quinta-feira, janeiro 31, 2008

ARMA BRANCA



Então eu ando como dá. Escrevo o que posso. Cuido de mim para deixar os outros mais perto. A minha cabeça deixa eles longe e eu gosto de alguns deles. Os outros fazem um favor em ir. Mas, no fim, ela explica tudo em palavras. Ela e o Caio. Meus cês.

para acabar com argumentos:
Se tudo existe é porque sou. Mas por que esse mal estar? É porque não estou vivendo do único modo que existe para cada um de se viver e nem sei qual é. Desconfortável. Não me sinto bem. Não sei o que é que há. Mas alguma coisa está errada e dá mal estar. No entanto estou sendo franca e meu jogo é limpo. Abro o jogo. Só não conto os fatos de minha vida: sou secreta por natureza. O que há então? Só sei que não quero a impostura. Recuso-me. Eu me aprofundei mas não acredito em mim porque meu pensamento é inventado.

para incompreensão:
Flores envenenadas na jarra. Roxas azuis, encarnadas, atapetam o ar. Que riqueza de hospital. Nunca vi mais belas e mais perigosas. É assim então o teu segredo. Teu segredo é tão parecido contigo que nada me revela além do que já sei. E sei tão pouco como se o teu enigma fosse eu. Assim como tu és o meu.

pro silêncio:
Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.

De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.



o próximo texto é trezentos do claritromicina.
OBSTACLE 1



Então eu corri e você ficou parado esperando mais palavras. Outra evidências de que você é o 'você' de tudo que eu escrevo. Então eu corri e você ficou parado. Não entendeu que essa era a senha. Era só você segurar o meu braço com força e tirar o medo do seu olhar. Mas, você não entendeu. E hoje, vejo que continuo correndo. Vou para longe e você não tem nenhuma palavra para me segurar firme pelo braço.

Todos eles são iguais. Nenhum é você. Nem eu. Então pela impossibilidade do ser, eu aceito o provável. Deixo o sentimento sair pelas beiradas. O vazio volta dia após dia. Como se sem ser os dias não existissem. Você não sai pura e simplesmente da minha vida. Carrega com você o resto e a vontade. Outra vez penso em só viver. Sem nada para esperar, nem um gesto, uma palavra ou um amanhã turbulento.

Penso no livro que ficou com alguém do meu passado. Talvez eu deva ligar e retomar uma parte do que já foi.

Com você o medo sempre fala alto demais. Passar a manhã revirando passado me fez lembrar do quanto eu tinha e o quanto tudo está melhor depois que aceitei todas as possibilidades. Talvez, arrisco um provavelmente, você nunca vai saber. Medo demais. Certo demais. Percepção de menos.

Vi e vivi muito cedo aquelas coisas. Hoje sentimento não me choca. E, sem um sinal, não sei se vale a pena te esperar.

"Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor.
Que tem que ser vivido até a última gota.
Sem nenhum medo. Não mata."

Clarice Lispector

quarta-feira, janeiro 30, 2008

CAN YOU FIND ME SPACE INSIDE YOUR HEART?


Eu quero sair daqui. Quero uma coisa com mais coração e menos cabeça. Quero uma pessoa que seja capaz de esquecer o tempo lá fora. Mesmo com um monte de obrigação. Quero alguém que se atrase porque não consegui ir embora. Quero alguém que eu faça ir embora, o mundo não entende quase nada dessa vida. E nós saberíamos. Nós sabemos. Eu e você. Do nosso jeito a gente entende tudo isso. Eu quero alguém para me dar a mão quando eu falar que quero ir sozinha. Um pedaço de paz no meio do caos que eu sou. Eu quero alguém que me chame de dramática e sorria, porque no fundo sabe que drama acontece o tempo inteiro. Caos é ordem. Eu quero alguém que entenda que o nosso caos é ordem. E da nossa ordem nós sabemos. Eu quero alguém que não ache que é só vazio. Quero alguém que saiba que tudo é só vazio. Só que não tem uma forma, nem um encaixe e nem nada que transforme uma pessoa em uma peça. Porque não existe tempo, chuva, calor ou frio lá fora. Não existe ordem. Eu queria uma pessoa. Eu queria você. Mas, e você?
JUST BE IN LOVE WHEN YA SCREAM THAT SONG - FREE


A minha liberdade. Eu respiro a minha vida sozinha. Porque tem que ter força para arrancar as mãos dos outros. Essas pessoas que eu não sei quem são e não sabem quem eu sou. Por pura pretensão da humanidade algumas tem certeza de que entendem e acham que eu entendo. Não, eu não entendo. Nunca entendi, é verdade. Mas, eu preciso da liberdade que vocês tentam colocar debaixo das suas palavras. Tirem as palavras de cima de mim. Caio, meu querido, o meu maior amor de todos os outros, chega de me fazer tão menina. Seu livro fica guardado até você resolver ser legal comigo e eu prometo ser boa de volta. E todos os outros, tirem seus livros de perto, porque eu decidi que vou ficar quieta.

E a minha liberdade fica no café, ou já na mesa do bar, quando ela me falou: "suellen, chega, concentra nos defeitos". Porque ela já viu um filme muito parecido e eu lembro o final. O meu travesseiro lembra o final. E todo o resto também. Mas, o que fazer se o começo faz com que eu queira ficar revendo isso quinhentas vezes. Como se isso fosse acabar um dia. No dia que decepção ou sentimento chegar ao fim, acabou, porque tem uns sonhos dos outros que eu julgo: o fim da minha vida.

É só o começo. Só. Então, todos os "chega" que você ler é só um começo disso e o fim do meu juízo.

Mas, o que importa é a liberdade e o quanto eu gosto do cheiro dela.
COINCIDÊNCIA



totalmente ao acaso. Isso é um tcc de rádio/tv da Anhembi Morumbi. Mayra Gonçalves é uma amiga do Marcelo, a conheci na funhouse, de um jeito que ela não deve lembrar e eu só lembrei porque perguntei no msn pra ele: "má, é aquela que tava na fun?". É. Isso é para contar que tudo é estranho. Ludov, ibotirama, o livro, o tênis, as unhas, loja de cd na frente do bovinu's. Ludov nos primeiros acordes e eu pensando: "ah, pera lá". Abre maior. Opa, opa, opa.
É, estranho, coincidência.


E para você: você acaba com tudo. Você faz isso do seu jeito mais idiota. O começo do fim daquilo que (parece) não chegar a ser.
C H E G A?
PACIÊNCIA

Então eu corro com meu lado ariano irritado com aquele ser humano tentando me assaltar na esquina da consolação. Meio dia. Chovia em São Paulo ontem. Chovia MUITO em São Paulo ontem. Eu estava atrasada. Tinha alguém me esperando. E graças a minha chefe, eu estava atrasada, e os minutos demorariam mais do que o comum sem nada para queimar entre os dedos. Daí o cara chegou querendo me assaltar. Eu deveria ter perguntado se era brincadeira. Mas, chovia e eu achei melhor sair de lá. Ele só tentou, porque eu estava atrasada, com a cabeça cheia e paciência nenhuma. Às vezes, eu sou assim e outras vezes você quase morre atropelada na consolação. O resto é só história.

terça-feira, janeiro 29, 2008

ORGULHO


Hoje eu andei com a minha amiga e o meu guarda-chuva vermelho. O mesmo desde do segundo ano. E agora, eu estou no segundo ano da faculdade e tudo já mudou tanto. Ainda é a mesma amiga e o guarda-chuva. O mesmo orgulho de conhecer a garota mais inteligente de todas essas outras. Porque ela não lê o que eu leio, nem escuta tudo que eu escuto, porque ela é única nas nossas diferenças. Ela sabe tudo desde o começo e o começo faz tanto tempo. Ela conheceu todas as pessoas da minha vida. E a gente errou e acertou juntas. Foi pra ela que eu contei tudo antes de contar para mim. Porque ela é o meu passo para aceitar e o último antes de sair.

Eu fiquei tão feliz por ela. Tão feliz que ela sabe que é ela.

sis, te amo tanto, tanto, tanto. meu orgulho, meu orgulho.
parabéns, eu não esperava menos de você, mesmo que não espere nada das pessoas. =)

segunda-feira, janeiro 28, 2008

EU ACEITO A CONDIÇÃO


Você sorri do jeito mais perfeito. Sorri de alegria. Sorri de tristeza. Sorri de desespero e de contentamento. Sorri com medo de pular dessa plataforma além de você. Então, eu deixo você ir e escolher. Eu respeito suas escolhas e ouço os seus casos. Sorrio de tudo isso do meu jeito. E você está a milhas de distância da minha cabeça. Do meu jeito de pensar. Mas, do seu jeito, entrou e, não sai. Nem quando eu decido que 'já deu'. Não consigo decidir nada com seriedade.

Eu sempre achei que era faro para problema. Passou. Porque eu enxergo a vida calma perto de você. Por maiores que possam ser as dificuldades. E os nossos medos misturados. Por mais difícil que isso pudesse se tornar. Eu pagaria a conta e sorria, como você, eu sorriria.

Então, você me mostrou a vida por outros olhos. Sem querer me arrancou da mão deles. E eu não consigo voltar. Por mais que tente. Mesmo que eles liguem ou eu procure o número na minha agenda. Os nomes estão embaralhados. Como tudo. Os nomes e a coragem se embaralham. Não sei.

Você é inteligente, mas não esnoba os outros e nem usa de piadas sem graça. Você sabe quem são as pessoas. Você lembra delas mesmo que elas tenham esquecido você. Você sabe o que é certo e errado. Você está sempre do lado certo e eu do errado. E a possibilidade de mudança é pular e se arriscar a cair no abismo. Talvez, fosse um jeito de estarmos juntos. Dentro dele. Ou, você conseguiria pular e vir ver como é a vida desse lado. Não acostumaria do lado do certo. Porque meus amigos estão quase todos aqui e eu sei que você não ia querer uma menina emburrada ao seu lado. Ou talvez você fique bem se eu sofrer um pouco mais.

Então, eu fiz de tudo para você perceber que era eu. Olhei por todos os cantos dessa cidade. Caminhei por cima dos meus passos do passado querendo achar a fórmula dos meus acertos. Não encontrei nada. Nenhum registro de nada vivo ou morto que me certifique do certo. Então, eu caminhei. E com a cabeça longe encontrei seu sorriso. Sem querer. Não sei o que é isso. Nem consigo falar que seja só a sua falta. Deve ser a sua e a do passado que não consegui registrar naquele longo cartório da vida. De papel passado eu não tenho nada mais do que o seu nome no meu bloco. Mesmo que eu jamais tenha por uma vez escrito ele. Ele está solto na caneta azul acabando e nos meus olhos perdidos nas estações.

___Deixa o moço bater que eu cansei da nossa fuga

domingo, janeiro 27, 2008

FUNHOUSE


Sem eles, sem a sis, sem o copo na minha mão as coisas ficariam muito mais difíceis.

ALGUÉM

Eu queria acabar com o seu medo e as suas palavras. Os seus olhos só para mim e as mãos juntas. Eu queria parar o mundo só para te fazer parar. Fim da linha. Começo da reta. O fim e o começo. O fim espera a minha paciência ir embora. Mas, eu não consigo ir embora. E eu tento. Eu venho tentando. Tudo seria mais fácil, mas quem disse que eu sei viver do lado mais fácil?

