you make me feel
Te quero em segredo, escrevendo nas entrelinhas da minha vida, preenchendo o lugar que guardei para você. Viajar para um lugar onde ninguém nos conheça e viver a vida como personagens de um filme bobo. Depois voltar para a realidade, para o café da manhã, com as suas manias. Te quero para discordar dos filmes que eu gosto e para me mostrar os filmes de época que ainda não vi. Te quero para questionar minhas verdades enquanto aceita as minhas diferenças. Te quero para ouvir as suas histórias enquanto escrevemos a nossa. Te quero para me fazer acreditar que tudo é possível. Te quero para sentir falta sempre que você não estiver e sentir sede da sua presença. Te quero para sorrir das frases bobas, dos seus pensamentos que se confessam em horas e das nossas besteiras. Te quero no fim da tarde olhando o pôr-do-sol. Te quero na manhã seguinte. Te quero uma noite inteira. Te quero no domingo a tarde. Te quero para entender porque foi você e é sempre só você.
domingo, fevereiro 06, 2011
quinta-feira, janeiro 27, 2011
Entre singular e plural
Uma parte de mim quer altura e a outra melodia. Uma parte quer movimento e a outra calmaria. Uma parte quer conhecer o mundo e a outra quer apenas se conhecer. Uma parte de mim quer refazer o caminho e a outra prefere mudar de estrada. Uma parte quer reescrever a história e a outra adoraria uma folha em branco. Uma quer uma festa enorme e a outra prefere a solidão do quarto vazio. Uma parte quer fazer do mundo o quintal da sua casa e a outra faz do quintal de casa o seu mundo. Uma parte é fácil e a outra complexa. Uma parte é tolerante e a outra não entende as pessoas. Sempre trocando passos com a maldição da pluralidade de quem nunca aprendeu a ser singular. Por medo e precaução, se mantém longe dos extremos e por isso se sente inerte.
Uma parte de mim quer altura e a outra melodia. Uma parte quer movimento e a outra calmaria. Uma parte quer conhecer o mundo e a outra quer apenas se conhecer. Uma parte de mim quer refazer o caminho e a outra prefere mudar de estrada. Uma parte quer reescrever a história e a outra adoraria uma folha em branco. Uma quer uma festa enorme e a outra prefere a solidão do quarto vazio. Uma parte quer fazer do mundo o quintal da sua casa e a outra faz do quintal de casa o seu mundo. Uma parte é fácil e a outra complexa. Uma parte é tolerante e a outra não entende as pessoas. Sempre trocando passos com a maldição da pluralidade de quem nunca aprendeu a ser singular. Por medo e precaução, se mantém longe dos extremos e por isso se sente inerte.
terça-feira, janeiro 25, 2011
It's just that it's delicate
Uma enorme sensação de conforto, a simplicidade de poder simplesmente ser e de reconhecer no outro o que não se perde. Errei muito, te transformei em palavras e fiz de você um personagem que só existia em letras. Esperei que você se comportasse como o meu personagem, sentisse as emoções que eu emprestava a ele e julgasse certo o que o reflexo de mim gostaria que fosse. Por muito tempo perdi o que não soube aceitar, as suas particularidades, o seu jeito de ser. Nem nos mais belos textos o meu personagem seria melhor do que a realidade, porque é dela que se movimenta os seus atos, que se faz a sua graça. Bom te ver sonhando, querendo, acreditando sempre com aquele jeito seu de não se dar o devido valor.
Admito que no momento, eu que nunca me importei com que os outros acham, tenho medo. Eu que nunca liguei para o depois desde que o instante fosse realmente vivido, nesse espaço de tempo, tenho medo. Me libertei do sentir para conseguir me livrar do passado, me desfiz das amarras que me mantinham em outro espaço, passei a jogar com a vida e a colorir os caminhos. Fiz da leveza a minha missão, fiz do dia seguinte apenas um dia qualquer, fiz de tudo para achar que até então fazia da vida um cálculo matemático errado, como diria Clarice.
Me soltei das palavras e fui para fora, simplesmente viver. Me desfiz da poesia, nunca mais gravei CDs ou soube qual era a bebida preferida de alguém. Nunca mais deixei ninguém entrar na minha vida, como se tivesse fechado a porta e já não pudesse mais voltar a trilhar esses velhos caminhos. Desde então, dentro de mim, me sinto segura.
Alguns cheiros me remetem direto para uma lembrança vagamente esquecida. Hoje sei que é dele que sinto falta, do passado. Será então seguro brincar com as estradas que um dia me levaram direto ao precipício maior que foi encontrar esse medo (de viver)? Nunca fui de levar a vida direto para a segurança, só que agora...
Uma enorme sensação de conforto, a simplicidade de poder simplesmente ser e de reconhecer no outro o que não se perde. Errei muito, te transformei em palavras e fiz de você um personagem que só existia em letras. Esperei que você se comportasse como o meu personagem, sentisse as emoções que eu emprestava a ele e julgasse certo o que o reflexo de mim gostaria que fosse. Por muito tempo perdi o que não soube aceitar, as suas particularidades, o seu jeito de ser. Nem nos mais belos textos o meu personagem seria melhor do que a realidade, porque é dela que se movimenta os seus atos, que se faz a sua graça. Bom te ver sonhando, querendo, acreditando sempre com aquele jeito seu de não se dar o devido valor.
Admito que no momento, eu que nunca me importei com que os outros acham, tenho medo. Eu que nunca liguei para o depois desde que o instante fosse realmente vivido, nesse espaço de tempo, tenho medo. Me libertei do sentir para conseguir me livrar do passado, me desfiz das amarras que me mantinham em outro espaço, passei a jogar com a vida e a colorir os caminhos. Fiz da leveza a minha missão, fiz do dia seguinte apenas um dia qualquer, fiz de tudo para achar que até então fazia da vida um cálculo matemático errado, como diria Clarice.
Me soltei das palavras e fui para fora, simplesmente viver. Me desfiz da poesia, nunca mais gravei CDs ou soube qual era a bebida preferida de alguém. Nunca mais deixei ninguém entrar na minha vida, como se tivesse fechado a porta e já não pudesse mais voltar a trilhar esses velhos caminhos. Desde então, dentro de mim, me sinto segura.
Alguns cheiros me remetem direto para uma lembrança vagamente esquecida. Hoje sei que é dele que sinto falta, do passado. Será então seguro brincar com as estradas que um dia me levaram direto ao precipício maior que foi encontrar esse medo (de viver)? Nunca fui de levar a vida direto para a segurança, só que agora...
If it means nothing to you
Why do you sing with me at all?
We might live like never before
When there's nothing to give
Well how can we ask for more?
Damien Rice - Delicate
Why do you sing with me at all?
We might live like never before
When there's nothing to give
Well how can we ask for more?
