quinta-feira, setembro 13, 2007

7ª Edição de um zine aê.
Susi não anda sozinha

Um clique na imagem e você tá lá.
DREAM SCREAM


Passei esses últimos dias acreditando que tudo era mentira. E que você não se tornou tudo que detestávamos. Me iludia olhando as coisas nos lugares certos nessa casa. E pensava na música que tocou naquele dia. No seu olhar. No seu rosto inchado. Na sua incapacidade de me olhar nos olhos. Nas suas mãos trêmulas e enquanto tudo foi difícil. Você me presenteou com um mal hábito e eu te dei essa vida que você leva hoje?
Talvez, se eu pudesse ver o seu sorriso nota-se que nada mudou. Mas não. Temos um oceano e o orgulho nos separando. Tudo aquilo que nós odiamos. Os seus ídolos do presente, era a nossa ira naquele passado. Os seus ídolos massacraram a minha força em continuar. Em levar as coisas até que essa cidade pudesse conhecer nosso fim. O fim ainda parece a milhas de distância. Mas, você não está mais aqui. Tudo acabado e o passado em ruínas. Maldito escuro que me presenteia de lembranças. As bandas que te trazem em ondas. Os momentos que não consegui viver com ele porque era o seu cheiro que ainda sentia.
Tudo, cada segundo, mais fora do lugar. As minhas lembranças parece que não são suas. Não é mais você. Talvez, você tenha se reinventado nesse tempo. E esquecido. Me esquecido. Te esquecido no meio desse desespero em passar por tudo de uma vez. O seu orgulho. O seu maldito orgulho que entravou tudo daquela vez, continua aí, com a sua cabeça dura.
E a banda que você estragou ganhou mais um significado naquele lugar. O meu lugar. O com sofá branco confortável. O de zebra com um buraco. A jukebox e a banda que você estragou. Eu prometi que você não levaria minhas músicas com você. Melhor quebrar promessas internas do que atacar minha gastrite com as suas lembranças. Só que agora tem aquela música da sua banda favorita que me lembra quem eu sou agora. Sem você. Quem eu sou agora, sozinha.
Eu nunca amei e jamais amaria quem tá aí agora. Não é o mesmo. Não é você. Ou se esse é você, agora. Se cuida, garoto. Quem sabe em outra rodada. Nessa, você saiu do tabuleiro.

quarta-feira, setembro 12, 2007

OBRIGADA

Layout novo.
Cara nova.
E tudo como antigamente, por fora muda e por dentro tudo igual, tudo diferente.


O meu eterno agradecimento ao Brunol que fez essa mega surpresa. Eu sempre reclamava que não tinha nada aqui. Mas, as pessoas acostumam com o meu reclamar. Então, eis que surge isso hoje.
Eu adorei muito. =)


Obrigada bruno.
Até perdôo o fato de você me apelidar de mascote.
ROLLING STONES

"You can't always get what you want
But if you try sometimes well you just might find
You get what you need"

just it.

terça-feira, setembro 11, 2007

YESTERDAY IS HERE

Queria esquecer tudo e ir em frente. Seus olhos nos meus fazendo juras baixinho enquanto os dois tinham a maior certeza de que nada daquilo seria verdade. Meus ouvidos tentando captar suas palavras. Minhas mãos brincando com seus dedos enquanto eles se enrolavam no meu ombro. Meu corpo todo encolhido perto do seu. Queria transpor a física e naquele momentos virarmos um só. Caminhar com você. Engolir teu cérebro e te emprestar o meu. Descansar meu coração na sua estante.
Mas amanheceu e a luz sempre aparece pra estragar tudo. Acordamos com os corpos grudados e a cabeça doendo. Lembranças fora do lugar. E o cheiro ocupando o quarto. Sentia pesar minhas palavras e passava pomada nas tatuagens que você fez no meu cérebro.
Queria acreditar que tudo é verdade. Abriria mão da minha mania em me equilibrar na sarjeta se tivesse a certeza que você entraria nela comigo. Seria sua, se você pudesse ser meu. Mas você não pode. Não pode, hoje. Não pôde, aquele dia. E vai continuar não podendo. Simplesmente porque você não sabe o quanto é você e o quanto sou só eu.
A minha liberdade sai com as mãos no bolso. Leva todo meu movimento. Algumas músicas sempre tocando. Lembra de quando acreditamos que seríamos para sempre? Não esquece de pegar suas coisas e fechar a porta. Levanto antes e me tranco no banheiro. Quando voltar quero meus lençóis no lugar e o seu olhar longe daqui. Não te pedi, mas você sabia. Você sempre sabe. Quando voltei você não estava. Então, me encolhi no canto tentando querer aquilo. Te querer longe. Fui até a janela para acompanhar suas costas se perder no meio da multidão. Tarde demais. Já não tinha mais sinal das suas costas e nem da minha vida naquela rua lá embaixo.
Acendo um cigarro para te transformar em só mais um. E eu sei. Você sabe. E todo mundo que nos viu também sabe. Não somos mais um. Nem para o mundo. Nem para o outro. Vasculho meu quarto atrás de uma desculpa boa para te ligar e pedir pra voltar. Não acho desculpa. Não tem nada. Nem um botão esquecido. Nem nada.
Te ligo. O som não sai, só o barulho da minha respiração, você me pergunta o que aconteceu. Te peço para vir até aqui de novo. Você diz que não dá. E não dá porque você não quer. Você tem medo. Eu também tenho. Mas prefiro assumir meus medos. Escolho meu jogo e escondo as regras. Respiro no telefone. Você pergunta o que houve e eu digo que nada.
O canto do meu quarto de novo me têm de joelhos. Ouço o trinco da porta. Levanto a cabeça e é você e o seu all star surrado. Seus olhos garantias gratuitas de que aquilo valerá a pena. Dure o que durar. Seja o que for. Lie to me, babe. We keep on going.

segunda-feira, setembro 10, 2007

ROXO

Crescer é aprender a lidar com o silêncio. Você pode ser uma criança grande, se souber calar quando for a hora. Um adolescente grande, se conseguir. Um adulto, quando o silêncio não mais te incomodar.
Roxo me lembrou das conversas em silêncio que eu tenho desde os 15 anos com a soulsister. Eu tive sorte de encontrar alguém que entende e preza a ausência de palavras. O tempo todo a garota tocava nos assuntos que ele parecia não querer falar, o silêncio a incomodava. Ela atentava para o frio, para o escuro, para qualquer coisa sem importância. Como quem tem medo de ficar ali e enfrentar um dialogo mais real do que as monossílabas que eles trocam a peça inteira. Alguma coisa não me convenceu. Faltou uma verdade quebrada pela falta de som na guitarra. A atenção falha da garota. Faltou umas coisas e outras não. As palavras e a incompreensão do baterista transformadas em ira. O baixista e o vocalista representando os caras para os quais "está tudo bem". Eles substituem o guitarrista, assim como os adolescentes substituem o passado por um presente que vive aparecendo. É a fase de certezas nulas. As minhas são. As deles eram.
Eu tenho sorte. O silêncio eu preencho com alguma solidão e me sinto bem. Me enfio em algumas músicas. Perco o olhar em um livro. Procuro alguma coisa que vive perdida. Talvez, minhas certezas suicidas, acho que a Clarah falou uma coisa parecida um dia.
A marca da diretora estava ali como a mão oculta. A perfeição da marcação na cena em que ela abre a porta e o ilumina sentado do outro lado do palco. O palco um breu. Mas, ele estava exatamente onde ela entregou a luz. Algumas coisas não me convenceram. Mas, eu tenho uma crítica e principalmente uma auto-crítica fodida com teatro. Deve ter sido por isso que optei pelas palavras. Eu posso mostrar pessoas sem ter que atingir a perfeição sendo elas no palco. Eu posso conhecer gente. Posso falar mal ou bem delas como agora. E ainda posso ser só eu e as minhas imperfeições.

Roxo é uma peça para cada um entender de um jeito, ou não, esse foi o meu. O silêncio é sempre o meu jeito.

Roxo
Sábados 20h
Domingos 19h30
Espaço do Satyros - Praça Roosevelt
Pós-peça ainda dá tempo de monopolizar a sinuca e a jukebox do "bar do Bahia". E depois passar no Vitrine para ver umas pessoas. Parar no ibotirama. E se você tiver mais sorte do que eu, ver algum show em qualquer lugar.


ps: Tem pessoas que simplesmente fazem a diferença por estarem lá. Saudades de quando todos os dias eram como sábado. Saudades.
11/out um ano do Chico amor Buarque.
15/out um ano de Porto (in)Seguro.
Pronto tempo, já pode parar. Já deu.



I NEVER GOT TELL YOU WHAT I WANTED TO


A cerração parece denunciar o frio. Talvez as coisas congelem lá fora como acontece aqui dentro. O meu quarto respira minhas pendências. A bagunça e a vida toda enrolada em latas, cinzeiros revirados e roupas, nem todas minhas, denunciam a minha moral questionável. Erros e acertos. E de repente cada pedaço de lembrança congela uma parte do meu corpo. As minhas mãos que brincavam com seu ombro cheio de pintinhas. A gente brincando de ser criança enquanto questionávamos as verdades que essas pessoas compram.Lembra, quando olhávamos o mundo dessa mesma janela, mas era os passarinhos do clube ao lado que víamos. Agora, só o frio e nenhum passarinho para cantar meus pensamentos. Você não sabe, mas eu ainda penso em você, tanto quando disse que estaria com você para tudo. Eu aguentaria as suas lembranças, se esse fosse o preço. Aguentaria seu desespero. Te daria colo e problemas, garoto. Te daria o meu coração para você pregar seus espinhos e depois deixar ele na minha mão todo furado, todo fodido. Mas, você me entregou ele antes, mais furado pela rejeição do que pelos espinhos que você pregaria.
Garoto, você deve estar aí olhando a sua janela e pensando essas mesmas coisas. Talvez, as escreva mais tarde. Garoto, como você consegue ser tantas palavras. Não só palavras, mas tantas e cansáveis palavras. Queria te sentir tão perto que os corações entrariam num mesmo ritmo. Seus olhos me seguindo enquanto escolho a música que iluminará seu rosto na minha cabeça pelos séculos seguintes. Garoto, porque você não aceitou meu coração?
Você me disse uma vez que se sentia parte do meu jogo. O peão que protege o rei e a rainha. Aqueles que estão na frente e são engolidos antes. O que você não sabe garoto, é que te deixei ao meu lado e naquele tabuleiro você era o Rei. Sabe, eu devia ter dito que não, que você não era o peão, e não ter te dado aquela risada complacente. O vento lá fora corta a pele de quem não tem paredes físicas para prender a dor. E aqui dentro o frio me mantém viva. Continuo aqui, trêmula igual o dia que você foi pela última vez.
Garoto, me entrega as suas palavras que eu te entrego a minha vida. Sai da minha cabeça e vem pro meu lado. Esquece os meus sorrisos, o tabuleiro, a vida, os problemas e a política. Garoto, quando você desistir de sofrer sozinho vem comigo que eu te dou colo e divido meus problemas para diminuir os seus. Eu te ensino a transformar dor em amor. Eu te ensino a me amar. Garoto, eu vou estar naquele mesmo bar que nos conhecemos. Aquele com o sofá branco mais confortável. Com a jukebox tocando a minha música enquanto você me explica suas tatuagens e as suas mentiras.
E depois...
Depois, a gente desce até a praça e recomeça na frente da igreja. Vamos selar nossos medos com a fé dos outros. Garoto, eu preciso te dizer tudo que eu sempre quis.
22/08/2007


" I can't get no satisfaction
I try and
I try and
I try and
I try.

I can't get no."



http://www.semgelo.zip.net/
Eu não aprendo nunca. Podecrê.

Fui assistir Roxo. Mas disso falo depois, quando estiver em casa, e não com o Bruno rindo como uma hiena do meu lado na aula de assessoria.
A marcação era boa. Mas, pareceu que era só isso.

Agora, faculdade é ôcaralho.
Um press release sobre chocolate de soja é foda de fazer. Chocolate de soja é ruim até quando é bom. E sem contar que meu texto tá viciado porque o Bruno não consegue parar de falar. E tá fazendo um texto que começa com:
"O chocolate não precisa mais ser considerado um inimigo..."

