No pulso da flor
Faz alguns dias que tenha esbarrado em você. Os shows, os momentos, as frases lidas ou as músicas lembradas. Assisti uma peça que me parecia fazer entender cada momento seu que não compreendi. Não queria a sua presença como não a quero faz meses. A distância que construímos é mais vantajosa que as aproximações destrambelhadas que experimentamos. Entre nós a ponte ruiu. Acabou. É verdade.
Até agora, nesse instante, nunca te contei sobre o que se seguiu depois daquela noite. O quanto eu chorei. Chorei porque senti sair dos meus ombros o amor que não aconteceu. Chorei com a doçura de uma criança que consegue uma cicatriz depois de um tombo. Chorei com a secura de um adulto que reconhece a dificuldade que existirá em se entregar depois de. Chorei sabendo que me tocaria tudo e qualquer coisa que me lembrasse você. Chorei porque você criou em mim certa sensibilidade que não existia. Chorei pela identificação que de nós restou e que me toca a cada novo clichê ou frase feita. Em prantos me entreguei ao abraço do meu travesseiro e ao aconchego dos meus amigos.
Ganhei presentes quando superei você. Um deles, um chaveiro que carrego comigo e olho sempre que fraquejo ou quase esqueço. Quase esqueço que te esqueci.
Sou toda música. Construímos tudo entre elas. Nos escrevemos e escrevemos, como escrevemos, o tempo inteiro. Me vejo representada em frases, melodias e ternos momentos.
"Não tem nada que eu possa te dizer que vá te fazer ficar. Eu não quero também que você fique por mim. Pra não me fazer sofrer, mais. Até porque isso vai me fazer sofrer muito mais..."
Texto livremente inspirado na peça "Música para cortar os pulsos" e no show Dona Flor. (com doses de realidade, hahahaha).
domingo, outubro 28, 2012
terça-feira, outubro 09, 2012
Novo tempo
Hoje vi que estamos sofrendo de tempo, na verdade, da falta dele. Almocei com uma amiga da faculdade, três anos nos vendo todos os dias, e até hoje três anos sem se ver. O encontro foi daqueles que acontecem porque o acaso contribuiu, uma reunião que descobri ontem me colocou ao lado do trabalho dela e mandei um SMS convidando para almoçar. Tinha apenas quarenta minutos. Foi um almoço de quarenta minutos depois de três anos.
E, não é só o tempo palpável, são os sonhos que não cabem mais no tempo que sonhávamos antes. Todas as minhas amigas tem planos grandiosos de serem profissionais incríveis, calculam a carreira e os investimentos com precisão cirúrgica enquanto fogem de um compromisso. Meninas, quero afilhados e sobrinhos que adotarei como meus, pelo simples fato de ter amigas irmãs. Mas, de forma realista, não vejo no tempo nenhuma previsão disso acontecer.
Tenho toda pose e utilizo a credencial de moderna. Mas, a bem da verdade, sou uma romântica irreparável. Ainda acredito que vá encontrar quem vá me fazer encontrar prioridades onde entrem dois. Ainda espero alguém que vá me fazer pensar em ter uma família com cachorro e domingos no parque. Vejo uma criança sorrir e o meu mundo para diante da perspectiva de passar o meu legado a alguém.
Falta a simplicidade que o tempo que já não disponho me permitia. Me falta o sorriso de cantar com alguém especial de olhos fechados ao meu lado. Falta a poesia que um dia pensei escrever e que hoje só me pega de assalto. O tempo me falta e sem ele me falta muito.
Hoje vi que estamos sofrendo de tempo, na verdade, da falta dele. Almocei com uma amiga da faculdade, três anos nos vendo todos os dias, e até hoje três anos sem se ver. O encontro foi daqueles que acontecem porque o acaso contribuiu, uma reunião que descobri ontem me colocou ao lado do trabalho dela e mandei um SMS convidando para almoçar. Tinha apenas quarenta minutos. Foi um almoço de quarenta minutos depois de três anos.
E, não é só o tempo palpável, são os sonhos que não cabem mais no tempo que sonhávamos antes. Todas as minhas amigas tem planos grandiosos de serem profissionais incríveis, calculam a carreira e os investimentos com precisão cirúrgica enquanto fogem de um compromisso. Meninas, quero afilhados e sobrinhos que adotarei como meus, pelo simples fato de ter amigas irmãs. Mas, de forma realista, não vejo no tempo nenhuma previsão disso acontecer.
Tenho toda pose e utilizo a credencial de moderna. Mas, a bem da verdade, sou uma romântica irreparável. Ainda acredito que vá encontrar quem vá me fazer encontrar prioridades onde entrem dois. Ainda espero alguém que vá me fazer pensar em ter uma família com cachorro e domingos no parque. Vejo uma criança sorrir e o meu mundo para diante da perspectiva de passar o meu legado a alguém.
Falta a simplicidade que o tempo que já não disponho me permitia. Me falta o sorriso de cantar com alguém especial de olhos fechados ao meu lado. Falta a poesia que um dia pensei escrever e que hoje só me pega de assalto. O tempo me falta e sem ele me falta muito.
domingo, outubro 07, 2012
todos os tempos o tempo
Tenho andado com mais pressa. Tenho ficado presa, no trânsito e nos lugares, perdi o guarda-chuva essa semana e já não posso sair lá fora, se chove. Meu ar parece rarefeito. Sinto como se minha alma estivesse leve e solta. Como se nada me tivesse, de fato, por tempo nenhum. Sinto saudades do aconchego da minha infância e das certezas quase arrogantes da imaturidade adolescente. No processo de desfazer o caos, revirei infinitas sensações, reencontrei a doçura da lembrança de tudo que aconteceu pela primeira vez e vi que tudo acontece no tempo certo. Nada na minha vida ultrapassou o limite do tempo. Um respeito involuntário com o agora enquanto ele me vale e me leva. Não alongo sofrimento, não perduro dúvidas e não conservo incertezas.
Me refaço e desfaço de tempo. O tempo inteiro.
Tenho andado com mais pressa. Tenho ficado presa, no trânsito e nos lugares, perdi o guarda-chuva essa semana e já não posso sair lá fora, se chove. Meu ar parece rarefeito. Sinto como se minha alma estivesse leve e solta. Como se nada me tivesse, de fato, por tempo nenhum. Sinto saudades do aconchego da minha infância e das certezas quase arrogantes da imaturidade adolescente. No processo de desfazer o caos, revirei infinitas sensações, reencontrei a doçura da lembrança de tudo que aconteceu pela primeira vez e vi que tudo acontece no tempo certo. Nada na minha vida ultrapassou o limite do tempo. Um respeito involuntário com o agora enquanto ele me vale e me leva. Não alongo sofrimento, não perduro dúvidas e não conservo incertezas.
