domingo, novembro 25, 2012

Muito além do tempo regulamentar

Tenho pensado no tempo faz alguns dias. Foram duas conversas que me levaram a revisitar o meu passado a procura do que me fez ser como sou. Tem dias que me sinto frágil como uma garota de 15 anos e outros que me sinto com a minha idade do tempo. Tem dias que me sinto maior e mais velha. Tem dias que o tempo é o meu tempo.

 Tem sido difícil conhecer pessoas novas. Parece que a ausência de horas faz a gente começar mais a cativar do que plantar. O conforto da compreensão dos meus velhos amigos ao invés de descobrir o som de novas risadas (mesmo sabendo como me faz falta)... Conheci alguém que prontamente me falou "gostei do seu estilo" (?) e de imediato fiz aquela cara que prevê o "você é tão alternativa, descolada, blablabla", essas coisas todas que de tão simplistas apenas me mostram que estou diante de quem não... nada. Mas, dessa vez, fui surpreendida e levada a refletir.

 Me formei e me fiz jornalista muito cedo, tive que amadurecer rápido pro mundo não me engolir. Tenho uma pose que encobre plenamente a minha fragilidade. Me tornei alguém muito mais prática do que gostaria. Não me entrego, não me abro, não me largo, quase não me deixo. Volto para dentro do meu casulo sempre que alguém ensaia me tocar demais. Confesso que a compreensão me assusta mais do que a incompreensão. Venho andando em círculos porque voltas completas me deixam no mesmo lugar.

 Mas, sinto falta, de novos sorrisos, de novidades, de me abrir a possibilidade de encontrar alguém que mude a ordem natural do meu mundo que sempre me leva de volta para quem e para onde não deveria...Quero abandonar os círculos e andar em retas porque é a estrada que me interessa. A que me leva... enfim.


ps. o título uma frase de Um a Um do Tribalistas, clicaqui.

quarta-feira, novembro 21, 2012

Passarinho

 É quase ver a vida passar a limpo nossa história. Novos personagens dentro dos mesmos papéis representando diante de um cenário impressionantemente semelhante. Observando tanto desencontro me encontro diante de quem representa você, chorando com os braços envoltos em mim, se segurando nos meus ombros enquanto não sei o que garantir. Vai ficar tudo bem? Acho que sim, para nós, ficou. Ficou mesmo? Se somos praticamente estranhos e quase não nos falamos?

 Não digo que tudo vai ficar bem... apenas confirmo que vai passar. Tudo passa. Sempre passa. "Eles passarão, eu passarinho" como sabiamente diria Mário Quintana.

segunda-feira, novembro 05, 2012

Kriptonita

Hoje passei o dia com saudades de você. Espero dormir e acordar amanhã sem ela. Não foi uma dessas que dá e passa. Nem tão pouco aquela que se revira lembranças boas e se encontra calma. A cada nova lembrança que esbarrei encontrei só mais falta.

 A cada nova música da banda que me fez te conhecer reencontrava cada uma das noites e dos shows. Me esquivei dela, ouvi outras e daí lembrei da tarde que passamos mexendo nos seus CDs. Lembrei com um sorriso terno de como você sabia da história da cada um deles. Do seu primeiro emprego e dos que você adquiriu com ele. Dos que se seguiram e da loja que você sempre ia comprar camisetas.

 Lembrei das nossas mochilas iguais e do quanto fiquei te irritando falando que era um modelo feminino. Da Fiona Apple no café da faculdade. Do quanto confio e confiava no seu talento, na sua sensibilidade, na sua habilidade para diagramar meus textos e no cuidado que teve com o layout antigo do Claritromicina.

 Com cuidado senti falta dos três anos que passamos perto e fiquei triste quando por motivos dispersos passamos três anos voluntariamente longe. Agora, nesse que a distância é enorme, hoje me coube sentir toda falta dos últimos tempos... de você.

 Meu amigo, meu querido e talentoso, amigo. Sorte, fé e volta logo!



quinta-feira, novembro 01, 2012

they all want to free the cause

 Eu sei que você não esperava de mim, tanto tempo depois, compreensão. Entendo cada um dos seus passos, me peguei repetindo eles, com outro alguém. Me peguei sendo envolta neles, do mesmo jeito, mais uma vez. Me repetindo e te repetindo. Em tanto tempo infinito.

 Ainda quero te ver dando voltas no mundo. Quero saber da sua última viagem, da língua estranha que você está estudando, da nova vontade que te acometeu. Quero saber dos seus planos e dos seus desenganos.

 Gosto de saber que você ainda lembra do meu livro preferido e de sentir o conforto que você me provoca. Você vai ser sempre um fantasma nos meus relacionamentos, o mais alto grau de comparação, o mais sereno grau de reprovação. É e será o medo de quem se aproxima. É e será. Mesmo que já não seja. Mesmo que eu já seja fria demais para te entender. Mesmo que já não me importe mais tanto assim a ponto de ter racionalizado o que senti. Não sinto... Mas, agora, entendo. Finalmente, te entendo.

domingo, outubro 28, 2012

No pulso da flor

Faz alguns dias que tenha esbarrado em você. Os shows, os momentos, as frases lidas ou as músicas lembradas. Assisti uma peça que me parecia fazer entender cada momento seu que não compreendi. Não queria a sua presença como não a quero faz meses. A distância que construímos é mais vantajosa que as aproximações destrambelhadas que experimentamos. Entre nós a ponte ruiu. Acabou. É verdade.

 Até agora, nesse instante, nunca te contei sobre o que se seguiu depois daquela noite. O quanto eu chorei. Chorei porque senti sair dos meus ombros o amor que não aconteceu. Chorei com a doçura de uma criança que consegue uma cicatriz depois de um tombo. Chorei com a secura de um adulto que reconhece a dificuldade que existirá em se entregar depois de. Chorei sabendo que me tocaria tudo e qualquer coisa que me lembrasse você. Chorei porque você criou em mim certa sensibilidade que não existia. Chorei pela identificação que de nós restou e que me toca a cada novo clichê ou frase feita. Em prantos me entreguei ao abraço do meu travesseiro e ao aconchego dos meus amigos.

 Ganhei presentes quando superei você. Um deles, um chaveiro que carrego comigo e olho sempre que fraquejo ou quase esqueço. Quase esqueço que te esqueci.

 Sou toda música. Construímos tudo entre elas. Nos escrevemos e escrevemos, como escrevemos, o tempo inteiro. Me vejo representada em frases, melodias e ternos momentos.

 "Não tem nada que eu possa te dizer que vá te fazer ficar. Eu não quero também que você fique por mim. Pra não me fazer sofrer, mais. Até porque isso vai me fazer sofrer muito mais..."




Texto livremente inspirado na peça "Música para cortar os pulsos" e no show Dona Flor. (com doses de realidade, hahahaha).

terça-feira, outubro 09, 2012

Novo tempo 

 Hoje vi que estamos sofrendo de tempo, na verdade, da falta dele. Almocei com uma amiga da faculdade, três anos nos vendo todos os dias, e até hoje três anos sem se ver. O encontro foi daqueles que acontecem porque o acaso contribuiu, uma reunião que descobri ontem me colocou ao lado do trabalho dela e mandei um SMS convidando para almoçar. Tinha apenas quarenta minutos. Foi um almoço de quarenta minutos depois de três anos.

 E, não é só o tempo palpável, são os sonhos que não cabem mais no tempo que sonhávamos antes. Todas as minhas amigas tem planos grandiosos de serem profissionais incríveis, calculam a carreira e os investimentos com precisão cirúrgica enquanto fogem de um compromisso. Meninas, quero afilhados e sobrinhos que adotarei como meus, pelo simples fato de ter amigas irmãs. Mas, de forma realista, não vejo no tempo nenhuma previsão disso acontecer.

 Tenho toda pose e utilizo a credencial de moderna. Mas, a bem da verdade, sou uma romântica irreparável. Ainda acredito que vá encontrar quem vá me fazer encontrar prioridades onde entrem dois. Ainda espero alguém que vá me fazer pensar em ter uma família com cachorro e domingos no parque. Vejo uma criança sorrir e o meu mundo para diante da perspectiva de passar o meu legado a alguém.

 Falta a simplicidade que o tempo que já não disponho me permitia. Me falta o sorriso de cantar com alguém especial de olhos fechados ao meu lado. Falta a poesia que um dia pensei escrever e que hoje só me pega de assalto. O tempo me falta e sem ele me falta muito.

domingo, outubro 07, 2012

todos os tempos o tempo

Tenho andado com mais pressa. Tenho ficado presa, no trânsito e nos lugares, perdi o guarda-chuva essa semana e já não posso sair lá fora, se chove. Meu ar parece rarefeito. Sinto como se minha alma estivesse leve e solta. Como se nada me tivesse, de fato, por tempo nenhum. Sinto saudades do aconchego da minha infância e das certezas quase arrogantes da imaturidade adolescente. No processo de desfazer o caos, revirei infinitas sensações, reencontrei a doçura da lembrança de tudo que aconteceu pela primeira vez e vi que tudo acontece no tempo certo. Nada na minha vida ultrapassou o limite do tempo. Um respeito involuntário com o agora enquanto ele me vale e me leva. Não alongo sofrimento, não perduro dúvidas e não conservo incertezas.

Me refaço e desfaço de tempo. O tempo inteiro.

domingo, setembro 23, 2012

Para nunca faltar a paz...

Meus amigos e as suas risadas sonoras. Meus amigos entre copos, entre lágrimas, entre conselhos, entre tardes no parque, entre almoços e jantares, entre viagens e dias inteiros. Meus amigos e as suas obrigações, seus novos ou antigos relacionamentos, seus novos e velhos compromissos, seus novos ou velhos. Meus amigos que não conseguem nunca sair do trabalho na hora e se dividem em milhares. Os apaixonados e os inquietos. Nós sempre sendo tanto.

 Passo dois dias quieta. Assisto três filmes que me levam as lágrimas. Janto com meus pais. Dou risada com a minha irmã. Deixo o celular acabar a bateria e só me lembro dele nos minutos finais do domingo. Dentro do meu reino encantado de faz de conta parece que nada me falta. Não fosse a insônia e a ausência. Não existe um alguém dentro de todos que me faça querer ser caçadora. Fujo a qualquer sinal de uma reaproximação. Não me interesse nada que se refaça, não me cabe mais linhas tortas, não me fascina nenhum recomeço. A vida é mesmo agora. É aqui. E o meu tempo é daqui pra frente.

 Quero a sorte de um amor tranquilo. Quero compartilhar minha preguiça ou acordar cedo para ver o dia brilhar mesmo que ele nós traía e fique nublado. Quero ver e sentir a luz de alguém que queime em vontade e que entregue ao mundo o dobro do que recebe. Quero a sorte de encontrar alguém... ou você.

domingo, setembro 16, 2012

everything's exactly what it seems

 Não dá. Não posso te pedir desculpas porque não me cabe culpa. É coisa que acontece, invariavelmente, sempre. Minha vontade é fonte esgotável de querer. Quero com precisão cirúrgica. Muito e intensamente. Até que não quero mais. Não existiu nada que me fez mudar. Nada que entre na conta a distância ou o tempo. Nada que se explique em palavras. Nenhum outro alguém, real ou não, que me tirou de onde estava. Nada além do fato de que não existe em mim dificuldade em partir.