Tá bom, então.

sexta-feira, setembro 07, 2007

DON'T AFRAID OF THE DARK




A vida como se fosse febre. Eu me enchendo de analgésicos para não sentir os sintomas. Ela me deixa, expulsa por toda essa falsidade na forma de comprimidos. E a temperatura oscila como o meu humor. E as pessoas aparecem me dando conselhos batidos e quase mortais. Banheiras com gelo como naqueles filmes que ninguém gostaria de ter assistido, mas seja por obrigação ou a falta dela, a gente acaba vendo.
Você levantou naquele dia da sua cadeira no canto escuro daquele bar para me emprestar uns conselhos. Um empréstimo que você trocava ali pelo meu coração. E eu burra, parada, cansada de segurar as facas para me devender, te entreguei. Babe, eu te entreguei tudo. O meu coração foi só um brinquedo nas suas mãos, enquanto eu esquecia de olhar para ele porque estava ocupada demais olhando para você. Eu sempre achei que meu problema fosse falta de amor. A noite passada, eu percebi que não foi a falta dele, mas o excesso por coisas as quais não deveria amar.
Os meus sonhos estão todos pregados nessas paredes e vão se desprendendo como os analgésicos são enfiados goela abaixo por essa vida. Toda a minha dor eu preencho de ilusão para esquecer que ela existe. As rejeições eu guardo em um vidro com o nome de cada um deles. Espero a hora de fazer o meu juízo final. Daqui a 1 ou 50 anos. Depende da temperatura da minha vida. Depende da quantidade de analgésicos que eu encontro pelo caminho. Depende da minha organização para arrumar os vidros. A noite passada, sem querer, eu esbarrei e derrubei alguns. Foram ali as minhas lembranças e parte da minha amargura. Quando eu acordei ainda meio tonta do vinho que eu te falei que não bebia mais, cortei os pés nos cacos espalhados pela sala. O sangue ia saindo e a medida que eu olhava aquele liquido o desespero me consumia um pouco. Odeio ver sangue. É uma daquelas coisas boas de saber que existem, desde que eu não precise de agulhas ou cortes para vê-la.
Eu sentei naquele bar que nunca tinha estado antes. Tinha uma mulher bacana cantando umas músicas. A voz dela era linda e forte. E eu gosto de pegar força emprestada com essas pessoas que eu sei vagamente quem são. E não era o meu rádio me emprestando barulho. Era música. Uma puta música foda. E ela cantando, cantando, cantando. E aquelas pessoas todas. Algumas entendia e outras fingiam que não se importavam. E eu queria ficar ali olhando aquela mulher cantar, com o pensamento do outro lado do mundo onde você descansa as suas mentiras. Onde você está e eu também já estive. Lá pregado ao meu passado. Vivendo nele. Dormindo nele. Se alimentando dele.
Foram algumas minutos. Minto foi uma hora. Por quase todos os minutos de uma hora inteira, eu pensei em você. Era aniversário do meu amigo e a gente ia sair para beber. Então acabou a música e as pessoas começaram a se abraçar e eu não fazia parte daquilo. Sentia o seu cheiro dentro daquele porão tosco. Sentado em uma das cadeiras no canto da pista. Você devia estar lá. Eu te sentia lá. Então, meus amigos levantaram e eu fui com eles e sem você.
Como sempre, sem você e com mais alguns analgésicos.


'i just made you up to hurt myself
and it worked
yes, it did.'
PORTA FECHADA

De repente tem tanta gente aqui. Olho para o lado e vejo rostos. Milhares deles. Sorrisos os que tive e os que chegam a cada segundo. Minha vida é guiada a novidades. A cada andar encontro uma coisa esquecida no chão dessa cidade. Ando de cabeça baixa procurando elos perdidos no chão. O meu elo. Aquele que me prega ao meu passado e sustenta meu futuro. O presente me presenteia com a saudades. Uma saudade fina que evito matar. Ela me alimenta de passado e não deixa eu me perder nesta bagunça que é aceitar os sonhos. Ando cada dia mais para longe. Cada dia um pedaço do meu sonho sendo moldado sem massinha. Ele vai no susto, busca abrigo em algumas casas que mantém a porta fechada. Fico ali tomando chuva, braços cruzados, grudada a sua porta. Você está lá dentro. Não abre porque não me quer aí dividindo os seus fantasmas. Eu também nunca quis ninguém aqui. Maldita idéia procurar a sua porta nesta noite fria. Deixei o guarda-chuva pendurado na cadeira do bar fazendo companhia para o meu juízo.

Não sei o que me deu, quando resolvi acreditar que este sonho vai acabar em um lugar bom. Guiado por uma calma desesperadora que arrancarei no dente com mais problemas. Sempre arranjo alguma coisa para me preocupar. E desta vez é a sua porta fechada. Um pedaço de teto entre a rua e a sua porta. Me espremo fugindo da chuva e do seu medo que bate nas paredes. Ele também quer vir até mim. Mas você, um saco de ossos recheado de carne, tem medo. O seu medo entrava todo o futuro. Qualquer que seja o futuro. A sua mão escondida nas suas costas e o seu sorriso sádico nunca estiveram no meu sonho. E quem disse que o sonho condiz com a realidade, não te conhecia.

Saio na chuva. Braços abertos, rodo na praça fria e solitária, abro a boca para sentir o gosto dessas gotas. Rodo, rodo, rodo e a roda dá vida me leva. As gotas da chuva e o sal das minha lágrimas misturadas. Um gosto bom. O meu gosto. O gosto das minhas verdades. O meu sonho que toma forma a cada dois passos. A faculdade. As músicas. A procura por algum trabalho. Tudo. O eu queimo no inferno da solidão. Algumas pessoas. Sempre tem algumas aqui para salvar os dias e me arrancar sorrisos. Tem as que me matam com a dor fina da saudade. E as que chegam anunciando um carinho gratuito e enorme.Cansei. Cansei de toda a alegria que todo mundo finge. A vida faz sentido enquanto rodo, com a boca aberta sentindo cada gota na ponta da minha língua. Tudo faz mais sentido quando há dor aqui. Alegria é calmaria frígida. E tudo que é frigido me acomoda. Ainda tem muito sonho me esperando. E muitas portas fechadas com um pedacinho de telhado para me proteger da chuva. Se você abrir a porta eu entro. Bebemos. Conversamos e quem sabe escrevemos as palavras que vivem grudadas na nossa cabeça. Mas o seu medo é maior. Você é maior que ele. Mas prefere manter a porta fechada. Me acomodo na praça. Os pés brincando um com o outro. Acompanhada dos meus mortos que me olham lá de cima. E sorriem. Eles sorriem porque eu não desisto. Jamais desisto. Prego minhas palavras na vida, enquanto elas se pregam em mim. Sou uma mulher vestida de realidade pintando a ficção. Sou eu e isto me basta. Sou minha e isto é o que me importa. É assim que é. E assim que será. Até. Até o dia que tiver que ser.

quarta-feira, setembro 05, 2007

SOUL MEETS BODY

'Cause in my head there's a Greyhound station
Where I send my thoughts to far-off destinations
So they may have a chance of finding a place where they're far more suited than here


Sabe, eu observo as pessoas. E dessa vez eu suguei delas a minha verdade. Olhava as pessoas pelo ângulo que é possível me enxergar e de repente tudo deixou de fazer sentido. Foram alguns momentos de incompreensão. Indo encontrar uns amigos no pior lugar dessa cidade, com o strokes no talo no ipobre e a augusta inteira virando cenário de filme. De repente eu descobri. Ou fui descoberta. O que me falta é uma voz que seja só minha. Encontrar mais pessoas que tenham as suas e se bastem. Encontrei algumas e nem sempre elas são vozes admiráveis. Mas, se é a verdade delas, eu respeito. E me encolho no canto feliz pelo controle de alguém. Eu não tenho o menor controle. Não canso de ser idiota. Não canso de parecer idiota. Não canso de ser eu. Adolescente? Oh, realmente. Daquelas que dormem 3h30 por noite, trabalham e estudam. Dessas cheias de obrigações e finais de semana com vida. Dessas que fazem tudo certinho, aos olhos dessa sociedade fálida. Para uns a vida é filme. Para outros é simplesmente vida. A minha, pára no meio termo.
Descobri dentre um emaranhado de clichês quem eu sou. Se tiver uma música boa. Se eu puder ouvir meu Chico e as bandinhas com sotaque britânico. Tiver uns copos e uma ou duas pessoas para dividir silêncios. Tá tudo bem. Não procuro pessoas para conversar. Não procuro pessoas. Não me sinto o ser humano mais sofredor do mundo. Não tenho desenhos pelo corpo que representem nada. Porque não tem nada para representar. Já me senti impotente quando alguém me olhou nos olhos e pediu socorro e eu só consegui dar umas lágrimas e mais desespero. Mas, passou. Tudo passa. Hoje só uma saudades fina, preenchida da ilusão que daqui a pouco, passa para sempre. Assim como foi. Assim como ainda é.
Olhei para todos Eles. Todos eles. Comecei a olhar para todos os vivos e questionar verdades. Pessoas querendo ser Lispector, sem jamais entender quanta dor de verdade, dor daquela que seca as retinas enquanto elas se pregam assustadas nas paredes do quarto. Se o preço for tão alto. Deixo para quem aceita sentir isso para ter produto. Se não for de verdade, não me vale de nada. Olhei pro Bukowski e vi todos esses caras querendo ser velhos, sem perceber o quanto ser velho é difícil. Um dia de cada vez. O corpo agradece. Olhei pro Fante e fiquei sem muitas palavras. Admito, só li "pergunte ao pó". Admito porque não preciso ser leitora de pocket pra parecer "cool" eu li o que eu li. E vou ler o que eu quiser ler. Porque sou eu. E foda-se se eu não me adequo aos padrões de qualidade de algumas pessoas. Cheguei no Leminski dentro do ônibus enquanto imaginava situações e sempre que pensava em simplesmente disser que tudo se foda, lembrava do final premeditado por ele. Mas que tudo se foda. O Caio F. começou a andar por aqui. Ele se matou. E se o fim dessa vida é a morte pelas minhas mãos. Não serve. Se escrever me tirou de vários poços não quero me enfiar no dele. E depois apareceu você e mais umas pessoas. Das quais um dia te falo, ou não.
Não quero ser nenhum deles. E nem ler coisas enlatadas. E nem ser enlatada. E nem me cortar pra estancar dor. Se é dor que eu uso de matéria-prima que ela escorra em palavras e o sangue continue aqui dentro. Dispenso algumas drogas. Dispenso a idéia romântica. Porque na vida real o buraco é mais embaixo. Não preciso de nada disso para fazer parte. Que eu jamais faça parte de nada. Se eu tiver algumas pessoas para dividir o silêncio.

6º EDIÇÃO
http://susinaoandasozinha.blogspot.com/

quinta-feira, agosto 30, 2007

MAIS PRO SEU SILÊNCIO

Às vezes eu me perco interrogando certezas. O que seria eu, se não fosse simplesmente, isso. Crua. Sem graça. Sem um monte de coisas desenhadas no corpo e na vida. Um vazio preenchido por um monte de pessoas que vêm e vão.
Uma menina com seus doze anos fazendo tudo errado. Não entendo nada do turbilhão de sentimentos. Não entendo os sentimentos. Nem a vida e nem qualquer coisa. Pegando tudo no susto. Caindo nos abismos que eu cavo. Escolhendo meus erros. Fugindo da felicidade. Ou a procurando nos copos errados. Parece tudo tão estranho. Prefiro quem não entende. Prefiro quem não enxerga aos que vêem. Prefiro os idiotas. Prefiro meia dúzia de pessoas para me trazer luz a um turbilhão de claridade. As bebidas mais fortes. As dores mais insuportáveis. Os problemas de estômago mais incompreensíveis. O impulso de carne e osso. Sem cortes aparentes. Eu não me empresto dor. Só essa que a vida dá, sem gilette.
É mentira. Talvez, eu não passe de uma mentira. E você, também. Cheia dos desenhos que você faz o tempo todo. Os que você pinta e os que mantêm cinza. Eu perdi as canetinhas ou simplesmente não as encontrei ainda. Talvez.
Essa trinca maligna na forma de astrologia. Áries, escorpião e gêmeos. Impulsiva que nem um cabrito. Venenosa como um escorpião. Dupla como um gêmeo. Estranha. Estranha. Estranha.
Ainda bem que eu só tenho 12 anos e depois piora. Ainda bem. Que eles venham a mim. Que venham. O que tiver que vir. Os frutos das minhas escolhas. As escolhas dos meus frutos. O passado pro meu presente. E o presente pro passado. O futuro sem a menor noção. Acho que estou lá no cantinho aprendendo economia enquanto minha cabeça tá em uns livros, umas músicas e uns seres irreais. Tudo muito errado. Nada certo. Mas, tudo respirando enfileiradinho.
Sábado parece que minha fonte secou. Tudo secou. Oca e estranha. Filha de ninguém. Cria de qualquer um. Amiga de poucos. Risadas para minhas piadas sem graça. Platéia pro meu teatro sem arena.
Ainda bem, que eu só tenho 12 anos.
E porque eu tenho 12 anos vou continuar batendo a cabeça na parede. Cheia de calombos. Cheia de marcas. Com o orgulho ferido pelo seu silêncio.
Eu prefiro grito ao silêncio. Sempre prefiro.

