Agora
Sinto falta de quando sonhava. Dos meus dias em suspenso, das ilusões, das músicas com letras fofas, dos sorrisos trocados com o acaso debaixo da chuva no centro da cidade. Sinto falta de quando os sonhos me divertiam e eu escrevia roteiros de vidas que não vivi. Quando eu conseguia fazer da fantasia meu porto seguro e só queria encontrar alguém que fosse capaz de sonhar. Alguém com quem pudesse reescrever tudo que não está funcionando. Alguém por quem continuar tentando acertar as arestas.
Preciso de compreensão no incompreensível. Alguém com quem dividir guardanapos de vida e de história. Alguém que escreva em linhas tortas os sonhos da noite seguinte. Alguém que me faça sentir segura para continuar sentindo. Alguém que me olhe nos olhos quando fala, que procure minhas mãos no escuro da madrugada e que mantenha a mágica acesa na manhã seguinte. Alguém que acorde cheio de planos mirabolantes para a rotina ser um pouco diferente. Alguém que me espere rodeado de carinho, de cachorros, de gatos, de vida e que tudo isso venha até mim quando abrir a porta de casa.
É claro que o passado me mudou. Não sou mais a garota capaz de atravessar a Consolação parada pela companhia do almoço, de gravar CDs e fazer encartes com recortes, de querer acreditar mesmo que a verdade fosse o nada. Estou pronta para relacionamentos possíveis, para manter em silêncio o que não precisa ser dito, para encontrar verdade nos olhos transparentes de quem também quer começar algo diferente. Não mais reescrever, não mais repetir, não mais procurar no que não existe, o que não completa. Não quero uma vida de 'não mais' quero uma vida de 'agora sim'. Porque me interessa o agora mesmo que o agora dure pelo espaço de pequenos segundos.
domingo, outubro 16, 2011
quinta-feira, outubro 06, 2011
We're so helpless
We're slaves to our own forces
We're afraid of our emotions
We're slaves to our own forces
We're afraid of our emotions
Tem tudo estado muito bem. Me encontrei mais uma vez em mim, refiz sozinha a rota da minha vida, esvaziei a mente e o coração. Sinto que estou pronta para deixar alguém entrar pela porta da frente sem esbarrar com nenhuma mágoa. Tenho meditado e olhado mais para dentro. Tenho sido mais feliz e leve. Conheci pessoas incríveis, tive mais perto dos meus amigos, mudei a minha forma de trabalhar. Aceitei que em tudo que vejo existe literatura e que escrever como se jogasse com as palavras é a única forma de ser eu.
Voltei a sorrir do acaso e de encontrar identificação em conversas rápidas. Me interessa as pessoas que são plenamente tudo que desejam ser no espaço de tempo do agora. Mesmo que o depois mude, que mudem os planos e as ideias, que mudem as vontades e os desejos. Não quero ser porque quero estar. Quero estar. Quero encontrar. Quero alguém para dividir querer e com quem eu sonhe. Alguém para confessar segredos banais e construir dias de paz.
Estou no olho do furacão com tudo acontecendo rápido. As pessoas passam correndo, eu passo correndo, os dias passam correndo. Até que...
ps. o título é So Sorry da Feist porque a versão no show secreto em uma igreja é linda. clicaqui.
domingo, outubro 02, 2011
The power of not knowing
Where you belong
Tão enjoada do mesmo me pego sentindo que é hora de trocar. Trocar carinho, trocar silêncio, trocar músicas e palavras, trocar o jeito que tudo é sempre parecido. Me recolher e escrever mais. Viver e escrever mais. Viver os extremos sem apenas me entreter. Gosto de sorriso sincero, de abraço que surpreende, de gente cheia de vida e verdade. Gosto de vidas que se completam e se recusam. Vidas com as suas particularidades. Gosto dos silêncios que terminam em beijo roubado e em momentos que terminam com o olhar desviado. Tem gente que te olha no fundo na primeira vez que te vê e gente que passa a vida tentando.
Sou a romântica do fone de ouvido que andava pelo centro da cidade notando a bagunça das ruas se misturar com a bagunça da própria vida. Lutava para não deixar os problemas me endurecerem, queria sentir a leveza sair de mim e encontrar semelhantes. Sou a mulher que cresceu lendo Pollyana e vendo magia no jogo do contente. Não que me force a ser sempre feliz. Mas, fico melhor assim.
Gosto de músicas tristes, da melancolia do piano, da sutileza do violão dedilhado, das letras de amor passado. Porque amor passa, não se perde, amor se transforma e virá outra coisa... Amor se renova e amor se encontra. Só não sei onde...
hmmm...
quem sabe?
ps. título é Power Of Not Knowing música linda do Kings of Convenience. clicaqui.
Where you belong
Tão enjoada do mesmo me pego sentindo que é hora de trocar. Trocar carinho, trocar silêncio, trocar músicas e palavras, trocar o jeito que tudo é sempre parecido. Me recolher e escrever mais. Viver e escrever mais. Viver os extremos sem apenas me entreter. Gosto de sorriso sincero, de abraço que surpreende, de gente cheia de vida e verdade. Gosto de vidas que se completam e se recusam. Vidas com as suas particularidades. Gosto dos silêncios que terminam em beijo roubado e em momentos que terminam com o olhar desviado. Tem gente que te olha no fundo na primeira vez que te vê e gente que passa a vida tentando.
Sou a romântica do fone de ouvido que andava pelo centro da cidade notando a bagunça das ruas se misturar com a bagunça da própria vida. Lutava para não deixar os problemas me endurecerem, queria sentir a leveza sair de mim e encontrar semelhantes. Sou a mulher que cresceu lendo Pollyana e vendo magia no jogo do contente. Não que me force a ser sempre feliz. Mas, fico melhor assim.
Gosto de músicas tristes, da melancolia do piano, da sutileza do violão dedilhado, das letras de amor passado. Porque amor passa, não se perde, amor se transforma e virá outra coisa... Amor se renova e amor se encontra. Só não sei onde...
hmmm...
quem sabe?
ps. título é Power Of Not Knowing música linda do Kings of Convenience. clicaqui.
domingo, setembro 25, 2011
i'm so tired of playing
A vida inteira discorrendo como se estivesse escrito em um manual de instruções. As pessoas se reduzindo para caber nos poucos milímetros que existem entre certo e errado. Em cima do muro, em cima dos sonhos, em cima das vontades e das virtudes, em cima do sorriso que dói inteiro. Parece que falta verdade no olhar, lágrimas nos olhos, volume e cores na voz. Sempre parece que falta.