 É como acordar em um domingo com preguiça de pensar. É como encontrar a vida e o sentir em pleno vazio. Depois de algumas tormentas e diversas dúvidas, o nada me encheu de tudo, sinto plena ausência de algumas vontades reais e, vez ou outra, confesso, sou tomada por elas graças a uma carência mansa.

 Domingo. O meu dia de nada, de filmes, de foco e de solidão. O meu dia em que a melodia se faz em silêncio e ouço músicas para preencher de inspiração o dia seguinte, a semana seguinte. Domingo, o dia de falta, que falta porque é calmaria. Não tem urgência de diversão e nem de alforria.


Domingo... só até a segunda.

segunda-feira, setembro 10, 2012

i'm all ears to gather clues and look for signs

Quem me conhece sabe a dificuldade que tenho em continuar. Durmo apaixonada e acordo desinteressada. Faço planos e desisto deles ao menor sinal de possibilidade. Me interessa o desafio. Os difíceis demais, os que são demais, os que querem demais, os que tem almas e desejos em excesso. Porém, por pura contradição, a bem da verdade, só quero a simplicidade. Deitar depois de um dia complexo e dividir o silêncio com um filme. Quero chá e companhia nas madrugadas frias. Quero esquecer que o dia seguinte me cobrará as horas de sono perdidas e perdê-las sem culpa.

Quero encontrar as verdades que alguém guarda nas entrelinhas. Quero a sensibilidade latente que se esconde no que só parece. Hoje quero isso. Amanhã, não sei. No meu castelo de quereres, nenhuma pedra é definitiva.



texto de 14/11/2010 

segunda-feira, agosto 27, 2012

A sentença

De mim, eu sei. Sei que tenho uma personalidade complexa, sou feita de enormes exceções e minúsculas regras. Sei que minha prioridade não é a mesma da imensa maioria, meus sonhos são diferentes e minhas vontades mutáveis.

 Preciso de silêncio e não me faz mal estar sozinha. Gosto de domingos inteiros de pijama com a companhia de uma série recém descoberta, de um livro que me prende no sofá, de uma música que não consigo parar de ouvir. Gosto das coisas que independem da presença de alguém.

 Amo os meus. Meus amigos e minha família. Não confio em quem não tem ao menos um grande amigo, ao menos uma grande pessoa com quem consiga dividir tudo sem o menor receio. Preciso de quem me entende sem julgar e que guarda em si uma risada sonora da piada subtendida que existe na minha vida.

 Não sou uma daquelas pessoas que conseguem caber dentro da expectativa de outro. Destrua suas expectativas e conquiste minha admiração. Dê mais para o mundo do que espera dele. Construa seus sonhos e trace planos de como viver o irreal. Faça do irreal um céu que consiga tocar. Toque e me olhe no olho quando falar comigo. Me conte suas posições políticas, sua música preferida, o livro que mudou a sua vida e o filme que te faz chorar sempre na mesma cena. Me deixe te conhecer e me conheça ao mesmo tempo.

 "Acho que quando você gostar de verdade de alguém, achará tempo e paciência". De tudo que alguém não entende de mim, essa frase, quase como uma agressão me foi dada como uma sentença. Não nego toda verdade que cabe nela. Até a vírgula é uma possibilidade e depois dela o encontro. Tudo na minha vida acaba por tempo e paciência. O tempo que gasto sonhando, indo de um lado pro outro, fazendo a unha, andando muito mais devagar porque preciso estar de salto. O tempo que não tenho. E a paciência que me falta. Sempre que fica demais, acaba. Sempre que não acho o tom certo, mudo a cadência da minha música. Sempre que não anda, desanda. Falta persistir ou falta achar alguém que eu goste de verdade. É falta. É o que me falta.

 Mas, daí, chega um whatsapp que me faz rir pela compreensão que existe de quem divide comigo essa verdade de não caber em estreitos. Ou não caber em lugar nenhum, o que espero que não. Por agora, me vale estar entre os meus, entre o que existe enquanto desenho um irreal... até que.



domingo, agosto 19, 2012

A semana inteira... 

Os domingos e a sua capacidade especial de me fazer sentir falta. O vazio que se abre nesse dia me faz voltar a sonhar com o encontro que vai me presentear com companhia. Alguém para ver o dia passar em preguiça ou para ir brincar com os cachorros que se espreguiçam no Villa Lobos. Alguém para andar de bicicleta e me fazer tropeçar no riso. Alguém com quem cozinhar ou mudar a ordem do dia. Alguém que agradeça o garçom e o olhe no olho do segurança. Alguém que seja gente e olhe no olho de todas as pessoas, sem distinção. Alguém que me olhe no olho e veja meus medos. Alguém que desfaça os nós do meu passado para me ter, por completo, naquele agora.

 Alguém que seja generoso com o mundo e consigo. Que veja piada nos próprios defeitos e se perdoe pela ausência de perfeição. Alguém que ame os dias e cada pequena possibilidade de renovação. Alguém que se permita e me permita ser, infinitamente e indefinidamente. Que não me espere e não me cobre. Aquele alguém capaz de me soltar para voar e me ajudar a querer voltar. Que não seja complicado demais a ponto de me dar preguiça e nem simples demais a ponte de me desinteressar.

 Alguém que me encante com seus mistérios e com o tom da voz. Com o sorriso alto, com o olhos sinceros, com vida no corpo e na alma. Alguém me faça perder a calma e contar os dias até um próximo dia.

Mas, amanhã é segunda, uma das 48 segundas chances e dias desse do ano. Quarenta e oito, todo ano, a cada ano. A garantia de 48 dias que acordo feliz. Mais uma segunda(feira)chance.

segunda-feira, agosto 13, 2012

Como é grande, o meu amor, por você...

Tem horas que quase sufoca. Que eu sinto tudo e tanto. Que me emociono com fotos, com lembranças, com o cheiro, com a cerveja que sempre tomamos lá, com os sorrisos que eles sempre guardam estampados em seus rostos mansos. Eles, os meus amigos, os cariocas. O cheiro da cidade, as fotos que cada um que conhece e se encanta, compartilha nas infinitas redes sociais (sempre tão impessoais). Me sinto mais humana quando desembarco no Rio. Me sinto plena e sou. Sou com a certeza que a vida continuará me esperando na minha também querida selva de pedra, o Rio é suspiro e São Paulo respiro. O Rio é manso, é respirar fundo, é sentir o que existe de bonito e como é bonito.

 O Rio é ponto e vírgula, é uma pausa mais longe, é um sentir mais manso. Os cariocas que me encantaram, os abraços, os sorrisos, os encontros. As tardes na praia, o pôr do sol no Arpoador, o como ainda acho engraçado marcar com alguém na praia, entre um posto e outro, em Ipanema, sempre Ipanema que em poucos minutos dá nas pedras do Arpoador. O Rio é democracia. É shorts, camiseta e chinelo. É biquini sempre pronto para alterar a rota. O Rio é sorriso espontâneo e gargalhada garantida. O Rio é sonoro e eu gosto do som das pessoas.

 O Rio é encanto e eu sempre me encanto... por você, cidade maravilhosa.


domingo, agosto 05, 2012

"Calma, tudo está em calma"

Da última vez que te pedi, no meio da noite, para me encontrar, te contei um dos meus segredos: sou toda agora. Minha vida é feita de urgência. Me conquista quem vive no momento presente. Porque depois a gente vê, depois a gente pensa, depois a gente racionaliza, depois a gente paga as parcelas, depois a gente acerta a conta, depois medimos o peso do envolvimento irracional.

 Já fui depois, já senti conforto, já me apaixonei por ideais, já me encantei por ideias, já fui embora, já fiquei, já naufraguei, já me afoguei e já aprendi a nadar. Não me passou tudo porque ainda me falta muito. Quero dar pro mundo o dobro do que ele me devolve. Quero paz, música, arte, poesia, literatura, calmaria. Quero calmaria do fim de tarde dentro de um abraço que me guarde do mundo. Queria ser menos urgente sem de deixar de ser agora.

 Quero só paz e que essa nunca me falte.

quarta-feira, julho 18, 2012

we are accidents (waiting) waiting to happen

 Leve. Me sinto assim. Existe cor nos meus dias cinzas na cidade que não para e onde não paro. "Não crio raiz", como escreveu alguém que conheci por acaso no acaso dos dias. Não me prendo, não finco, não fico. Saio leve pela madrugada fria, pela tarde vazia, pela casa em companhia do silêncio que esquenta. As sensações não me incomodam. Nem o frio, nem a chuva, nem as três mil blusas que me protegem.

 Me perdi e me reencontrei. Me perdi quando me permiti e voltei refeita. Voltei a me apaixonar de forma simples pelas coisas que não se tocam. Fiz as pazes com a angústia da minha banda preferida. Fiz as pazes com o poderia ter sido. Fiz as pazes com o que tem a possibilidade de ser. Fiz as pazes com a leveza.

 Me interessa a poesia, me interessa aprender, me interessa o que de novo existe depois da linha que ainda não escrevi nesse enorme livro que chamamos de vida.

 Áries com ascendente em escorpião e lua em gêmeos. Fogo, terra e ar. Ardo como um ariano arde na sua urgência de vida, me movimento como o bicho de terra e sinto com o devaneio do ar. Os anos me mostraram que fugir da essência sempre me levou para longe, de mim, e sou tartaruga que precisa do casco para existir onde é só seu no mundo.

 Já dei tantas voltas, já corri enormes maratonas, já fugi de sentir, já já já. Já cansei também. O meu tempo é agora e ele está, espero que o verbo passe para o infinit(iv)o e se torne ser, leve.

 O título é de There There do Radiohead aka banda da vida.

quarta-feira, julho 11, 2012

(so)RIO

Dias para fugir do caos e me encontrar na calma que me falta. Dias para encontrar amor em simplicidade e carinho em gestos pequenos. É fim de tarde olhando o mar, dia chuvoso em euforia, madrugada fria em festa.

É uma cidade que cabe o mundo inteiro e me renova enquanto inova no meu sentir. São abraços, é colo, é carinho e encontro. Uma tarde inteira na praia enquanto o vento tenta nos expulsar. É o mar me envolvendo em calma enquanto as crianças correm ao redor e os casais sorriem na preguiça do colo que um empresta ao outro. É tudo mais verdade e mais simples, as pessoas são mais coloridas e os dias menos pesados. É uma festa com música boa, pessoas incríveis, risadas sonoras e no fim dormir no colo do amigo envolvida em paz e cansaço.

 Um domingo no supermercado, fazendo pasteis, tentando jogar sinuca em uma sala apertada, rindo de besteiras, cantando músicas bonitas e sorrindo até o rosto ficar dolorido. É um encontro depois de anos e o conforto da presença do outro.

 É simples porque lá as pessoas sorriem, se abraçam, se ajudam e se gostam. É simples porque voltar ao Rio sempre me renova e me mostra algo de novo... Como sentir de novo... em paz.

segunda-feira, julho 02, 2012

Bem que se quis
Depois de tudo ainda ser feliz


Muito obrigada por tudo que você me mostrou. Pelo jeito simples que se tornou sentir. Eu que nunca fui de me permitir, me vi, sozinha, no meio de um monte de sentimentos desconexos. Sentindo tudo e muito. Conversas que nos fizeram girar no centro do que deixou de ser pela minha distância e pelo jeito que você colocou alguém entre nós. Declaro a ausência de culpados e só hoje percebo que sempre existiram alguns e nunca nós. Éramos a sombra da nossa vontade de acertar depois de tantos erros. Eu passei os últimos anos da minha vida persistindo na história que criei para viver. Passei os últimos anos me enchendo de obrigações, de outras prioridades, de trabalho e da ausência de tempo. Mas, obrigada, você me mostrou que existe tempo e vida em mim, mostrou que posso sentir coisas bonitas de forma real.

