Para ler ouvindo "you don't understand me" do Raconteurs: clicaaqui.
why do you feel the need to tease me?
Foi quando tudo pareceu andar mais devagar, quando a adrenalina perdeu o lugar e se abriu a possibilidade de um sorriso leve. Foi a sua implicância que me fez notar quanto me faz bem estar por perto. São as suas frases que dizem tudo sem entrelinhas e as quais finjo encontrar quereres escondidos, esses que você não esconde, só para alongar a discussão e te ver procurando formas para me interromper. É quando o fim de semana passa em paz enquanto minha vida inteira se faz em perguntas. É quando passo os dias vivendo para fora com medo de encontrar o seu sorriso, aqui, dentro de mim. São momentos que por piedade da calmaria massacro com rapidez. Queria medir o jeito que tudo reagiria e conhecer as consequências que meus atos teriam. Queria encontrar as respostas sem que fosse preciso fazer as perguntas. Queria conhecer o risco sem necessariamente arriscar. Queria viciar os dados e marcar as cartas a favor de um jogo ganho.
Mas, no fim, quem sabe, talvez tudo seja só uma questão de abaixar os receios e te encontrar sem medo.
domingo, junho 26, 2011
domingo, junho 12, 2011
better things to do
Me acostumei a gostar de muitas coisas para me livrar do peso de gostar de uma coisa só. Me trai a pessoa, me trai a situação, me trai o alguém que não cabe nas muitas que preciso ser para sobreviver. Por preguiça ou precaução me tiro de toda obrigação que o outro precisaria assumir comigo. Livro ele e me livro de esperar. Recomeço a levar a vida mais leve sem esperar no fim expediente o abraço certo, o carinho concreto e as reclamações simultâneas. Nos desfazemos da obrigação e nos fazemos um. Mais uma coisa boa se vai e eu me vou do que me obriguei a ser.
Tenho muitos medos. Medo de assumir a expectativa do outro. A vontade de alguém. Os anseios maiores que os meus (que já julgo gigantes). Assumo compromissos com a ideologia, me envolve em projetos pequenos e me esquivo dos maiores. Recolho abraços sinceros enquanto me desfaço dos que já não encaixam mais. Preciso de tudo que se reinventa porque vivo me reinventando todo o tempo. De você não quero mais do que poderia ser. O problema? É que já nem eu sei o que poderia ser enquanto é finito. No infinito, o além e nem é o fim, enfim.
Me acostumei a gostar de muitas coisas para me livrar do peso de gostar de uma coisa só. Me trai a pessoa, me trai a situação, me trai o alguém que não cabe nas muitas que preciso ser para sobreviver. Por preguiça ou precaução me tiro de toda obrigação que o outro precisaria assumir comigo. Livro ele e me livro de esperar. Recomeço a levar a vida mais leve sem esperar no fim expediente o abraço certo, o carinho concreto e as reclamações simultâneas. Nos desfazemos da obrigação e nos fazemos um. Mais uma coisa boa se vai e eu me vou do que me obriguei a ser.
Tenho muitos medos. Medo de assumir a expectativa do outro. A vontade de alguém. Os anseios maiores que os meus (que já julgo gigantes). Assumo compromissos com a ideologia, me envolve em projetos pequenos e me esquivo dos maiores. Recolho abraços sinceros enquanto me desfaço dos que já não encaixam mais. Preciso de tudo que se reinventa porque vivo me reinventando todo o tempo. De você não quero mais do que poderia ser. O problema? É que já nem eu sei o que poderia ser enquanto é finito. No infinito, o além e nem é o fim, enfim.
segunda-feira, maio 23, 2011
Foi quando ela mudou
Como se muito de tudo me entorpecesse. Me encontro nos extremos para justificar a minha falta de aptidão de lidar com o que é só cotidiano. Me desfaço em pensamentos, racionalizo e mudo de ideia. Faz anos que fujo de todo e qualquer compromisso que não seja com a minha liberdade. Me irrita quem me sufoca, me irrita o querer do outro que nunca anda em paralelo ao meu, me irrita quase que todas as pessoas de um modo geral. Até porque o meu querer é pura intensidade, a força de um maremoto, juras e carinhos até que uma frase fora do lugar, um gesto em falso, um pensamento que não se encontra... Até o querer se transformar apenas em boa dia, em frases de elevador, em cotidiano que existe por obrigação de ser.
Me identifico com livros. Me sensibilizo com músicas. Choro com filmes. Me interessa tudo que existe de forma concreta sem definição absoluta. Tem dias que penso em dividir e me estabilizar. Ficar tranquila e aceitar a mão que se estende. Só que, o problema é que na minha cabeça, não consigo amenizar os efeitos de me prender a um único alguém. Até que me interesso e me traio da cabeça aos pés. Minha intensidade se transforma em zelo. Como se eu não conhecesse o jogo de quem deixo entrar na minha vida. Esses, para os quais, o desinteresse do outro alimenta o próprio interesse. Eu sei, as paixões não acontecem o tempo inteiro e persistem se não consumados. O carinho é tímido e a verdade quase absoluta se mal revelada.
Um dia, uma tarde, uma decepção. Daí, eu choro e mapeio os meus erros, encontro alguns acertos e me desfaço do que já não cabe. O que nunca encaixou com precisão absoluta. É quando eu reinvento, mergulho no trabalho, esqueço a vida lá fora. É quando, mais uma vez, eu fujo de sentir...
Como se muito de tudo me entorpecesse. Me encontro nos extremos para justificar a minha falta de aptidão de lidar com o que é só cotidiano. Me desfaço em pensamentos, racionalizo e mudo de ideia. Faz anos que fujo de todo e qualquer compromisso que não seja com a minha liberdade. Me irrita quem me sufoca, me irrita o querer do outro que nunca anda em paralelo ao meu, me irrita quase que todas as pessoas de um modo geral. Até porque o meu querer é pura intensidade, a força de um maremoto, juras e carinhos até que uma frase fora do lugar, um gesto em falso, um pensamento que não se encontra... Até o querer se transformar apenas em boa dia, em frases de elevador, em cotidiano que existe por obrigação de ser.
Me identifico com livros. Me sensibilizo com músicas. Choro com filmes. Me interessa tudo que existe de forma concreta sem definição absoluta. Tem dias que penso em dividir e me estabilizar. Ficar tranquila e aceitar a mão que se estende. Só que, o problema é que na minha cabeça, não consigo amenizar os efeitos de me prender a um único alguém. Até que me interesso e me traio da cabeça aos pés. Minha intensidade se transforma em zelo. Como se eu não conhecesse o jogo de quem deixo entrar na minha vida. Esses, para os quais, o desinteresse do outro alimenta o próprio interesse. Eu sei, as paixões não acontecem o tempo inteiro e persistem se não consumados. O carinho é tímido e a verdade quase absoluta se mal revelada.
