terça-feira, agosto 11, 2009

O que aconteceu nos últimos dias?

Tenho gostado cada vez mais do silêncio embora esteja vivendo dentro do caos. Me recolho a um canto enquanto todos rodam no centro da sala, me visto para passar por mais um dia e, me apresento pontualmente a cada obrigação. Tudo que sentia foi congelado, está mudado, estava errado; dentro da minha falta de regra nenhum dos últimos acontecimentos fazia o menor sentido. Embora não seja difícil me encontrar em um bar qualquer da augusta, as minhas certezas tem cheiro de naftalina. Preciso de certos momentos, de certas palavras, de certo carinho. Preciso viver o ontem para que o meu amanhã faça um pouco mais de sentido.

Queria algo guiado a puro e simples desejo, sem cobranças, sem a necessidade de se encontrar no que eu escrevo. Alguém que entendesse que as relações da vida real não podem ser escritas para não estragar o acaso. Todas as pessoas que admiro morreram sozinhas porque trocaram a companhia pela arte, viveram e morreram para produzir seres inatingiveis. Eu não posso ser assim, apesar de gostar das palavras, não quero segurar um livro no leito de morte. Quero a vida. Quero sorrir sem uma razão aparente. Quero viver e cantar bem alto em um lugar com luzes vermelhas. Eu quero voltar no meu lugar de sempre...

Quero visitar aquele velho sobrado da Bela Cintra e me sentir em casa.

domingo, agosto 09, 2009

Domingo

Quero sentir essa paz aos domingos. Essa ausência de mim e a união perfeita do acaso com o meu dia vivendo a preguiça do que passou. Quero ler mais alguns desses livros que tem frases perfeitas. Quero me sentir plena de tudo mesmo quando não tiver nada. Quero a perfeição do improvavel enquanto te pego em alguns momentos, preso, na minha lembrança. Quero escrever o roteiro da nossa história. Te sequestrar em uma tarde para te mostrar como vejo a vida. Te levar para experimentar o melhor sorvete de cupuaçu da cidade e discutir os pontos mais simples das histórias mais complexas.

Depois, quando todos estiverem dormindo, te mostrar a vida de dentro dos meus olhos enquanto vejo a vida de dentro dos seus. O instante exato que acabam as promessas, os medos e os pensamentos somem.

É o começo do fim.

Enquanto isso: te sinto cada vez mais longe e sinto que volto cada vez para mais perto...
Descansa...

eu sei que poderia ter alguém como você. alguém que pense como a pessoa com quem passaria noites inteiras pelo prazer te ter por perto. alguém que falasse sem medo dos dias vividos e que sonhasse com novos horizontes. você sabe que eu poderia usar alguém.

não seria difícil encontrar alguém que soubesse tudo que você sabe, falasse todas as suas línguas. quem sabe alguém com menos cabeça e com um jeito diferente. alguém que aceitasse ser meu e, por entrega, fosse simplesmente sua.

não sinto falta de você como uma presença. sinto falta das conversas no ritmo da sinceridade. agora, será que você foi uma doce invenção da minha cabeça esse tempo inteiro?

odeio ver você inalando felicidade para pertencer a algum lugar. odeio ver você se adequar. odeio ver você sempre repetir frases feitas para tentar justificar alguma coisa que você não deveria explicar para mim. odeio o jeito como te odeio por um dia inteiro e quase nada nas horas seguintes.

as noites que você considera vida, eu dedico ao sono. os dias aos quais você se entrega, eu desfaço a rotina. e nesse desencontro, me encontro em um lugar onde jamais estive.