 Ouço todas as músicas que me fazem voltar no tempo. Dido, Marisa Monte, Elis Regina, Radiohead, Feist, Regina Spektor, Luiza Possi, Legião Urbana, Cat Power e tantos outros que embalam em melodias doces alguns pesares. Seguro o último respiro do que vivemos para te conservar sem pesar no meu passado.

 Não existe um depois para o que não é agora. Não posso e nem vou te esperar, como diz a música no repeat infinito. Nas nossas últimas conversas lembro da esperança de um novo tempo, de um novo momento, de nós. Só que prefiro te levar enquanto não existem grandes mágoas. Sigo, leve e difusa, leve e profusa, leve e confusa. Sigo porque seguir é a melhor forma de continuar. Sem você, sem nós, sem o fim que foi caos.

 Ao mesmo tempo, obrigada, por ter me feito notar os sorrisos ao lado. As frases e a ternura dos outros. De uma forma simples, obrigada por me deixar e me fazer continuar... sem você.

sexta-feira, junho 29, 2012

Roda gigante

Dói pela ausência e pelo fim da cumplicidade. Faz falta o abraço no meio da madrugada. O jeito que você me olhava de manhã e as manhãs que se enrolavam em preguiça enquanto as obrigações entravam por debaixo da porta. Faz falta.

 É por falta que começo viver uma vida inteira pra fora. Saio, dou risada, conheço pessoas, encontro conhecidos por acaso no meio da Avenida Paulista, esbarro com um ex-caso na Livraria Cultura, sorrio para senhoras e crianças no metrô. É quando me importo menos, penso menos, vivo menos porque vivo demais.

 Lembro do "eterno retorno", Nietzsche e a sua teoria que me desespera e conforta, os sentimentos todos se repetindo, o tempo inteiro, em situações diferentes. Não querer perder, dar um jeito simples de me ter por perto, ir e voltar, quantas vezes e quantos. Todos os que se apegam a aparência de que pouco me importo. É, verdade, parece que estou sempre ocupada demais com outras coisas e que sentir não é exatamente o meu forte. Sempre me visto de frieza para não me entregar com franqueza. Sempre saio antes de criar raiz.

 Me enrolo, me divirto, me autosaboto, me culpo, me machuco, me perco até que me encontro em um novo sorriso e aí...

segunda-feira, junho 25, 2012

 Somebody That I Used To Know

Hoje acordei e decidi me sentir melhor. Corri os quatro quilômetros dos meus últimos todos dias ouvindo o disco que não consigo largar. Coloquei um blazer alinhado e a touca que me faz sentir uma estudante da Sorbonne. Me maquiei e me senti bem. Fui observada pelo rapaz ao meu lado no metrô e por uma garota alguns bancos a frente. Me senti bem pelos olhares.

 Tenho pensado em Paris e em Londres. Tenho pensado em fugir para algum lugar na bela companhia de um livro. Tenho fugido e me encontrado nas linhas tortas do meu passado. Encontrei textos que me fazem sentir as mesmas coisas de quatro anos idos. Pensei em voltar a escrever para você e tentar entender o que ele me disse naquela noite. Pensei em esquecer o passado e simplesmente continuar. Passei o dia entre as minhas velhas conhecidas obrigações, falei futilidades e das promoções que acabaram com o meu orçamento.

 Passei o dia me sentindo bem e daí chegou a noite... quando já não sei mais o que sinto.

domingo, junho 24, 2012

Eu Não Tenho Um Barco, disse a árvore

Ler, ouvir música, assistir um filme, andar no parque, prestar atenção nas crianças que sorriem para mim no metrô, brincar com o cachorro, dormir na rede, observar o jeito que se move as folhas que caem das árvores do parque sempre vazio que fica ao lado da rádio. Dar valor ao que de pequeno existe no mais sincero das coisas. Me apegar aos detalhes que não percebo porque vivo com pressa enquanto me entorpeço de obrigações. Quando me encontro em caos me encontro no silêncio.

 Já consigo sentir e seguir sem me abrigar na segurança do meu passado. Não acredito nas mudanças, não acredito que vá ser diferente, não acredito em reconstrução da vontade. Acabou porque não sou mais ponto e vírgula. Acabou porque foram muitos anos esperando e a espera também desgasta. A espera amargou o sentimento e da pureza sobraram as palavras. Essas sim... ainda suas.

sábado, junho 23, 2012

Melhor parte de mim

Quase dez anos, um ano longe, muitos meses sem se encontrar, um trabalho de conclusão de curso, os e-mails cada vez mais resumidos dentro de uma série de obrigações, a garantia do abraço necessário e o depósito dos melhores conselhos. É quase sempre como voltar para o lar, segurança e compreensão, é o sentimento de pertencer e ter tido a sorte de ter encontrado a amizade no seu estado mais puro e raro.

 Cada uma é um. São profissões, anseios e problemas diferentes. Em comum as risadas, os shows divididos, as lágrimas confidenciadas, os medos confessados e os planos divididos. É amizade no bar, no café e em todos os lugares de toda vida. É sempre o meu lugar para voltar. Meu porto seguro móvel. Minha melhor amiga, minha enorme amiga, minha amiga de alma, minha irmã que a vida me deixou escolher.

 LUV, GOR!

domingo, junho 17, 2012

Olhos luz

Como faço para acalmar as lembranças? Como apago o seu riso de mim? Como apago a luz dos seus olhos claros que ilumina as minhas noites e não me deixa dormir? Eu sei que fui eu, foi a minha ausência que deu espaço para tantos maus entendidos, foi a minha ausência que abriu o espaço que alguém preencheu.

 Te avisei muitas coisas, te contei  (antes de tudo) do meu problema em ficar e em como escrever era um exercício de ficção. Te pedi perdão, de antemão, pelo meu constante sentimento de abandono e pelo de fato de que por proteção (ou medo) me afasto de tudo que poderia me fazer criar raiz. E sinto, sinto muito e sinto tudo. Você me chama de marrenta e me faz rir lembrando do quanto você fazia tudo para me dobrar. Me faz rir da última viagem, da companhia, de me ajudar a cozinhar pros nossos amigos e me atrapalhar no mesmo nível.

 "As horas andam com pressa, eu ando devagar". Tá tudo passando, tá dolorido como um dia depois que fui do Parque do Ibirapuera ao Parque Villa Lobos de bicicleta, a sensação de superação do circuito completo e o corpo dolorido, tá tudo emocionalmente parecido com o que me fez sentir o desafio físico. Foi uma semana sem conseguir me envolver com nenhuma atividade que não fizesse parte das obrigações, foi uma semana difícil e dolorida, foi uma semana que me devolveu o meu passado. Foi uma semana sentindo muito e sentindo tudo, foi uma semana para apagar os seus olhos claros de mim, o mais difícil de tudo. Os seus olhos claros. Seus...

sexta-feira, junho 08, 2012

o universo inteiro numa casca de noz

É quando me olho no espelho e tiro a maquiagem do dia que foi. É quando tiro a bota e a camisa que me irritaram o dia inteiro. É quando prendo o cabelo em um coque e tiro o relógio. É quando me encontro sozinha e me vejo inteira em mim que sinto e me sinto.

Vejo as marcas que o meu passado me deixou. A minha dificuldade de lidar com o que os outros sentem por mim e a minha própria em sentir muito tempo. O que vivi me endureceu e me fez o que sou.

Carrego a necessidade de transformar a minha solidão em poesia e fazer da ausência minha vontade frágil de estar. Faço da vida minha própria criação e de vários motivos errados tiro o que me impulsa a sentir. Seria bonito, não fosse o fato de que algo nessa equação sempre me decepciona. Somos responsáveis por todos que cativamos e eu sempre faço questão de cativar alguns para me assombrar por algumas madrugadas frias. Não é voluntário, não penso e não escolho, até arrisco dizer que não quero. Chego a conclusões óbvias como a que posso ter transformado a rotina em um hábito. Me empolgo, admiro, faço planos, divido cafés e vida, acredito que finalmente encontrei alguém vibrando em uma sintonia parecida. Até que... não.

Sofro sem fazer alarde. Escrevo e-mails que nunca vou enviar, textos que nunca vou publicar, me desfaço apenas do número do telefone para que o que não foi dito não venha a ser escancarado por impulso. Me preservo, me reservo, tiro a maquiagem, a camisa e botas que incomodaram, prendo o cabelo em um coque, tiro o relógio, coloco uma música alta, converso com a minha melhor amiga, deito na companhia de um livro e amanhã é mais um dia. Da roda viva do viver, só preciso tirar alguns da minha, até nunca mais.

 "Eu poderia viver recluso numa casca de noz e me considerar rei do espaço infinito..." 
Shakespeare

domingo, junho 03, 2012

Inegável

Sou eu. É a minha grande e conhecida inconstância. Sou eu que não consigo ficar. É o que alguns admiram e o que o mundo não compreende. É uma necessidade quase infantil de ficar na ponta dos pés tentando ver o que está acima dos meus olhos ou abaixo da proteção segura de uma ponte. Olho para o horizonte e é nele que sinto conforto, me fascina e intriga o infinito, me empresta paz o que ainda não conheço.

Deve ser feliz quem não conhece a angústia. Deve ser calmo quem não se preocupa com o que há além. Quero tantas coisas, quero olhar no fundo do olho das pessoas e encontrar verdade, quero noites com a lua de testemunha e manhãs frias em boa companhia. Quero conseguir ter o que já tive e não soube ter. Quero deixar de repetir erros e vontades. Quero um encontro que preencha a minha necessidade de infinito e me faça estar. Quero um aqui e agora que seja suficiente. Quero calma nos meus sonhos e vontades. Quero saciar minha busca sem embriagar meus sentidos. Quero cumplicidade no sentir, no pensar e nos planos. Não precisamos e nem é complementar querermos as mesmas coisas... Mas, se nossas vidas não estão dispostas, elas sempre estarão opostas.

Dos meus amores passados... um leve gosto de saudades e a culpa porque não pude, não posso e não poderia ficar... Eu preciso, realmente, encontrar quem me ajude a voar.

Felicidade é um fim de tarde...


quarta-feira, maio 30, 2012

mais alegria no meu jeito de me dar

 Não ser por simplicidade, por qualquer coisa, para qualquer momento. Não ser tudo de uma vez só e reservar os detalhes ao mínimo do mistério. Admitir fraquezas e confessar vontades.Trocas mútuas de admiração e respeito. Fins de tarde olhando o mar regados por conversas silenciosas.

Me falta as poucas linhas acima e muita compreensão. Não me encontro mais nos assuntos que existiram. Não faço mais os mesmo planos. Não caibo mais nos mesmos espaços. Não encontro mais companhia na presença do meu passado. Estou mudando, mais uma vez, e ficando cada vez mais sozinha. Não bebo para esquentar, não bebo para esquecer, não bebo porque não me interessa lidar com o vazio e o incomodo da ressaca. Quero viver lúcida e conseguir enxergar graça nas pessoas sem trapacear, sem embriagar meus sentidos e sentimentos.