Damien Rice - Delicate
domingo, janeiro 23, 2011
Anestesiada
Talvez tenha sido o passado ou seja apenas uma fase. Quem sabe a maturidade do dia após dia, da marca após marca, dos momentos de felicidade, da busca infinita, da insatisfação crônica, do querer sem querer. Me faz falta sentir com a mesma intensidade que um dia a juventude me permitiu, não que se tenham passados tantos anos a ponto de eu não mais me encontrar com a juventude. Foi só o tempo que passou, aquele que cicatriza feridas e desconserta as resoluções fálidas, aquelas que a gente toma só para se livrar. Percebo hoje que meu amor se torna plena indiferença, me dói também, porque não sentir nada é do tamanho do vazio, esse mesmo que nem se quer pode ser medido.
Quanto de mim teve que se perder, quanto precisei ceder e me dedicar a alguns caprichos dignos de nota, quanto ficou esquecido enquanto eu me esquecia de mim. Foi muito gostar, foi muito querer, foi muito de tudo. De mim, quase nada, de novo, a apatia.
Talvez tenha sido o passado ou seja apenas uma fase. Quem sabe a maturidade do dia após dia, da marca após marca, dos momentos de felicidade, da busca infinita, da insatisfação crônica, do querer sem querer. Me faz falta sentir com a mesma intensidade que um dia a juventude me permitiu, não que se tenham passados tantos anos a ponto de eu não mais me encontrar com a juventude. Foi só o tempo que passou, aquele que cicatriza feridas e desconserta as resoluções fálidas, aquelas que a gente toma só para se livrar. Percebo hoje que meu amor se torna plena indiferença, me dói também, porque não sentir nada é do tamanho do vazio, esse mesmo que nem se quer pode ser medido.
Quanto de mim teve que se perder, quanto precisei ceder e me dedicar a alguns caprichos dignos de nota, quanto ficou esquecido enquanto eu me esquecia de mim. Foi muito gostar, foi muito querer, foi muito de tudo. De mim, quase nada, de novo, a apatia.
terça-feira, dezembro 28, 2010
(um ano) após o outro
A cada dia o vazio aumenta. Não importa quais as respostas que consigo, as perguntas que faço, as histórias que escrevo. Um grande espaço de nada toma conta de mim todas as vezes que a ausência de uma coisa que não conheço, não encontro, não entendo se faz presente. É quando preciso me voltar para dentro, repassar os acontecimentos, refazer a trajetória que me levou até ali. É quando transformo o meu silêncio em som e escuto vozes em mim.
Tem horas que a inércia me transporta e outras que os excessos me encontram. Vivo vacilando entre extremos e sempre me afastando dos outros. Traço uma linha imaginária e onde começa o meu espaço vive sempre muito separado de onde pode coexistir o de outro. Faço pose enquanto tudo se dissolve em questões pequenas. Convenço a platéia e não me convenço. Interpreto o meu personagem e vejo os outros agirem comigo cheio de dedos, me coloco como expectadora de mim e percebo que faria o mesmo. Mas, vivo esperando aqueles que furam o bloqueio e me tratam apenas como igual. Cada vez menos. Cada vez mais seletiva. Cada vez mais longe. Cada vez mais sozinha.
Os que estão por perto, todo o tempo, são ainda aqueles que me conhecem desde quando eu era a garota de calça jeans, all star, óculos e aparelho. A personificação da adolescente insegura. Hoje em dia são poucos o que ultrapassam essa barreira. A vida de adulto tem um jogo de interesses que não me interessa porque ainda quero só a verdade que está escondida ou guardada. Quero só que a recíproca seja verdadeira pelos motivos certos. E, nesse jogo da vida adulta, é sempre uma besteira tentar definir o certo já que encontrar as doses de felicidade está quase sempre ligado a um vacilo certeiro. Poucos, cada vez menos, cada vez mais, maismaismais dúvida.
A cada dia o vazio aumenta. Não importa quais as respostas que consigo, as perguntas que faço, as histórias que escrevo. Um grande espaço de nada toma conta de mim todas as vezes que a ausência de uma coisa que não conheço, não encontro, não entendo se faz presente. É quando preciso me voltar para dentro, repassar os acontecimentos, refazer a trajetória que me levou até ali. É quando transformo o meu silêncio em som e escuto vozes em mim.
Tem horas que a inércia me transporta e outras que os excessos me encontram. Vivo vacilando entre extremos e sempre me afastando dos outros. Traço uma linha imaginária e onde começa o meu espaço vive sempre muito separado de onde pode coexistir o de outro. Faço pose enquanto tudo se dissolve em questões pequenas. Convenço a platéia e não me convenço. Interpreto o meu personagem e vejo os outros agirem comigo cheio de dedos, me coloco como expectadora de mim e percebo que faria o mesmo. Mas, vivo esperando aqueles que furam o bloqueio e me tratam apenas como igual. Cada vez menos. Cada vez mais seletiva. Cada vez mais longe. Cada vez mais sozinha.
Os que estão por perto, todo o tempo, são ainda aqueles que me conhecem desde quando eu era a garota de calça jeans, all star, óculos e aparelho. A personificação da adolescente insegura. Hoje em dia são poucos o que ultrapassam essa barreira. A vida de adulto tem um jogo de interesses que não me interessa porque ainda quero só a verdade que está escondida ou guardada. Quero só que a recíproca seja verdadeira pelos motivos certos. E, nesse jogo da vida adulta, é sempre uma besteira tentar definir o certo já que encontrar as doses de felicidade está quase sempre ligado a um vacilo certeiro. Poucos, cada vez menos, cada vez mais, maismaismais dúvida.
domingo, dezembro 05, 2010
u want me, fucking come on and break the door down
O fim do ano se aproxima e eu não consigo separar ele (o ano) de você. São os seus olhos as coisas mais vivas na minha lembrança. São os seus sorrisos e o jeito que reclama de alguma coisa sabendo que está tudo solucionado. O jeito que você reclama só pelo prazer de constatar que nem tudo é perfeito. Gosto do jeito que você parece maduro enquanto fala frases prontas e que se desfaz procurando as palavras. Gosto do seu domínio da vida e da sua insegurança (que - quase - ninguém vê). Gosto desse meu ano, gosto dessa minha vida, gosta da insegurança, gosto de tanta coisa e disso (que nem se quer começou), enfim.
O fim do ano se aproxima e eu não consigo separar ele (o ano) de você. São os seus olhos as coisas mais vivas na minha lembrança. São os seus sorrisos e o jeito que reclama de alguma coisa sabendo que está tudo solucionado. O jeito que você reclama só pelo prazer de constatar que nem tudo é perfeito. Gosto do jeito que você parece maduro enquanto fala frases prontas e que se desfaz procurando as palavras. Gosto do seu domínio da vida e da sua insegurança (que - quase - ninguém vê). Gosto desse meu ano, gosto dessa minha vida, gosta da insegurança, gosto de tanta coisa e disso (que nem se quer começou), enfim.
domingo, novembro 14, 2010
i'm all ears to gather clues and look for signs
Quem me conhece sabe a dificuldade que eu tenho de continuar. Durmo apaixonada e acordo desinteressada. Faço planos e desisto deles ao menor sinal de possibilidade. Me interessa o desafio. Os difíceis demais, os que são demais, os que querem demais, os que tem almas e desejos em excesso. Eu sei que é do muito que conseguirei o menos que preciso. Porque, a bem da verdade, só quero a simplicidade. Deitar depois de um dia complexo e dividir o silêncio com um filme. Quero chá e companhia nas madrugadas frias. Quero esquecer que o dia seguinte me cobrará as horas de sono perdidas e perdê-las sem culpa.