Um dia, uma tarde, uma decepção. Daí, eu choro e mapeio os meus erros, encontro alguns acertos e me desfaço do que já não cabe. O que nunca encaixou com precisão absoluta. É quando eu reinvento, mergulho no trabalho, esqueço a vida lá fora. É quando, mais uma vez, eu fujo de sentir...
sábado, maio 07, 2011
Vaga(rosa)
Acordou cansada do sono. Presa nos sonhos. Envolta em alguma coisa que parecia sufocar as vontades, prender as perspectivas e dificultar a vida. Como se fosse larga demais para caber em lugares estreitos ou pequena demais para ficar tão solta. Sentia tudo demais a ponto do peito doer, de um nó fechar a garganta e não se decidir entre ficar ou tirar a jaqueta, frio e calor oscilando em uma velocidade recorde. Não conseguia ordenar o pensamento ou organizar ações pequenas. Queria com urgência um querer desconhecido. Não sabia onde buscar e tinha medos que não se confessavam.
Acendeu um cigarro enquanto passava mentalmente todas as possibilidades. Até o filtro nada tinha sido resolvido e os pensamentos só se enrolaram mais. Transitou entre a sala, a cozinha e o quarto como se a cada novo ambiente estivesse mudando de mundo. Queria sossego, filme no domingo, um jantar no sábado a noite, sair para dançar durante a semana e acordar sem ressaca na manhã seguinte. Queria abolir as expectativas e cobranças que tinha com ela mesmo. Queria abolir as expectativas e cobranças que os outros tinham com ela. Queria viver um dia de cada vez sem esquecer que tudo se constrói nos detalhes. Respeito e vontade nascendo da conquista vinda da admiração. Queria alguém que discordasse de alguns dos seus pensamentos e não queria discussão na hora de escolher um filme. Queria compatibilidade no querer. Faria concessões a medida que a vida pedisse e só não queria que ceder se tornasse um fardo. Queria equilíbrio.
Continuou aflita. Banho, roupa nova, a jaqueta confortável, o all star de todo dia. Bar, cinema, uma volta no quarteirão, companhia ou solidão? Era impossível tanta escolha para quem tinha perdido algo. Se olhava no espelho e repassava a vida procurando detalhes nas madrugadas. Não encontrava lugar nenhum onde pudesse ter perdido... o juízo. E, sem como recuperar, cedeu...
Mistérios grandes demais para se confessarem em palavras pequenas.
Acordou cansada do sono. Presa nos sonhos. Envolta em alguma coisa que parecia sufocar as vontades, prender as perspectivas e dificultar a vida. Como se fosse larga demais para caber em lugares estreitos ou pequena demais para ficar tão solta. Sentia tudo demais a ponto do peito doer, de um nó fechar a garganta e não se decidir entre ficar ou tirar a jaqueta, frio e calor oscilando em uma velocidade recorde. Não conseguia ordenar o pensamento ou organizar ações pequenas. Queria com urgência um querer desconhecido. Não sabia onde buscar e tinha medos que não se confessavam.
Acendeu um cigarro enquanto passava mentalmente todas as possibilidades. Até o filtro nada tinha sido resolvido e os pensamentos só se enrolaram mais. Transitou entre a sala, a cozinha e o quarto como se a cada novo ambiente estivesse mudando de mundo. Queria sossego, filme no domingo, um jantar no sábado a noite, sair para dançar durante a semana e acordar sem ressaca na manhã seguinte. Queria abolir as expectativas e cobranças que tinha com ela mesmo. Queria abolir as expectativas e cobranças que os outros tinham com ela. Queria viver um dia de cada vez sem esquecer que tudo se constrói nos detalhes. Respeito e vontade nascendo da conquista vinda da admiração. Queria alguém que discordasse de alguns dos seus pensamentos e não queria discussão na hora de escolher um filme. Queria compatibilidade no querer. Faria concessões a medida que a vida pedisse e só não queria que ceder se tornasse um fardo. Queria equilíbrio.
Continuou aflita. Banho, roupa nova, a jaqueta confortável, o all star de todo dia. Bar, cinema, uma volta no quarteirão, companhia ou solidão? Era impossível tanta escolha para quem tinha perdido algo. Se olhava no espelho e repassava a vida procurando detalhes nas madrugadas. Não encontrava lugar nenhum onde pudesse ter perdido... o juízo. E, sem como recuperar, cedeu...
Mistérios grandes demais para se confessarem em palavras pequenas.
domingo, maio 01, 2011
publicado*escrito dia 06/10/2008 - mas, poderia ter sido hoje.
Verbo viver
Precisava me encontrar enquanto me perdia em silêncio. Ficar ali parada só porque eu queria ficar parada. Me encher daquele mousse de limão até azedar. Sorrir como se o mundo fosse acabar amanhã e esse fosse o último instante chamado felicidade. Viver como se fosse o meu último dia. Porque eu não podia voltar atrás naquilo que tinha visto, o Caio F. escreveu que depois de ver, não há mais volta. Depois de enxergar uma vez, a cegueira é preenchida por imaginação. Meus olhos fechados enxergavam com os sentimentos. Meus sentimentos fechados me faziam ser cega para tudo e, tudo é muito para deixar de ser. Foi quando me encontrei, sem notar, sem procurar lugar nenhum chamado compreensão. Da arte do encontro, eu só dei valor quando perdi, quando vi que de tudo que poderia perder, estava a um fio do mais insuportável. Me perderia e nessa estrada sem volta, só os tijolos coloridos fazem história. Cada um deles é a simples continuidade de uma noite de sonhos. Caminho para um lugar onde eu possa sentir...
paz.
Verbo viver
Precisava me encontrar enquanto me perdia em silêncio. Ficar ali parada só porque eu queria ficar parada. Me encher daquele mousse de limão até azedar. Sorrir como se o mundo fosse acabar amanhã e esse fosse o último instante chamado felicidade. Viver como se fosse o meu último dia. Porque eu não podia voltar atrás naquilo que tinha visto, o Caio F. escreveu que depois de ver, não há mais volta. Depois de enxergar uma vez, a cegueira é preenchida por imaginação. Meus olhos fechados enxergavam com os sentimentos. Meus sentimentos fechados me faziam ser cega para tudo e, tudo é muito para deixar de ser. Foi quando me encontrei, sem notar, sem procurar lugar nenhum chamado compreensão. Da arte do encontro, eu só dei valor quando perdi, quando vi que de tudo que poderia perder, estava a um fio do mais insuportável. Me perderia e nessa estrada sem volta, só os tijolos coloridos fazem história. Cada um deles é a simples continuidade de uma noite de sonhos. Caminho para um lugar onde eu possa sentir...
paz.
domingo, abril 24, 2011
DESDE QUE A SEGUNDA É SEM LEI
Eu sempre quis muito de tudo. Vários caminhos me levando a um lugar de onde não conseguiria escapar. Fazer da música, além de válvula de escape, meu meio de fuga para aguentar o padrão de trabalhar tantas horas em um mesmo lugar. Aceitar que vou me repetir sem me deixar afundar dentro da monotonia. No começo da faculdade queria trabalhar com jornalismo social, de um jeito sem sentido e sem noção, queria simplesmente mudar o mundo. Depois fui vendo que mudar alguma coisa é mais válido do que viver uma vida lutando em vão. Queria ter voz para poder ajudar alguém a pensar. Queria que todos encontrassem paz nas letras e que as palavras pudessem ter alguma força. Queria atingir as pessoas sem invadir o espaço. Queria ser jornalista, queria ser mais do que só mais uma, queria ser várias. E, foi quase assim, que de estagiária da assessoria de imprensa da rádio virei produtora do Segunda-Feira Sem Lei.
