sexta-feira, julho 30, 2010

so bring me consciousness and kill my innocence

Se eu tivesse que definir parte desse ano, o fim do passado, encontraria uma única palavra: realização. Em passos pequenos cheguei em lugares que não imaginei, encontrei pessoas que dividiam ideais parecidos, mundos similares e me senti parte. Parte de um todo que construímos juntos.

Saciei minha sede de mundo e me senti satisfeita. Dominei as rédeas da minha vida, encontrei paz e calma no meio do caos. Criei, produzi, dividi e me senti bem. Vivi noites sem dia seguinte, dias sem noites, vivi intensamente. Contive pecados, guardei desejos, reservei pensamentos. Me contive. Entre extremos o principal foi revelado sem palavras.

Mas, encontro uma, a mesma do início: realização.

quinta-feira, julho 29, 2010

ressaca (i)moral.

Me apaixono, vivo, mentalizo, realizo. Me desapaixono e esvazio. Reencontro os detalhes que incomodam no processo contrário, ignoro eles quando vou e os percebo quando volto. Mas, não me importo, gosto do processo de sentir sem perceber, sem notar, sem querer. Gosto quando algo me toma o controle e segura um pouco a onda que sempre tento manter só minha. É bom sair de mim sem perceber enquanto tudo se faz em simplicidade. Mas, gosto de voltar, de sentir o gosto bom da liberdade e das vontades latentes. Gosto dos extremos e do que encontro entre eles. Gosto das pessoas compatíveis que sabem viver os domingos de ócio e as noites de fúria. Mas, principalmente, de quem divide o dia seguinte cheio de frutas, água, dor de cabeça e a vontade sobrenatural de abraçar alguém só para sentir que ainda é possível... ser real.

sábado, julho 17, 2010

Either way you're wrong

Um mistério, é assim que te vejo, um monte de perguntas sem respostas, um monte de respostas sem perguntas, um monte de coisa que não se reconhece. Ao mesmo tempo que esbanja segurança, parece um garoto carente a espera de alguém que te tome nos braços. Ao mesmo tempo que parece saber sobre tudo, se confunde com as datas e os dados. Seu olhar é triste e profundo, é alegre e sincero, seu olhar me olha de um jeito que incomoda. Me sinto nua a cada vez que vejo você dentro dos meus olhos, sem nenhuma proteção, sem nada para fingir, nada.

Ao mesmo tempo, quero de você apenas distância. Quero manter minha cabeça no lugar, minha vida andando por onde anda, meus problemas longe de serem grandes, proteger os meus pensamentos que não enfrentam os de alguém assim. Você mudou a ordem das coisas. Dentre todas as pessoas que sempre achei babacas, saiu você, compatível e diferente. Sincero. Sinto na sua voz uma sinceridade que não noto nos outros. Eu que já havia desistido dos outros e me entregue a boêmia, me vi procurando calma. Trocando noites de absurdo por dias de calmaria. Trocando tardes de muita coisa por coisa nenhuma. Me peguei, medindo ganhos e perdas, procurando critérios para te incluir ou descartar de mim. Me peguei entre planos que não quero executar e pensamentos que não quero ter.

Outra vez, o acaso rege minha vida. Eu, indomável, sou domada por pensamentos que não se concretizaram (ainda).

quarta-feira, julho 14, 2010

sonho para dormir acordada

Sempre tive alguma coisa com os sonhos. Quando criança vivia neles, em um mundo paralelo cheio dessa coisa complexa demais para se resumir em uma palavra. Os anos se passaram, me vi entre o da padaria e o da psicologia, sempre adorando os dois. A diferença é que um me enche de culpa e e outro me isenta dela. Me sinto levemente traindo o movimento feminino quando como um sonho sem dó, me culpo por não sentir culpa e dessa forma, me sinto culpada. E nos sonhos, no reino encantando onde o meu subconsciente dá o tom, não conheço o significado dos limites, da moral, ignoro a existência da culpa.

