quinta-feira, janeiro 03, 2013

Time will bring the real end of our trial 

 Absolutamente nada. É mais ou menos isso que sinto faz vários dias. Nem conforto, nem raiva, nem carinho, nem mágoa, nem euforia, nem tristeza. É só uma felicidade mansa e um vazio que termina em paz.

 Na minha mente nada fica, os pensamentos sumiram e os questionamentos do depois já não me encontram. O agora é o momento certo. Aqui, em movimento, no vazio. É como se tivesse limpado os armários, arrumado a casa, tirado o que não importa e liberado espaço. Sorrio mesmo quando o trânsito não colabora. Não me irrito de chegar molhada no trabalho (porque esqueci o guarda-chuva em casa). Vejo flores onde não tem. Não dependo de companhia porque já não me importa as ausências. Não que tenha endurecido, mas cresci, valorizo o que chega e não me pede compreensão para estar.

 É ano de planos possíveis, sonhos grandiosos, encontros harmônicos e alegria mansa (porque essa dura depois da euforia).

 No mais, ao acaso estou, plena e vazia.


ps. o título é de Pretty Wings do Maxwell, nada mais caberia tão bem. :)

segunda-feira, novembro 26, 2012

"Te inventei porque você não existia"

É natural que não tenha sido na nossa cidade. Tenho me sentido cada vez mais cidadã do mundo enquanto me esparramo pelos estados do nosso país. Deixo em cada canto um pedaço. O sorriso da minha família na Bahia. O encanto dos meus amigos no Rio. O aconchego da proximidade e o mais perto de ser raiz em São Paulo. Em cada estado deixo um estado de mim.

 Foi no Rio que deixei a graça de ter você. Foi lá que acabou a espera e recomeçou o encanto. No campo do desencontro e da impossibilidade nós demos aula. Na universidade das impossibilidades somos mestres. No universo da poesia nos construímos em rimas pobres. Em prosa fizemos contos e nos encontros desfazemos possibilidades. Foi naquela viagem com o grupo de amigos marcados pelo tempo e por desentendimentos. Nunca fui de fácil tato. Abstraio, mudo, me refaço longe e quase nunca volto. O destino era o Rio e os outros também eram nós.

 Neguei o café no restaurante da Lapa porque queria chegar cedo em Santa Teresa, você resolveu me acompanhar e nós subimos a pé. Foi quando me abraçou demonstrando ter o meu mapa em suas mãos, os seus dedos ao redor de mim, brincando com o segredo que guardo nas costas. Te perguntei o que você queria e você me soltou. Me acusou de quebrar o encanto. Destacou erros seus que não existem, nunca existiram, não te cabem. O papel de mártir você nunca desempenhou bem. A fraqueza encobre o seu talento em ser. E nada disso me parece seu. Te fiz olhar nos meus olhos e me dizer o que era aquilo. Você se virou apressando o passo.

 Fiquei olhando você ir, de novo. Pensando como nunca fiz efetivamente nada, a não ser estar paciente, te escrevendo em mil textos que sempre foram só meus. Foi quando te parei mais uma vez e te dei um beijo. Daqueles que se perdem no tempo do que ficou para trás e apagam inúmeras certezas. Daqueles que cabem carinho e desejo.

 Nós afastamos sem dizer nada enquanto continuávamos subir até Santa Teresa. Notava seu nervosismo e poderia prever que suas pernas tremeriam mais do que o comum. Lembro do seu infinito tique com o qual adoro implicar. Nas aulas da faculdade evitava sentar na sua frente, me irritava o seu all star pendurado na minha cadeira enquanto suas pernas incansáveis e insanas, se mexiam.

 Você falou algo sobre certo e errado. Falamos sobre acertos e erros. Te falei mais uma vez sobre o meu tempo estar no agora. Não acredito em uma felicidade plena e eterna. Acredito em momentos felizes plenos e duradouros, me garanto o direito de criar e viver vários, coloco eles na minha história. Chegamos a Santa Teresa... pensamos em descer para conversar com eles e contar sobre nós... Mas, daí, o meu celular tocou e eu acordei...