O processo teve quatro partes: vencer o medo da chefe, acreditar que uma ideia poderia virar realidade, encontrar com quem dividir o ideal e não desistir. Foi a Denise e a Bruna que quase me empurraram e eu que quase sem voz falei "Gi, tive uma ideia", ela mal se movimentou e eu continuei, "um programa de música alternativa". Tudo bem diferente do que virou o Segundinha, ela gostou e daí surgiu a dúvida: "quem apresentaria?". Foi quando entrevistei a Pitty para o site. Bem, não diria que entrevistei, sempre falo que a entrevista se perdeu no caminho para virar uma conversa sobre literatura e música. Entre um papo e outro apareceu uma das coisas que mais encantaria na pessoa que ela é: a insatisfação. Pitty é uma insatisfeita com razão. Diferente dos reclamões, usa a insatisfação como combustível para levá-la a outros lugares. Foi exatamente essa insatisfação que me fez querer ter ela por perto. Dessa conversa vieram muitas outras. Nos falamos por twitter, e-mail, entre papos nossos com apoio e ajuda da Gi, tivemos realmente a ideia do que é hoje o Segunda-Feira Sem Lei. Vieram Dani, Beto e Paulo. A gravação do piloto, as fotos de divulgação, o nome, o mecanismo mínimo para fazer tudo funcionar, quase uma gestação. De agosto, lançamento do Chiaroscuro, até a estreia do Segunda-Feira Sem Lei se passaram oito meses.
Mas, minha vida não é só o Segunda-Feira Sem Lei e foi preciso força para aguentar alguns absurdos do caminho. Foi preciso me apegar a essa ideia e acreditar nesse ideal para não largar o processo. E, tudo teve um ponto muito alto no fim do ano passado, me formei na faculdade com o dez que me tirou madrugadas enquanto me dividia entre escrever um livro e trabalhar. E como tudo na minha vida o tema também é amor. "Amor Tátil - os discos de vinil sobrevivem à evolução dos tempos". Meu livro, meu outro filhote. E, motivo ainda maior de orgulho, as nossas Segundas foi eleito programa revelação do rádio de 2010.
Mas, nada disso seria possível sem um monte de pessoas especiais. Pitty pelos cafés, pelas conversas, pelas trocas, pela confiança e por me ajudar a acreditar. A Gislaine pelas broncas, pela cobrança e por acreditar que era possível. Ao Dani, Beto e Paulão por também terem acreditado. (Dani, obrigada pelas caronas também). A Denise por estar SEMPRE junto. Ao Johnny por me deixar chorar e rir na sala dele sempre que as coisas ficavam complicadas demais. Ao Siba pela plástica e pelo carinho na edição do programa. A Livya, Rosangela, Dinho, Bruna Marconi, Leandro, Thaís, Debora Fala, os cariocas e todo mundo que teve sempre junto. Enfim, graças a todos que fazem da Transamérica e da minha vida, um lugar melhor.
Eu sempre quis muito de tudo. Vários caminhos me levando a um lugar de onde não conseguiria escapar. Fazer da música, além de válvula de escape, meu meio de fuga para aguentar o padrão de trabalhar tantas horas em um mesmo lugar. Aceitar que vou me repetir sem me deixar afundar dentro da monotonia. No começo da faculdade queria trabalhar com jornalismo social, de um jeito sem sentido e sem noção, queria simplesmente mudar o mundo. Depois fui vendo que mudar alguma coisa é mais válido do que viver uma vida lutando em vão. Queria ter voz para poder ajudar alguém a pensar. Queria que todos encontrassem paz nas letras e que as palavras pudessem ter alguma força. Queria atingir as pessoas sem invadir o espaço. Queria ser jornalista, queria ser mais do que só mais uma, queria ser várias. E, foi quase assim, que de estagiária da assessoria de imprensa da rádio virei produtora do Segunda-Feira Sem Lei.
O processo teve quatro partes: vencer o medo da chefe, acreditar que uma ideia poderia virar realidade, encontrar com quem dividir o ideal e não desistir. Foi a Denise e a Bruna que quase me empurraram e eu que quase sem voz falei "Gi, tive uma ideia", ela mal se movimentou e eu continuei, "um programa de música alternativa". Tudo bem diferente do que virou o Segundinha, ela gostou e daí surgiu a dúvida: "quem apresentaria?". Foi quando entrevistei a Pitty para o site. Bem, não diria que entrevistei, sempre falo que a entrevista se perdeu no caminho para virar uma conversa sobre literatura e música. Entre um papo e outro apareceu uma das coisas que mais encantaria na pessoa que ela é: a insatisfação. Pitty é uma insatisfeita com razão. Diferente dos reclamões, usa a insatisfação como combustível para levá-la a outros lugares. Foi exatamente essa insatisfação que me fez querer ter ela por perto. Dessa conversa vieram muitas outras. Nos falamos por twitter, e-mail, entre papos nossos com apoio e ajuda da Gi, tivemos realmente a ideia do que é hoje o Segunda-Feira Sem Lei. Vieram Dani, Beto e Paulo. A gravação do piloto, as fotos de divulgação, o nome, o mecanismo mínimo para fazer tudo funcionar, quase uma gestação. De agosto, lançamento do Chiaroscuro, até a estreia do Segunda-Feira Sem Lei se passaram oito meses.
Mas, minha vida não é só o Segunda-Feira Sem Lei e foi preciso força para aguentar alguns absurdos do caminho. Foi preciso me apegar a essa ideia e acreditar nesse ideal para não largar o processo. E, tudo teve um ponto muito alto no fim do ano passado, me formei na faculdade com o dez que me tirou madrugadas enquanto me dividia entre escrever um livro e trabalhar. E como tudo na minha vida o tema também é amor. "Amor Tátil - os discos de vinil sobrevivem à evolução dos tempos". Meu livro, meu outro filhote. E, motivo ainda maior de orgulho, as nossas Segundas foi eleito programa revelação do rádio de 2010.