Ah, você.

sábado, janeiro 26, 2008

LIVED IN BARS


Eu começo a mesma coisa vinte vezes. Ensaio outras cinquenta sair por aquela porta e não mais voltar. Deixar o sentimento com um bilhete de despedida. Esquecer as lembranças boas, a falta, o arrepio. Essas coisas dou para quem pode viver. Ensaio isso e as começo. Nunca termino. Quase nunca termino. Porque no fundo eu vivo em bares. Escrevo em guardanapos. Guardo carinho, estoco amizade, compartilho fumaça. Então, eu penso outra vez em você e meus olhos brilham. Não sei mais se é prazer ou é culpa das lágrimas que começam a querer cair.

Mas, eu vivo em bares e entre uma garrafa e outra a esperança aparece. Entre mojito com muito hortelã encontro pessoas no sobrado da diversão. Enxergo a luz e a escuridão dentro da inocência. Conheço a casa. Respeito os pedaços. Falo pra ele não apagar o cigarro perto do tapete. Cuido do lugar como se fosse eu. Lembro o monte de histórias que deixei ali. As lágrimas que fiz alguns derramares, às vezes sou inconsequente. Não sei gostar no meio termo. Gosto e dou a vida por um sorriso ou não. Se não troco sanidade por um você, sigo sem pensar. Ao lado das vontades e dos sorrisos. O lugar. E o passado. O aniversário do hank. E as outras coisas.

Continuo ensaiando. Mas não tenho mais a força dos meus quinze anos. Nem a vontade. Ou melhor, tenho mais vontade, só que troco ela por te ver bem. A sua felicidade vale mais. Mesmo que eu vá ser para sempre a mesma garota cheia de certezas. A garota que cai da mesa sorrindo. A menina que pula por último no montinho de amigos. Aquela que os olhos entregam a verdade das palavras não ditas. Então, eu continuo vivendo em bares, coleciono passado, penso nas possibilidades do futuro. Largo a mão do presente e deixo ele tomar forma sozinho. Depois é hora de levantar. Recolher as minhas peças e caminhar com as mãos no bolso e o cabelo preso no fim de uma noite boa.

Quem sabe seja mais fácil deixar para lá. Provavelmente. Então, um beijo sincero e fim.

We've lived in bars
And danced on tables
Hotel trains and ships that sail
We swim with sharks
And fly with aeroplanes out of here

(a mais linda) - Cat Power

nota - comassim essa garota tem quinze anos?
folk maravilhoso de ouvir com olhos fechados. eu assino embaixo do que a leemaria escreveu aqui. - agradecimento a ela que encontra umas coisas e pessoas ótimas.

I SAID...


Eu queria controlar tudo isso. Deixar de ser ariana. Arrancar todo o impulso que guia minha vida. Pensar. E depois não ouvir aquele cara falar que eu sempre ando a dez passos dos outros. Enquanto eles pensam, eu tenho um filme com final feliz pronto. Mas, as pessoas não aceitam a minha direção e o filme nunca sai. Ou sai, mas eles esquecem que o final era FELIZ.

Oka, eu aceito, eu paro, eu fico quieta. Tudo bem. Eu quero as coisas agora, , mas não estou com a menor pressa. Queria. Mas não tenho pressa. Tem as coisas que eu sei. Tem as certezas juntas. Os amigos pertos. O sobrado na Bela Cintra. Os blogs de pessoas que me fazem sorrir no msn e na vida. Os meus amigos descobrindo que eu sou técnica de informática dentro de todo esse turbilhão. A caixa de cerveja, o mojito, os amigos e o lugar falando alto. Um barulho ensurdecedor. Eles gritando: "It's 1, 2, 3, take my hand and come with me". Eles gritam, a gente canta, todo mundo pula. Tudo pisca naquele lugar com chão quadriculado.

Eu andaria por todas essas ruas. Pararia o mundo. Mudaria a cor de tudo que eu sinto. Aprenderia cinco línguas simultaneamente. Voltaria pro curso de libras. Faria código morse. Se algum desses jeitos fosse capaz de ser o suficiente. Eu devo gostar de me sentir assim. Uma dose de auto sabotagem e masoquismo, por favor. Juntas e dupla. Sem gelo. Bebo tudo de uma vez e sinto meu corpo arrepiar. Minhas mãos esfriarem. Meus olhos ficarem fora da órbita. Dentro dos seus.

Nesse instante o meu amigo lembrou o nosso código. O que fazia o outro saber que pensávamos nele. Um toque no celular. Eu ia tirar o fone. Mas só precisei abrir e ver o nome dele. Sorrio com a saudades.

O tempo é capaz de acabar com tudo. De mudar os planos. O tempo vai fazer tudo passar. Mas, o tempo, esse também é quem faz o 'muito' fazer sentido. Eu queria por muito tempo. Sem conseguir pensar até quando. Tudo é bom. Tudo.

Agora, chega. Porque eu parei. O impossível é filme no dvd nessa tarde fria.
SOULSISTER,


Ontem eu senti sua falta. No meio daquela luz e pessoas. Com a alegria liquida nas mãos e umas pessoas importantes no alcance do braço. Mas, você fez falta. Não consigo lembrar de um momento bom ou ruim que você não estivesse por perto. Eu precisava de você entendendo tudo. Eu precisava de você por perto. Mas, é o começo. Você vai embora e eu tenho esse ano para aprender a lidar com a sua falta. É como uma morte anunciada. Mesmo que nada vá mudar tanto assim. Um ano para você aprender, crescer e voltar falando muito melhor do que você vai. E você é a garota que melhor fala.

Não que eu tenha feito nada ontem. Os mesmos problemas de sempre. O mesmo desequilíbrio da minha mãe. As mesmas coisas e a incapacidade dela em aceitar a minha liberdade. Por opção e por falta dela. Não tenta me prender, não tenta me deixar por perto a força, me conquista e me faz querer ficar. Mas, ela não sabe. Então erra mais. Acaba mais com isso que é tão frágil. Nossas famílias são o caos. E as que nos cerca. Realmente, é pura invenção aquela coisa dos livros infantis. É por isso que nunca acreditei em conto de fadas. Por isso meu espaço é grande e eu me protejo como posso.

Você me conhece. E percebeu antes de todo mundo. Fala em paciência enquanto eu penso em deixar para lá. Agora, eu não consigo fazer nada. Porque eu posso ser muito filha da puta. Mas só até ser pega por um sentimento verdadeiro. A partir dali nada importa tanto assim. E os outros viram os outros e só. Você sabe. Você viu tudo isso acontecendo duas, três vezes, talvez menos e nas outras eu tenha imaginado muito mais do que a realidade. Soulsister, sinto sua falta de todas as formas.

Falei com o Felipe e a Letícia. Rindo dele e com orgulho dela. Nunca acreditei que ela fosse enfrentar tudo aquilo. E agora, apesar de toda dificuldade, apesar do caos ela esta reluzindo felicidade. No fundo, é tudo que importa. Ele continua como sempre. Eles continuam como sempre. Deve ter sido eu que mudei outra vez. Voltei a ter medo como não tinha quando estávamos juntos. Devia ser a força que eu pegava emprestado de vocês e a loucura que compartilhava com ele. Ninguém nunca vai substituir vocês. Porque vocês entraram dentro do meu espaço. Mesmo que fiquem nesse entre e sai.

Tem as pessoas novas. E o quanto eles são importantes. Não sei o que teria sido de mim sem eles ontem. Aquela garota falando para eu parar de misturar qualquer coisa entorpecente. Nas conversas. No carinho. Não sei o que seria de mim sem um sentimento verdadeiro. Não consigo mais lidar com a solidão. Ela não me dá paz como naqueles dias. Agora sufoca, agora prende, deve ser culpa da impossibilidade de ter o que eu quero. Ainda preciso deles e do sobrado do róque na bela cintra.

Você sabe. Você sempre sabe. Soulsister, MUITO que só isso.

Eu ainda preciso de você me pedindo para ter paciência. Ainda preciso da pessoa que me faz calar a boca e abrir os ouvidos. Tá foda. E, eu realmente achei que demoraria para tudo isso voltar a acontecer. No fundo um sentimento verdadeiro sempre é o suficiente para o nocaute.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

COM AÇÚCAR


O que é isso. Essa coisa grande como nunca antes. Esse medo misturado a um sentimento confortável lutando pelo mesmo espaço. O lugar que já é seu.

Você chegou com o melhor sorriso. Andou com a melhor letra. Cresceu com aquela melodia. Um grito. Quase como um grito no meio dos prédios da minha cidade. Da nossa cidade. Tudo que não consigo explicar derramado em palavras.

Essa dor sem fim. Me sentindo quase sufocada. E, perfeitamente calma e quieta.
Você acordou comigo. Levantou das minhas três horas de sono. Me lembrou que o chuveiro estava frio nos primeiros segundos da manhã. Desceu as escadas do metrô. Entrou no primeiro vagão para o paraíso. Queria te deixar caminhar pela liberdade mas você resolveu que iria comigo para onde fosse.

Confundiu meus sentidos. Me fez perder o ponto e o juízo. Caminhei pela Augusta te carregando no fio do ipobre.

Ando cansada de ser assim. Como o Bandini um monte de palavras. Muito mais palavras. Você é quase o produto final da minha imaginação com defeitos e qualidades que eu não consegui criar. Seu medo e o andar são calmos. E, eu tão garota.

Percebi que gosto de segurar a xícara com as duas mãos como fazia com o chá da minha avó. Continuo brincando com o açúcar, com as duas mãos, com o corpo no mesmo lugar e a cabeça despregada.

Enquanto eu me exibo para solidão você pula corações. Controla os sentimentos. Segura as linhas. Eu, aqui, continuo me riscando inteira. Seguro a xícara com as duas mãos. Procuro seus olhos. Eu continuo sempre igual. E o que ficou diferente dessa vez?


ps: se você não perceber e eu nunca te contar, a gente fica assim, carregando esse monte de coisa que não foi.

terça-feira, janeiro 22, 2008

ALL OF ME


Aqui também existe esse medo que faz seus olhos brilharem e sua boca entreabrir. Só que desse lado pesa a responsabilidade. E uma dose extra de ingenuidade juvenil. Eu, depois dele, prometi que não deixaria mais ninguém me levar pela mão até tão longe.

Desmontei as armadilhas. Congelei os segredos enquanto os passava pelo nosso olhar. Coloquei carinho na ponta dos meus dedos. Guardei aquelas risadas e todas minhas palavras para agora. A sua insegurança é como imã. Não consigo deixar de olhar para você cheio de si e essa alguma coisa faltando. Enquanto todos te olham e perguntam o que falta. Enquanto outros nem percebem a falta. Mas, a falta existe, como existe em algum lugar entorpecido do meu corpo. Eu sufoco sentimentos. Embebedo minhas vontades. Enxergo vida em linhas tortas de um bloco manchado com tinta azul. Procuro paz para te entregar. Procuro nessas ruas qualquer coisa que deixe isso mais fácil.

Por mais um milhão de dias eu te carregarei na lembrança. Por outros meses eu te mostrarei sorrindo que é tudo simples. Mais alguns anos.

Trabalhei com a cabeça pesada e o corpo leve de saudades. Aquela coisa que me leva enquanto continuo sentada. Rindo deles. Rindo de nós. Rindo porque só assim eu torno isso uma coisa melhor.

Não consigo mais arrastar o mundo comigo. Só se o mundo só tiver você. Os problemas e as outras coisas são pequenas. Isso parece minúsculo sem você para me preencher.

Daí o telefone toca. A janela do computador pisca e eu sorrio.

Só.


segunda-feira, janeiro 21, 2008

DO I MOVE YOU?


Você lembra o quanto sorria? Não era para mim, mas você sorria, e os seus dentes pareciam guardar a sinceridade do mundo. Os olhos eram a janela da verdade. As mãos o paraíso da impossibilidade.