 Foi isso (também) um sonho.



domingo, novembro 25, 2012

Muito além do tempo regulamentar

Tenho pensado no tempo faz alguns dias. Foram duas conversas que me levaram a revisitar o meu passado a procura do que me fez ser como sou. Tem dias que me sinto frágil como uma garota de 15 anos e outros que me sinto com a minha idade do tempo. Tem dias que me sinto maior e mais velha. Tem dias que o tempo é o meu tempo.

 Tem sido difícil conhecer pessoas novas. Parece que a ausência de horas faz a gente começar mais a cativar do que plantar. O conforto da compreensão dos meus velhos amigos ao invés de descobrir o som de novas risadas (mesmo sabendo como me faz falta)... Conheci alguém que prontamente me falou "gostei do seu estilo" (?) e de imediato fiz aquela cara que prevê o "você é tão alternativa, descolada, blablabla", essas coisas todas que de tão simplistas apenas me mostram que estou diante de quem não... nada. Mas, dessa vez, fui surpreendida e levada a refletir.

 Me formei e me fiz jornalista muito cedo, tive que amadurecer rápido pro mundo não me engolir. Tenho uma pose que encobre plenamente a minha fragilidade. Me tornei alguém muito mais prática do que gostaria. Não me entrego, não me abro, não me largo, quase não me deixo. Volto para dentro do meu casulo sempre que alguém ensaia me tocar demais. Confesso que a compreensão me assusta mais do que a incompreensão. Venho andando em círculos porque voltas completas me deixam no mesmo lugar.

 Mas, sinto falta, de novos sorrisos, de novidades, de me abrir a possibilidade de encontrar alguém que mude a ordem natural do meu mundo que sempre me leva de volta para quem e para onde não deveria...Quero abandonar os círculos e andar em retas porque é a estrada que me interessa. A que me leva... enfim.


ps. o título uma frase de Um a Um do Tribalistas, clicaqui.

quarta-feira, novembro 21, 2012

Passarinho

 É quase ver a vida passar a limpo nossa história. Novos personagens dentro dos mesmos papéis representando diante de um cenário impressionantemente semelhante. Observando tanto desencontro me encontro diante de quem representa você, chorando com os braços envoltos em mim, se segurando nos meus ombros enquanto não sei o que garantir. Vai ficar tudo bem? Acho que sim, para nós, ficou. Ficou mesmo? Se somos praticamente estranhos e quase não nos falamos?

 Não digo que tudo vai ficar bem... apenas confirmo que vai passar. Tudo passa. Sempre passa. "Eles passarão, eu passarinho" como sabiamente diria Mário Quintana.

segunda-feira, novembro 05, 2012

Kriptonita

Hoje passei o dia com saudades de você. Espero dormir e acordar amanhã sem ela. Não foi uma dessas que dá e passa. Nem tão pouco aquela que se revira lembranças boas e se encontra calma. A cada nova lembrança que esbarrei encontrei só mais falta.

 A cada nova música da banda que me fez te conhecer reencontrava cada uma das noites e dos shows. Me esquivei dela, ouvi outras e daí lembrei da tarde que passamos mexendo nos seus CDs. Lembrei com um sorriso terno de como você sabia da história da cada um deles. Do seu primeiro emprego e dos que você adquiriu com ele. Dos que se seguiram e da loja que você sempre ia comprar camisetas.

 Lembrei das nossas mochilas iguais e do quanto fiquei te irritando falando que era um modelo feminino. Da Fiona Apple no café da faculdade. Do quanto confio e confiava no seu talento, na sua sensibilidade, na sua habilidade para diagramar meus textos e no cuidado que teve com o layout antigo do Claritromicina.

 Com cuidado senti falta dos três anos que passamos perto e fiquei triste quando por motivos dispersos passamos três anos voluntariamente longe. Agora, nesse que a distância é enorme, hoje me coube sentir toda falta dos últimos tempos... de você.

 Meu amigo, meu querido e talentoso, amigo. Sorte, fé e volta logo!



quinta-feira, novembro 01, 2012

they all want to free the cause

 Eu sei que você não esperava de mim, tanto tempo depois, compreensão. Entendo cada um dos seus passos, me peguei repetindo eles, com outro alguém. Me peguei sendo envolta neles, do mesmo jeito, mais uma vez. Me repetindo e te repetindo. Em tanto tempo infinito.

 Ainda quero te ver dando voltas no mundo. Quero saber da sua última viagem, da língua estranha que você está estudando, da nova vontade que te acometeu. Quero saber dos seus planos e dos seus desenganos.