Essa noite sonhei como se estivesse acordada. Me vi realizando os desejos reprimidos, era real porque provocou sensações e irreal porque o toque era imaginário. As palavras se fizeram em silêncio e eu senti as suas mãos na minha cintura. Pressa e calma, urgência e cumplicidade, extremos e diferentes. Você ali a espera de um sinal meu que dissesse sim ou não. Encostei meu corpo no seu, deitei minha cabeça no seu ombro, te concedi uma passagem para o pecado. E, então, sem mais delongas você me tomou para si. O jogo continuou com detalhes que não se revelam enquanto mudávamos entre risos o papel de caça e caçador. Sempre gostei do jeito que você me olha decidido a acabar com minha indiferença. Gosto do meu jeito de nunca te dizer nada ou de dizer te dando sempre o privilégio da dúvida. Nunca trocamos uma palavra se quer sobre o que existe para provocar essa tensão. No sonho, nesse momento cheio de detalhes que não se confessam, continuamos sem falar. Só aceitamos que o abraço não dura mais por acaso, que os olhares não se cruzam sem razão, que as ideias não batem por coincidência. Dividimos as águas e criamos um segredo.

Uma pena, era um sonho e agora percebo que preciso evitar... você.

segunda-feira, julho 12, 2010

Don't leave me high, don't leave me dry

A irritação, a sensibilidade, a vontade de gritar e a necessidade de ficar quietinha. Tudo oscilando e mudando. Vontades absurdas e certezas absolutas trocados pela inconstância. Não sei lidar com o que acho, em um momento enxergo genialidade e no outro, insegurança e babaquice. Como diria o Caio, vivo cansada de sedes afetivas insaciavéis. Me encontro e desencontro nas noites, me perco e preciso me recolher para juntar os pedaços. Vivo vivo vivo e morro por um dia inteiro. Não aguento lidar com meu próprio mau humor, fico em silêncio virando páginas ou mudando a faixa. Fico tentando encontrar a paz, os remédios paliativos para angústia, o placebo que já não me faz mais efeito. Minha cabeça já não constrói cenas, meus pensamentos já não mais perseguem os seus mistérios, os meus sonhos nem sequer sonham. Tudo diferente e tão igual. Nenhum ponto que tenha mudado tudo. Nenhum lugar para chamar de começo ou fim. Tudo em suspenso, revelado entre silêncios, escondidos entre palavras, reservado em pequenas trocas.

E nada mais me alarma, nada mais me surpreende. Achei que os anos iam tirar de mim essa birra juvenil, iam me tornar mais receptiva, mais afetiva. Mas, não. Fui entrando cada vez mais na vida de cada vez menos. Me sinto plena com poucas pessoas. Me sinto segura dentro de poucos braços. Me sinto feliz em pequenos momentos. Eu, sentada aqui, esperando que ainda possa...

terça-feira, julho 06, 2010

someone to hold my hand

Uma vida recheada de clichês desses de filme, de música, de teatro, de literatura, de arte que transpira e respira a sensibilidade dos seus iguais. Os da vida real, os que criam e recriam formas diferentes de fazer a mesma coisa.

Tantas vezes não mudo por preguiça, refaço a rota de hábitos me esquivando das lembranças. Tento escrever uma história diferente a cada novo personagem. Mas, sempre me encontro com aquela teoria maluca que ainda vou levar na pele, "eterno retorno".

São as mesmas sensações, os mesmos medos, os mesmos clichês. Me desfaço do que passou, abro espaço para o novo e, de repente, me pego igual ainda que diferente. Mudam as companhias, os horários, as vontades. Mudam e são iguais.

Quanto ainda vou precisar escrever até acabarem as palavras? Queria encontrar conforto no silêncio. Não sei se é busca ou espera. Busco apenas o momento de esperar. Mas, não quero nada de definitivo com poucos letras como amor ou fim. Queria apenas sentir as sensações desconhecidas. Busco busco busco e canso.

domingo, julho 04, 2010

sete anos e contando

Basta uma tarde para notar a sorte que tenho. Milhares de pessoas passam. Rostos conhecidos e nomes desconhecidos. Nomes conhecidos e rostos desconhecidos. Todos mudando e alguns me mudando um pouco. Mas são passageiros, efêmeros, como romance que dura uma noite só, como uma música que tem só três minutos, como melodia que cansa depois de ser ouvida demais, como dias que tem apenas vinte e quatro horas e por isso os minutos são contados, a vida é contida.