Você lembra quando sorria e era para mim? Eu sempre fui a menina. Aquela menina perdida, que sorria e depois se recolhia a sua cadeira. Sentada com as mãos balançando no vento enquanto ouvia aquela garota triste falando de sacos e papel. Do saco de papel e da sujeira que ela era e ele não queria limpar. Você lembra quando me dizia que aquilo era só tristeza? Voltei a ouvir aquela música. Muito mais do que antes. Pelos mesmos motivos. Mas, agora não tem mais você e a incompreensão. Entendo. Enxergo cada peça dentro do seu lugar. Vejo minhas mãos trocando tudo. Procuro os olhos que um dia foram de censura e agora enxergo carinho. Encontro as mãos que foram de repulsa e agora é esperança.

Tiveram aqueles dias de sol e chuva. De muita chuva e pouco sol. Das poças puladas enquanto eu equilibrava o guarda-chuva vermelho. De quando eu quis pular na linha do trem e você me segurou pelo braço com o olhar sério e medroso. Talvez, você também tivesse medo, só que eu iria e você nunca foi. Eu iria daquela vez que você me segurou firme pelo braço.

Sorri. Sorri como quando não encontro palavras. Quando meus amigos estão ocupados demais com a cabeça deles. Então, eu procuro música ruim para passar o tempo sem pensar em você. As boas tem a sua cor. O seu cheiro. Música boa tem o seu nome.

Você arrancou a paz em ouvir a minha nega. Transformou letra em verdade. Destruiu ilusão e agora, agora, agora eu só queria tudo aquilo que não foi.

SPEAK FOR ME


As coisas acontecem uma ao lado da outra. Uma perto da outra. O passado de braços abertos e eu olho o presente. Sem vontade de melhorar aquilo que já foi bom um dia. Você por perto. Eu cada vez mais longe. Meus olhos perdidos no futuro. Minhas mãos no presente. A lembrança pregada no passado. Gestos, gostos e o cheiro. A pele e o cheiro. Aquele turbilhão de possibilidades.

As unhas vermelhas como sempre. O esmalte descascando como sempre. A cabeça cheia como sempre. Os sentimentos serenos como nunca.

Você entende. Do seu jeito você entende. Do nosso jeito você entende. Das nossas risadas e seriedade você entende. O metrô parece devagar. Uma estação atrás da outra. O paraíso e a liberdade não ficam assim tão longe. E eu te entregaria os dois do nosso jeito.

Ainda daquelas coisas que talvez nunca cheguem a ser.


"Speak for me; you’ll see the same signs
Do you know how to read between the lines?"

Cat Power

domingo, janeiro 20, 2008

ALL I REALLY WANT


Odeio o jeito que você corta minhas frases. O seu olhar indefinível. Odeio todas as formas que você esconde as minhas palavras dentro do seu medo. E os meus livros dentro do seu paraíso. O meu carinho dentro do seu porto-seguro. Odeio a fortaleza que você ergueu sobre esse mundo que você está preso. Odeio quando ele liga e eu me convenço que tudo pode ser verdade só para não ter que enfrentar tudo daqui de dentro. Odeio quando você não acredita que eu seja o mais verdadeira possível. Odeio quando as pessoas não acreditam e não aceitam o que eu posso dar. Quando eu só tenho isso. Quando por enquanto ou para sempre é só isso. Porque é assim que as coisas são. E para quem não é, o mundo só permiti isso. Bem pouco para quem se esvai. E eu me gasto em mesas, teatros vazios, blocos sem pauta, pedaços sem vida.

Isso é muito pouco para quem olhou a vida no olho daquela vez. Para quem sentiu tudo isso de uma forma mais doce daquela outra. E sem chegar a ser tudo permanece imóvel. Os olhos, mãos, carinhos, gestos, gostos. Tudo é só doce lembrança em uma confusão mental provocada pelo álcool e pela música. Porque você não entendeu quando falei que precisava de uma taça do vinho branco ruim que fica ao lado do microondas. Não entendeu quando eu falei que trocava desespero por palavras. Ilusão, vontade, carinho, medo, sono. Para tudo eu entrego as palavras. É assim que eu sou de verdade. É assim que não tem jeito de não ser.

Na mesa eu posso ser atriz e usar um dos meus milhares de personagens. escrevendo eu sou só o meu primeiro personagem. Eu. Aquele que o Leminski disse ser o primeiro que a gente inventa. A nós mesmos. Talvez, eu me invente um pouco e desinvente o resto para deixar tudo mais simples para você.

A bem da verdade tudo isso é aquilo que talvez nunca chegue a ser.




ps: devia ser proibido gravar músicas assim.
excesso de Alanis se explica em: saudades da soulsister.

HANDS CLEAN


Achei que era hora de ficar sozinha no meu canto. Acabar com aquelas ilusões e comprar outras. Conseguir paz do meu jeito. Eles apareceram e mudaram tudo outra vez. E mais uma ainda. E continua a cada nova tarde ou noite dividida. Bar, festa, filme, sinuca, silêncio. Talvez, ainda não tenha desistido de ficar sozinha porque às vezes é só assim que dá para ser. Então, eu saio caminhando distribuindo fumaça no mundo. Com a cabeça doendo. O all star branco desamarrado. O celular para falar com ela mesmo que não tivesse vontade. Eu precisava, era aniversário do garoto que dividi comigo as tardes e escuta minhas verdades com paciência budista. A avenida paulista fica pequena. Os prédios se esmagando e eu pisando firme para acabar com tudo de dentro da minha cabeça. De dentro das minhas dúvidas. Tentando mudar essas verdades tão grandes, as quais desfilo em companhia dessas pessoas que apareceram quando acreditei que era melhor estar sozinha.

Eu resolvi me fechar como achei que pudesse. Por todos os lados. Sem saber que baixava a guarda para o que não tem como fugir. Porque a amizade entrou sem eu perceber. E de repente o carinho é tão grande. A ponto de desmarcar passado para viver o presente como ele merece ser vivido. Parei de me preocupar até quando. Sem essa história de decepção, de um dia mais cedo ou mais tarde o especial aparecer cheio de erros, como se eu fosse certa. Como se eu não fosse uma das primeiras a decretar o 'tá bom' no final de uma discussão. Como se tudo isso estivesse sempre no outro. Não procuro salvação. Só o que recebo deles desse modo simples. Em uma garagem com luz e fumaça. Música e uma alegria simples. Eu sou agressiva, chata, persistente, irritada, irritante, eu sou talvez a pessoa mais diferente do que aparenta que você vá conhecer. Eu sou o que eu posso ser. Como dá para ser. Com o que o mundo libera de espaço e o que conquisto pulando as convenções. Largando abraços em tardes ensolaradas. Dividindo o guarda-chuva. Irritando com quem joga o meu jogo. Persistindo nesses erros todos que você enxerga e de algum jeito se identifica.

Talvez a minha pouca idade faça da maturidade uma peça largada no meio do excesso. Isso faz de você uma carta que eu queria no meu baralho. Talvez você seja capaz de se controlar e depois enxergará a dúvida na janela do quarto. Olhando a rua e pensando em que carro eu passo. Em que vida eu estou. Quantos momentos eu já vivi e quem é agora. O que é agora. Como alguns deles devem pensar vez ou outra quando chove ou quando faz sol demais. Minhas pequenas manias ligadas a tanta vontade. Meus olhos brilhando no meio dessas ruas sujas. Dessa cidade carregada de medo. Meus olhos mostrando os seus. Como é. Como parece que ainda vai ser.

Agora, eu vou pegar o meu espaço, e só meu. Perto da janela. Com a música que lembra tudo que passou. Como a música que tocou na casa dela ontem. Toda aquela adolescência perdida. Os milhares de erros em que me perdi e nos permiti. Os meus amigos crescendo ao meu lado nas suas experiências. Com lealdade às vontades. Os olhos e a cabeça carregando o universo de possibilidades. Sinto falta deles e do quanto sentíamos que era possível. Hoje, alguns são estranhos porque a vida trata de mudar as peças. E outros caminham ao meu lado mesmo que a milhas de distância. Alguns tomaram outros rumos, outros foram para sempre, e eles apareceram quando eu achei que era mais seguro ficar sozinha.

essa música aqui.
e essa outra aqui.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

A DOR ENTÃO,

Sem explicação. Só isso. Foi essa coisa sem sentido que senti quando abri o orkut e tinha um testimunial diferente. Pensei que era piada. Ela sempre faz piada e a gente se encontrou há 10 dias e eu perguntei dele. Achei que fosse brincadeira. Daí você procura o profile e vê que a brincadeira é verdade e hoje faz uns 25 dias. O que eu senti? Não o mesmo de quando minha mãe falou que ela tinha ido. Porque a gente esperava. Sabia. Via dia após dia acontecer aos poucos debaixo dos nossos olhos longe das nossas mãos. Sabíamos que mais cedo ou menos tarde acabaria e o choro seria de tristeza e alívio. Não havia mais força para continuar por muito tempo. Nem a dela e a nossa dava sinais de fracasso. Lidar com a morte dá aquela cotidiana sensação de fracasso. Acordava e passava as tardes no técnico esperando um telefonema no qual alguém falaria: "vem pra casa, ela foi". Foi isso. Um dia o celular tocou, alguém me pediu para ir para casa, sem falar porquê. Eu sabia. Então, entrei no ônibus preparada para encontrar as pessoas na sala. Meu pai no telefone. Minha mãe fazendo café para irmos. E fomos. A noite no cemitério. Pessoas chegando, indo, alguns chorando. A raiva de toda família que eu tive por ela. Raiva com as lágrimas que eu derramava em silêncio. A falsidade. Meus primos que jamais souberam quem ela foi gritando e montando o circo da dor. Como se dor precisasse de circo e nos tivéssemos que ser o espectador.
Dei um jeito de ir até em casa. Dormir, tomar um banho, trocar de roupa e ver se era verdade. Só quando fechou o caixão e meu pai segurou em um dos lados carregando a irmã dele. Ele que a carregou pelos corredores de hospitais. Que guiava o carro enquanto minha mãe segurava a mão dela gritando de dor. Meu pai, que segurou a corda quando todo mundo deixou que ela naufragasse sozinha.Eu gosto da família do meu pai? Não. Não gosto. De um deles. Um deles que é irmão do meu pai. O resto são laços consangüíneos desses que você consegue em um banco de sangue. Tipo a, b, o. Não importa. Eles não importam. Não gosto. Não vou gostar, porque é dela que eu lembro quando olho nos olhos deles. Ela que poderia ter estado sozinha quando pedia para uma garota de quinze anos: "me ajuda". E uma garota de quinze anos. Corria atrás de ajuda. Atrás do seu pai que parecia não chegar nunca. Ou de um táxi. De qualquer coisa. Corria atrás da ajuda dela mesma. Porque não é tão simples quando a corda aperta seu pescoço.
Falam de religião. E quem explica o que é o departamento de oncologia da santa casa? Quem explica o hospital de câncer infantil do hospital das clínicas? Quem explica quando tudo é verdade demais?
E daí, o garoto perdeu a vida no trânsito de alguma maneira estúpida. O menino que viajou com a gente há um ano. Um garoto que poderia ter sido eu naquele acidente na Rebouças no dia que tudo resolveu ser errado. Tem pessoas que NUNCA vão saber como eu me senti quando não PUDE falar. Pior do que quando eu achei que não conseguiria. Eu consegui graças a tantas coisas. Mas, nenhuma delas foi o motivo certo. Não foi porque o motivo certo é só esse: eu posso morrer amanhã e eu gostaria que você soubesse.

