quarta-feira, outubro 07, 2009

"Aqui quem fala é da terra"


TPM é aquele inferno feminino que parece anunciar um fim, é como se tudo estivesse prestes a desmoronar e a saída é só sentar no cantinho e chorar enquanto espero o turbilhão de hormônios se acalmar. fico mais sensível comigo e insensível com o resto. fico com mais vontade de gritar bem alto até tudo se ajeitar, os problemas parecem que batem na minha porta (o pior é que eles se quer existem) e a paciência deve ter ido tomar uma no bar da esquina e me abandonado durante o dia até que chega a noite e o anúncio do escuro imediato.

algumas coisas me tiram desse labirinto de hormônios e sentimentos controversos, como se tivesse usado uma droga qualquer e potencializado tudo. basta uma frase, um livro ou tocar a música certa e, dessa vez, Elis Regina, obrigada!

domingo, outubro 04, 2009


parece que está tudo um pouco gasto, as coisas fora de lugar, os pensamentos perdidos. nenhum lugar para onde volto tem a forma de lar, minha vida rodando o país teria um sentido maior do que ficar parada esperando as mesmas coisas. entendo que acabou, passou, mudou, não adianta tentar conversar com você, não adianta procurar salvar qualquer coisa.

precisava de um livro em branco, de uma história sem final, de alguma banda que empreste vida e de um sonho que mostre a verdade. queria entrar nesse seu novo mundo habitado de gente demais, destruir as suas expectativas e acabar com a sua desconfiança. acho que você seria capaz de entender a minha neura de ter o meu tempo, o meu espaço, o meu momento de solidão para ouvir um cd que ninguém vai gostar ou simplesmente ver um filme besta na sessão da tarde. não queria a sua presença mas, talvez, adorasse a sua companhia.

queria aprender a tocar piano, gosto do jeito que a Nina domina cada uma das notas e como uma partitura tem uma interpretação diferente a cada vez que é tocada. queria aprender todas essas teorias de todos esses filósofos que nunca tiveram coragem de viver, queria transformar toda essa poesia em ação. queria sentar com a melhor amiga em um bar da augusta para ver a vida passar e rir de todos que não entendem que a ausência de respostas marca, simplesmente, a falta de perguntas que eu gostaria de responder. queria avisar que não sou um enigma, como um clichê, sou apenas "uma garota procurando paz de espírito".

talvez mais uma semana correndo ao lado de obrigações com uma pausa necessária para o vinho ruim em uma noite dessas.


sabe? "i wanna be away from here."




ps. foto da livya knoll (vulgo gordinha/melhor amiga que mora nos EUA/sis). mais aqui. (vale ver os vídeos do dead weather)



quinta-feira, outubro 01, 2009

Starlight


Tem horas que dá vontade de pedir para tudo parar, de colocar meia dúzia de amigos em um apartamento vazio com direito a mais uma única pessoa especial. Dá vontade de fazer tudo girar no compasso leve de um dia sem planos, sem começo, sem fim.

Queria conseguir ver onde isso vai dar, qual é a verdade de tudo que me falaram sobre você e, encontrar o caminho mais curto até o seu sorriso. Talvez sentar em algum canto desse vazio com alguns poemas e uns discos enquanto discutimos aquela cena de um filme bobo que sempre tivemos vergonha de representar. Queria ficar presa ao seu corpo enquanto suas mãos decifram grandes segredos. Queria você para juntos discutirmos sobre todas essas almas que morreriam só para sentirem levemente vivas.

São tantas esperanças, somos velhos com apenas duas ou três décadas, somos crianças esperando um doce ou adolescentes a procura de uma luz mais forte. Somos a mistura das nossas referências, dos nossos sons, das nossas vozes, da nossa verdade. Sou eu querendo ver tudo parar enquanto você corre, corre, corre... até aqui.

quarta-feira, setembro 30, 2009

só a gente sabe

Faz um tempo que não te olho e não penso no que sinto. A distância talvez tenha diminuído os sentimentos, acentuado as diferenças e aumentado a certeza de que longe é um lugar seguro. E, aquilo, que um dia foi puro e sincero, acabou?

