Só chove lá fora
Tem dias que a gente ganha anos inteiros. É como se nossa vida passasse diante dos nossos olhos e a gente tivesse aquela oportunidade que tanto pediu. Faz dois anos eu queria mostrar que estava diferente, que não ia mais cometer os mesmos erros, que tudo estava tranquilo em mim. Só que, por dentro, eu era mar revolto. Por coincidência do destino em uma noite de tempestade lá fora, por dentro, eu fui calmaria.
Faz dois anos vivia como se eu quisesse maquiar minhas dores e colocar a vida em um filtro do instagram. Naquela vontade de acreditar na ilusão que a gente cria nas imagens das nossas vidas perfeitas nas redes sociais. Tudo tão novo e desconhecido em mim. O sentir tanto e tudo, eu que nunca fui dada a nada do qual não tivesse controle, me vi tempestade. Era o calor da cidade nova que baixava a pressão e me fazia sentir mal, as incertezas todas, um fim truncado e um começo ainda indefinido.
Lembro que passei um ano inteiro da minha vida me sentindo inerte. Respondia aos estímulos da vida, andava sem linha de chegada, só porque os dias me empurravam pelo caminho. Construía casos e acasos, não me conectava a nada e nem ninguém, era como passarinho que aproveita o voo sem plano.
Aí, em uma noite de tempestade, é só lá fora que chove, aqui dentro um sol me ilumina. Faz diferença a gente se apropriar. Conduzir e não ser conduzido. Sentir e ser dona da própria vida, dos próprios caminhos, das escolhas, do acaso todo que já não me deixa inerte. É a vida que escolho, dia após dia, nesses anos que me mudaram da cabeça aos pés. É apropriação das próprias causas. É reclamar de quem para do lado esquerdo da escada rolante, e por coerência, não parar. É reclamar de quem julga e não julgar. É querer espaço e conceder espaços. É querer paz e ser paz. É querer viver com alguém que tenha maturidade e não fazer cena por besteira. É querer estar livre e ser liberdade. São pequenos gestos de coerência, enfim!
ps. porque to fascinada por esse EP, sim!
sábado, novembro 07, 2015
domingo, maio 31, 2015
Gosto de você pra planar
Planos soberanos
Aconteceu muita coisa de novo. Mais uma vez tive que olhar meu passado nos olhos para me voltar ao futuro. Por algum tempo foi só presente. Viver os meus dias, um de cada vez, leve de sentido e também ausente de sonhos maiores. Como em uma relação já desgastada, porém confortável. Como em uma vida apenas inerte, porém não estagnada.
Nem a cidade que escolhi já não me atordoava mais com sua beleza. Um tempo desperdiçado esse que não se vive com alguma paixão. Os dias eram todos iguais até eu decidir que era preciso mudar de novo. Mas, mudar dessa vez, sem distâncias geográficas. Era hora de deixar tudo passar. Me desfiz do desgaste que sempre foi a tentativa de cruzar retas paralelas. Restabeleci em mim a rotina que melhor me cabe. Os amigos leves, os shows, a praia e a minha própria companhia. Tem horas que ficar sozinho é a única maneira de se ouvir.
Tem também horas que o outro é a nossa melhor ponte com nós mesmos. Por bem ou por mal, alguns te mostram impossibilidades absurdas e outros apontam caminhos iluminados. Tem quem esbarre em sonhos adormecidos e nem imagine que te tocou assim. Tem gente que começa, dia após dia, aparecer na sua vida em pequenas sutilezas. Pessoas que timidamente conquistam espaços, gente que você pode voltar a viver sem, mas prefere não.
O bom é que não existe distância entre essas pessoas. É aquele amigo que aparece com um band-aid ridículo em um machucado conquistado de um jeito pior ainda. É quem se desperta uma tremenda crise alérgica porque comeu camarão sem saber. É quem te quebrou, sem pesar, entre duas cidades e sempre te ajuda a reconectar. É quem você ensinou a andar de bicicleta e quem te ensinou a dividir. São as relações estabelecidas em paz. E é também aquela que...
ps. dá play ai que o título é dessa música que me dá vontade de morar dentro dela.
Planos soberanos
Aconteceu muita coisa de novo. Mais uma vez tive que olhar meu passado nos olhos para me voltar ao futuro. Por algum tempo foi só presente. Viver os meus dias, um de cada vez, leve de sentido e também ausente de sonhos maiores. Como em uma relação já desgastada, porém confortável. Como em uma vida apenas inerte, porém não estagnada.
Nem a cidade que escolhi já não me atordoava mais com sua beleza. Um tempo desperdiçado esse que não se vive com alguma paixão. Os dias eram todos iguais até eu decidir que era preciso mudar de novo. Mas, mudar dessa vez, sem distâncias geográficas. Era hora de deixar tudo passar. Me desfiz do desgaste que sempre foi a tentativa de cruzar retas paralelas. Restabeleci em mim a rotina que melhor me cabe. Os amigos leves, os shows, a praia e a minha própria companhia. Tem horas que ficar sozinho é a única maneira de se ouvir.
Tem também horas que o outro é a nossa melhor ponte com nós mesmos. Por bem ou por mal, alguns te mostram impossibilidades absurdas e outros apontam caminhos iluminados. Tem quem esbarre em sonhos adormecidos e nem imagine que te tocou assim. Tem gente que começa, dia após dia, aparecer na sua vida em pequenas sutilezas. Pessoas que timidamente conquistam espaços, gente que você pode voltar a viver sem, mas prefere não.
O bom é que não existe distância entre essas pessoas. É aquele amigo que aparece com um band-aid ridículo em um machucado conquistado de um jeito pior ainda. É quem se desperta uma tremenda crise alérgica porque comeu camarão sem saber. É quem te quebrou, sem pesar, entre duas cidades e sempre te ajuda a reconectar. É quem você ensinou a andar de bicicleta e quem te ensinou a dividir. São as relações estabelecidas em paz. E é também aquela que...
ps. dá play ai que o título é dessa música que me dá vontade de morar dentro dela.
segunda-feira, março 09, 2015
"E é bom, ein?"
Cinco anos atrás, se alguém me falasse que minha vida seria como é hoje, eu iria dar risada. Tudo foi acontecendo. Uma sucessão de paixões que me levaram até aqui. Paixão pela música. Paixão por rádio. Paixão por alguns ideais. Paixão pelas ideias que discutia com até então minha chefe. Paixão pela garota que abraçou uma ideia vaga e um sonho grande. Paixão pelos caras que entraram nesse barco que a gente nem sabia direito aonde nos levaria. Paixão pelas pessoas que encontrei no caminho.
Quando se tem 20 anos e uma sede de mundo insaciável, as vontades são coisas difíceis de conectar, se quer tanto e tudo, que a gente se embriaga de meias verdades o tempo inteiro. Hoje olho pra trás, leio esse texto e lembro que aconteceu tal qual Pitty escreveu. O Segunda Sem Lei, nosso eterno filhote, nasceu de uma entrevista, de uma pesquisa que fiz a fundo da vida dela pra fugir do lugar comum, da minha curiosidade latente do que movia tanta gente ao redor daqueles pensamentos. A curiosidade sempre me moveu, sempre li biografias de cantores na intenção de entender a mágica que envolve a identificação que sentimos com alguns acordes. E, ali naquela entrevista, não encontrei respostas concretas porque a música é uma verdade abstrata. Toquei a identificação, filmes/livros e músicas que dividíamos e até então não tinha me permitido enxergar no que ela produzia. Me tornei uma das admiradoras daquela pequena mulher que virá uma gigante no palco, mas principalmente da pessoa com pensamento rápido, analítico e sempre gentil.
E, agora cinco anos depois, um ano de terapia, quase dois anos fora da casa dos meus pais e uma sede ainda insaciável porém mais contida. Já não me embriago com as meias verdades. Não me interessam mais metades. Quando se encontra em você aquela ponta solta do que é seu desejo e a as permissões que você dá ao outro; a vida fica mais calma, mais leve e menos urgente. Viver virou mais maresia do que tempestade e foi isso que senti no Circo. O reencontro com aquela garota de 20 anos em paz, sem tempestade, só maresia.
Cinco anos atrás, se alguém me falasse que minha vida seria como é hoje, eu iria dar risada. Tudo foi acontecendo. Uma sucessão de paixões que me levaram até aqui. Paixão pela música. Paixão por rádio. Paixão por alguns ideais. Paixão pelas ideias que discutia com até então minha chefe. Paixão pela garota que abraçou uma ideia vaga e um sonho grande. Paixão pelos caras que entraram nesse barco que a gente nem sabia direito aonde nos levaria. Paixão pelas pessoas que encontrei no caminho.
Quando se tem 20 anos e uma sede de mundo insaciável, as vontades são coisas difíceis de conectar, se quer tanto e tudo, que a gente se embriaga de meias verdades o tempo inteiro. Hoje olho pra trás, leio esse texto e lembro que aconteceu tal qual Pitty escreveu. O Segunda Sem Lei, nosso eterno filhote, nasceu de uma entrevista, de uma pesquisa que fiz a fundo da vida dela pra fugir do lugar comum, da minha curiosidade latente do que movia tanta gente ao redor daqueles pensamentos. A curiosidade sempre me moveu, sempre li biografias de cantores na intenção de entender a mágica que envolve a identificação que sentimos com alguns acordes. E, ali naquela entrevista, não encontrei respostas concretas porque a música é uma verdade abstrata. Toquei a identificação, filmes/livros e músicas que dividíamos e até então não tinha me permitido enxergar no que ela produzia. Me tornei uma das admiradoras daquela pequena mulher que virá uma gigante no palco, mas principalmente da pessoa com pensamento rápido, analítico e sempre gentil.