Sinto que aqueles dias voltaram...


Um mês de paz é realmente muito para minha cabeça liberar.

terça-feira, janeiro 15, 2008

DO MESMO LADO


Vou me aventurar a escrever sobre o que não escrevo. Porque tem um monte de mentira ou tudo é sempre vestido de ficção. Um jeito melhorado de contar pros outros o que não dá mais pra ficar aqui dentro. Mas, tem pessoas que são de verdade demais. Com olhos sinceros demais. E algumas coisas ficam claras quando são demais.
Em um bar, no bar que me perguntaram como achei, claro que perguntaram tirando onda com a agenda, me dando apelidos, rindo de tudo que encheu o mesmo lugar de uma alegria inexplicável.
Talvez eu vá passar mais alguns anos batendo na mesma tecla. Até eu levantar e ter coragem, de verdade, de ir pro mundo e sentir a vida bater. Lá fora tudo me derruba e eu me reconstituo com meu hd despregando as músicas pelas beiradas. É muito confortável. Tudo é exatamente confortável. Um castelo militricamente calculado para cair. Não demora muito. Não demora e tudo volta para o lugar de onde nunca deveria ter saído.

CERTEZA NUNCA MUDA


Não sei o que eu quero. Nem mais o que esperar. Sei tudo que não quero e infelizmente isso parece muito pouco quando abro a janela e vejo uma cidade de possibilidades. Faz dias que estou presa no meu quarto, nem para trabalhar preciso sair dele, a minha vida limitada a janela. Os passarinhos do clube que acordam junto comigo e ficam brincando perto do quintal. O silêncio eu encho de música. Os sentimentos eu misturo e me deixo sentir. Coisas estranhas. Pessoas indo e voltando. Passado, presente, passado. Brincando com os nós dos meus dedos. Os meus olhos limpos e descansados das lentes e da vida.
Há dias só tenho paciência para aquilo que chega perto da minha verdade. Em silêncio. Pessoas que são porque não teve jeito de não ser. Coisas que aconteceram porque não tinha jeito de não acontecer. Os encontros que foram jogados no mundo. Seguindo leis. Colocando papeis nas minhas paredes. Post it no computador. Certeza na minha coragem. Acordo pedindo para ficar mais um pouco com a lembrança boa. Segurando a mão da saudades enquanto o fim de semana não chega e é dia de viver.
O jogo de acertar bolas coloridas. Ganhamos no erro do outro ou no acerto sem querer. Na mesa profissional ou na riscada com o endereço dos nossos blogs. Garrafas e fumaça. Carinho e amizade. Me arrastei no domingo para sorrir no meio da minha tosse. Para conversar com a minha rouquidão. Para ouvir.
Tudo é tão verdade. É tudo isso. Deve ser isso que eu quero mesmo sem saber que é. Acabou a época de ficar por aí sentindo suas palavras como navalhas. Acabou.
Porque quando cheguei estava tudo virado. Apenas viro me viro.

por fim, isso que a lee escreveu importa:

"no canto do cisco, no canto do olho, a suellen dança. e dentro da menina, a suellen dança.

até o sol raiar
até o sol raiar"

segunda-feira, janeiro 14, 2008

SOUL MEETS BODY

Agora, eu consigo levantar o olhar quando vejo essas frases soltas. Quando encontro uma verdade cantada em algum sotaque estranho. Levanto o rosto. Mas, fazia tempo que não esboçava esse sorriso contido e sentia os olhos arderem cheio de lágrimas que não consigo soltar em um pranto silencioso.
Eu ainda queria falar ou seria ouvir?
Não sei.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

MISTÉRIO DO PLANETA


Talvez uma palavra resuma o que sinto com esse fone e um samba calmo com letra certa. Tranquilidade. Dois mil e sete foi intenso em tantos aspectos e esse tapa no começo de dois mil e oito me fez ver o quanto isso é importante. Viver. Arrumar mágoas, esquecer passado e deixar o futuro aparecer a cada vez que respiro fundo. Os meus amigos dispostos nessa cidade. O ensaio da peça que não teremos tempo de encenar. Estamos muito mais preocupados em continuar os ensaios. Mudados as cenas, trocamos de cenário, colocamos garrafas e fumaça. Destruímos nossos corpos e fortalecemos nossa alma.
Daí, uma carta amarela me mostra que a coisa toda não é assim tão simples. O corpo se revolta e a cabeça começa uma luta na falta de sono e ansiedade, medo, medo de ter que enfrentar tudo que sei o que é. Eu entro na luta derrotada. Eu não tenho forças para lutar como ela lutou, em vão, como ela lutou para no fim carregar sobre seu corpo aquelas rosas.
Mas, foi uma batalha e nada do que eu pensei, nem a noite interminável me preocupa mais. O dia regado a pessoas que importam. No almoço com risadas e a frase que vai e volta na minha cabeça. Minha piada mais batida. Enquanto atravessamos a Consolação ela descobriu tudo, então com uma naturalidade esquisita falou: 'você enche o saco, mas porque gosta, você sabe que não liga para quem não gosta'. Concordei. Por isso que eu prezo meus amigos. Respeito. Os que estão na roda, os que preferem sentar no bar e os que como eu, precisam ficar sozinhos. Como naquelas tardes caminhando pelo centro velho. Até ficar sem bateria no ipobre e força nas pernas. Até encontrar um sorriso naquelas caras marcadas. São Paulo pode ser ingrata com esse coletivo trabalhador. Aos meus amigos reservo mesas e garrafas para o meu aniversário que ainda está longe. Mas, daqui a pouco chega, garrafas no Guimarães Rosa e o samba como esse que embala a minha calma para viagem.
Agora, vou ali conversar com o meu sono atrasado.


Exatamente isso com um violão ao fundo:
"Vou mostrando como sou e vou sendo como posso.
Jogando meu corpo no mundo, andando por todos os cantos.
E pela lei natural dos encontros, eu deixo e recebo um tanto. E passo aos olhos nus ou vestidos de lunetas.
Passado, presente, participo sendo o mistério do planeta.
O tríplice mistério do "stop", que eu passo por e sendo ele no que fica em cada um.
No que sigo o meu caminho e no ar que fez e assistiu.
Abra um parênteses, não esqueça que independente disso eu não passo de um malandro.
De um moleque do Brasil, que peço e dou esmolas.
Mas ando e penso sempre com mais de um, por isso ninguém vê minha sacola."

Novos baianos

quarta-feira, janeiro 09, 2008

MEDO

um tapa no meio da minha coragem dentro de uma carta amarela da santa casa.
Amanhã.
É, amanhã eu sei o que é.
Doar sangue pode ser assustador, ainda mais quando você ganha uma carta amarela.
Muito mais.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

I LEARN

O último tranco doeu. Mas, eu resolvi que ia levantar e voltar para a roda praticamente sozinha. Sem falar muito, sem ficar assoprando ferida, sem enfiar dedo ou coisas em lugares que é melhor deixar para lá. Então fui deixando os problemas quietos e a cabeça cada vez pior. Saindo e bebendo e vivendo e fazendo tudo no demais. Alguns finais de semana com quatro quando feliz cinco dias. Todo dia era desculpa para ajudar um pouco tudo passar. Eu sou bastante cuzona para aceitar o entorpecimento. Cmo alguns deles foram. Mesmo que ele não tenha sido.
Então fui mais e mais. Sem rede. Sem proteção. Vulnerável a pequenos gestos de carinho e atenção. Carência não é bem a palavra. Carinho eu consigo sendo afagada, apelidada, regada de risadas pelas pessoas no sítio ou na funhouse ou na augusta. Essas pessoas que alguns acham que passam. Passam, todo mundo passa, mas eu tenho certeza de que três ou mais delas conquistaram um daqueles lugares com vista privilegiada.
É diferente de usar um blog. De me mandar me mandar um e-mail. Tem que bater, tem que olhar no olho e me fazer falar a verdade. Tem que me fazer acreditar que acredita em mim e eu posso... É, você sabe.
Daquilo tudo, levo o que você me deu sem querer. O que me ensinou sem usar uma palavra. Levo o ontem e a esperança do amanhã diferente. As boas notícias chegam. Com ou sem aquelas coisas dando certo, fim do ano me mando daqui. Por alguns meses ou quase um ano. Não importa. Eu vou pro mundo dourar a pele de experiência. Na mochila meus livros e os cds que não consigo abandonar. As lembranças, porque eu estou irremediavelmente confusa e, quem sabe no fim tudo seja diferente.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

COMEÇOU

A primeira crise do ano. Gastrite fala alto. Olhos ressecados e irritados graças a lente. O corpo encolhido. Cinco páginas de exames e uma bronca do meu médico desde os 2 anos? Deve ser isso. Desde sempre. O meu médico. Ele sabe de tudo. Resolvi que vou fazer os exames, dar um jeito na gastrite, voltar ao oftalmologista e maneirar na diversão auto-destrutiva. Ou não.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

SEM SAÍDA

Parei na porta. Pensei um pouco e não teve outro jeito. Entrei. Agora, finalmente não há o que fazer. Vou ir lá. Estudar e ir. Viver. Fazer o que eu já fazia. Sem tentar fugir. Nem andar por duas horas para colocar as coisas na cabeça. Simplesmente ir pelos caminhos que ando. Não sei até quando.
Tudo seria mais simples se você ficasse mais longe. Mas, é assim que é.

'A sua arte não permite dois amores'
João Antônio

quarta-feira, janeiro 02, 2008

EIS QUE,


É hora de levantar com o copo vazio.
Quase nada do que passou importa. O que importa faz parte do presente.
Chega, já deu, compliquei tanta coisa nessa vida. Acredito na seda dentro do meu livro escrito: SIMPLES.

Assim.

Sem passado e sem esperar nada das pessoas. Porque elas são só pessoas e amor ou o quer que valha não tem forma. 'É acordar no lugar certo, com as pessoas certas, sem pensar que poderia ser diferente'. É amar. É viver. É tudo que importa hoje. E amanhã?
Amanhã eu embaralho o presente. O passado, aquele, foi queimado na praça rusvel junto com um pedaço de papel. Com tudo que já foi. E as pessoas aparecem para segurar a minha mão sem mover um dedo. Por fim, quem sabe não seja tudo só ilusão.

terça-feira, janeiro 01, 2008

Não venha dividir comigo sua auto-censura

SAUDADES

Todos os sonhos e aquelas coisas. Tudo que jamais aconteceu de fato. Você por perto. Ou era só eu fingindo que estava.
Completar frases, mostras bandas, ler minhas coisas. Tudo era tão perto que eu preferia longe. Daí você foi...
2008 ES GENIO, PODE HABLAR.