Eu tenho mais. Tenho uma tarde inteira passando leve na companhia da melhor parte de mim. Da amizade sem limites, da certeza absoluta, das conversas mais produtivas, de concordar e discordar, de querer proteger e querer matar. No nosso xadrez mental uma peça movida é sempre um novo ponto a repensar. É quando eu paro diante do que sou e não gostaria. É quando noto devagar que meus defeitos fazem parte de mim, tanto e com tanta necessidade, que não saberia me desfazer de alguns deles. Penso dentro de tudo que acontece o que é verdadeiramente meu, o que é orgulho, o que é precisão e o que é realidade. O real que me impulsa em sonhos e que abstraio na vida. Vivo dos sonhos fazendo da realidade uma coisa para mais tarde. Mas, tenho sorte, tanta sorte que tenho vontade de estampar o conforto em uma camiseta.

É, eu sei que o mundo pode mudar, milhares de coisas podem acontecer, os limites podem ser testados, os problemas mudarem de proporções, os lugares serem outros, o país e a língua serem diferentes, o futuro ser incerto. Mas, sei também, sem dúvidas, que terei mais milhares de anos dessa amizade. A melhor parte de mim, você é assim. :)

terça-feira, junho 29, 2010

Intro

Entra, pode ficar a vontade. Não precisa ter vergonha. Gosto do jeito que você me olha como se fosse capaz de tirar toda minha proteção com seus olhos. Suas mãos me abraçam com força, seus dedos me encontram, seus pensamentos parecem se completar com os meus, em silêncio. Você é um enigma cheio de variáveis que adoraria decifrar. É o fogo que adoraria sentir. É tanto e tudo ao mesmo tempo. Mas, é melhor ter cautela ao sorrir. Não acredite que sou tão garota diante dos seus olhos famintos. Já estive no seu lugar, em outro jogo. Sei o quanto de mim é desafio, outra parte conquista e depois o desinteresse. Não pense que me importo por conhecer o fim. Sempre me interessa muito mais o caminho e, com você, sinto que ele levará calmamente ao desinteresse, ao fim com a confiança reforçada pelos segredos compartilhados.

Me interessa o quanto você pode mudar o que conheço. Seus pensamentos maduros e imaturos às vezes tão únicos e outras tão comuns. Gosto de você comum como se fosse deveras um adjetivo não ter que se proteger diante de tantas coisas que nos fazem diferentes. É ainda mais corajoso admitir que muitas vezes somos simplesmente banais.

Coloco a música bem alto para calar os meus pensamentos. Leio, procuro, revejo textos antigos, palavras que falei e as que ouvi, bilhetes, papéis de teatro, filipetas de peças, marcas materiais do meu passado. Não encontro nada parecido com você. Eu, ingênua, no alto dos meus poucos anos achando que já tinha visto muito. Até ser obrigada a revisitar os lugares que já andei, as pessoas de quem gostei, os sonhos que tive e os que realizei. Passei a limpo o sentir só para ter certeza que poderia sentir de novo.

Dessa vez, diferente? Talvez.



ps. a música intro do xx que ajudou a transformar essa intro em palavras.

domingo, junho 27, 2010

when the night is cold...

Eu já não sou a mesma. Meus pensamentos mudaram, meus dias mudaram, as companhias, as conversas, os interesses, os momentos. Tudo mudou e por que só você que continua constante? Em algum momento deixei a minha vida aberta demais ou te entreguei as chaves das portas escondidas, sem notar.