 Gosto de saber que você ainda lembra do meu livro preferido e de sentir o conforto que você me provoca. Você vai ser sempre um fantasma nos meus relacionamentos, o mais alto grau de comparação, o mais sereno grau de reprovação. É e será o medo de quem se aproxima. É e será. Mesmo que já não seja. Mesmo que eu já seja fria demais para te entender. Mesmo que já não me importe mais tanto assim a ponto de ter racionalizado o que senti. Não sinto... Mas, agora, entendo. Finalmente, te entendo.

domingo, outubro 28, 2012

No pulso da flor

Faz alguns dias que tenha esbarrado em você. Os shows, os momentos, as frases lidas ou as músicas lembradas. Assisti uma peça que me parecia fazer entender cada momento seu que não compreendi. Não queria a sua presença como não a quero faz meses. A distância que construímos é mais vantajosa que as aproximações destrambelhadas que experimentamos. Entre nós a ponte ruiu. Acabou. É verdade.

 Até agora, nesse instante, nunca te contei sobre o que se seguiu depois daquela noite. O quanto eu chorei. Chorei porque senti sair dos meus ombros o amor que não aconteceu. Chorei com a doçura de uma criança que consegue uma cicatriz depois de um tombo. Chorei com a secura de um adulto que reconhece a dificuldade que existirá em se entregar depois de. Chorei sabendo que me tocaria tudo e qualquer coisa que me lembrasse você. Chorei porque você criou em mim certa sensibilidade que não existia. Chorei pela identificação que de nós restou e que me toca a cada novo clichê ou frase feita. Em prantos me entreguei ao abraço do meu travesseiro e ao aconchego dos meus amigos.

 Ganhei presentes quando superei você. Um deles, um chaveiro que carrego comigo e olho sempre que fraquejo ou quase esqueço. Quase esqueço que te esqueci.

 Sou toda música. Construímos tudo entre elas. Nos escrevemos e escrevemos, como escrevemos, o tempo inteiro. Me vejo representada em frases, melodias e ternos momentos.

 "Não tem nada que eu possa te dizer que vá te fazer ficar. Eu não quero também que você fique por mim. Pra não me fazer sofrer, mais. Até porque isso vai me fazer sofrer muito mais..."




Texto livremente inspirado na peça "Música para cortar os pulsos" e no show Dona Flor. (com doses de realidade, hahahaha).

terça-feira, outubro 09, 2012

Novo tempo 

 Hoje vi que estamos sofrendo de tempo, na verdade, da falta dele. Almocei com uma amiga da faculdade, três anos nos vendo todos os dias, e até hoje três anos sem se ver. O encontro foi daqueles que acontecem porque o acaso contribuiu, uma reunião que descobri ontem me colocou ao lado do trabalho dela e mandei um SMS convidando para almoçar. Tinha apenas quarenta minutos. Foi um almoço de quarenta minutos depois de três anos.

 E, não é só o tempo palpável, são os sonhos que não cabem mais no tempo que sonhávamos antes. Todas as minhas amigas tem planos grandiosos de serem profissionais incríveis, calculam a carreira e os investimentos com precisão cirúrgica enquanto fogem de um compromisso. Meninas, quero afilhados e sobrinhos que adotarei como meus, pelo simples fato de ter amigas irmãs. Mas, de forma realista, não vejo no tempo nenhuma previsão disso acontecer.

 Tenho toda pose e utilizo a credencial de moderna. Mas, a bem da verdade, sou uma romântica irreparável. Ainda acredito que vá encontrar quem vá me fazer encontrar prioridades onde entrem dois. Ainda espero alguém que vá me fazer pensar em ter uma família com cachorro e domingos no parque. Vejo uma criança sorrir e o meu mundo para diante da perspectiva de passar o meu legado a alguém.