Me refaço e desfaço de tempo. O tempo inteiro.
domingo, setembro 23, 2012
Para nunca faltar a paz...
Meus amigos e as suas risadas sonoras. Meus amigos entre copos, entre lágrimas, entre conselhos, entre tardes no parque, entre almoços e jantares, entre viagens e dias inteiros. Meus amigos e as suas obrigações, seus novos ou antigos relacionamentos, seus novos e velhos compromissos, seus novos ou velhos. Meus amigos que não conseguem nunca sair do trabalho na hora e se dividem em milhares. Os apaixonados e os inquietos. Nós sempre sendo tanto.
Passo dois dias quieta. Assisto três filmes que me levam as lágrimas. Janto com meus pais. Dou risada com a minha irmã. Deixo o celular acabar a bateria e só me lembro dele nos minutos finais do domingo. Dentro do meu reino encantado de faz de conta parece que nada me falta. Não fosse a insônia e a ausência. Não existe um alguém dentro de todos que me faça querer ser caçadora. Fujo a qualquer sinal de uma reaproximação. Não me interesse nada que se refaça, não me cabe mais linhas tortas, não me fascina nenhum recomeço. A vida é mesmo agora. É aqui. E o meu tempo é daqui pra frente.
Quero a sorte de um amor tranquilo. Quero compartilhar minha preguiça ou acordar cedo para ver o dia brilhar mesmo que ele nós traía e fique nublado. Quero ver e sentir a luz de alguém que queime em vontade e que entregue ao mundo o dobro do que recebe. Quero a sorte de encontrar alguém... ou você.
Meus amigos e as suas risadas sonoras. Meus amigos entre copos, entre lágrimas, entre conselhos, entre tardes no parque, entre almoços e jantares, entre viagens e dias inteiros. Meus amigos e as suas obrigações, seus novos ou antigos relacionamentos, seus novos e velhos compromissos, seus novos ou velhos. Meus amigos que não conseguem nunca sair do trabalho na hora e se dividem em milhares. Os apaixonados e os inquietos. Nós sempre sendo tanto.
Passo dois dias quieta. Assisto três filmes que me levam as lágrimas. Janto com meus pais. Dou risada com a minha irmã. Deixo o celular acabar a bateria e só me lembro dele nos minutos finais do domingo. Dentro do meu reino encantado de faz de conta parece que nada me falta. Não fosse a insônia e a ausência. Não existe um alguém dentro de todos que me faça querer ser caçadora. Fujo a qualquer sinal de uma reaproximação. Não me interesse nada que se refaça, não me cabe mais linhas tortas, não me fascina nenhum recomeço. A vida é mesmo agora. É aqui. E o meu tempo é daqui pra frente.
Quero a sorte de um amor tranquilo. Quero compartilhar minha preguiça ou acordar cedo para ver o dia brilhar mesmo que ele nós traía e fique nublado. Quero ver e sentir a luz de alguém que queime em vontade e que entregue ao mundo o dobro do que recebe. Quero a sorte de encontrar alguém... ou você.
domingo, setembro 16, 2012
everything's exactly what it seems
Não dá. Não posso te pedir desculpas porque não me cabe culpa. É coisa que acontece, invariavelmente, sempre. Minha vontade é fonte esgotável de querer. Quero com precisão cirúrgica. Muito e intensamente. Até que não quero mais. Não existiu nada que me fez mudar. Nada que entre na conta a distância ou o tempo. Nada que se explique em palavras. Nenhum outro alguém, real ou não, que me tirou de onde estava. Nada além do fato de que não existe em mim dificuldade em partir.
É como acordar em um domingo com preguiça de pensar. É como encontrar a vida e o sentir em pleno vazio. Depois de algumas tormentas e diversas dúvidas, o nada me encheu de tudo, sinto plena ausência de algumas vontades reais e, vez ou outra, confesso, sou tomada por elas graças a uma carência mansa.
Domingo. O meu dia de nada, de filmes, de foco e de solidão. O meu dia em que a melodia se faz em silêncio e ouço músicas para preencher de inspiração o dia seguinte, a semana seguinte. Domingo, o dia de falta, que falta porque é calmaria. Não tem urgência de diversão e nem de alforria.
Não dá. Não posso te pedir desculpas porque não me cabe culpa. É coisa que acontece, invariavelmente, sempre. Minha vontade é fonte esgotável de querer. Quero com precisão cirúrgica. Muito e intensamente. Até que não quero mais. Não existiu nada que me fez mudar. Nada que entre na conta a distância ou o tempo. Nada que se explique em palavras. Nenhum outro alguém, real ou não, que me tirou de onde estava. Nada além do fato de que não existe em mim dificuldade em partir.
É como acordar em um domingo com preguiça de pensar. É como encontrar a vida e o sentir em pleno vazio. Depois de algumas tormentas e diversas dúvidas, o nada me encheu de tudo, sinto plena ausência de algumas vontades reais e, vez ou outra, confesso, sou tomada por elas graças a uma carência mansa.
Domingo. O meu dia de nada, de filmes, de foco e de solidão. O meu dia em que a melodia se faz em silêncio e ouço músicas para preencher de inspiração o dia seguinte, a semana seguinte. Domingo, o dia de falta, que falta porque é calmaria. Não tem urgência de diversão e nem de alforria.
Domingo... só até a segunda.
segunda-feira, setembro 10, 2012
i'm all ears to gather clues and look for signs
Quem me conhece sabe a dificuldade que tenho em continuar. Durmo apaixonada e acordo desinteressada. Faço planos e desisto deles ao menor sinal de possibilidade. Me interessa o desafio. Os difíceis demais, os que são demais, os que querem demais, os que tem almas e desejos em excesso. Porém, por pura contradição, a bem da verdade, só quero a simplicidade. Deitar depois de um dia complexo e dividir o silêncio com um filme. Quero chá e companhia nas madrugadas frias. Quero esquecer que o dia seguinte me cobrará as horas de sono perdidas e perdê-las sem culpa.