 "Mais pureza, mais carinho, mais calma, mais alegria no meu jeito de me dar". Faz dias que tenho pensado nessa música, nas frases prontas, no violão dedilhado, na poesia que pode fazer folia e como tenho sentido só no meio da multidão. Ainda existem os meus amigos, os de sempre e os que vão e vem, os que cabem cada um em uma situação e os que são universais. Existem pessoas que me fazem pensar e eu tenho tentado evitar ao máximo o momento que pensar vai ser inevitável. É como o cara que pulou do carro em movimento, no filme bobo que assisti hoje, apenas para não enfrentar a conversa pós-separação. É fuga, nossas imensas e constantes fugas, essas que podem ser pular do carro em movimento ou evitar as pessoas que sabem exatamente como colocar em prova as minhas certezas, nesse momento, tão vazias.

 De repente, me falta gente. Gente que cala e sorri. Gente que chora e fala. Gente que arde. Gente que grita. Gente que é gente na sua mais doce complexidade. Gente que é bicho no amor pelas coisas todas. Gente que enxerga. Gente que se envolve. Gente que é como gato e se acostuma. Gente que é como cachorro e se apaixona. Gente que é vida. Gente que separa as coisas, que consegue me levar de forma mansa, que me faz querer parar os minutos antes que eles se tornem horas e me tirem o tempo. Me falta gente de verdade. Me falta um querer genuíno qualquer que me envolva em um fim de tarde. Me falta... e agora consigo admitir.

 ps. a música, o título e a vida por Sonhos na voz do Caê.

segunda-feira, maio 14, 2012

Meio tudo e nada inteiro

 O que existe depois do lugar em que já estive? O que está escrito no livro que ainda não li? O que filmou o meu diretor favorito no filme que ainda não vi? O que escreveu um compositor que eu admiro e o que ele guardou nas entrelinhas da melodia? Quais foram as músicas que nunca ouvi? Quais são as pessoas que ainda não conheci? Quantas serão as experiências que ainda não tive? Como acorda alguém com quem nunca dormi? A interminável e angustiante busca pelo desconhecido.

 Sou doce e sou muitas. Sou variante e invariável. Ao contrário das aparências tenho a meu favor uma rotina. Por segurança, me prendo ao que é só meu, ao que consigo preservar simples. Do chá de toda noite a ler a timeline inteira antes de levantar.

Me fascina o desconhecido. Esse que só se conhece uma vez e que em seguida se renova. E como é difícil encontrar algo que se renove saindo do mesmo. Consigo isso com filmes e encontro isso na música. São as únicas duas fontes de desconhecido, que para mim, nunca secam.

 Sempre responsabilizo os astros pela minha incoerência. Sol em áries, ascendente em escorpião e lua em gêmeos. Mas, dos responsáveis meus, encontro a variável de tantos outros. Vivemos presos ao desconhecido. Guardamos livros que nunca lemos na esperança de encontrar novas respostas. Nos iludimos na desesperança de encontrar um com a justificativa de que existem seis bilhões de pessoas diferentes infinitas em suas particularidades.

O que me irrita no conhecido se explica com a necessidade inconsciente de desconhecer. Como uma praga da atualidade: tudo tão rápido, tudo tão intenso, tudo tão agora que para pensarmos em algo para daqui algum tempo precisa ser concreto. Tenho planos no trabalho e pretendo coisas matérias no futuro. Mas, de tanto depois, negligencio o agora de forma rasa. Vivo na superfície de um tempo que deveria ser aqui. Mas, de tudo, o que mais me falta é o que me sustenta e por isso sigo meio bamba, meio mambembe. Meio Chico, meio Caetano, meio Radiohead, meio Caio Fernando Abreu, meio Clarice Lispector, meio Woody Allen, meio Hitchcock, meio tudo e nada inteiro.

terça-feira, maio 01, 2012

Museu de tudo

Quase uma coleção de marcas. Uma coleção de passado, de permissões, de intromissões, de gente que entra sem pedir licença, de gente que entra de forma mansa, de gente que invade todas as certezas e transforma a vida em dúvidas. Um museu de ilusões. Um museu de crenças que mais eram fé do que verdade. Acho que é isso, nos iludimos na esperança de ser, na esperança do outro não ser apenas a projeção do que nós esperamos de alguém, na esperança da cumplicidade existir na tarde fria em uma cena completa de alegria e paz. Esperamos companhia para existir, para ser, para continuar. Conhecemos alguém e projetamos vontades. Estamos tão profundamente presos ao que nos falta que fazemos planos, criamos frases, idealizamos gestos. Do presente seguimos direto ao fim, calculamos formas, esquecemos de sentir o gosto de um agora que pode durar um dia ou uma vida.

Vivemos nos desiludindo, é verdade, porque pura e simplesmente vivemos a nos iludir.

São os filmes, as músicas, são os românticos. São e somos o combustível para continuarmos sonhando já que "somos feito das mesma matéria que são feito os sonhos". Por (falta de) opção aceito a ilusão e faço da desilusão o meu passaporte para começar de novo.

O meu único pesar é a forma como deixo você voltar a ser igual. Acredito por um momento que vai ser diferente até notar que você sempre foi apenas a projeção do que jamais seria. Nesse eterno retorno, uma vez por ano, você na minha vida.

"os magnetismos das pessoas cruzam-se e descruzam-se, acho, meio que aleatoriamente, por algum tempo, por nenhum tempo, por muito tempo. é mais complexo que isso, mas anyway: não deve doer. e não deve porque no fundo não tem importância, como todo o resto. é puro maya, ilusão".
Caio Fernando Abreu, por acaso, no livro que passei o dia lendo.

domingo, abril 22, 2012

you as were you 

Você sempre esbarra nas minhas certezas. Deixa tudo um pouco fora do lugar, como um vento que arrasta as folhas do jardim para dentro de casa. Como um vento que passa (sempre passa). Depois basta arrumar a desordem e fechar as janelas. Faz tempo que acabou. Os seus olhos já não me dizem palavras silenciosas. O seu encontro não me encanta e o seu cotidiano não caminha com o meu. Somos estranhos. Estamos estranhos e é simples assim.

 Tem estado tudo bem. Me encontrei dentro de mim. Consigo pensar em planos para o futuro. Quero viajar e conhecer pessoas. Esvaziei a mente e o coração. Destranquei a porta da frente para alguém entrar sem esbarrar em nenhuma mágoa. Comecei a meditar e a respirar. Voltei a ler mais e me dedicar a ouvir música. A literatura, a música e o cotidiano. O acaso jogando comigo e eu apenas deixando a vida estar. Voltei a me dedicar ao agora e me interessar pelas pessoas que são plenamente tudo que desejam ser no espaço de tempo presente.

Sem um milhão de frases feitas, a verdade, pura e simples, é que voltei a me interessar pelas pessoas... além de você.

domingo, abril 15, 2012

Entre cafés e domingos

Sinto falta do que era. Do que éramos antes de ser. Do passado manso, do mundo infinito em possibilidades, do tempo que o agora bastava e realmente era presente. Presente em te encontrar no café de sempre para ouvir como foi o seu dia. Presente em contemplar as suas dúvidas em longas conversas. Presente em te entregar as músicas da minha vida e a tranquilidade dos meus dias. Se fazia especial em estar. Era tudo antes de tudo desmoronar. Antes do castelo de possibilidades se transformar em frases truncadas, em verdades nunca ditas, em declarações nunca feitas. Você transformou minhas certezas em dúvidas e depois eu fugi. Mudei a rotina, desfiz o cotidiano, me reencontrei em outros lugares para encontrar algo que até hoje não sei.

Muito pouco ainda me muda inteira. Muito pouco ainda bagunça o meu dia. Muito pouco ainda é muito. Muito mais do que poderia ser. As notícias do seu cotidiano aparecem em pequenas doses, você aparece com um sorriso calmo e me faz pensar que o passado ainda não acabou. Que a vida não passou daquele momento até agora. Cresci, encontrei o meu lugar em mim, fiz as minhas coisas. Passei de menina a mulher ignorando as marcas que ficaram aqui. Mudei, mudamos, ficamos mais fortes e menos crédulos. Mas, admito, ainda lembro de todas as suas manias, do seu gênio, da primeira música que você ouve todo dia no mesmo dia do ano, das suas inseguranças e me sinto bem por não ter insistido em me manter no seu universo. Me sinto bem por ter aberto mão do pesar para te observar voar.

Acompanho a sua vida. Observo o seu trabalho. Fico feliz a cada novo passo dado ao encontro dos seus sonhos. Me faz bem observar a serenidade dos seus movimentos e o modo como pequenas desventuras não te atingem. A verdade é que você me faz falta, me faz bem só que também me faz...

terça-feira, abril 10, 2012

Três anos e quatro meses. Da paixão ao ódio. Do amor a indiferença. Da euforia ao marasmo. Do caos a ordem. Dos extremos ao meio. Todas as minhas relações são de amor e você me fez sentir, tudo, sempre, por três anos e quatro meses. Foi com você que conheci algumas pessoas incríveis e estive em festas improváveis. Foi ao seu lado que passei de uma menina assustada, estudante de jornalismo sonhadora, a uma mulher realista ainda que com ares de sonhadora. Por você me envolvi da cabeça aos pés, estive de corpo e alma, vivi intensamente cada pequeno momento.

Foram três anos e quatro meses acordando para sentir o gosto do dia sabendo que encontraria você. Foi o tempo de viver dias inteiros de euforia e caos. Foi intenso e duradouro. Sou uma pessoa de relacionamentos longos, de sentimentos conturbados, é verdade, porém verdadeiros. Não sei viver metade, sou tudo ou inteiro, nunca apenas pequena parte. Quero do início ao fim e adoro saborear o meio. Quero cada um dos dias, cada uma das sensações, preciso da sensação de conforto de um jogo ganho e da instabilidade de um novo desafio. Preciso sentir o sangue correndo e ouvir o coração pulsando no pulso da minha vida. Foram três anos e quatro meses ao seu lado, muito da minha pouca idade e bastante de uma vida, foram várias das mais intensas sensações.

Foi você quem me mostrou a importância de preservar os amigos, os poucos e bons, aqueles que te entendem no silêncio e choram com as suas conquistas. Foi você que me mostrou a importância de ser e como o mundo entende quem é de verdade.

Três anos e quatro meses.

Sinto que continuamos unidos por algo muito vago. Sinto meus olhos encherem de mar na iminência da despedida. Preciso partir e crescer, te deixar e me reconhecer, encontrar as mudanças e tudo que você vai me deixar de bom. Só levo o bem. Só levo o bom. Serei companheira aflita de uma saudades que não sei se um dia irei matar. Mas, sei que quando as novidades me encontrarem, serei forte e combativa porque é esse o seu legado na minha vida. Não mais tão menina. Não tão mulher. Você me manteve ingênua e crédula, lá fora, muitos podem tentar se aproveitar... Mas, de tanta rudez, prefiro a calma. Serei forte, serei ingênua, serei sagaz e serei crédula... Graças aos nosso três anos e quatro meses. Longos e ternos.