Mas, nada disso seria possível sem um monte de pessoas especiais. Pitty pelos cafés, pelas conversas, pelas trocas, pela confiança e por me ajudar a acreditar. A Gislaine pelas broncas, pela cobrança e por acreditar que era possível. Ao Dani, Beto e Paulão por também terem acreditado. (Dani, obrigada pelas caronas também). A Denise por estar SEMPRE junto. Ao Johnny por me deixar chorar e rir na sala dele sempre que as coisas ficavam complicadas demais. Ao Siba pela plástica e pelo carinho na edição do programa. A Livya, Rosangela, Dinho, Bruna Marconi, Leandro, Thaís, Debora Fala, os cariocas e todo mundo que teve sempre junto. Enfim, graças a todos que fazem da Transamérica e da minha vida, um lugar melhor.
quarta-feira, abril 13, 2011
whatever tomorrow brings i'll be there
Nada de diferente já que as coisas seguiam o curso normal da vida e a monotonia me fazia agir por inércia. Foi quando, como quem não quer nada, você apareceu. Mudou o ritmo das minhas músicas, desfez a minha rotina e me deu novos hábitos. Surgiu justamente quando eu tinha achado poesia no estar só e me fez querer rimar. Me fez pensar que duas palavras compatíveis no final formariam um verso muito mais bonito. Me fez diferente.
Foi com a sua habilidade de me fazer confortável que me arrancou confissões, me tirou palavras, me deixou saudades. E, de repente, era você quem dominava os meus pensamentos, por quem esperava de manhã e de quem não dormia sem me despedir.
Assim, meio sem notar, você começou a fazer parte dos meus dias mesmo que por implicância ou birra. Até que, assim, sem avisar, você partiu. Porque Wooddy Allen estava certo: só algo não consumo pode ser romântico. Porém, outra vez para contrariar, no cinema e na vida, ainda prefiro a falta de romantismo dos fatos consumados.
ps: o título é incubus porque fazia tempo que não ouvia. essa aqui: http://youtu.be/vYQXgdBjTMk
Nada de diferente já que as coisas seguiam o curso normal da vida e a monotonia me fazia agir por inércia. Foi quando, como quem não quer nada, você apareceu. Mudou o ritmo das minhas músicas, desfez a minha rotina e me deu novos hábitos. Surgiu justamente quando eu tinha achado poesia no estar só e me fez querer rimar. Me fez pensar que duas palavras compatíveis no final formariam um verso muito mais bonito. Me fez diferente.
Foi com a sua habilidade de me fazer confortável que me arrancou confissões, me tirou palavras, me deixou saudades. E, de repente, era você quem dominava os meus pensamentos, por quem esperava de manhã e de quem não dormia sem me despedir.
Assim, meio sem notar, você começou a fazer parte dos meus dias mesmo que por implicância ou birra. Até que, assim, sem avisar, você partiu. Porque Wooddy Allen estava certo: só algo não consumo pode ser romântico. Porém, outra vez para contrariar, no cinema e na vida, ainda prefiro a falta de romantismo dos fatos consumados.
ps: o título é incubus porque fazia tempo que não ouvia. essa aqui: http://youtu.be/vYQXgdBjTMk
domingo, abril 10, 2011
your gaze is dangerous
Angústia, esse nó que dá no fundo do peito e sobe para a garganta enquanto confunde os pensamentos. Essa coisa que sinto o tempo inteiro e não consigo colocar em palavras. Foi tudo em um espaço de tempo minúsculo, cresci de repente, conquistei respeito pelo meu trabalho e já não sou mais menina. Mulher de mil vidas, de mil dúvidas, de mil vontades contraditórias.
Sinto falta do chá que minha vó ela fazia pra eu dormir quando passava as férias na bahia. Sinto falta das férias na bahia, um mês com pé no chão, andando de bicicleta com meus primos, das guerras de água, do andar quilômetros só porque cismou que quer tirar uma manga da árvore. Sinto falta de quando cismava com pequenas besteiras e do jeito que conseguia sentir tudo. Agora? Esse nó. Do passado? Alguns poucos e bons amigos.
Faz dias que os dias estão mais coloridos só que em dias de nostalgia a minha memória me trai. Por masoquismo ouço mil vezes uma música que me lembra um monte de coisas e sinto falta de outras que não vivi. Passo pelos mesmos lugares só para testar os limites do tempo e continuo mudando de rota, de bar, de fuga. E sigo, sigo, sigo para onde? Também não sei.
Angústia, esse nó que dá no fundo do peito e sobe para a garganta enquanto confunde os pensamentos. Essa coisa que sinto o tempo inteiro e não consigo colocar em palavras. Foi tudo em um espaço de tempo minúsculo, cresci de repente, conquistei respeito pelo meu trabalho e já não sou mais menina. Mulher de mil vidas, de mil dúvidas, de mil vontades contraditórias.
Sinto falta do chá que minha vó ela fazia pra eu dormir quando passava as férias na bahia. Sinto falta das férias na bahia, um mês com pé no chão, andando de bicicleta com meus primos, das guerras de água, do andar quilômetros só porque cismou que quer tirar uma manga da árvore. Sinto falta de quando cismava com pequenas besteiras e do jeito que conseguia sentir tudo. Agora? Esse nó. Do passado? Alguns poucos e bons amigos.
Faz dias que os dias estão mais coloridos só que em dias de nostalgia a minha memória me trai. Por masoquismo ouço mil vezes uma música que me lembra um monte de coisas e sinto falta de outras que não vivi. Passo pelos mesmos lugares só para testar os limites do tempo e continuo mudando de rota, de bar, de fuga. E sigo, sigo, sigo para onde? Também não sei.
quarta-feira, março 23, 2011
i've got life, i'm gonna keep it
Tem horas que não pertencer é quase uma alegria. Os lugares que não me cabem, de onde não sou, de tudo que não quero participar. Me sinto bem em olhar e não estar. Me sinto bem no voyeurismo da vida cotidiana. Mas, tem horas, que é clausura. Tem horas que queria entrar na roda, aquela roda viva que o Caio F fala em "Dama da Noite". Procurei uma palavra, em vão, procurei uma definição que me fizesse entender esse sentir desencontrado. Uma palavra entre todas na língua portuguesa, na inglesa, com sorte uma qualquer que me fizesse entender (?). Foi quando a garota me deu uma: inadequada.
Sou inadequada como a alegria no velório e o tênis no casamento. Por dentro e por fora. Me sinto plena em instantes pequenos que as vezes se medem com tempo e outras com o vento. Entorpecida de vida, irritada com motivos banais, cansada dos jogos e dos interesses que não me interessam. Quero muito até não querer mais. Não quero até simplesmente querer. Me reservo o direito de mudar. Minha rebeldia é necessidade, meu grito é mudo e os meus pensamentos se revelam em letras miúdas. Sou a contra indicação que se lê em letras pequenas, sou a clausura do contrato que não pode assinar sem ler.