Quero encontrar as verdades que alguém guarda nas entrelinhas. Quero a sensibilidade latente que se esconde no que só parece. Hoje quero isso. Amanhã, não sei. No meu castelo de quereres, nenhuma pedra é definitiva.
texto de 14/11/2010
Quem me conhece sabe a dificuldade que tenho em continuar. Durmo apaixonada e acordo desinteressada. Faço planos e desisto deles ao menor sinal de possibilidade. Me interessa o desafio. Os difíceis demais, os que são demais, os que querem demais, os que tem almas e desejos em excesso. Porém, por pura contradição, a bem da verdade, só quero a simplicidade. Deitar depois de um dia complexo e dividir o silêncio com um filme. Quero chá e companhia nas madrugadas frias. Quero esquecer que o dia seguinte me cobrará as horas de sono perdidas e perdê-las sem culpa.
Quero encontrar as verdades que alguém guarda nas entrelinhas. Quero a sensibilidade latente que se esconde no que só parece. Hoje quero isso. Amanhã, não sei. No meu castelo de quereres, nenhuma pedra é definitiva.
texto de 14/11/2010
segunda-feira, agosto 27, 2012
A sentença
De mim, eu sei. Sei que tenho uma personalidade complexa, sou feita de enormes exceções e minúsculas regras. Sei que minha prioridade não é a mesma da imensa maioria, meus sonhos são diferentes e minhas vontades mutáveis.
Preciso de silêncio e não me faz mal estar sozinha. Gosto de domingos inteiros de pijama com a companhia de uma série recém descoberta, de um livro que me prende no sofá, de uma música que não consigo parar de ouvir. Gosto das coisas que independem da presença de alguém.
Amo os meus. Meus amigos e minha família. Não confio em quem não tem ao menos um grande amigo, ao menos uma grande pessoa com quem consiga dividir tudo sem o menor receio. Preciso de quem me entende sem julgar e que guarda em si uma risada sonora da piada subtendida que existe na minha vida.
Não sou uma daquelas pessoas que conseguem caber dentro da expectativa de outro. Destrua suas expectativas e conquiste minha admiração. Dê mais para o mundo do que espera dele. Construa seus sonhos e trace planos de como viver o irreal. Faça do irreal um céu que consiga tocar. Toque e me olhe no olho quando falar comigo. Me conte suas posições políticas, sua música preferida, o livro que mudou a sua vida e o filme que te faz chorar sempre na mesma cena. Me deixe te conhecer e me conheça ao mesmo tempo.
"Acho que quando você gostar de verdade de alguém, achará tempo e paciência". De tudo que alguém não entende de mim, essa frase, quase como uma agressão me foi dada como uma sentença. Não nego toda verdade que cabe nela. Até a vírgula é uma possibilidade e depois dela o encontro. Tudo na minha vida acaba por tempo e paciência. O tempo que gasto sonhando, indo de um lado pro outro, fazendo a unha, andando muito mais devagar porque preciso estar de salto. O tempo que não tenho. E a paciência que me falta. Sempre que fica demais, acaba. Sempre que não acho o tom certo, mudo a cadência da minha música. Sempre que não anda, desanda. Falta persistir ou falta achar alguém que eu goste de verdade. É falta. É o que me falta.
Mas, daí, chega um whatsapp que me faz rir pela compreensão que existe de quem divide comigo essa verdade de não caber em estreitos. Ou não caber em lugar nenhum, o que espero que não. Por agora, me vale estar entre os meus, entre o que existe enquanto desenho um irreal... até que.
De mim, eu sei. Sei que tenho uma personalidade complexa, sou feita de enormes exceções e minúsculas regras. Sei que minha prioridade não é a mesma da imensa maioria, meus sonhos são diferentes e minhas vontades mutáveis.
Preciso de silêncio e não me faz mal estar sozinha. Gosto de domingos inteiros de pijama com a companhia de uma série recém descoberta, de um livro que me prende no sofá, de uma música que não consigo parar de ouvir. Gosto das coisas que independem da presença de alguém.
Amo os meus. Meus amigos e minha família. Não confio em quem não tem ao menos um grande amigo, ao menos uma grande pessoa com quem consiga dividir tudo sem o menor receio. Preciso de quem me entende sem julgar e que guarda em si uma risada sonora da piada subtendida que existe na minha vida.
Não sou uma daquelas pessoas que conseguem caber dentro da expectativa de outro. Destrua suas expectativas e conquiste minha admiração. Dê mais para o mundo do que espera dele. Construa seus sonhos e trace planos de como viver o irreal. Faça do irreal um céu que consiga tocar. Toque e me olhe no olho quando falar comigo. Me conte suas posições políticas, sua música preferida, o livro que mudou a sua vida e o filme que te faz chorar sempre na mesma cena. Me deixe te conhecer e me conheça ao mesmo tempo.
"Acho que quando você gostar de verdade de alguém, achará tempo e paciência". De tudo que alguém não entende de mim, essa frase, quase como uma agressão me foi dada como uma sentença. Não nego toda verdade que cabe nela. Até a vírgula é uma possibilidade e depois dela o encontro. Tudo na minha vida acaba por tempo e paciência. O tempo que gasto sonhando, indo de um lado pro outro, fazendo a unha, andando muito mais devagar porque preciso estar de salto. O tempo que não tenho. E a paciência que me falta. Sempre que fica demais, acaba. Sempre que não acho o tom certo, mudo a cadência da minha música. Sempre que não anda, desanda. Falta persistir ou falta achar alguém que eu goste de verdade. É falta. É o que me falta.
Mas, daí, chega um whatsapp que me faz rir pela compreensão que existe de quem divide comigo essa verdade de não caber em estreitos. Ou não caber em lugar nenhum, o que espero que não. Por agora, me vale estar entre os meus, entre o que existe enquanto desenho um irreal... até que.
domingo, agosto 19, 2012
A semana inteira...
Os domingos e a sua capacidade especial de me fazer sentir falta. O vazio que se abre nesse dia me faz voltar a sonhar com o encontro que vai me presentear com companhia. Alguém para ver o dia passar em preguiça ou para ir brincar com os cachorros que se espreguiçam no Villa Lobos. Alguém para andar de bicicleta e me fazer tropeçar no riso. Alguém com quem cozinhar ou mudar a ordem do dia. Alguém que agradeça o garçom e o olhe no olho do segurança. Alguém que seja gente e olhe no olho de todas as pessoas, sem distinção. Alguém que me olhe no olho e veja meus medos. Alguém que desfaça os nós do meu passado para me ter, por completo, naquele agora.