Acho que sinto falta do seu sorriso infantil, de você me falando que não preciso pensar tanto em tantas coisas e que certas teorias só vão me fazer ficar dando voltas. Só que eu sei que mudo, que daqui a duas semanas todas as minhas certezas terão uma cor diferente e que se você, como eu, não se reinventar, tudo vai acabar. O meu interesse, a minha admiração, a minha necessidade das suas mãos. Eu, presa, deixo de ser criativa, deixo de ser, viro você e, isso não me interessa.

Será que eu ainda sou capaz de...?

terça-feira, setembro 29, 2009

Thirteen

Vou me adaptando, me adequando, correspondo as suas expectativas e crio no silêncio o cenário perfeito. Te iludo com a sensação de conforto enquanto faço do desconforto, um lar. Talvez duas taças de vinho e alguma música para ditar o ritmo. Te quero louco, quero fugir de toda essa alegria barata e sentir algo além do que previsto. Ouvir a sua respiração sem ritmo enquanto tenta mandar na situação. Quero te fazer desistir enquanto tenta resistir até o último segundo.

Quero você louco porque quando está sério, tudo fica muito chato. Quero você louco porque você é idiota quando usa de tanta racionalidade. Cansei de toda a convenção, de me controlar em público quando o que mais queria era dançar até o dia seguinte. O amor é um dialogo e, agora, não quero conversar. Não tem problema se formos malvados, te dou licença para ser um louco enquanto seguro os seus pulsos. O meu jogo, a minha casa. Gosto do jeito que você me segura para falar, dos seus olhos claros, gosto do seu sorriso e do desespero por um cigarro no fim da última frase.

Gosto do seu abraço e de como alcançou o meu corpo inteiro nessas mãos desconhecidas e do jeito que respirou forte perto do meu ouvido para me falar que estava aqui. Gosto dessa distância e do encontro indefinido, te imagino falando sobre alguma coisa qualquer, uma nova teoria para um conceito novo de uma vida diferente enquanto o seu toque decifra os meus sonhos. Gosto de imaginar as palavras faltando no momento em que a sua boca encontra a minha.

Estou tão cansada de brincar, não quero uma razão para amar você e descarto as suas explicações do porquê devo ser a sua mulher. Não vejo a hora desse dia virar noite...

domingo, setembro 27, 2009

my little tornado


Quantos aguentariam se eu fosse a minha verdade todo o tempo? Se eu falasse o que penso sobre todas as coisas ao invés de apenas sorrir? Quem conseguiria tirar a minha proteção e saber todos os meus segredos enquanto desvenda pensamentos obscuros?

A música alta, as frases soltas e a cabeça em outro lugar. Será que o meu problema é também o seu?

sábado, setembro 26, 2009

Prazer, contradição.


Talvez seja só alucinação da febre alta que deve ser reação da sinusite provocada por coisas que soltam fumaça (minha e dos outros) e de todo o acumulo da poluição e caos da minha cidade amada. Tirei um tempo dos outros para ficar em silêncio, arrumar meus livros, ouvir CDs novos, colocar as séries em dia, um tempo de tudo; tem horas que penso em alguém para dividir, alguém para arrumar uma prateleira enquanto fala de como cada um dos livros que ainda não li são brilhantes. Alguém para me mostrar um CD velho e me contar a história daquilo que nunca ouvi. E os vinis, lembro com exatidão dos vinis da minha infância e a falta da melhor amiga aumenta. Queria encontrar um correspondente nesses gostos, mas que fosse o meu avesso em forma de humano, queria a contradição. Queria encontrar alguém que tenha sentido algo muito parecido no show do Radiohead, alguém que entende o que significa esperar tanto para ver aquilo e, de repente, aquilo é tão maior e mais mágico. Só lembro de chorar por duas músicas inteiras e entrar em outro mundo durante as outras, mais dois tragos, o suficiente para deixar as luzes mais fortes e o mundo real mais longe.