 Falta a simplicidade que o tempo que já não disponho me permitia. Me falta o sorriso de cantar com alguém especial de olhos fechados ao meu lado. Falta a poesia que um dia pensei escrever e que hoje só me pega de assalto. O tempo me falta e sem ele me falta muito.

domingo, outubro 07, 2012

todos os tempos o tempo

Tenho andado com mais pressa. Tenho ficado presa, no trânsito e nos lugares, perdi o guarda-chuva essa semana e já não posso sair lá fora, se chove. Meu ar parece rarefeito. Sinto como se minha alma estivesse leve e solta. Como se nada me tivesse, de fato, por tempo nenhum. Sinto saudades do aconchego da minha infância e das certezas quase arrogantes da imaturidade adolescente. No processo de desfazer o caos, revirei infinitas sensações, reencontrei a doçura da lembrança de tudo que aconteceu pela primeira vez e vi que tudo acontece no tempo certo. Nada na minha vida ultrapassou o limite do tempo. Um respeito involuntário com o agora enquanto ele me vale e me leva. Não alongo sofrimento, não perduro dúvidas e não conservo incertezas.

Me refaço e desfaço de tempo. O tempo inteiro.

domingo, setembro 23, 2012

Para nunca faltar a paz...

Meus amigos e as suas risadas sonoras. Meus amigos entre copos, entre lágrimas, entre conselhos, entre tardes no parque, entre almoços e jantares, entre viagens e dias inteiros. Meus amigos e as suas obrigações, seus novos ou antigos relacionamentos, seus novos e velhos compromissos, seus novos ou velhos. Meus amigos que não conseguem nunca sair do trabalho na hora e se dividem em milhares. Os apaixonados e os inquietos. Nós sempre sendo tanto.

 Passo dois dias quieta. Assisto três filmes que me levam as lágrimas. Janto com meus pais. Dou risada com a minha irmã. Deixo o celular acabar a bateria e só me lembro dele nos minutos finais do domingo. Dentro do meu reino encantado de faz de conta parece que nada me falta. Não fosse a insônia e a ausência. Não existe um alguém dentro de todos que me faça querer ser caçadora. Fujo a qualquer sinal de uma reaproximação. Não me interesse nada que se refaça, não me cabe mais linhas tortas, não me fascina nenhum recomeço. A vida é mesmo agora. É aqui. E o meu tempo é daqui pra frente.

 Quero a sorte de um amor tranquilo. Quero compartilhar minha preguiça ou acordar cedo para ver o dia brilhar mesmo que ele nós traía e fique nublado. Quero ver e sentir a luz de alguém que queime em vontade e que entregue ao mundo o dobro do que recebe. Quero a sorte de encontrar alguém... ou você.

domingo, setembro 16, 2012

everything's exactly what it seems

 Não dá. Não posso te pedir desculpas porque não me cabe culpa. É coisa que acontece, invariavelmente, sempre. Minha vontade é fonte esgotável de querer. Quero com precisão cirúrgica. Muito e intensamente. Até que não quero mais. Não existiu nada que me fez mudar. Nada que entre na conta a distância ou o tempo. Nada que se explique em palavras. Nenhum outro alguém, real ou não, que me tirou de onde estava. Nada além do fato de que não existe em mim dificuldade em partir.

 É como acordar em um domingo com preguiça de pensar. É como encontrar a vida e o sentir em pleno vazio. Depois de algumas tormentas e diversas dúvidas, o nada me encheu de tudo, sinto plena ausência de algumas vontades reais e, vez ou outra, confesso, sou tomada por elas graças a uma carência mansa.

 Domingo. O meu dia de nada, de filmes, de foco e de solidão. O meu dia em que a melodia se faz em silêncio e ouço músicas para preencher de inspiração o dia seguinte, a semana seguinte. Domingo, o dia de falta, que falta porque é calmaria. Não tem urgência de diversão e nem de alforria.


Domingo... só até a segunda.

segunda-feira, setembro 10, 2012

i'm all ears to gather clues and look for signs

Quem me conhece sabe a dificuldade que tenho em continuar. Durmo apaixonada e acordo desinteressada. Faço planos e desisto deles ao menor sinal de possibilidade. Me interessa o desafio. Os difíceis demais, os que são demais, os que querem demais, os que tem almas e desejos em excesso. Porém, por pura contradição, a bem da verdade, só quero a simplicidade. Deitar depois de um dia complexo e dividir o silêncio com um filme. Quero chá e companhia nas madrugadas frias. Quero esquecer que o dia seguinte me cobrará as horas de sono perdidas e perdê-las sem culpa.