Alguém que seja generoso com o mundo e consigo. Que veja piada nos próprios defeitos e se perdoe pela ausência de perfeição. Alguém que ame os dias e cada pequena possibilidade de renovação. Alguém que se permita e me permita ser, infinitamente e indefinidamente. Que não me espere e não me cobre. Aquele alguém capaz de me soltar para voar e me ajudar a querer voltar. Que não seja complicado demais a ponto de me dar preguiça e nem simples demais a ponte de me desinteressar.
Alguém que me encante com seus mistérios e com o tom da voz. Com o sorriso alto, com o olhos sinceros, com vida no corpo e na alma. Alguém me faça perder a calma e contar os dias até um próximo dia.
Mas, amanhã é segunda, uma das 48 segundas chances e dias desse do ano. Quarenta e oito, todo ano, a cada ano. A garantia de 48 dias que acordo feliz. Mais uma segunda(feira)chance.
Os domingos e a sua capacidade especial de me fazer sentir falta. O vazio que se abre nesse dia me faz voltar a sonhar com o encontro que vai me presentear com companhia. Alguém para ver o dia passar em preguiça ou para ir brincar com os cachorros que se espreguiçam no Villa Lobos. Alguém para andar de bicicleta e me fazer tropeçar no riso. Alguém com quem cozinhar ou mudar a ordem do dia. Alguém que agradeça o garçom e o olhe no olho do segurança. Alguém que seja gente e olhe no olho de todas as pessoas, sem distinção. Alguém que me olhe no olho e veja meus medos. Alguém que desfaça os nós do meu passado para me ter, por completo, naquele agora.
Alguém que seja generoso com o mundo e consigo. Que veja piada nos próprios defeitos e se perdoe pela ausência de perfeição. Alguém que ame os dias e cada pequena possibilidade de renovação. Alguém que se permita e me permita ser, infinitamente e indefinidamente. Que não me espere e não me cobre. Aquele alguém capaz de me soltar para voar e me ajudar a querer voltar. Que não seja complicado demais a ponto de me dar preguiça e nem simples demais a ponte de me desinteressar.
Alguém que me encante com seus mistérios e com o tom da voz. Com o sorriso alto, com o olhos sinceros, com vida no corpo e na alma. Alguém me faça perder a calma e contar os dias até um próximo dia.
Mas, amanhã é segunda, uma das 48 segundas chances e dias desse do ano. Quarenta e oito, todo ano, a cada ano. A garantia de 48 dias que acordo feliz. Mais uma segunda(feira)chance.
segunda-feira, agosto 13, 2012
Como é grande, o meu amor, por você...
Tem horas que quase sufoca. Que eu sinto tudo e tanto. Que me emociono com fotos, com lembranças, com o cheiro, com a cerveja que sempre tomamos lá, com os sorrisos que eles sempre guardam estampados em seus rostos mansos. Eles, os meus amigos, os cariocas. O cheiro da cidade, as fotos que cada um que conhece e se encanta, compartilha nas infinitas redes sociais (sempre tão impessoais). Me sinto mais humana quando desembarco no Rio. Me sinto plena e sou. Sou com a certeza que a vida continuará me esperando na minha também querida selva de pedra, o Rio é suspiro e São Paulo respiro. O Rio é manso, é respirar fundo, é sentir o que existe de bonito e como é bonito.
O Rio é ponto e vírgula, é uma pausa mais longe, é um sentir mais manso. Os cariocas que me encantaram, os abraços, os sorrisos, os encontros. As tardes na praia, o pôr do sol no Arpoador, o como ainda acho engraçado marcar com alguém na praia, entre um posto e outro, em Ipanema, sempre Ipanema que em poucos minutos dá nas pedras do Arpoador. O Rio é democracia. É shorts, camiseta e chinelo. É biquini sempre pronto para alterar a rota. O Rio é sorriso espontâneo e gargalhada garantida. O Rio é sonoro e eu gosto do som das pessoas.
O Rio é encanto e eu sempre me encanto... por você, cidade maravilhosa.
Tem horas que quase sufoca. Que eu sinto tudo e tanto. Que me emociono com fotos, com lembranças, com o cheiro, com a cerveja que sempre tomamos lá, com os sorrisos que eles sempre guardam estampados em seus rostos mansos. Eles, os meus amigos, os cariocas. O cheiro da cidade, as fotos que cada um que conhece e se encanta, compartilha nas infinitas redes sociais (sempre tão impessoais). Me sinto mais humana quando desembarco no Rio. Me sinto plena e sou. Sou com a certeza que a vida continuará me esperando na minha também querida selva de pedra, o Rio é suspiro e São Paulo respiro. O Rio é manso, é respirar fundo, é sentir o que existe de bonito e como é bonito.
O Rio é ponto e vírgula, é uma pausa mais longe, é um sentir mais manso. Os cariocas que me encantaram, os abraços, os sorrisos, os encontros. As tardes na praia, o pôr do sol no Arpoador, o como ainda acho engraçado marcar com alguém na praia, entre um posto e outro, em Ipanema, sempre Ipanema que em poucos minutos dá nas pedras do Arpoador. O Rio é democracia. É shorts, camiseta e chinelo. É biquini sempre pronto para alterar a rota. O Rio é sorriso espontâneo e gargalhada garantida. O Rio é sonoro e eu gosto do som das pessoas.
O Rio é encanto e eu sempre me encanto... por você, cidade maravilhosa.
domingo, agosto 05, 2012
"Calma, tudo está em calma"
Da última vez que te pedi, no meio da noite, para me encontrar, te contei um dos meus segredos: sou toda agora. Minha vida é feita de urgência. Me conquista quem vive no momento presente. Porque depois a gente vê, depois a gente pensa, depois a gente racionaliza, depois a gente paga as parcelas, depois a gente acerta a conta, depois medimos o peso do envolvimento irracional.
Já fui depois, já senti conforto, já me apaixonei por ideais, já me encantei por ideias, já fui embora, já fiquei, já naufraguei, já me afoguei e já aprendi a nadar. Não me passou tudo porque ainda me falta muito. Quero dar pro mundo o dobro do que ele me devolve. Quero paz, música, arte, poesia, literatura, calmaria. Quero calmaria do fim de tarde dentro de um abraço que me guarde do mundo. Queria ser menos urgente sem de deixar de ser agora.
Quero só paz e que essa nunca me falte.