É engraçado pensar em como posso ser uma grande contradição e como (parece) impossível encontrar pessoas que transitem pelos meus mundos. Alguém que entenda o quanto de atitude existe na interpretação da Elis e, ache as lágrimas reflexo de alguém que sempre cantou com a alma. Alguém que não vá achar ridículo os dois maiores e melhores shows que vi na vida serem tão contraditórios, Chico Buarque e Radiohead.

Alguém que respeite a minha necessidade de sair daqui e, também vá a outros mundos segurando um livro nas mãos. Tem horas que penso que nada disso existe e, em outras, isso (quase) nem importa.

sexta-feira, setembro 25, 2009

Theatrum Mundi

Hoje não compartilhei da verdade dos outros, das inseguranças e dos medos. Me coloquei dentro de um livro e do CD novo do Zero 7, fiquei o dia inteiro pensando na hora de estar em casa para continuar prestando atenção em cada um dos acordes deles enquanto folheava uma vida muito próxima, só que é dela, Alice. Depois de achar em um livro o pensamento que nunca achei que um dia fosse ser compartilhado com alguém. Theatrum Mundi.

Estive pensando esses dias, antes de chegar naquelas páginas, como o meu mundo é cheio de esteriotipos, como encontro sempre as mesmas pessoas na balada embora elas sejam diferentes. Tatuagens, brincos, piercings e tudo que envolve uma embalagem que não me interessa. Ouvir rock está muito envolvido em fazer cara de mal enquanto parece transbordar tédio, pra que tanta necessidade de manter as aparências? Um monte de gente desinteressante vestida da forma certa, com a pose necessária e a cabeça vazia. Sempre encontro fora desse mundo algumas gratas surpresas e algumas decepções. Acabou a admiração e alguma outra coisa que nunca soube definir de uma das relações mais sinceras e complexas em que me envolvi. Acabou alguma coisa em algum momento que, não consegui agarrar, se desfez e me refez, naturalmente tudo se transformou e eu apareci do outro lado já refeita.

Observo a vida, sou expectadora desse teatro de arena, me sinto na Grécia, em São Paulo ou em qualquer lugar do mundo procuro uma cadeira para me sentar enquanto todos se movimentam em uma encenação que nunca fiz parte, é como se estivesse "fora da roda" como escreveu o caio na "dama da noite". Aliás, depois de duas garrafas de vinho eu sempre termino lembrando desse conto e de como queria ter encontrado o Caio para observar, em silêncio, enquanto ele escrevia num dos seu blocos sentado em um bar da Consolação. Sinto o cheiro do que não vi, não vivi, mais um sonho...

quarta-feira, setembro 23, 2009

rimas fáceis

Nunca tinha discutido o que passo para o outro. Sempre soube da minha liberdade e de como era difícil domar o meu desejo, como era impossível segurar as minhas asas, sempre soube que só seria "enfim" quando alguém conseguisse voar junto comigo. Sempre achei que a insegurança fizesse parte da matemática de algumas das minhas relações.

Até que alguém me falou:

"Estar com você é estar em dúvida, não do que eu sinto ou penso mas, do que você pensa e sente".

Porque eu penso antes, porque eu penso até o passo ser dado, depois disso é só acaso, não me preocupo para onde vou, como vou, não me importa o fim. Só interessa o caminho intensamente vivido, isso é necessário!



ps. o título é um link para o blog de um amigo.

segunda-feira, setembro 21, 2009

DO IT YOURSELF!


Eu me quero de volta. Quero sentir o vento no meu rosto enquanto corro atrás dos meus sonhos. Quero sentir que o mundo tem muito a me dar, quero brincar de caça ao tesouro enquanto busco em noites frias, quero sentir toda a minha coragem juvenil correndo pelas minhas veias. Quero o maior, o mais alto, quero mais. Quero sair desse meio termo em que me coloquei, dessas verdades (dos outros) que aceitei, quero me libertar das facilidades e correr mais riscos.