Sua,
Sue.

segunda-feira, abril 02, 2012

Morada boa

A vida me pegou pelo pulso. Com força me tirou o autocontrole. Com intensidade me mostrou outras formas de sentir. Com paciência me mostrou que viver é muito mais agora do que projeção. O sentido da vida cabe no instante presente e se esvai no dia seguinte. É o sorriso de uma criança que fica na cabeça por dias. É jogar futebol com os meus primos no quintal da casa dos meus avós depois de seis anos sem reconhecer que o amor está na simplicidade de um ato como esse. É o doce quente que minha vó faz. É o carinho das minhas tias, as risadas com os meus primos, a falta de jeito do meu avô, o silêncio do amanhecer na Farol da Barra. É a farra de uma noite no Rio de Janeiro. É aventura na subida da trilha do horto, é o medo diluído no sentimento infantil de vitória quando chegamos na cachoeira.

A felicidade é pequena, são instantes, são abraços sinceros. São trinta dias com pessoas que fizeram sentir parte, da paz do interior da Bahia e da vida louca, vida breve carioca.

A felicidade é a primeira noite na própria cama, com as roupas no armário, é desfazer a mala e pisar no chão do lar... Sou cidadã do mundo... Mas, também cidadã do aconchego do colo da minha mãe e do carinho do meu pai.

Sou da vida, essa que me pegou pelo pulso e me mostrou que só preciso achar sentimentos e fica a cargo deles me fazeresbarrar no sentido de ser, de fazer, de querer, de viver.

domingo, janeiro 29, 2012

soon we'll be found

Já faz um tempo que ando cansada. Sedes afetivas insaciáveis, como diria Caio Fernando Abreu, buscas infinitas como diria eu mesma. Mas, por aceitar que existem coisas que não se saciam e me encantar a longa jornada da busca, tenho procurado conhecer dentro de mim. Sentir e criar a vida de dentro para fora. No caminho consegui fazer com o que é superficial quase não me atinja mais e assim liberei espaço para deixar importar as coisas que realmente importam. Quero mais sorrisos verdadeiros, quero os meus amigos sempre por perto, quero mais ideias e um punhado grande de ideais, quero abraços, quero encontros de um minuto que parecem valer a eternidade, quero intensidade e calma.

Quero uma ligação no fim do dia. Um convite para ver um filme bobo no sábado a tarde enquanto a vida corre lá fora, mesmo que seja sábado, mesmo que o sol esteja convidando para rua, só porque mais vale ficarmos quietinhos criando nossos segredos. Quero companhia para o domingo no parque mesmo que o dia esteja nublado. Quero inverter a ordem e ignorar as expectativas. Quero cumplicidade acima de tudo.

Da arte do encontro faz tanto tempo que só tenho esbarrado com desencontros. Cansada. Cansada de ver as coisas não acontecerem por uma série de questões que estão fincados em medos adquiridos. Quantos erros até encontrar quem te aconchega em paz? Alguém traído adquiri dificuldade de confiar. Alguém incompreendido desconfia se encontra compreensão. Alguém subjugado não entende quando começa a ser considerado. É como atuar, é como levar por alguns dias, talvez meses, os trejeitos pequenos do seu personagem, pequenas manias que se transmitem do irreal para o real. Vivemos como personagens e seguimos reféns deles. Parece sempre que todos estão machucados a procura de uma novidade para curar as dores e projetar os mesmos erros e acertos. Frustante...

Eu só quero alguém novo, pronto para viver, pronto para arriscar, pronto para ser o que for pelo espaço de tempo que existir e fim.



ps. o título é Sia, esse clipe e essa música são lindos, clicaqui.

domingo, janeiro 22, 2012

Edge of Desire

É como se você tivesse esbarrado na rua comigo uma vez e eu nunca mais tivesse te visto. Não soubesse seu nome, seus gostos, sua voz. Como se o mistério te fizesse ser maior do que todas as verdades que me contam. Apenas sonhar tem me levado para perto de você e eu queria sentir o toque dos corpos. Queria um café no fim da tarde. Companhia no fim de semana. Queria ter em você meu refúgio.

Sabe quando você sente que a vida te deu como presente um encontro de almas que se repelem no campo físico? Almas que se encaixariam com vidas que andam em paralelo e não se cruzam. Gostos, gestos, crenças, vontades, preguiças e sons parecidos. Mas, diferente dos sonhos, temos que conviver com a realidade de tantas marcas, de tanto passado, de tanta coisa em jogo. Um milhão de fatores que repelem o encontro. Um milhão de coisas que me fazem ter medo de descobrir que pode vir a ser você... você, a melhor companhia pros meus dias.


Vai, John Mayer!

terça-feira, janeiro 17, 2012

Agonia e calma

O dia inteiro transitando entre um enorme universo de estados de espírito. A alegria de dividir minhas horas com amigos que o trabalho me deu. O tédio vindo do marasmo dos dias parecerem iguais. A falta que faz um lugar para voltar. Um sorriso para esperar. Um abraço para acordar. Um número para ligar mesmo que só para ouvir a respiração, mesmo que só para ouvir o silêncio vindo da falta do que dizer. A falta da vontade de voltar a ver depois de dois minutos desde a despedida. Agonia e calma. Calma de encontrar paz na alma de um outro com quem escolhemos ser luz. Agonia de saber que tudo é passageiro. No instante seguinte, no dia seguinte, no momento seguinte a vida pode simplesmente deixar de encaixar. O sorriso pode incomodar. O sono pode faltar. A madrugada pode me chamar em agonia, me fazendo perseguir letras, encontrar melodias. A falta me impulsiona a escrever. A falta me impulsiona a encontrar poesia no cotidiano. A falta me deixa aflita.

"Tudo é passageiro. Agonia e calma. O amor é o que transforma os dois extremos em viáveis". É isso, mais amor, por favor.

domingo, janeiro 15, 2012

às vezes quero o improvável

Essa sensação de conforto. Essa sensação de paz. Essa sensação de falta. Conforto por caber dentro de mim. Paz por não me incomodar. Falta de alguém que não sei se existe. Alguém que não conheço. Alguém novo. Finalmente consigo olhar para o passado e não me incomodar com cheiros e ausências. Ninguém mais para voltar. Ninguém mais, que um dia esteve, cabe hoje dentro dos meus sonhos.

Uma tarde de domingo passando em pura preguiça. Sono, paz, calma e um tanto de solidão. Sentimentos que parecem fazer falta, finalmente, serem divididos. Não que me falte alguém o tempo todo, não consigo conceber o viver de alguém para mim e o meu para alguém. Falta só a companhia para um filme bobo no fim da tarde. Falta alguém para acordar cedo e ir no parque, andar de bicicleta, talvez correr, talvez fazer nada e apenas discutir Caetano. Falta um abraço para me acompanhar no sono do domingo a tarde.

Me bate a carência e logo em seguida me acompanha a realidade: as pessoas fazem muito barulho. Me perguntam, me reviram, me querem de formas que não posso me dar. O silêncio não é objetivo de conquista e, para mim, dois corpos que se desejam selam o agora com o silêncio compartilhado. Aquele que não incomoda, aquele de cantarolar uma música na estrada sem precisar falar com o outro, aquele que se atrai sem palavras. Aquele particular de cada um, de cada dois, de cada história escrita em uma página em branco de vida. Talvez, felicidade, venha a ser apenas o pequeno silêncio no contratempo da voz que gostaria de ouvir para mim, em mim.

Lá se foi mais um domingo. Dia de regar as plantas da garagem. Dia de me regar de coragem para a deixar vida voltar a simplesmente... fluir.


ps. o título é Registro - Luiza Possi.

quarta-feira, janeiro 04, 2012

my tried and true way to deal was to vanish

Parece que me perdi. Não consigo mais me reconhecer de tantas formas como me via antes. Tem horas que falta ar e o corpo estremesse. Tem horas que a vida chega ao limite e eu preciso tirar as últimas gotas para não transbordar. Me pego pensando em milhares de possibilidades e nenhuma delas parece ser verdadeira. Não dá para escolher um caminho sem saber onde quer chegar. A rotina parece andar círculos dentro da inércia em que tudo se transformou.

Tem dias que sinto a sua falta. Que leio os meus textos antigos cheios de você. Pego os CDs que gravei e nunca te entreguei. Os bilhetes que se acumularam. Os sonhos que se contaram. Os segredos divididos. Revisito o lugar que você habitou e só encontro o vazio. Na verdade, depois de tanto tempo, consigo ver que você era realmente só a projeção do que eu queria pra mim. Aprendi que não devemos projetar, esperar ou entregar a ninguém a dura tarefa de termos momentos de felicidade.

Foi um ano conturbado. Ganhei, perdi, gostei, fui gostada, construí coisas novas, assisti shows especiais. Foi um ano cheio de vida. Foi mais um ano sem você ou da projeção de nós. Foi um ano que me afastou ainda mais do que passou. Me afastou mais da porção menina, me tirou um pouco da ingenuidade, me fez querer viver mais e sentir as coisas como elas são. Me fez aceitar diferenças que não se negociam. Me fez ser... e ser, nem sempre, é doce.

ps. o título é that particular time da Alanis Morissette. clicaqui.

domingo, dezembro 18, 2011

Mais mundo

"Mais pureza, mais carinho, mais calma, mais alegria no meu jeito de me dar". Faz dias que tenho pensado nessa música, nas frases prontas, no violão dedilhado, na poesia que pode fazer folia e como tenho sentido só no meio da multidão. Ainda existem os meus amigos, os de sempre e os que vão e vem, os que cabem cada um em uma situação e os que são universais. Existem pessoas que me fazem pensar e eu tenho tentado evitar ao máximo o momento que pensar vai ser inevitável. É como o cara que pulou do carro em movimento, no filme bobo que assisti hoje, apenas para não enfrentar a conversa pós-separação. É fuga, nossas imensas e constantes fugas, essas que podem ser pular do carro em movimento ou evitar as pessoas que sabem exatamente como colocar em prova as minhas certezas, nesse momento, tão vazias.

De repente, me falta gente. Gente que cala e sorri. Gente que chora e fala. Gente que arde. Gente que grita. Gente que é gente na sua mais doce complexidade. Gente que é bicho no amor pelas coisas todas. Gente que enxerga. Gente que se envolve. Gente que é como gato e se acostuma. Gente que é como cachorro e se apaixona. Gente que é vida. Gente que separa as coisas, que consegue me levar de forma mansa, que me faz querer parar os minutos antes que eles se tornem horas e me tirem o tempo. Me falta gente de verdade. Me falta um querer genuíno qualquer que me envolva em um fim de tarde. Me falta... E eu não consigo admitir.

domingo, dezembro 04, 2011

Entre ser e estar

Dezembro chegou com tudo. Me fez pedir a vida que tenha calma, pedir aos dias que passem sem serem notados, pedir a sorte de um agora tranquilo. Foi um ano intenso, me desprendi do passado, me perdi, me encontrei e me aceitei com tudo que tenho e sou. Cada uma das dúvidas mais fundamentais. Cada um dos ataques de riso e de melancolia. Cada momento que me equilibro me apoiando no simples fato de saber que sou feita de extremos. Mas, como um rio, o ideal é me escorar nas margens enquanto fluo pelo meio.

O fim do ano sempre me faz olhar para tudo que fiz e quem fui pelos 365 dias de mais um ciclo que se fecha em uma noite que chamamos de reveillon. Diferente de até então, quero a partir de agora, viver o presente. Não quero um daqui pra frente que só consiga ver se materializar daqui muitos dias, meses ou anos. É hora de crescer e deixar alguém entrar.

Não é mais estranho notar aquele lugar vazio e lembrar dos almoços, dos cafés, da companhia, da cumplicidade, das conversas, das palavras. Tem cheiros que provocam a falta que transformo em apenas uma doce lembrança de algo que existiu em um período e não se consolidou para me marcar no para sempre.