Não pode ficar feliz demais porque é desespero. Ficar triste é quase crime de estado. Pensar pode ser fatal e todos querem levar a vida ainda que só levar. É quando me canso e sinto uma preguiça monstruosa de viver fora dos meus livros, longe dos meus discos, fora do alcance dos meus filmes preferidos. Eis que me jogo na zona de conforto e me conforto em me vestir de preguiça. Passo um fim de semana onde o maior dilema é a cor do esmalte que vai me acompanhar a semana inteira. Por fim, admito, também sinto falta e me entedia a plena ausência de movimento desde que as antigas paixões se desfizeram. Nenhuma mensagem para esperar, nenhum CD gravado para dar ou receber, ninguém para me mostrar um filme novo ou um outro ponto de vista.
Depois de tanto me encontro desfeita de expectativas. Não é que espere, é só que adoraria se... Encontrasse alguém que adorasse animação e não ligasse de assistir o filme cabeça da temporada. Alguém que gostasse de bons restaurantes tanto quanto de bons botecos. Alguém que gostasse de biografias e literatura, de poesia e prosa, de noite e dia. Alguém com quem fugir para as montanhas e amanhecer na praia. Alguém que fosse versátil sem deixar de ter personalidade. Alguém com gosto bom de manhã e abraço bom a noite. Alguém com que eu partilhasse os meus amigos e tudo além da cama. Alguém com sonhos mansos e vontades imensas. Alguém com quem criar um ritmo novo, um segredo discreto ou uma paixão gigante. Alguém com quem fugir e ficar com ou sem todo o resto.
ps. o título é Portishead e uma das músicas mais lindas em uma das versões mais incríveis com uma orquestra em NYC. clica aí: Glory Box.
A vida inteira discorrendo como se estivesse escrito em um manual de instruções. As pessoas se reduzindo para caber nos poucos milímetros que existem entre certo e errado. Em cima do muro, em cima dos sonhos, em cima das vontades e das virtudes, em cima do sorriso que dói inteiro. Parece que falta verdade no olhar, lágrimas nos olhos, volume e cores na voz. Sempre parece que falta.
Não pode ficar feliz demais porque é desespero. Ficar triste é quase crime de estado. Pensar pode ser fatal e todos querem levar a vida ainda que só levar. É quando me canso e sinto uma preguiça monstruosa de viver fora dos meus livros, longe dos meus discos, fora do alcance dos meus filmes preferidos. Eis que me jogo na zona de conforto e me conforto em me vestir de preguiça. Passo um fim de semana onde o maior dilema é a cor do esmalte que vai me acompanhar a semana inteira. Por fim, admito, também sinto falta e me entedia a plena ausência de movimento desde que as antigas paixões se desfizeram. Nenhuma mensagem para esperar, nenhum CD gravado para dar ou receber, ninguém para me mostrar um filme novo ou um outro ponto de vista.
Depois de tanto me encontro desfeita de expectativas. Não é que espere, é só que adoraria se... Encontrasse alguém que adorasse animação e não ligasse de assistir o filme cabeça da temporada. Alguém que gostasse de bons restaurantes tanto quanto de bons botecos. Alguém que gostasse de biografias e literatura, de poesia e prosa, de noite e dia. Alguém com quem fugir para as montanhas e amanhecer na praia. Alguém que fosse versátil sem deixar de ter personalidade. Alguém com gosto bom de manhã e abraço bom a noite. Alguém com que eu partilhasse os meus amigos e tudo além da cama. Alguém com sonhos mansos e vontades imensas. Alguém com quem criar um ritmo novo, um segredo discreto ou uma paixão gigante. Alguém com quem fugir e ficar com ou sem todo o resto.
ps. o título é Portishead e uma das músicas mais lindas em uma das versões mais incríveis com uma orquestra em NYC. clica aí: Glory Box.
quarta-feira, setembro 07, 2011
Deixa pra depois
O que já não precisa mais deixar
Mudando as mesmas coisas de lugar
A certa coisa certa a se fazer
Cícero
(clicando na frase, dá pra ouvir a música linda dele)
O que já não precisa mais deixar
Mudando as mesmas coisas de lugar
A certa coisa certa a se fazer
Cícero
(clicando na frase, dá pra ouvir a música linda dele)
Tem alguma coisa que falta. Tem alguma coisa não dita, não ouvida, não feita que atrapalha o agora. Tem alguma coisa sua comigo ou alguma coisa minha contigo. Tem alguma coisa que falta. Isso que não me liberta, não me deixa seguir, não me deixa continuar. Isso que de tão meu é seu. Um cílio dentro do olho, pequeno porém incômodo. Mas, diferente da destreza que as lentes de contato de me deram, sinto que minha vida ainda é mais frágil que meu olho, não consigo simplesmente tirar o que me incômoda. Parece que posso quebrar mais do que as lembranças, parece que você vive ainda aqui, parece que você ocupa sempre consegue e se encarrega de ocupar os meus espaços vazios.
O que falta, o que me falta, o que te falta, o que nos falta é naturalidade para lidar com o que nos tornamos: pessoas diferentes. Não precisamos ser dois estranhos, não precisamos nos afastar ou nunca mais nos falar. Precisamos aceitar que o daqui para frente é apenas diferente. Quero te contar que conheci alguém e ouvir da sua vida. Quero poder dividir as minhas descobertas, mesmo que não seja mais o primeiro a ouvir. Como adultos, sabemos que a ordem que nos parecia natural, mudou.
Preciso que você me ajude a continuar. Não me prenda, de forma alguma, ao passado. Não tente me ver voltando a ser o alguém que eu era. Já não caibo em estreitos, quero mais de alguém, quero entrega e companhia, quero compartilhar gostos e cheiros, quero os extremos e as dúvidas, quero a segurança e o ciúmes bobo, quero a alegria nos olhos e a cumplicidade nos sorrisos, quero que seja de verdade. Mas, ainda preciso da sua ajuda... apenas me deixa ir... por favor.
terça-feira, setembro 06, 2011
Bruta flor do querer
Não adianta. As noites não resolvem os dias conturbados e o vazio do dia seguinte só aumenta a confusão. Eu não sou assim, não consigo sorrir para qualquer um que passa, não quero entrar nesses jogos todos de faz de conta. Quero um fim de semana no Rio de Janeiro contando certezas e contemplando o pôr do sol do Arpoador. Quero confessar que gosto tanto do Arpoador porque é lá que sinto toda a poesia da vida, como se o lugar guardasse mais do que a infinitude do mar, como se no alto daquelas pedras houvesse algo além da paz.