Tuas palavras, as que conheço o destinatário, me doem como farpas. Não só pelo fato de conhecer o destinatário. Mas, também, por sentir que desconheço o remetente. Te procuro nas entrelinhas e não vejo, não encontro, não sei. Sei que você tem passado por um tempo estranho enquanto troca minutos com as risadas. Rir de tudo, com tudo, por tudo. Se trocar por piadas, por momentos, pelo efêmero que um dia também tanto me guiou na vida. Pelo entorpecimento, por não sentir, por sentir através de algo. Talvez, seja o medo de nunca mais encontrar algo parecido com aquilo. Mas, segura minha mão enquanto te garanto em silêncio que o futuro pode te reservar algo diferente e, talvez, melhor. Mudar nem sempre envolve algo ruim. Para mim, sempre se fizeram necessárias as mudanças.

Mudei mais uma vez. Fiquei curiosa sobre outros aspectos seus. Como o seu corpo responde, como sua respiração fica quando acelerada, qual o som do seu silêncio. Como suas mãos brincam. Onde o seu sorriso aparece, sua vergonha desaparece, seus instintos afloram. Quando o momento te controla. Seus atos se descontrolam. Como é que você é quando não é só você. Você já ardeu em um desejo cego? Já sentiu que o mundo poderia acabar depois de alguns segundos e, que se não vivesse o presente, o futuro se quer seria uma possibilidade?

Você já perdeu (o controle)?


ps. título e trilha sonora. Nick Drake - Day is Gone

terça-feira, junho 22, 2010

only the truth


Não quero ser paralisada pelo medo, por respeito a diferenças ou qualquer outra variante que possa variar em pouco tempo. Me desespera a mera possibilidade de notar que tive uma vida cheia de nada. Nenhuma verdade além das efêmeras e inventadas, nenhum amor que se afaste da carência, ninguém para dividir dias e noites de silêncio, planos, criações, momentos. Uma vida inteira cheia de nada. Cheia até a superfície, tão cheia que me deixa sempre com a sensação de respirar um ar rarefeito, me falta oxigênio quando mergulho muito fundo em coisa alguma. Mas, aparece (o ar) quando vou fundo em alguma coisa. Ainda que indefinível, preciso de algo real, de um caminho por onde caminhar.

Prefiro a falta de garantias, as surpresas, o que pode acontecer. Prefiro caminhar, me mata aos poucos ficar parada. A conquista, simples e fria, não me aquieta. Me irritam as mãos alheias cheias de dedos desconhecidos. As palavras sem fundamento. A transferência de frustrações.

Podemos mudar tudo. Podemos mudar de vida, de cidade, de país, de amizades, de vontade, de corte de cabelo, de rímel preferido. Mas, nada muda uma paixão. Me denunciam as minhas paixões, as coisas que não saberia viver sem, pelas quais daria minha vida. Na verdade, tenho duas grandes paixões inconfessáveis de tão banais. Mas, que são minhas e ninguém conheceu ou foi capaz de tocar. Tenho meus segredos, não me revelo tanto quanto parece, as palavras enganam mais do que esclarecem. Não me conhece quem lê, não conhece quem ouve, não conhece quem vê. Talvez, me conhecer, seja só uma questão de observar, meus olhos, esses sim, me entregam.

Por fim, mais do que nunca, eu sei que na matemática da vida quero números enormes e positivos.

domingo, junho 20, 2010

Good times for a change


Tem dias que as noites são melhores e também existe o contrário. As noites que tem dias melhores. Tantas variáveis entre o escuro e a claridade. Hoje passei o dia na cama, sentindo falta de algo, me peguei revisitando pensamentos esclarecidos. Sempre separando o que sou do que é, porque é claro, assumimos diversos personagens. Poucos de fato encostam no que sou, arisca como um gato, só me sinto em casa reconhecendo conforto no cheiro. Mas, tem aquilo que é, levemente variável, porque o estado é imutável para a visão alheia. Entre o que sou, o que é e o ser. Fico com o meu ser. Esse que é o que sou quando consigo ser. Senti falta da cumplicidade de um olhar, do toque de uma mão inteligente, de uma mente brilhando colorida enquanto me presenteia com o genuíno silêncio das palavras contidas.