A frase que vou levar na pele me dá segurança e me atormenta. Eterno Retorno. Tudo voltando, os mesmos sentimentos, a possibilidade que a teoria do Nietzsche me dá de revisitar o passado de mim mesma, é repetição até uma leve mudança aconteça, uma que não mais se repetirá quando for tudo outra vez. É a possibilidade de me passar a limpo ainda aqui, mesmo que em outra situação, mesmo que com outra pessoa. Sou eu me repetindo, me repetindo, me repetindo até que... até que não sei.
Quem sabe um dia eu caiba e me adeque, quem sabe é sina e não muda, quem sabe é assim e uma outra hora será assado. Mas, sei, agora... crua.
ps: o título é uma frase de uma música linda da Nina Simone, que você ouve aqui.
Tem horas que não pertencer é quase uma alegria. Os lugares que não me cabem, de onde não sou, de tudo que não quero participar. Me sinto bem em olhar e não estar. Me sinto bem no voyeurismo da vida cotidiana. Mas, tem horas, que é clausura. Tem horas que queria entrar na roda, aquela roda viva que o Caio F fala em "Dama da Noite". Procurei uma palavra, em vão, procurei uma definição que me fizesse entender esse sentir desencontrado. Uma palavra entre todas na língua portuguesa, na inglesa, com sorte uma qualquer que me fizesse entender (?). Foi quando a garota me deu uma: inadequada.
Sou inadequada como a alegria no velório e o tênis no casamento. Por dentro e por fora. Me sinto plena em instantes pequenos que as vezes se medem com tempo e outras com o vento. Entorpecida de vida, irritada com motivos banais, cansada dos jogos e dos interesses que não me interessam. Quero muito até não querer mais. Não quero até simplesmente querer. Me reservo o direito de mudar. Minha rebeldia é necessidade, meu grito é mudo e os meus pensamentos se revelam em letras miúdas. Sou a contra indicação que se lê em letras pequenas, sou a clausura do contrato que não pode assinar sem ler.
A frase que vou levar na pele me dá segurança e me atormenta. Eterno Retorno. Tudo voltando, os mesmos sentimentos, a possibilidade que a teoria do Nietzsche me dá de revisitar o passado de mim mesma, é repetição até uma leve mudança aconteça, uma que não mais se repetirá quando for tudo outra vez. É a possibilidade de me passar a limpo ainda aqui, mesmo que em outra situação, mesmo que com outra pessoa. Sou eu me repetindo, me repetindo, me repetindo até que... até que não sei.
Quem sabe um dia eu caiba e me adeque, quem sabe é sina e não muda, quem sabe é assim e uma outra hora será assado. Mas, sei, agora... crua.
ps: o título é uma frase de uma música linda da Nina Simone, que você ouve aqui.
sábado, março 12, 2011
Conquista
Tem horas que é carinho. Outras o simples gosto pelo desafio. Em alguns momentos, a delícia da conquista. Tem horas que é necessidade de estar só e outras que sinto falta de dividir. Em alguns dias quero dominar o mundo e em outros prefiro assistir filme comendo chocolate enquanto o mundo me domina em silêncio. Me importa o pensamento que se completa, o abraço que preenche, o outro lado que me faz sorrir, o respeito e a confiança. Me importa tanta coisa tão difícil de encontrar em um. Confesso que me divido em milhares para esconder em cada um desses pedaços, a essência que nunca mostro, por medo ou precaução.
Gosto de pensar nas matrioshkas, uma dentro da outra até sobrar só uma menor, a única que não é oca. Como se tudo coubesse dentro de tão pouco e todas as outras fossem tudo que somos obrigados a vestir, as personas que precisamos assumir, tudo que se esconde por medo ou necessidade, por precaução ou indecisão, por vontade ou ausência dela.
De tudo que perdi, me faz feliz o que acabei de reconquistar, a capacidade de me apaixonar. Por um livro que diz demais. Por um filme que ultrapassa a barreira da indiferença. Por uma música que me faz fechar os olhos e sorrir. Por um curso bobo que me aponta um novo horizonte. Pela ausência de obrigações maiores do que as que assumo apenas comigo. Por alguém, por um, por ninguém. Tenho de volta a possibilidade de. E, confesso, o mundo das possibilidades me encanta.
Tem horas que é carinho. Outras o simples gosto pelo desafio. Em alguns momentos, a delícia da conquista. Tem horas que é necessidade de estar só e outras que sinto falta de dividir. Em alguns dias quero dominar o mundo e em outros prefiro assistir filme comendo chocolate enquanto o mundo me domina em silêncio. Me importa o pensamento que se completa, o abraço que preenche, o outro lado que me faz sorrir, o respeito e a confiança. Me importa tanta coisa tão difícil de encontrar em um. Confesso que me divido em milhares para esconder em cada um desses pedaços, a essência que nunca mostro, por medo ou precaução.
Gosto de pensar nas matrioshkas, uma dentro da outra até sobrar só uma menor, a única que não é oca. Como se tudo coubesse dentro de tão pouco e todas as outras fossem tudo que somos obrigados a vestir, as personas que precisamos assumir, tudo que se esconde por medo ou necessidade, por precaução ou indecisão, por vontade ou ausência dela.
De tudo que perdi, me faz feliz o que acabei de reconquistar, a capacidade de me apaixonar. Por um livro que diz demais. Por um filme que ultrapassa a barreira da indiferença. Por uma música que me faz fechar os olhos e sorrir. Por um curso bobo que me aponta um novo horizonte. Pela ausência de obrigações maiores do que as que assumo apenas comigo. Por alguém, por um, por ninguém. Tenho de volta a possibilidade de. E, confesso, o mundo das possibilidades me encanta.
quarta-feira, março 09, 2011
Jogo que nada diz
Tem dias que não cabe no dia e a noite se desfaz na madrugada. Tem razão que desconhece o significado de ser e se torna apenas um sentir desconhecido. Me pego visitando novos lugares, conhecendo novos jeitos de ser eu mesma, me reencontrando no desencontro de vidas que se perdem e razões que se esquecem. Estava acostumada a fazer da vida um jogo simples, sabia o que me levava e até onde queria ir, conhecia as estradas e não me deixava sair meio milimetro dos sentimentos que conhecia. Foi como estalo, um momento que você não vê chegar, uma história que você não sabe como escrever. É como algo que não consigo explicar e não sei se quero sentir. É a luta vã contra tudo é vão. É um jogo de palavras informais representando algo que não conheço a lógica. É muito e continua sendo nada. É simplesmente o que é, enfim...