Quero domingos infinitos, quero sábados dividindo a mesa do bar com os amigos, quero que a busca simplesmente se acalme. Quero sentir algo além da angústia e das incertezas. Quero certezas pequenas. Quero sentir São Paulo dentro de um abraço, quero sentir que a cidade guarda mais do que pessoas apressadas, quero deixar de ser uma dessas pessoas apressadas que sufocam as inseguranças com sucesso profissional. Preciso, de uma vez por todas, delimitar os espaços na minha vida. Deixar de suprir falta com efêmeras conquistas. Preciso... rio, quem sabe em janeiro?
ps. o título é Caê.
Não adianta. As noites não resolvem os dias conturbados e o vazio do dia seguinte só aumenta a confusão. Eu não sou assim, não consigo sorrir para qualquer um que passa, não quero entrar nesses jogos todos de faz de conta. Quero um fim de semana no Rio de Janeiro contando certezas e contemplando o pôr do sol do Arpoador. Quero confessar que gosto tanto do Arpoador porque é lá que sinto toda a poesia da vida, como se o lugar guardasse mais do que a infinitude do mar, como se no alto daquelas pedras houvesse algo além da paz.
Quero domingos infinitos, quero sábados dividindo a mesa do bar com os amigos, quero que a busca simplesmente se acalme. Quero sentir algo além da angústia e das incertezas. Quero certezas pequenas. Quero sentir São Paulo dentro de um abraço, quero sentir que a cidade guarda mais do que pessoas apressadas, quero deixar de ser uma dessas pessoas apressadas que sufocam as inseguranças com sucesso profissional. Preciso, de uma vez por todas, delimitar os espaços na minha vida. Deixar de suprir falta com efêmeras conquistas. Preciso... rio, quem sabe em janeiro?
ps. o título é Caê.
domingo, agosto 28, 2011
freedom never greater than its owner
A vida vive se pondo, o sol e a confusão, a manhã seguinte fria e a noite quente, a tarde abafada e os sentimentos conturbados. Tudo se põe em movimento enquanto fico parada no balcão do bar assistindo aos que parecem mais perdidos do que eu ali, aos que discutem na mesa ao lado, aos que pertencem, aos embriagados e os que pedem a terceira saideira.
Fim de tarde, o sol ilumina a casa em raios desencontrados. E se fizermos da vida, um roteiro de cinema, aproveitamos o cenário para te contar do instante em que eu encontro um daqueles discos que queria dividir com você sorrindo contra a luz enquanto me acusa de ser sentimental demais. Sorrindo, me acusando, implicando e ao mesmo tempo, marcando o ritmo do som com os pés até que interrompe o movimento com um ar sério, me encara e só então estica os seus braços para encontrar o meu corpo, me abraçando e colocando mais perto. Mais perto do seu rosto sorridente, da sua vida, do seu jeito só seu de ser.
Queria que você fosse viajar com os meus amigos e estivesse nos momentos mais engraçados. Queria que você fosse conquistado e conquistasse cada um deles. Queria te contar as histórias, os momentos, o que faz cada um ser especial e que você não me julgasse por ter os mesmo amigos há tanto tempo. Não julgasse a minha dificuldade em me entregar, em confiar, em chamar de amigo apenas tão poucos já que coleciono tantos conhecidos.
Acho que o problema é esperar alguém que caiba no meu sonho. Alguém que não é mais quem um dia, eu sonhei. Alguém que eu não conheço, alguém que já não sei quem, só alguém... pra mim.
A vida vive se pondo, o sol e a confusão, a manhã seguinte fria e a noite quente, a tarde abafada e os sentimentos conturbados. Tudo se põe em movimento enquanto fico parada no balcão do bar assistindo aos que parecem mais perdidos do que eu ali, aos que discutem na mesa ao lado, aos que pertencem, aos embriagados e os que pedem a terceira saideira.
Fim de tarde, o sol ilumina a casa em raios desencontrados. E se fizermos da vida, um roteiro de cinema, aproveitamos o cenário para te contar do instante em que eu encontro um daqueles discos que queria dividir com você sorrindo contra a luz enquanto me acusa de ser sentimental demais. Sorrindo, me acusando, implicando e ao mesmo tempo, marcando o ritmo do som com os pés até que interrompe o movimento com um ar sério, me encara e só então estica os seus braços para encontrar o meu corpo, me abraçando e colocando mais perto. Mais perto do seu rosto sorridente, da sua vida, do seu jeito só seu de ser.
Queria que você fosse viajar com os meus amigos e estivesse nos momentos mais engraçados. Queria que você fosse conquistado e conquistasse cada um deles. Queria te contar as histórias, os momentos, o que faz cada um ser especial e que você não me julgasse por ter os mesmo amigos há tanto tempo. Não julgasse a minha dificuldade em me entregar, em confiar, em chamar de amigo apenas tão poucos já que coleciono tantos conhecidos.
Acho que o problema é esperar alguém que caiba no meu sonho. Alguém que não é mais quem um dia, eu sonhei. Alguém que eu não conheço, alguém que já não sei quem, só alguém... pra mim.
terça-feira, agosto 23, 2011
Entre canis
O mundo se refaz em cumplicidade, essa vinda das amizades mais profundas, dos sorrisos mais intensos, da verdade que se esconde dentro das risadas que se multiplicam ao vento. E, nos multiplicamos, iguais e diferentes, metades e inteiros, muitos e vários, cheios das mais diversas histórias, vestidos das mais belas diferenças. Nos escondendo, jogando, fazendo birra, se perdendo enquanto nos encontramos. Seria mais fácil se pudéssemos anular a falta que se sente em um momento de extrema embriaguez. Quem sabe assim pudéssemos fingir melhor que nada se sente quando os sentimentos se embriagam de lucidez.
Mas, é só pensar que eu quero desfazer os jogos e fechar os pesares. É só pensar que me sinto leve outra vez. É só pensar... e eu sei... não é mais você.
O mundo se refaz em cumplicidade, essa vinda das amizades mais profundas, dos sorrisos mais intensos, da verdade que se esconde dentro das risadas que se multiplicam ao vento. E, nos multiplicamos, iguais e diferentes, metades e inteiros, muitos e vários, cheios das mais diversas histórias, vestidos das mais belas diferenças. Nos escondendo, jogando, fazendo birra, se perdendo enquanto nos encontramos. Seria mais fácil se pudéssemos anular a falta que se sente em um momento de extrema embriaguez. Quem sabe assim pudéssemos fingir melhor que nada se sente quando os sentimentos se embriagam de lucidez.