Faço do passado lembrança e, finalmente, me coloco a disposição de um agora. Sem mais nada que não me deixe ser... apenas ser, o que for.

quarta-feira, novembro 30, 2011

Comemorações


No domingo, o Claritromicina completou mil textos e hoje, dia 30 de novembro, ele completa cinco anos. Cinco anos dividindo coisas, inventando outras, compartilhando vida nas entrelinhas e me escondendo em palavras para me encontrar na vida. Cinco anos mantendo a sanidade com a ajuda de letras e dividindo ela com pessoas que conheço e outras que nunca vi.

Ainda na linha de aniversários, esse ano eu e a Livya Knoll completamos oito anos de amizade. Três anos no colegial, quatro anos de faculdade, um ano de formada. Ela que sabe tudo antes de tudo ser alguma coisa e por isso, dei pra ela a tarefa de escrever o texto de aniversário do blog... Minha amiga por opção e irmã por tudo da vida.

O (lindo) texto dela:

UM MUNDO EXTRAORDINÁRIO

Claritromicina. Quando começou, tive que favoritar, porque nunca me lembrava do nome direito, era difícil demais para escrever. O apelidinho ainda era “clari”, o que não me ajudava em nada a lembrar do resto da palavra. Hoje, 5 anos depois, sua leitura é obrigatória para que eu tenha uma semana minimamente sã.

Nessas linhas, já li minha vida esquadrinhada, já vim procurar soluções aos meus problemas, já vim ler nas palavras dos outros aquilo que eu estava tentando dizer, mas não conseguia, aquilo que estava tentando entender mas não conseguia.

Contudo, o que poucos sabem é que este blog não é uma obra de ficção. É um relato cru da vida daquela que o escreve, apenas disfarçado de ficção para aqueles que olham de longe. Nestas páginas, estão os mais sinceros sentimentos, as mais angustiantes dúvidas, e as mais felizes alegrias de sua autora. Basta ter a chave para as passagens secretas que te levam para dentro de uma das cabeças mais brilhantes que você vai ter a oportunidade de conhecer. A chave pode estar escondida num trecho, numa palavra, numa rima, em reticências... mas você só vai percebê-las se a escrevedora assim o quiser. Às vezes, nem ela se deixa encontrá-las, não admitindo sequer a existência delas! Mas se ela permite que você, especificamente você, adentre tais passagens secretas, saiba: você tem passe livre para um mundo extraordinário. É uma pessoa de sorte.

domingo, novembro 27, 2011

Mil palavras. Mil formas de dividir os questionamentos todos. Mil maneiras de me procurar. Mil perguntas. Mil dias inteiros de muitas coisas. Mil dias de dias inteiros. Mil formas de me emocionar. Mil formas de notar como alguém pode se emocionar. Mil abraços cheios de vida. Mil abraços vazios de verdade. Mil sorrisos inertes. Mil sorrisos inteiros. Mil de tudo. Mil de muito. Mil de nada. Entre mil... alguns amores passados, alguns amores inventados, algumas faltas sentidas, algumas mágoas transcritas em palavras. Mil formas para contar que esse post é o de número mil do Claritromicina.

Quem sabe... além

São tantos caminhos, são tantas opções, é tanto tudo e eu só quero a escolha de um agora manso. Quero encontrar paz no tumulto, poesia nos dias, felicidade nos sorrisos e leveza nas lágrimas. Quero uma relação de admiração. Quero representar a dualidade, yin e yang. Quero equilíbrio nas diferenças. Quero as noites com alguém que me faça notar melhor os dias. Quero o olhar carinhoso e o abraço de corpo inteiro.

Quero a inocência que transforma a vida em pecado. Quero manha que encanta. Quero me apaixonar mil vezes por minuto em cada segundo que chamaremos de presente. Quero alguém com dividir segredos e com quem eu possa ser. Quero risadas compartilhadas, silêncio dividido, escolhas conjuntas. Quero ir para um lugar onde não existam conhecidos, não exista passado e nada além de um agora.

A constante busca por alguém... além.

terça-feira, novembro 22, 2011

do meu ponto de vista

Alguém que compreenda que entre a paz e a tormenta existe calor e vento. Alguém que me faça esquecer o dia inteiro dentro de um abraço. Alguém que prenda a lua dentro do quarto e ilumine a vida com o sorriso. Alguém que faça tudo ter mais sentido com o leve toque dos dedos. Alguém que não me deixe sair do espaço dos seus braços. Alguém que me faça entender porque se chama o agora de presente. Alguém que me envolva nos seus sonhos, me faça dormir com o som da sua respiração e me faça viver no ritmo do que planejarmos.

Alguém com quem criar gatos, cachorros e ideias. Alguém com quem salvar o mundo dentro do nosso universo. Alguém que me faça parar de trabalhar quando chego em casa. Alguém com quem assistir o último do Almodóvar, discutir Woody Allen e com quem matar a tarde assistindo um filme adolescente bobo qualquer.

Alguém que pareça ter saído da melodia de uma música que adoraria ter composto. Alguém que pareça ter saído de um livro que adoraria ter escrito. Alguém que se reinvente e aceite que precisamos nos apaixonar, todo o tempo, ainda que por nós mesmos. Alguém que me faça viver poesia em prosa e transforme o cotidiano em um mundo particular. Alguém que seja discreto com os nossos segredos. Alguém que conheça exatamente o poder da ação e a da reação. Alguém que por ato reflexo conheça as minhas vontades e que me entregue a senha que revela as suas manias.


Alguém com quem dividir esse e outros pontos de vista.

Alguém...

domingo, novembro 06, 2011

I don't blame you

Lembro a forma que você me acalmava. Era engraçado como o seu sorriso perdido e o seu jeito de garoto podiam me fazer sentir muito mais calma. Lembro do seu ombro amigo e como ele me faz falta, todo dia. Lembro dos filmes, das músicas, dos CDs gravados, de você acabando com a minha moral no videogame ou no imagem&ação. Lembro daquela vez que achamos dar certo fazer caipirinha com trakinas e de como ficou horrível. Lembro das noites no Astronete, no Studio SP, na Funhouse. Lembro da sua camiseta do Ludov, a da Cat Power que você fez e era linda, de todas as camisetas que você fazia das bandas bonitas que a gente ouvia. Lembro dos shows divididos, dos segredos divididos, de cantar Fiona Apple no banco do café da faculdade até a gente errar a letra. Cada dia a gente lembrava uma parte nova até que conseguimos cantar "Paper Bag" inteira. Nunca te contei o quanto eu chorei quando fui buscar meu diploma, a vida mudou tanto que nos últimos anos nos reduzimos a estranhos, sem se falar, sem fazer parte um da vida do outro. No meio do caminho aquele café no Vanilla que pareceu deixar tudo como antes. Mas, infelizmente, a vida não quis e não dava mais para ser assim.

Não aconteceu mais sair do trabalho, passar na sua casa, jantar e depois ir para aula. No dia que fui buscar o diploma, fiquei meia hora sentada sozinha, ouvindo Paper Bag em um repeat infinito, rindo de lembranças boas e chorando pela falta que me faz saber que não estamos mais construindo. O que sobrou da nossa amizade é passado, são lembranças gravadas com super 8 na memória afetiva e no daqui para frente nada mais vai acontecer.

Cortamos o que era profundo e somos superficiais. Rimos de coisas tolas e não temos mais cumplicidade. Destruímos confiança e construímos um muro de coisas que são apenas efêmeras. Eu mudei, entrei no universo que escolhi viver, me fiz mais dura para aguentar as porradas do caminho, mais cética para não cair em tantas armadilhas e mais descrente para poder continuar crendo. Você mudou, não sei como e nem quanto, só sei que de cidade.

Sem saber e com absoluta certeza: tudo mudou tanto e eu sinto muito a sua falta, amigo.



quem tirou essa foto foi o mega talentoso Fernando Freitas.

domingo, outubro 30, 2011

someone like you

É estranho pensar que a falta de tempo me faz sentir falta de alguém. Alguém que tenha uma vida tão estranha quanto a minha. Alguém que por inquietude ou vocação procure ser mais que apenas um. Alguém que não se limita, não se proibe e não desiste. Alguém que prefere se emocionar a se tornar indiferente diante do acaso. Alguém que compartilhe a alegria de uma semana incrível e não julgue a minha constante preguiça de enfrentar a fila da balada.

Não sei se fui eu ou a minha vida que mudou. Tenho me sentido mais velha, mais cansada, mais aflita com isso que parece ser uma sede insaciável. É verdade que minha busca não trabalha com disciplina. Mudo de planos, de foco, de ideia. Me dedico ao trabalho e deixo a vida ao redor simplesmente passar. Preciso que o aqui seja o meu agora e sinto que isso é quase egoísta. Afinal, um encontro de vidas exige que dois 'agora' caibam em um aqui complementar ou que um aqui complementar seja ao menos o mesmo destino. Por plano ou por encontro, comigo e alguém, isso ainda nunca funcionou. Então, sigo aqui enquanto é só o meu agora...

domingo, outubro 23, 2011


Tem gente que cabe dentro de um sonho. Tem gente que parece transbordar os limites do que o subconsciente é capaz de produzir e segue para a vida com a difícil possibilidade de preencher todas as vontades. Tem gente que nem sabe que você existe e por quem o acaso te faz nutrir algo que não se explica em palavras. É como sentir que conhece alguém da primeira até a última palavra trocada. É alguém que te deixa sem jeito mesmo que aquele seja o seu lugar. É alguém com quem você se importa e que importa o que esse alguém achou de você, dos primeiros até os últimos minutos, poucos, juntos. É uma risada sincera que te coloca perto. São as mãos que parecem precisar se procurar e com quem você queria se encontrar, todo dia no fim do dia.

É alguém...
Letra, nota e melodia.

domingo, outubro 16, 2011

Agora

Sinto falta de quando sonhava. Dos meus dias em suspenso, das ilusões, das músicas com letras fofas, dos sorrisos trocados com o acaso debaixo da chuva no centro da cidade. Sinto falta de quando os sonhos me divertiam e eu escrevia roteiros de vidas que não vivi. Quando eu conseguia fazer da fantasia meu porto seguro e só queria encontrar alguém que fosse capaz de sonhar. Alguém com quem pudesse reescrever tudo que não está funcionando. Alguém por quem continuar tentando acertar as arestas.

Preciso de compreensão no incompreensível. Alguém com quem dividir guardanapos de vida e de história. Alguém que escreva em linhas tortas os sonhos da noite seguinte. Alguém que me faça sentir segura para continuar sentindo. Alguém que me olhe nos olhos quando fala, que procure minhas mãos no escuro da madrugada e que mantenha a mágica acesa na manhã seguinte. Alguém que acorde cheio de planos mirabolantes para a rotina ser um pouco diferente. Alguém que me espere rodeado de carinho, de cachorros, de gatos, de vida e que tudo isso venha até mim quando abrir a porta de casa.