Da última vez que te pedi, no meio da noite, para me encontrar, te contei um dos meus segredos: sou toda agora. Minha vida é feita de urgência. Me conquista quem vive no momento presente. Porque depois a gente vê, depois a gente pensa, depois a gente racionaliza, depois a gente paga as parcelas, depois a gente acerta a conta, depois medimos o peso do envolvimento irracional.
Já fui depois, já senti conforto, já me apaixonei por ideais, já me encantei por ideias, já fui embora, já fiquei, já naufraguei, já me afoguei e já aprendi a nadar. Não me passou tudo porque ainda me falta muito. Quero dar pro mundo o dobro do que ele me devolve. Quero paz, música, arte, poesia, literatura, calmaria. Quero calmaria do fim de tarde dentro de um abraço que me guarde do mundo. Queria ser menos urgente sem de deixar de ser agora.
Quero só paz e que essa nunca me falte.
quarta-feira, julho 18, 2012
we are accidents (waiting) waiting to happen
Leve. Me sinto assim. Existe cor nos meus dias cinzas na cidade que não para e onde não paro. "Não crio raiz", como escreveu alguém que conheci por acaso no acaso dos dias. Não me prendo, não finco, não fico. Saio leve pela madrugada fria, pela tarde vazia, pela casa em companhia do silêncio que esquenta. As sensações não me incomodam. Nem o frio, nem a chuva, nem as três mil blusas que me protegem.
Me perdi e me reencontrei. Me perdi quando me permiti e voltei refeita. Voltei a me apaixonar de forma simples pelas coisas que não se tocam. Fiz as pazes com a angústia da minha banda preferida. Fiz as pazes com o poderia ter sido. Fiz as pazes com o que tem a possibilidade de ser. Fiz as pazes com a leveza.
Me interessa a poesia, me interessa aprender, me interessa o que de novo existe depois da linha que ainda não escrevi nesse enorme livro que chamamos de vida.
Áries com ascendente em escorpião e lua em gêmeos. Fogo, terra e ar. Ardo como um ariano arde na sua urgência de vida, me movimento como o bicho de terra e sinto com o devaneio do ar. Os anos me mostraram que fugir da essência sempre me levou para longe, de mim, e sou tartaruga que precisa do casco para existir onde é só seu no mundo.
Já dei tantas voltas, já corri enormes maratonas, já fugi de sentir, já já já. Já cansei também. O meu tempo é agora e ele está, espero que o verbo passe para o infinit(iv)o e se torne ser, leve.
Leve. Me sinto assim. Existe cor nos meus dias cinzas na cidade que não para e onde não paro. "Não crio raiz", como escreveu alguém que conheci por acaso no acaso dos dias. Não me prendo, não finco, não fico. Saio leve pela madrugada fria, pela tarde vazia, pela casa em companhia do silêncio que esquenta. As sensações não me incomodam. Nem o frio, nem a chuva, nem as três mil blusas que me protegem.
Me perdi e me reencontrei. Me perdi quando me permiti e voltei refeita. Voltei a me apaixonar de forma simples pelas coisas que não se tocam. Fiz as pazes com a angústia da minha banda preferida. Fiz as pazes com o poderia ter sido. Fiz as pazes com o que tem a possibilidade de ser. Fiz as pazes com a leveza.
Me interessa a poesia, me interessa aprender, me interessa o que de novo existe depois da linha que ainda não escrevi nesse enorme livro que chamamos de vida.
Áries com ascendente em escorpião e lua em gêmeos. Fogo, terra e ar. Ardo como um ariano arde na sua urgência de vida, me movimento como o bicho de terra e sinto com o devaneio do ar. Os anos me mostraram que fugir da essência sempre me levou para longe, de mim, e sou tartaruga que precisa do casco para existir onde é só seu no mundo.
Já dei tantas voltas, já corri enormes maratonas, já fugi de sentir, já já já. Já cansei também. O meu tempo é agora e ele está, espero que o verbo passe para o infinit(iv)o e se torne ser, leve.
O título é de There There do Radiohead aka banda da vida.
quarta-feira, julho 11, 2012
(so)RIO
Dias para fugir do caos e me encontrar na calma que me falta. Dias para encontrar amor em simplicidade e carinho em gestos pequenos. É fim de tarde olhando o mar, dia chuvoso em euforia, madrugada fria em festa.
É uma cidade que cabe o mundo inteiro e me renova enquanto inova no meu sentir. São abraços, é colo, é carinho e encontro. Uma tarde inteira na praia enquanto o vento tenta nos expulsar. É o mar me envolvendo em calma enquanto as crianças correm ao redor e os casais sorriem na preguiça do colo que um empresta ao outro. É tudo mais verdade e mais simples, as pessoas são mais coloridas e os dias menos pesados. É uma festa com música boa, pessoas incríveis, risadas sonoras e no fim dormir no colo do amigo envolvida em paz e cansaço.
Um domingo no supermercado, fazendo pasteis, tentando jogar sinuca em uma sala apertada, rindo de besteiras, cantando músicas bonitas e sorrindo até o rosto ficar dolorido. É um encontro depois de anos e o conforto da presença do outro.
É simples porque lá as pessoas sorriem, se abraçam, se ajudam e se gostam. É simples porque voltar ao Rio sempre me renova e me mostra algo de novo... Como sentir de novo... em paz.
Dias para fugir do caos e me encontrar na calma que me falta. Dias para encontrar amor em simplicidade e carinho em gestos pequenos. É fim de tarde olhando o mar, dia chuvoso em euforia, madrugada fria em festa.
É uma cidade que cabe o mundo inteiro e me renova enquanto inova no meu sentir. São abraços, é colo, é carinho e encontro. Uma tarde inteira na praia enquanto o vento tenta nos expulsar. É o mar me envolvendo em calma enquanto as crianças correm ao redor e os casais sorriem na preguiça do colo que um empresta ao outro. É tudo mais verdade e mais simples, as pessoas são mais coloridas e os dias menos pesados. É uma festa com música boa, pessoas incríveis, risadas sonoras e no fim dormir no colo do amigo envolvida em paz e cansaço.
Um domingo no supermercado, fazendo pasteis, tentando jogar sinuca em uma sala apertada, rindo de besteiras, cantando músicas bonitas e sorrindo até o rosto ficar dolorido. É um encontro depois de anos e o conforto da presença do outro.