Cansei de tanto procurar
Cansei de não achar
Cansei de tanto encontrar
Cansei de me perder

Hoje eu quero somente esquecer
Quero o corpo sem qualquer querer
Tenhos os olhos tão cansados de te ver
Na memória, no sonho e em vão

Não sei pra onde vou
Não sei
Se vou ou vou ficar
Pensei, não quero mais pensar
Cansei de esperar
Agora nem sei mais o que querer
E a noite não tarda a nascer
Descansa coração e bate em paz
Nara Leão


ps. texto baseado nesse texto. na música "use somebody" do kings of leon. e na música "descansa coração" da nara leão, só que na voz da fernanda takai.

sábado, agosto 08, 2009

SEIS

São 180 dias sem te contar, todos os dias, como me sinto. São 4320 horas que em nenhuma delas tive a sua presença. Mas, mesmo que a distância seja enorme e eu precisasse de um dia inteiro até chegar aí, minha vida nunca saiu de perto da sua. Você sabe que eu já não sou mais apaixonada como fui, conhece os meus medos mais escondidos, sabe das minhas aventuras mais inacreditáveis.

Quando você voltar vamos ter que ir a tantos lugares, teremos que ter tantas tardes de conversas. Continuaremos sem deixar nada interferir na nossa amizade. Quero te contar os detalhes e não só os fatos consumados. Quero ouvir os seus detalhes, guardar as suas histórias, porque a minha memória temporal sempre foi bem melhor do que a sua.

Já se passaram 6 meses, você tem mais 6 para fazer tudo caber e preencher ele de experiência. Quero encontrar no aeroporto alguém muito maior do que levei. Quero chorar de felicidade dessa vez. Quero o abraço que mais me fez falta nesses últimos tantos dias. Melhor amiga, soulsister, gordinha, irmã que escolhi para chamar de minha, são só mais seis meses.

quarta-feira, agosto 05, 2009

a visita

do lado contrário, andando na contra-mão, contrafluxo, contra-regra. a favor do instante, do momento agora, das ruas de duas mãos, da falta de regras.

queria me fazer verdade dentro do seu sorriso. saber o que dizer sempre que você me acusasse das mesmas coisas de antes, eu, que nunca neguei nada nem por um instante.

te vi partir sem querer te conter. acordar com você ao meu lado foi estranho, não reconheci nas suas costas a proteção que sempre notei em silêncio, a sua respiração estava fora do ritmo que encaixávamos nossos desejos. você era um fracasso e eu, uma insistente.

achei que reconheceria o fim antes dele congelar as expectativas, deixaria uma brasa morta, mas ainda existente. mas, o que sobrou foi pó, mero resquício de uma chama.

o maior perigo sempre foi a ligação quase infantil a qual me entreguei para estar ao seu lado, nunca senti nada além das coisas em comum que ligassem os nossos pontos, eram pensamentos parecidos que pareciam terem sido moldados para ser seu. eram sempre os seus filmes, os seus livros, os seus lugares. era tudo tão seu, só seu. eu, sua, só sua.

tudo assim... até aquela noite de lua cheia que deixou um visitante na manhã seguinte. era o fim, eu sabia.

segunda-feira, agosto 03, 2009

someone like you, and all you know, and how you speak

tantas palavras gastas para te mostrar que o silêncio seria muito mais valioso, que a falta de palavras entre um acorde e outro é o que dá ritmo a poesia do nosso cotidiano. pontos fracos variados, espalhados, perto de você ficou um, a sua capacidade de me fazer mudar algumas decisões, dessa vez, não. decisão tomada para facilitar o inevitável, essa não se desfaz porque não existe coragem em você e quase nenhuma força em mim.

domingo, agosto 02, 2009

do you believe in what you see?

Nunca lidei com começo, meio ou fim. Sempre percebi que o destino escrevia dentro do seu próprio ritmo e que haveriam paradas obrigatórias, pessoas que atrapalhariam os passos da minha felicidade mas, que, seriam necessárias para fazer do meu futuro algo menos conto de fadas. Não guardo mágoas mas, concedo a mim o direito de não gostar de todo mundo, de ser chata e particular, me faço assim para os outros enquanto permito a alguns conhecerem uma garota que não sabe onde deixar a vida. Minha falta de regras é o meu bilhete de ida para lugares onde jamais imaginei estar.

Um beijo seu carrega a surpresa de uma música desconhecida, sem letra, só uma melodia leve que embala o corpo para chegar a um lugar além do que imaginamos, planejamos, quase um risco que jamais assumimos. Será obra do destino te fazer poesia?