Tem dias que não cabe no dia e a noite se desfaz na madrugada. Tem razão que desconhece o significado de ser e se torna apenas um sentir desconhecido. Me pego visitando novos lugares, conhecendo novos jeitos de ser eu mesma, me reencontrando no desencontro de vidas que se perdem e razões que se esquecem. Estava acostumada a fazer da vida um jogo simples, sabia o que me levava e até onde queria ir, conhecia as estradas e não me deixava sair meio milimetro dos sentimentos que conhecia. Foi como estalo, um momento que você não vê chegar, uma história que você não sabe como escrever. É como algo que não consigo explicar e não sei se quero sentir. É a luta vã contra tudo é vão. É um jogo de palavras informais representando algo que não conheço a lógica. É muito e continua sendo nada. É simplesmente o que é, enfim...
domingo, março 06, 2011
"vai sobrar carinho se faltar estrada ou carnaval"
Talvez seja essa a graça da vida. O jeito simples de resolver o que se complica sem necessidade. O que vai me fazer acordar leve e dormir sorrindo. É o jeito que a menina olha e o rapaz comemora. É o detalhe pequeno que você percebe. É a maneira peculiar que alguém segura o seu dedo, como um neném segura os dedos dos adultos, como o carinho tímido de gente grande.
Talvez seja esse o grande lance do agora. Se permitir ser sem se preocupar com que há de vir. Torcer pelo melhor sem esconder que aqui dentro existe um abismo de passado e que a sede de futuro parece se saciar pelo momento presente. Se encontrar e se perder nos gestos do acaso. Sorrir pela lembrança que se formou graças a um vacilo certeiro. Repassar os toques de então e pensar como seria bom repetir. Mas, como não vai pesar se não mais acontecer.
Talvez seja esse o grande lance de respirar. Consumir minha própria fumaça, os livros que encontro por vontade seguindo todas as contra indicações, os filmes que assisto até o fim na esperança de que alguma coisa faça ele melhorar e nunca tem nada que faz. Sinto o ar mais firme quando sigo por intuição e não por necessidade.
Talvez seja um qualquer, o tal grande lance, só sei que para mim, todos eles me levam a viver.
Talvez seja essa a graça da vida. O jeito simples de resolver o que se complica sem necessidade. O que vai me fazer acordar leve e dormir sorrindo. É o jeito que a menina olha e o rapaz comemora. É o detalhe pequeno que você percebe. É a maneira peculiar que alguém segura o seu dedo, como um neném segura os dedos dos adultos, como o carinho tímido de gente grande.
Talvez seja esse o grande lance do agora. Se permitir ser sem se preocupar com que há de vir. Torcer pelo melhor sem esconder que aqui dentro existe um abismo de passado e que a sede de futuro parece se saciar pelo momento presente. Se encontrar e se perder nos gestos do acaso. Sorrir pela lembrança que se formou graças a um vacilo certeiro. Repassar os toques de então e pensar como seria bom repetir. Mas, como não vai pesar se não mais acontecer.
Talvez seja esse o grande lance de respirar. Consumir minha própria fumaça, os livros que encontro por vontade seguindo todas as contra indicações, os filmes que assisto até o fim na esperança de que alguma coisa faça ele melhorar e nunca tem nada que faz. Sinto o ar mais firme quando sigo por intuição e não por necessidade.
Talvez seja um qualquer, o tal grande lance, só sei que para mim, todos eles me levam a viver.
terça-feira, março 01, 2011
na linha direta de xangô, saravá!
Não é que sinta falta de você. Sinto falta de mim e do que eu sou com você por perto. Da quase plena ausência dessa sede constante de uma busca que nunca chega ao fim, só que se acalma ao seu lado. Das neuras que se dividem já que você compartilha de tantas e tão semelhantes. De aprender enquanto você me dá soluções simples para os problemas que acho gigantescos. De me esforçar para transpor a barreira que a minha juventude cria entre nós. Dos links, dos filmes, dos livros que se trocam em conversas bobas no meio da tarde.
Meu dom para gostar do complicado te escolheu no meio de tantos outros que poderiam apenas ser simples. Um caminhão de impossibilidades que parecem brincar com o encontro transformando isso no samba que diz "a vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida". Cantado em grandes versos pela preto mais branco que existe. Enquanto sigo parafraseando, tem que horas me que pego querendo ter o talento do Vinicius de Moraes só para transformar tudo em poesia com melodia que leva para frente do mar e transforma a tempestade em pôr-do-sol.
ps. quem clicar no título ouve uma das mais músicas com mais bela letra.
Não é que sinta falta de você. Sinto falta de mim e do que eu sou com você por perto. Da quase plena ausência dessa sede constante de uma busca que nunca chega ao fim, só que se acalma ao seu lado. Das neuras que se dividem já que você compartilha de tantas e tão semelhantes. De aprender enquanto você me dá soluções simples para os problemas que acho gigantescos. De me esforçar para transpor a barreira que a minha juventude cria entre nós. Dos links, dos filmes, dos livros que se trocam em conversas bobas no meio da tarde.
Meu dom para gostar do complicado te escolheu no meio de tantos outros que poderiam apenas ser simples. Um caminhão de impossibilidades que parecem brincar com o encontro transformando isso no samba que diz "a vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida". Cantado em grandes versos pela preto mais branco que existe. Enquanto sigo parafraseando, tem que horas me que pego querendo ter o talento do Vinicius de Moraes só para transformar tudo em poesia com melodia que leva para frente do mar e transforma a tempestade em pôr-do-sol.
ps. quem clicar no título ouve uma das mais músicas com mais bela letra.
domingo, fevereiro 20, 2011
little by little by hook or by crook
Me sinto espectadora da minha própria vida. Não sei mais o que de mim se faz. Assisto a tudo tomando o ritmo e seguindo o passo que não consigo acompanhar. É ruim gostar e está sendo pior, não mais gostar. Me perdi nas voltas da minha vida, não tenho mais as palavras certas, não recorro mais para as frases prontas que um dia você me deu, a busca agora não tem um guia e hoje percebo que se você foi minha bússola, foi graças a isso que não me perdi.
As luzes brilham muito lá fora, a noite me fascina, abraço a irresponsabilidade enquanto me perco. Cada dia um pouco mais longe de mim. Tô cansada dessa vida toda para fora, sem conseguir olhar o que levo dentro já que todas as impossibilidades me machucam. Minha vida tal como um dia existiu, já não mais me pertence, sinto falta dos abraços e das noites que se transformavam em melodia. Sinto falta dos domingos e do jeito que parecia existir um acordo com a paz. Sinto falta de estar dentro de mim sem que me ocorra nenhum momento ruim. Sou muito do tudo que não consegui desfazer. Alguma parte ainda está no passado, sem conseguir dar um pulo até o presente e me deixar seguir para o futuro. Voltas, voltas, voltas. Angústia. Fim.