Tem gente que não esquece e outros que não aprendem. Eu aprendi e ainda tem gente que não esquece. Então ficam por aí gastando seus últimos segundos de dois mil e sete destilando veneno em blogs. Sinto tanto, por quem não tem a sorte que eu tenho. A sorte de se deixar levar pela vida.
Viajar para um lugar que mal se sabe qual. Com pessoas que você viu duas vezes na vida, outras que você nunca viu e uma que você conhece. E, disso fazer amigos na virada de um ano turbulento. Vazio até setembro. Bom e intenso de setembro a novembro e desastroso em dezembro. Eu gastei os últimos dias de dois mil e sete sentada entre latas e fumaça. Sentindo o cheiro bom do campo sem me importar com os mosquitos. Ouvindo música boa. Cantando deitada na varanda olhando as estrelas. If you need my shame to reclaim your pride and when I think of it, my fingers turn to fists. Cantando, sentindo e esquecendo devagar todas aquelas coisas que você falou. Mas, tudo volta. Tudo volta porque você não esquece e quer o que? Que eu peça desculpas? Ah, não vou. Não vou porque isso daí é caso para mais comprimidos.
Não vou ser o seu placebo. Então, se virá com o que você precisa. E me DEIXA. Sem mais alfinetadas. Eu SEI ser chata e você parece esperar a hora que eu empurro tudo em cima do muro. Você é frágil. E, vai cair. Melhor só me deixar aprender.
Três dias como há tanto tempo eu não sentia. Sempre uma pessoa para dividir palavras. Livros e coisas nas mãos. E carinho. Carinho nos abraços de ano novo/feliz aniversário. Ainda tento entender de onde vieram os ovos e porque meu cabelo virou o bolo de limão. Mas, não importa. Dia trintaeumdedezembro é meu (novo) aniversário. Foi o meu aniversário.
Importa as coisas e as risadas. Importam aquelas pessoas que sem querer me ganharam. E tudo isso é diferente de ficar em casa remoendo passado. Costurando feridas abertas. Arrumando o que o tempo dará jeito. Não, não dá para colocar tudo na estante. Não tem como acreditar tanto assim nos problemas. Se você acredita se envenena e aparece para reclamar. E reclama do tempo e a todo tempo. E, não me importa. Não importa. Nada do que você fala importa. Porque a sua insignificância é clara. Bem clara.
Aos loucos entrego os meus amigos. Aos céus agradeço aos caras certos já terem ido. Menos chances de trombar com eles aqui. Eles lá, sem ver o que fazem das palavras. Eles lá reclamando a própria sorte.
Ao presente deixo as latas, fumaça e o carinho. Na lembrança aquele lindo lugar, o rio, as risadas, conversas, músicas, dancinhas, birimbinhas, fogos, bexigas, brincadeiras e alegria embriagada. Eu nunca, eu já, eu bebo. Vódega e o que tiver no tubo de ensaio. Amizade e carinho no sofá ao lado. Verdade nos olhos a frente. E o resto faz parte de um momento revirado.


2008, por favor a hora é essa, ano par. Os anos pares e as coisas dele. Tanta coisa boa. Poucos planos, muitas vontades. Ao mundo eu peço: música, amizade, amor, fumaça, sapatos e as calçadas para me guiar.


Não, a virada não poderia ter sido melhor. A viagem e as pessoas. E quem ainda acha que é tão importante assim fazer escolhas?


Lee, Pree, Caitu, Caio, Raffitus, Ju, Lourenza, Leo, Angelo: valeu.

sábado, dezembro 29, 2007

TCHAU

Desce um pouco, vai em '2007 não foi um ano ruim'.
Reforço aqui todos os agradecimentos de lá.


O blog entra de recesso até quarta quando eu volto do sertão.


Feliz ano novo, ein

sexta-feira, dezembro 28, 2007

um certeiro texto (dela) sobre tudo de ontem

e assim o ano vai estar indo embora


minhas pernas perdidas pelas ruas quentes de são paulo, enquanto a garganta implorava pelo primeiro gole do líquido amargo. sede, sede, muita sede. os lábios secos informam que estou ficando desidratada, ou seja, o sangue precisa de cerveja. minha paz de espírito é financiada pela malboro e minha tranquilidade é gentilmente engarrafada pela skol. só consigo esquecer o calor escaldante da cidade quando sento em uma das cadeiras daquele bar com nome de escritor. guimarães rosa.

o dia de ontem foi daqueles que fazem a vida, por mais miserável e triste que ela possa parecer às vezes, valer a pena. e desde sempre eu tenho consciência de que para isso não é preciso muito; vai ver que por esse motivo, a palavra ambição nunca tenha feito parte da minha filosofia. e ontem eu tive tudo daquilo que mais gosto: umas (duas) pessoas agradáveis, umas (oito) garrafas de cerveja, uns (cinco) maços de cigarros, uns livros, uns textos, um boteco escondido no meio dos prédios velhos da praça, algumas histórias sobre paixões mal resolvidas e o coração feito samba, batendo forte no peito.

e a diferença das garotas que compartilham fumaça comigo é que os caras não são NUNCA o centro da discussão. a gente gosta, é verdade, e fala muito deles, é claro, mas o importante, mesmo, é saber como aquele vídeo do michel gondry foi feito. ou então planejar com os olhos tinindo trincando a viagem do próximo feriado e, com toda a gentileza que nos é familiar, barrar o tempo e qualquer tipo de tristeza na porta do lugar.

_ babe, aqui você não é bem-vinda. apareça, sei lá, na próxima véspera de natal. beijo.



agora, por mim, todas as tardes podiam ser como a de ontem.




É, eu ouço 50 vezes a mesma música. E, penso umas 80 vezes na mesma coisa. Só deixo o passado quieto. Ele vai ficar melhor lá. Vai. EU sei, que vai.


Feliz ano novo.
O meu e o dos meus vai ser. Vou continuar não confiando em gente muito feliz. E fazendo as coisas que faço. Pelos lugares que vou. Tudo diferente, tudo igual. O mundo resolveu cooperar, valeu.


terça-feira, dezembro 25, 2007

SHADOW BOXER

Eu tenho dezoito anos e a história acabou de começar. Começou devagar a cair a ficha de todos aqueles livros sobre liberdade que li. Os caras que falam de amor sem usar a palavra. Os sonhos infanto-juvenis e a compreensão da tristeza que senti quando fechei 'Pollyana'. As muitas lágrimas dos 'miseráveis'. Eu sei. É, ainda bem que eu sei ler.

O resto? O resto entra no próximo tempo dessa vida sem fim.

Agora, o Gabriel apareceu me xingando no msn. Nós temos um carinho em forma bruta. Achamos o colar dele. Achamos, o Bruno achou, porque ficou na casa da Liu. Depois do in-cidente fomos tomar banho para trabalhar dali 15 min. Eles rejeitaram minha vontade de comer na Bella Paulista. Eu e o Gabriel queimamos quem salvou nossa vida. Foi graças a eu falar: "Beesha, vai devagar se não derrama tu...". Que ele desacelerou e o carro não capotou. Foi graças ao erro como tudo nessa vida. Como sempre.

É o meu amor correspondido.

Depois de quinta-feira e dos meus erros. E do acerto em falar pra ele andar devagar naquele momento. Eu tenho medo de perder uma coisa. Uma coisa que eu ganhei de graça. Uma pessoa. Pronto, eu tenho medo de perder as pessoas. Carinho. Porque é assim: se você conquistou o meu carinho, fodeu. Fodeu. Eu reviro o mundo para te ver bem. É assim. Então é por isso que eu fico fodida com o Yuri. É por isso que eu falo pro Bruno que o problema dele é insegurança. É por isso que eu bato forte na soulsister. Daí, eles vão lá e fazem umas coisas. Mudam outras. E eu sento na mesa do bar com o copo da amizade. Porque eu sei que o mundo às vezes pode ser muito filho da puta. Mas, tem pessoas que conseguem ser mais. Então, eu só tenho medo de histórias mal-contadas. Só. O resto resolvo do jeito que der para resolver.

Dezembro saiu do trilho.

Tudo mais difícil. Mas, vai ficar melhor. Dezoito anos é pra isso mesmo. A cara no mundo. Sem melindre de merda. As pessoas não podiam ser assim? Por dez minutos? Ein?




ps: eu vou trabalhar daqui até o final da semana. a tarde é dos meus amigos. queria (mesmo) ver algumas pessoas antes do fim desse ano.

segunda-feira, dezembro 24, 2007

2007, não foi um ano ruim


Dezembro é o meu mês da saudades. Os sentimentos apertam devagar o meu corpo e eu só consigo falar "pára, que o maior de todos não mora mais aqui". Sinto tanta falta daqueles natais que fatalmente passaríamos rindo e minhas tias fariam dancinhas ridículas. Eu sentaria achando tudo meio engraçado, feliz, sem saber eu sentava cheia de felicidade.Esse dezembro foi fatalmente ruim. O acidente. Que me tirou duas coisas de uma única vez. O que eu pensei nos três segundos de um barulho ensurdecedor? Ainda não é a hora. E nos outros dias ruins a certeza voltou. Ainda não é hora de desistir.

Ainda terei outras tardes no guimarães rosa. Meu sagrado sorvete de cupuaçu no Soroko. As peças no Satyros, no Parlapatões, nos teatros escondidos cheios de paz e arte. As bandas em porões aqui e fora daqui. Os sons misturados a vozes embriagadas e sobriedade em forma de melodia. Os meus amigos. As piadas com toda a desgraça entalada na garganta. Porque a gente faz piada de si mesmo. Passamos o natal conversando no msn. Juntamos pedaços e escolhemos o presente. Escolhemos presentes na estante da L&PM da livraria cultura. Abaixados procurando aquele cara que um dia mudou a nossa vida e vai mudar a dos nossos.

Os bolsos não estão cheio de vida e nem morte. Os bolsos estão carregados de esperança. Uma esperança juvenil de que tudo ainda pode dar certo.

Eu faço a faculdade e caminho para profissão que foi meu sonho de criança. Desde sempre. Porque eu sou uma romântica desenfreada com as minhas convicções. Eu mordo quando colocam os dedos imundos nas minhas certezas. Só os meus podem. Só os meus enfiam o dedo na minha cara e falam que é isso mesmo. Trabalhar um monte. É isso mesmo, garota. Não lembro do primeiro semestre. Como se ele tivesse se dissolvido do começo de setembro até novembro. Dezembro tem aquelas coisas. Fazia tempo que não me sentia bem com pessoas. Parte de um todo maravilhoso e particular.

Dois mil e oito chega. Quase chega. O natal passa. E o melhor dele foi um telefonema que me deixou sem fôlego de rir das lembranças. Eu AMO Salvador. Eu AMO a Bahia. Eu AMO (parte) da minha família. Eu amo essas pequenas pessoas e as que escolhi. Meus amigos de hoje e sempre. Nas ruas do centro, na praça, no guimarães rosa, no sobrado da Bela Cintra, no lugar indefinível da Frei Caneca, no campus da faculdade, no apartamento da tata, na casa do bruno, na vida e o mais importante: MUITO além dela.

Agradecendo:

Livya, minha soulsista, por não me deixar desistir e isso você sabe o quanto vale.
Lucas pelo cd da nêga e por me devolver o sorriso.
Bruno, meu hermano, meu querido hermano.
Talita por ser a minha menina.
Milla o ser humano de preto mais colorido.
Yuri porque a gente sabe o quanto vale a sua tatuagem.
Toad já passou de só agregado do Susi.
Lee Maria pelas leituras nos botecos, a vida na praça e por carregar o Bukowski desenhado no braço.
Carla pelo zine, pela oportunidade, pelos e-mails matutinos e pela diversão. Um dia Maceió fica mais perto.
Rafa porque eu queria ouvir ele se virar no Canadá. Depois dele ninguém nunca mais perguntou se casa é com 's' ou com 'z'. haha (brinks)
Sabrina porque ela tá lá na Alemanha e ela diz que tudo fica lindo no Natal. Esquia nos Alpes e traz um roxo para vermos.
Martchelo, meu querido, foi graças ao seu aniversário.
Dani, o bourbon street fest foi um ótimo dia, sumida.
Pucca, saudades.
Felipe minha puta.
Letícia sempre sempre sempre desde o 228 e as calcinhas na piscina do hotel.
Juliana pelas baladas e o carinho.
Fernanda dona dos olhos verdes mais sinceros.
Flavinho, sua grosseria não esconde o ser humano.
Toda a família 'Fábrica de Animais': carinho.