Descobri na cama, em silêncio, que meu corpo está cansado, minhas costas soltaram os nós de tensão e onde eles estiveram sinto uma leveza estranha. Com os nós desatados encontro um caminho de possibilidades que não sei como caminhar. Minha segurança é insegura, viro menina enquanto pareço mulher, me encolho em dúvidas, me refaço e desfaço. Penso se tanta proteção não acaba me tirando de alguma coisa. Tenho preguiça e medo de colocar novas marcas em cima das do passado, tenho medo de ter que lidar com tanta coisa que não quero, tenho medo. "Lose yourself, but don't lose your mind".

Em um tempo cheio de dúvidas, vontades variáveis e invariantes.

quinta-feira, junho 17, 2010

i'm a war of head versus heart (and it's always this way)


Tem horas que a gente muda. De direção. De vontade. De sentir. De querer. De pensar. De agir. De ser. Tem horas que a gente muda, sem ser bom ou ruim, apenas diferente. Sem ser preciso ou impreciso, apenas um fato.

Tem horas que a gente pinta o futuro, desenha um presente, apaga o passado. Tem horas que a gente apenas vive.

Tem horas que a gente conversa sobre a vida, divaga sobre os pensamentos, fala palavras soltas ao vento. Tem horas que a gente fica em silêncio.

Tem horas que a gente cria, inventa, produz. Tem horas que a gente fica quietinho sentindo o som do vazio.

Tem horas que a gente canta, encanta, procura no mistério o som das entrelinhas. Tem horas que os olhos sorriem.

Tem horas que quero com a intensidade do desejo reprimido. Tem horas que não quero. Tem horas que penso. Tem horas que esqueço. Tem horas que odeio. Tem horas que adoro. Tem horas que você ocupa todos os espaços vazios das minhas notas musicais desafinadas. Tem horas que não é você, não é ninguém, tem horas que é só o vazio esperando eu afinar meus instrumentos e construir a música capaz de te trazer (pra cá).

Tem horas que são só horas... Tantas horas.



ps. o título é de crooked teeth do death cab for cutie, uma das minhas bandas mais queridas.

terça-feira, junho 15, 2010

these are the songs i keep singing

Talvez seja o frio que me enche de saudades ou foi a mistura perigosa de beatles e incerteza. Caminho sem saber onde chegar, vou deixando o acaso iluminar os meus passos. Mas, é bom voltar, sentir você tentando me entender, em vão. Poucas coisas mudam quando a gente sai do lugar. Mas, para contrariar, mudamos tanto. Eu continuo alguém cheia de vontades, com pecados consumados e sedes insaciáveis. E você, se recuperou, se tomou de volta. Enquanto, nós, continuamos nossas vidas em paralelo.

Queria poder responder se seria diferente em outro momento. Talvez. Penso que o caminho teria sido menos tortuoso, penso que escancarar as vontades pode encurtar o desencontro.

Mas, sabemos que o meu você já não é seu. Me confundo tentando decifrar as vontades alheias, continuo errando no mesmo ponto, guardo as reais intenções para um momento oportuno que não chega. Quero tanto de alguma coisa e a razão me traí.

Me pego revisitando minhas certezas, questionando minhas vontades, pensando em quanto de verdade existe ou é só simples irresponsabilidade. Contabilizo o valor que um passo em falso pode me cobrar, não sei se quero pagar, não sei se vale. Em um dia acho que os seus pensamentos são comuns, noutro, geniais. Em um dia você é o pecado que quero cometer, o preço alto que quero pagar, a sede que quero saciar, noutro é só uma aventura sem razão. Milhares de vezes incerto, é assim, não entendo.

ps. o título é dessa música do weezer.

terça-feira, junho 08, 2010

Billie Holiday

Quanto existe de surpresa no que finjo não reparar? Noto cada detalhe enquanto os conservo em suspense. Gosto das provocações, do jeito amistoso de sorrir, dos planos pro futuro.

É barulho, silêncio, ideias misturadas e sonhos inconfessáveis. A madrugada passa diante dos meus olhos enquanto o dia seguinte se revela em compromissos e pecados inacabados.