Me sinto espectadora da minha própria vida. Não sei mais o que de mim se faz. Assisto a tudo tomando o ritmo e seguindo o passo que não consigo acompanhar. É ruim gostar e está sendo pior, não mais gostar. Me perdi nas voltas da minha vida, não tenho mais as palavras certas, não recorro mais para as frases prontas que um dia você me deu, a busca agora não tem um guia e hoje percebo que se você foi minha bússola, foi graças a isso que não me perdi.
As luzes brilham muito lá fora, a noite me fascina, abraço a irresponsabilidade enquanto me perco. Cada dia um pouco mais longe de mim. Tô cansada dessa vida toda para fora, sem conseguir olhar o que levo dentro já que todas as impossibilidades me machucam. Minha vida tal como um dia existiu, já não mais me pertence, sinto falta dos abraços e das noites que se transformavam em melodia. Sinto falta dos domingos e do jeito que parecia existir um acordo com a paz. Sinto falta de estar dentro de mim sem que me ocorra nenhum momento ruim. Sou muito do tudo que não consegui desfazer. Alguma parte ainda está no passado, sem conseguir dar um pulo até o presente e me deixar seguir para o futuro. Voltas, voltas, voltas. Angústia. Fim.
quinta-feira, fevereiro 17, 2011
heaven is a feeling I get in your arms
Tem abraços que nunca esqueço, como se o instante fosse eternizado, os braços ao redor do corpo do outro enquanto um suspiro denúncia a falta que fez a ausência. Não são só abraços de amor. São abraços de encontro e reencontro. São abraços que entregam o tamanho do coração de alguém. São abraços tímidos, são abraços cruzados, são abraços onde se sente mais perto, são abraços que se fazem distantes. Para mim, as amizades, amores talvez efêmeras paixões surgem desses pequenos instantes. Só então se fazem as palavras, se trocam ideias, surge o silêncio que conforta, os sms preocupados, as mensagens engraçadas. Se escreve uma história e se muda o rumo dela enquanto os desentendimentos correm ao lado.
Não lembro de muitas coisas. Do passado, reservo os abraços e conservo os cheiros. Relembro a melodia da respiração que se torna música enquanto na minha cabeça se faz uma sinfonia qualquer.
Por gosto e precaução prefiro seguir entre abraços, silêncios e melodias.
Tem abraços que nunca esqueço, como se o instante fosse eternizado, os braços ao redor do corpo do outro enquanto um suspiro denúncia a falta que fez a ausência. Não são só abraços de amor. São abraços de encontro e reencontro. São abraços que entregam o tamanho do coração de alguém. São abraços tímidos, são abraços cruzados, são abraços onde se sente mais perto, são abraços que se fazem distantes. Para mim, as amizades, amores talvez efêmeras paixões surgem desses pequenos instantes. Só então se fazem as palavras, se trocam ideias, surge o silêncio que conforta, os sms preocupados, as mensagens engraçadas. Se escreve uma história e se muda o rumo dela enquanto os desentendimentos correm ao lado.
Não lembro de muitas coisas. Do passado, reservo os abraços e conservo os cheiros. Relembro a melodia da respiração que se torna música enquanto na minha cabeça se faz uma sinfonia qualquer.
Por gosto e precaução prefiro seguir entre abraços, silêncios e melodias.
terça-feira, fevereiro 15, 2011
mudou, mudei, mudamos
De repente me pego fazendo planos para o futuro que descartam as mágoas do passado. Vontades que me levam para o desconhecido, me fazem ter coragem e vontade outra vez. Quero tudo o que tiver de novo. Quero poder sentir sem me preocupar com as aparências. Quero me perder e me encontrar, quero me sentir gigante e pequenina, quero vacilar entre extremos para me encontrar em algum ponto entre o que fui, o que sou, o que serei. Quero da liberdade o que ela pode me dar. Quero do ar a leveza que me ajude a flutuar. Quero só ter a certeza de que foi necessário passar. E, daqui pra frente, não existe nada que me faça voltar a rodar. Saí do círculo onde caminhei. Saí da roda e em linhas tortas, algum dia, eu chego. Onde? Não sei.
De repente me pego fazendo planos para o futuro que descartam as mágoas do passado. Vontades que me levam para o desconhecido, me fazem ter coragem e vontade outra vez. Quero tudo o que tiver de novo. Quero poder sentir sem me preocupar com as aparências. Quero me perder e me encontrar, quero me sentir gigante e pequenina, quero vacilar entre extremos para me encontrar em algum ponto entre o que fui, o que sou, o que serei. Quero da liberdade o que ela pode me dar. Quero do ar a leveza que me ajude a flutuar. Quero só ter a certeza de que foi necessário passar. E, daqui pra frente, não existe nada que me faça voltar a rodar. Saí do círculo onde caminhei. Saí da roda e em linhas tortas, algum dia, eu chego. Onde? Não sei.
sábado, fevereiro 12, 2011
looking out on the substitute scene
De repente uma preguiça das coisas e dos outros. Dos outros que misturam as suas vontades com as minhas e transformam a sua projeção em expectativa. Inventam o que preciso ser, como devo me portar, quais são os lugares que devo frequentar. Recriam as amarras infantis que me prendiam a vontade dos meus pais, quando minha mãe fazia de mim a boneca que ela adoraria que eu tivesse sido. Fazem parecer ser completamente inaceitável não corresponder as vontades de um grupo que nunca pedi para fazer parte. Considero rock coisas que o rock não se veste. Respeito a entrega da Elis Regina e das mulheres do jazz. Não tiro de mim a admiração pelas coisas que não se encaixam. Como uma noite no Pelourinho assistindo um ensaio do Olodum. Me reservo o direito as experiências que não preciso classificar.
Tem horas que queria apenas não estar. Me soltar das expectativas dos outros e conseguir voar mais alto. Tem horas que queria apenas estar em pleno voo e não estar sozinha. Quero respeito aos pensamentos que não se completam já que a insistência se torna um fardo. De repente, sumo, desligo o celular e a vida, não respondo e-mails e me coloco a disposição da minha cabeça. Transformo a busca em palavras, esclareço os dias e reforço as vontades.
Já não me diz nada as voltas do meu passado. Andando em círculos, nunca sai do lugar, só aprofundei as pegadas já que os meus pés seguiam sempre o mesmo caminho. Me tornei previsível, irrisível, sem graça e sem cor. Até que... De repente, a vida mude de rumo e você nem vê. Chove lá fora e a vida volta a sorrir aqui dentro.
De repente uma preguiça das coisas e dos outros. Dos outros que misturam as suas vontades com as minhas e transformam a sua projeção em expectativa. Inventam o que preciso ser, como devo me portar, quais são os lugares que devo frequentar. Recriam as amarras infantis que me prendiam a vontade dos meus pais, quando minha mãe fazia de mim a boneca que ela adoraria que eu tivesse sido. Fazem parecer ser completamente inaceitável não corresponder as vontades de um grupo que nunca pedi para fazer parte. Considero rock coisas que o rock não se veste. Respeito a entrega da Elis Regina e das mulheres do jazz. Não tiro de mim a admiração pelas coisas que não se encaixam. Como uma noite no Pelourinho assistindo um ensaio do Olodum. Me reservo o direito as experiências que não preciso classificar.