E, agora cinco anos depois, um ano de terapia, quase dois anos fora da casa dos meus pais e uma sede ainda insaciável porém mais contida. Já não me embriago com as meias verdades. Não me interessam mais metades. Quando se encontra em você aquela ponta solta do que é seu desejo e a as permissões que você dá ao outro; a vida fica mais calma, mais leve e menos urgente. Viver virou mais maresia do que tempestade e foi isso que senti no Circo. O reencontro com aquela garota de 20 anos em paz, sem tempestade, só maresia.
domingo, março 01, 2015
Viva a carioquice
O Rio completa 450 anos e eu 1 ano e 4 meses de Rio. Porque alguns tem a sorte de nascerem Rio e outros se tornam, começam a marcar o tempo desde que renascem nessa cidade, porque viver no Rio é quase um renascer. Nem tanto pelas praias lindas que encantam no primeiro momento, mas muito pelo que vem junto.
Aqui todos viram amigos. O moço da mecânica perto da sua casa. O outro que guarda carros. O outro que tem uma concessionária na esquina do seu apartamento. A galera do salão. Os porteiros dos seus amigos. Os amigos todos que você faz ao acaso dos dias, os amigos de amigos que viram seus e os seus que viram amigos dos seus amigos. De repente, você se sente parte de um enorme lugar que é essa cidade.
Começou com paixão de verão e depois se tornou um amor incondicional. Lido bem com as criticas a quem amo porque até os mais amados guardam seus defeitos e desagradam alguns. Mas, com você é diferente, seus defeitos são quase perdoados. Seu trânsito caótico tem vista pro mar. Suas ruas confusas tem nomes conhecidos da minha cidade de até então. Sua temperatura desumana se tranquiliza dentro do seu mar revolto.
Feliz ano novo, meu amor, que o nosso amor se renove por mais muitos outros. É a você que quero entregar meus filhos que correrão na praia e crescerão com esse despudor que você dá aos seus. É até esse seu sotaque que quero entregar ao que vier de mim. Que nunca falte Rio e mar.
O Rio completa 450 anos e eu 1 ano e 4 meses de Rio. Porque alguns tem a sorte de nascerem Rio e outros se tornam, começam a marcar o tempo desde que renascem nessa cidade, porque viver no Rio é quase um renascer. Nem tanto pelas praias lindas que encantam no primeiro momento, mas muito pelo que vem junto.
Aqui todos viram amigos. O moço da mecânica perto da sua casa. O outro que guarda carros. O outro que tem uma concessionária na esquina do seu apartamento. A galera do salão. Os porteiros dos seus amigos. Os amigos todos que você faz ao acaso dos dias, os amigos de amigos que viram seus e os seus que viram amigos dos seus amigos. De repente, você se sente parte de um enorme lugar que é essa cidade.
Começou com paixão de verão e depois se tornou um amor incondicional. Lido bem com as criticas a quem amo porque até os mais amados guardam seus defeitos e desagradam alguns. Mas, com você é diferente, seus defeitos são quase perdoados. Seu trânsito caótico tem vista pro mar. Suas ruas confusas tem nomes conhecidos da minha cidade de até então. Sua temperatura desumana se tranquiliza dentro do seu mar revolto.
Feliz ano novo, meu amor, que o nosso amor se renove por mais muitos outros. É a você que quero entregar meus filhos que correrão na praia e crescerão com esse despudor que você dá aos seus. É até esse seu sotaque que quero entregar ao que vier de mim. Que nunca falte Rio e mar.
domingo, janeiro 18, 2015
Postcards from Rio
Dia 18 de janeiro e um ano inteiro aconteceu dentro desses poucos dias. Desde que aceitei acampar em uma praia muito distante sem nenhum sinal no celular ou qualquer contato com a internet. A partir do momento que respondia com um sorriso nervoso a cada vez que me perguntaram "você vai acampar mesmo?" ou "e se chover?" ou "você comprou remédio, repelente, tá levando protetor o suficiente?". E, foi dada a largada para aventura, muitas horas até a praia foram recompensadas por dias cheios de paz, uma conexão forte e profunda com quem estava ali comigo. É engraçado, mas depois do celular, quase nunca estamos presentes. Nos revezamos para carregar o celular e fazer as fotos que depois seriam enviadas a todos, mostrávamos com o aparelho passando de mão em mão e comentamos ali mesmo, mais pessoais e reais do que os nossos comentários soltos no instagram, que aconteceram dias depois, é verdade, quando cada um já tinha voltado as suas rotinas tecnológicas.
E foi essa semana que o Rio começou a me mostrar que o calor é forte e meu corpo paulista ainda não está plenamente adaptado. É estranho ficar doente quando se está longe dos pais, mesmo que tenhamos mais do que vinte e cinco. Mas, é diferente quando você está na cidade que escolheu e te escolheu. Com as pessoas que te escolheram também. Meus amigos me chamaram pra ir em uma festa linda, confirmei e logo depois percebi que subir o Cantagalo com a pressão oscilando não era uma boa ideia. Outros me chamaram pro Jardim do MAM, mas o sol forte tão pouco seria sutil ainda que naquele lugar lindo. Como nos dias que queremos colo de mãe, passei o fim de semana onde me reconheço. O almoço de sábado que se estende tarde a dentro com um sacaneando o outro no melhor estilo Grande Família. No jantar de domingo depois de uma visita ao hospital, duas injeções, uma volta no shopping e uma passada na livraria.
E, assim, eu filha única até os oito anos acostumada até então a me inventar sozinha percebo que o melhor foi aprender a me inventar com os outros. Cada um ocupando seu lugar no meu kit de sobrevivência, com a licença poética da Maria Ribeiro em um dos contos do livro que li hoje, de uma vez só. E se hoje o mundo gira dentro da minha cabeça, eu paro, me equilibro e sorrio. Por cada "se você precisar de qualquer coisa" ou "me liga qualquer hora" ou cada frase que me faz sentir parte de mim e de vocês. E que a vida seja sempre uma viagem sem sinal no celular onde a gente realmente se conecta.
Agora sim, feliz ano novo! :)
Dia 18 de janeiro e um ano inteiro aconteceu dentro desses poucos dias. Desde que aceitei acampar em uma praia muito distante sem nenhum sinal no celular ou qualquer contato com a internet. A partir do momento que respondia com um sorriso nervoso a cada vez que me perguntaram "você vai acampar mesmo?" ou "e se chover?" ou "você comprou remédio, repelente, tá levando protetor o suficiente?". E, foi dada a largada para aventura, muitas horas até a praia foram recompensadas por dias cheios de paz, uma conexão forte e profunda com quem estava ali comigo. É engraçado, mas depois do celular, quase nunca estamos presentes. Nos revezamos para carregar o celular e fazer as fotos que depois seriam enviadas a todos, mostrávamos com o aparelho passando de mão em mão e comentamos ali mesmo, mais pessoais e reais do que os nossos comentários soltos no instagram, que aconteceram dias depois, é verdade, quando cada um já tinha voltado as suas rotinas tecnológicas.
E foi essa semana que o Rio começou a me mostrar que o calor é forte e meu corpo paulista ainda não está plenamente adaptado. É estranho ficar doente quando se está longe dos pais, mesmo que tenhamos mais do que vinte e cinco. Mas, é diferente quando você está na cidade que escolheu e te escolheu. Com as pessoas que te escolheram também. Meus amigos me chamaram pra ir em uma festa linda, confirmei e logo depois percebi que subir o Cantagalo com a pressão oscilando não era uma boa ideia. Outros me chamaram pro Jardim do MAM, mas o sol forte tão pouco seria sutil ainda que naquele lugar lindo. Como nos dias que queremos colo de mãe, passei o fim de semana onde me reconheço. O almoço de sábado que se estende tarde a dentro com um sacaneando o outro no melhor estilo Grande Família. No jantar de domingo depois de uma visita ao hospital, duas injeções, uma volta no shopping e uma passada na livraria.
E, assim, eu filha única até os oito anos acostumada até então a me inventar sozinha percebo que o melhor foi aprender a me inventar com os outros. Cada um ocupando seu lugar no meu kit de sobrevivência, com a licença poética da Maria Ribeiro em um dos contos do livro que li hoje, de uma vez só. E se hoje o mundo gira dentro da minha cabeça, eu paro, me equilibro e sorrio. Por cada "se você precisar de qualquer coisa" ou "me liga qualquer hora" ou cada frase que me faz sentir parte de mim e de vocês. E que a vida seja sempre uma viagem sem sinal no celular onde a gente realmente se conecta.
Agora sim, feliz ano novo! :)
segunda-feira, dezembro 29, 2014
Um dia após o outro
De fato, nada como um dia após o outro. O ano começou em uma plena bagunça, me perdi completamente e Clarice estava certa quando disse que se perder também é caminho. Um desencontro total foi o que precisava para me encontrar. Descobrir o que verdadeiramente era desejo meu e o que vinha dos desejos alheios. Deixei de atender as expectativas alheias e dia após dia fui buscar quais eram as minhas.