Faço uma lista de palavras e as transformo em canções, escolho músicas que falem por mim e expressem na melodia as intenções escondidas, me refaço em mistério enquanto tento te ludibriar quanto as más intenções. Logo, noto novas palavras, novas músicas, novas verdades. Tudo em você é novidade e o futuro também. No fim, sabemos como isso termina. Interessa o caminho e os seus olhos sorrindo em confiança. Quero confiar e te sentir confiando. Quero te fazer diferente e notar diferença. Quero algumas coisas que não vou revelar...

quarta-feira, junho 02, 2010

Aos pecadores (e afins)

O pecado me fascina e me aproxima dos errados. Seguimos fazendo tudo do jeito que a intensidade permite. Fazemos, queremos, nos unimos em espaços pequenos. Te desfaço em pensamentos deliciosos enquanto imagino seus olhos se abrindo em surpresa. Quero sentir o seu corpo perto com a força que as suas mãos apertam as minhas. Seu toque me repele. Imagino o que habita seus pensamentos e penso em como seria interessante concretizar o pecado maior que é viver (desse jeito).

Meu cansaço é visível. Noto que de tudo que tenho é o menos que me interessa. Tenho sentido falta das coisas simples, do flerte real, dos olhos se cruzando e se evitando, dos filmes divididos, de resenhar a vida inteira em palavras simples enquanto não falo. Falta do que abri mão por um bem maior. Me concentro e me apaixono por tudo que faço. Me envolvo da cabeça aos pés e, muitas vezes, paixões (pessoais) me dispersam. Fiquei dispersa da vida, dessa vida paralela que sempre soube tão bem levar. Agora me pego pensando em erros e notando que o maior dele foi ter deixado...

Quero tudo de muito. É o meu mal. É querer aproveitar todos os segundos. Sinto sua fala próxima e o seu hálito me diz muito sobre tudo. Quente, é assim, quente. Te escrevo em palavras. Te faço todas as minhas palavras de força, vontade e fé. Você continua sendo um mistério e isso, muito, me interessa. Mas, afinal, qual é a sua?

terça-feira, junho 01, 2010

não devemos

Metade é desafio, a outra se divide em fascínio e mistério. São os olhos, o jeito de falar, o toque e as letras. Te colocaria em um lugar da minha vida que visitasse com pouca frequência só para aumentar a intensidade dos encontros. Te reservaria um pedaço de mim que desconheço só para conhecermos, algo novo, juntos. Me interessam os seus pensamentos, as suas histórias, a sua vida diferente da minha, os seus casos do passado e o que o futuro reserva. Me interessa notar que somos compatíveis. Paixão e liberdade em doses equivalentes, misture isso a um descompromisso natural de quem sabe que não é só um, me tenha e tenha você.

Não deixo claro minhas más intenções. Revelo, mudo de ideia, sou inconstante. Um dia te acho um gênio, no outro, comum. Um dia você domina meus pensamentos e acaba com minha concentração, no outro, me irrita profundamente a lembrança de você. É físico quando está por perto, os seus olhos me intimidam enquanto você fala perto, tão perto que posso sentir você perto (demais). Me afasto, te afasto, nos afastamos. Tell me why you make me crazy, tell me how?

quinta-feira, maio 27, 2010

Sete minutos (ou mais)

A incompreensão é um presente. Aceito sem defeito que não existe um efeito para as causas que você me entregou. Atravesso o continente com uma leve melodia enquanto a música se faz cada vez mais importante. Escrevemos em linhas tortas uma história em letras que nunca são ditas. O grito cada vez mais alto e silencioso. São os ouvidos dos que sentem de forma leve o que não está certo. Certo e errado. Certo e errado. Errado e certo. Inverte a ordem e quem criou isso? Quem afirmou que estar certo é bom ou que estar errado é ruim. Quem definiu céu e inferno. O que é o inferno além daquele lugar na augusta?