Lembro do punk, ecoa na minha cabeça a frase "do it yourself", lembro que fui assim, escrevi para um fanzine de maceió sobre literatura porque era o nosso espaço, de uns amigos loucos de lá que ainda acreditam poder fazer e falar de literatura. Se a Bravo! não compra as suas ideias, faça o seu próprio lugar, mesmo que seja um xerocadão distribuídos em bares das duas cidades, Maceió e São Paulo. Publicava minha vida em fascículos no blog, abria os meus medos e escancarava os meus desejos, aprendi a guardar, me guardar, só me dar aos poucos e para as pessoas certas. Aprendi a desconfiar, cresci? Acho que falta a minha essência, falta a coragem, até a minha fé falhou, os meus sonhos sumiram, passei a viver a margem de mim, uma Suellen que eu não gosto, não conheço, não quero. Ridículo chorar por ver o meu foco de felicidade se transformar em dor e não fazer nada para reverter o quadro.

Eu preciso reassumir os riscos e as rédeas da minha vida. Coragem? Nunca será em vão.

sexta-feira, setembro 18, 2009

"uninviting... but not half as impossible as everyone assumes"


A força do cotidiano acabou com a educação dos meus pensamentos, imagino você por perto, segurando as suas vontades, vestido de medo, sorrindo para mim como se eu pudesse acabar com as suas certezas, garota mulher com uma força vinda de outro lugar. Mas, você não entende minhas palavras, ignora o sotaque, procura minhas mãos para me fazer parar, só que eu vou além, até o último copo, o último trago.

Afirmo que você errou por achar que acabou a minha munição. Amor, a gente sabe a hora de entrar na guerra e a hora de mudar o esconderijo. Vivo no seu passado como uma estranha enquanto a minha presença no futuro ainda é só uma suposição. Eu amo esse joguinho, as frases se completando, pedaços soltos de músicas estranhas e conhecidas, de bandas já vistas e de histórias já vividas. Você não sabe como me tocar para desfazer as armadilhas, você não conhece o ritmo da música, não consegue dedilhar o violão a procura da melodia, é incapaz de explodir a minha proteção, levemente infantil com um sorriso bobo (que eu adoro).

Você não parece ser você, nesse reino você já não é rei, o xeque mate nesse jogo é diferente, é a rainha a peça mais forte, é o meu jogo, onde eu mando, é assim.


ps. o título é Crying Lightning - Arctic Monkeys.

terça-feira, setembro 15, 2009

nada mais


Às vezes acho que vivo como uma eterna adolescente, não importam as obrigações ou as cobranças, são irrelevantes as expectativas alheias e o que importa é algo que não consigo dar nome ou emprestar cor. Estou cansada de tanta coisa. Cansada de relações vazias para suprir o meu tédio, cansada do que esperem de mim: que seja o tempo inteiro engraçada, esteja sempre arrumada e que nunca saia da linha embora nunca tenha andado por ela.

Os outros me consomem com falsos sorrisos, com falsas palavras, com o que precisam.

Cansei de ser a "menina que pensa demais", queria ser como eles: reativos. Só reagindo ao meio, sem nenhuma ação, só a aceitação do caminho, só que eu nunca soube lidar com humilhações periódicas em troca de uma companhia vazia. O jogo de subtração não me interessa, não tenho tanto assim a entregar, não posso só doar, não consigo me esforçar sozinha para não ver naufragar uma história que nunca vai, de fato, dar certo.

Devo ser como a sonhadora do livro que estou lendo, sempre sentindo falta de alguma coisa, um cheiro, um lugar. Sempre sentindo falta dos momentos de alegria, do vinho nas quadras da escola, de amarrar o cadarço dos outros, das pequenas maldades inofensivas que eram declaradas e não essas contidas. Sinto falta de ouvir HC na época do colégio e achar que íamos mudar o mundo e, fazer acontecer, mesmo que fosse só para manter a tradição.






quarta-feira, setembro 09, 2009

"amanhã vai ser outro dia"

Tenho me sentido estrangeira dentro da minha própria cidade, falta a única pessoa capaz de acompanhar a minha linha de raciocínio sem lógica, faltam os cafés ou o álcool naquele bar com nome de escritor, falta a única pessoa que se interesse pelos trechos dos livros, as letras das músicas, a pessoa com o iPod mais organizado do mundo, separado por artistas, gêneros, acompanhado das capas de todos os discos e de todas as letras. Falta alguém para me fazer parar de ouvir sempre a mesma música "porque aquela outra é tão melhor, su".