Foi um ano lindo, intenso e com dias mais azuis do que cinzas. A mudança geográfica ajudou, é claro. Tristeza não fica se observada sentada diante do mar. Dia desses um amigo me disse "a vida é bem melhor aqui, estaria fazendo nada se estivesse em São Paulo", estávamos fazendo exatamente isso, nada, só que nada com tomando um matte no Leme.
Do nada que me permiti esse ano, fiz muito e o mais importante, fiz o movimento que proporcionou diversos encontros. Amigos inimagináveis. Uma família nova que ganhei. Uma ligação mais forte e generosa com a minha família de sangue. A certeza de que tenho amigos verdadeiros que continuarão ao meu lado contrariando quaisquer quilômetros.
"I don't belonge here" já não faz o mesmo sentido de antes. Minha tatuagem virou marca de um momento e a possibilidade de entender que não pertenço aqui ou a qualquer lugar porque pertenço a todos os lugares se estou em paz comigo. Sou morada de mim e de todos os meus amores, amigos e famílias. Carrego em mim tantas, tantos e todos por quem tenho afeto.
Foi esse ano também que me conectou com as pessoas de uma forma mais simples. Comecei na longa e complexa missão de destruir diversas expectativas e aceitar cada um nas diferenças. Ainda falta muito, mas pelo caminho do meio, eu sigo mais leve.
Que o ano novo seja ainda mais cheio de sentimentos bons, pessoas de paz, risos fartos e que não falte saúde nem maresia.
Namastê!
De fato, nada como um dia após o outro. O ano começou em uma plena bagunça, me perdi completamente e Clarice estava certa quando disse que se perder também é caminho. Um desencontro total foi o que precisava para me encontrar. Descobrir o que verdadeiramente era desejo meu e o que vinha dos desejos alheios. Deixei de atender as expectativas alheias e dia após dia fui buscar quais eram as minhas.
Foi um ano lindo, intenso e com dias mais azuis do que cinzas. A mudança geográfica ajudou, é claro. Tristeza não fica se observada sentada diante do mar. Dia desses um amigo me disse "a vida é bem melhor aqui, estaria fazendo nada se estivesse em São Paulo", estávamos fazendo exatamente isso, nada, só que nada com tomando um matte no Leme.
Do nada que me permiti esse ano, fiz muito e o mais importante, fiz o movimento que proporcionou diversos encontros. Amigos inimagináveis. Uma família nova que ganhei. Uma ligação mais forte e generosa com a minha família de sangue. A certeza de que tenho amigos verdadeiros que continuarão ao meu lado contrariando quaisquer quilômetros.
"I don't belonge here" já não faz o mesmo sentido de antes. Minha tatuagem virou marca de um momento e a possibilidade de entender que não pertenço aqui ou a qualquer lugar porque pertenço a todos os lugares se estou em paz comigo. Sou morada de mim e de todos os meus amores, amigos e famílias. Carrego em mim tantas, tantos e todos por quem tenho afeto.
Foi esse ano também que me conectou com as pessoas de uma forma mais simples. Comecei na longa e complexa missão de destruir diversas expectativas e aceitar cada um nas diferenças. Ainda falta muito, mas pelo caminho do meio, eu sigo mais leve.
Que o ano novo seja ainda mais cheio de sentimentos bons, pessoas de paz, risos fartos e que não falte saúde nem maresia.
Namastê!
segunda-feira, novembro 10, 2014
on my way to heaven
Agora voltar pra casa é seguir o caminho contrário. A cada vinda tudo parece ter realmente tomado uma forma ainda melhor. Por certo, escolher amigos é uma arte que domino, pessoas de almas encantadoras e sorrisos fáceis. Da família, a falta de rotina conserva apenas a leveza e o carinho de encontros.
São Paulo já não me desgasta tanto quanto antes porque eu já não me gasto assim. Não admito cobranças, sigo livre porque é a liberdade que me prende. Deixo ir tudo que quero que fique para que ficar seja uma opção e uma escolha. Sigo livre para que ficar seja também uma opção e uma escolha. Passei tempo demais gastando energia correndo pela vida, consumindo noites, gastando dias e desperdiçando tempo ao confundir prazer com felicidade.
Não existe desconhecido maior do que o que não vemos de nós mesmos. E, por vazio, tentava encher a vida com tudo. Sempre o máximo. Grande, alto e desafiador. Aceitava as expectativas de qualquer um só pra não ter que ouvir as minhas. Era mais fácil caber na história de alguém do que admitir que não sabia verdadeiramente o que queria fazer com a minha.
Inconscientemente, peguei uma estrada de mão única, medida por uma unidade desconhecida, nem passos ou quilômetros. Encarei uma porção de medos. Fiquei sozinha e no silêncio escutei diversas vozes. Com paciência, aprendi a lidar com meus fantasmas. Entendi que o ciúmes era só fruto da minha insegurança. A minha insegurança era fruto da falta de autoconfiança. Já a falta de autoconfiança era fruto de me desconhecer, pro bem e pro mal. Pro bom e pro ruim.
Agora, parece que é mais simples contemplar dias felizes. Eles tem algumas pessoas, dias na praia, uma trilha nova, sorriso de desconhecidos ou conhecidos nas ruas, encontros e alguns desencontros também. Porque, sim, como diria, Clarice, "perder-se também é caminho", nessa estrada de mão única, tenho evito as bifurcações. Sigo por onde e por quem segura algumas lanternas. Que os dias sejam doces e iluminados com mais verão e mais Ridijaneiro.
Agora voltar pra casa é seguir o caminho contrário. A cada vinda tudo parece ter realmente tomado uma forma ainda melhor. Por certo, escolher amigos é uma arte que domino, pessoas de almas encantadoras e sorrisos fáceis. Da família, a falta de rotina conserva apenas a leveza e o carinho de encontros.
São Paulo já não me desgasta tanto quanto antes porque eu já não me gasto assim. Não admito cobranças, sigo livre porque é a liberdade que me prende. Deixo ir tudo que quero que fique para que ficar seja uma opção e uma escolha. Sigo livre para que ficar seja também uma opção e uma escolha. Passei tempo demais gastando energia correndo pela vida, consumindo noites, gastando dias e desperdiçando tempo ao confundir prazer com felicidade.
Não existe desconhecido maior do que o que não vemos de nós mesmos. E, por vazio, tentava encher a vida com tudo. Sempre o máximo. Grande, alto e desafiador. Aceitava as expectativas de qualquer um só pra não ter que ouvir as minhas. Era mais fácil caber na história de alguém do que admitir que não sabia verdadeiramente o que queria fazer com a minha.
Inconscientemente, peguei uma estrada de mão única, medida por uma unidade desconhecida, nem passos ou quilômetros. Encarei uma porção de medos. Fiquei sozinha e no silêncio escutei diversas vozes. Com paciência, aprendi a lidar com meus fantasmas. Entendi que o ciúmes era só fruto da minha insegurança. A minha insegurança era fruto da falta de autoconfiança. Já a falta de autoconfiança era fruto de me desconhecer, pro bem e pro mal. Pro bom e pro ruim.
Agora, parece que é mais simples contemplar dias felizes. Eles tem algumas pessoas, dias na praia, uma trilha nova, sorriso de desconhecidos ou conhecidos nas ruas, encontros e alguns desencontros também. Porque, sim, como diria, Clarice, "perder-se também é caminho", nessa estrada de mão única, tenho evito as bifurcações. Sigo por onde e por quem segura algumas lanternas. Que os dias sejam doces e iluminados com mais verão e mais Ridijaneiro.
quarta-feira, outubro 15, 2014
Natural
Uma amiga me lembrou que exatamente um ano atrás ainda não sabia se viria no dia 21 ou 28. Que já tinha avisado que ia sair da rádio e assinado o contrato com a empresa nova. Meus planos eram tantos, acreditava realmente que poderia fazer tudo do meu jeito, mas a vida tem realmente o seu próprio.
Quase um ano atrás chegava no Rio com uma mala, o travesseiro de sempre, diversos sonhos e apenas uma perspectiva. No caminho um único disco que me acompanha até hoje e coincidentemente começa com um sample do Nação Zumbi que diz "deixar que os fatos sejam fatos naturalmente sem que sejam forjados para poder ser". E a cidade desde a primeira semana, quando trabalhava no centro do Rio, me presenteou com um dia com a sensação térmica fim do mundo, deixando claro que todos os fatos seguiriam naturalmente. Aliás, natural é outra coisa que ganhou mais um significado, quando no Rio você pede uma água e te olham quase com um olhar de desculpas e dizem "mas, tá natural" em São Paulo pensava "sem gás, ótimo" aqui quer dizer sem gelo, ou seja, a temperatura de fazer um chá. Até o natural ganhou mais cores.
Cheguei e logo senti falta da minha rotina. Tinha a barreira da língua, do trabalho, quase não falava português porque trabalhava com uma francesa. Senti falta dos meus amigos da rádio e de quem conhecia o meu riso já gritando um "manda aí, Su" porque sem dúvidas tinha achado um vídeo novo na internet. Faltava os primeiros acordes de uma música que fazia alguém surgir do meu lado já fazendo a coreografia da nova música do momento. Faltava as mentes malignas pensando na próxima sacanagem que faríamos com um novo estagiário desavisado. Faltava muito e logo faltou tudo. Porque minhas certezas eram frágeis demais para se sustentar.