Mas, é só pensar que eu quero desfazer os jogos e fechar os pesares. É só pensar que me sinto leve outra vez. É só pensar... e eu sei... não é mais você.
segunda-feira, agosto 22, 2011
Não digo que não sinto falta
Tem dias que o mundo parece mais hostil e a vontade é ficar em um lugar onde só ouça a sua voz e a dos passarinhos, a das melodias leves que escolhemos para aquecer o frio da solidão que corre lá fora, de tudo que corre, por fora. O dia, as contas, as impossibilidades, as frases nunca ditas e as nunca ouvidas, o que faz falta e se cala, o que cala e por isso faz falta, a sua falta. A falta do melhor de mim que só encontro com você por perto. O peito dói e sinto um nó na garganta. Tudo parece ainda mais hostil quando a sensibilidade simplesmente se espalha por todos os poros. Transbordo as lembranças e faço do passado um veneno letal. Mato, sem querer, o presente enquanto massacro as minhas relações fragéis graças a sua onipresença em todas as minhas expectativas.
Eu, criança habitando vida de adulto, me faço menina diante do que é vão. Te vejo partindo e me roubando o chão. Tenho medo das minhas perguntas porque não sei se quero conhecer as suas respostas. Queria saber da sua vida agora. Mas, temo já não caber mais nela e me forçar, mais uma vez, a partir. Me reparto em partes minúsculas enquanto me largo a seu bom guardo. Te peço, sem palavras, que saiba, mesmo que nunca de fato: é sempre você.
E, então, me perco na madrugada, sem nada de verdade, esperando que o vento me sopre para longe... de ti. E, por sorte ou por tempo, eu esbarre em outro mundo onde o seu não caiba. Torço para me sentir plena, mesmo que me doa o fato de passar você. Por fim, espero que da dor sobre a doação do amor que não coube.
Tem dias que o mundo parece mais hostil e a vontade é ficar em um lugar onde só ouça a sua voz e a dos passarinhos, a das melodias leves que escolhemos para aquecer o frio da solidão que corre lá fora, de tudo que corre, por fora. O dia, as contas, as impossibilidades, as frases nunca ditas e as nunca ouvidas, o que faz falta e se cala, o que cala e por isso faz falta, a sua falta. A falta do melhor de mim que só encontro com você por perto. O peito dói e sinto um nó na garganta. Tudo parece ainda mais hostil quando a sensibilidade simplesmente se espalha por todos os poros. Transbordo as lembranças e faço do passado um veneno letal. Mato, sem querer, o presente enquanto massacro as minhas relações fragéis graças a sua onipresença em todas as minhas expectativas.
Eu, criança habitando vida de adulto, me faço menina diante do que é vão. Te vejo partindo e me roubando o chão. Tenho medo das minhas perguntas porque não sei se quero conhecer as suas respostas. Queria saber da sua vida agora. Mas, temo já não caber mais nela e me forçar, mais uma vez, a partir. Me reparto em partes minúsculas enquanto me largo a seu bom guardo. Te peço, sem palavras, que saiba, mesmo que nunca de fato: é sempre você.
E, então, me perco na madrugada, sem nada de verdade, esperando que o vento me sopre para longe... de ti. E, por sorte ou por tempo, eu esbarre em outro mundo onde o seu não caiba. Torço para me sentir plena, mesmo que me doa o fato de passar você. Por fim, espero que da dor sobre a doação do amor que não coube.
domingo, agosto 14, 2011
Quase uma guerra
Achei que tinha passado até você voltar a habitar os meus pensamentos. O acaso colocou em prova a minha doce ilusão de esquecimento e então tudo veio a tona, outra vez. É claro, existiram os momentos que a paz era maior que as lembranças, que eu acreditei na plena substituição, no ato de um outro alguém tirar você de mim ou me tirar de você. Só queria ser capaz de me desvencilhar da sua capacidade de fazer tudo desmoronar ao meu redor pela simples menção do quanto tudo parecia completo com você por perto.
Quero respeito quando decidir que a tristeza é a minha companhia na tarde de domingo fria. Quero carinho quando quiser uma semana inteira quietinha. Quero alegria quando os amigos se cruzarem e a vida for festa. Quero alguém que me conte os livros que não li e me deixe interessada em tudo que ainda não vivi. Quero alguém que desperte em mim os sete mares e me liberte ao vento. Quero os sonhos de Ícaro com a inteligência de Galileu. Quero só deixar o meu passado, passar, pura e simplesmente. Um passo de cada vez em pequenos gestos que iluminam o futuro. Fim de semana com gosto de paz e batalha vencida. Vamos adiante, vida.
Achei que tinha passado até você voltar a habitar os meus pensamentos. O acaso colocou em prova a minha doce ilusão de esquecimento e então tudo veio a tona, outra vez. É claro, existiram os momentos que a paz era maior que as lembranças, que eu acreditei na plena substituição, no ato de um outro alguém tirar você de mim ou me tirar de você. Só queria ser capaz de me desvencilhar da sua capacidade de fazer tudo desmoronar ao meu redor pela simples menção do quanto tudo parecia completo com você por perto.
Quero respeito quando decidir que a tristeza é a minha companhia na tarde de domingo fria. Quero carinho quando quiser uma semana inteira quietinha. Quero alegria quando os amigos se cruzarem e a vida for festa. Quero alguém que me conte os livros que não li e me deixe interessada em tudo que ainda não vivi. Quero alguém que desperte em mim os sete mares e me liberte ao vento. Quero os sonhos de Ícaro com a inteligência de Galileu. Quero só deixar o meu passado, passar, pura e simplesmente. Um passo de cada vez em pequenos gestos que iluminam o futuro. Fim de semana com gosto de paz e batalha vencida. Vamos adiante, vida.
quarta-feira, agosto 03, 2011
Pode parecer óbvio
É claro que sinto falta. Daquele jeito seu de me acalmar e do jeito que tudo parecia paz ao seu lado. Sinto falta do jeito que eu era paz ao seu lado, de comentar um dia difícil de trabalho enquanto você absorvia os meus aborrecimentos para me devolver em risos uma dica qualquer que poderia ter tornado tudo mais simples. E, no dia seguinte, quando algo sem importância viesse a me aborrecer, usaria a sua dica que se fez em sorrisos breves.