É claro que o passado me mudou. Não sou mais a garota capaz de atravessar a Consolação parada pela companhia do almoço, de gravar CDs e fazer encartes com recortes, de querer acreditar mesmo que a verdade fosse o nada. Estou pronta para relacionamentos possíveis, para manter em silêncio o que não precisa ser dito, para encontrar verdade nos olhos transparentes de quem também quer começar algo diferente. Não mais reescrever, não mais repetir, não mais procurar no que não existe, o que não completa. Não quero uma vida de 'não mais' quero uma vida de 'agora sim'. Porque me interessa o agora mesmo que o agora dure pelo espaço de pequenos segundos.

quinta-feira, outubro 06, 2011

We're so helpless
We're slaves to our own forces
We're afraid of our emotions

Faz tempo que acabou. Os seus olhos já não me dizem palavras silenciosas. O seu encontro não me encanta e o seu cotidiano não caminha com o meu. Somos estranhos. Estamos estranhos e é simplesmente assim. Te quis amigo, te atualizei dos meus sonhos, te contei da minha vida e você não conseguiu lidar com a sinceridade. Por falta de verdade, acabou.

Tem tudo estado muito bem. Me encontrei mais uma vez em mim, refiz sozinha a rota da minha vida, esvaziei a mente e o coração. Sinto que estou pronta para deixar alguém entrar pela porta da frente sem esbarrar com nenhuma mágoa. Tenho meditado e olhado mais para dentro. Tenho sido mais feliz e leve. Conheci pessoas incríveis, tive mais perto dos meus amigos, mudei a minha forma de trabalhar. Aceitei que em tudo que vejo existe literatura e que escrever como se jogasse com as palavras é a única forma de ser eu.

Voltei a sorrir do acaso e de encontrar identificação em conversas rápidas. Me interessa as pessoas que são plenamente tudo que desejam ser no espaço de tempo do agora. Mesmo que o depois mude, que mudem os planos e as ideias, que mudem as vontades e os desejos. Não quero ser porque quero estar. Quero estar. Quero encontrar. Quero alguém para dividir querer e com quem eu sonhe. Alguém para confessar segredos banais e construir dias de paz.

Estou no olho do furacão com tudo acontecendo rápido. As pessoas passam correndo, eu passo correndo, os dias passam correndo. Até que...


ps. o título é So Sorry da Feist porque a versão no show secreto em uma igreja é linda. clicaqui.

domingo, outubro 02, 2011

The power of not knowing
Where you belong

Tão enjoada do mesmo me pego sentindo que é hora de trocar. Trocar carinho, trocar silêncio, trocar músicas e palavras, trocar o jeito que tudo é sempre parecido. Me recolher e escrever mais. Viver e escrever mais. Viver os extremos sem apenas me entreter. Gosto de sorriso sincero, de abraço que surpreende, de gente cheia de vida e verdade. Gosto de vidas que se completam e se recusam. Vidas com as suas particularidades. Gosto dos silêncios que terminam em beijo roubado e em momentos que terminam com o olhar desviado. Tem gente que te olha no fundo na primeira vez que te vê e gente que passa a vida tentando.

Sou a romântica do fone de ouvido que andava pelo centro da cidade notando a bagunça das ruas se misturar com a bagunça da própria vida. Lutava para não deixar os problemas me endurecerem, queria sentir a leveza sair de mim e encontrar semelhantes. Sou a mulher que cresceu lendo Pollyana e vendo magia no jogo do contente. Não que me force a ser sempre feliz. Mas, fico melhor assim.

Gosto de músicas tristes, da melancolia do piano, da sutileza do violão dedilhado, das letras de amor passado. Porque amor passa, não se perde, amor se transforma e virá outra coisa... Amor se renova e amor se encontra. Só não sei onde...

hmmm...

quem sabe?



ps. título é Power Of Not Knowing música linda do Kings of Convenience. clicaqui.

domingo, setembro 25, 2011

i'm so tired of playing

A vida inteira discorrendo como se estivesse escrito em um manual de instruções. As pessoas se reduzindo para caber nos poucos milímetros que existem entre certo e errado. Em cima do muro, em cima dos sonhos, em cima das vontades e das virtudes, em cima do sorriso que dói inteiro. Parece que falta verdade no olhar, lágrimas nos olhos, volume e cores na voz. Sempre parece que falta.

Não pode ficar feliz demais porque é desespero. Ficar triste é quase crime de estado. Pensar pode ser fatal e todos querem levar a vida ainda que só levar. É quando me canso e sinto uma preguiça monstruosa de viver fora dos meus livros, longe dos meus discos, fora do alcance dos meus filmes preferidos. Eis que me jogo na zona de conforto e me conforto em me vestir de preguiça. Passo um fim de semana onde o maior dilema é a cor do esmalte que vai me acompanhar a semana inteira. Por fim, admito, também sinto falta e me entedia a plena ausência de movimento desde que as antigas paixões se desfizeram. Nenhuma mensagem para esperar, nenhum CD gravado para dar ou receber, ninguém para me mostrar um filme novo ou um outro ponto de vista.

Depois de tanto me encontro desfeita de expectativas. Não é que espere, é só que adoraria se... Encontrasse alguém que adorasse animação e não ligasse de assistir o filme cabeça da temporada. Alguém que gostasse de bons restaurantes tanto quanto de bons botecos. Alguém que gostasse de biografias e literatura, de poesia e prosa, de noite e dia. Alguém com quem fugir para as montanhas e amanhecer na praia. Alguém que fosse versátil sem deixar de ter personalidade. Alguém com gosto bom de manhã e abraço bom a noite. Alguém com que eu partilhasse os meus amigos e tudo além da cama. Alguém com sonhos mansos e vontades imensas. Alguém com quem criar um ritmo novo, um segredo discreto ou uma paixão gigante. Alguém com quem fugir e ficar com ou sem todo o resto.


ps. o título é Portishead e uma das músicas mais lindas em uma das versões mais incríveis com uma orquestra em NYC. clica aí: Glory Box.

quarta-feira, setembro 07, 2011


Tem alguma coisa que falta. Tem alguma coisa não dita, não ouvida, não feita que atrapalha o agora. Tem alguma coisa sua comigo ou alguma coisa minha contigo. Tem alguma coisa que falta. Isso que não me liberta, não me deixa seguir, não me deixa continuar. Isso que de tão meu é seu. Um cílio dentro do olho, pequeno porém incômodo. Mas, diferente da destreza que as lentes de contato de me deram, sinto que minha vida ainda é mais frágil que meu olho, não consigo simplesmente tirar o que me incômoda. Parece que posso quebrar mais do que as lembranças, parece que você vive ainda aqui, parece que você ocupa sempre consegue e se encarrega de ocupar os meus espaços vazios.

O que falta, o que me falta, o que te falta, o que nos falta é naturalidade para lidar com o que nos tornamos: pessoas diferentes. Não precisamos ser dois estranhos, não precisamos nos afastar ou nunca mais nos falar. Precisamos aceitar que o daqui para frente é apenas diferente. Quero te contar que conheci alguém e ouvir da sua vida. Quero poder dividir as minhas descobertas, mesmo que não seja mais o primeiro a ouvir. Como adultos, sabemos que a ordem que nos parecia natural, mudou.

Preciso que você me ajude a continuar. Não me prenda, de forma alguma, ao passado. Não tente me ver voltando a ser o alguém que eu era. Já não caibo em estreitos, quero mais de alguém, quero entrega e companhia, quero compartilhar gostos e cheiros, quero os extremos e as dúvidas, quero a segurança e o ciúmes bobo, quero a alegria nos olhos e a cumplicidade nos sorrisos, quero que seja de verdade. Mas, ainda preciso da sua ajuda... apenas me deixa ir... por favor.

terça-feira, setembro 06, 2011

Bruta flor do querer

Não adianta. As noites não resolvem os dias conturbados e o vazio do dia seguinte só aumenta a confusão. Eu não sou assim, não consigo sorrir para qualquer um que passa, não quero entrar nesses jogos todos de faz de conta. Quero um fim de semana no Rio de Janeiro contando certezas e contemplando o pôr do sol do Arpoador. Quero confessar que gosto tanto do Arpoador porque é lá que sinto toda a poesia da vida, como se o lugar guardasse mais do que a infinitude do mar, como se no alto daquelas pedras houvesse algo além da paz.

Quero domingos infinitos, quero sábados dividindo a mesa do bar com os amigos, quero que a busca simplesmente se acalme. Quero sentir algo além da angústia e das incertezas. Quero certezas pequenas. Quero sentir São Paulo dentro de um abraço, quero sentir que a cidade guarda mais do que pessoas apressadas, quero deixar de ser uma dessas pessoas apressadas que sufocam as inseguranças com sucesso profissional. Preciso, de uma vez por todas, delimitar os espaços na minha vida. Deixar de suprir falta com efêmeras conquistas. Preciso... rio, quem sabe em janeiro?


ps. o título é Caê.

domingo, agosto 28, 2011

freedom never greater than its owner

A vida vive se pondo, o sol e a confusão, a manhã seguinte fria e a noite quente, a tarde abafada e os sentimentos conturbados. Tudo se põe em movimento enquanto fico parada no balcão do bar assistindo aos que parecem mais perdidos do que eu ali, aos que discutem na mesa ao lado, aos que pertencem, aos embriagados e os que pedem a terceira saideira.

Fim de tarde, o sol ilumina a casa em raios desencontrados. E se fizermos da vida, um roteiro de cinema, aproveitamos o cenário para te contar do instante em que eu encontro um daqueles discos que queria dividir com você sorrindo contra a luz enquanto me acusa de ser sentimental demais. Sorrindo, me acusando, implicando e ao mesmo tempo, marcando o ritmo do som com os pés até que interrompe o movimento com um ar sério, me encara e só então estica os seus braços para encontrar o meu corpo, me abraçando e colocando mais perto. Mais perto do seu rosto sorridente, da sua vida, do seu jeito só seu de ser.

Queria que você fosse viajar com os meus amigos e estivesse nos momentos mais engraçados. Queria que você fosse conquistado e conquistasse cada um deles. Queria te contar as histórias, os momentos, o que faz cada um ser especial e que você não me julgasse por ter os mesmo amigos há tanto tempo. Não julgasse a minha dificuldade em me entregar, em confiar, em chamar de amigo apenas tão poucos já que coleciono tantos conhecidos.

Acho que o problema é esperar alguém que caiba no meu sonho. Alguém que não é mais quem um dia, eu sonhei. Alguém que eu não conheço, alguém que já não sei quem, só alguém... pra mim.

terça-feira, agosto 23, 2011

Entre canis

O mundo se refaz em cumplicidade, essa vinda das amizades mais profundas, dos sorrisos mais intensos, da verdade que se esconde dentro das risadas que se multiplicam ao vento. E, nos multiplicamos, iguais e diferentes, metades e inteiros, muitos e vários, cheios das mais diversas histórias, vestidos das mais belas diferenças. Nos escondendo, jogando, fazendo birra, se perdendo enquanto nos encontramos. Seria mais fácil se pudéssemos anular a falta que se sente em um momento de extrema embriaguez. Quem sabe assim pudéssemos fingir melhor que nada se sente quando os sentimentos se embriagam de lucidez.

Mas, é só pensar que eu quero desfazer os jogos e fechar os pesares. É só pensar que me sinto leve outra vez. É só pensar... e eu sei... não é mais você.

segunda-feira, agosto 22, 2011

Não digo que não sinto falta

Tem dias que o mundo parece mais hostil e a vontade é ficar em um lugar onde só ouça a sua voz e a dos passarinhos, a das melodias leves que escolhemos para aquecer o frio da solidão que corre lá fora, de tudo que corre, por fora. O dia, as contas, as impossibilidades, as frases nunca ditas e as nunca ouvidas, o que faz falta e se cala, o que cala e por isso faz falta, a sua falta. A falta do melhor de mim que só encontro com você por perto. O peito dói e sinto um nó na garganta. Tudo parece ainda mais hostil quando a sensibilidade simplesmente se espalha por todos os poros. Transbordo as lembranças e faço do passado um veneno letal. Mato, sem querer, o presente enquanto massacro as minhas relações fragéis graças a sua onipresença em todas as minhas expectativas.