Já não sei o que se passa aqui, não consigo desvendar os meus sentimentos, nem entender os meus pensamentos. Tudo tão misturado com a vontade que apareceu, assim, de repente.

Enfim... uma nova fase.

ps. o título é zero 7 (in the waiting line)

sábado, agosto 01, 2009

25 minutos

Lembrei do jeito como cada beijo seu me dava mais palavras e, de como quando eu encostei a cabeça na parede enquanto te fazia imóvel e você colocou mais palavras em mim. Acho que tenho um quê dessas mulheres dominadoras de filme que ao mesmo tempo preservam a doçura das músicas de garotas.

Gosto do falso controle, da respiração falha, do ato reflexo de cada gesto. Foram me dados 25 minutos para te fazer ficar comigo, cada minuto gasto com palavras seria um a menos, cada segundo gasto com explicação seria descontado no meu arrependimento. Talvez, te colocar contra a parede fosse um bom jeito de aproveitar o tempo, só que por pura sacanagem, escolhi outra coisa.

Te levei em um dos prédios mais altos da cidade, um restaurante charmoso com um sundae de chocolate maravilhoso, era tudo que tínhamos para viver naquele tempo, um sorvete. Você gastou 10 dos nossos 25 minutos com ele. Durante cinco você olhou a cidade do topo e disse que naquele momento se sentia gigante. Foram mais cinco até voltarmos ao ponto de partida, o carro, que acabaria com o meu tempo. Os últimos cinco foram de silêncio presos a um beijo longo, carinhoso e forte. No último minuto dos meus vinte e cinco, você me pediu para ir com você, para sempre, mesmo sem saber quanto tempo teríamos até lembrar que o "para sempre, sempre acaba".

Depois de 25 minutos tínhamos o fim de uma espera de dois anos e o começo de uma história sem prazo de validade. Talvez o amanhecer, o ano novo ou quem sabe... muito mais.

sexta-feira, julho 31, 2009

there's a tangled thread inside my head with nothing on either end

Essa solidão dentro de uma terra habitada por tantas pessoas que fariam como um favor ao mundo somente em: sumir. Pode ser tão estranho e, eu sigo iludindo tantas pessoas com a minha presença para não assumir que é melhor assim. Não penso nas consequências de nenhuma das minhas escolhas para evitar me sufocar entre novas possibilidades. Encarar o fim não parece ser uma opção válida, não encontro nada que seja confortavel nos sábados frios e nos domingos sempre tão tediosos, por medo, continuo.
De novo

O que a distância faz? Eu posso estar feliz e você não vai saber, mesmo que não estivesse quando você partiu. Posso pensar em tantas coisas novas, ter resoluções mirabolantes, traçar planos e precisar de alguém que discorde do jeito exato que você faz. Posso fazer mil coisas e conhecer outras milhares de pessoas. Posso encontrar em um novo sorriso as chaves do desconhecido.

Eu nunca te contei, mas queria ser importante e não, necessária. Nunca contei que o meu medo era cheio de orgulho. Que o meu cansaço era muito mais físico do que emocional, você nunca me cansou nesse sentido. Os meus pensamentos estão amontoados e fingem se comportar. A insegurança está descartada por decreto e a realidade nua. É tudo novo, de novo.

São Paulo, 19 de julho de 2009

quinta-feira, julho 30, 2009

Nobody does it better


Quando você apareceu hoje a noite estava mais bonito, o frio te faz muito bem, posso sentir a elegância se transformar em música nos seus ouvidos. Você sempre teve essa mania de falar em palavras, músicas, letras, confundir arte com a realidade só para nunca me falar nada diretamente. Como fui terminar dessa vez onde comecei?

Tenho vontade de enfrentar cada um dos meus medos para te ouvir sussurar as verdades no meu ouvido. Eu seria louca se fosse incapaz de seguir as suas instruções, o ritmo da sua respiração é exatamente o necessário para ordenar essa orquestra de sentimentos malucos. Você constrói um castelo de cartas só que as suas mãos seriam mais habilidosas longe de tanta instabilidade. A sua construção é quase infantil, cartas são frágeis demais para se manterem por muito tempo. Não adianta trapacear usando uma estrutura qualquer, não adianta procurar formas de transformar pequenas cartas em grandes feitos. Pode até ser divertido e você decidirá construir mais algumas vezes depois que a primeira cair, a insistência sempre foi uma virtude, mas a paciência nunca te acompanhou.