Quero encontrar as verdades que alguém guarda nas entrelinhas. Quero a sensibilidade latente que se esconde no que só parece. Hoje quero isso. Amanhã, não sei. No meu castelo de quereres, nenhuma pedra é definitiva.
Quem me conhece sabe a dificuldade que eu tenho de continuar. Durmo apaixonada e acordo desinteressada. Faço planos e desisto deles ao menor sinal de possibilidade. Me interessa o desafio. Os difíceis demais, os que são demais, os que querem demais, os que tem almas e desejos em excesso. Eu sei que é do muito que conseguirei o menos que preciso. Porque, a bem da verdade, só quero a simplicidade. Deitar depois de um dia complexo e dividir o silêncio com um filme. Quero chá e companhia nas madrugadas frias. Quero esquecer que o dia seguinte me cobrará as horas de sono perdidas e perdê-las sem culpa.
Quero encontrar as verdades que alguém guarda nas entrelinhas. Quero a sensibilidade latente que se esconde no que só parece. Hoje quero isso. Amanhã, não sei. No meu castelo de quereres, nenhuma pedra é definitiva.
terça-feira, novembro 02, 2010
Sobre sentir e deixar de
Acho graça quando vejo que para alguns sou insensível. Eu que transbordo em palavras e quase nunca falo. Eu que sou capaz de chorar compulsivamente com uma música. Eu que já achei sentir "errado" e me certifiquei que não existe erro, são só caminhos diferentes. Duas vezes precisei não sentir nada para acreditar que poderia voltar um dia. Por duas vezes fechei a porta atrás de mim, me coloquei diante das provas que eu mesma criava para notar que uma lembrança já não me doeria mais. Assistir "antes do amanhecer" ou ouvir uma especifica música dos Beatles, sem nada disso me afetar. Abraçar alguém que um dia já foi tanto e não me importar com o cheiro que fica em mim.
Outra vez tive que reconstruir mais. A pouca autoestima de uma adolescente que já sabia: estava fadada a viver para dentro. Me fechei mais, me ferrei mais. Mas, hoje de tanto sobrou nada que já não consigo transformar em palavras.
Realmente, tenho uma pré-disposição a pequenas aventuras impossíveis. Talvez ame o que não conheço já que conhecer pode trazer junto uma série de outras coisas. Talvez não ame pelo simples fato de não banalizar o sentimento, a palavra, o momento. Gosto intensamente, gosto sem dúvida, gosto sem pesar. Gosto e não quero o desgosto de não ter mais. E, para não correr esse risco, me cerco das certezas que consigo controlar. Me dedico ao trabalho, me escondo nos livros, crio uma relação sutil com a música, visito minha imaginação no cinema. Vou vivendo uma vida inteira sentindo ao contrário, com uma grande desconfiança nas pessoas e sempre atenta ao fato que vivo disposta a não querer mais.
Acho graça quando vejo que para alguns sou insensível. Eu que transbordo em palavras e quase nunca falo. Eu que sou capaz de chorar compulsivamente com uma música. Eu que já achei sentir "errado" e me certifiquei que não existe erro, são só caminhos diferentes. Duas vezes precisei não sentir nada para acreditar que poderia voltar um dia. Por duas vezes fechei a porta atrás de mim, me coloquei diante das provas que eu mesma criava para notar que uma lembrança já não me doeria mais. Assistir "antes do amanhecer" ou ouvir uma especifica música dos Beatles, sem nada disso me afetar. Abraçar alguém que um dia já foi tanto e não me importar com o cheiro que fica em mim.
Outra vez tive que reconstruir mais. A pouca autoestima de uma adolescente que já sabia: estava fadada a viver para dentro. Me fechei mais, me ferrei mais. Mas, hoje de tanto sobrou nada que já não consigo transformar em palavras.
Realmente, tenho uma pré-disposição a pequenas aventuras impossíveis. Talvez ame o que não conheço já que conhecer pode trazer junto uma série de outras coisas. Talvez não ame pelo simples fato de não banalizar o sentimento, a palavra, o momento. Gosto intensamente, gosto sem dúvida, gosto sem pesar. Gosto e não quero o desgosto de não ter mais. E, para não correr esse risco, me cerco das certezas que consigo controlar. Me dedico ao trabalho, me escondo nos livros, crio uma relação sutil com a música, visito minha imaginação no cinema. Vou vivendo uma vida inteira sentindo ao contrário, com uma grande desconfiança nas pessoas e sempre atenta ao fato que vivo disposta a não querer mais.
quarta-feira, outubro 27, 2010
Antes dos créditos finais
Meu tempo mais bem gasto é dividido entre livros, música e filmes. Passo um dia inteiro feliz andando de pijama pela casa enquanto troco as faixas de um disco que me pegou por inteiro. Vivo uma tarde plena sem sair do lugar, deitada na rede vendo a vida se fazer em letras miúdas, todas sempre são, minha míope é um fracasso. Uma madrugada é sempre mais calma com um bom filme para ajudar a desligar a cabeça do cotidiano.
Troco uma noite insana por paz nessas três doses. Caio Fernando Abreu tem uma frase que diz algo sobre viver uma vida inteira para dentro enquanto lê, ouve música, escreve ou assiste filmes. Mas, para mim é justamente o contrário , é quando vou para fora e sei que não existe perigo. Me visto com um alterego e me cubro de invisibilidade. Transito entre várias vidas sem correr o risco de não estar em nenhuma, é simples o fato de não precisar estar.
Me incomoda a incompatibilidade, as pequenas discussões frívolas, os assuntos desencontrados. Me fascina uma dessas histórias de amor cheia de mistérios e frases fortes. Me interessa o sarcasmo, a ironia, a hora certa de ser errada. Só que no fim, todo mundo quer ser a mocinha enquanto admira mesmo é a garota vestida de charme. Nos filmes e, na vida real, a mocinha é sempre quem se dá bem no final.
Vivo com o desprendimento de quem não se importa com o final desde que a trama me envolva, por inteiro, no decorrer dela. Hoje durmo com palavras contidas, queria falar e ver no que poderia dar. Enquanto isso: nada. (já quase sobem os créditos e a gente ainda tá aqui)
Meu tempo mais bem gasto é dividido entre livros, música e filmes. Passo um dia inteiro feliz andando de pijama pela casa enquanto troco as faixas de um disco que me pegou por inteiro. Vivo uma tarde plena sem sair do lugar, deitada na rede vendo a vida se fazer em letras miúdas, todas sempre são, minha míope é um fracasso. Uma madrugada é sempre mais calma com um bom filme para ajudar a desligar a cabeça do cotidiano.