terça-feira, agosto 28, 2007

HEART IN A CAGE

Sabe, passei essa noite me revirando nos lençois atrás de respostas. Entre o barulho que atravessava o concreto e aqueles fios de algodão que filtravam as coisas. Ouvi. Talvez, meus gritos internos ecoando naquelas paredes. Essa maldita inércia. Ninguém para acender um cigarro e ouvir os meus planos pro futuro. Ninguém para me olhar nos olhos e falar que eu sou louca por sonhar tanto e querer ir por todos os caminhos ao mesmo tempo. Ninguém para sorrir enquanto eu perco o olhar lá fora. Tudo ainda continua aqui. Mas falta um pedaço. Como feridas abertas. Como um coração esquecido na sarjeta depois de uma noite bêbada. Se alguém visse. Simplesmente se alguém visse. Talvez as coisas diminuissem e eu conseguisse sair um pouquinho daqui de dentro. Queria colocar tudo isso para fora num turbilhão de água. Mas não sai nada. Não saiu naquele dia e nem hoje. Estou seca, oca, inerte. Antecipando o futuro. Esquecendo os meus planos. Perdendo a inspiração e a respiração nas madrugadas frias. Falta de sono, falta de vida, falta de vontade. Todas minhas manias virando luxo. Meu corpo não responde mais aos estimulos. Já não levanto com idéias na cabeça. Rolo por cima delas. Acordo carregada e cansada. Tudo grudado nas paredes e os gritos ainda aqui. As idéias longe do papel. Longe da minha vida. Volto ao meu passado na forma de música. Ouço as mesmas coisas mas dessa vez, não sinto nada. Ando por aí cantando alto atrás de algum olhar. Mas não tem ninguém. Sou eu e o mundo. Sem coragem, sem vontade, sem movimento. Tem alguma peça aqui realmente fora do lugar. Ou simplesmente, no lugar demais. A incompreensão sempre foi o meu combustivel. Minha cabeça, o meu guia. Cadê as minhas noites de transpiração na forma de palavras? Cadê minhas verdades? Cadê minhas vontades? Quando o nada aparece o jeito é esperar. Não tenho vontade de fazer acontecer. Simplesmente queria me esquecer em alguma esquina com um copo e uma idéia qualquer na cabeça. Com alguém para me arrancar lá do fundo enquanto eu grito que quero ficar. Alguém que me pare. Me cale.
Alguém ainda mais complicado. E real.



strokes, como nem tão antigamente.

segunda-feira, agosto 27, 2007

CONTRADIÇÃO

Sabe, você me perguntou várias coisas e eu não soube responder. Sinceramente? Isso pouco me importa. Pouco me importa as perguntas alheias. Mais cedo ou mais tarde, as respostas simplesmente aparecem nas minhas falas. Ontem, no meio de uma conversa estranha. Achei as respostas para sua pergunta. Às vezes eu não preciso de nada. E a minha solidão me basta. Aquelas fontes de alegria ou simplesmente o que me arranca o stress na forma de fumaça. E nas outras eu preciso de alguém forte para me puxar de lá de dentro quando grito que quero ficar. Ninguém nunca sabe quando é o momento. Ele é meu. Pessoal e intransferível. Sem interação. Com a cara amarrada ou com sorrisos. Com alegria ou tristeza. Saúde ou doença. Prazer, a contradição.

sexta-feira, agosto 24, 2007

UM PEDIDO EM SILÊNCIO

Às vezes só existe esperança na forma de palavras. São nesses momentos que tudo falta e eu me prendo em um enorme vazio . Quase ninguém percebe, eu me escondo aqui dentro tão fundo, de fora só uma leve farsa. Quando achei que tinha encontrado, perdi de novo. Sempre que pulo os buracos do caminho caio dentro deles e quando me acostumo com o aperto e o escuro minha vida resolve simplesmente andar. Porém, meus passos são apertados. Meu amigo me disse e eu me pergunto por que é verdade? Eu não consigo ser sincera comigo. Meus sentimentos são tão frágeis. Parecem as mentiras da fé cega. Se assoprar com força eu caio. Caio de joelhos diante das suas palavras.
Eu preciso admirar as pessoas para gostar delas. Se não as admiro não passa de uma relação vazia, dessas que a gente enche de mentira para passar o tempo. Meu tempo não passa, ou ele simplesmente não chega. Você apareceu quando era época de procurar alicerces e delimitar o meu pequeno lugar no mundo. O suficiente para que tudo seja claustrofóbico e arejado nas mesmas proporções. Os opostos nos quais eu deixo minha vida transitar e me prender. Meus pensamentos vagam enquanto olho algumas pessoas nos olhos. É um misto de felicidade e inveja. Tudo seria mais fácil se não fosse essa a minha vida. As coisas suportáveis e coloridas. Esse escuro e as minhas canetinhas falhas me impedem de escrever com cor. Não consigo viver de outra forma. Aceitar de outra forma. Tirei da sua solidão a minha força. E dela fiz a minha. Da sua vida tirei escolhi os erros e nem pensei que fosse ser assim. Uma estrada estranha e eu resolvi ir pelo acostamento. Sempre mais rápido do que é permitido. Nunca devagar. Agora, aquele guarda ali parado me fazendo sinais para encostar. Penso em seguir em frente e se possível levá-lo junto. Mas, preciso de algo que me pare. Espero que isso seja melhor do que continuar dentro dessa cabeça. Preciso que alguém me prenda e me tire daqui.
Esse carinho descarrilado. Essa montanha-russa. Tudo que essas paredes respiram me fazem mal. Você aí com a sua solidão me faz mal. Me socorre ou me pára. Mas, me ajuda?

domingo, agosto 19, 2007

SOZINHA

Chega. Abre essa janela. Troca essa música depressiva. Larga esses livros na mesinha. Sai daí de dentro e vem ao mundo dourar a pele. Ranger os dentes. Sentir a raiva e a incompreensão que te impulsionam. Larga a mão do marasmo e se joga de cabeça, como sempre. Abra os pontos mal costurados que ele deixou. Deixe tudo doer até que não haja mais lágrimas nem dor e nem nada. Só um vazio enorme. Ouça os seus gritos internos. Encha o quarto de samba-canção, com o ritmo enganando as palavras, o sangue preso nas beiradas do ritmo gostoso e leve. Melhor do que essa dobradinha melodia&letra tristes. Para de se encolher nos cantos esperando o que te salva. Quando nada salva o segredo é se bastar. Pule num pé só no equilíbrio daquelas sarjetas que você adorava e hoje pega a preguiça como desculpa para não comprar ilusão. Você cansou da ilusão, mas é só isso que tem para hoje. E se é no samba que você sente prazer. Se arranca daí de dentro e vai ali bater na caixinha enquanto cartola faz o seu jogo de poesia. Deixe de cavar abismos com os pés. Seque suas cicatrizes.
E se você não fizer nada disso. Sinto muito. Eu vou, sem você.

quarta-feira, agosto 15, 2007

HEART FOR SALE

Talvez eu tenha esquecido minha alma no fundo de um copo. Alguém a bebeu e agora transita por aí sem notar que me carrega. Mas eu sei que me perdi. Garoto, você me olhou naquele bar e entendia todas as palavras que eu dizia. E entendia as mais altas piras da minha cabeça. E os meus olhos. E quase conseguia amenizar o meu desespero. Mas, daí apareceu a luz e a minha cabeça foi andar por outros lugares e o meu corpo foi testar outras mãos e o meu coração resolveu se espremer em outro canto. Nunca certo demais. Nunca antes. Sempre errado, sempre depois, sempre mais tarde, sempre em outro lugar.
.
.
.
Sempre.

segunda-feira, agosto 13, 2007


quinta-feira, agosto 09, 2007

RAZÃO

Você lembra daquele dia em que te vi no balcão daquele bar. Senti que naquele segundo eu te escolhi para ser meu. De repente o mundo desligou, as vozes simplesmente se congelaram, e ali eu tive certeza que perdi um pedaço de mim. Mas eu não quero nada, nunca quis e não ia querer naquele momento. Eu quero a minha liberdade respirando grudada nas minhas botas. Carrego minha vida debaixo do meu braço. Uma falsa auto-suficiência vestida de solidão.
Eu mostrei pra você, deixei você tocar e então me encolhi no sofá daquele bar. O meu celular tocou e aquilo parecia ser o momento errado se não fosse o certo e o necessário pra me tirar dali. O resto, eu quase não lembro, uma porção de fatos sugestivos. Uma porção de mentiras enevoadas naquele bar.
Ontem me falaram que eu vou morrer. Dei um sorriso como quem espera pela novidade. Mal sabe ele que eu já morri. Naquele dia que não te aceitei e te transformei em ficção pro meu futuro. Então, morro a cada trago de vida coloco a morte mais perto. O sorriso de quem pouco se importa. Eu não tenho medo. Eu não tenho medo da minha cabeça. Eu não tenho medo do meu sono. Eu tenho medo do meu sonho. Eu não tenho medo da minha voz. Eu não tenho medo.
Les pensées qui glacent la raison.

segunda-feira, agosto 06, 2007

NO SURPRISES


Finalmente, depois de um monte de dias com um nó na garganta tudo vai saindo pelos meus poros. Fazendo a fotossíntese como uma planta sem graça. Lá fora balançado na rede enquanto o tempo não se decidi entre o frio e o calor. Na cabeça um monte de coisas.
Um monte de coisas sem coerência. Ou melhor, nada. Um vazio tão grande que o espaço que sobra é tão desesperador quanto estar presa num quarto minúsculo e escuro. Cadê tudo que estava aqui? Onde foi parar as minhas coisas?
O ar me falta e tudo começa a rodar. Faz dias que tenho tido vertigens que desconhecia. De repente tudo escurece e eu fico aqui segurando algum produto da minha imaginação. Não tem forma, nem cor, nem cheiro. É uma mentira que vesti de realidade para não viver caindo por aí. Meus copos estão secos, minha garganta está seca, meus olhos estão ressacados e nem aquele colírio estúpido empresta umidade pra minha vista.
Cansei dessa montanha-russa. Não é legal machucar as pessoas que você ama. Não é legal. Não é. E depois pedir desculpas, essa desculpas cristãs que o mundo carrega e eu nunca tive. Nunca tive porque sempre fui dona dos meus atos. Livre, pobre e com a felicidade que é só minha. Mas o meu carrinho descarrilou e agora eu não me reconheço nesse corpo. É como se tivesse alguém agindo por mim. Mas sou só eu e a minha solidão necessária.
Vários medos escondidos dentro dessa força que todos acreditam que eu tenho. Ou alguns acreditam, ou eu acho que acreditam. No fundo, não tem explicação. Eu sou a contradição com firma reconhecida. Eu sou o meu ponto de interrogação com várias exclamações desesperadas no final.
Sou eu e essa minha auto-suficiência imaginária.
Só isso.

ouvindo radiohead compulsivamente.

sexta-feira, agosto 03, 2007

IT'S BEEN SO LONG I'VE LOST MY TASTE


Chega. Vou parar de gritar. Ganhei a rouquidão enquanto você continua aí com as mãos sobre seus ouvidos. Seu coração bate, sua cabeça gira, seu corpo treme e você continua com as mãos sobre as orelhas.
Você levantou e caminhou até a beira da cama. Eu continuo aqui. Com os olhos pregados no teto desse quarto. Perdermos no mundo a nossa capacidade de aceitar essas mentiras. Deixamos nossas pegadas nas sombras. Tiramos da vida as nossas vozes fazendo juras embriagadas.
Estou sozinha. E é sempre assim. Sempre. Recolho o meu pensamento da beira da sua cama do outro lado dessa cidade estúpida e sufocante. Apanho pela casa os restos da farsa que aceitar o nada dessas noites. Busco minhas últimas forças e me levanto para enfrentar esse dia. Esse lindo dia filho da puta, sem a sua voz, sem o seu cheiro, sem o seu gosto misturado com o meu. No fim, só uma sexta-feira, uma abafada sexta-feira. Queria te fazer entender minha vida. Mas você não consegue. Ou, renega nossa proximidade para manter o pouco de sanidade que você compra na farmácia.
Vou quebrar meu silêncio. Levantar o zíper da bota. Colocar preto para celebrar o seu funeral. Amanhã de manhã, espero não lembrar nosso nome. Nem o meu. Nem o seu.
Eu sabia. Sempre soube. É verdade, nunca quis acreditar que você ia, e você foi. Agora sou eu e minhas palavras contra o mundo.
Hoje sentei naquele bar que a gente foi algumas vezes e você não gostava e eu gostava porque era quentinho e eu podia me esquentar e te esquentar com as minhas mãos. Você não gostava e mesmo assim ia. Hoje não era você. Era o meu amigo e eu tentei explicar pro meu amigo o que achava das pessoas e falhei. Falhei porque depois de você eu acho muito pouco. Esqueci dos meus planos, da paz, do mundo. Eu e o meu amigo ficamos observando as pessoas com 12 anos e suas 2 cervejas para 8 pequenos-burgueses-rebeldes-sem-causa. Sinto falta do seu mau-humor. O meu amigo também tinha, mas não era o seu. Nem era você. Eu amo meu amigo. E, eu ainda amo você.

quinta-feira, agosto 02, 2007

ME AJUDA?