Sinto falta de me apaixonar. Sinto falta de me sentir uma adolescente e dos textos, das músicas, da vida, da entrega, do sentir algo que não a falta.
Me encontro diante de uma vida inteira de possibilidades e me entrego a novos sorrisos, novas perspectivas, novas expectativas, novos momentos e segredos compartilhados. E, a grande novidade é que por não ser mais indiferente, você se faz presente... Mas, não é mais você quem me faz falta, são as coisas boas que senti por você e que podem se renovar, se refazer, se reencontrar com um outro alguém. Alguém.
É claro que sinto falta. Daquele jeito seu de me acalmar e do jeito que tudo parecia paz ao seu lado. Sinto falta do jeito que eu era paz ao seu lado, de comentar um dia difícil de trabalho enquanto você absorvia os meus aborrecimentos para me devolver em risos uma dica qualquer que poderia ter tornado tudo mais simples. E, no dia seguinte, quando algo sem importância viesse a me aborrecer, usaria a sua dica que se fez em sorrisos breves.
Sinto falta de me apaixonar. Sinto falta de me sentir uma adolescente e dos textos, das músicas, da vida, da entrega, do sentir algo que não a falta.
Me encontro diante de uma vida inteira de possibilidades e me entrego a novos sorrisos, novas perspectivas, novas expectativas, novos momentos e segredos compartilhados. E, a grande novidade é que por não ser mais indiferente, você se faz presente... Mas, não é mais você quem me faz falta, são as coisas boas que senti por você e que podem se renovar, se refazer, se reencontrar com um outro alguém. Alguém.
domingo, julho 31, 2011
Fim de semana sabático
Depois de um tempo de calmaria: sem sentir nada, sem deixar nada interferir nos meus planos, sem deixar ninguém transpor a minha barreira de conforto, veio um tornado. Foi como um vento forte que joga papeis no chão, bagunça a sala de estar e me deixa estar com muita confusão. Ligações, SMS, recados de várias espécies em tentativas de desfazer o erro de acreditar no que eu aparento. Minha aparência é proteção e afasto quem não tem a sensibilidade de notar isso.
Aceitei a confusão que me coloquei e notei que a calmaria era resultado apenas de não encarar os meus problemas. Precisei deixar claro que infelizmente não dá para ser por vários motivos que fogem do meu controle. Notei que esquecer vai além de simplesmente ignorar. Mas, no meio do que notei, decidi não mais me deixar afetar. Quero e preciso de distância dos seus jogos para me manter por perto. E, de volta, a liberdade (quase) perdida de deixar a vida aberta para novas possibilidades.
Nesse caminho será que alguém percebeu? Gosto de carinho, de atenção, de recado no meio da tarde, de sorriso bobo, de fala mansa, de convite despretensioso. Gosto de música brega que me lembra coisas que ainda não aconteceram. Gosto de pensar...
Depois de um tempo de calmaria: sem sentir nada, sem deixar nada interferir nos meus planos, sem deixar ninguém transpor a minha barreira de conforto, veio um tornado. Foi como um vento forte que joga papeis no chão, bagunça a sala de estar e me deixa estar com muita confusão. Ligações, SMS, recados de várias espécies em tentativas de desfazer o erro de acreditar no que eu aparento. Minha aparência é proteção e afasto quem não tem a sensibilidade de notar isso.
Aceitei a confusão que me coloquei e notei que a calmaria era resultado apenas de não encarar os meus problemas. Precisei deixar claro que infelizmente não dá para ser por vários motivos que fogem do meu controle. Notei que esquecer vai além de simplesmente ignorar. Mas, no meio do que notei, decidi não mais me deixar afetar. Quero e preciso de distância dos seus jogos para me manter por perto. E, de volta, a liberdade (quase) perdida de deixar a vida aberta para novas possibilidades.
Nesse caminho será que alguém percebeu? Gosto de carinho, de atenção, de recado no meio da tarde, de sorriso bobo, de fala mansa, de convite despretensioso. Gosto de música brega que me lembra coisas que ainda não aconteceram. Gosto de pensar...
em você.
domingo, julho 24, 2011
stumble into you is all I ever do
Preciso de muito pouco para perceber que é sempre você. Sempre quem consegue me virar do avesso, me tirar todas as certezas, me fazer voltar ao ponto de partida por onde já jurei mil vezes não mais partir. É o seu sorriso, o seu abraço, o jeito como me diz coisas bobas e as risadas que são mais sinceras quando te tenho por perto. É você quem me conhece por lados como nenhum outro.
É quando não importa seriedade, nem o que sou, o que não sou, o que fiz, o que quero fazer, os meus planos maiores pro futuro, a viagem planejada, as contas para pagar. Os outros, não importa os outros, nenhuma maluquice que sai da cabeça de um outro alguém me afeta, me aflige. O mundo poderia acabar... se eu estivesse com você. Mas, seria melhor se continuasse até vermos um número sem fim de shows, de séries e filmes. Dos spoilers que você me conta, das filosofias que compartilhamos, dos enigmas que dividimos e como você me ajuda a encontrar respostas, dentro de mim.
Poderia ser tanta coisa... se não fosse.
ps. o título é Becausa i want you do Placebo. clicaqui.
Preciso de muito pouco para perceber que é sempre você. Sempre quem consegue me virar do avesso, me tirar todas as certezas, me fazer voltar ao ponto de partida por onde já jurei mil vezes não mais partir. É o seu sorriso, o seu abraço, o jeito como me diz coisas bobas e as risadas que são mais sinceras quando te tenho por perto. É você quem me conhece por lados como nenhum outro.
É quando não importa seriedade, nem o que sou, o que não sou, o que fiz, o que quero fazer, os meus planos maiores pro futuro, a viagem planejada, as contas para pagar. Os outros, não importa os outros, nenhuma maluquice que sai da cabeça de um outro alguém me afeta, me aflige. O mundo poderia acabar... se eu estivesse com você. Mas, seria melhor se continuasse até vermos um número sem fim de shows, de séries e filmes. Dos spoilers que você me conta, das filosofias que compartilhamos, dos enigmas que dividimos e como você me ajuda a encontrar respostas, dentro de mim.
Poderia ser tanta coisa... se não fosse.
ps. o título é Becausa i want you do Placebo. clicaqui.
segunda-feira, julho 18, 2011
love dares you to change our way of caring about ourselves
Tem horas que gostaria de passar a vida a limpo. Tirar os momentos que me endureceram, que me fizeram descrente, que me fazem amar muito mais o irreal da arte do que o real dos humanos. Apagar os momentos que doem de lembrar, como aquele de quando me deixei levar a beira de um abismo. Queria me livrar dos amores errados que me ensinaram, é verdade, só que também me tiraram e complicaram os que sempre estarão por vir.