Troco uma noite insana por paz nessas três doses. Caio Fernando Abreu tem uma frase que diz algo sobre viver uma vida inteira para dentro enquanto lê, ouve música, escreve ou assiste filmes. Mas, para mim é justamente o contrário , é quando vou para fora e sei que não existe perigo. Me visto com um alterego e me cubro de invisibilidade. Transito entre várias vidas sem correr o risco de não estar em nenhuma, é simples o fato de não precisar estar.
Me incomoda a incompatibilidade, as pequenas discussões frívolas, os assuntos desencontrados. Me fascina uma dessas histórias de amor cheia de mistérios e frases fortes. Me interessa o sarcasmo, a ironia, a hora certa de ser errada. Só que no fim, todo mundo quer ser a mocinha enquanto admira mesmo é a garota vestida de charme. Nos filmes e, na vida real, a mocinha é sempre quem se dá bem no final.
Vivo com o desprendimento de quem não se importa com o final desde que a trama me envolva, por inteiro, no decorrer dela. Hoje durmo com palavras contidas, queria falar e ver no que poderia dar. Enquanto isso: nada. (já quase sobem os créditos e a gente ainda tá aqui)
segunda-feira, outubro 25, 2010
'cause all that's left has gone away
Tem horas que a vida me dói e outras que é pura alegria. Me sinto plena com pequenos prazeres. São poucos os que se fazem necessários. São poucos os números para os quais me interessa ligar. São poucas as mãos que gosto de segurar. São poucos pensamentos que me interessam escutar. Sou das exceções e me esforço para entender o todo. Não quero ser injusta com o que não entendo, quero viver com o respeito que suplico que tu também tenhas com a minha diferença. Não quero germinar indiferença e encher o meu jardim de ervas daninhas. Não adianta arrancar, elas sempre crescem outra vez. Por preguiça ou precaução, não quero germinar isso tudo uma outra vez. Recomeçar pode tirar de mim algo que não posso viver sem. Clarice disse um dia: tome cuidado ao cortar até os próprios defeitos, nunca se sabe qual deles sustenta a construção inteira. Um dos meus defeitos é o demais. Ouço uma música, a mesma, uma hora inteira. Choro em quase todos os filmes, por mais banal que ele seja. Transbordo e não falo. Gosto e não me entrego. Pelo gosto do silêncio, sempre me fascinou o mistério. Li Sherlock Holmes porque gostava dos enigmas. Sem notar fiz de mim um deles, fico aqui resolvendo as equações que criei, decodificando os pensamentos em textos.
E então, o rapaz me crítica, diz que sempre fui um enigma e que a insegurança não o fascina. Não consigo pedir desculpas, apenas admito que não vou mudar e juntos concluímos que não vai dar.
Eu realmente preciso de alguém disposto a me deixar ser... o que for.
Tem horas que a vida me dói e outras que é pura alegria. Me sinto plena com pequenos prazeres. São poucos os que se fazem necessários. São poucos os números para os quais me interessa ligar. São poucas as mãos que gosto de segurar. São poucos pensamentos que me interessam escutar. Sou das exceções e me esforço para entender o todo. Não quero ser injusta com o que não entendo, quero viver com o respeito que suplico que tu também tenhas com a minha diferença. Não quero germinar indiferença e encher o meu jardim de ervas daninhas. Não adianta arrancar, elas sempre crescem outra vez. Por preguiça ou precaução, não quero germinar isso tudo uma outra vez. Recomeçar pode tirar de mim algo que não posso viver sem. Clarice disse um dia: tome cuidado ao cortar até os próprios defeitos, nunca se sabe qual deles sustenta a construção inteira. Um dos meus defeitos é o demais. Ouço uma música, a mesma, uma hora inteira. Choro em quase todos os filmes, por mais banal que ele seja. Transbordo e não falo. Gosto e não me entrego. Pelo gosto do silêncio, sempre me fascinou o mistério. Li Sherlock Holmes porque gostava dos enigmas. Sem notar fiz de mim um deles, fico aqui resolvendo as equações que criei, decodificando os pensamentos em textos.
E então, o rapaz me crítica, diz que sempre fui um enigma e que a insegurança não o fascina. Não consigo pedir desculpas, apenas admito que não vou mudar e juntos concluímos que não vai dar.
Eu realmente preciso de alguém disposto a me deixar ser... o que for.
domingo, outubro 24, 2010
you were burning up, black and grey
Acho estranho o jeito que seu tom de voz não muda. Como parece que encontrou a calma mesmo quando se agita com seus pensamentos falando alto. Acho incrível como você fala fala fala e parece surpreso quando te interrompo com uma pergunta pontual. "O que você quer?", saiu alto o meu pensamento reprimido. "Ser o que sou", sua resposta é rápida. Penso em falar como você é tão você que pode ser tantos para não ser mais um. Mas, me contenho, guardo mais uma vez os meus pensamentos, te entrego um dos meus defeitos. Não falo o que sinto, tenho medo de deixar alguém entrar em um lugar tão meu que não sei se posso dividir. Embora, pense que poderia. Poderia deixar você tocar na minha vida, guardar os meus pensamentos em silêncio enquanto observo a sua calma.
Você aparentemente não muda. A menos que beba uma garrafa inteira de whisky e misture isso com outras coisas. Seu tom é calmo, suas palavras, poucas. Mesmo com todo o álcool da madrugada, sua mudança é sutil. Vejo no seu olhar fixo que você ainda está aí dentro. Continua sendo milhares, continua não sendo nenhum. Gosto de sentir que você está confortável ali, mesmo que seus pensamentos estejam rápidos, seus medos evidentes, suas mãos inquietas. Te sinto confortável ao meu lado enquanto observo seus movimentos cansados. Os outros te pedem tanto, te cobram tanto, querem tanto e você quer ser alguma coisa além. Quer tudo e quer logo. Agora, em silêncio, te pergunto: quanto querer ainda cabe aí dentro?
Acho estranho o jeito que seu tom de voz não muda. Como parece que encontrou a calma mesmo quando se agita com seus pensamentos falando alto. Acho incrível como você fala fala fala e parece surpreso quando te interrompo com uma pergunta pontual. "O que você quer?", saiu alto o meu pensamento reprimido. "Ser o que sou", sua resposta é rápida. Penso em falar como você é tão você que pode ser tantos para não ser mais um. Mas, me contenho, guardo mais uma vez os meus pensamentos, te entrego um dos meus defeitos. Não falo o que sinto, tenho medo de deixar alguém entrar em um lugar tão meu que não sei se posso dividir. Embora, pense que poderia. Poderia deixar você tocar na minha vida, guardar os meus pensamentos em silêncio enquanto observo a sua calma.