Vou bater a cabeça na parede até meu cérebro ficar em silêncio. Queria um botão. Um maldito botão. Só uma coisa simples para apertar e deixar tudo em off. Assim como é simples não falar com os outros, quando não quero. Assim como é simples detestar várias pessoas só porque elas me olharam e eu não gostei. Como é simples me apaixonar pelos pêlos que estão debaixo da blusa dele. Como é simples engolir essas palavras.
Mas minha cabeça gira. Meu estômago dói. A falta de álcool e a sobriedade me emprestam uma verdade que não queria conhecer. Tenho medo da nossa proximidade muda. Você entende, mas não me ouve. Você não quis daquela vez e continua sem querer agora. No fundo você sabia tudo que eu falava. Ou eu achava que sabia. Ainda, acho que sabe.
Só queria bater minha cabeça na parede. Enfiar o dedo na goela. Costurar o meu peito aberto enquanto você opera essas mudanças. Você conhece todas as peças certas. As muda de lugar sem pedir licença. Usa meu corpo como se fosse seu lego. Você, uma criança sentada com as pernas abertas e as pecinhas espalhadas a sua frente. É só isso que eu sou. É só isso que você é. Peças. Recheado delas em forma de palavras.
Não quero as suas palavras. Se você não é capaz de me dar nem que seja a sua raiva e a minha sina é lidar com o seu silêncio, não quero. Não quero nada. Nada. Nada. Fica com tudo que você construiu. Com seu castelo de cartas marcadas. Com suas tatuagens. Com o seu karma em forma de solidão.
Ninguém nunca vai te aguentar, porque você é real demais para alguém te tocar. Ninguém nunca vai me aguentar, porque os seres humanos não possuem mais paciência, assim como eu não tenho e você não tem.Todo o meu ódio gratuito pelos olhares que não escolhi e pela ausência de alguns. A ira do meu despertar e a vontade de continuar sonhando. Esses dias sonhei com você. Não lembro o que era. Você sorria com aquele movimento débil de ir para trás e para frente. Você segurava o meu braço entre as suas risadas me pedia para ter paciência. Eu não sei esperar. Nunca soube. E menos ainda quando não existe nenhuma garantia.
Queria você para me guiar entre esses livros. Me mostrar a vida e os lugares que conheceram os seus restos de uma noite vivida. Eu falo o tempo todo comigo, com eles, com esse computador, com essa tela em branco e uma música embalando minhas palavras. Falo, falo, falo. Mas falar sozinha cansa. Minhas respostas pregadas em algum passado. Meus cheiros se misturam ao calor que transpassa minha matéria e o frio que embala minha alma. Queria um mestre, uma certeza, alguma verdade e a sua ajuda.
Me ajuda?


alguém mais com 18 anos ou mais, se diverte e ri, com saltimbancos?!
SIM, néam?
sabia :)

segunda-feira, julho 30, 2007

PRESENTE


Eu tenho uma dor no peito. Insistente e presente. Na fila das dores, essa foi a minha escolha. Viver com o coração com as veias trocadas. Sangue arterial e venenoso separados por tênue linha. Olho para dentro e não acerto os meus botões. Às vezes, esqueço as fórmulas e tudo acontece no susto.
Difícil esconder a dor em sorrisos. Dona da noite. A escuridão coloca meus medos nas esquinas enquanto atravesso sem olhar para os lados. Ando pela Augusta como se conhecesse cada milímetro daquela rua. Distribuo sorrisos escondidos dentro da minha boca fechada.
Qualquer bar é um pedaço de vida despregado em qualquer noite dessas. Uma sucessão de acontecimento baratos. Algumas lágrimas ainda ardem sobre os meus cortes. Ninguém as vê. Elas são invisíveis. Eu me escondo aqui dentro tão fundo e a solidão me põem na parede neste quarto frio e escuro. Cansada de ninguém para dividir verdades e cansada de dividir essas mentiras.

No metrô um garoto reflete minha vida e eu tenho vontade de chorar. Ele estava sentado com um gibi nas mãos, a cabeça quase no colo, com os olhos pregados e um sono terno. Estava com o seu avô que chamou pelo seu nome quando era hora de descer. Comigo os desenhos do plano para viver, os olhos pregados e a cabeça entre os braços. Passo a mão pelos cabelos para deixa-los aparentemente bem. Passo a mão e jogo a poeira da minha vida para debaixo do tapete. Vou aglomerando pequenos erros para pagar por eles no dia do juízo final.
Quero me desprender nessas palavras. Rezar pelo amanhã. Trocar nossos deuses. Tomar uns corpos para perto enquanto não posso ter o seu.
A dor no peito me persegue. Minha velhice de menina agitada. Meus olhos envoltos em verdade enquanto miram os seus naquela luz bagunçada. Na claustrofobia que me dá lugares com pessoas felizes ou bêbadas. Bêbadas e felizes. O álcool empresta fantasia para logo mais acertar as contas com seu fígado. Meu corpo recebe os estímulos e responde a eles com secura ou a falta dela.
Estou cada vez mais fraca e a vida cada vez exige mais de mim. Não desistirei na próxima esquina dos meus sonhos. Recolho todos eles e os carrego na mochila. Andarei. Sóbria ou bêbada. Ereta ou torta. Certa ou errada. Só o meu passo é garantia. E o futuro? A respiração dele me impulsiona para frente e o ronco do meu passado me afasta. O meio do caminho é o presente. O meu presente. Agora, alguém faz chamada lá na frente, quando chamam pelo meu nome em um impulso respondo: PRESENTE.

sexta-feira, julho 27, 2007

AINDA SUA


Todo esse veneno injetado em mim. Os passos me enfraquecem. Seria mais útil amarrar as feridas e estancar o sangue. Guardar minhas últimas palavras para quando você resolver passar por essa porta. O veneno me enfraquece, o conhaque na mesinha me empresta verdades, meus olhos transparecem o desespero da minha alma. Sinto tanto por não te falar e mais ainda por não te ouvir. Queria suas palavras se transformando em paz no ar abafado do meu quarto. Ainda que o vidro estivesse embaçado, tudo respirava aqui dentro. Meu coração. Minha pele. Minha vida. Minhas mentiras. Tudo respirava.
Nossos medos saiam todas as manhãs atrás de algo vago. E hoje, só me lembro das suas costas. Você foi. Eu sei, você sabe, não volta. Nem você e nem aqueles momentos.
Achei que tudo tivesse passado, mas esse veneno conversando com meu sangue para negociar a minha vida, me devolveu você.
E esse silêncio, e esse conhaque, aqueles corpos, aquelas mentiras e você aí preso, onde eu também já estive, onde eu ainda estou. Olho atrás de mim e tudo que vejo é a parede da sala.
Lembro da última vez, você deitado no sofá com aquela cara mais linda e me olhava e eu te olhava de volta. Você não entendeu nada quando levantei e sorri já saindo. Parece que você sentiu que eu saia da sua vida com o mesmo sorriso que entrei. Você sabia, até quando eu não tinha certeza, de que levantar aquela hora era abandonar a nossa história.
E hoje só essa saudade e esse sentimento de impotência dividem esse apartamento. Solidão é estar com alguém e se sentir sozinho. Solidão é perder alguém e não achar a paz. Solidão é antecipar rupturas óbvias e sentir que deviam ter vivido o restinho. Que nem aquela criança no restaurante mais cedo. Engolir o suco até fazer barulho, e depois com os olhos mais ternos sorrir. Mas, eu cresci e já não é educado fazer barulho. Tenho uma vida, algumas dívidas e muitas dúvidas. Você pregado aos batalhões do meu passado e eu sozinha com meu presente.
Mais uma dose e eu vou lá procurar seu cheiro e seu gosto em outros corpos.
Ainda sua...


funhouse, funhouse, funhouse.
:)

quinta-feira, julho 26, 2007

SEM A SUA FALTA

Cada acorde rasga um pouco mais minha alma. Uma voz vestida de fantasia para embalar uma guitarra destoada. E minha vida toda começa a respirar nesse quarto. Como se por um longo período ela estivesse regada a algo que a fizesse respirar de maneira artificial. Ignorei por muito tempo a necessidade de amar. Seguia dia, menos dia, a repetição das minhas piadas. Deixar as pessoas me quererem para depois de súbito notar que não seria delas. Nunca consegui ser de ninguém. Talvez, porque estivesse esse tempo todo pregada a um monte de mentira.
Essas palavras me emprestam sentido e me envolvem de ficção. Chega um momento em que eu deixo de ser eu. E um personagem qualquer, respira minhas falas. Como em um filme antigo na tv. Sem efeitos especiais as coisas acontecem, sem ensaio, quase sem fala. Escárnio da minha realidade.
Os seus olhos me emprestaram calma. E eu senti que tudo poderia desmoronar, se a minha única garantia fosse poder segurar as suas mãos. A sua melancolia misturada a minha. Nossos medos juvenis em comunhão de desgraças. Alguns sonhos pintados no meu quarto. Minha cabeça descansa no seu colo. Seus dedos bobos brincam com meu cabelo. Você enrosca a sua falta de jeito a minha vida e tudo parece ter encaixe perfeito. De repente eu sou a sua mulher. E você só precisa ser meu homem. O resto a gente descobre como faz. O resto não interessa se depois eu ainda tiver o seu olhar.
Conversamos no tom exato. Nem alto, nem baixo. Nem direto, nem indireto. Temos a medida exata para isso funcionar. Conservo seus sonhos amassados dentro de uma caixinha ao lado dos meus. As nossas promessas ainda pairam sobre o ar. Tatuei o seu olhar no meu cérebro e o seu nome no meu braço, mesmo sabendo que não é para sempre. Machuquei meus lábios. Apertei meus olhos enquanto olhava suas costas.
Você saiu pela porta e não voltará tão cedo, eu sei e você sabe. A minha saudades escorrega pelas paredes do quarto enquanto desço as costas por elas. Encontro o chão. Abraço minhas pernas. Descanso minha cabeça sobre meus joelhos. Penso em você aqui, com os dedos atrapalhados sob meus cabelo. Com os olhos mais ternos e tristes.
O silêncio grita aqui dentro. Meu coração todo fodido procura paz em outros corpos. Meus medos estão trancados no armário. E os meus sonhos descansam na caixinha ao lado dos seus.
Me visto de mulher. Levanto o zíper da bota. Prendo o cabelo. Não vou esperar você trazer de volta o tempo. Andarei por ruas e avenidas atrás do seu cheiro misturado a qualquer corpo. E hoje, só por hoje, a sua falta será esquecida.