Quero encontrar as verdades que alguém guarda nas entrelinhas. Quero a sensibilidade latente que se esconde no que só parece. Hoje quero isso. Amanhã, não sei. No meu castelo de quereres, nenhuma pedra é definitiva.



texto de 14/11/2010 

segunda-feira, agosto 27, 2012

A sentença

De mim, eu sei. Sei que tenho uma personalidade complexa, sou feita de enormes exceções e minúsculas regras. Sei que minha prioridade não é a mesma da imensa maioria, meus sonhos são diferentes e minhas vontades mutáveis.

 Preciso de silêncio e não me faz mal estar sozinha. Gosto de domingos inteiros de pijama com a companhia de uma série recém descoberta, de um livro que me prende no sofá, de uma música que não consigo parar de ouvir. Gosto das coisas que independem da presença de alguém.

 Amo os meus. Meus amigos e minha família. Não confio em quem não tem ao menos um grande amigo, ao menos uma grande pessoa com quem consiga dividir tudo sem o menor receio. Preciso de quem me entende sem julgar e que guarda em si uma risada sonora da piada subtendida que existe na minha vida.

 Não sou uma daquelas pessoas que conseguem caber dentro da expectativa de outro. Destrua suas expectativas e conquiste minha admiração. Dê mais para o mundo do que espera dele. Construa seus sonhos e trace planos de como viver o irreal. Faça do irreal um céu que consiga tocar. Toque e me olhe no olho quando falar comigo. Me conte suas posições políticas, sua música preferida, o livro que mudou a sua vida e o filme que te faz chorar sempre na mesma cena. Me deixe te conhecer e me conheça ao mesmo tempo.

 "Acho que quando você gostar de verdade de alguém, achará tempo e paciência". De tudo que alguém não entende de mim, essa frase, quase como uma agressão me foi dada como uma sentença. Não nego toda verdade que cabe nela. Até a vírgula é uma possibilidade e depois dela o encontro. Tudo na minha vida acaba por tempo e paciência. O tempo que gasto sonhando, indo de um lado pro outro, fazendo a unha, andando muito mais devagar porque preciso estar de salto. O tempo que não tenho. E a paciência que me falta. Sempre que fica demais, acaba. Sempre que não acho o tom certo, mudo a cadência da minha música. Sempre que não anda, desanda. Falta persistir ou falta achar alguém que eu goste de verdade. É falta. É o que me falta.

 Mas, daí, chega um whatsapp que me faz rir pela compreensão que existe de quem divide comigo essa verdade de não caber em estreitos. Ou não caber em lugar nenhum, o que espero que não. Por agora, me vale estar entre os meus, entre o que existe enquanto desenho um irreal... até que.



domingo, agosto 19, 2012

A semana inteira... 

Os domingos e a sua capacidade especial de me fazer sentir falta. O vazio que se abre nesse dia me faz voltar a sonhar com o encontro que vai me presentear com companhia. Alguém para ver o dia passar em preguiça ou para ir brincar com os cachorros que se espreguiçam no Villa Lobos. Alguém para andar de bicicleta e me fazer tropeçar no riso. Alguém com quem cozinhar ou mudar a ordem do dia. Alguém que agradeça o garçom e o olhe no olho do segurança. Alguém que seja gente e olhe no olho de todas as pessoas, sem distinção. Alguém que me olhe no olho e veja meus medos. Alguém que desfaça os nós do meu passado para me ter, por completo, naquele agora.

 Alguém que seja generoso com o mundo e consigo. Que veja piada nos próprios defeitos e se perdoe pela ausência de perfeição. Alguém que ame os dias e cada pequena possibilidade de renovação. Alguém que se permita e me permita ser, infinitamente e indefinidamente. Que não me espere e não me cobre. Aquele alguém capaz de me soltar para voar e me ajudar a querer voltar. Que não seja complicado demais a ponto de me dar preguiça e nem simples demais a ponte de me desinteressar.

 Alguém que me encante com seus mistérios e com o tom da voz. Com o sorriso alto, com o olhos sinceros, com vida no corpo e na alma. Alguém me faça perder a calma e contar os dias até um próximo dia.

Mas, amanhã é segunda, uma das 48 segundas chances e dias desse do ano. Quarenta e oito, todo ano, a cada ano. A garantia de 48 dias que acordo feliz. Mais uma segunda(feira)chance.

segunda-feira, agosto 13, 2012

Como é grande, o meu amor, por você...