Você aparentemente não muda. A menos que beba uma garrafa inteira de whisky e misture isso com outras coisas. Seu tom é calmo, suas palavras, poucas. Mesmo com todo o álcool da madrugada, sua mudança é sutil. Vejo no seu olhar fixo que você ainda está aí dentro. Continua sendo milhares, continua não sendo nenhum. Gosto de sentir que você está confortável ali, mesmo que seus pensamentos estejam rápidos, seus medos evidentes, suas mãos inquietas. Te sinto confortável ao meu lado enquanto observo seus movimentos cansados. Os outros te pedem tanto, te cobram tanto, querem tanto e você quer ser alguma coisa além. Quer tudo e quer logo. Agora, em silêncio, te pergunto: quanto querer ainda cabe aí dentro?
sexta-feira, outubro 22, 2010
"mistério stereo que eu te cantaria"
Uma parte de mim quer serenata, calmaria e paz. Mas a outra quer caos, uma paixão que não se transformará em amor, um rolo de primavera que não chega ao verão e que esvazia no inverno. Uma parte é poesia e a outra é prosa. Uma parte é poesia e a outra despreza a rima. Uma parte quer explicação e a outra desconstrução. Uma parte quer o racional e a outra não se importa com responsabilidade.
Te mostrei que sou várias. Te contei que meus personagens não existem, não projeto no futuro o agora, faço das minhas histórias pura ficção. Fujo do destino enquanto me escondo atrás do muro do efêmero.
Mas ele passa, tudo passa enquanto eu espero o que não sei se pode ser. Você passou do ponto de ser incompreensível para ser algo além. O que? Eu já nem sei.
Uma parte de mim quer serenata, calmaria e paz. Mas a outra quer caos, uma paixão que não se transformará em amor, um rolo de primavera que não chega ao verão e que esvazia no inverno. Uma parte é poesia e a outra é prosa. Uma parte é poesia e a outra despreza a rima. Uma parte quer explicação e a outra desconstrução. Uma parte quer o racional e a outra não se importa com responsabilidade.
Te mostrei que sou várias. Te contei que meus personagens não existem, não projeto no futuro o agora, faço das minhas histórias pura ficção. Fujo do destino enquanto me escondo atrás do muro do efêmero.
Mas ele passa, tudo passa enquanto eu espero o que não sei se pode ser. Você passou do ponto de ser incompreensível para ser algo além. O que? Eu já nem sei.
domingo, outubro 17, 2010
não é (só) de agora
O mar é infinito, o horizonte aponta sempre um novo começo, o fim é só o ponto onde você não chegou. Para frente e avante, desbravador dos sete mares, com respeito a iemanjá. Do mar o que é dele, ao homem o que do homem: a posição de minúsculo ser em um lugar cheio de tudo.
Tem horas que me sinto mar, sou marola e maremoto, meu humor é o vento que agita os sete mares. Não acolho canoa e nem deixo entrar barco pequeno, não recebo bem os intrusos, não deixo quem não sabe nadar, brincar. Jogo com a vida, me mantenho alerta, sou paz e paciência, sou grito e intolerância, sou extrema. Sou muitas para ser uma só.
Mas, respeito quem pede a graça de iemanjá antes de mergulhar. Acolho barco preparado, pessoas abastecidas com vida vivida, sou democrática e não cobro a entrada. Deve ser por isso que você entrou, com tantas qualidades escondidas e levou lá para o fundo a paz que guardei aqui, na beirada, sentada. Peço a graça de iemanjá para desbravar o seu mar. Posso entrar, rainha do mar?
O mar é infinito, o horizonte aponta sempre um novo começo, o fim é só o ponto onde você não chegou. Para frente e avante, desbravador dos sete mares, com respeito a iemanjá. Do mar o que é dele, ao homem o que do homem: a posição de minúsculo ser em um lugar cheio de tudo.
Tem horas que me sinto mar, sou marola e maremoto, meu humor é o vento que agita os sete mares. Não acolho canoa e nem deixo entrar barco pequeno, não recebo bem os intrusos, não deixo quem não sabe nadar, brincar. Jogo com a vida, me mantenho alerta, sou paz e paciência, sou grito e intolerância, sou extrema. Sou muitas para ser uma só.
Mas, respeito quem pede a graça de iemanjá antes de mergulhar. Acolho barco preparado, pessoas abastecidas com vida vivida, sou democrática e não cobro a entrada. Deve ser por isso que você entrou, com tantas qualidades escondidas e levou lá para o fundo a paz que guardei aqui, na beirada, sentada. Peço a graça de iemanjá para desbravar o seu mar. Posso entrar, rainha do mar?
terça-feira, outubro 12, 2010
o que não pode ter
Gostava do seu sorriso quando me dizia que estava com frio. Da sua mania de dormir de meias que te davam um ar de inocência quase infantil. Gostava de sentir que o mundo poderia acabar enquanto estávamos guardados dentro do nosso castelo erguido em cumplicidade. Éramos cúmplices de pecados que não se confessam, éramos aliados criando uma história, escrevendo um livro, filmando um conto, aumentando os pontos.
Sempre gostei dos jogos, da tensão, do desafio, de te segurar com força e depois te soltar devagar enquanto sentia que você queria estar nas minhas mãos. Mas, por birra, ia até a sala fazer algo que não importava. E daí, a vida me fez querer voar de novo. Você não entendeu que só precisa respirar, abrir a porta da nossa cumplicidade, testar os meus limites, encontrar um novo desafio, por capricho, eu precisava sair. Fui e quando voltei notei que já não dava mais para ficar. O seu conforto me pareceu clausura. Foi você quem não notou que eu precisava de compreensão e só me ofereceu perguntas.
Gostava do seu sorriso quando me dizia que estava com frio. Da sua mania de dormir de meias que te davam um ar de inocência quase infantil. Gostava de sentir que o mundo poderia acabar enquanto estávamos guardados dentro do nosso castelo erguido em cumplicidade. Éramos cúmplices de pecados que não se confessam, éramos aliados criando uma história, escrevendo um livro, filmando um conto, aumentando os pontos.
Sempre gostei dos jogos, da tensão, do desafio, de te segurar com força e depois te soltar devagar enquanto sentia que você queria estar nas minhas mãos. Mas, por birra, ia até a sala fazer algo que não importava. E daí, a vida me fez querer voar de novo. Você não entendeu que só precisa respirar, abrir a porta da nossa cumplicidade, testar os meus limites, encontrar um novo desafio, por capricho, eu precisava sair. Fui e quando voltei notei que já não dava mais para ficar. O seu conforto me pareceu clausura. Foi você quem não notou que eu precisava de compreensão e só me ofereceu perguntas.
segunda-feira, outubro 04, 2010
ich verstehe nicht
Me desespera a calma, as milhares de obrigações, o que poderia ser uma paixão e se acaba por precaução. Poderíamos tudo se estivéssemos sozinhos. Poderíamos desenhar um novo mundo onde o tédio se transformasse em melodia. Seríamos sempre desafio para nunca cair na mesmice. Seria sua segurança mais insegura só para olhar você se mover em busca das minhas mãos. Como um gato, desconfiado, porém amoroso na medida do impossível. Queria te sentir por perto, pensando se é pelo conforto ou pelo cheiro. Se sou apenas uma projeção dos seus desejos oprimidos ou se sou a mudança deles. Queria segurar suas mãos no escuro e soltar o pensamento.