É simples porque lá as pessoas sorriem, se abraçam, se ajudam e se gostam. É simples porque voltar ao Rio sempre me renova e me mostra algo de novo... Como sentir de novo... em paz.
segunda-feira, julho 02, 2012
Bem que se quis
Depois de tudo ainda ser feliz
Muito obrigada por tudo que você me mostrou. Pelo jeito simples que se tornou sentir. Eu que nunca fui de me permitir, me vi, sozinha, no meio de um monte de sentimentos desconexos. Sentindo tudo e muito. Conversas que nos fizeram girar no centro do que deixou de ser pela minha distância e pelo jeito que você colocou alguém entre nós. Declaro a ausência de culpados e só hoje percebo que sempre existiram alguns e nunca nós. Éramos a sombra da nossa vontade de acertar depois de tantos erros. Eu passei os últimos anos da minha vida persistindo na história que criei para viver. Passei os últimos anos me enchendo de obrigações, de outras prioridades, de trabalho e da ausência de tempo. Mas, obrigada, você me mostrou que existe tempo e vida em mim, mostrou que posso sentir coisas bonitas de forma real.
Ouço todas as músicas que me fazem voltar no tempo. Dido, Marisa Monte, Elis Regina, Radiohead, Feist, Regina Spektor, Luiza Possi, Legião Urbana, Cat Power e tantos outros que embalam em melodias doces alguns pesares. Seguro o último respiro do que vivemos para te conservar sem pesar no meu passado.
Não existe um depois para o que não é agora. Não posso e nem vou te esperar, como diz a música no repeat infinito. Nas nossas últimas conversas lembro da esperança de um novo tempo, de um novo momento, de nós. Só que prefiro te levar enquanto não existem grandes mágoas. Sigo, leve e difusa, leve e profusa, leve e confusa. Sigo porque seguir é a melhor forma de continuar. Sem você, sem nós, sem o fim que foi caos.
Ao mesmo tempo, obrigada, por ter me feito notar os sorrisos ao lado. As frases e a ternura dos outros. De uma forma simples, obrigada por me deixar e me fazer continuar... sem você.
Depois de tudo ainda ser feliz
Muito obrigada por tudo que você me mostrou. Pelo jeito simples que se tornou sentir. Eu que nunca fui de me permitir, me vi, sozinha, no meio de um monte de sentimentos desconexos. Sentindo tudo e muito. Conversas que nos fizeram girar no centro do que deixou de ser pela minha distância e pelo jeito que você colocou alguém entre nós. Declaro a ausência de culpados e só hoje percebo que sempre existiram alguns e nunca nós. Éramos a sombra da nossa vontade de acertar depois de tantos erros. Eu passei os últimos anos da minha vida persistindo na história que criei para viver. Passei os últimos anos me enchendo de obrigações, de outras prioridades, de trabalho e da ausência de tempo. Mas, obrigada, você me mostrou que existe tempo e vida em mim, mostrou que posso sentir coisas bonitas de forma real.
Ouço todas as músicas que me fazem voltar no tempo. Dido, Marisa Monte, Elis Regina, Radiohead, Feist, Regina Spektor, Luiza Possi, Legião Urbana, Cat Power e tantos outros que embalam em melodias doces alguns pesares. Seguro o último respiro do que vivemos para te conservar sem pesar no meu passado.
Não existe um depois para o que não é agora. Não posso e nem vou te esperar, como diz a música no repeat infinito. Nas nossas últimas conversas lembro da esperança de um novo tempo, de um novo momento, de nós. Só que prefiro te levar enquanto não existem grandes mágoas. Sigo, leve e difusa, leve e profusa, leve e confusa. Sigo porque seguir é a melhor forma de continuar. Sem você, sem nós, sem o fim que foi caos.
Ao mesmo tempo, obrigada, por ter me feito notar os sorrisos ao lado. As frases e a ternura dos outros. De uma forma simples, obrigada por me deixar e me fazer continuar... sem você.
sexta-feira, junho 29, 2012
Roda gigante
Dói pela ausência e pelo fim da cumplicidade. Faz falta o abraço no meio da madrugada. O jeito que você me olhava de manhã e as manhãs que se enrolavam em preguiça enquanto as obrigações entravam por debaixo da porta. Faz falta.
É por falta que começo viver uma vida inteira pra fora. Saio, dou risada, conheço pessoas, encontro conhecidos por acaso no meio da Avenida Paulista, esbarro com um ex-caso na Livraria Cultura, sorrio para senhoras e crianças no metrô. É quando me importo menos, penso menos, vivo menos porque vivo demais.
Lembro do "eterno retorno", Nietzsche e a sua teoria que me desespera e conforta, os sentimentos todos se repetindo, o tempo inteiro, em situações diferentes. Não querer perder, dar um jeito simples de me ter por perto, ir e voltar, quantas vezes e quantos. Todos os que se apegam a aparência de que pouco me importo. É, verdade, parece que estou sempre ocupada demais com outras coisas e que sentir não é exatamente o meu forte. Sempre me visto de frieza para não me entregar com franqueza. Sempre saio antes de criar raiz.
Me enrolo, me divirto, me autosaboto, me culpo, me machuco, me perco até que me encontro em um novo sorriso e aí...
Dói pela ausência e pelo fim da cumplicidade. Faz falta o abraço no meio da madrugada. O jeito que você me olhava de manhã e as manhãs que se enrolavam em preguiça enquanto as obrigações entravam por debaixo da porta. Faz falta.
É por falta que começo viver uma vida inteira pra fora. Saio, dou risada, conheço pessoas, encontro conhecidos por acaso no meio da Avenida Paulista, esbarro com um ex-caso na Livraria Cultura, sorrio para senhoras e crianças no metrô. É quando me importo menos, penso menos, vivo menos porque vivo demais.
Lembro do "eterno retorno", Nietzsche e a sua teoria que me desespera e conforta, os sentimentos todos se repetindo, o tempo inteiro, em situações diferentes. Não querer perder, dar um jeito simples de me ter por perto, ir e voltar, quantas vezes e quantos. Todos os que se apegam a aparência de que pouco me importo. É, verdade, parece que estou sempre ocupada demais com outras coisas e que sentir não é exatamente o meu forte. Sempre me visto de frieza para não me entregar com franqueza. Sempre saio antes de criar raiz.
Me enrolo, me divirto, me autosaboto, me culpo, me machuco, me perco até que me encontro em um novo sorriso e aí...
segunda-feira, junho 25, 2012
Somebody That I Used To Know
Hoje acordei e decidi me sentir melhor. Corri os quatro quilômetros dos meus últimos todos dias ouvindo o disco que não consigo largar. Coloquei um blazer alinhado e a touca que me faz sentir uma estudante da Sorbonne. Me maquiei e me senti bem. Fui observada pelo rapaz ao meu lado no metrô e por uma garota alguns bancos a frente. Me senti bem pelos olhares.