Eu vou ser injusta e deixar alguns nomes de fora. Não dá para lembrar de todo mundo. Mas, os agradecimentos ficam nos abraços que eu deixo a cada um de vocês.

Feliz Natal.

MAIS DO MESMO


"O que um indivíduo pode ser para o outro, não significa grande coisa, no fim cada qual acaba só. Ser feliz, diz Aristóteles, é bastar-se a si mesmo."


eu sempre soube que um dia ia fazer filosofia, acho que adianto os planos para o outro ano.
MESTRE


“Sentimos a dor mas não a sua ausência.”
Arthur Schopenhauer


ps: vou comprar um livro dele HOJE.
PENSAMENTO ALTO

A mesma coisa sobre duas pessoas diferentes vindo da mesma pessoa.
Tem pessoas extremamente previsíveis e para filhadaputisse. O que pode ser ainda pior.
É ASSIM

Loucura e liberdade só me permitiram o erro em dobro.
Eu, que sempre achei que sendo leal a mim, as coisas no unitário iam dar certo, doce engano.
Doce. Doce...
Amargo. É, por fim é só isso.

sábado, dezembro 22, 2007

Ele explica:

Por outro lado, o que faz dos homens seres sociáveis é a sua incapacidade de suportar a solidão e, nesta, a si mesmos. Vazio interior e fastio: eis o que os impele tanto para a sociedade quanto para os lugares exóticos e as viagens. O seu espírito carece de força impulsora própria para conferir movimento a si mesmo, o que faz com que procurem intensificá-la mediante o vinho. E muitos, ao tomar esse caminho, tornam-se alcoólatras. Justamente por isso, os homens precisam sempre de estímulo exterior, e do mais forte, ou seja, dos seus iguais. Sem ele, o seu espírito decai sob o próprio peso, prostrando-se numa letargia esmagadora.

Arthur Schopenhauer
Depois de Nietzsche,


Eu percebi: abraçar as minhas pretensões é o meu segredo para aguentar a solidão.
DOIS CORAÇÕES EM DEDOS BÊBADOS

"você pode não acreditar nisto
mas há as pessoas
que passam pela vida com
muito pouca
fricção de angústia.

eles se vestem bem, dormem bem.
eles estão contentes com
a família deles.
com a vida.

eles são imperturbáveis
e freqüentemente se sentem
muito bem.
e quando eles morrem
é uma morte fácil, normalmente durante o
sono.

você pode não acreditar nisto
mas tais pessoas existem.
mas eu não sou nenhum deles.

oh não, eu não sou nenhum deles,
eu não estou nem mesmo próximo
para ser um deles.

mas eles
estão lá ...

e eu estou aqui."
Charles Bukowski

a tarde de sábado me reserva a rede no quintal de casa e um livro dele.
Do que vejo,



....é melhor o palco vazio.



Em muitas palavras:



No começo da minha adolescência li "Pollyana", senti o peso das palavras e aprendi que ficção e realidade iam ser para sempre diferentes. Um dia a realidade bateu na minha porta e eu não precisei ler sobre morte. Não foi de repente, todos vão falar que perder alguém de repente dói mais. Eu peço a vez para discordar, o susto é maior, mas ver a morte chegar devagar não é melhor. Sem méritos para sofrimento. Sem pedidos para usar o clichê.
Eu não gosto de quase nada da nova 'literatura'. Não gosto e mando um vai 'tomar no cu' para quem me pedi para procurar minha turma e geração. Não quero (quase nada) da minha geração. Minha chefe me apresentou pro amigo dela: "nasceu no tempo errado". Achei engraçado. Agora, eu entendo. Mas, eu ainda acho que não era lá. Antes de 90 a coisa já tinha desandado. E, por fim eu nasci no tempo certo, ainda há dias para mudar ou melhorar o curso da nossa história.
Quanto ao jornalismo. Escritor não é jornalista. E não digo isso por falta de um diploma. Nessa profissão que o erro tira honra, caso da escola base, e deixa vida. O diploma vive caindo. Afinal, formação e responsabilidade são duas coisas diferentes. Fazer jornalismo e escrever: você faz uma e quando olha a outra, nem as palavras parecem ser tão amigas assim.
Jornalista olha a vida como jornalista. Escritor como escritor. Os dois precisam olhar a vida. E visão não se dividi. Então, editor da Folha, a menos que você tivesse dado para essa garota uma coluna, você errava. Está errado porque tem pessoas ótimas, escritores um ou outro, que tem faro para falar de música. Se contradizer e falar que o cara não vomita mais no palco, infelizmente. Ou queo cara tem uma barriga peluda. Tudo dá uma história. Falta de que? Tino, faro ou capacidade? Uma amiga dela te responderia.
Jornalista e escritor? Vamos lá. Uma menina de Porto Alegre. Uma mulher:
Eliane Brum. Ela tinha uma matéria, a pauta, percebeu quanta coisa existia para contar. Ainda foca, foi falar com o editor. Conseguiu um especial de vários dias e depois juntou o material e fez um livro sobre o outro lado da Coluna Prestes. Saiu por um Brasil sem memória e pouca instrução atrás de personagens. Percepção de jornalista e de ser-humano. Entendeu? Ela escrevia para o Zero Hora, no estado onde até os jornais são pretensiosos. Ainda, se tratam como capital. Tanto que achei estranho quando li há poucas semanas: "o dia da primeira dama na capital". Pensei, nossa que importante sair de POA para ir a Brasília (na minha cabeça é a capital, nenão?) atrás do dia dela. Mas, não, eles falavam de si. Okay, cada um com suas convicções.
Jornalista é jornalista. Escritor é escritor. Eu admiro os dois. Escolhi a primeira opção porque é o jeito que eu sou melhor. 'Groo faz o que groo faz melhor'. Medo, insegurança, certeza vazia e ainda assim a minha certeza. Não permito que enfiem o dedo nas minhas coisas. Só permito quando não tem jeito. E, milagrosamente, sempre tem tido um jeito.
Quando misturam tudo. Nada sai direito e daí eu vejo essas meninas lendo Hell's, Fugalaças e outras coisas que me fogem da memória. Hell é marca. Mas, dessa geração não é o pior. Porque a menina viveu para fazer. Não é só ficção. Se quer falar que escreve realidade e ficção que ao menos EXISTA realidade.
Eu não sou escritora. Ainda não sou jornalista. Mas, eu achei o caminho quando vi que era impossível falar de amor sem citar a palavra como o Bukowski. Deixa para quem sabe. Mesmo que eu veja pouquíssima gente que sabe.
Nova garota:
Bruna Beber. Vi pouco, li menos ainda, mas ela tem uma coisa que falta em uma parte dessa nova geração e eu não conto o que é. E para minhas amigas que escrevem: não seriam minhas amigas, se não fossem tudo o que são.
Chega. Tudo isso para falar: 'o resto não me importa em nada'.


ps: o link da Eliane Brum é um link de uma matéria Revista Época. É isso. Jornalismo é fazer recortes precisos da realidade e ir atrás da verdade. É usar as palavras sem a liberdade de criar.
ps2: tem MUITA gente boa na literatura. Mas, homens vivos/mortos e mulheres que largaram os livros na eternidade. De vivas tem gente que eu não falo mais sobre. Chega, já deu.


Por fim, eu recomendo - Tudo no Balaio
ATEMPORAL


aos dias que foram
deixo a saudades.

A BATUCADA

pelos caminhos que ando
um dia vai ser
só não sei quando
Paulo Leminski

e as músicas continuam na minha cabeça...

pra quem sabe que é:
preciso de vocês hoje, como naqueles dias que não sei explicar como preciso dos meus amigos,
mesmo que eu saiba do silêncio e tudo o mais.

tou naqueles dias que a vontade é dormir a eternidade.
deve ser por isso que eu já dormi 18 horas.
eu sei para onde caminham esses dias e eu não quero estar lá.

beijos, ein.
Por agora,

Tudo poderia ser diferente. Daí não seria eu. Mas, já me basta.
O tempo, o mundo, essas coisas. Me bastam.
O que vem depois, só quando subir a cortina.
Voltar, andar por mais alguns lugares, refazer a minha rota, com a minha banda do brooklyn, garotos de niúork. Garotos. E a negra com voz de Nina e banda da Amy. Na idade dela tudo vai ser diferente. O descontrole é imaturidade e tudo acontecendo muito rápido. Ouvir que você tem talento de quem paga suas contas no fim do mês não tem preço. Festa do estágio: o lado de fora errado e lá dentro tudo certo.
EU DIGO:

Você pode julgar o que/quem não conhece mas, tem a obrigação de manter-se longe das minhas certezas e dos meus amigos.
O resto não me importa em nada.
SAUDADES NÃO SE EXPLICA,


simplesmente, sinto falta da seriedade e doçura do "se cuida, menina".
TRAUMA - AMU ART

Dormir dezoito horas para curar todas as ressacas que um corpo é capaz de produzir. Mandar um e-mail que te deixa em paz consigo.
O silêncio é sempre o mais importante. Mas, tem que saber usar dele para que ele seja nocivo ou carinhoso. Tem que ter trato com a vida como algumas pessoas tem com as palavras. É preciso cuidar do mundo para que ele não caia sobre as nossas cabeças. Um pedaço de madeira em cada extremo do quarto que forma a minha vida. E as pessoas que eu gosto dentro dela. Os cantos abertos. Os lados recebendo os convidados (in)desejados. Eu nunca vivi em uma bolha porque nunca fechei os caminhos. Sempre aparecem pessoas pelos lados. Algumas entram e derrubam tudo. E aqueles, os amigos, as pessoas que eu amo e me amam de volta colocam as coisas no lugar.
Desde que ela foi, natal tem um significado novo. É o dia que a minha família se veste de saudades e da dor de não ter comemorado o último como deveríamos. É a saudades dela que bagunça todo meu alicerce no fim de ano. É a promessa de que eu irei doar sangue outra vez, mas como só pode entrar no banco de médula em UM lugar dessa cidade inteira e esse lugar é justo o que prometi jamais voltar: adio há dias. Não voltaria porque ele não resolveu, mas eu vou por ela. Como se fosse visitá-la. A simples possibilidade de um líquido salvar uma vida. E não é um líquido embriagante.
Eu já sei que muito pouco vale a pena. Umas certezas, algumas palavras, outras pessoas, os sonhos, a vida leve e a arte.
No estado bruto: viver é saber usar a arte.


ps: título em homenagem a tatuagem do Yuri. tem que entender para gostar de uma pessoa que tatua trauma no braço. tem que olhar pelo outro lado e no contrário ele disse tudo: amu art; tra -uma.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

sem fígado, estômago, orgulho e parte da dignidade.


e pra coroar, apreciar a vida em três segundos no carro (quase) virando a mureta da Rebouças.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

EVERY MINUTE IS MINE

Dois minutos de uma música e eu notei quais são os meus problema. O meu problema. É o descontrole. A presença do muito. Se eu gosto, eu gosto muito. Se eu quero, eu quero descontroladamente. E isso vale pra tudo, de pessoas a bandas, música a livros. Tem alguns vários livros que estão aqui esperando o ritmo das coisas para serem lidos. Mas, eu queria muito, então comprei tudo de uma vez. Tem algumas pessoas que não entendem de jeito nenhum, o quanto são importantes e desprezíveis com a mesma intensidade. Eu tenho o problema com o muito. Tem o cd novo do Radiohed, rá, não o In Rainbows, esse eu já ouvi de trás pra frente, é a segunda parte porque ele é duplo, pra quem mora em marte. uow. E os livros, bom os livros eu preciso de duzentos para uma pessoa que mora no muito ACHAR que eu tenho tino. Enfia o 'achismo' no meio da sua pretensão.
O problema do descontrole é a raiva se dissolvida rapidamente. Os passos apertados. A vida grande mas e a teimosia em enfia-la no meu mundo. O meu mundo é aquele trabalho, os textos, as palavras, as músicas, os meus amigos, alguns bares e as ruas dessa cidade que eu amo e odeio com a mesma força.
Na base do clichê: a chuva me entregou o sono daqueles dias. Dormi desde a hora que voltei do trabalho. Dormi, sentei, li e ouvi algumas coisas. Achei o problema. Mas, e agora como resolve?