Quero sem sentido, sem razão, quero pelos instantes de um agora ou pelo tempo do desconhecido. Quero o que desconheço em você, quero encontrar novos caminhos para os mesmos prazeres, quero desfazer os medos e transformar a vida em caos, sem perder a melodia. Quero sentir tudo como se o sentir pudesse destruir os meus sentidos...
Me desespera a calma, as milhares de obrigações, o que poderia ser uma paixão e se acaba por precaução. Poderíamos tudo se estivéssemos sozinhos. Poderíamos desenhar um novo mundo onde o tédio se transformasse em melodia. Seríamos sempre desafio para nunca cair na mesmice. Seria sua segurança mais insegura só para olhar você se mover em busca das minhas mãos. Como um gato, desconfiado, porém amoroso na medida do impossível. Queria te sentir por perto, pensando se é pelo conforto ou pelo cheiro. Se sou apenas uma projeção dos seus desejos oprimidos ou se sou a mudança deles. Queria segurar suas mãos no escuro e soltar o pensamento.
Quero sem sentido, sem razão, quero pelos instantes de um agora ou pelo tempo do desconhecido. Quero o que desconheço em você, quero encontrar novos caminhos para os mesmos prazeres, quero desfazer os medos e transformar a vida em caos, sem perder a melodia. Quero sentir tudo como se o sentir pudesse destruir os meus sentidos...
We might make out when nobody's there
It's not that we're scared
It's just that it's delicate
Damien Rice
It's not that we're scared
It's just that it's delicate
Damien Rice
domingo, setembro 12, 2010
Reação em cadeia
Conheço um monte de gente que é de poucas harmonias. Muitas vezes a minha inabilidade de aceitar qualquer melodia esbarra a de alguém e as duas simplesmente criam um arranjo novo. Mas, antes de música, falo da física e da química. Dois corpos nunca ocupam dois lugares no espaço, isso a química diz. Das poucas aulas de química que assisti, eram meu inferno no colégio, também lembro da mistura, onde um ou dois corpos diferentes formam uma mistura e que as energias se somam, entretanto, para isso, eles devem ter o mesmo número de átomos.
Pensei em como tenho uma inabilidade natural para relacionamentos. As respostas estavam em uma música que ouvi muito esse ano, mentalmente separei cada um dos instrumentos, ouvi duas vezes para deixar um em cada grupo teclado/piano/bateria/voz e em outro elementos eletrônicos/baixo/bateria. Com isso, ouvi pela terceira vez e toquei todos os instrumentos simultaneamente. Como justificativa para tanta habilidade de tocar tantos instrumentos ao mesmo tempo separando eles em apenas dois conjuntos, notei que nunca, em hipótese alguma, ainda que pressupostas, um som interferia no outro. É como pensar que, prestando atenção, é mentira quando alguém diz "estava um silêncio profundo que até dava para ouvir os grilos", no espaço que o grilo faz aquele barulho, o seu silêncio foi interrompido. Mas, é harmônico ouvir o grilo interrompendo o silêncio, assim como algumas melodias agradam e outras incomodam.
Com isso, os relacionamentos são bons, mas formam o terceiro elemento. Não existem metades de uma mesma laranja, quando você cortou a fruta, ela passou a ser dois pedaços, deixou de ser só uma laranja para ser duas metades de uma. Logo formou outra coisa, um terceiro elemento que se comparado com a vida: quando duas pessoas se encontram sempre resulta em algo entre amor, amizade, companheirismo, necessidade, compatibilidade, ira, irritação, negação e infinitas palavras que envolvem o sentir ou pensar. Mas, cada um desses sentimentos podem dar a impressão de ser outro por sempre poder ter temperatura e massa diferentes. Duas pessoas não podem fisicamente ocupar o mesmo lugar no espaço, pensando assim apenas se gera uma mistura. Que pode explodir, que pode reagir e dar em algo incrível, que pode reagir e dar em um desastre.
Com tudo isso, só notei que sou apenas um reagente, não combino com positivo e nem com negativo e encontro poucos elementos neutros. Os meus poucos e bons amigos, meus pensamentos que estão entre os átomos e portanto são neutros e todas as coisas que a física ou a química não explicam. Mas, penso o que não se explica? Descartei o amor porquê isso também é um conjunto de reações do sistema nervoso. A dúvida é: "o que, então?" Ainda não sei e, espero, nunca descubra. Não saber é sempre combustível para aumentar os desafios em busca das respostas...
Conheço um monte de gente que é de poucas harmonias. Muitas vezes a minha inabilidade de aceitar qualquer melodia esbarra a de alguém e as duas simplesmente criam um arranjo novo. Mas, antes de música, falo da física e da química. Dois corpos nunca ocupam dois lugares no espaço, isso a química diz. Das poucas aulas de química que assisti, eram meu inferno no colégio, também lembro da mistura, onde um ou dois corpos diferentes formam uma mistura e que as energias se somam, entretanto, para isso, eles devem ter o mesmo número de átomos.
Pensei em como tenho uma inabilidade natural para relacionamentos. As respostas estavam em uma música que ouvi muito esse ano, mentalmente separei cada um dos instrumentos, ouvi duas vezes para deixar um em cada grupo teclado/piano/bateria/voz e em outro elementos eletrônicos/baixo/bateria. Com isso, ouvi pela terceira vez e toquei todos os instrumentos simultaneamente. Como justificativa para tanta habilidade de tocar tantos instrumentos ao mesmo tempo separando eles em apenas dois conjuntos, notei que nunca, em hipótese alguma, ainda que pressupostas, um som interferia no outro. É como pensar que, prestando atenção, é mentira quando alguém diz "estava um silêncio profundo que até dava para ouvir os grilos", no espaço que o grilo faz aquele barulho, o seu silêncio foi interrompido. Mas, é harmônico ouvir o grilo interrompendo o silêncio, assim como algumas melodias agradam e outras incomodam.
Com isso, os relacionamentos são bons, mas formam o terceiro elemento. Não existem metades de uma mesma laranja, quando você cortou a fruta, ela passou a ser dois pedaços, deixou de ser só uma laranja para ser duas metades de uma. Logo formou outra coisa, um terceiro elemento que se comparado com a vida: quando duas pessoas se encontram sempre resulta em algo entre amor, amizade, companheirismo, necessidade, compatibilidade, ira, irritação, negação e infinitas palavras que envolvem o sentir ou pensar. Mas, cada um desses sentimentos podem dar a impressão de ser outro por sempre poder ter temperatura e massa diferentes. Duas pessoas não podem fisicamente ocupar o mesmo lugar no espaço, pensando assim apenas se gera uma mistura. Que pode explodir, que pode reagir e dar em algo incrível, que pode reagir e dar em um desastre.