Tenho pensado em Paris e em Londres. Tenho pensado em fugir para algum lugar na bela companhia de um livro. Tenho fugido e me encontrado nas linhas tortas do meu passado. Encontrei textos que me fazem sentir as mesmas coisas de quatro anos idos. Pensei em voltar a escrever para você e tentar entender o que ele me disse naquela noite. Pensei em esquecer o passado e simplesmente continuar. Passei o dia entre as minhas velhas conhecidas obrigações, falei futilidades e das promoções que acabaram com o meu orçamento.
Passei o dia me sentindo bem e daí chegou a noite... quando já não sei mais o que sinto.
Hoje acordei e decidi me sentir melhor. Corri os quatro quilômetros dos meus últimos todos dias ouvindo o disco que não consigo largar. Coloquei um blazer alinhado e a touca que me faz sentir uma estudante da Sorbonne. Me maquiei e me senti bem. Fui observada pelo rapaz ao meu lado no metrô e por uma garota alguns bancos a frente. Me senti bem pelos olhares.
Tenho pensado em Paris e em Londres. Tenho pensado em fugir para algum lugar na bela companhia de um livro. Tenho fugido e me encontrado nas linhas tortas do meu passado. Encontrei textos que me fazem sentir as mesmas coisas de quatro anos idos. Pensei em voltar a escrever para você e tentar entender o que ele me disse naquela noite. Pensei em esquecer o passado e simplesmente continuar. Passei o dia entre as minhas velhas conhecidas obrigações, falei futilidades e das promoções que acabaram com o meu orçamento.
Passei o dia me sentindo bem e daí chegou a noite... quando já não sei mais o que sinto.
domingo, junho 24, 2012
Eu Não Tenho Um Barco, disse a árvore
Ler, ouvir música, assistir um filme, andar no parque, prestar atenção nas crianças que sorriem para mim no metrô, brincar com o cachorro, dormir na rede, observar o jeito que se move as folhas que caem das árvores do parque sempre vazio que fica ao lado da rádio. Dar valor ao que de pequeno existe no mais sincero das coisas. Me apegar aos detalhes que não percebo porque vivo com pressa enquanto me entorpeço de obrigações. Quando me encontro em caos me encontro no silêncio.
Já consigo sentir e seguir sem me abrigar na segurança do meu passado. Não acredito nas mudanças, não acredito que vá ser diferente, não acredito em reconstrução da vontade. Acabou porque não sou mais ponto e vírgula. Acabou porque foram muitos anos esperando e a espera também desgasta. A espera amargou o sentimento e da pureza sobraram as palavras. Essas sim... ainda suas.
Ler, ouvir música, assistir um filme, andar no parque, prestar atenção nas crianças que sorriem para mim no metrô, brincar com o cachorro, dormir na rede, observar o jeito que se move as folhas que caem das árvores do parque sempre vazio que fica ao lado da rádio. Dar valor ao que de pequeno existe no mais sincero das coisas. Me apegar aos detalhes que não percebo porque vivo com pressa enquanto me entorpeço de obrigações. Quando me encontro em caos me encontro no silêncio.
Já consigo sentir e seguir sem me abrigar na segurança do meu passado. Não acredito nas mudanças, não acredito que vá ser diferente, não acredito em reconstrução da vontade. Acabou porque não sou mais ponto e vírgula. Acabou porque foram muitos anos esperando e a espera também desgasta. A espera amargou o sentimento e da pureza sobraram as palavras. Essas sim... ainda suas.
sábado, junho 23, 2012
Melhor parte de mim
Quase dez anos, um ano longe, muitos meses sem se encontrar, um trabalho de conclusão de curso, os e-mails cada vez mais resumidos dentro de uma série de obrigações, a garantia do abraço necessário e o depósito dos melhores conselhos. É quase sempre como voltar para o lar, segurança e compreensão, é o sentimento de pertencer e ter tido a sorte de ter encontrado a amizade no seu estado mais puro e raro.
Cada uma é um. São profissões, anseios e problemas diferentes. Em comum as risadas, os shows divididos, as lágrimas confidenciadas, os medos confessados e os planos divididos. É amizade no bar, no café e em todos os lugares de toda vida. É sempre o meu lugar para voltar. Meu porto seguro móvel. Minha melhor amiga, minha enorme amiga, minha amiga de alma, minha irmã que a vida me deixou escolher.
LUV, GOR!
Quase dez anos, um ano longe, muitos meses sem se encontrar, um trabalho de conclusão de curso, os e-mails cada vez mais resumidos dentro de uma série de obrigações, a garantia do abraço necessário e o depósito dos melhores conselhos. É quase sempre como voltar para o lar, segurança e compreensão, é o sentimento de pertencer e ter tido a sorte de ter encontrado a amizade no seu estado mais puro e raro.
Cada uma é um. São profissões, anseios e problemas diferentes. Em comum as risadas, os shows divididos, as lágrimas confidenciadas, os medos confessados e os planos divididos. É amizade no bar, no café e em todos os lugares de toda vida. É sempre o meu lugar para voltar. Meu porto seguro móvel. Minha melhor amiga, minha enorme amiga, minha amiga de alma, minha irmã que a vida me deixou escolher.
LUV, GOR!
domingo, junho 17, 2012
Olhos luz
Como faço para acalmar as lembranças? Como apago o seu riso de mim? Como apago a luz dos seus olhos claros que ilumina as minhas noites e não me deixa dormir? Eu sei que fui eu, foi a minha ausência que deu espaço para tantos maus entendidos, foi a minha ausência que abriu o espaço que alguém preencheu.
Te avisei muitas coisas, te contei (antes de tudo) do meu problema em ficar e em como escrever era um exercício de ficção. Te pedi perdão, de antemão, pelo meu constante sentimento de abandono e pelo de fato de que por proteção (ou medo) me afasto de tudo que poderia me fazer criar raiz. E sinto, sinto muito e sinto tudo. Você me chama de marrenta e me faz rir lembrando do quanto você fazia tudo para me dobrar. Me faz rir da última viagem, da companhia, de me ajudar a cozinhar pros nossos amigos e me atrapalhar no mesmo nível.