A saudades se aglomera em um canto da minha vida que quase não vejo, pouco visito e bastante ignoro. Aprendi a viver sem a presença, sem o abraço, sem o cotidiano. Refiz os meus planos, abandonei o antigo café, faz décadas que não vou ao meu sebo de sempre. Mudei, de novo.

Ao mesmo tempo sei que os Estados Unidos está fazendo dela, um inteiro. A menina que chorou no aeroporto vai voltar maior, mais forte, ainda mais inteligente e cheia de cultura pop, com uma mala carregada de vinis e algumas novidades. São mais cinco meses até a melhor amiga desembarcar em solo brasileiro e até lá?

Não sei.

domingo, setembro 06, 2009

u take all that they're lending until u needed mending

Tenho gostado muito mais de poucos e muito menos de todos. Estranho porque sempre fui uma pessoa que fala com muitas pessoas, conhece várias outras, provavelmente não desce a augusta sem encontrar ao menos um conhecido de alguma época da vida (que passou). Mas, em contrapartida, sempre fui seletiva demais com os humanos. Não diria que racionalizo cada um dos meus sentimentos e entrego eles para "escolhidos", pelo contrário, passionalidade e entrega sempre foram uma constante, mas nunca uma regra. Posso me sentir confortável com um gato no colo por horas e incomodada com uma pessoa encostada no meu ombro por minutos.

Estou na fase de entrega, me entreguei ao acaso, as histórias, aos vídeos, me entrego a arte para me soltar na vida. Me cansou toda a monotonia de sentimentos mofados que acumulei no canto dos meus pensamentos. Cansou a insegurança, o medo, a constante falta de verdade. Cansou esperar uma coisa que já tinha esquecido o quê. Cansou os pensamentos provocados por livros lidos há muito tempo. Cansou os filmes do passado. Cansou toda aquela coisa igual, a mesmice barata que a gente compra por preguiça de sair na chuva em um domingo.

Um maluco que encontrei bêbado no bar leu minha mão e afirmou que na minha vida existirá um momento de ruptura, na minha linha da cabeça que, é a mais forte da minha mão. Previsível, a ruptura acontece quase todo dia, um pensamento novo que move o antigo e sinaliza para o futuro. A essência permanece a mesma, mas o resto, esse, nunca continua igual.




ps. o título é Libertines, cant stand me now.
ps². a coisa da mão realmente aconteceu. agora, é certeza que ele tava de caô e não sabia ler nada. haha!

quinta-feira, setembro 03, 2009

glory box

Confie em mim, confie em mim completamente e lentamente, respire fundo até chegar o momento ideal. Segure as suas mãos longe de mim enquanto eu descubro o seu corpo, enquanto te deixo perto do meu, me deixe seguir o caminho. Tenha fé em mim, é a sua fé em você, tudo que eu sou é o que você imaginou nas noites de insônia. Você pode sentir?

Me mostre a sua força, completamente meu, enquanto eu te levo, é um sonho em você o mesmo em mim. Tudo que você quer, tudo que você não notou, você pode sentir?

Me revele em segundos a sua força contida, o seu sussuro lento, respire no ritmo de uma música com melodia simples, siga o meu corpo. Você pode sentir?

Eu sei que fui uma tentação por muito tempo, mas acabaram as razões para me prender perto de você, você pode sentir falta do que me manteve ao seu lado?