Tem horas que a vida me faz sentir minúscula. Em outras, gigante. Não caibo nos estreitos que possuo e me sinto pequena ao olhar inúmeras possibilidades. Sempre quero mais de algo que não conheço, não sei, não tenho. E quero menos. Paz, grama, música boa, vento gelado, a vida passando lenta enquanto me sinto bem. Tenho me sentido bem. Apesar de. Apesar da angústia continuar intacta, dos sonhos se renovarem e serem incompreensíveis, de ter me afastado de várias pessoas, de ter saudades de outras, de esquecer algumas coisas, de lembrar de outras, da falta, das cidades longe, dos países distantes. Apesar, apesar, apesar. Sem pesar, eu repenso e acalmo os monstros enquanto ouço uma música de sete minutos. Sete minutos. Só mais...

terça-feira, maio 25, 2010

Capricho

É a sua segurança. O seu jeito de correr no mundo. O som do sorriso e a forma das suas mãos. É o seu abraço que me recolhe em calma. São os olhos que se cruzam e se repelem. É a impossibilidade e a distância. São as diferenças e as igualdades. É complementaridade de quem te empresta loucura enquanto se alimenta de sobriedade. Me envolve sem escolha enquanto ainda estou aqui. Me toma e se toma. Me dê e se dê o direito de ser. Me empreste um minuto do seu silêncio. Grite mudo as palavras que adoraria ouvir. Me toque e recolhe o que é seu. Longe, não quero. Por perto, espero. Minha cabeça não acredita em você, te vê uma farsa que respira leve a profusão de sons desinteressantes só para continuar. A sua inércia se precipita quando fala perto. Seus minutos se transformam em horas. Seus dias se fazem semanas. Os meses virão anos. Seus segundos correm. Não nota o instante agora e continua. A minha cabeça te acha desinteressante. Porém, ainda existe algo que não decifrei e é por desafio, por teimosia, por angústia, por fim que quero carregar o seu cheiro (em mim).

quinta-feira, maio 20, 2010

o meu você pra mim

Notei que ao meu lado existe um vazio que preencho com nada. Me coloco tão distante de todos, protejo minha solidão, reconheço uma canção, lembro de um filme, leio um livro e me reservo. Conservo um pedaço de mim intocável, escondido, guardado até que ele seja tomado por alguém que entra sem pedir licença. Os olhos sorriem, as palavras se formam, cada vez mais perto, perto, perto. Longe. Por proteção, por certeza, por medo.

Queria segurar a sua mão e garantir que tudo vai dar certo, que certo e errado é só uma variante insignificante e que o futuro é realmente agora. Desejo, impulso, perto, perto, perto. Longe. Me seguro, te seguro e desenho um novo momento.

"Viver é não ter que transplantar, doar, sangrar, trocar, chamar, pedir, mentir, falar, justificar no caixa". Tulipa Ruiz, aqui.

terça-feira, maio 11, 2010

nova era


Me desarmei. Acabei com todas as ilusões do passado para dar lugar a planos novinhos em folha, com menos ilusões, é verdade. Quero mais de um monte de coisas e ao mesmo tempo quero paz. Me sinto leve e livre pelas ruas de San Pablo, me emociono com passantes enquanto os observo em silêncio. Tenho estado cada vez mais longe de todos para estar perto de mim. Sempre tive milhares de problemas para confiar nas pessoas, não divido os mesmos gostos e tenho completa repulsa por obrigações. No colegial você bebe para fazer parte, não queria, não bebia, não fiz parte. Na faculdade você precisa saber discutir política internacional da Árabia Saudita, não queria, não podia, não discuti e fiquei com a turma dos que ouvem música e usam xadrez, éramos os macacos em um circo onde os outros queriam se divertir. Nunca fiz parte dos que tinham um tratado com a diversão. Me divirto absurdos conversando sobre nada em um café esquecido ou olhando uma estrela brilhar.

Hoje lembro das vezes que amei errado. Porque tenho um faro sensacional para o erro, para o desafio, para alguma coisa que sempre parece fora de foco. Vejo beleza onde não tem. Me interesso pelo desinteressante. Sou vários mistérios que não sei decifrar. É o mal de quem é milhares, nunca vai ganhar no UNO, não importa quantos jogos e quais as cartas que você tem na mão. Porém, vamos jogar mais uma rodada?