Quero só deixar que alguém entre na minha vida e reservar a esse alguém o direito de ser. Quero a preguiça de um sábado frio com filme bobo na tv. Quero compartilhar a minha sede de mundo que tantas vezes me leva a noites incríveis. Quero compreensão e questionamento, quero mais do mesmo e o mesmo me sorrindo de uma forma doce. Quero brincar de pega pega, quero sorrir até doer a barriga, quero alguém para segurar a minha mão no último episódio da novela ou do meu seriado favorito. Quero compartilhar livros, destacar frases soltas, confessar que gosto de umas músicas clichês a ponto de preferir não revelar.
Quero, quero, quero me reinventar... Porque tem coisas que fazem a gente se questionar sobre nós mesmos.
ps. parafraseando o Queen com Bowie em under pressure. música linda, linda, linda. ouveaqui.
quarta-feira, julho 06, 2011
só de viver no seu mar
"Eu nunca precisei de ninguém para me indicar o caminho, quero ser fiel a mim mesma... Do jeito que eu sou: errada, torta, confusa, louca, apaixonada". (Alice - HBO)
É estranho se ver nas palavras de outro, de um personagem criado por alguém que deve ter observado várias pessoas como eu, pelas ruas da minha cidade e de tantas outras, aparentemente iguais se não se percebe as particularidades. Sempre fora do contexto, com o olhar longe, com os pensamentos distantes. Conservando o "porém" enquanto se esquiva de explicações. Me irrita toda e qualquer necessidade de adequação. Não quero me enquadrar em nenhum dos nichos que criaram, quero só o direito de ser exatamente do jeito que eu sou: errada, torta, confusa, louca, apaixonada.
Por decepção ou precaução, as minhas paixões envolvem muitas coisas antes de envolver pessoas. Deixo claro que sou complicada e aviso que meu lado ariano é simplesmente inconstante. Me reservo o direito de mudar quando já não existe mais movimento. Me deixa surpresa a capacidade dos outros de se apaixonar em instantes, o tempo todo, por um alguém novo. Acho que grandes paixões acontecem com uma periodicidade muito menor do que essa com que tanta gente fala por aí. Ao menos no que diz respeito a se apaixonar por alguém. Eu tenho a capacidade estranha de me apaixonar por música, por filme, por livro, por algo que é simplesmente concreto de forma abstrata e se esquiva de mudanças trágicas.
Tenho dessas paixões repentinas de uma noite só. Dessas que o personagem vive, aquela que muda de nome na balada por preguiça de ser. Me apaixono por coisas que desconheço a cor, o mistério me fascina e muito pouco em pouquíssimas pessoas mantem minha atenção além dos primeiros minutos. Porque, na vida e na arte, é quase tudo como na música que já diz muito nos primeiros acordes.
"Eu nunca precisei de ninguém para me indicar o caminho, quero ser fiel a mim mesma... Do jeito que eu sou: errada, torta, confusa, louca, apaixonada". (Alice - HBO)
É estranho se ver nas palavras de outro, de um personagem criado por alguém que deve ter observado várias pessoas como eu, pelas ruas da minha cidade e de tantas outras, aparentemente iguais se não se percebe as particularidades. Sempre fora do contexto, com o olhar longe, com os pensamentos distantes. Conservando o "porém" enquanto se esquiva de explicações. Me irrita toda e qualquer necessidade de adequação. Não quero me enquadrar em nenhum dos nichos que criaram, quero só o direito de ser exatamente do jeito que eu sou: errada, torta, confusa, louca, apaixonada.
Por decepção ou precaução, as minhas paixões envolvem muitas coisas antes de envolver pessoas. Deixo claro que sou complicada e aviso que meu lado ariano é simplesmente inconstante. Me reservo o direito de mudar quando já não existe mais movimento. Me deixa surpresa a capacidade dos outros de se apaixonar em instantes, o tempo todo, por um alguém novo. Acho que grandes paixões acontecem com uma periodicidade muito menor do que essa com que tanta gente fala por aí. Ao menos no que diz respeito a se apaixonar por alguém. Eu tenho a capacidade estranha de me apaixonar por música, por filme, por livro, por algo que é simplesmente concreto de forma abstrata e se esquiva de mudanças trágicas.
Tenho dessas paixões repentinas de uma noite só. Dessas que o personagem vive, aquela que muda de nome na balada por preguiça de ser. Me apaixono por coisas que desconheço a cor, o mistério me fascina e muito pouco em pouquíssimas pessoas mantem minha atenção além dos primeiros minutos. Porque, na vida e na arte, é quase tudo como na música que já diz muito nos primeiros acordes.
domingo, junho 26, 2011
Para ler ouvindo "you don't understand me" do Raconteurs: clicaaqui.
why do you feel the need to tease me?
Foi quando tudo pareceu andar mais devagar, quando a adrenalina perdeu o lugar e se abriu a possibilidade de um sorriso leve. Foi a sua implicância que me fez notar quanto me faz bem estar por perto. São as suas frases que dizem tudo sem entrelinhas e as quais finjo encontrar quereres escondidos, esses que você não esconde, só para alongar a discussão e te ver procurando formas para me interromper. É quando o fim de semana passa em paz enquanto minha vida inteira se faz em perguntas. É quando passo os dias vivendo para fora com medo de encontrar o seu sorriso, aqui, dentro de mim. São momentos que por piedade da calmaria massacro com rapidez. Queria medir o jeito que tudo reagiria e conhecer as consequências que meus atos teriam. Queria encontrar as respostas sem que fosse preciso fazer as perguntas. Queria conhecer o risco sem necessariamente arriscar. Queria viciar os dados e marcar as cartas a favor de um jogo ganho.
Mas, no fim, quem sabe, talvez tudo seja só uma questão de abaixar os receios e te encontrar sem medo.
why do you feel the need to tease me?