Desculpa, estava falando do frio e de como você fica muito mais elegante nessa época do ano. O seu nariz vermelho é o diferencial que ninguém nunca percebeu. É nessa época que todas as suas particularidades são aquecidas com as farsas do cotidiano. Tudo sempre igual, os domingos e as manhãs. Queria te contar que aprendi a fazer um chocolate quente diferente, vou esconder para sempre a receita só para você imaginar como será acordar com o cheiro dele pela casa, talvez, quem sabe, te mostre, em segredo, um dia.

Pequenos segredos em uma vida constantemente mudada pelo ritmo das músicas. mais 15 passos!



ps. o título é um cover do Radiohead, um link pruzamigu.
Luz... (ação!)

Já fui muitas coisas. Desempenhei alguns papéis, declinei de outros, cobri alguns personagens, improvisei e decorei a marcação para que alguém soubesse exatamente onde a luz me encontraria. Já fui de um (quase) tudo. Bebi horrores e esqueci da noite anterior. Já visitei hospitais, fui em orfanatos, subi um morro. Já me apaixonei e fui correspondida. Já me apaixonei e nunca soube ao certo como seria. Já estive em alguns dos lados, mas você, me colocou em um novo. Só que o meu personagem pede que eu seja egoísta, que observe os tolos e seja como um deles. Uma oficina ingrata da vida real.

Visitei o meu passado para encontrar algo parecido, revirei as lembranças, arrastei uns móveis para encontrar umas anotações que preferia ter perdido. Achei a forma como é esperado que eu desempenhe o meu papel e, achei de extremo mal gosto te fazer sentir desse jeito. Desculpa, mas não cabe mais ninguém. Os papeis estão completos, o figurinista maluco com algumas mudanças e encaixar mais um personagem vai ser impossível. Essa parte da história terá que ser cortada. O papel de egoísta me faz sentir mal, tenho que te informar, será necessário limitar a arte para continuar a vida. Preciso recusar desempenhar essa figura para que possa, sem arrependimentos, continuar onde não deveria estar.

Você poderia ser meu fim, mas não pode ser assim, por respeito a tudo que (ainda)...





(algumas) decisões já foram tomadas
Mãos

"Por que você não fica?
Porque não quero que você deixe de me amar."


É a convivência que mata as relações? É a rotina? É o conforto? É a falta de surpresas, os domingos, o tudo igual outra vez?

Fico pensando em como gostaria de te ter. Sem responsabilidade, sem compromisso, sem cobrança. Queria que fosse uma necessidade mútua, quando as mãos dadas não fossem mais uma ligação suficiente. Nunca contei para ninguém que, para mim, mãos dadas podem ser um contato maior do que um beijo. Quando a força do outro fica ao seu alcance, o nervosismo é denunciado por dedos trêmulos, o carinho é trocado enquanto os dedos fazem uma dança leve e as mãos quase soltas são recuperadas em um aperto necessário. É quando as mãos já denunciam o silêncio que os olhos se encontram e, as bocas desfazem o riso para se encontrar. Só alguém completamente desconhecido notou e calou todas as minhas teorias com um beijo.

(não é fielmente o começo do texto mas tem uma coisa muito parecida na peça "a noite mais fria do ano" do Marcelo Rubens Paiva)

quarta-feira, julho 29, 2009

Sinto falta de andar pela Augusta para te encontrar naquele mesmo café de sempre, com o mesmo sorriso, esperando paciente para ouvir as minhas histórias.

ou

Sinto falta de te ver chegar com uma sacola cheia de discos, falando que tava tudo super barato em uma promoção naquela loja lá do centro e, por isso, você demorou um pouco. Lembro das suas histórias absurdas, mais parecidas com um roteiro de filme que sempre me faziam sonhar e, de você me pedindo para usar os compartimentos.