Mas, passou, foi passando, fui me encontrando no que seria dali adiante. Nunca me reencontrei porque a estrada criou mais do que uma distância geográfica da minha vida de antes. E, agora, um ano depois, tenho apenas uma enorme gratidão pela família que me acolheu e me fez sentir parte dela. Aos amigos que estiveram sempre por perto ainda que por alguns momentos longe. Aos encontros que a vida me proporcionou. A rotina que estabeleci onde cabe a praia de todo fim de semana. E, principalmente, a música que seguiu sendo a luz dentro dos túneis escuros que atravessei.
Feliz um ano, para nós, Rio!
Mas se nada será como foi, mas deixa ser como tem que ser
que seja eterno enquanto acontecer
pra mim, pra você e pra quem quer que exista
por mais difícil que possa parecer, sempre insista
nunca foi fácil, não é nem nunca será
sempre foi difícil, é e ainda será
ainda me lembro.. ainda me lembro
Uma amiga me lembrou que exatamente um ano atrás ainda não sabia se viria no dia 21 ou 28. Que já tinha avisado que ia sair da rádio e assinado o contrato com a empresa nova. Meus planos eram tantos, acreditava realmente que poderia fazer tudo do meu jeito, mas a vida tem realmente o seu próprio.
Quase um ano atrás chegava no Rio com uma mala, o travesseiro de sempre, diversos sonhos e apenas uma perspectiva. No caminho um único disco que me acompanha até hoje e coincidentemente começa com um sample do Nação Zumbi que diz "deixar que os fatos sejam fatos naturalmente sem que sejam forjados para poder ser". E a cidade desde a primeira semana, quando trabalhava no centro do Rio, me presenteou com um dia com a sensação térmica fim do mundo, deixando claro que todos os fatos seguiriam naturalmente. Aliás, natural é outra coisa que ganhou mais um significado, quando no Rio você pede uma água e te olham quase com um olhar de desculpas e dizem "mas, tá natural" em São Paulo pensava "sem gás, ótimo" aqui quer dizer sem gelo, ou seja, a temperatura de fazer um chá. Até o natural ganhou mais cores.
Cheguei e logo senti falta da minha rotina. Tinha a barreira da língua, do trabalho, quase não falava português porque trabalhava com uma francesa. Senti falta dos meus amigos da rádio e de quem conhecia o meu riso já gritando um "manda aí, Su" porque sem dúvidas tinha achado um vídeo novo na internet. Faltava os primeiros acordes de uma música que fazia alguém surgir do meu lado já fazendo a coreografia da nova música do momento. Faltava as mentes malignas pensando na próxima sacanagem que faríamos com um novo estagiário desavisado. Faltava muito e logo faltou tudo. Porque minhas certezas eram frágeis demais para se sustentar.
Mas, passou, foi passando, fui me encontrando no que seria dali adiante. Nunca me reencontrei porque a estrada criou mais do que uma distância geográfica da minha vida de antes. E, agora, um ano depois, tenho apenas uma enorme gratidão pela família que me acolheu e me fez sentir parte dela. Aos amigos que estiveram sempre por perto ainda que por alguns momentos longe. Aos encontros que a vida me proporcionou. A rotina que estabeleci onde cabe a praia de todo fim de semana. E, principalmente, a música que seguiu sendo a luz dentro dos túneis escuros que atravessei.
Feliz um ano, para nós, Rio!
Mas se nada será como foi, mas deixa ser como tem que ser
que seja eterno enquanto acontecer
pra mim, pra você e pra quem quer que exista
por mais difícil que possa parecer, sempre insista
nunca foi fácil, não é nem nunca será
sempre foi difícil, é e ainda será
ainda me lembro.. ainda me lembro
quarta-feira, outubro 01, 2014
Base de um descanso milenar
Daqui um mês faz um ano que cheguei no Rio sem saber nada do que me esperava. No começo foi bem difícil, sim. Admito, teve momentos em que pensei em voltar pro conforto da minha vida de antes. Demorou um tempo até eu me encontrar, tivemos uma crise, o relacionamento ficou balançado, mas foi depois da crise que passamos da paixão de verão para um relacionamento de amor manso. O Rio me deu o espaço que eu precisava para ser e eu me dei com ele porque nós não nos julgamos.
Descobri o prazer do nada. Em São Paulo a gente sempre tem alguma coisa pra fazer: um filme em cartaz, a peça de um amigo, o show de um outro conhecido e uma crescente ansiedade movida pela sensação da necessidade de fazer tudo. A gente pouco se permite ao nada. No Rio, descobri o prazer de ficar uma tarde inteira na praia esperando o moço do mate passar ou simplesmente aproveitar a alegria de nada esperar (e nem desesperar). Depois que deixei de procurar a felicidade como único modo de me sentir em paz, ela se tornou o caminho.
No Rio você diz que vai marcar muitas coisas, mas a verdade é que não vai marcar nada, mas vai encontrar os seus amigos nos bares, nos cinemas ou na praia porque aqui as pessoas estão quase sempre na rua, é fácil encontrar. E não pode criticar a cidade, falar da coisa terrível que eles chamam de pizza, pode causar uma discussão real. Mas, sou paulista, né? E, desculpa, Rio, mas a pizza é um problema.
Depois de quase um ano, não consigo viver um fim de semana sem ir a praia, fim de semana sem ir a praia é quase um desperdício. E ainda acho incrível ver o Cristo. Também aprendi a "admirar a vista". Já peço mate até em restaurante, mas ainda não consigo gostar de biscoito Globo. Acho uma heresia o que chamam aqui de "tirar a ponta" do esmalte. Ah, confesso, dias desses falei biscoito ao invés de bolacha.
Até meus hábitos paulistas ganharam mais leveza. Saio pra jantar de chinelo, vou a livraria na esquina de casa de chinelo e já tenho uma pequena coleção de havaianas. Aqui tudo bem, tá tudo sempre bem. Agora a vida me encanta mais. As pessoas me interessam mais. O outro é também uma conexão que faço comigo. Ainda penso muito mais do que deveria e ainda tenho medos inconfessáveis. Mas verdade seja dita, nesses onze meses o Rio me deu uma fé enorme.
Daqui um mês faz um ano que cheguei no Rio sem saber nada do que me esperava. No começo foi bem difícil, sim. Admito, teve momentos em que pensei em voltar pro conforto da minha vida de antes. Demorou um tempo até eu me encontrar, tivemos uma crise, o relacionamento ficou balançado, mas foi depois da crise que passamos da paixão de verão para um relacionamento de amor manso. O Rio me deu o espaço que eu precisava para ser e eu me dei com ele porque nós não nos julgamos.
Descobri o prazer do nada. Em São Paulo a gente sempre tem alguma coisa pra fazer: um filme em cartaz, a peça de um amigo, o show de um outro conhecido e uma crescente ansiedade movida pela sensação da necessidade de fazer tudo. A gente pouco se permite ao nada. No Rio, descobri o prazer de ficar uma tarde inteira na praia esperando o moço do mate passar ou simplesmente aproveitar a alegria de nada esperar (e nem desesperar). Depois que deixei de procurar a felicidade como único modo de me sentir em paz, ela se tornou o caminho.
No Rio você diz que vai marcar muitas coisas, mas a verdade é que não vai marcar nada, mas vai encontrar os seus amigos nos bares, nos cinemas ou na praia porque aqui as pessoas estão quase sempre na rua, é fácil encontrar. E não pode criticar a cidade, falar da coisa terrível que eles chamam de pizza, pode causar uma discussão real. Mas, sou paulista, né? E, desculpa, Rio, mas a pizza é um problema.
Depois de quase um ano, não consigo viver um fim de semana sem ir a praia, fim de semana sem ir a praia é quase um desperdício. E ainda acho incrível ver o Cristo. Também aprendi a "admirar a vista". Já peço mate até em restaurante, mas ainda não consigo gostar de biscoito Globo. Acho uma heresia o que chamam aqui de "tirar a ponta" do esmalte. Ah, confesso, dias desses falei biscoito ao invés de bolacha.
Até meus hábitos paulistas ganharam mais leveza. Saio pra jantar de chinelo, vou a livraria na esquina de casa de chinelo e já tenho uma pequena coleção de havaianas. Aqui tudo bem, tá tudo sempre bem. Agora a vida me encanta mais. As pessoas me interessam mais. O outro é também uma conexão que faço comigo. Ainda penso muito mais do que deveria e ainda tenho medos inconfessáveis. Mas verdade seja dita, nesses onze meses o Rio me deu uma fé enorme.
quarta-feira, setembro 10, 2014
Sob a tempestade que chamam desejo
Que também é o nome do bonde que pego
Faz um tempo eu não sabia o quanto me distanciar do até então me deixaria perdida diante do aqui adiante. Faz um tempo vivia projetando todo o tempo. Preocupada demais com o futuro para conseguir viver o presente. Preocupada demais com as expectativas dos outros para conseguir ouvir as minhas. Ouvindo demais vozes que falavam o tempo todo ao ponto de não conseguir me ouvir.