quarta-feira, julho 25, 2007

PRA VOCÊ VIVER MAIS


Esquece, eu nunca vou fazer sentido. E eu continuava andando por essa cidade. A procura de alguma coisa para trocar pela minha paz. Esquece, não adianta procurar o que não existe. É como procurar luz nas trevas. Pode até ser que um dia algo ilumine aquilo, mas não é garantia de que ela a luz esteja guardada ali. Talvez o sentido esteja me esperando em algum lugar e quando eu virar a cabeça devagar ele se apresente. Mas, eu não ando devagar. Nem agora, nem nunca. Não sei esperar quietinha. Meu medo dura o suficiente para virar um texto e depois vai. Visto uma roupa qualquer. Levanto o zíper da bota. Enfio no bolso tudo que posso trocar e esqueço as mentiras da noite passada.
Continuo, dia após dia. Noite após noite. Acordo muitas vezes com idéias pregadas na minha cama. Rolo e passo por cima delas. Levanto com a sensação que mais uma vez abri a porta sem a coragem para te pedir pra ficar.
Desligo o celular para evitar ligações desesperadas. Desligo o computador para me desconectar da vida impessoal. Perco meu tempo descansando as verdades do meu mundo real.
Quando apago as luzes do meu quarto seus olhos parecem lanternas na minha memória. As suas frases ecoam e batem nessas paredes. Meu travesseiro virá meu confidente. São frases presas e as que eu falei e você não escutou. Queria te pedir para ficar. Mas minha voz não saiu e você foi. Minha coragem não me permitia te poupar da liberdade. Minha prisão é pequena demais para nós dois. Então deixei que você fosse. Te vi sair por essa porta, a mesma que hoje me prende aqui dentro. Não consegui te pedir para ficar. Suas notícias cada vez mais vagas e inacreditáveis. Você desse lado do mundo se debatendo para se embebedar cada vez mais. Sua ressaca chega a mim como um soco no estômago. Sigo com a nossa dor, abraçada aos meus joelhos.
As frases não parecem sair de você. É como se tivessem arrancado de nós mais do que o amor. Sou mais forte do que imaginei. Segui os meus dias, mesmo que eles parecessem quase sempre noite. Olhei pro céu e as estrelas não piscavam. Em nenhuma estava você. Talvez você também olhasse e visse mais do que essa escuridão. Vestido de mentiras enquanto seus olhos distribuem verdades para corpos frígidos. Queria te devolver a paz que nós massacramos com a nossa fraqueza conjunta. Sinto por não te pedido para ficar. Mesmo que dia após dia a vida se encarregue de provar que era o certo. O melhor para todos, principalmente, para mim.
Tudo ainda permanece tão perto. Ouço a sua respiração e a sua cabeça trabalhando, e ainda assim temos um oceano nos separando. Penso na sua voz e o que ela me diria. O quanto suas palavras não me enganam. Promessas jamais cumpridas. Como aquela em que seriamos sempre um do outro.
Sinto falta do seu cabelo. Do seus olhos. Da sua calma, mesmo quando tudo desmoronava, e a gente se abraçava. Nossos corações juntos prometendo em silêncio que seriam para sempre um par.
Minha confiança ruída. Minha vida ruída. Meus caminhos cada vez mais tortos. E as certezas vazias. Em cada corpo só vejo o seu. Em cada voz só ouço a sua. Em cada lembrança só encontro você.
Um pouco mais de paz. E a certeza de que amanhã é outro dia. O cheiro pouco a pouco é mais fraco. Móveis novos apagam as lembranças do nosso sonho equalizado. Minha nova vida me tira do verde que encobria seus problemas. Eu, nova, mais fraca, com o coração em pedaços e a cabeça certa de que tudo passará. Sou eu. Ainda é você. Mas, acima de tudo. Sou só eu. E mais dia, menos dia. Tudo passa.
Quando todo esse sabor amargo sair, você será minha mais doce lembrança.


qualquersemelhançanãoémeracoincidência

coisas que só a soulsista entende.
mais uma porção delas.
abõr (L)

terça-feira, julho 24, 2007

MAYBE IT'S RIGHT


Tudo parece minimamente calculado para cair. Na esquina seguinte pode tudo desmoronar. Todo o julgamento só esperando o momento certo para cair de joelhos na minha vida. As coisas pareciam estar no lugar. Os medos todos, em fila indiana, organizados e cada um respirando no seu ritmo medíocre.
E a vida começa a andar na linha bamba. Um passo em falso e tudo deixa de ser como pode ser o momento certo para tudo acontecer. Ou posso me quebrar inteira na queda.
Não quero levantar se não tiver alguém aqui para sorrir e arriscar um "vaificartudobem", mesmo quando tenho certeza que nada fica bem, e o caminho é só passar a manga no rosto e seguir.
Às vezes queria viver sempre como se fosse sábado, quando meu corpo tira férias do meu cérebro, e tudo adquire aquela simplicidade bêbada. Nenhum tipo de problema. Longe da neura da minha mãe. Da diferença indiferente do meu pai. Da claustrofobia que me causa essa casa.
Mas, tem uma semana toda me separando do meu dia. E essa semana me presenteia com coisas absurdas e incompreensíveis. Quando chove sinto mais a sua falta. São lágrimas abafadas lavando o chão dessa cidade. E aquela gosma preta desce a augusta enquanto eu volto de um dia de trabalho. Tenho quase tudo que gostaria de ter. Mas nada, preenche o que ficou aqui. Sabe, a sua falta? Ela grita todas as manhãs. Vira e mexe, me pego olhando a porta, na esperança de você voltar. Mas você nunca volta. Domingos são amargos porque não te tem aqui para dividir. Na sexta à noite você não chega anunciando o fim-de-semana. O escuro não empresta nenhum foco de luz, porque seus olhos, passaram para o lado de lá.
Nunca pensei que essa coisa com cinco letras pudesse me tirar tanto. Nem que a dor ia passar e essa saudade fosse me envenenar dia após dia. Lembro da minha promessa. Do seu corpo inanimado e das lágrimas que se misturavam ao frio daquela noite.
Queria acordar e ver que tudo não passou da minha imaginação trabalhando. Perceber que pude te ajudar. E no fim, os problemas são impulsos. E a chuva, arranca os restos do meu passado.
"fica tão solitário às vezes que até faz sentido"
c.

segunda-feira, julho 23, 2007

GUARDA-CHUVA VERMELHO

A falta de ar me faz respirar pelos olhos. As lágrimas que rolam pela minha fase alimentam minha solidão. Toda minha aparência desnudada aos olhos de quem passa pelo metrô. Passo a mão no rosto para espantar os fantasmas que andam na linha dos meus olhos. Penso em você lá atrás e a sua morte me dói de novo. Tudo que era comum para mim e hoje é um luxo. Todos meus medos sucumbindo a minha promessa. A que fiz a beira da onde você descansa seu sofrimento. O nosso sofrimento. A minha impotência diante de Deus ou daquilo que chamamos disso. Ninguém entende o que há aqui. Ninguém entende porque muitos acham que conhecem e poucos tem razão. Isso que uns chamam de arte e eu chamo de palavras são gotas de mim. Um conta gotas de dor e sanidade. O que de pior existe continua aqui, preso, me envenenando os dias. Minha maquiagem de alegria dá lugar ao desespero que é me carregar pelo mundo.
Não tem como explicar que às vezes sou duas. A compreensão fingida não me interessa. Sigo sozinha porque no fim só eu me aguento. Ou não. Ainda, existem os meus métodos para fazer tudo virar verdade.
Preciso aprender a manejar essa montanha-russa descarrilada que é minha vida. Arranjar um cinto de segurança. E tirar as pessoas da fila. Não queiram andar por aqui. Não, agora, nem semana que vem, nem na outra. Um dia isso tudo passa. E eu permitirei que a fila se reconstitua.
Hoje, só a chuva me faz bem e meu guarda-chuva vermelho é minha mais perfeita companhia.

domingo, julho 22, 2007

CALÇADA

Ando até as pernas deixarem de responder aos meus comandos. Procuro em algum lugar a paz que me aquiete. Cansada de falar tanto e quase sempre. Ou de simplesmente engolir minhas palavras e silenciar. Minha vida é uma montanha russa sem cinto de segurança. Os trancos me impulsionando para frente e o movimento acelerado me prega as costas na cadeira. Essa rapidez da vida às vezes me tira minha pouca calma. Cansada de pisar sempre nos mesmos cacos do caminho, ensaio um milhão de vezes tritura-los. Fazer do meu passado pó. Depois assoprar para que ele se misture com o ar e vague tanto quanto tudo foi vago. Vestida de mulher para esconder a menina que brinca aqui dentro, caminho pelas ruas dessa cidade. Procuro o lugar onde tudo faz sentido. Alguém para entender minhas palavras. Sem julgar entre alto ou baixo. Pequeno ou grande. Minha vida sem certidão reconhecida em cartório. Fortemente influenciada por algumas coisas e indiferente a outras. Indecisa entre sonho ou ilusão. Pregada ao meu mundo enquanto há tanta vida lá fora. Esqueço as chaves de casa. Aproveito a calçada para relembrar o passado. Aperto minhas pernas enquanto todo mundo que um dia viveu começa a descer a rua.
Lágrimas rolam em um ritmo frio. Tudo que vivi e hoje mantenho longe. As saudades enrolada com a ilusão. Talvez, tudo não tenha passado de um sonho bom. Exatamente o que quero carregar. Sinto saudades. Uma falta enorme de quando acreditei que tudo poderia ser para sempre. Acordar de manhã e encontrar meu porto seguro. Porre. Brigas. Lágrimas molhando os bancos. O eco todo que encontravam nossas risadas dentro dos blocos. E tudo coexistindo. Nossas diferenças brincavam de amarelinha enquanto nossa igualdade produzia elos. Sinto falta. Do pôr-do-sol e do nascer dele. De acordar no escuro e demorar para amanhecer no horário de verão. Tudo que deixamos de aprender com alguém mais velho para puxar de um filme qualquer no cinema.
Acreditei que tudo podia ser para sempre. E que eu seria diferente. Meus mortos enterrados, não como eles estão agora, ainda há vida naquilo que queria enterrar. E muita morte no meu presente. Sinto cada pedaço do meu corpo tremer enquanto minha cabeça se enche do nosso sentido. Uma família grande. Com todas as brigas e até certa falsidade. Alguns blocos e a certeza de que nossa juventude seria eterna.
E agora todos tem obrigações. Alguns as mesmas e pouca coisa mudou. Outros encarando a vida de frente sem poder sentar para chorar quando a vontade é forte. Engolir em seco cada sentimento ruim.
Queria de volta o meu desespero juvenil e as minhas incertezas. Quero queimar como sempre foi. Vontade de gritar mas só há silêncio ao meu lado. Gostaria de rir mas só há indiferença. Queria cantar mas não lembro a letra. Só uma vaga melodia embala minhas saudades.
Alguém conhecido vem descendo a rua. Chegou alguém com as chaves. Escondo minhas lágrimas, odeio enfrentar perguntas óbvias, chorei e choro quando apagam as luzes. Quando a montanha russa tá lá embaixo. Me embebedo de saudades e me nego a matá-las. Por enquanto prefiro a certeza de que tudo não foi uma doce ilusão. No meu quarto sinto minha alma sugada e o sono me desespera. Encontro minha cama enquanto apalpo o escuro. E durmo. Durmo. Durmo.
Amanhã tudo será diferente, ou não.
CORPOS

Queria entender tudo. Encontrar minha paz na minha santa insanidade. Não me preocupar com as verdades do mundo. Criar meus códigos e ouvir os seus. Pintar meu quarto de roxo e me embebedar do cheiro da tinta disfarçando o seu que ficou aqui. Mostrar as suas fotos pros meus filhos daqui 5, 10 anos e nada daquilo tudo doer. Queria andar por todas as ruas dessa cidade e te expulsar da minha cabeça por 30 segundos inteiro. Cada arranhão das paredes parece os da suas unhas no meu ombro.
O coração jorra sangue e molha todos que passam ao meu lado. Assisto seu corpo andar e no meu peito um desespero vazio. É como se eu gritasse e não saísse nada. Como se andasse e tudo a minha volta continuasse igual. Só você tatuado no meu cérebro.
Joguei meu coração na sarjeta e achei que você fosse se abaixar para pegar. Não olhei, esperava você correr e cutucar meu ombro. Você não fez daquela vez. E não fez hoje.
Sai da sua casa com uma música tocando ao fundo. Você não me pediu para voltar. E nem ligou para me dar sua respiração embaraçada. Não tem desespero em você, assim como não há amor, a indiferença me corroí a alma. O seu gosto me empresta algumas mentiras pelas quais sou grata. Sonhava com você me pedindo para ficar. Seus braços me protegendo da vida enquanto ela me obrigava a enxergar através da janela. Sua mão sobre meus olhos filtrando as imagens. Suas mãos apanhando meu coração daquela sarjeta. Mas não. Você nunca fez nada disso. Um produto maldito da minha imaginação. Você, todo fantasia, não existe. Nunca existiu e vai continuar sem existir.
O asfalto lá fora sustenta a mentira do mundo. Embaça a visão. Poderia fritar um ovo no que escorre do meu coração naquela sarjeta. Aquilo fervilha, enquanto aqui, quase morro de frio.
Tremo enquanto tudo isso se passa na minha cabeça. Agora, você assobia, anunciando sua chegada na porta da minha casa. Penso em ficar quietinha e fingir que não estou. Querer isso seria meu maior presente. Não aceitar que você faça comigo o que jamais permiti a ninguém. Te dei o que mantive sob sete chaves. Abaixei as paredes ou você atravessou-as enquanto me distrai. Acreditei em mim, durante muito tempo. Até cometer esse terrível engano e o seu coração começar a bater, ao meu lado, tão alto e me tirar o sono.
Ninguém nunca me viu assim. Simplesmente, porque eu não sou, assim. Sinto muito por toda mentira que te emprestei.
Fecho a janela e me escondo atrás da porta. Não peço pra você ir, porque minha boca não responde aos meus comandos, mas não te quero aqui. Não, por hoje.
Vou me arrumar e sair para comer alguns corpos. Alimentar o falso para aceitar o real. Vai e volta mais tarde. Vai e talvez não volte. Vai, enquanto resgato meu coração daquela sarjeta. Jamais deixarei que isso aconteça de novo. Vou respirar a fumaça, me emprestando o oxigênio que você teima em me tirar. Filtro por lá todos meus medos, anseios e nervoso. Tremo e fico molinha em questão de segundos.
Serei minha até segunda ordem. Minha. Minha. Minha.
E hoje, só alguns corpos, por favor.

terça-feira, julho 17, 2007

E, VOCÊ VEIO.

