até a diversão ocupa um espaço parecido com obrigação. A gente tem que sair, se divertir, se entorpecer de alguma forma mesmo que de alegria. Mas, dentro de tudo isso, lembro que faz alguns dias que você me apresentou novos domingos, alguns momentos coloridos e dias que parecem ter mais horas... de paz.
São raros os dias de nada quando tocamos o vazio em paz. A vontade de tudo é tanta que até a diversão ocupa um espaço parecido com obrigação. A gente tem que sair, se divertir, se entorpecer de alguma forma mesmo que de alegria. Mas, dentro de tudo isso, lembro que faz alguns dias que você me apresentou novos domingos, alguns momentos coloridos e dias que parecem ter mais horas... de paz.
2 meses
quinta-feira, janeiro 03, 2013
Time will bring the real end of our trial
Absolutamente nada. É mais ou menos isso que sinto faz vários dias. Nem conforto, nem raiva, nem carinho, nem mágoa, nem euforia, nem tristeza. É só uma felicidade mansa e um vazio que termina em paz.
Na minha mente nada fica, os pensamentos sumiram e os questionamentos do depois já não me encontram. O agora é o momento certo. Aqui, em movimento, no vazio. É como se tivesse limpado os armários, arrumado a casa, tirado o que não importa e liberado espaço. Sorrio mesmo quando o trânsito não colabora. Não me irrito de chegar molhada no trabalho (porque esqueci o guarda-chuva em casa). Vejo flores onde não tem. Não dependo de companhia porque já não me importa as ausências. Não que tenha endurecido, mas cresci, valorizo o que chega e não me pede compreensão para estar.
É ano de planos possíveis, sonhos grandiosos, encontros harmônicos e alegria mansa (porque essa dura depois da euforia).
No mais, ao acaso estou, plena e vazia.
ps. o título é de Pretty Wings do Maxwell, nada mais caberia tão bem. :)
Absolutamente nada. É mais ou menos isso que sinto faz vários dias. Nem conforto, nem raiva, nem carinho, nem mágoa, nem euforia, nem tristeza. É só uma felicidade mansa e um vazio que termina em paz.
Na minha mente nada fica, os pensamentos sumiram e os questionamentos do depois já não me encontram. O agora é o momento certo. Aqui, em movimento, no vazio. É como se tivesse limpado os armários, arrumado a casa, tirado o que não importa e liberado espaço. Sorrio mesmo quando o trânsito não colabora. Não me irrito de chegar molhada no trabalho (porque esqueci o guarda-chuva em casa). Vejo flores onde não tem. Não dependo de companhia porque já não me importa as ausências. Não que tenha endurecido, mas cresci, valorizo o que chega e não me pede compreensão para estar.
É ano de planos possíveis, sonhos grandiosos, encontros harmônicos e alegria mansa (porque essa dura depois da euforia).
No mais, ao acaso estou, plena e vazia.
ps. o título é de Pretty Wings do Maxwell, nada mais caberia tão bem. :)
segunda-feira, novembro 26, 2012
"Te inventei porque você não existia"
É natural que não tenha sido na nossa cidade. Tenho me sentido cada vez mais cidadã do mundo enquanto me esparramo pelos estados do nosso país. Deixo em cada canto um pedaço. O sorriso da minha família na Bahia. O encanto dos meus amigos no Rio. O aconchego da proximidade e o mais perto de ser raiz em São Paulo. Em cada estado deixo um estado de mim.
Foi no Rio que deixei a graça de ter você. Foi lá que acabou a espera e recomeçou o encanto. No campo do desencontro e da impossibilidade nós demos aula. Na universidade das impossibilidades somos mestres. No universo da poesia nos construímos em rimas pobres. Em prosa fizemos contos e nos encontros desfazemos possibilidades. Foi naquela viagem com o grupo de amigos marcados pelo tempo e por desentendimentos. Nunca fui de fácil tato. Abstraio, mudo, me refaço longe e quase nunca volto. O destino era o Rio e os outros também eram nós.
Neguei o café no restaurante da Lapa porque queria chegar cedo em Santa Teresa, você resolveu me acompanhar e nós subimos a pé. Foi quando me abraçou demonstrando ter o meu mapa em suas mãos, os seus dedos ao redor de mim, brincando com o segredo que guardo nas costas. Te perguntei o que você queria e você me soltou. Me acusou de quebrar o encanto. Destacou erros seus que não existem, nunca existiram, não te cabem. O papel de mártir você nunca desempenhou bem. A fraqueza encobre o seu talento em ser. E nada disso me parece seu. Te fiz olhar nos meus olhos e me dizer o que era aquilo. Você se virou apressando o passo.