Foi quando tudo pareceu andar mais devagar, quando a adrenalina perdeu o lugar e se abriu a possibilidade de um sorriso leve. Foi a sua implicância que me fez notar quanto me faz bem estar por perto. São as suas frases que dizem tudo sem entrelinhas e as quais finjo encontrar quereres escondidos, esses que você não esconde, só para alongar a discussão e te ver procurando formas para me interromper. É quando o fim de semana passa em paz enquanto minha vida inteira se faz em perguntas. É quando passo os dias vivendo para fora com medo de encontrar o seu sorriso, aqui, dentro de mim. São momentos que por piedade da calmaria massacro com rapidez. Queria medir o jeito que tudo reagiria e conhecer as consequências que meus atos teriam. Queria encontrar as respostas sem que fosse preciso fazer as perguntas. Queria conhecer o risco sem necessariamente arriscar. Queria viciar os dados e marcar as cartas a favor de um jogo ganho.
Mas, no fim, quem sabe, talvez tudo seja só uma questão de abaixar os receios e te encontrar sem medo.
domingo, junho 12, 2011
better things to do
Me acostumei a gostar de muitas coisas para me livrar do peso de gostar de uma coisa só. Me trai a pessoa, me trai a situação, me trai o alguém que não cabe nas muitas que preciso ser para sobreviver. Por preguiça ou precaução me tiro de toda obrigação que o outro precisaria assumir comigo. Livro ele e me livro de esperar. Recomeço a levar a vida mais leve sem esperar no fim expediente o abraço certo, o carinho concreto e as reclamações simultâneas. Nos desfazemos da obrigação e nos fazemos um. Mais uma coisa boa se vai e eu me vou do que me obriguei a ser.
Tenho muitos medos. Medo de assumir a expectativa do outro. A vontade de alguém. Os anseios maiores que os meus (que já julgo gigantes). Assumo compromissos com a ideologia, me envolve em projetos pequenos e me esquivo dos maiores. Recolho abraços sinceros enquanto me desfaço dos que já não encaixam mais. Preciso de tudo que se reinventa porque vivo me reinventando todo o tempo. De você não quero mais do que poderia ser. O problema? É que já nem eu sei o que poderia ser enquanto é finito. No infinito, o além e nem é o fim, enfim.
Me acostumei a gostar de muitas coisas para me livrar do peso de gostar de uma coisa só. Me trai a pessoa, me trai a situação, me trai o alguém que não cabe nas muitas que preciso ser para sobreviver. Por preguiça ou precaução me tiro de toda obrigação que o outro precisaria assumir comigo. Livro ele e me livro de esperar. Recomeço a levar a vida mais leve sem esperar no fim expediente o abraço certo, o carinho concreto e as reclamações simultâneas. Nos desfazemos da obrigação e nos fazemos um. Mais uma coisa boa se vai e eu me vou do que me obriguei a ser.
Tenho muitos medos. Medo de assumir a expectativa do outro. A vontade de alguém. Os anseios maiores que os meus (que já julgo gigantes). Assumo compromissos com a ideologia, me envolve em projetos pequenos e me esquivo dos maiores. Recolho abraços sinceros enquanto me desfaço dos que já não encaixam mais. Preciso de tudo que se reinventa porque vivo me reinventando todo o tempo. De você não quero mais do que poderia ser. O problema? É que já nem eu sei o que poderia ser enquanto é finito. No infinito, o além e nem é o fim, enfim.
segunda-feira, maio 23, 2011
Foi quando ela mudou
Como se muito de tudo me entorpecesse. Me encontro nos extremos para justificar a minha falta de aptidão de lidar com o que é só cotidiano. Me desfaço em pensamentos, racionalizo e mudo de ideia. Faz anos que fujo de todo e qualquer compromisso que não seja com a minha liberdade. Me irrita quem me sufoca, me irrita o querer do outro que nunca anda em paralelo ao meu, me irrita quase que todas as pessoas de um modo geral. Até porque o meu querer é pura intensidade, a força de um maremoto, juras e carinhos até que uma frase fora do lugar, um gesto em falso, um pensamento que não se encontra... Até o querer se transformar apenas em boa dia, em frases de elevador, em cotidiano que existe por obrigação de ser.
Me identifico com livros. Me sensibilizo com músicas. Choro com filmes. Me interessa tudo que existe de forma concreta sem definição absoluta. Tem dias que penso em dividir e me estabilizar. Ficar tranquila e aceitar a mão que se estende. Só que, o problema é que na minha cabeça, não consigo amenizar os efeitos de me prender a um único alguém. Até que me interesso e me traio da cabeça aos pés. Minha intensidade se transforma em zelo. Como se eu não conhecesse o jogo de quem deixo entrar na minha vida. Esses, para os quais, o desinteresse do outro alimenta o próprio interesse. Eu sei, as paixões não acontecem o tempo inteiro e persistem se não consumados. O carinho é tímido e a verdade quase absoluta se mal revelada.
Um dia, uma tarde, uma decepção. Daí, eu choro e mapeio os meus erros, encontro alguns acertos e me desfaço do que já não cabe. O que nunca encaixou com precisão absoluta. É quando eu reinvento, mergulho no trabalho, esqueço a vida lá fora. É quando, mais uma vez, eu fujo de sentir...
Como se muito de tudo me entorpecesse. Me encontro nos extremos para justificar a minha falta de aptidão de lidar com o que é só cotidiano. Me desfaço em pensamentos, racionalizo e mudo de ideia. Faz anos que fujo de todo e qualquer compromisso que não seja com a minha liberdade. Me irrita quem me sufoca, me irrita o querer do outro que nunca anda em paralelo ao meu, me irrita quase que todas as pessoas de um modo geral. Até porque o meu querer é pura intensidade, a força de um maremoto, juras e carinhos até que uma frase fora do lugar, um gesto em falso, um pensamento que não se encontra... Até o querer se transformar apenas em boa dia, em frases de elevador, em cotidiano que existe por obrigação de ser.
Me identifico com livros. Me sensibilizo com músicas. Choro com filmes. Me interessa tudo que existe de forma concreta sem definição absoluta. Tem dias que penso em dividir e me estabilizar. Ficar tranquila e aceitar a mão que se estende. Só que, o problema é que na minha cabeça, não consigo amenizar os efeitos de me prender a um único alguém. Até que me interesso e me traio da cabeça aos pés. Minha intensidade se transforma em zelo. Como se eu não conhecesse o jogo de quem deixo entrar na minha vida. Esses, para os quais, o desinteresse do outro alimenta o próprio interesse. Eu sei, as paixões não acontecem o tempo inteiro e persistem se não consumados. O carinho é tímido e a verdade quase absoluta se mal revelada.