Queria esquecer tudo e ir em frente. Seus olhos nos meus fazendo juras baixinho enquanto os dois tinham a maior certeza de que nada daquilo seria verdade. meus ouvidos tentando captar suas palavras. Minhas mãos brincando com seus dedos enquanto os seus se enrolavam no meu ombro. Meu corpo todo encolhido perto do seu. queria transpor a física e naquele momentos virarmos um só. Caminhar com você. engolir teu cérebro e te emprestar o meu. Descansar meu coração na sua estante.
Mas amanheceu e a luz sempre aparece pra estragar tudo. Acordamos com os corpos grudados e a cabeça doendo. Lembranças fora do lugar. E o cheiro ocupando o quarto. Sentia pesar minhas palavras e passava pomada nas tatuagens que você fez no meu cérebro.
Queria acreditar que tudo é verdade. Abriria mão da minha mania em me equilibrar na sarjeta se tivesse a certeza que você entraria nela comigo. Seria sua, se você pudesse ser meu. Mas você não pode. Não pode, hoje. Não pôde, aquele dia. E vai continuar não podendo. Simplesmente porque você não sabe o quanto é você e o quanto sou só eu.
A minha liberdade sai com as mãos no bolso. Leva todo movimento e peso que desfilo em palavras. Algumas músicas aqui sempre tocando. Remember. De quando acreditamos que seríamos para sempre. Não esquece de pegar suas coisas e fechar a porta. Levanto antes e me tranco no banheiro. Quando voltar quero meus lençóis no lugar e o seu olhar longe daqui. Não te pedi, mas você sabia. Você sempre sabe. Quando voltei você não estava. Então, me encolhi no canto tentando querer aquilo. Te querer longe. Fui até a janela para acompanhar suas costas se perder no meio da multidão. Tarde demais. Já não tinha mais sinal das suas costas e nem da minha vida naquela rua lá embaixo.
Acendo um cigarro. Tentando te transformar em só mais um. E eu sei. Você sabe. E todo mundo que nos viu também sabe. Não somos mais um. Nem para o mundo. Nem para o outro. Vasculho meu quarto atrás de uma desculpa boa para te ligar e pedir pra voltar. Não acho desculpa. Não tem nada. Nem um botão esquecido. Nem nada.
Te ligo. As som não sai, só o barulho da minha respiração, e você me pergunta o que aconteceu. Te peço para vir até aqui de novo. Você diz que não dá. E não dá porque você não quer. Você tem medo. Eu também tenho. Mas prefiro assumir meus medos. Escolho meu jogo e escondo as regras. Respiro no telefone. Você pergunta o que houve e eu digo que nada.
O canto do meu quarto de novo me têm de joelhos. Ouço o trinco da porta. Levanto a cabeça e é você entrando no meu quarto. Seus olhos garantias gratuitas de que aquilo valerá a pena. Dure o que durar. Seja o que for.Oh, lemme think, lemme think, what shall I do?

sábado, julho 14, 2007

SÁBADO

Agora, eu sei. Tudo não passou da minha imaginação trabalhando enquanto meus olhos se enganavam com qualquer verdade palpável. O seu olhar e o meu ligados por um fio de mentira. A sua voz e a minha misturadas. Os medos socando a porta enquanto trocávamos promessas que não vamos cumprir. E tudo volta ao ponto de partida.
E a partida é o nada. O mesmo que me visita todas as noites de frio. O escuro tingido pelas luzes vermelhas daquele inferno mágico. E tudo faz mais sentido.
Sábados fazem sentidos.
Espero que um dia, todos eles sejam sábado.

sexta-feira, julho 13, 2007

FALTA


Abro a porta de madeira pesada do meu quarto. Olho o corredor e avisto o escuro que toma minha casa. Estou sozinha e não lembrava. Ando sozinha e às vezes esqueço. Luto contra alguns dos meus defeitos. Trato minhas fraquezas como se soubesse transformá-las em força.
No chuveiro minha cabeça vaga e a água quente cai sobre meus olhos fechados. Tudo preenchido do vazio sendo inundado pela água. O box mantém o chão de fora seco. Como na minha vida. Minhas barreiras me mantém seca.
No peito um nó. Como se tivesse uma mão lá dentro trocando as veias de lugar. Misturando sangue venoso com sangue arterial. Deixando tudo uma coisa só. Sinto tudo uma coisa só. Não existem sentimentos aqui. Estou vazia e isso começa a me desesperar.
Minhas palavras sem fim começam a me desesperar. Meus medos. O escuro. E este silêncio. Me desespera.
Atravesso o corredor até esse quadrado onde habita meu inferno e paraíso sem qualquer separação material. Sinto tudo aqui. Ou não sinto nada. Deixei umas lágrimas debaixo do travesseiro. Uns sorrisos em cima da mesinha do computador. Umas máscaras no guarda-roupa. E tudo que uso todos os dias mantém-se no canto. Acordo e elas se pregam em mim. Quando passo as mãos no rosto na tentativa de espantar o sono, levo tudo pra perto, trago tudo pra cá. E ainda, não sinto nada. Nem amor. Nem ódio. Nenhum sentimento intermediário que me preencha de mentira e me empreste pa-az. Nada. Nada. Não há nada aqui. Só um monte de vazio preenchido do escuro que invade meu quarto. Meus gritos abafados. E o travesseiro molhado.
Queimo. Arde. E dói. Meu peito dói. Meus olhos doem. Minha vida dói. Mas, eu levanto e continuo. Seco as lágrimas. Acho os interruptores da minha escuridão. Ilumino a vida no susto. E no instante seguinte, quase nada faz sentido.Você continua longe. Não entende nada. Não entende. Acho que não estamos no momento em que o silêncio é suficiente. Você precisa das palavras que não consegue sair de mim. Não consigo atender as nossas necessidades. Sou a mulher que você poderia ter. Sou a sua mulher em sonho. Porque na realidade falta coragem. Aqui e aí. Falta. Estamos em falta.

quinta-feira, julho 12, 2007

DUAS

Eu quero sair daqui. Deixar esse corpo e só carregar minha alma. Abandonar meu cérebro na primeira esquina. E largar meu coração na mão de alguém que cuide de faze-lo minar sangue. Depois vagar. Vagar. Encontrar as vagas do mundo para o estágio da minha vida. E depois viver em tempo integral.
O meu passado não mais me pertence. Vejo tudo tão estranho. Ando por essas ruas carregando o meu futuro nas costas. Dançando sobre o presente. Algumas pessoas arrumaram suas coisas e se mandaram sem pedir licença. Outras continuam aqui. Me irritam. E nos irritamos. Precisamos de tempo e paz. Mas ninguém me devolve a paz. E eu fico aqui. Com o vento batendo na janela e o medo esmurrando minha porta. Me jogo no canto do quarto entregue ao sono que me consome a alma. Não vou embora antes de apagar essa vela de cima da sua mesinha. A que ilumina suas palavras e te empresta luz. Não cruzo essa porta. Não largo do seu pé. Não apago as coisas que tatuei na sua cabeça. Você está condenada a ser duas. A ser eu. Enquanto eu sou você.
Distribua conselhos ruins na minha ausência. Viva dias calmos enquanto adormeço no seu ventre. Mas, um dia eu acordo. Pode ser em um sábado à noite. Quando você estiver rodeada de pessoas. E depois você não vai conseguir explicar. Quando todos te apontarem, estarei adormecida e você se debaterá tentando se desculpar pelos meus erros. E de repente. Você se enfia aqui dentro e eu assumo o controle. Levanto. Sacudo sua vida e tiro tudo do rumo. O rumo que você vive a procurar. Foda-se o seu rumo. Te jogo na frente do carro em movimento atrás de um cigarro na outra esquina. Renego seus gostos. Não importa que você deteste marlboro. Já disse que não te escuto.
Se fodeu. Me fodi. Quando ela aparece. Não sou eu e ninguém entende.Que morra a censura e me deixa ser dela. Só eu e ela. A odeio por me fazer chegar em casa 6h30 da manhã e acordar às 8h com o maior dos pesos na consciência. Uma tem consciência. Outra nem liga. Uma gosta de algumas pessoas. A outra abomina. Uma é de verdade e a outra pura ficção.
Qual sou eu?
As duas. Sou delas. Sou elas. Sou EU.

Eu devia tomar cuidado com o desejo. Pode se tornar realidade.
E hoje eu acordei querendo tudo diferente e o que tinha era um monte de igualdade.
Vontade de morder a vida.
MORDER.

things
things
things

domingo, julho 08, 2007

TÁ DIFÍCIL ESCONDER


E esse vazio todo aqui me engolindo. Pregada aos meus pensamentos desconexos. O escuro do meu quarto e o buraco da minha solidão. Essa que escolha a cada vez que mando todo mundo que tenta chegar aqui perto pra fora. Quando expulso com cabo de vassoura em riste as tentativas de aproximação. Pro que der e vier. Não deixo ninguém aqui. Me autosaboto com meus sorrisos e a minha mentira em existir sábado à noite.
E no dia seguinte só esse vazio e eu lá dentro abraçada as minhas pernas. Brinco com vagas lembranças. Tento esquecer você que esteve aqui por alguns minutos. Minhas vontades e o seu sorriso nervoso. Queria atender as expectativas do mundo. Entender as pessoas e encher esse vazio de sentimentos bons. Utopia demais. A solidão é o meu mal necessário. Porto seguro. Aqui eu sei que o mal não se espalha e que não faço nada para ninguém em um raio de 1 bilhão de km. Me isolo das verdades dos outros para engolir minhas mentiras e brigar com minha cabeça. Estamos em curto. Alguma coisa tá espremendo minhas entranhas e comprimindo meu coração. Deixa tudo do tamanho exato de um grão de areia. Queria andar a beira do mar. Com os pés na água fria. Segurando meu cabelo. Correr. Correr. Correr e deixar atrás tudo que aconteceu até aqui.
O mar e as minhas verdades como a realidade absoluta do mundo. Engano todos com meu jeito que destoa das minhas palavras. Falar é um jeito de fugir de mim enquanto enceno pros outros o que preciso viver. Todas as garrafas e os comprimidos jogados no chão do quarto, a solidão e o escuro. Dançando de mãos dadas. O vento uivando lá fora e eu imaginando que tudo está bem. Tudo precisa ficar bem com você. Comigo? É assim que é.

2 dias :)
(L)udov
PRA DEPOIS


Nunca quis machucar as pessoas. Enquanto afogo minhas entranhas em veneno a dor é minha e arde só que aqui dentro. Nunca quis ver lágrimas rolarem e perceber que é por minha culpa.Vim ao mundo com a penitencia de ser livre. Sinto muito. Mas não dá para parar. Ou segurar meu olhar sobre o seu o tempo todo. Minha vida vaga e meu coração descansa em estantes que não posso escolher.
Queria a noite de ontem com meu bom senso de volta. Mentira. Nunca fui daquele jeito. Não era eu. Estava possuída, feliz e leve. Não tenta me prender porque eu fujo. Não tenta me ter porque eu desisto. Não tenta me pegar porque eu escorrego. Espera meu tempo se for importante para você. Se você quiser um conselho, é grátis, e eu realmente sinto muito em falar isso: "eu não sou a pessoa certa para ninguém". Só para mim. Porque eu me aguento. Mas não me dê lágrimas. Não me faça sentir a pior pessoa do mundo e ao mesmo tempo a mais impotente.
É tudo. E pode ser que nem fosse para mim. "Mas a dor é muito para mim."


e eu prometo que bebo menos da próxima vez.
existe uma explicação racional para o fato de eu SEMPRE acabar na funhouse?
e toda vez que entro lá me arrepia até a alma. ai, sensações estranhas.
tirando as ressacas. a física e a moral. foi bom...