Com tudo isso, só notei que sou apenas um reagente, não combino com positivo e nem com negativo e encontro poucos elementos neutros. Os meus poucos e bons amigos, meus pensamentos que estão entre os átomos e portanto são neutros e todas as coisas que a física ou a química não explicam. Mas, penso o que não se explica? Descartei o amor porquê isso também é um conjunto de reações do sistema nervoso. A dúvida é: "o que, então?" Ainda não sei e, espero, nunca descubra. Não saber é sempre combustível para aumentar os desafios em busca das respostas...
quarta-feira, setembro 08, 2010
Remando contra a maré
Em pouco tempo notei que não faço parte do grupo. Porque além de ter outras prioridades, não faço a menor questão de fazer. O seleto grupo de jornalistas musicais. Tem o peter pan, o que não notou que passou o tempo de ser criança. Tem o que lê a NME e reproduz, faz chegar, bate na mesma tecla e lista todas as bandas que a revista dá como "a promessa do verão". Tem o que reclama e senta para escrever matéria sobre o novo disco da nova banda que toca a cada dois minutos no rádio. Tem o que recebe um CD com a instrução, não fale mal, mas fale.
Quando achei que unir duas grandes paixões fosse ser um mar de rosas, pensei que encontraria pessoas (dentro disso) que dividissem a paixão em comum. Não quero resenhar um CD apontando cada nuance da gravação, enumerar todos os instrumentos quando ele não foge do lugar comum, me interessa o estranho, uma gaita de fole, de repente. Música para mim tem cheiro, tem alma, tem que bater com a minha razão, as letras precisam conversar comigo, é disso que gosto, é disso que falo por vontade, é isso que é (a minha) verdade. Me dou o direito de comprar brigas que são minhas. Por sorte, uma hora por semana, me entrego a algo que me dá prazer. Entrego uma hora para pessoas que ganharam minha confiança e respeito. Beto é uma surpresa grudada na outra. Daniel já tocou Tom Waits. Pitty foi quem ajudou a fecundar o embrião do que viria a ser algo que descobrimos a cada dia. Um filho que aprende as palavras enquanto enrola as sílabas.
Mas, voltando ao ponto de partida, não faço parte dos jornalistas musicais e nunca vou fazer. Não quero fazer parte do grupo de pessoas que ouvem o último disco e escrevem qualquer besteira descrevendo tudo que mata a vontade de alguém ouvir. Não quero falar só do que gosto. Mas, quero fazer o outro sentir junto. Música para mim é pulsação e todos pulsam, ainda que em ritmos diferentes.
Também tem o grupo dos que queriam ser músicos. Daí, nesses, você nota aquela crucial inveja de quem não conseguiu fazer melhor. Também não faço parte desse grupo, minha coordenação motora é medíocre e me orgulho dela. Só quero tocar piano, na próxima vida ou na velhice, hei de aprender. Mas, é satisfação pessoal, é fascínio, puro e simples.
Quem sabe eu sou só a ovelha desgarrada da profissão ou unir paixão e trabalho pode provocar diversos questionamentos de uma mulher na TPM. Enfim, todas as opções são válidas, eu acho.
Em pouco tempo notei que não faço parte do grupo. Porque além de ter outras prioridades, não faço a menor questão de fazer. O seleto grupo de jornalistas musicais. Tem o peter pan, o que não notou que passou o tempo de ser criança. Tem o que lê a NME e reproduz, faz chegar, bate na mesma tecla e lista todas as bandas que a revista dá como "a promessa do verão". Tem o que reclama e senta para escrever matéria sobre o novo disco da nova banda que toca a cada dois minutos no rádio. Tem o que recebe um CD com a instrução, não fale mal, mas fale.
Quando achei que unir duas grandes paixões fosse ser um mar de rosas, pensei que encontraria pessoas (dentro disso) que dividissem a paixão em comum. Não quero resenhar um CD apontando cada nuance da gravação, enumerar todos os instrumentos quando ele não foge do lugar comum, me interessa o estranho, uma gaita de fole, de repente. Música para mim tem cheiro, tem alma, tem que bater com a minha razão, as letras precisam conversar comigo, é disso que gosto, é disso que falo por vontade, é isso que é (a minha) verdade. Me dou o direito de comprar brigas que são minhas. Por sorte, uma hora por semana, me entrego a algo que me dá prazer. Entrego uma hora para pessoas que ganharam minha confiança e respeito. Beto é uma surpresa grudada na outra. Daniel já tocou Tom Waits. Pitty foi quem ajudou a fecundar o embrião do que viria a ser algo que descobrimos a cada dia. Um filho que aprende as palavras enquanto enrola as sílabas.
Mas, voltando ao ponto de partida, não faço parte dos jornalistas musicais e nunca vou fazer. Não quero fazer parte do grupo de pessoas que ouvem o último disco e escrevem qualquer besteira descrevendo tudo que mata a vontade de alguém ouvir. Não quero falar só do que gosto. Mas, quero fazer o outro sentir junto. Música para mim é pulsação e todos pulsam, ainda que em ritmos diferentes.
Também tem o grupo dos que queriam ser músicos. Daí, nesses, você nota aquela crucial inveja de quem não conseguiu fazer melhor. Também não faço parte desse grupo, minha coordenação motora é medíocre e me orgulho dela. Só quero tocar piano, na próxima vida ou na velhice, hei de aprender. Mas, é satisfação pessoal, é fascínio, puro e simples.
Quem sabe eu sou só a ovelha desgarrada da profissão ou unir paixão e trabalho pode provocar diversos questionamentos de uma mulher na TPM. Enfim, todas as opções são válidas, eu acho.
domingo, setembro 05, 2010
círculos
Correndo. Sempre dou um jeito de não deixar dar certo, de fugir, de me armar, de acabar, de esquecer os meus planos mentais, de soltar minhas mãos. Vou mais rápido, por um caminho diferente e chego antes no limite. Pulo os obstáculos e me equilibro melhor com minhas mãos livres. Sou bicho acuado, sou gato manso que volta para o lar, cavalo indomado, sou pônei calmo guiado por uma criança no campo, sou faceira, sou mistério, sou falante, sou silêncio, sou direção e não sou caminho enquanto sou milhares e sou uma. Gosto do seu olho que pede provação. Gosto dos seus gestos (in)seguros. Gosto do jeito que não gostamos da situação. Mas, gosto de saber que não gosto mais como antes. Você e suas variáveis não preenchem a minha equação. Seus mistérios se guardam. Suas perguntas se respondem com medo. Você, como tantos, é só mais um daqueles que tem medo de estar só e eu preciso tanto disso também.
Correndo. Sempre dou um jeito de não deixar dar certo, de fugir, de me armar, de acabar, de esquecer os meus planos mentais, de soltar minhas mãos. Vou mais rápido, por um caminho diferente e chego antes no limite. Pulo os obstáculos e me equilibro melhor com minhas mãos livres. Sou bicho acuado, sou gato manso que volta para o lar, cavalo indomado, sou pônei calmo guiado por uma criança no campo, sou faceira, sou mistério, sou falante, sou silêncio, sou direção e não sou caminho enquanto sou milhares e sou uma. Gosto do seu olho que pede provação. Gosto dos seus gestos (in)seguros. Gosto do jeito que não gostamos da situação. Mas, gosto de saber que não gosto mais como antes. Você e suas variáveis não preenchem a minha equação. Seus mistérios se guardam. Suas perguntas se respondem com medo. Você, como tantos, é só mais um daqueles que tem medo de estar só e eu preciso tanto disso também.