"As horas andam com pressa, eu ando devagar". Tá tudo passando, tá dolorido como um dia depois que fui do Parque do Ibirapuera ao Parque Villa Lobos de bicicleta, a sensação de superação do circuito completo e o corpo dolorido, tá tudo emocionalmente parecido com o que me fez sentir o desafio físico. Foi uma semana sem conseguir me envolver com nenhuma atividade que não fizesse parte das obrigações, foi uma semana difícil e dolorida, foi uma semana que me devolveu o meu passado. Foi uma semana sentindo muito e sentindo tudo, foi uma semana para apagar os seus olhos claros de mim, o mais difícil de tudo. Os seus olhos claros. Seus...
Como faço para acalmar as lembranças? Como apago o seu riso de mim? Como apago a luz dos seus olhos claros que ilumina as minhas noites e não me deixa dormir? Eu sei que fui eu, foi a minha ausência que deu espaço para tantos maus entendidos, foi a minha ausência que abriu o espaço que alguém preencheu.
Te avisei muitas coisas, te contei (antes de tudo) do meu problema em ficar e em como escrever era um exercício de ficção. Te pedi perdão, de antemão, pelo meu constante sentimento de abandono e pelo de fato de que por proteção (ou medo) me afasto de tudo que poderia me fazer criar raiz. E sinto, sinto muito e sinto tudo. Você me chama de marrenta e me faz rir lembrando do quanto você fazia tudo para me dobrar. Me faz rir da última viagem, da companhia, de me ajudar a cozinhar pros nossos amigos e me atrapalhar no mesmo nível.
"As horas andam com pressa, eu ando devagar". Tá tudo passando, tá dolorido como um dia depois que fui do Parque do Ibirapuera ao Parque Villa Lobos de bicicleta, a sensação de superação do circuito completo e o corpo dolorido, tá tudo emocionalmente parecido com o que me fez sentir o desafio físico. Foi uma semana sem conseguir me envolver com nenhuma atividade que não fizesse parte das obrigações, foi uma semana difícil e dolorida, foi uma semana que me devolveu o meu passado. Foi uma semana sentindo muito e sentindo tudo, foi uma semana para apagar os seus olhos claros de mim, o mais difícil de tudo. Os seus olhos claros. Seus...
sexta-feira, junho 08, 2012
o universo inteiro numa casca de noz
É quando me olho no espelho e tiro a maquiagem do dia que foi. É quando tiro a bota e a camisa que me irritaram o dia inteiro. É quando prendo o cabelo em um coque e tiro o relógio. É quando me encontro sozinha e me vejo inteira em mim que sinto e me sinto.
Vejo as marcas que o meu passado me deixou. A minha dificuldade de lidar com o que os outros sentem por mim e a minha própria em sentir muito tempo. O que vivi me endureceu e me fez o que sou.
Carrego a necessidade de transformar a minha solidão em poesia e fazer da ausência minha vontade frágil de estar. Faço da vida minha própria criação e de vários motivos errados tiro o que me impulsa a sentir. Seria bonito, não fosse o fato de que algo nessa equação sempre me decepciona. Somos responsáveis por todos que cativamos e eu sempre faço questão de cativar alguns para me assombrar por algumas madrugadas frias. Não é voluntário, não penso e não escolho, até arrisco dizer que não quero. Chego a conclusões óbvias como a que posso ter transformado a rotina em um hábito. Me empolgo, admiro, faço planos, divido cafés e vida, acredito que finalmente encontrei alguém vibrando em uma sintonia parecida. Até que... não.
Sofro sem fazer alarde. Escrevo e-mails que nunca vou enviar, textos que nunca vou publicar, me desfaço apenas do número do telefone para que o que não foi dito não venha a ser escancarado por impulso. Me preservo, me reservo, tiro a maquiagem, a camisa e botas que incomodaram, prendo o cabelo em um coque, tiro o relógio, coloco uma música alta, converso com a minha melhor amiga, deito na companhia de um livro e amanhã é mais um dia. Da roda viva do viver, só preciso tirar alguns da minha, até nunca mais.
"Eu poderia viver recluso numa casca de noz e me considerar rei do espaço infinito..."
Shakespeare
domingo, junho 03, 2012
Inegável
Sou eu. É a minha grande e conhecida inconstância. Sou eu que não consigo ficar. É o que alguns admiram e o que o mundo não compreende. É uma necessidade quase infantil de ficar na ponta dos pés tentando ver o que está acima dos meus olhos ou abaixo da proteção segura de uma ponte. Olho para o horizonte e é nele que sinto conforto, me fascina e intriga o infinito, me empresta paz o que ainda não conheço.
Deve ser feliz quem não conhece a angústia. Deve ser calmo quem não se preocupa com o que há além. Quero tantas coisas, quero olhar no fundo do olho das pessoas e encontrar verdade, quero noites com a lua de testemunha e manhãs frias em boa companhia. Quero conseguir ter o que já tive e não soube ter. Quero deixar de repetir erros e vontades. Quero um encontro que preencha a minha necessidade de infinito e me faça estar. Quero um aqui e agora que seja suficiente. Quero calma nos meus sonhos e vontades. Quero saciar minha busca sem embriagar meus sentidos. Quero cumplicidade no sentir, no pensar e nos planos. Não precisamos e nem é complementar querermos as mesmas coisas... Mas, se nossas vidas não estão dispostas, elas sempre estarão opostas.
Dos meus amores passados... um leve gosto de saudades e a culpa porque não pude, não posso e não poderia ficar... Eu preciso, realmente, encontrar quem me ajude a voar.
Deve ser feliz quem não conhece a angústia. Deve ser calmo quem não se preocupa com o que há além. Quero tantas coisas, quero olhar no fundo do olho das pessoas e encontrar verdade, quero noites com a lua de testemunha e manhãs frias em boa companhia. Quero conseguir ter o que já tive e não soube ter. Quero deixar de repetir erros e vontades. Quero um encontro que preencha a minha necessidade de infinito e me faça estar. Quero um aqui e agora que seja suficiente. Quero calma nos meus sonhos e vontades. Quero saciar minha busca sem embriagar meus sentidos. Quero cumplicidade no sentir, no pensar e nos planos. Não precisamos e nem é complementar querermos as mesmas coisas... Mas, se nossas vidas não estão dispostas, elas sempre estarão opostas.
Dos meus amores passados... um leve gosto de saudades e a culpa porque não pude, não posso e não poderia ficar... Eu preciso, realmente, encontrar quem me ajude a voar.
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