Faz um tempo que encontrei a vontade e um medo enorme do desconhecido. Tudo parecia tão grande a ponto de me engolir. A insegurança parecia mais areia movediça do que sossego. É diante dela que me encontro hoje ainda mais forte, mais firme, mais certa de que o certo é realmente areia movediça.
Faz um outro tempo que me sentia sempre sozinha, por mais que rodeada dos meus amigos, da minha família, dos meus amores inventados. Hoje parece que faz tanto tempo que tinha medo de mergulhar em águas frias, em sonhos desconhecidos, em verdades nunca vistas.
Faz um tempo que me fazia surda diante dos meus desejos. Hoje é tudo realmente muito mais do que apenas sim ou não, sou eu e ser apenas eu tem me feito um bem enorme. As minhas vontades se alargaram, meus sonhos aumentaram, minhas pessoas se abriram em várias e até o meu sorriso platônico se alimenta de uma verdade que até então me parecia sonho muito mais distante.
Que também é o nome do bonde que pego
Faz um tempo eu não sabia o quanto me distanciar do até então me deixaria perdida diante do aqui adiante. Faz um tempo vivia projetando todo o tempo. Preocupada demais com o futuro para conseguir viver o presente. Preocupada demais com as expectativas dos outros para conseguir ouvir as minhas. Ouvindo demais vozes que falavam o tempo todo ao ponto de não conseguir me ouvir.
Faz um tempo que encontrei a vontade e um medo enorme do desconhecido. Tudo parecia tão grande a ponto de me engolir. A insegurança parecia mais areia movediça do que sossego. É diante dela que me encontro hoje ainda mais forte, mais firme, mais certa de que o certo é realmente areia movediça.
Faz um outro tempo que me sentia sempre sozinha, por mais que rodeada dos meus amigos, da minha família, dos meus amores inventados. Hoje parece que faz tanto tempo que tinha medo de mergulhar em águas frias, em sonhos desconhecidos, em verdades nunca vistas.
Faz um tempo que me fazia surda diante dos meus desejos. Hoje é tudo realmente muito mais do que apenas sim ou não, sou eu e ser apenas eu tem me feito um bem enorme. As minhas vontades se alargaram, meus sonhos aumentaram, minhas pessoas se abriram em várias e até o meu sorriso platônico se alimenta de uma verdade que até então me parecia sonho muito mais distante.
segunda-feira, agosto 25, 2014
Por menos homens de lata
Faz meses que desembarquei nessa cidade e nessa vida. Sim, mudar de cidade é quase como mudar de vida, é uma página em branco sem passado ou nenhum futuro pré-escrito. É um infinito de possibilidades onde a gente apenas se perde. Ter muito é sempre ter nada. Queremos ser infinitos e ser infinito é tão amplo. Revi aquele filme, chorei exatamente na cena onde ele no carro diz ouvindo Heroes do Bowie "e naquele momento eu seria capaz de jurar que éramos infinitos".
Ainda sinto muito por tantos serem e se sentirem invisíveis. Fui na rua em uma madrugada dessas e vi um senhor tentando levantar um número sem fim de latas, tentando equiparar o peso delas nas suas costas, ofereci ajuda e ele me sorriu sem jeito dizendo que conseguiria só. Não sou nem um milimetro melhor do que ninguém, mas não poderíamos ser todos um pouco mais humanos com senhores e vidas assim? Quando construo minha vida aqui vejo tantos indiferentes a situações menos ou tão quanto discrepantes. Não sou um senhor de latas nas costas, porém quase fui alguém sem fim em uma cidade que não era a minha. No exterior reclamamos da indiferença dos outros diante das nossas dificuldades, mas quando vemos a diferença dessas pessoas diante do nosso conforto, me pergunto: o que fazemos? Quanto somos realmente gentis com um gringo sem direção? Quanto realmente ajudamos alguém diferente da nossa cultura a achar um lugar em cidades tão próximas de nós?
Acho mesmo que como o senhor que se assustou comigo, também não me habituei com enormes gentilezas, tive muitas vindas de pessoas realmente incríveis que me adoram e criaram diante de mim o que é hoje o meu mundo possível. E sei com alegria e conforto que diiante desse mundo existirão quaisquer outros mundos possíveis. Mas, foram poucos e muito bons quem se dispuseram a me ajudar a levantar o meu próprio saco de latas sem jeito.
Queria realmente ter ajudado ao senhor das latas e pedir minhas sinceras desculpas se minha gentileza o assustou. Torço, realmente, para que um dia em nenhum país ou naturalidade a gentileza assuste. Seguimos assim, um tanto sem jeito, em um mundo por menos homens de lata e mais pessoas reais.
Faz meses que desembarquei nessa cidade e nessa vida. Sim, mudar de cidade é quase como mudar de vida, é uma página em branco sem passado ou nenhum futuro pré-escrito. É um infinito de possibilidades onde a gente apenas se perde. Ter muito é sempre ter nada. Queremos ser infinitos e ser infinito é tão amplo. Revi aquele filme, chorei exatamente na cena onde ele no carro diz ouvindo Heroes do Bowie "e naquele momento eu seria capaz de jurar que éramos infinitos".
Ainda sinto muito por tantos serem e se sentirem invisíveis. Fui na rua em uma madrugada dessas e vi um senhor tentando levantar um número sem fim de latas, tentando equiparar o peso delas nas suas costas, ofereci ajuda e ele me sorriu sem jeito dizendo que conseguiria só. Não sou nem um milimetro melhor do que ninguém, mas não poderíamos ser todos um pouco mais humanos com senhores e vidas assim? Quando construo minha vida aqui vejo tantos indiferentes a situações menos ou tão quanto discrepantes. Não sou um senhor de latas nas costas, porém quase fui alguém sem fim em uma cidade que não era a minha. No exterior reclamamos da indiferença dos outros diante das nossas dificuldades, mas quando vemos a diferença dessas pessoas diante do nosso conforto, me pergunto: o que fazemos? Quanto somos realmente gentis com um gringo sem direção? Quanto realmente ajudamos alguém diferente da nossa cultura a achar um lugar em cidades tão próximas de nós?
Acho mesmo que como o senhor que se assustou comigo, também não me habituei com enormes gentilezas, tive muitas vindas de pessoas realmente incríveis que me adoram e criaram diante de mim o que é hoje o meu mundo possível. E sei com alegria e conforto que diiante desse mundo existirão quaisquer outros mundos possíveis. Mas, foram poucos e muito bons quem se dispuseram a me ajudar a levantar o meu próprio saco de latas sem jeito.
Queria realmente ter ajudado ao senhor das latas e pedir minhas sinceras desculpas se minha gentileza o assustou. Torço, realmente, para que um dia em nenhum país ou naturalidade a gentileza assuste. Seguimos assim, um tanto sem jeito, em um mundo por menos homens de lata e mais pessoas reais.
and in this moment, i swear, we are infinite!
sexta-feira, julho 11, 2014
Mulher sem razão
A vida me mostrou um outro mundo possível. Uma vida em branco, onde eu escrevo cada palavra, posso mudar e ainda assim ser constante. Posso ser constante e ainda assim mudar. Me conheço em cada passo dado. Como se fosse um livro sendo escrito, não apenas lido, porque sigo sendo protagonista de mim. Hoje tenho medos diferentes, não mais medo de sentir e nem me entregar, apenas medo de me tornar coadjuvante de um abstrato nós.
Quero viver sempre apesar de, como disse Clarice, como penso eu hoje. Apesar de tudo sempre viver cada um dos sorrisos e até das lágrimas possíveis. Com menos proteção e mais verdade. Tenho entrado em comunhão comigo, sido mais leve, sido mais e por isso, leve. Me encanta a verdade dos gestos, a delicadeza do outro, os sonhos e o passado alheio que se mostra devagar e em vagar. Quando se vaga aparentemente inerte, porém certo de que a ilha que é outro, é algum lugar que gostaríamos de atracar nosso barco.
O carinho genuíno me faz sentir esperança. O desinteresse desperta meu interesse porque é onde nada se quer que somos apenas real. A vida, a cidade nova, os sonhos, as pessoas e o estado que estou (não apenas geográfico) me deu outro mundo possível. Que bom.
A vida me mostrou um outro mundo possível. Uma vida em branco, onde eu escrevo cada palavra, posso mudar e ainda assim ser constante. Posso ser constante e ainda assim mudar. Me conheço em cada passo dado. Como se fosse um livro sendo escrito, não apenas lido, porque sigo sendo protagonista de mim. Hoje tenho medos diferentes, não mais medo de sentir e nem me entregar, apenas medo de me tornar coadjuvante de um abstrato nós.
Quero viver sempre apesar de, como disse Clarice, como penso eu hoje. Apesar de tudo sempre viver cada um dos sorrisos e até das lágrimas possíveis. Com menos proteção e mais verdade. Tenho entrado em comunhão comigo, sido mais leve, sido mais e por isso, leve. Me encanta a verdade dos gestos, a delicadeza do outro, os sonhos e o passado alheio que se mostra devagar e em vagar. Quando se vaga aparentemente inerte, porém certo de que a ilha que é outro, é algum lugar que gostaríamos de atracar nosso barco.