Um dia, uma tarde, uma decepção. Daí, eu choro e mapeio os meus erros, encontro alguns acertos e me desfaço do que já não cabe. O que nunca encaixou com precisão absoluta. É quando eu reinvento, mergulho no trabalho, esqueço a vida lá fora. É quando, mais uma vez, eu fujo de sentir...
sábado, maio 07, 2011
Vaga(rosa)
Acordou cansada do sono. Presa nos sonhos. Envolta em alguma coisa que parecia sufocar as vontades, prender as perspectivas e dificultar a vida. Como se fosse larga demais para caber em lugares estreitos ou pequena demais para ficar tão solta. Sentia tudo demais a ponto do peito doer, de um nó fechar a garganta e não se decidir entre ficar ou tirar a jaqueta, frio e calor oscilando em uma velocidade recorde. Não conseguia ordenar o pensamento ou organizar ações pequenas. Queria com urgência um querer desconhecido. Não sabia onde buscar e tinha medos que não se confessavam.
Acendeu um cigarro enquanto passava mentalmente todas as possibilidades. Até o filtro nada tinha sido resolvido e os pensamentos só se enrolaram mais. Transitou entre a sala, a cozinha e o quarto como se a cada novo ambiente estivesse mudando de mundo. Queria sossego, filme no domingo, um jantar no sábado a noite, sair para dançar durante a semana e acordar sem ressaca na manhã seguinte. Queria abolir as expectativas e cobranças que tinha com ela mesmo. Queria abolir as expectativas e cobranças que os outros tinham com ela. Queria viver um dia de cada vez sem esquecer que tudo se constrói nos detalhes. Respeito e vontade nascendo da conquista vinda da admiração. Queria alguém que discordasse de alguns dos seus pensamentos e não queria discussão na hora de escolher um filme. Queria compatibilidade no querer. Faria concessões a medida que a vida pedisse e só não queria que ceder se tornasse um fardo. Queria equilíbrio.
Continuou aflita. Banho, roupa nova, a jaqueta confortável, o all star de todo dia. Bar, cinema, uma volta no quarteirão, companhia ou solidão? Era impossível tanta escolha para quem tinha perdido algo. Se olhava no espelho e repassava a vida procurando detalhes nas madrugadas. Não encontrava lugar nenhum onde pudesse ter perdido... o juízo. E, sem como recuperar, cedeu...
Mistérios grandes demais para se confessarem em palavras pequenas.
Acordou cansada do sono. Presa nos sonhos. Envolta em alguma coisa que parecia sufocar as vontades, prender as perspectivas e dificultar a vida. Como se fosse larga demais para caber em lugares estreitos ou pequena demais para ficar tão solta. Sentia tudo demais a ponto do peito doer, de um nó fechar a garganta e não se decidir entre ficar ou tirar a jaqueta, frio e calor oscilando em uma velocidade recorde. Não conseguia ordenar o pensamento ou organizar ações pequenas. Queria com urgência um querer desconhecido. Não sabia onde buscar e tinha medos que não se confessavam.
Acendeu um cigarro enquanto passava mentalmente todas as possibilidades. Até o filtro nada tinha sido resolvido e os pensamentos só se enrolaram mais. Transitou entre a sala, a cozinha e o quarto como se a cada novo ambiente estivesse mudando de mundo. Queria sossego, filme no domingo, um jantar no sábado a noite, sair para dançar durante a semana e acordar sem ressaca na manhã seguinte. Queria abolir as expectativas e cobranças que tinha com ela mesmo. Queria abolir as expectativas e cobranças que os outros tinham com ela. Queria viver um dia de cada vez sem esquecer que tudo se constrói nos detalhes. Respeito e vontade nascendo da conquista vinda da admiração. Queria alguém que discordasse de alguns dos seus pensamentos e não queria discussão na hora de escolher um filme. Queria compatibilidade no querer. Faria concessões a medida que a vida pedisse e só não queria que ceder se tornasse um fardo. Queria equilíbrio.
Continuou aflita. Banho, roupa nova, a jaqueta confortável, o all star de todo dia. Bar, cinema, uma volta no quarteirão, companhia ou solidão? Era impossível tanta escolha para quem tinha perdido algo. Se olhava no espelho e repassava a vida procurando detalhes nas madrugadas. Não encontrava lugar nenhum onde pudesse ter perdido... o juízo. E, sem como recuperar, cedeu...
Mistérios grandes demais para se confessarem em palavras pequenas.
domingo, maio 01, 2011
publicado*escrito dia 06/10/2008 - mas, poderia ter sido hoje.
Verbo viver
Precisava me encontrar enquanto me perdia em silêncio. Ficar ali parada só porque eu queria ficar parada. Me encher daquele mousse de limão até azedar. Sorrir como se o mundo fosse acabar amanhã e esse fosse o último instante chamado felicidade. Viver como se fosse o meu último dia. Porque eu não podia voltar atrás naquilo que tinha visto, o Caio F. escreveu que depois de ver, não há mais volta. Depois de enxergar uma vez, a cegueira é preenchida por imaginação. Meus olhos fechados enxergavam com os sentimentos. Meus sentimentos fechados me faziam ser cega para tudo e, tudo é muito para deixar de ser. Foi quando me encontrei, sem notar, sem procurar lugar nenhum chamado compreensão. Da arte do encontro, eu só dei valor quando perdi, quando vi que de tudo que poderia perder, estava a um fio do mais insuportável. Me perderia e nessa estrada sem volta, só os tijolos coloridos fazem história. Cada um deles é a simples continuidade de uma noite de sonhos. Caminho para um lugar onde eu possa sentir...
paz.
Verbo viver
Precisava me encontrar enquanto me perdia em silêncio. Ficar ali parada só porque eu queria ficar parada. Me encher daquele mousse de limão até azedar. Sorrir como se o mundo fosse acabar amanhã e esse fosse o último instante chamado felicidade. Viver como se fosse o meu último dia. Porque eu não podia voltar atrás naquilo que tinha visto, o Caio F. escreveu que depois de ver, não há mais volta. Depois de enxergar uma vez, a cegueira é preenchida por imaginação. Meus olhos fechados enxergavam com os sentimentos. Meus sentimentos fechados me faziam ser cega para tudo e, tudo é muito para deixar de ser. Foi quando me encontrei, sem notar, sem procurar lugar nenhum chamado compreensão. Da arte do encontro, eu só dei valor quando perdi, quando vi que de tudo que poderia perder, estava a um fio do mais insuportável. Me perderia e nessa estrada sem volta, só os tijolos coloridos fazem história. Cada um deles é a simples continuidade de uma noite de sonhos. Caminho para um lugar onde eu possa sentir...
paz.
Assinar:
Postagens (Atom)