Tem horas que queria apenas não estar. Me soltar das expectativas dos outros e conseguir voar mais alto. Tem horas que queria apenas estar em pleno voo e não estar sozinha. Quero respeito aos pensamentos que não se completam já que a insistência se torna um fardo. De repente, sumo, desligo o celular e a vida, não respondo e-mails e me coloco a disposição da minha cabeça. Transformo a busca em palavras, esclareço os dias e reforço as vontades.
Já não me diz nada as voltas do meu passado. Andando em círculos, nunca sai do lugar, só aprofundei as pegadas já que os meus pés seguiam sempre o mesmo caminho. Me tornei previsível, irrisível, sem graça e sem cor. Até que... De repente, a vida mude de rumo e você nem vê. Chove lá fora e a vida volta a sorrir aqui dentro.
quarta-feira, fevereiro 09, 2011

É difícil entrar no mais fundo de mim e perceber coisas das quais não gosto. É complicado admitir que existem medos inconfessáveis de tão banais. Sinto que a cada passo fica ainda maior a estrada dessa busca sem fim por respostas que só se traduzem em mais perguntas.
Partes de mim se trocam por novidades, como se fosse abrindo espaço na vida enquanto me reservo o direito de mudar. O que ontem me interessou hoje já pode não me dizer mais nada. São pequenas mortes, entre o lado negro e a claridade, entre a realidade e o ideal. Me lembro exatamente do momento em que notei que nada jamais voltaria para o lugar de origem, um vacilo certeiro e um novo mundo de possibilidades complexas se abriu diante dos meus olhos.
Faz pouco me pediram para "assumir as responsabilidades", foi literal e o caso se explica. Mas, diante disso me vi na beirada da minha vida olhando para dentro e notando quantas vezes deixei o momento de apenas ter coragem de assumir a responsabilidade. Porque uma das frases do filme (aquele que mexeu com tudo aqui dentro) que mais ecoa na minha cabeça é "você poderia ser brilhante, só que é uma covarde". Isso, sempre, para todo mundo, somos covardes quando deixamos as responsabilidades em segundo plano ou quando nos tornamos tão apegados as regras que vivemos de convenções. Somos covardes. E, quanto de coragem será necessário, para olhar para dentro sem medo do que vai encontrar?
Me pego separando o que me tem. Contando quantas sou para ser apenas uma. Revisito o passado para resgatar algumas coisas que larguei no chão da sala que nunca mais entrei. Dou como mania o hábito de fugir dos que me conhecem, tem horas que prefiro o olhar vazio de quem nada sabe sobre mim, é confortável se esconder nas aparências, sem que ninguém seja capaz de tocar no mais fundo de mim. Faço pose enquanto engano o espectador. Escondo mágoas nas risadas, dúvidas em frases já pensadas e segredos em piadas.
Sei que no fim, depois que uma peça muda de tamanho ela nunca mais se encaixa no mesmo lugar. Enquanto a transição não está completa, sigo sempre vivendo entre várias, eu, uma.
domingo, fevereiro 06, 2011
you make me feel
Te quero em segredo, escrevendo nas entrelinhas da minha vida, preenchendo o lugar que guardei para você. Viajar para um lugar onde ninguém nos conheça e viver a vida como personagens de um filme bobo. Depois voltar para a realidade, para o café da manhã, com as suas manias. Te quero para discordar dos filmes que eu gosto e para me mostrar os filmes de época que ainda não vi. Te quero para questionar minhas verdades enquanto aceita as minhas diferenças. Te quero para ouvir as suas histórias enquanto escrevemos a nossa. Te quero para me fazer acreditar que tudo é possível. Te quero para sentir falta sempre que você não estiver e sentir sede da sua presença. Te quero para sorrir das frases bobas, dos seus pensamentos que se confessam em horas e das nossas besteiras. Te quero no fim da tarde olhando o pôr-do-sol. Te quero na manhã seguinte. Te quero uma noite inteira. Te quero no domingo a tarde. Te quero para entender porque foi você e é sempre só você.
Te quero em segredo, escrevendo nas entrelinhas da minha vida, preenchendo o lugar que guardei para você. Viajar para um lugar onde ninguém nos conheça e viver a vida como personagens de um filme bobo. Depois voltar para a realidade, para o café da manhã, com as suas manias. Te quero para discordar dos filmes que eu gosto e para me mostrar os filmes de época que ainda não vi. Te quero para questionar minhas verdades enquanto aceita as minhas diferenças. Te quero para ouvir as suas histórias enquanto escrevemos a nossa. Te quero para me fazer acreditar que tudo é possível. Te quero para sentir falta sempre que você não estiver e sentir sede da sua presença. Te quero para sorrir das frases bobas, dos seus pensamentos que se confessam em horas e das nossas besteiras. Te quero no fim da tarde olhando o pôr-do-sol. Te quero na manhã seguinte. Te quero uma noite inteira. Te quero no domingo a tarde. Te quero para entender porque foi você e é sempre só você.
quinta-feira, janeiro 27, 2011
Entre singular e plural
Uma parte de mim quer altura e a outra melodia. Uma parte quer movimento e a outra calmaria. Uma parte quer conhecer o mundo e a outra quer apenas se conhecer. Uma parte de mim quer refazer o caminho e a outra prefere mudar de estrada. Uma parte quer reescrever a história e a outra adoraria uma folha em branco. Uma quer uma festa enorme e a outra prefere a solidão do quarto vazio. Uma parte quer fazer do mundo o quintal da sua casa e a outra faz do quintal de casa o seu mundo. Uma parte é fácil e a outra complexa. Uma parte é tolerante e a outra não entende as pessoas. Sempre trocando passos com a maldição da pluralidade de quem nunca aprendeu a ser singular. Por medo e precaução, se mantém longe dos extremos e por isso se sente inerte.
Uma parte de mim quer altura e a outra melodia. Uma parte quer movimento e a outra calmaria. Uma parte quer conhecer o mundo e a outra quer apenas se conhecer. Uma parte de mim quer refazer o caminho e a outra prefere mudar de estrada. Uma parte quer reescrever a história e a outra adoraria uma folha em branco. Uma quer uma festa enorme e a outra prefere a solidão do quarto vazio. Uma parte quer fazer do mundo o quintal da sua casa e a outra faz do quintal de casa o seu mundo. Uma parte é fácil e a outra complexa. Uma parte é tolerante e a outra não entende as pessoas. Sempre trocando passos com a maldição da pluralidade de quem nunca aprendeu a ser singular. Por medo e precaução, se mantém longe dos extremos e por isso se sente inerte.
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