O carinho genuíno me faz sentir esperança. O desinteresse desperta meu interesse porque é onde nada se quer que somos apenas real. A vida, a cidade nova, os sonhos, as pessoas e o estado que estou (não apenas geográfico) me deu outro mundo possível. Que bom.
terça-feira, junho 24, 2014
É tudo novo de novo
Confesso que gostaria que tivesse sido diferente, que tivéssemos mudado na mesma direção, no mesmo tempo, na mesma sintonia. Que algo em mim harmonizasse algo em você e que a reciproca existisse. Queria ter sonhado sonhos juntos. Queria ter vivido em realidades não só paralelas, porque linhas paralelas nunca se encontram, queria que fossemos mais interseção que distâncias.
Mas, veio a vida, essa que por si só toma conta dela mesma. Veio o movimento e se fez. Me mudou inteira. Me fez voltar pra roda a fim de ver o que me cerca. Me fez voltar a procurar cor no ar. Alegria no desconhecido. Vontade em possibilidades.
A vida é realmente como um jogo de xadrez, um passo em falso, e lá se vai um peão. Em uma madrugada dessas, eu e o um amigo voltávamos andando e falando sobre o infinito de possibilidades. Sobre como a vida adulta te cobra posições, decisões e como isso gera uma infinita ansiedade. Uma escolha é também a aceitação de uma perda.
Eu não fiz todas as escolhas certas, mas aceitei o resultado de todas elas. Já deixei gente incrível partir enquanto abracei meu orgulho. Já acreditei demais e era menos. Já acreditei menos e era mais. Já me apaixonei mil vezes pela mesma pessoa e já me desapaixonei por uma ação do vento.
Faz pouco tempo que percebo o infinito das opções em mim. Faz algum tempo que sou mais do possível do que do abstrato. Faz tempo que somos apenas retas paralelas.
Confesso que gostaria que tivesse sido diferente, que tivéssemos mudado na mesma direção, no mesmo tempo, na mesma sintonia. Que algo em mim harmonizasse algo em você e que a reciproca existisse. Queria ter sonhado sonhos juntos. Queria ter vivido em realidades não só paralelas, porque linhas paralelas nunca se encontram, queria que fossemos mais interseção que distâncias.
Mas, veio a vida, essa que por si só toma conta dela mesma. Veio o movimento e se fez. Me mudou inteira. Me fez voltar pra roda a fim de ver o que me cerca. Me fez voltar a procurar cor no ar. Alegria no desconhecido. Vontade em possibilidades.
A vida é realmente como um jogo de xadrez, um passo em falso, e lá se vai um peão. Em uma madrugada dessas, eu e o um amigo voltávamos andando e falando sobre o infinito de possibilidades. Sobre como a vida adulta te cobra posições, decisões e como isso gera uma infinita ansiedade. Uma escolha é também a aceitação de uma perda.
Eu não fiz todas as escolhas certas, mas aceitei o resultado de todas elas. Já deixei gente incrível partir enquanto abracei meu orgulho. Já acreditei demais e era menos. Já acreditei menos e era mais. Já me apaixonei mil vezes pela mesma pessoa e já me desapaixonei por uma ação do vento.
Faz pouco tempo que percebo o infinito das opções em mim. Faz algum tempo que sou mais do possível do que do abstrato. Faz tempo que somos apenas retas paralelas.
sábado, junho 07, 2014
If your heart was full of love could you give it up?
Minha mãe me perguntou dia desses porque ainda sofro tanto com a sua partida. O problema é que não é ainda, é porque sofro agora, 8 anos atrás transformei a dor em impulso e um tanto de raiva. Impulso para viver porque você não teve tempo, você que sempre amou a vida mais do que a maior parte das pessoas que conhecia até ali, você que sempre dava força pra gente continuar quando era sua a maior batalha. Quando foi você quem ficou 3 meses sem poder tomar água e ficava feliz porque ao menos tinha o algodão para molhar os lábios, um tanto Pollyanna e seu jogo do contente.
Fiquei os últimos anos todos sendo forte, algumas vezes mais do que poderia realmente, fiquei os últimos anos vivendo sonhos extremamente racionais. Vivendo uma vida que via de regra me levava a não assumir grandes riscos. Eu que te prometi viver, fiquei tempo demais, sem realmente fazer isso. Quando vim morar no Rio, não fazia a menor ideia do que estava fazendo com minha vida, sabia que ia ser diferente de tudo até então e sabia que não saberia lidar com muito daquilo. Para variar, assumi o risco de um movimento completamente desconhecido. Os últimos meses me fizeram olhar mais para dentro do que para fora, me conheci enquanto me sentia completamente perdida, ainda sinto que me conheço a cada dia, quando mudo um caminho conhecido para ver o que acontece se fizer de outro jeito. Deixei de me repetir, os erros e também os acertos. Hoje me sinto mais aberta, mais positiva, mais leve e também mais feliz.
E se minha mãe me perguntasse porque ainda sofro tanto com a sua partida, hoje saberia dizer que é porque agora sofri, agora olhei pra sua partida sem achar o mundo injusto e sem julgar a forma de sofrer a dor que um outro tem. Hoje vi um filme que cita o "último dia bom" e lembrei do seu, como você se encheu de vida um pouco antes dela escorrer pelos seus dedos, lembrei da última vez que te vi e como naquele momento toquei o sentimento mais complexo e profundo que experimentei. A sua fragilidade exposta me fez por oito anos tentar ignorar a minha. E, como eu perdi por isso, foram oito anos tentando em vão ser forte e sempre alerta, perdi alguns arranhões do destino e muito do acaso dele, grande parte das surpresas boas que nos encontram como estamos simplesmente disposto a sentir. Nem todos os dias vão ser de paz e muito menos de guerra. Mas, que todos os dias, do nosso pequeno infinito, sejam sempre cheios de vida.
Minha mãe me perguntou dia desses porque ainda sofro tanto com a sua partida. O problema é que não é ainda, é porque sofro agora, 8 anos atrás transformei a dor em impulso e um tanto de raiva. Impulso para viver porque você não teve tempo, você que sempre amou a vida mais do que a maior parte das pessoas que conhecia até ali, você que sempre dava força pra gente continuar quando era sua a maior batalha. Quando foi você quem ficou 3 meses sem poder tomar água e ficava feliz porque ao menos tinha o algodão para molhar os lábios, um tanto Pollyanna e seu jogo do contente.
Fiquei os últimos anos todos sendo forte, algumas vezes mais do que poderia realmente, fiquei os últimos anos vivendo sonhos extremamente racionais. Vivendo uma vida que via de regra me levava a não assumir grandes riscos. Eu que te prometi viver, fiquei tempo demais, sem realmente fazer isso. Quando vim morar no Rio, não fazia a menor ideia do que estava fazendo com minha vida, sabia que ia ser diferente de tudo até então e sabia que não saberia lidar com muito daquilo. Para variar, assumi o risco de um movimento completamente desconhecido. Os últimos meses me fizeram olhar mais para dentro do que para fora, me conheci enquanto me sentia completamente perdida, ainda sinto que me conheço a cada dia, quando mudo um caminho conhecido para ver o que acontece se fizer de outro jeito. Deixei de me repetir, os erros e também os acertos. Hoje me sinto mais aberta, mais positiva, mais leve e também mais feliz.
E se minha mãe me perguntasse porque ainda sofro tanto com a sua partida, hoje saberia dizer que é porque agora sofri, agora olhei pra sua partida sem achar o mundo injusto e sem julgar a forma de sofrer a dor que um outro tem. Hoje vi um filme que cita o "último dia bom" e lembrei do seu, como você se encheu de vida um pouco antes dela escorrer pelos seus dedos, lembrei da última vez que te vi e como naquele momento toquei o sentimento mais complexo e profundo que experimentei. A sua fragilidade exposta me fez por oito anos tentar ignorar a minha. E, como eu perdi por isso, foram oito anos tentando em vão ser forte e sempre alerta, perdi alguns arranhões do destino e muito do acaso dele, grande parte das surpresas boas que nos encontram como estamos simplesmente disposto a sentir. Nem todos os dias vão ser de paz e muito menos de guerra. Mas, que todos os dias, do nosso pequeno infinito, sejam sempre cheios de vida.
quinta-feira, maio 22, 2014
Espelho
Faz sete meses que cheguei e hoje foi a primeira vez que olhei realmente pra trás, literalmente, em uma viagem pela minha timeline do facebook, onde encontrei infinitas sutilezas que desenharam parte de uma história. Tanta coisa que deixei pelo caminho. Pessoas que ficaram, pessoas que chegaram, noites que imaginei e nunca tive, como outras que jamais imaginei e aconteceram.
A vida se escreve em linhas tortas. A gente se perde para se encontrar. E vive se perdendo, se encontrando e se magoando com palavras. A gente vive fazendo algumas coisas erradas na tentativa de estar bem. Pensamos em histórias lindas para viver e tropeçamos nos próprios pés. Queremos substituir um amor errado por um novo, sem saber que o erro está em não se esgotar, está no simples fato de que a transferência vem também com o ruim de antes. É preciso viver o luto de um amor para se entregar a um novo. Desfazer o que de ruim ficou até que só fiquem as lembranças boas sem que elas nos façam pensar em voltar ao lugar onde já estivemos. Passar por aquele abismo que é se esquecer da dor a ponto de se iludir com a diferença em um futuro tão breve.