Tem horas que quase sufoca. Que eu sinto tudo e tanto. Que me emociono com fotos, com lembranças, com o cheiro, com a cerveja que sempre tomamos lá, com os sorrisos que eles sempre guardam estampados em seus rostos mansos. Eles, os meus amigos, os cariocas. O cheiro da cidade, as fotos que cada um que conhece e se encanta, compartilha nas infinitas redes sociais (sempre tão impessoais). Me sinto mais humana quando desembarco no Rio. Me sinto plena e sou. Sou com a certeza que a vida continuará me esperando na minha também querida selva de pedra, o Rio é suspiro e São Paulo respiro. O Rio é manso, é respirar fundo, é sentir o que existe de bonito e como é bonito.

 O Rio é ponto e vírgula, é uma pausa mais longe, é um sentir mais manso. Os cariocas que me encantaram, os abraços, os sorrisos, os encontros. As tardes na praia, o pôr do sol no Arpoador, o como ainda acho engraçado marcar com alguém na praia, entre um posto e outro, em Ipanema, sempre Ipanema que em poucos minutos dá nas pedras do Arpoador. O Rio é democracia. É shorts, camiseta e chinelo. É biquini sempre pronto para alterar a rota. O Rio é sorriso espontâneo e gargalhada garantida. O Rio é sonoro e eu gosto do som das pessoas.

 O Rio é encanto e eu sempre me encanto... por você, cidade maravilhosa.


domingo, agosto 05, 2012

"Calma, tudo está em calma"

Da última vez que te pedi, no meio da noite, para me encontrar, te contei um dos meus segredos: sou toda agora. Minha vida é feita de urgência. Me conquista quem vive no momento presente. Porque depois a gente vê, depois a gente pensa, depois a gente racionaliza, depois a gente paga as parcelas, depois a gente acerta a conta, depois medimos o peso do envolvimento irracional.

 Já fui depois, já senti conforto, já me apaixonei por ideais, já me encantei por ideias, já fui embora, já fiquei, já naufraguei, já me afoguei e já aprendi a nadar. Não me passou tudo porque ainda me falta muito. Quero dar pro mundo o dobro do que ele me devolve. Quero paz, música, arte, poesia, literatura, calmaria. Quero calmaria do fim de tarde dentro de um abraço que me guarde do mundo. Queria ser menos urgente sem de deixar de ser agora.

 Quero só paz e que essa nunca me falte.

quarta-feira, julho 18, 2012

we are accidents (waiting) waiting to happen

 Leve. Me sinto assim. Existe cor nos meus dias cinzas na cidade que não para e onde não paro. "Não crio raiz", como escreveu alguém que conheci por acaso no acaso dos dias. Não me prendo, não finco, não fico. Saio leve pela madrugada fria, pela tarde vazia, pela casa em companhia do silêncio que esquenta. As sensações não me incomodam. Nem o frio, nem a chuva, nem as três mil blusas que me protegem.

 Me perdi e me reencontrei. Me perdi quando me permiti e voltei refeita. Voltei a me apaixonar de forma simples pelas coisas que não se tocam. Fiz as pazes com a angústia da minha banda preferida. Fiz as pazes com o poderia ter sido. Fiz as pazes com o que tem a possibilidade de ser. Fiz as pazes com a leveza.

 Me interessa a poesia, me interessa aprender, me interessa o que de novo existe depois da linha que ainda não escrevi nesse enorme livro que chamamos de vida.

 Áries com ascendente em escorpião e lua em gêmeos. Fogo, terra e ar. Ardo como um ariano arde na sua urgência de vida, me movimento como o bicho de terra e sinto com o devaneio do ar. Os anos me mostraram que fugir da essência sempre me levou para longe, de mim, e sou tartaruga que precisa do casco para existir onde é só seu no mundo.

 Já dei tantas voltas, já corri enormes maratonas, já fugi de sentir, já já já. Já cansei também. O meu tempo é agora e ele está, espero que o verbo passe para o infinit(iv)o e se torne ser, leve.

 O título é de There There do Radiohead aka banda da vida.

quarta-feira, julho 11, 2012

(so)RIO

Dias para fugir do caos e me encontrar na calma que me falta. Dias para encontrar amor em simplicidade e carinho em gestos pequenos. É fim de tarde olhando o mar, dia chuvoso em euforia, madrugada fria em festa.