Sempre achei a sua invenção dos compartimentos a coisa mais inteligente, mesmo que eu nunca tenha me esforçado o mínimo para aprender a usar, o equilíbrio está no jeito como sentimos e pensamos as mesmas situações de formas diferentes.

Queria te contar algumas coisas, uns detalhes que ficaram guardados na correria dos fatos, algumas verdades e outras coisas que estão na minha imaginação. Na verdade...

Queria te esperar no mesmo café de sempre.

segunda-feira, julho 27, 2009

What's happening to my head and to my dreams

Queria te ligar para desejar "boa noite". Já é quase madrugada e eu coloquei o cd de uma banda que perdi, alguma coisa aconteceu na noite que eles resolveram vir de tão longe tocar na cidade, quase para mim. Perdi o show e agora a voz deles, junto com a melodia triste, me lembram um momento que não vivi. Ou talvez seja só a distância misturada a língua diferente mas também compreensível.

Vivemos falando línguas diferentes que o outro também entende. Você se arrisca em outros pontos, eu coloco mais vírgulas, procuramos pausas para deixar essa história, calma. Como se empurrássemos ao máximo um novo paragrafo. Sabemos, mesmo que nunca cheguemos de fato a admitir, o que provocaria mais uma linha. Penso em como você responderia a um impulso e afirmo que de todas as músicas, só a melodia da sua respiração me importaria. Trocaria todas as palavras pelo seu olhar surpreso e complexo. E, só então, um novo paragrafo, com menos pontos e vírgulas começaria a ser escrito, com fatos para substituir sonhos.

Esses dias lembrei de um abraço em um dia frio, não lembro do dia, da circunstância, livre de detalhes, eram só braços firmes em uma noite esquecida. Minha memória anda se recusando a te manter por perto, os dias enganam a ausência com obrigações e os outros mantém minha cabeça ocupada com cobranças.

Por que ainda? Por que assim? Por que (não)?

domingo, julho 26, 2009

Pequeno

No meio de tanta luz, tanta gente aparentemente tão feliz, eu me perguntei em silêncio quando alguém me fará ter vontade de sair dali. De me fazer parar. De trocar tudo para estar só a seu lado.

Alguém que faça um apartamento vazio estar completo porque a sua presença preenche de paz cada um daqueles cantos. Alguém que me fale que estou errada quando estiver e não tenha medo de dizer que estou certa. Alguém que me cale com um sorriso simples. Quero alguém que descubra como desvendar o meu corpo e não ande sempre pelo mesmo lugar, como aqueles que não sabem o que fazer e por segurança nunca saem do mesmo. Quero alguém que tente fazer outras coisas, que se aventura, que grite se tiver vontade de gritar, que não tenha com os pudores um contrato reconhecido em cartório, só um acordo verbal que podemos mudar com o escuro das noites. Quero algo diferente...

Não sei do impossível mas, o possível, está cada vez menor para mim.

sábado, julho 25, 2009

This modern love

Talvez eu esteja perdida em um lugar que já estive. Perdida porque o caminho já descoberto não me interessa e refazer a rota me levará ao mesmo lugar, onde descansei e não pretendo voltar. Talvez falar seja um jeito de acabar com a dúvida. Talvez ouvir o silêncio seja um jeito mais eficaz de encontrar palavras.

Não se ofenda se eu parecer cada dia mais ausente, continue a me mostrar os fatos, me mostre como está desse lado da vida para que eu tenha uma luz para onde caminhar ou de onde me ausentar. Continue me fazendo rir. Não sei o que é bom para mim, apenas porque não sei muito bem onde estou, para onde vou, o que vou encontrar. Talvez se você for mais exigente, possa me fazer sua.

Ao que estamos resistindo? Por que tanto medo em algo que não precisamos pensar no depois? O que falta para um agora?