*realidade vestida de ficção*

quinta-feira, julho 05, 2007

PRÓXIMA RODADA


Encontrei a paz em um céu imundo que nunca saiu de perto de mim. Aquela paz que não cala e aumenta a pulsação. Tudo perfeitamente fora do lugar. Meus horários e minha vida fora do rumo e em pa-az. E tudo sempre esteve no céu imundo que divido com essa cidade sufocante.
Há dias parava na frente dessa tela com uma certeza vazia e vaga de que algo aconteceria. E tudo está bem. Não, nunca está. Tenho as pessoas a medida em podemos nos aguentar. Falta alguma coisa. Claro, que falta. Você me aceitar. E me guiar nessas ruas frias enquanto as meninas desfilam de vestido e salto alto. Vivo grudada ao meu all star. Minha cabeça vaga entre o céu e o inferno das palavras. Esse reino surpreendente vazio vestido de sentido. O sentido que alguns procuram lá dentro tão fundo e não encontram. Porque a pa-az está bem escondida no céu imundo de cada um. E não é deixando-o limpo que você encontra. Nem desmatando passado e pregando suspiros para um futuro.
Sozinha agora. Como sempre estive antes. A cada respirar mais longe. Um tanto mais inacessível e tudo borbulhando em possibilidades. Promessas que não cumpro quando a luz se acende. Não cumpri nenhuma das promessas que te fiz. Ou cumpri aos olhos dos outros enquanto tudo aqui se mantinha intocado. Toda a raiva enrustida naquele 0 a 0. Que quase não chega. Não alcanço o seu sorriso em noite nenhuma. Minhas lembranças são vagas. E você vai querer. Vai. Cedo ou tarde. Isso eu deixo na mão do destino. Na minha vontade de arrumar o passado.
Quero te carregar sem essa dor. Sem fardo e sem pena. Nem de mim, nem de você. Pena são para fracos. Embora, você seja. E era exatamente a sua fraqueza precisa que te tirava do rol dos manés o qual você faz parte. Mas, mais um voto de confiança e da próxima vez nos enfrentaremos no olhar. Com sorrisos falsos. Te pinto de verdade para disfarçar a mentira que você é. Nada.
É só isso.
E na próxima rodada, eu te pego.


"tudo para ir, aonde ninguém foi, onde eu possa rir do passado e te perdoe."
(L)udov

eu e a gords nos xingamos por quase uma hora hoje. carinho violento. e como falei:
"vou escutar ludov até explodir em letras e melodia" hahaha!
implicante, eu ouço o que eu quero. lálálálálá.

NÃO VOLTA

Viver é escrever no escuro. Olhar em volta e ver uma frestinha de luz. E um abismo enorme a sua frente. Me pego em palavras para não notar as mudanças. Não largo o precipício. Preciso viver a beira da vida. Olho tudo lá dentro dando certo. Parada a porta daquele boteco de quinta enquanto meus amigos se divertem. Ouço a mesma música incontáveis vezes. Uma voz macia no fundo da minha cabeça ecoando uma nota alta. E alguém lá de dentro do boteco acenando para eu entrar.
Às vezes acho que a maior dádiva do ser humano é saber ficar sozinho. Não solitário com cara de coitado. Odeio os coitados. Gente que acha ou tem certeza que é. Muita coisa aqui e embora a pieguice seja meu sobrenome. Coitadinha nunca passou perto de mim. Vou ganhando a vida no pulo. Cutuco as costas dela, mesmo odiando que me cutuquem. Simplesmente porque viver é escrever no escuro. E o que vai não volta, com precisão ou igualdade.
Não, não volta.

"preste atenção, não me entenda mal, até que eu sou uma pessoa legal, especialmente com você..."
(L)udov
Pausa no trabalho para esclarecer uma coisa:

Nem tudo que escrevo faço e nem tudo que faço escrevo.
Simples assim :)

agora, já vou, começar a classificação de matérias da BMW.
ahá, divertido néam?
vou virar uma entendida em carros que jamais poderei ter, mas até aí, posso ajudar quem pode ter a escolher. hahaha!

beijo
e mais tarde eu volto.

quarta-feira, julho 04, 2007

ARDER

Viver é como passar o dedo na chama de um isqueiro. Se você passa rápido não queima, mas se parar, arderá. Viver parada arde. O movimento de ida e volta que faço com meus dedos olhando para o isqueiro, enquanto ensaio acender um cigarro. É como o movimento que faço na vida enquanto acendo as luzes de quartos escuros. Circulo por entre lençóis perfeitamente estirados e outros amarrotados com uma mesinha e a luz em um canto quase apagada. Olho as suas costas e você nem nota o barulho dos meus passos pelo corredor até aquele foco de luz em um quarto vazio. Sinto o cheiro da sua solidão do outro lado da rua. Venho partilhar deste seu sofrimento mudo e necessário. Entendo suas necessidades. Porque as tenho vez ou outra. Diferente de você resolvi parar de arder. Coloco o óculos escuro para tentar esconder as olheiras. Prendo o cabelo deixando parte dele solto. E subo essas ruas e avenidas que circundam o seu círculo.
O cheiro da sua solidão me embebeda a cada novo segundo. Ando. Ando. Ando. E me pego mais uma vez parada na sua porta. Penso em fugir. Mas besteira é não aceitar o que se tem. E eu tenho o seu cheiro impregnado. Suas costas tatuadas na minha memória. O seu rosto não consigo enxergar por causa daquela falta de luz. Te aberto os ombros e você não se virá. Continua sentado, curvado e com olhos pregados em um papel. Você está sempre escrevendo. Porque não sai para viver ou virará-se para me olhar no olho. O que tem aí dentro que ninguém pode ver? Deixa de arder enquanto todo mundo está em movimento. Deixa.
Deixo de ensaiar acender o cigarro. Saio na companhia dele. Andando comigo mesma com um sorriso no canto da boca. A parte que me importa é essa que se movimenta. A que quer arder. Que arda. Mas dessa vez calarei sua voz. Prenderei suas mãos na cadeira deste quarto quase sem luz. Engolirei as chaves. Você terá que enfiar os dedos nas minha entranhas para recuperar a chave e a luz. Ou você ou alguém capaz de trazer a vontade de parar e arder.


assisti 'cão sem dono' e descobri que já posso assistir filme em que falam "cancêr" sem passar vergonha debulhada em lágrimas no cinema, não que tenha passado, mas já dá para assistir filme sobre, com o mínimo de dignidade.
sem mais.

baste
a quem baste
o que lhe basta
o bastante de lhe bastar
a vida é breve
a alma é vasta
ter é tardar
Fernando Pessoa

(lindamente musicado pelo seychelles) - lembrado em um belo comentário do brunolds lá oh:
http://www.susinaoandasozinha.blogspot.com/

terça-feira, julho 03, 2007

RODA VIVA

Me visto do mais puro clichê e afirmo por a+b que a vida é recheada de escolhas. Desde aceitar uma coisa que você precisa muito naquela hora mas sabe não é o melhor. Até sofrer sem aquilo e depois receber o que você realmente quer. Do jeito que você quer. Aceitar as limitações. O frio e a fome. Os berros dos censores incapazes de entender quanta razão há na sua vida. Se eu entendesse de matemática mais do que o suficiente para passar, ou conferir, troco faria uma equação aritmética da minha história. Minha vida é exata regada de humanidade. Tudo tem encaixe e dá para tirar a prova real.
Esse meu olho ressaco banhado de lágrimas inconvenientes. Não quero chorar. Não tem porquê. A fonte secou e a vida começou a florescer por estes campos.
É estranho olhar tudo dando certo e eu sem fazer nada para chutar o alicerce. Estou calma. Preparando cimento para concretizar tudo isso na minha vida. Coisas novas chegando e pessoas velhas voltando. O destino te coloca na roda viva da minha vida. Vamos rodar e tomar sorvete. E rir do nosso passado. Falar de coisas e pessoas. Momentos bons que ficaram para trás. Você que me rega de boas lembranças com um sorriso. Você que é o meu passado mais presente. Quem tirou do meu jardim as ervas daninhas daquele outro. No dente. Sem perceber, sem notar e principalmente sem saber o quanto aquela uma semana foi importante. E a amizade e a nossa sintonia. Nossos gostos misturados.
Tudo é bom. Você aqui de volta é bom. Meu amigo. Meu, querido, amigo. Que nunca deixou de estar aqui. E todas aquelas palavras bêbadas trocadas aos berros porque o som era muito alto continuam aqui.
Um gosto em um copo e o seu olhar nas garrafas que você carregava abraçado a ela. Sem cena de tv ou ciúmes. Nada. Só isso. E você atravessou tudo com ela. O final daquela noite você não sabe, mas eu e o meu banheiro não esqueceremos jamais. Hoje eu olho e acho graça. Porque passou. E não sei porque o destino te enfiou aqui do lado da minha casa. Não sei.
Mas, eu ainda acredito.



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edição 01 - fechada e no ar para todo mundo ver :)

segunda-feira, julho 02, 2007


MANHÃ DE SEGUNDA-FEIRA

Parei por tempo indeterminado de falar que ninguém entende. Todo mundo entende e sabe por que todo mundo entende? Porque todo mundo passa por isso também. Só que eu passo mordendo a bochecha e disparando palavras. Eu me jogo inteira nesta tela com essas letras e com as minhas palavras. Vou de cabeça. Sempre vou de cabeça. Deve ser por isso que tenho tanta enxaqueca. Mas não importa. Quem vai deixar um saco de ossos recheado de carne calar? Eu não. Então, ignoro todos os sinais e vou. Sem cordinha. Sem pára-quedas. Nada me pára e o final é sempre o mesmo. Diferente dos contos de fada e o seu "felizes para sempre". Na vida de verdade engoliram o "para sempre". Tudo pode durar um final de tarde ou uma manhã fria. Ou dois segundos. Um olhar e a certeza que você queria parar ali. Mas eu não paro. Eu nunca paro.
Atravesso a rua com seu olhar tatuado no meu cérebro. Mantenho os meus princípios. E a cabeça cheia do que farei amanhã. Preencho o vazio com a lembrança do seu olhar. Só o seu olhar. A sua calça rasgada, camisa preta, uma guitarra do lado da mesa daquele bar. Hoje passei na frente do bar e é claro você não estava lá. Segunda-feira de manhã. Você deve estar sendo engolido por obrigações ou ainda se revirando na cama. Não sei seu nome. Endereço. Profissão. Só o seu olhar tatuado aqui dentro. E o meu dom de me apaixonar pelo o irreal.


o que eu fazia lá em uma manhã de segunda-feira?
entrevista de trabalho e a parte boa. contratada. YEHA! x)
fazer clipping.
pro futuro e avante. :)

e dia 1 de julho, susi começou a andar.
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sexta-feira, junho 29, 2007