Estou desatando alguns nós do passado. Olhando pro que minha adolescência fez de mim e o que faltou nela. Revendo a relação com meus pais. Revisitando alguns feridos abatidos pelo caminho. Procurando ouvir o que silenciei na tentativa de racionalizar as dores. É um caminho nebuloso e outras vezes coloridos. É um caminho silencioso e outras vezes barulhento. É um caminho de sorrisos e algumas lágrimas. É um caminho de aceitar que fui o que poderia ser no momento presente. Mas, que posso mudar o meu daqui pra frente. Quero desfazer as expectativas que tenho sob mim e os outros. Quero recomeçar de onde sinto que me anestesiei pro futuro. Quero as alegrias e as dores. Dias e noites repletos de destino. Quero viver o momento presente e me sentir sempre no agora. Pelos próximos dias, semanas, meses e anos.
Faz sete meses que cheguei e hoje foi a primeira vez que olhei realmente pra trás, literalmente, em uma viagem pela minha timeline do facebook, onde encontrei infinitas sutilezas que desenharam parte de uma história. Tanta coisa que deixei pelo caminho. Pessoas que ficaram, pessoas que chegaram, noites que imaginei e nunca tive, como outras que jamais imaginei e aconteceram.
A vida se escreve em linhas tortas. A gente se perde para se encontrar. E vive se perdendo, se encontrando e se magoando com palavras. A gente vive fazendo algumas coisas erradas na tentativa de estar bem. Pensamos em histórias lindas para viver e tropeçamos nos próprios pés. Queremos substituir um amor errado por um novo, sem saber que o erro está em não se esgotar, está no simples fato de que a transferência vem também com o ruim de antes. É preciso viver o luto de um amor para se entregar a um novo. Desfazer o que de ruim ficou até que só fiquem as lembranças boas sem que elas nos façam pensar em voltar ao lugar onde já estivemos. Passar por aquele abismo que é se esquecer da dor a ponto de se iludir com a diferença em um futuro tão breve.
Estou desatando alguns nós do passado. Olhando pro que minha adolescência fez de mim e o que faltou nela. Revendo a relação com meus pais. Revisitando alguns feridos abatidos pelo caminho. Procurando ouvir o que silenciei na tentativa de racionalizar as dores. É um caminho nebuloso e outras vezes coloridos. É um caminho silencioso e outras vezes barulhento. É um caminho de sorrisos e algumas lágrimas. É um caminho de aceitar que fui o que poderia ser no momento presente. Mas, que posso mudar o meu daqui pra frente. Quero desfazer as expectativas que tenho sob mim e os outros. Quero recomeçar de onde sinto que me anestesiei pro futuro. Quero as alegrias e as dores. Dias e noites repletos de destino. Quero viver o momento presente e me sentir sempre no agora. Pelos próximos dias, semanas, meses e anos.
sábado, maio 17, 2014
Não Éramos Tão Assim
Essa foi provavelmente uma das minhas semanas mais difíceis desde 2009. Foi tanta coisa em pouco tempo, tive que olhar pro que estou deixando de ser para segurar o que não posso perder, o senso prático e a capacidade de pensar friamente em uma situação extrema. Tomar decisões, tomar partido, tomar posição.
O pesadelo acabou e trouxe alívio. Também pensei em você essa semana. Lembro que quando acabou você escreveu um bilhete que carreguei na bolsa por meses. Sabíamos, os dois, que por mais que no momento o que estava escrito parecesse uma verdade, demoraria pouco tempo para se tornar uma mentira. Você não esteve na semana mais difícil como eu também não vou estar nos seus dias ruins e nem nos bons.
Agora enxergo que as minhas expectativas me atrapalharam ver o que não chegaríamos a ser. Te agradeço pelo impulso e até por ter soltado minha mão permitindo a queda livre direto ao que vim buscar de mim. Preciso realmente me conhecer dessa forma de agora. Não tenho mais planos bem traçados, objetivos claros, segurança extrema. Tenho uma vida que estou construindo de forma diferente. Me permitindo mais esbarrões com o destino sem me proteger deles.
Claro que vez ou outra até penso no que poderia ter sido, se fôssemos certo um pro outro, se fôssemos claros um com o outro, se eu tivesse sido ainda mais honesta e humilde admitindo que não sabia o que estava fazendo. Não sabia, mas conseguia ficar sem o meu celular, quando estava com você. Não sabia, mas admitia a ideia até de quem sabe um dia acampar, mesmo sendo fresca demais pra isso e tendo medo de ficar dias inteiros sem internet. Não sabia quais eram as concessões que podia fazer sem ferir o que sou e nem as que poderia querer de você sem te desconfigurar. Hoje vejo que mal tivemos a oportunidade de nos conhecer. Lembra que te pedi isso? Quando tudo estava desmoronando, eu quase implorei a possibilidade de te conhecer, e por bem, você fechou a porta e foi. Apenas foi.
Essa foi provavelmente uma das minhas semanas mais difíceis desde 2009. Foi tanta coisa em pouco tempo, tive que olhar pro que estou deixando de ser para segurar o que não posso perder, o senso prático e a capacidade de pensar friamente em uma situação extrema. Tomar decisões, tomar partido, tomar posição.
O pesadelo acabou e trouxe alívio. Também pensei em você essa semana. Lembro que quando acabou você escreveu um bilhete que carreguei na bolsa por meses. Sabíamos, os dois, que por mais que no momento o que estava escrito parecesse uma verdade, demoraria pouco tempo para se tornar uma mentira. Você não esteve na semana mais difícil como eu também não vou estar nos seus dias ruins e nem nos bons.
Agora enxergo que as minhas expectativas me atrapalharam ver o que não chegaríamos a ser. Te agradeço pelo impulso e até por ter soltado minha mão permitindo a queda livre direto ao que vim buscar de mim. Preciso realmente me conhecer dessa forma de agora. Não tenho mais planos bem traçados, objetivos claros, segurança extrema. Tenho uma vida que estou construindo de forma diferente. Me permitindo mais esbarrões com o destino sem me proteger deles.
Claro que vez ou outra até penso no que poderia ter sido, se fôssemos certo um pro outro, se fôssemos claros um com o outro, se eu tivesse sido ainda mais honesta e humilde admitindo que não sabia o que estava fazendo. Não sabia, mas conseguia ficar sem o meu celular, quando estava com você. Não sabia, mas admitia a ideia até de quem sabe um dia acampar, mesmo sendo fresca demais pra isso e tendo medo de ficar dias inteiros sem internet. Não sabia quais eram as concessões que podia fazer sem ferir o que sou e nem as que poderia querer de você sem te desconfigurar. Hoje vejo que mal tivemos a oportunidade de nos conhecer. Lembra que te pedi isso? Quando tudo estava desmoronando, eu quase implorei a possibilidade de te conhecer, e por bem, você fechou a porta e foi. Apenas foi.
domingo, maio 04, 2014
Sucecasa
Sempre me imaginei tendo a minha casa para receber os meus amigos. Porque nunca fui mesmo de balada, o dia seguinte abria um vazio tão grande, ter o mundo por algumas horas e depois da madrugada nada ficar. Sempre quis e esperei mais da vida do que poucas horas.
Hoje vejo cada dia mais minha vontade sendo real. Tenho minha casa, posso receber os meus amigos, tomar um bom vinho e falar da vida. Posso rir das dificuldades passadas porque elas já parecem realmente distantes.
Lembro que nosso refúgio até então era a casa de alguém que os pais adoravam viajar. A casa de uma das minhas melhores amigas que tem o sótão mágico, sempre era possível morrer subindo ou descendo, mas a gente subia para dormir todos juntos e respeitávamos o primeiro que capotou fazendo um pouco de silêncio. Aliás, respeito parece tão simples, mas não é. Respeitar o colega que dormiu, o outro que não acordou em um dia bom ou só o que é realmente diferente. O diferente assusta, eu sei.
Tenho amor por tudo que tenho sido e por todos que tem sido perto de mim. A maior parte dos meus amigos tem hoje os seus pequenos refúgios, os seus amores e suas dores que confessamos rindo nas mesas dos bares. Mas, tem e sentem, o que é uma coisa linda de existir.
O meu amor é de vocês, meus amigos, meus queridos. :)
Sempre me imaginei tendo a minha casa para receber os meus amigos. Porque nunca fui mesmo de balada, o dia seguinte abria um vazio tão grande, ter o mundo por algumas horas e depois da madrugada nada ficar. Sempre quis e esperei mais da vida do que poucas horas.
Hoje vejo cada dia mais minha vontade sendo real. Tenho minha casa, posso receber os meus amigos, tomar um bom vinho e falar da vida. Posso rir das dificuldades passadas porque elas já parecem realmente distantes.
Lembro que nosso refúgio até então era a casa de alguém que os pais adoravam viajar. A casa de uma das minhas melhores amigas que tem o sótão mágico, sempre era possível morrer subindo ou descendo, mas a gente subia para dormir todos juntos e respeitávamos o primeiro que capotou fazendo um pouco de silêncio. Aliás, respeito parece tão simples, mas não é. Respeitar o colega que dormiu, o outro que não acordou em um dia bom ou só o que é realmente diferente. O diferente assusta, eu sei.
Tenho amor por tudo que tenho sido e por todos que tem sido perto de mim. A maior parte dos meus amigos tem hoje os seus pequenos refúgios, os seus amores e suas dores que confessamos rindo nas mesas dos bares. Mas, tem e sentem, o que é uma coisa linda de existir.