Do you wanna come over and kill some time? Throw your arms around me.



ps. o texto é inspirado na música (do título) do Bloc Party, que é uma boa banda gravada e uma péssima banda ao vivo.

sexta-feira, julho 24, 2009

[susi] 27/07/2008
[death cab for cutie]

Someday you will be loved

Quando conheci você nunca imaginei que um dia fosse usar da minha fraqueza para te deixar. Você era o garoto com a verdade que os outros omitiam. Enganava os espectadores da vida com aparente inocência enquanto guardava para mim os seus segredos e vontades escondidas. Uma alma curiosa. Minha alma.

Naquela manhã tudo parecia demais. Os seus olhos brilhavam, as suas mãos encaixavam perfeitamente na minha, o seu toque era o meu, juntos formávamos uma melodia leve sem testemunhas. Fazer dos momentos, poesia, sempre foi a especialidade dos seus olhos. Mas era demais ficar.

Não posso fingir arrependimento, cada coração partido se remendará e um dia alguém te amará como amei. Como você nunca soube que seria amado. E as nossas lembranças poderão parecer mais sonhos ruins. Talvez você nunca vá entender os meus motivos e nem tão pouco posso te explicar.

Se você se sentir sozinho quando estiver adormecendo, olhe para o céu, procure a estrela mais brilhante, estaremos nela. O seu coração pertencerá a alguém que ainda está para conhecer e nesse dia será amado com a força que eu não pude te entregar. Mesmo que tenha amado cada doce palavra sua. Cada um dos mil momentos que chamamos de um. As músicas que desenharam nossa trilha.

Enganando as palavras e iludindo o futuro, te deixei com um bilhete, que dizia:



Na verdade,
tentei te deixar...
A resposta do rei

As minhas mudanças parecem abrir uma nova estrada, onde nunca estive, onde nunca imaginei estar. Cansei de cuidar dos outros. Cansei de tentar imaginar rotas perfeitas. Cansei de segurar cada uma das minhas vontades para não ferir as expectativas das pessoas que nem ao menos me conhecem. Mantenho a minha vida perto dos que estão próximos a mim, gostos e gestos parecidos já me interessam. Cansei de ficar do lado de lá, onde estão os apenas diferentes. Cansei das pessoas que pensam demais em coisas de menos.

Fui tão frágil perto de quem prometi manter distância e criar limites. Naquele momento era como se cada uma das resoluções pensadas não tivessem sido difíceis de encontrar, uma vez jogado tudo para o ar, a bagunça se refaz. No fundo as decisões valem o instante do agora e a falta de explicação do que me faz agir. Engraçado observar as suas reações inesperadas e, notar que, a sua inocência é encantadora de uma forma pura, quase boba, de um jeito que ainda te faz conservar algo raro no olhar.

Sigo nessa estrada com a resposta da majestade ao coelho.

- Comece pelo começo - disse o Rei, com ar muito grave - e vá até o fim. Então pare.

(e, só então, pararei... até lá, não sei onde, não tenho pistas, não tenho rota, bússola ou mapa... não tenho medo)

quinta-feira, julho 23, 2009

When I feel the unknown

Eu não sei o que aconteceu com o sentimento, não diria que ainda sinto, porque acho que isso ficou algumas ruas atrás. Ficou essa vontade de ser verdadeira sem garantia nenhuma de que posso esperar isso de volta. Ficou essa incerteza. Ficou essas pequenas mudanças. Ficou o pouco caso misturado a outra coisa que não sei identificar. Ficou essa coisa estranha que parece boa.

Claro que ninguém entende os meus motivos e de forma alguma algo justifica a confiança (talvez desperdiçada). Não espero resquícios de compreensão, não procuro formas de aceitação, me importo muito pouco (quase nada) com os outros. Vivo a minha vida seguindo uma política que criei para tentar ser feliz, sigo sempre guiada pelas regras que o acaso me impõe.

É o segundo que antecede o beijo. São os desvios contínuos do olhar para não encontrar no sorriso uma chave para um lugar desconhecido. É uma coragem cheia de medo, diferente da que encontro na ausência de sentimentos, talvez sentir seja todo o problema dessa equação com resultado simples. É o começo que escreverá o fim. Será tudo uma questão de um passo?


ps. título é zero 7.