É uma cidade que cabe o mundo inteiro e me renova enquanto inova no meu sentir. São abraços, é colo, é carinho e encontro. Uma tarde inteira na praia enquanto o vento tenta nos expulsar. É o mar me envolvendo em calma enquanto as crianças correm ao redor e os casais sorriem na preguiça do colo que um empresta ao outro. É tudo mais verdade e mais simples, as pessoas são mais coloridas e os dias menos pesados. É uma festa com música boa, pessoas incríveis, risadas sonoras e no fim dormir no colo do amigo envolvida em paz e cansaço.

 Um domingo no supermercado, fazendo pasteis, tentando jogar sinuca em uma sala apertada, rindo de besteiras, cantando músicas bonitas e sorrindo até o rosto ficar dolorido. É um encontro depois de anos e o conforto da presença do outro.

 É simples porque lá as pessoas sorriem, se abraçam, se ajudam e se gostam. É simples porque voltar ao Rio sempre me renova e me mostra algo de novo... Como sentir de novo... em paz.

segunda-feira, julho 02, 2012

Bem que se quis
Depois de tudo ainda ser feliz


Muito obrigada por tudo que você me mostrou. Pelo jeito simples que se tornou sentir. Eu que nunca fui de me permitir, me vi, sozinha, no meio de um monte de sentimentos desconexos. Sentindo tudo e muito. Conversas que nos fizeram girar no centro do que deixou de ser pela minha distância e pelo jeito que você colocou alguém entre nós. Declaro a ausência de culpados e só hoje percebo que sempre existiram alguns e nunca nós. Éramos a sombra da nossa vontade de acertar depois de tantos erros. Eu passei os últimos anos da minha vida persistindo na história que criei para viver. Passei os últimos anos me enchendo de obrigações, de outras prioridades, de trabalho e da ausência de tempo. Mas, obrigada, você me mostrou que existe tempo e vida em mim, mostrou que posso sentir coisas bonitas de forma real.

 Ouço todas as músicas que me fazem voltar no tempo. Dido, Marisa Monte, Elis Regina, Radiohead, Feist, Regina Spektor, Luiza Possi, Legião Urbana, Cat Power e tantos outros que embalam em melodias doces alguns pesares. Seguro o último respiro do que vivemos para te conservar sem pesar no meu passado.

 Não existe um depois para o que não é agora. Não posso e nem vou te esperar, como diz a música no repeat infinito. Nas nossas últimas conversas lembro da esperança de um novo tempo, de um novo momento, de nós. Só que prefiro te levar enquanto não existem grandes mágoas. Sigo, leve e difusa, leve e profusa, leve e confusa. Sigo porque seguir é a melhor forma de continuar. Sem você, sem nós, sem o fim que foi caos.

 Ao mesmo tempo, obrigada, por ter me feito notar os sorrisos ao lado. As frases e a ternura dos outros. De uma forma simples, obrigada por me deixar e me fazer continuar... sem você.

sexta-feira, junho 29, 2012

Roda gigante

Dói pela ausência e pelo fim da cumplicidade. Faz falta o abraço no meio da madrugada. O jeito que você me olhava de manhã e as manhãs que se enrolavam em preguiça enquanto as obrigações entravam por debaixo da porta. Faz falta.

 É por falta que começo viver uma vida inteira pra fora. Saio, dou risada, conheço pessoas, encontro conhecidos por acaso no meio da Avenida Paulista, esbarro com um ex-caso na Livraria Cultura, sorrio para senhoras e crianças no metrô. É quando me importo menos, penso menos, vivo menos porque vivo demais.

 Lembro do "eterno retorno", Nietzsche e a sua teoria que me desespera e conforta, os sentimentos todos se repetindo, o tempo inteiro, em situações diferentes. Não querer perder, dar um jeito simples de me ter por perto, ir e voltar, quantas vezes e quantos. Todos os que se apegam a aparência de que pouco me importo. É, verdade, parece que estou sempre ocupada demais com outras coisas e que sentir não é exatamente o meu forte. Sempre me visto de frieza para não me entregar com franqueza. Sempre saio antes de criar raiz.

 Me enrolo, me divirto, me autosaboto, me culpo, me machuco, me perco até que me encontro em um novo sorriso e aí...