Dearest, I should’ve known better
But I couldn’t say hello, I didn’t know why
But now I think, I think you were sad
Yes you were, you were, you were


papapanpapapanpapapan (o piano parcialmente reproduzido)

uma vez esquisita e boa: Blonde Redhead
REASSURED

Algumas pessoas simplesmente vivem a vida que dá para viver. Andam por onde dá para andar. Comem o que tem para comer. Trabalham com o que sempre quiseram e se matam um pouco a cada dia. Volume de trabalho nunca foi um grande problema. Eu gosto de me perder no meio daquelas coisas, esquecer o começo dessa semana e só pensar que o final tá logo ali. Ainda tenho todas aquelas coisas no canto, um dia foi raiva, hoje é rancor. Péssimo sentimento. Não daqueles que essas minas escrevem em seus livrinhos que se transformam em cortes profundos e cocaína na veia para mamãe ver. Não, não fico pelos quatros mendigando atenção. Não a dela. Não porque ela me deu o que tenho de melhor. A liberdade. Eu sou livre para errar. Errar até a última gota de erro daquele copo fundo.
Tem dias que eu ando com a certeza de que deixo para trás o mundo e todas as coisas. A tarde inteira com o meu amigo e a Fiona naquele bar que tem o nome de escritor. E, depois tudo termina como começou. É um ridículo. Claro, que é ridículo. Fingir que não conhece dá menos trabalho e me evita segurar tudo que ainda tenho para dizer. Um café com meu orgulho, por favor? (ei, lee, adorei a expressão)
Sem café, o bar, as músicas, o orgulho, a pizza , os amigos e no outro dia ainda a é quarta.
Preguiça, eim?

Here's another speech you wish I'd swallow
Another cue for you to fold your ears
Another train of thought too hard to follow
Chugging along to the song that belongs to the shifting of gears
(...)
I just need to be reassured
Fiona Apple
trabalho


MUITO


TrabalhO.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

FALA HANK:

Uma Palavrinha sobre os Escrevinhadores de Poemas Rápidos e Modernos



é muito fácil parecer moderno
enquanto se é na realidade o maior idiota
jamais nascido;
eu sei: eu joguei fora um material horrível mas não tão horrivel como o que leio nas revistas;
eu tenho uma honestidade interior nascida de putas e
hospitais
que não me deixará fingir que sou
uma coisa que não sou –
o que seria um duplo fracasso: o fracasso de uma pessoa na poesia
e o fracasso de uma pessoa
na vida.
e quando você falha na poesia
você erra a vida,
e quando você falha na vida você nunca nasceu
não importa o que digam as estatísticas nem qual nome que sua mãe lhe deu.
as arquibancadas estão cheias de mortos
aclamando um vencedor
esperando um número que os carregue de volta
para a vida,
mas não é tão fácil assim –tal como no poemas
e você está morto
você podia também ser enterra
de jogar fora a máquina de escrever
e para de se enganar com
poemas cavalos mulheres a vida:
você está entulhando
a saída –portanto saia logo
e desista das
poucas preciosas
páginas.

Charles Bukowski
passou.

domingo, dezembro 16, 2007

Sufocando com o que não consigo falar.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

I GOT MY OWN HELL TO RAISE


Se você me perguntasse, diria que já é a hora de você se perder. Sair dessas linhas retas que você tenta se equilibrar. Você não consegue mais andar por elas. Eu sei, você sabe. Sinto sua falta. Mas, tem tanta coisa que era melhor não sentir. Era melhor não sentir nada. E passamos na frente de todos os lugares fingindo que não é com a gente. Precisa muito pouco até eu perder o chão. E você assopra devagar só pra me deixar longe de mim, de nós, de tudo isso que não vai chegar a ser. Porque não pode. Você não vai poder e eu não quero mais o impossível que sempre aparece quando resolvo andar pelo caminho mais fácil.
Segura sua vida na ponta dos seus dedos. Deixa tudo perto. Mas, me deixa ir para longe dessa confusão. Não inventa mentiras para me convencer a ficar. Me deixa longe de tudo, antes que eu resolva ser ariana, antes que eu resolva escutar o velho. Antes que eu resolva, tentar e ir até o fim. Eu não quero esse jogo e essas coisas recomeçando na minha cabeça. Acho que você entende tudo. Eu sei que em silêncio você consente os seus problemas. O seu encanto é toda essa desgraça, o drama, você ama o drama e eu amo isso em você. Eu amo te ver sentindo sentado em silêncio. Eu gosto tanto dessa mentira que transformo em verdade. Eu deveria deitar, dormir, levantar e ir trabalhar. Não consigo descer as escadas da minha casa, minhas costas doem porque eu carrego o nosso peso nela. And I've been swinging around at nothing, I don't know when you're gonna make your move. Eu continuo por esses dias, nessa cidade, com aquelas coisas. Sem o que eu queria usar junto com você. Ah, garoto, nunca achei que ia ser fácil. Mas, eu juro, nunca achei que fosse ficar tão difícil assim.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

SEMPRE

Hoje eu percebi como sinto falta dele. Só queria não pensar no quanto isso é perigoso. Mas, eu sempre brinquei com fogo, sempre me queimei, sempre foi assim e dessa vez não ia ser diferente. Bem, as coisas não costumam ser assim tão diferentes para mim.

OUTRA VEZ

139948 é o número que destrava o computador. devia ser o número pra me destravar. devia resolver os meus problemas. as palavras deviam devolver a minha sanidade, mas elas tiram mais, me arrancam mais, devolvem mais. e eu vou sempre caindo por todas as sarjetas da vida. trocando morte e vida. trocando o meu trago pela fuga. trocando medo por certeza. tirando verdade e me vestindo de mentira.
comprei aquele livro e eu já li metade. chupo uma bala com gosto ruim que teoricamente me salva da gastrite. me salva da vida. me salva da dor. um vazio tão grande que eu quase consigo enxergar o meu centro. tanta falta de alguma coisa que nem as palavras conseguem me devolver. eu amo só você e você não acredita que é só você.
e as suas palavras me dizem tanto quando tento não ouvir nada. e as suas palavras me entregam vida quando eu queria a morte de presente. os meus presentes todos perdidos, o meu quarto todo perdido. hoje eu dormi e acordei achando que tinha se passado um dia inteiro. doce ilusão de que um dia tivesse simplesmente passado nas minhas duas horas de sono. doce ilusão acreditar que seria assim tão fácil. dor não é dessas coisas que sai fácil. dor não sai fácil. gritos não saem fácil se já não há mais voz aqui.
tudo mentira, a minha verdade. e eu queimei vida naquele papel. achei que o fogo fosse levar umas coisas para longe. doce ilusão achar que o fogo te queimaria. imaculada desgraça. aquela praça e a minha ilusão. as minhas doces ilusões.
então eu leio e ouço ela. me ame ou me deixe. me deixe errar por todos os anos que ainda me faltam. por todos anos que vão se arrastar enquanto eu acho que já consegui dormir por todos eles. quando eu acho que encontrei as respostas. voce que me propõem soluções e as arranca sem aviso prévio. eu te amo por tudo que você consegue ser. por tudo isso que eu tenho um medo filho da puta de me tornar um dia. e todo o seu papo vago e toda sua mentira que eu consigo enxergar só de olhar suas frases. as suas frases todas encaixadas para causar efeito. os seus defeitos. os meus excessos.
a salvação na ponta de um cigarro. vou até o filtro e quase me iludo que consegui liberdade. mentira. mentira. tudo mentira. não existe liberdade. não existe liberdade para mim. estou presa. presa nessa faculdade falsa. queria ser como as frangas que apareceram quando subia até o café. mentira. elas são de mentira. tudo uma fraude e você prefere as farsas. tudo tão mais fácil se eu pudesse só me calar.
a febre voltou. a febre vai e volta. e tudo queima. eu tremo de frio e teimo em tirar as duas jaquetas para sentir. nem precisa. não preciso tirar as jaquetas para sentir. eu sinto sem tirar nada. o frio vem de dentro. sem um isqueiro que ilumine. sem um trago que me empreste calma. sem você notar.
é um novo dia de uma nova vida e eu realmente me sinto bem.
18/10/2007

terça-feira, dezembro 11, 2007

HOJE,

Eu ando a tapas com o futuro.
E, agora tudo fica mais díficil e melhor.
Eu sei...

segunda-feira, dezembro 10, 2007

SEM IGUAL

Ela bate forte.
Fala o que todo mundo fica pelos cantos pensando. Porque eu entro com o pé na porta. E todas as coisas da minha vida. Mas, ela sabe EXATAMENTE como me fazer parar.

Sem você isso, aquilo, tudo seria mais díficil.
Minha irmã-salva-vida.

domingo, dezembro 09, 2007

QUEM LÊ O QUE NÃO QUER, ESCREVE...

Sabe o que pode ser tudo isso? Eu carrego a coragem que você não teve para continuar. Porque eu carrego os objetivos enfileirados e deixo um de cada vez mostrar a cara. Fucking go. Eu vou me ferrando, com as costas doendo, com broncas de todos os médicos. Com os livros que EU quero ler. Com os amigos que EU quero ter. NADA é calculado pra dar certo. Nada é mentira ou nada pretende agradar ninguém. Comigo, andam os que sabem quanta verdade tem por aqui.

Eu faço faculdade de jornalismo? Ótimo. Thompson, meu caro, que vergonha você também foi jornalista? Mas, você se drogou até a última gota. Aê cara, você é meu orgulho. Brinca de extremos e se mata de tristeza. Você realmente frequentou a Universidade Columbia, puta que vergonha, meu caro. Eu sempre achei que aqueles com alma demais aprendiam TUDO sozinhos. T.U.D.O. Mas, eu respeito quem se mata de tristeza.

A minha época. Desculpa, mas não há centenas de anos nos separando. E nem a morte. A nossa diferença é coragem. E não falo da coragem em se foder e tirar força de qualquer lugar que não me interessa. A época ainda é a mesma. As pessoas, ainda caminham por essa cidade, e o que você faz não deixa minha vida melhor. Quase todas as que se foderam pra abrir essas portas da literatura, já morreram. É ruim ver que quase nada mudou.

As pessoas se julgam tão diferentes. Talvez, ninguém saiba que o Bukowski teve um receio gigante em conhecer o Fante porque ele sabia que era dele aquela fórmula de períodos curtos e capítulos pequenos. Mas, ele sabia que havia mais alguém antes dele. Faz tempo que a revolução só acontece por dentro. E uns cantam com raiva sua dor. Outros cantam devagar a sua própria mágoa. Eles cantam. Eles escrevem. Diferente ou igual.

Alma? Desde quando alma se mede com essa distância? O que as pessoas sabem de mim que eu não queira mostrar? N.A.D.A

As ruas me escolheram e não o contrário. Eu trabalho na oscar freire. Desço pela Augusta. Subo pela Consolação. Caminho pela praça porque os meus fizeram ou fazem isso. Sabe aquele conto do Caio que ele fala de uma puta parada na porta de um bar na Augusta? É, pois é.