Eu, criança habitando vida de adulto, me faço menina diante do que é vão. Te vejo partindo e me roubando o chão. Tenho medo das minhas perguntas porque não sei se quero conhecer as suas respostas. Queria saber da sua vida agora. Mas, temo já não caber mais nela e me forçar, mais uma vez, a partir. Me reparto em partes minúsculas enquanto me largo a seu bom guardo. Te peço, sem palavras, que saiba, mesmo que nunca de fato: é sempre você.

E, então, me perco na madrugada, sem nada de verdade, esperando que o vento me sopre para longe... de ti. E, por sorte ou por tempo, eu esbarre em outro mundo onde o seu não caiba. Torço para me sentir plena, mesmo que me doa o fato de passar você. Por fim, espero que da dor sobre a doação do amor que não coube.

domingo, agosto 14, 2011

Quase uma guerra

Achei que tinha passado até você voltar a habitar os meus pensamentos. O acaso colocou em prova a minha doce ilusão de esquecimento e então tudo veio a tona, outra vez. É claro, existiram os momentos que a paz era maior que as lembranças, que eu acreditei na plena substituição, no ato de um outro alguém tirar você de mim ou me tirar de você. Só queria ser capaz de me desvencilhar da sua capacidade de fazer tudo desmoronar ao meu redor pela simples menção do quanto tudo parecia completo com você por perto.

Quero respeito quando decidir que a tristeza é a minha companhia na tarde de domingo fria. Quero carinho quando quiser uma semana inteira quietinha. Quero alegria quando os amigos se cruzarem e a vida for festa. Quero alguém que me conte os livros que não li e me deixe interessada em tudo que ainda não vivi. Quero alguém que desperte em mim os sete mares e me liberte ao vento. Quero os sonhos de Ícaro com a inteligência de Galileu. Quero só deixar o meu passado, passar, pura e simplesmente. Um passo de cada vez em pequenos gestos que iluminam o futuro. Fim de semana com gosto de paz e batalha vencida. Vamos adiante, vida.

quarta-feira, agosto 03, 2011

Pode parecer óbvio

É claro que sinto falta. Daquele jeito seu de me acalmar e do jeito que tudo parecia paz ao seu lado. Sinto falta do jeito que eu era paz ao seu lado, de comentar um dia difícil de trabalho enquanto você absorvia os meus aborrecimentos para me devolver em risos uma dica qualquer que poderia ter tornado tudo mais simples. E, no dia seguinte, quando algo sem importância viesse a me aborrecer, usaria a sua dica que se fez em sorrisos breves.

Sinto falta de me apaixonar. Sinto falta de me sentir uma adolescente e dos textos, das músicas, da vida, da entrega, do sentir algo que não a falta.

Me encontro diante de uma vida inteira de possibilidades e me entrego a novos sorrisos, novas perspectivas, novas expectativas, novos momentos e segredos compartilhados. E, a grande novidade é que por não ser mais indiferente, você se faz presente... Mas, não é mais você quem me faz falta, são as coisas boas que senti por você e que podem se renovar, se refazer, se reencontrar com um outro alguém. Alguém.

domingo, julho 31, 2011

Fim de semana sabático

Depois de um tempo de calmaria: sem sentir nada, sem deixar nada interferir nos meus planos, sem deixar ninguém transpor a minha barreira de conforto, veio um tornado. Foi como um vento forte que joga papeis no chão, bagunça a sala de estar e me deixa estar com muita confusão. Ligações, SMS, recados de várias espécies em tentativas de desfazer o erro de acreditar no que eu aparento. Minha aparência é proteção e afasto quem não tem a sensibilidade de notar isso.

Aceitei a confusão que me coloquei e notei que a calmaria era resultado apenas de não encarar os meus problemas. Precisei deixar claro que infelizmente não dá para ser por vários motivos que fogem do meu controle. Notei que esquecer vai além de simplesmente ignorar. Mas, no meio do que notei, decidi não mais me deixar afetar. Quero e preciso de distância dos seus jogos para me manter por perto. E, de volta, a liberdade (quase) perdida de deixar a vida aberta para novas possibilidades.

Nesse caminho será que alguém percebeu? Gosto de carinho, de atenção, de recado no meio da tarde, de sorriso bobo, de fala mansa, de convite despretensioso. Gosto de música brega que me lembra coisas que ainda não aconteceram. Gosto de pensar...




em você.

domingo, julho 24, 2011

stumble into you is all I ever do

Preciso de muito pouco para perceber que é sempre você. Sempre quem consegue me virar do avesso, me tirar todas as certezas, me fazer voltar ao ponto de partida por onde já jurei mil vezes não mais partir. É o seu sorriso, o seu abraço, o jeito como me diz coisas bobas e as risadas que são mais sinceras quando te tenho por perto. É você quem me conhece por lados como nenhum outro.

É quando não importa seriedade, nem o que sou, o que não sou, o que fiz, o que quero fazer, os meus planos maiores pro futuro, a viagem planejada, as contas para pagar. Os outros, não importa os outros, nenhuma maluquice que sai da cabeça de um outro alguém me afeta, me aflige. O mundo poderia acabar... se eu estivesse com você. Mas, seria melhor se continuasse até vermos um número sem fim de shows, de séries e filmes. Dos spoilers que você me conta, das filosofias que compartilhamos, dos enigmas que dividimos e como você me ajuda a encontrar respostas, dentro de mim.

Poderia ser tanta coisa... se não fosse.



ps. o título é Becausa i want you do Placebo. clicaqui.

segunda-feira, julho 18, 2011


love dares you to change our way of caring about ourselves

Tem horas que gostaria de passar a vida a limpo. Tirar os momentos que me endureceram, que me fizeram descrente, que me fazem amar muito mais o irreal da arte do que o real dos humanos. Apagar os momentos que doem de lembrar, como aquele de quando me deixei levar a beira de um abismo. Queria me livrar dos amores errados que me ensinaram, é verdade, só que também me tiraram e complicaram os que sempre estarão por vir.

Quero só deixar que alguém entre na minha vida e reservar a esse alguém o direito de ser. Quero a preguiça de um sábado frio com filme bobo na tv. Quero compartilhar a minha sede de mundo que tantas vezes me leva a noites incríveis. Quero compreensão e questionamento, quero mais do mesmo e o mesmo me sorrindo de uma forma doce. Quero brincar de pega pega, quero sorrir até doer a barriga, quero alguém para segurar a minha mão no último episódio da novela ou do meu seriado favorito. Quero compartilhar livros, destacar frases soltas, confessar que gosto de umas músicas clichês a ponto de preferir não revelar.

Quero, quero, quero me reinventar... Porque tem coisas que fazem a gente se questionar sobre nós mesmos.

ps. parafraseando o Queen com Bowie em under pressure. música linda, linda, linda. ouveaqui.

quarta-feira, julho 06, 2011

só de viver no seu mar

"Eu nunca precisei de ninguém para me indicar o caminho, quero ser fiel a mim mesma... Do jeito que eu sou: errada, torta, confusa, louca, apaixonada". (Alice - HBO)

É estranho se ver nas palavras de outro, de um personagem criado por alguém que deve ter observado várias pessoas como eu, pelas ruas da minha cidade e de tantas outras, aparentemente iguais se não se percebe as particularidades. Sempre fora do contexto, com o olhar longe, com os pensamentos distantes. Conservando o "porém" enquanto se esquiva de explicações. Me irrita toda e qualquer necessidade de adequação. Não quero me enquadrar em nenhum dos nichos que criaram, quero só o direito de ser exatamente do jeito que eu sou: errada, torta, confusa, louca, apaixonada.

Por decepção ou precaução, as minhas paixões envolvem muitas coisas antes de envolver pessoas. Deixo claro que sou complicada e aviso que meu lado ariano é simplesmente inconstante. Me reservo o direito de mudar quando já não existe mais movimento. Me deixa surpresa a capacidade dos outros de se apaixonar em instantes, o tempo todo, por um alguém novo. Acho que grandes paixões acontecem com uma periodicidade muito menor do que essa com que tanta gente fala por aí. Ao menos no que diz respeito a se apaixonar por alguém. Eu tenho a capacidade estranha de me apaixonar por música, por filme, por livro, por algo que é simplesmente concreto de forma abstrata e se esquiva de mudanças trágicas.

Tenho dessas paixões repentinas de uma noite só. Dessas que o personagem vive, aquela que muda de nome na balada por preguiça de ser. Me apaixono por coisas que desconheço a cor, o mistério me fascina e muito pouco em pouquíssimas pessoas mantem minha atenção além dos primeiros minutos. Porque, na vida e na arte, é quase tudo como na música que já diz muito nos primeiros acordes.

domingo, junho 26, 2011

Para ler ouvindo "you don't understand me" do Raconteurs: clicaaqui.

why do you feel the need to tease me?

Foi quando tudo pareceu andar mais devagar, quando a adrenalina perdeu o lugar e se abriu a possibilidade de um sorriso leve. Foi a sua implicância que me fez notar quanto me faz bem estar por perto. São as suas frases que dizem tudo sem entrelinhas e as quais finjo encontrar quereres escondidos, esses que você não esconde, só para alongar a discussão e te ver procurando formas para me interromper. É quando o fim de semana passa em paz enquanto minha vida inteira se faz em perguntas. É quando passo os dias vivendo para fora com medo de encontrar o seu sorriso, aqui, dentro de mim. São momentos que por piedade da calmaria massacro com rapidez. Queria medir o jeito que tudo reagiria e conhecer as consequências que meus atos teriam. Queria encontrar as respostas sem que fosse preciso fazer as perguntas. Queria conhecer o risco sem necessariamente arriscar. Queria viciar os dados e marcar as cartas a favor de um jogo ganho.

Mas, no fim, quem sabe, talvez tudo seja só uma questão de abaixar os receios e te encontrar sem medo.

domingo, junho 12, 2011

better things to do

Me acostumei a gostar de muitas coisas para me livrar do peso de gostar de uma coisa só. Me trai a pessoa, me trai a situação, me trai o alguém que não cabe nas muitas que preciso ser para sobreviver. Por preguiça ou precaução me tiro de toda obrigação que o outro precisaria assumir comigo. Livro ele e me livro de esperar. Recomeço a levar a vida mais leve sem esperar no fim expediente o abraço certo, o carinho concreto e as reclamações simultâneas. Nos desfazemos da obrigação e nos fazemos um. Mais uma coisa boa se vai e eu me vou do que me obriguei a ser.

Tenho muitos medos. Medo de assumir a expectativa do outro. A vontade de alguém. Os anseios maiores que os meus (que já julgo gigantes). Assumo compromissos com a ideologia, me envolve em projetos pequenos e me esquivo dos maiores. Recolho abraços sinceros enquanto me desfaço dos que já não encaixam mais. Preciso de tudo que se reinventa porque vivo me reinventando todo o tempo. De você não quero mais do que poderia ser. O problema? É que já nem eu sei o que poderia ser enquanto é finito. No infinito, o além e nem é o fim, enfim.