Fiquei olhando você ir, de novo. Pensando como nunca fiz efetivamente nada, a não ser estar paciente, te escrevendo em mil textos que sempre foram só meus. Foi quando te parei mais uma vez e te dei um beijo. Daqueles que se perdem no tempo do que ficou para trás e apagam inúmeras certezas. Daqueles que cabem carinho e desejo.
Nós afastamos sem dizer nada enquanto continuávamos subir até Santa Teresa. Notava seu nervosismo e poderia prever que suas pernas tremeriam mais do que o comum. Lembro do seu infinito tique com o qual adoro implicar. Nas aulas da faculdade evitava sentar na sua frente, me irritava o seu all star pendurado na minha cadeira enquanto suas pernas incansáveis e insanas, se mexiam.
Você falou algo sobre certo e errado. Falamos sobre acertos e erros. Te falei mais uma vez sobre o meu tempo estar no agora. Não acredito em uma felicidade plena e eterna. Acredito em momentos felizes plenos e duradouros, me garanto o direito de criar e viver vários, coloco eles na minha história. Chegamos a Santa Teresa... pensamos em descer para conversar com eles e contar sobre nós... Mas, daí, o meu celular tocou e eu acordei...
Foi isso (também) um sonho.
É natural que não tenha sido na nossa cidade. Tenho me sentido cada vez mais cidadã do mundo enquanto me esparramo pelos estados do nosso país. Deixo em cada canto um pedaço. O sorriso da minha família na Bahia. O encanto dos meus amigos no Rio. O aconchego da proximidade e o mais perto de ser raiz em São Paulo. Em cada estado deixo um estado de mim.
Foi no Rio que deixei a graça de ter você. Foi lá que acabou a espera e recomeçou o encanto. No campo do desencontro e da impossibilidade nós demos aula. Na universidade das impossibilidades somos mestres. No universo da poesia nos construímos em rimas pobres. Em prosa fizemos contos e nos encontros desfazemos possibilidades. Foi naquela viagem com o grupo de amigos marcados pelo tempo e por desentendimentos. Nunca fui de fácil tato. Abstraio, mudo, me refaço longe e quase nunca volto. O destino era o Rio e os outros também eram nós.
Neguei o café no restaurante da Lapa porque queria chegar cedo em Santa Teresa, você resolveu me acompanhar e nós subimos a pé. Foi quando me abraçou demonstrando ter o meu mapa em suas mãos, os seus dedos ao redor de mim, brincando com o segredo que guardo nas costas. Te perguntei o que você queria e você me soltou. Me acusou de quebrar o encanto. Destacou erros seus que não existem, nunca existiram, não te cabem. O papel de mártir você nunca desempenhou bem. A fraqueza encobre o seu talento em ser. E nada disso me parece seu. Te fiz olhar nos meus olhos e me dizer o que era aquilo. Você se virou apressando o passo.
Fiquei olhando você ir, de novo. Pensando como nunca fiz efetivamente nada, a não ser estar paciente, te escrevendo em mil textos que sempre foram só meus. Foi quando te parei mais uma vez e te dei um beijo. Daqueles que se perdem no tempo do que ficou para trás e apagam inúmeras certezas. Daqueles que cabem carinho e desejo.
Nós afastamos sem dizer nada enquanto continuávamos subir até Santa Teresa. Notava seu nervosismo e poderia prever que suas pernas tremeriam mais do que o comum. Lembro do seu infinito tique com o qual adoro implicar. Nas aulas da faculdade evitava sentar na sua frente, me irritava o seu all star pendurado na minha cadeira enquanto suas pernas incansáveis e insanas, se mexiam.
Você falou algo sobre certo e errado. Falamos sobre acertos e erros. Te falei mais uma vez sobre o meu tempo estar no agora. Não acredito em uma felicidade plena e eterna. Acredito em momentos felizes plenos e duradouros, me garanto o direito de criar e viver vários, coloco eles na minha história. Chegamos a Santa Teresa... pensamos em descer para conversar com eles e contar sobre nós... Mas, daí, o meu celular tocou e eu acordei...
Foi isso (também) um sonho.
Assinar:
Postagens (Atom)