Okay, digo, preciso estar (com você) a sós.
domingo, agosto 22, 2010
the lost art of keeping a secret
Eu gosto quando fica evidente o desejo e o interesse subentendido. Não sou direta, já não me revelo se sinto insegurança, não piso em lugares completamente desconhecidos, não jogo os dados sem que eles estejam viciados. Posso levar anos até desfrutar dois minutos. Já não me sinto uma garota impulsiva, não quero o breve e efémero, não me contento com menos do que tudo. Mesmo que tudo seja pouco, quero completamente, pelos poucos minutos que ele tem. No fim das contas, aprendi a ser prática. É ou não é. Quer ou não quer. Depois de muito perder, só gasto as horas de devaneios com o que me importa.
Errada para acertar e sem a paciência do para sempre. Nunca importei de me machucar, desde que fosse real. Nunca pedi garantias, nunca dei garantias, me ter é sempre o risco de viver um agora. Porque eu vou mudar de ideia, não vou achar tudo tão interessante no dia seguinte, não vou querer discutir nenhuma questão importante da vida. Tem dias que prefiro não ser e me preocupar com a cor do esmalte. Tem dias que prefiro não preferir nada só para abdicar da obrigação de escolher alguma coisa.
Mas, claro, mais cedo ou mais tarde sempre aparece um porém. Alguma coisa muda a ordem das coisas, coloca dúvida onde morava uma certeza e nós faz pensar como seria se fosse diferente. Tenho um segredo que nasceu dentro do seu abraço naquele dia que não me lembro qual. O seu abraço firme seguido do som da sua respiração de alívio ou cansaço no meu ouvido. Você tem alguma coisa, eu entendo. Tem as coisas todas e elas te tem. No one can know how we feel?
Não sei se você se sente assim em relação a isso. Não sei como você se sente. Não sei se você sente. Um mistério enorme baseado em inconstância. Revisito o passado colocando as flores no lugar. Rescrevo as histórias a procura do que é possível mudar. Tudo isso enquanto espero... você.
Eu gosto quando fica evidente o desejo e o interesse subentendido. Não sou direta, já não me revelo se sinto insegurança, não piso em lugares completamente desconhecidos, não jogo os dados sem que eles estejam viciados. Posso levar anos até desfrutar dois minutos. Já não me sinto uma garota impulsiva, não quero o breve e efémero, não me contento com menos do que tudo. Mesmo que tudo seja pouco, quero completamente, pelos poucos minutos que ele tem. No fim das contas, aprendi a ser prática. É ou não é. Quer ou não quer. Depois de muito perder, só gasto as horas de devaneios com o que me importa.
Errada para acertar e sem a paciência do para sempre. Nunca importei de me machucar, desde que fosse real. Nunca pedi garantias, nunca dei garantias, me ter é sempre o risco de viver um agora. Porque eu vou mudar de ideia, não vou achar tudo tão interessante no dia seguinte, não vou querer discutir nenhuma questão importante da vida. Tem dias que prefiro não ser e me preocupar com a cor do esmalte. Tem dias que prefiro não preferir nada só para abdicar da obrigação de escolher alguma coisa.
Mas, claro, mais cedo ou mais tarde sempre aparece um porém. Alguma coisa muda a ordem das coisas, coloca dúvida onde morava uma certeza e nós faz pensar como seria se fosse diferente. Tenho um segredo que nasceu dentro do seu abraço naquele dia que não me lembro qual. O seu abraço firme seguido do som da sua respiração de alívio ou cansaço no meu ouvido. Você tem alguma coisa, eu entendo. Tem as coisas todas e elas te tem. No one can know how we feel?
Não sei se você se sente assim em relação a isso. Não sei como você se sente. Não sei se você sente. Um mistério enorme baseado em inconstância. Revisito o passado colocando as flores no lugar. Rescrevo as histórias a procura do que é possível mudar. Tudo isso enquanto espero... você.
I think you already know
How far I’d go not to say
You know the art isn't gone
And I’m taking our song to the grave
Whatever you do
Don’t tell anyone
QotSA
How far I’d go not to say
You know the art isn't gone
And I’m taking our song to the grave
Whatever you do
Don’t tell anyone
QotSA
terça-feira, agosto 10, 2010
Ser ou estar?
Esse ano vai me matar de velocidade. Tudo acontecendo em um ritmo alucinante. Informações, oportunidades, planos, ideias, paixões que duram os minutos de uma conversa e evaporam em segundos. Me pego pensando em quanto disso me tem. Quais são as coisas que dizem mais do que apenas palavras, o que traduzo em sentimentos e decodifico em emoções desconhecidas.
Foi preciso perder tudo para dar lugar a algo que não possuo ainda. E, me pego mais uma vez na beira do precipício, já quis tanto pular. Mudar de país, de língua, de vida. Mas, será que ainda quero? Demorou tanto para me sentir parte do meu lugar. Será saudável deixar de. Será que nunca vou apenas conseguir lidar com o que tenho sem precisar procurar algo que não tenho ainda. Essa doença que consome Cristina, que inspirou Woody Allen, que acusou Maria Elena e que me tem em chamas: insatisfação crônica. Mas, hoje, queria só um abraço e sentir que o caminho é apenas deixar estar. Enquanto há onde estar, é aqui que quero, é disso que preciso, são esses sorrisos, são essas palavras, é esse agora até que ele não seja mais presente e me torne passado, na sua vida, enfim.
Esse ano vai me matar de velocidade. Tudo acontecendo em um ritmo alucinante. Informações, oportunidades, planos, ideias, paixões que duram os minutos de uma conversa e evaporam em segundos. Me pego pensando em quanto disso me tem. Quais são as coisas que dizem mais do que apenas palavras, o que traduzo em sentimentos e decodifico em emoções desconhecidas.
Foi preciso perder tudo para dar lugar a algo que não possuo ainda. E, me pego mais uma vez na beira do precipício, já quis tanto pular. Mudar de país, de língua, de vida. Mas, será que ainda quero? Demorou tanto para me sentir parte do meu lugar. Será saudável deixar de. Será que nunca vou apenas conseguir lidar com o que tenho sem precisar procurar algo que não tenho ainda. Essa doença que consome Cristina, que inspirou Woody Allen, que acusou Maria Elena e que me tem em chamas: insatisfação crônica. Mas, hoje, queria só um abraço e sentir que o caminho é apenas deixar estar. Enquanto há onde estar, é aqui que quero, é disso que preciso, são esses sorrisos, são essas palavras, é esse agora até que ele não seja mais presente e me torne passado, na sua vida, enfim.
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