CHUVA E A PORTA FECHADA


De repente tem tanta gente aqui. Olho para o lado e vejo rostos. Milhares deles. Sorrisos os que tive e os que chegam a cada segundo. Minha vida é guiada a novidades. A cada andar encontro uma coisa esquecida no chão dessa cidade. Ando de cabeça baixa procurando elos perdidos no chão. O meu elo. Aquele que me prega ao meu passado e sustenta meu futuro. O presente me dá de presente a saudades. Uma saudade fina que evito matar. Ela me alimenta de passado e não deixa eu me perder nesta bagunça que é aceitar os sonhos. Ando cada dia mais para longe. Cada dia um pedaço do meu sonho sendo moldado sem massinha. Ele vai no susto, busca abrigo em algumas casas que mantém a porta fechada. Fico ali tomando chuva, braços cruzados, grudada a sua porta. Você está lá dentro. Não abre porque não me quer aí dividindo os seus fantasmas. Eu também nunca quis ninguém aqui. Maldita idéia procurar a sua porta nesta noite fria. Deixei o guarda-chuva pendurado na cadeira do bar fazendo companhia para o meu juízo.
Não sei o que me deu, quando resolvi acreditar que este sonho vai acabar em um lugar bom. Guiado por uma calma desesperadora que arrancarei no dente com mais problemas. Sempre arranjo alguma coisa para me preocupar. E desta vez é a sua porta fechada. Um pedaço de teto entre a rua e a sua porta. Me espremo fugindo da chuva e do seu medo que bate nas paredes. Ele também quer vir até mim. Mas você, um saco de ossos recheado de carne, tem medo. O seu medo entrava todo o futuro. Qualquer que seja o futuro. A sua mão escondida nas suas costas e o seu sorriso sádico nunca estiveram no meu sonho. E quem disse que o sonho condiz com a realidade? Quem disse isso, não te conhecia.
Saio na chuva. Braços abertos, rodo na praça fria e solitária, abro a boca para sentir o gosto dessas gotas. Rodo, rodo, rodo e a roda dá vida me leva. As gotas e o sal das minha lágrimas misturadas. Um gosto bom. O meu gosto. O gosto das minhas verdades. O meu sonho que toma forma a cada dois passos. A faculdade. As músicas. A procura por algum trabalho. Tudo. E eu queimo no inferno da solidão. As pessoas. Sempre tem algumas aqui que me salvam os dias e me arrancam sorrisos. Tem as que me matam com a dor fina da saudade. E as que chegam anunciando um carinho gratuito e enorme.
Cansei. Cansei de toda a alegria que todo mundo finge. A vida faz sentido enquanto rodo, com a boca aberta sentindo cada gota na ponta da minha língua. Tudo faz mais sentido quando há dor aqui. Alegria é calmaria frígida. E tudo que é frigido me acomoda. Ainda tem muito sonho me esperando. E muitas portas fechadas com um pedacinho de telhado para me proteger da chuva. Se você abrir a porta eu entro. Bebemos. Conversamos e quem sabe escrevemos as palavras que vivem grudadas na nossa cabeça. Mas o seu medo é maior. Você é maior que o seu medo. Mas você prefere manter a porta fechada. Me acomodo na praça. Os pés brincando um com o outro. Acompanhado dos meus mortos que me olham lá de cima. E sorriem. Eles sorriem porque eu não desisto. Jamais desisto. Prego minhas palavras na vida, enquanto elas se pregam em mim. Sou uma mulher vestida de realidade pintando a ficção. Sou eu e isto me basta. Sou minha e isto é o que me importa. É assim que é. E assim que será. Até. Até o dia que tiver que ser.

quinta-feira, junho 28, 2007

COISAS BANAIS


Me despeço de todo mundo para parar a frente desta tela em branco. No escuro. Meus dedos guiados pela prática. Minha cabeça ainda dói tanto quanto na noite de ontem. Deve ser para me forçar a dormir cedo e calar tudo que tem aqui.
Não consigo mais olhar para dentro e ficar espiando por debaixo de cortinas pesadas. Tão pesadas que só consigo levantar o suficiente para que um olho veja lá dentro. Um olho é muito pouco. Tenho feito muito pouco por mim nestes últimos dias. Se ao menos soubesse o que causa essas dores. Cabeça. Estômago. Pontadas no peito e falta de ar. Mas hoje eu ouvi uma voz que me jogou direto no passado. Estou molhada de lembranças e feliz. Não por ter passado. Mas por perceber que certas coisas simplesmente continuam aqui. Posso correr pelo mundo, parar e ligar para algumas pessoas e sentir que jamais corri. Uma parte de mim gosta disso. Não há andarilha e bêbada. A serena que espera alguma coisa inominável. Como se eu fosse duas.
Me disseram uma coisa hoje engraçada. Existem as certinhas, as erradas e a Suellen. As certinhas são aquelas que não parecem perder a linha e estão sozinhas porque tem gente errada demais no mundo. As erradas que estão com os caras fodas porque eles não acreditam que existam certinhas. E a Suellen. Inconstante. Uma surpresa a cada respirar. Rodeada de clichês que manejo com as pontas dos dedos. A que a liberdade prende. A que sabe o que quer, mesmo que não queira nada. Às vezes eu quero pa-az. Sem perguntas. Pessoas que perguntam o tempo inteiro me irritam. Prefiro afirmações. Como vai você? Bem, obrigada. E a sua mãe, pai, cachorro? Bem. E o seu tatatataravó? morto. E. E. E.
Pessoas, não precisam perguntar. Perguntar nem sempre é educado. O principio básico da convivência humana: o silêncio é um grande aliado. Cale-se. Ou me cale. Mas fiquemos em silêncio olhando o céu. Tentando alcançar a lua sem sair do chão. Vamos nos olhar a noite inteira até que nossos olhos ardam e precisemos descansar. Venha. Volte. Às vezes, 'o mundo é pequeno, sem ter com quem dividir as coisas banais'.

quarta-feira, junho 27, 2007

TRÂNSITO


Debruçada na grade que separa a praça roosevelt dos carros. As vozes começam cada vez ficar mais longe e os carros cada vez mais perto. Um estacionamento com mais carros na linha dos meus olhos. E lá embaixo um desfile de vidas em um compasso manso. A vida daquelas pessoas em movimento. As vozes cada vez mais longe. Cada carro como uma gota do meu sangue. E o trânsito o compasso que transita esse líquido vermelho que engloba meu corpo.
Cada gota um carro. Cada carro uma história. Cada história uma vida ou cinco delas. Meus sentidos em um desfile do trânsito dessa cidade que eu transpiro pelos poros e espero nunca soltar. As vozes cada vez mais longe e eu quase posso sentir o sangue transitar. Meu coração cada vez mais rápido, minha cabeça cada vez mais cheia e no instante seguinte tudo se esvai e ficam os carros. O trânsito e a certeza de que ele não espera nada de mim. O sangue e o trânsito. Estou alheia. Não sou capaz de interferir em nenhum deles. Apenas uma espectadora dos seus passos.
Aquelas ruazinhas todas lá embaixo se cruzando. E todos eles iguais. Desde da pajero até a kombi. Todos iguais. Sem distinção de importância. Assim como o sangue. Tanto faz estar no cotovelo ou no coração. Sem a licença poética a importância é a mesma. Às vezes chego a acreditar que alguma veia na minha cabeça explodiu e só pode ser essa a explicação para essa dor insuportável. Tenho tido dores estranhas. Meu corpo apresenta sinais de cansaço visíveis mas eu não paro. O movimento é o meu combustível. Assim como o do trânsito. Não dá para parar. O que eu quero ainda está ali adiante e eu caminho. Entre passos largos e recuos estratégicos. Entre verdade e mentira. Sonho e realidade. Entre o que eu posso e o que eu tenho. Entre o possível e o impossível. Eu sempre pulo para o lado de lá. Debruçada naquela praça que sem um quê me dá um jorro de histórias. Como se eu já tivesse vivido parte daquilo e cada um daqueles botecos fossem velhos conhecidos. Aquelas ruazinhas e aquela vida toda ali dentro escondida. Entre toda a história e a verdade da vida das pessoas. Eu penso em vocês todos. Que estão ou estiveram aqui. Assim como o sangue. Ele muda o rumo mas nunca se perde. Vocês nunca vão. Afinal, "o passado é uma prisão", mas eu perdi a chave da minha. Tenho uma cabeça cheia de lembranças. E alguma saudades. Sinto falta de alguns de vocês. E no momento que tudo alcança esse marasmo chato. Penso em reviver meu passado. Mas seria como dar marcha ré no meio do trânsito das 6h da tarde. Não dá. Preciso ir para frente. E se você quiser. Caminhe até mim. Vamos por mais alguns passos juntos. Só mais alguns. Não prometo que por muitos. Não consigo prometer nada. A não ser quando o escuro esconde meu olhar mentiroso. Não dá. Eu não sei ser de ninguém. A minha liberdade é o que me prende. O meu 'umbigo particular'. Tem coisa demais para deixar alguém entrar aqui. Sou de quem pode comigo. E não vejo ninguém que possa. Não agora. Sigo entre o vazio das noites falsas e do meu silêncio necessário. Uma mentira entre o que aparento ser e o que sou. Entre o que acham e o que existe. Sinto muito, para quem vive de achismos baratos. Mas aqui não é o seu lugar. Se quiser tentar, lave as mãos e venha. Munido de palavras e sem as suas máscaras. Eu mantenho as minhas. Vamos rasga-las uma noite dessas e depois ver o que sobra. Entre álcool, música e uns cigarros. Meus textos em uma mesa de bar. E alguém cantando minhas mentiras, sem conhecê-las. Sinto a sua presença. Como se você estivesse por aí tão perdido quanto eu. Você que ficará aqui e depois fará companhia para eles. Os seus novos companheiros de passado. Mas enquanto isso. Quando você chega no presente? E de presente me traz uns sorrisos e um olhar tímido. Eu quero você. Aquele cara que eu vi ontem em um bar e nunca mais verei. Eu tenho o dom de me apaixonar por um olhar que nem era para mim mas cruzou os meus enquanto eu continuava a andar e o deixava a minhas costas. Quando tudo começa ser verdade?
Cansada. Com as minhas dores e as minhas mentiras. Vestida de verdade, maquiada de aparências falsas e bêbada de sentimentos. Sempre assim. Sempre.

domingo, junho 24, 2007

NÃO IMPORTA

Hoje tenho vontade de falar para o mundo que ele não importa. Não importa a peste e a fome. Nem os meus medos todos enfileiradinhos na minha estante. Os livros que estou lendo e os que tenho para ler. A voz dele aqui embalando minhas palavras para viagem. Não importa. Nada disso importa. Nada importa. Tenho por dois segundos a pa-az me fazendo companhia. As pessoas certas. Aprendo a jogar o jogo que é uma das melhores metáforas da vida. É só fazer a bola branca acertar a outra e enfia-la na caçapa. A bola branca é a neutralidade e a pa-az e as outras são os problemas. A caçapa é o decreto de que tudo fica bem e fim. Tudo fica bem. Eu fico. Eu e algumas pessoas. Só isto importa. O resto? Passa amanhã que hoje a pa-az é o meu grito. O silêncio meu quarto. E a solidão cambaleia pela rua.

o centenário foi comemorado no fotolog e na vida como uma apostila cheia disso aqui.
obrigada. obrigada.

quinta-feira, junho 21, 2007

FORTUNATO

Resolvi ser de verdade e aceitar. Aceito todos meus fantasmas vestidos de noivo, esperando cada um a sua hora, para que cassemos e finjamos por aí que somos felizes. Como todas as pessoas que casam uma vez só. Eu não. Eu vou casar um milhão de vezes. Com cada um dos meus fantasmas. E vou deixar eles me usarem inteira. Porque eu devo ser uma pessoa possuída por um cérebro que não é meu. Eu gosto da minha unha vermelha, dos meus blazerzinhos, do meu all star branco e do meu brinco de argola mesmo que ele distoe de todo o resto. Já o meu cérebro ele gosta e joga no teclado coisas que não estavam aqui quando eu subi a ladeira da faculdade fumando um cigarro que me deixou molinha por uns 15 minutos. Deve ser alguma entidade, mal resolvida, ou é um dos meus maridos. Porque agora meus fantasmas passaram a ser tratados como maridos e os eventuais serão amantes. Se não tem homem de verdade por aqui, neste momento, porque eu estou vaziazinha e adorando esta fase (mentira). Vou desfilar pela vida de mãos dadas com meu novo marido. O que tem medo do futuro. Este é meu marido. Ele chama Fortunato. Fortunato teme o futuro. Vou contar o começo da nossa história de amor. Bonita história de amor. Desde quando eu era uma criancinha, o Fortunato ficava ao meu lado me observando e já dizia que casaríamos um dia. Eu não dava bola para ele, porque era a época do meu amor juvenil, o Paulo, sim o meu primeiro amor chamava Paulo eu gostei dele até ele operar de alguma coisa que não sei bem o quê até hoje.
Era um amor puro, até me contarem que ele ia operar uma "pelinha que fica lá". Como eu não sabia lá onde. O amor passou. Então o Fortunato se aproximou, quando tive que mudar de escola eu até dei uma chance pra ele. Eu e o Fortunato conversamos sobre o futuro. Eu dividia o medo com ele, mas o meu medo era momentâneo e o Fortunato também seria. Doce ilusão. Tive que mudar de escola outras tantas vezes, à medida que o dinheiro escorria pela conta da família. E o Fortunato sempre presente. O medo do futuro e o Fortunato. De repente passei três anos sem pensar no Fortunato. E agora, eu resolvi que a gente vai casar para eu ter alguém com quem dividir o meu medo do futuro. Às vezes eu o traio. O Gónario o que tem vergonha de quem ele admira me ataca e eu deixo o Fortunato de lado uns dias para me dedicar a ele. Agora, no presente momento, estou comprometida com o Fortunato. Até mais e além.


*e o próximo texto, é meu centenário.
100 textos de claritromicina