O meu amor é de vocês, meus amigos, meus queridos. :)
terça-feira, abril 29, 2014
E no final, assim, calado
Você apareceu quando tudo parecia fora do lugar. Trouxe de longe o que deixei em outra cidade. Provocou um encontro esperado e necessário, coloriu meu carnaval e me deu a mão em silêncio. Não me cobrou posições, nem quis nada além do pouco que tinha para dar. Aceitou de imediato que estamos sempre vivendo processos e sorriu diante das minhas infinitas dúvidas.
Queria poder resolver tudo por decreto, daqui por diante, os caminhos vão ser mais simples e vou conseguir entender cada coisa que sinto. Daqui por diante viveríamos novidades. Daqui por diante nenhum "e se" me incomodaria. Nenhum fantasma me assombraria.
Mas, o caminho é conturbado. As questões são muitas. Os quilômetros são vários. O meu não saber não é mal te querer. Te quero bem, te quero aquém, te quero longe de mim porque perto sou furacão e com você a vida merece ser calmaria.
Apenas, te quero bem e agora não posso ser esse um bom alguém. Ainda preciso me perder para encontrar o caminho. Vou errante, errada e distante. Vou só.
Você apareceu quando tudo parecia fora do lugar. Trouxe de longe o que deixei em outra cidade. Provocou um encontro esperado e necessário, coloriu meu carnaval e me deu a mão em silêncio. Não me cobrou posições, nem quis nada além do pouco que tinha para dar. Aceitou de imediato que estamos sempre vivendo processos e sorriu diante das minhas infinitas dúvidas.
Queria poder resolver tudo por decreto, daqui por diante, os caminhos vão ser mais simples e vou conseguir entender cada coisa que sinto. Daqui por diante viveríamos novidades. Daqui por diante nenhum "e se" me incomodaria. Nenhum fantasma me assombraria.
Mas, o caminho é conturbado. As questões são muitas. Os quilômetros são vários. O meu não saber não é mal te querer. Te quero bem, te quero aquém, te quero longe de mim porque perto sou furacão e com você a vida merece ser calmaria.
Apenas, te quero bem e agora não posso ser esse um bom alguém. Ainda preciso me perder para encontrar o caminho. Vou errante, errada e distante. Vou só.
terça-feira, abril 15, 2014
TENHO 25 ANOS DE SONHO
O que eu ganhei? Tanto e tantas coisas. Shows incríveis, noites memoráveis, sessões de cinema impressionantes. Ganhei em vida e arte. Ganhei tanto e perdi também algumas crenças. Quase não acredito mais em pessoas. São pouquíssimos que ainda me ganham em sorrisos simples. Desconfio e confio pouquíssimo.
Uma parte é só decepção e medo. Outra é só um lado que vai duvidar sempre de amores fáceis. Não vai ser fácil sentir. Como nunca foi antes. Sou de leveza certa e brisa que bate intensa. Me ganha quem me tira sorrisos, quero da vida vários alegrias mansas e algumas pequenas certezas. Quero muito pouco do que não posso ter de certo em mim. Do mais, corro atrás e percorro quaisquer que sejam os caminhos. Não durmo ou acordo na madrugada derradeira. Não temo trabalho desde que dentro dele me caiba pequenos sorrisos para que eles me levem, sempre.
E quem em mim ainda acredite ter certeza aviso apenas que nem mais eu tenho. Em mim sou incerta e só incerteza me cabe. Amanhã, quem sabe?
O que eu ganhei? Tanto e tantas coisas. Shows incríveis, noites memoráveis, sessões de cinema impressionantes. Ganhei em vida e arte. Ganhei tanto e perdi também algumas crenças. Quase não acredito mais em pessoas. São pouquíssimos que ainda me ganham em sorrisos simples. Desconfio e confio pouquíssimo.
Uma parte é só decepção e medo. Outra é só um lado que vai duvidar sempre de amores fáceis. Não vai ser fácil sentir. Como nunca foi antes. Sou de leveza certa e brisa que bate intensa. Me ganha quem me tira sorrisos, quero da vida vários alegrias mansas e algumas pequenas certezas. Quero muito pouco do que não posso ter de certo em mim. Do mais, corro atrás e percorro quaisquer que sejam os caminhos. Não durmo ou acordo na madrugada derradeira. Não temo trabalho desde que dentro dele me caiba pequenos sorrisos para que eles me levem, sempre.
E quem em mim ainda acredite ter certeza aviso apenas que nem mais eu tenho. Em mim sou incerta e só incerteza me cabe. Amanhã, quem sabe?
terça-feira, abril 01, 2014
Solidão eu já vivi na cidade que não volta
É muito louco. É tudo muito louco. Meus dias tem passado sempre mais rápido. Me divido entre contas, coisinhas para o apartamento novo, trabalho que paga todo mês e os trabalhos que aparecem a cada novo mês, esses que me permitem comprar mimos novos fora do meu orçamento.
Aliás, orçamento? Eu tenho isso agora. Quanto preciso guardar e quanto posso gastar em mimos novos para casa nova.
É muito louco como cinco meses atrás jamais pensei que minha vida fosse ser assim agora. Estou cada vez mais feliz. Cada dia uma alegria nova, como uma cafeteira ou por finalmente ter achado a colcha perfeita. Parece bobo, mas diante de milhões de flores, achar uma colcha na cor perfeita sem flor nenhuma me fez sentir como ter vencido a Copa do Mundo. Aliás, a Copa do Mundo, essa coisa que fez os aluguéis serem mais caros no Rio, aluguéis? Não me imaginava cinco meses atrás pensando neles também, não aqui, não no Rio, não na cidade que escolhi para escrever minha independência e que me acolheu como sua.
Tive desilusões e quem não tem? Aprendi a duras penas e também a leves. Conheci pessoas incríveis, estive em lugares absurdos, me apaixonei a cada novo dia pela vida que escolhi e continuo me apaixonando.
Vivi tantos momentos mágicos. Trabalhei em projetos inimagináveis e cresci, dia após dia, tombo após tombo, riso após riso.
Meus finais de semana sempre tiveram um motivo para ser e eles chegam com a leveza de dias sem compromissos embora eles se amontoem ao redor dele. Chegam cheios de paz. Nos meus dias cabem tanta coisa inclusive amor.
Depois do Rio descobri como tem valor as coisas pequenas, as coisas menores, a presença de um amigo querido nos seus dias e os risos que ele te tira nas histórias tortas que escreve na sua breve passagem. E estamos todos passando, sempre, passando porque no Rio também se corre e como corre. No Rio não é sempre dia claro e os dias claros apagam os nem tanto. No Rio se guarda o que é bom e aí está a diferença. O que é ruim, a gente manda o mar levar e ele se encarrega de colocar longe ou em manchas de protetor solar na sua camiseta preferida. Ele se encarrega de deixar a vida mais leve e que ela me leve, dia após dia, como deve ser.
Por mais loucura, mais paz e mais amor. :)
É muito louco. É tudo muito louco. Meus dias tem passado sempre mais rápido. Me divido entre contas, coisinhas para o apartamento novo, trabalho que paga todo mês e os trabalhos que aparecem a cada novo mês, esses que me permitem comprar mimos novos fora do meu orçamento.
Aliás, orçamento? Eu tenho isso agora. Quanto preciso guardar e quanto posso gastar em mimos novos para casa nova.
É muito louco como cinco meses atrás jamais pensei que minha vida fosse ser assim agora. Estou cada vez mais feliz. Cada dia uma alegria nova, como uma cafeteira ou por finalmente ter achado a colcha perfeita. Parece bobo, mas diante de milhões de flores, achar uma colcha na cor perfeita sem flor nenhuma me fez sentir como ter vencido a Copa do Mundo. Aliás, a Copa do Mundo, essa coisa que fez os aluguéis serem mais caros no Rio, aluguéis? Não me imaginava cinco meses atrás pensando neles também, não aqui, não no Rio, não na cidade que escolhi para escrever minha independência e que me acolheu como sua.
Tive desilusões e quem não tem? Aprendi a duras penas e também a leves. Conheci pessoas incríveis, estive em lugares absurdos, me apaixonei a cada novo dia pela vida que escolhi e continuo me apaixonando.
Vivi tantos momentos mágicos. Trabalhei em projetos inimagináveis e cresci, dia após dia, tombo após tombo, riso após riso.
Meus finais de semana sempre tiveram um motivo para ser e eles chegam com a leveza de dias sem compromissos embora eles se amontoem ao redor dele. Chegam cheios de paz. Nos meus dias cabem tanta coisa inclusive amor.
Depois do Rio descobri como tem valor as coisas pequenas, as coisas menores, a presença de um amigo querido nos seus dias e os risos que ele te tira nas histórias tortas que escreve na sua breve passagem. E estamos todos passando, sempre, passando porque no Rio também se corre e como corre. No Rio não é sempre dia claro e os dias claros apagam os nem tanto. No Rio se guarda o que é bom e aí está a diferença. O que é ruim, a gente manda o mar levar e ele se encarrega de colocar longe ou em manchas de protetor solar na sua camiseta preferida. Ele se encarrega de deixar a vida mais leve e que ela me leve, dia após dia, como deve ser.
Por mais loucura, mais paz e mais amor. :)
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