São Paulo? Eu NASCI aqui. Eu CRESCI aqui. Eu MORO aqui. Eu sou DAQUI.

Simples.

Não é cantando desvairadamente que você encontra sua voz. Não é ficando rouca que você sabe algo a respeito de si. Cantei desvairadamente até agora. Sem me dar conta que não descobria nada de mim. Porque eu não QUERO ser eu. Eu SOU eu. Não tem tanta diferença? Claro que tem. Não precisei do processo de aceitar ser eu. Aconteceu. Uma hora eu levantei e percebi que tinha uma vida. Umas coisas para pagar, uns sonhos, umas pessoas que eu gosto e me gostam de volta. Tudo fica mais simples quando você não fica por aí achando que precisa SEMPRE achar os botões. Porque eles são como os gatos. Se encontram sozinho e vão embora do mesmo jeito. Tem que sentir a vida. Tem que sentir que cada gota disso vale a pena. E vai valer, vai valer do meu jeito. E eu, realmente, sinto muito. Retas paralelas não se cruzam.


beijo, darlin'


ps: picuinha de internet me cansa. então, na boa, eu só falo quando falam antes. pra me arrancar das minhas certezas, hoje em dia, tem que se esforçar no mínimo, muito.
MAIS UMA EDIÇÃO


http://www.susinaoandasozinha.blogspot.com/



na casa dele para nunca esquecer como ele faz falta
fora da brincadeira por tempo indeterminado

COM AGÁ


essa história rendeu tudo isso aqui.
sempalavras.

inaugurações e blabla whiskas saché blabla são um saco.
mas, todos eles descobriram as maravilhas de um BOM barman e a sagatiba.
sorte a nossa.
NOTAS DE UM BOTECO



"eu bebo no copo da saudade"
"give me the first taste, little boy"
"talvez um dia eu fale ou tudo vire SÓ palavras"
"fugir do silêncio é só um jeito de conseguir mais problemas"
"se ele quisesse ouvir TUDO seria diferente"
"que tudo se foda
disse ela
e se fodeu toda" (Leminski)
"e daí, um monte de gente fala. uma porrada de gente acha que sabe. mas, toda verdade está em umas garrafas presas na praça rusvel e nos livros presos na estante deles"
"no copo da saudade queima os dias que tive e acende o que estão por vir"
"MAYBE"

sábado, dezembro 08, 2007

here, there and everywhere

a av. paulista
a rua augusta
a praça rusvel
sempre me dão
o que a vida é
incapaz de tirar

quinta-feira, dezembro 06, 2007

PRA QUEM NUNCA OUVIU FALAR EM AMIZADE

Eu escolhi que vai ser do meu jeito. Um dia qualquer, acordei, desci a Augusta com a certeza de que tudo seria do meu jeito. O meu jeito vou escolhendo com o passar dessas descidas na Augusta e subidas na Consolação. Continuo todos os dias, procurando a decisão entre dormir mais ou levantar e, encurtar o caminho da minha preguiça.
A bolsa carrega meus melhores amigos. Só não consegui colocar a soulsister lá dentro e arrumar do jeito que eu quero. Daí, a gente conversa uma tarde inteira para perceber que as coisas jamais estarão como queremos. Porque a gente realmente precisa viver como dá. O bom, é que do meu jeito sempre dá.



um analgésico pra dor nas costas, porfavor, o que fazer com os anos?
ai, ai, ai.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

eu simplesmente preciso ver a soulsister e passar uma tarde no vanilla vendo os carros e a vida passar.

só isso
o resto (rapidamente) fica fácil demais...

domingo, dezembro 02, 2007

PARECE POUCO

Nesses dias que passam se arrastando, percebo o quanto apoio é mais importante do que ombro. Tenho ombros longe demais, então, contenho as lágrimas e encostada em alicerces firmes não desmorono.
O importante em continuar de pé é manter meus olhos na linha dos seus.

da (nova) série "eu converso com pessoas fodas no emêssénê":

linda king says:
TUDO vai começar diferente
menos o que ficar igual

(haha)
metal heart says:
adouro, adouro, adouro. e se bater o bode, não alimenta a cria.
metal heart says:
manda pastar.
linda king says:
HAHAHAHAHA
linda king says:
ótima essa
metal heart says:
hahahahahhahaa =)
metal heart says:
vc é foda, garota.
metal heart says:
vai pra ***** e peloamordedeos, só volte com o morrissey na mochila!



as estrelas é um lugar que fica em off até segundo plano.
linda king, uma das móleres do meu velho safado, a própria.
sou mais ela do que a linda lee, pronto falei.

sábado, dezembro 01, 2007

"Embora eu possa gostar muito de indivíduos específicos, a humanidade em geral me enche de desprezo e desespero."

Robert Crumb

Como algumas pessoas,


tem gente que não respeita nada, mesmo, sem dúvidas.

quinta-feira, novembro 29, 2007

SEM EXPECTATIVA

Talvez você vá passar pelos anos carregando o peso deles todos. Ou diluindo eles em álcool no bar de algum hotel. Depois vai ouvir a minha voz ecoada do outro lado pedindo coisas simples, como mais um dia e até nunca mais. Isso pode levar todos os anos que você terá arrastado. Mas, poderia ser logo, se você resolvesse encurtar o caminho, ou deixar ele ao lado do seu orgulho. O seu orgulho entravando tudo e cortando cada uma das palavras. Me cortando com cada uma delas. Várias navalhas afiadas diretas ao lugar que você sabe qual.
Ninguém vai saber, nunca vai saber o que aconteceu, o que nos dois decidimos juntos, mesmo que a decisão não tenha sido conjunta. Você sabia e dizia me apoiar. Falava em passado, presente, futuro e dizia que pro futuro isso tudo era o certo. Só que as peças mudaram de caminho e eu já não sei se pro futuro é só isso que quero ter. Um avião e a gente reconstruiria uma história inteira. Deixaria tudo cortado no canto. Dois dias pra ver se vale a pena e uma vida inteira pra se arrepender.
Não foi o mais difícil, foi um deles, foi mais um deles e no fim: aceito o seu muito obrigado. De nada, é tudo que eu poderia também. Egoísmo? E o que é isso que você desfila em agressões aí do outro lado? Você tá pensando em quem? Ah, tá. Você é esperto o suficiente pra saber que nada machuca mais do que o massacre da expectativa. A pretensão ficou em alguma esquina, em algum copo, em alguma verdade que já não existe mais. Não esperava nada muito melhor. Talvez, de alguma forma não fosse ficar muito melhor.
Mas, os dias vão passar e o que for acontecer será um misto de alivio e dor. É uma mistura misteriosa que pode se transformar em raiva.

Amor também acaba?
Não que eu saiba
O que eu sei
É que se transforma
Numa matéria prima
Que a vida se encarrega
De transformar em raiva,
Ou em rima.


São Paulo Leminski

domingo, novembro 25, 2007

DON'T MAKE ME WAIT

Desde daqueles dias eu não procuro qualidade nas pessoas. Tem algumas gritantes que me fazem abrir os ouvidos quando algumas pessoas falam. Mas, o resultado da minha equação complexa está sempre nos defeitos. Impressionante como você conseguiu unir todas as imperfeições certas. Tem uma coisa que me irrita profundamente, mas eu sei que você sabe qual é.
Faz um tempo enorme que eu não sentia isso. Meus dias podem parar e eu sei quem invadiu de vez minha cabeça. Parece uma música ruim e existente. Você é como uma música boa tocando em um lugar com gente escrota. Lugar errado, hora errada, companhia, bom, da sua companhia sabe você.
Você fica parado ajeitando os pensamentos, alheio a tudo, com um sonho no olhar e o coração pulsando de fora pra dentro. Você fica parado olhando. E se eu pudesse te arrancar daí, nós ficaríamos parados juntos, olhando o silêncio. Nada é mais precioso e nenhum ponto é mais alto, do que quando a situação permiti o silêncio. As minhas palavras você conhece, o meu silêncio por força da minha inconstância talvez você perceba como é, mas nunca foi com você.
Existe um abismo enorme, mesmo que estejamos do mesmo lado, é assim que é.


os brotcha de niuorkecit:
http://www.youtube.com/watch?v=0IjgjnveI5A
Essa é a resposta pra um texto de um fotolog que me irritou profundamente, mas isso faz umas duas semanas, e o texto ficou guardado. Agora eles esqueceram, eu só lembrei porque esse texto existiu.

SINCERAMENTE,

Algumas pessoas tem a terrível mania de achar que eu sou muito mais do que eu realmente sou. Normal. Eu tenho sono, fome, vontade de sumir e de ficar perto de algumas pessoas. Admito, todos meus sentimentos são potencializados por uma força que passa, quase sempre, rápido. Não acredito nos limites, eu tenho os meus, algumas resoluções internas que me deixam em paz com meu corpo. Não uso umas coisas porque elas simplesmente não me fariam bem, nada que acelere ou me arranque do centro. Eu gosto da paz e do piano rápido em 'love me or leave me'. Meu discurso vai longe do 'pobre menina rica' por motivos óbvios, posso beirar o piegas mas a classe média é o meu lugar. Sem fazer média, ou seja só por fazer, mas o meu lugar é ali. Nunca passei fome, é verdade. Meus pais sempre trabalharam pra caramba. Estudei em bons colégios, é verdade. Faço faculdade, é verdade. Mas, nada disso me coloca na posição de pobre menina rica, nem pobre muito menos rica.
Às vezes me pergunto quanto estar sozinha é opção ou falta dela. Não me vejo pronta para tantas coisas na vida e a maior necessidade é respeitar o meu tempo, a minha vida, a minha vontade. Nunca tive problema com o eu nos textos e nunca o tive na vida. Porque é pra mim. É assim que é. Ou alguém acha que eu acordo às 4h15 da manhã, pensando no orgulho que minha mãe tem ao pensar que eu sou batalhadora. Não, não penso. Tem uma coisa lá na frente que eu preciso fazer e é isso o que tem para hoje. Eu prometi, eu prometi para ela, e eu sei que ela ouviu e deve estar esperando lá do lado do Cara, repetindo as frases que ela sempre me dizia. Falando que eu não tenho um 'pingo de juízo'.
Eu sorrio de desespero. Eu sorrio de encontro. Eu sorrio pelo abraço sincero que recebi. Sinceridade é o meu maior combustível e a minha arma contra o mundo. Eu não vou fazer média se não gostei da peça, ou do filme, ou do livro, pouco me importa se eu gosto de você. São duas coisas diferentes. E, eu vou gostar ainda mais de você se no fim você falar: vamos lá falar de outra coisa. Eu acho a compreensão e a sinceridade coisas que deveriam andar juntas. Mas, quase ninguém entende a minha sinceridade e eu acho que deixaram a compreensão na mesinha da sala quando recolheram seus copos e os levaram para vida.
Eu grito aos ventos o meu amor pela música, pela literatura, por algumas pessoas, eu grito porque não vou me sufocar com minha própria voz. E se esse sentimento cheio de abandono e um pouco de paz é o preço, eu pago. No fim, eu sempre pago a conta do bar e da vida.

sábado, novembro 24, 2007

BACK TO BLACK

Eu volto pra onde nunca sai de verdade. Toda complicação esmurra a porta. Os problemas, aqueles que me fazem olhar admirada pra você, menino. Você carrega todos eles no corpo e algumas coisas nas palavras.
Não sei o que há de errado, deve ser defeito de fabricação.Nas palavras da Fernanda: "quanto mais problema, mais esquema". Por aí.