I'm so tired of playing
Playing with this bow and arrow
Gonna give my heart away




ps. o título e a música é Portishead... essa, em especial, absurdamente sexy.


quarta-feira, setembro 02, 2009

every you, every me


Por mais que a indiferença tenha sido conquistada pelas suas atitudes, gosto de notar como você age diante do inesperado, falar que você sempre deixa tudo passar e te ver descer as escadas para conversar sobre algo que você já tinha admito perder, foi bom. Continuei subindo as escadas sorrindo... sozinha.


você não percebeu.

segunda-feira, agosto 31, 2009

Sem explicação


Ele sabia que eu não seria a sua paz, principalmente, porque eu parto do princípio do caos. Sabia que nos meus olhos se esconderia verdade demais e por isso cobriria as certezas com sorrisos. Sabia que eu era uma pessoa arisca, se encosta demais eu fujo, se fica longe demais, eu parto. O meio termo é difícil de encontrar quando se trata de mim. Às vezes acho que minhas certezas são irredutíveis, mas só até os mesmos olhos de perdição me encontrarem. Perdição no seu mais vasto sentido em se tratando dessa situação. Então, longe ou perto, vivemos perdidos, enfim...

domingo, agosto 30, 2009

i am the key to the lock in your house

Você foi um dos meus maiores erros, o preço que paguei pelo impulso e a consequência da intensidade. Vejo em você o desperdício que vivi, os meses inertes, sem sentir felicidade ou tristeza, era simplesmente na-da. Me envolvia cada dia mais com qualquer coisa que pudesse me fazer sentir, até o frio parecia mais interessante do que a falta de alguma coisa além.

Vivia procurando um jeito de ficar ou algo que fizesse eu me soltar de vez. Queria voar muito mais alto e para muito mais longe. Queria sair de dentro do caos que criamos. Queria que você entendesse que, um pouco de drama me faz bem, que eu preciso de letras, de músicas, de inspiração, de alguém que viva além do que sente, que viva antes e sinta depois, que sinta e depois viva, que viva sem ordem, sem regra, sem fórmula, que viva assim como podemos morrer, sem previsão.

Eu olho para trás e não consigo achar cinco minutos de arrependimento, é claro que se pudesse faria algumas coisas diferentes, nem de longe acertei completamente em todas as atitudes. Errei, bastante até, mas com o que escolhi, com o que era verdade naquela hora, com os sentimentos sempre falando muito mais alto do que a razão.

Mas, aí, de repente, mudou...


ps. o título é Radiohead, acho que não é exagero falar que é a minha banda preferida embora eu goste de um monte de coisas.

sábado, agosto 29, 2009

i'm well aware of how it aches

é uma dessas coisas que a gente não explica, não pensa, não calcula e não procura um resultado perfeito. é dessas coisas que sempre chamei de acaso. é um show no dia do aniversário do seu amigo que você nem sabia que ia acontecer. é uma tarde fria com um filme sem expectativa. é um domingo no parque. é a saudades sempre forte de alguém que foi para longe e nunca deixou de estar aqui. é o sol tímido. a chuva molhando sem piedade as ruas. é o jazz, o rock, as músicas bonitinhas e as que batem forte. são as palavras dos outros, as minhas e as poucas que você arriscou. é tudo aquilo que sempre foi indispensável e agora está meio fora do lugar...

são noites guardadas em madrugadas esquecidas, é como você acha que uma porta pode esconder os seus sons de dor, é o seu medo das minhas atitudes. hoje li uma frase que me fez ter dó da humanidade, "é preciso que cada um aprenda a viver, para depois acusar os outros!". e quem vai te dizer quando está pronto, quando você vai ter certeza absoluta de que é assim que se faz, como definir esse verbo abstrato? e quem, um dia, será digno de julgar?

a vida deve ser como um jogo muito longo onde você nunca conhece o ganhador... Mas, sempre, joga outra de novo. dessa vez posso ser o pino vermelho?



ps. o título é dessa música.
ps². e a frase é dostoievski.

quarta-feira, agosto 26, 2009

um silêncio profundo e declarei...

faz dias que não me permito reclamar. Minha garganta dói, uma noite de sono e amanhã tudo estará bem. Tenho trabalhado infinitamente mais, mas tenho feito o que gosto, como gosto, do jeito que gosto, pensando e produzindo. Reencontrei nos meus amigos do passado a chave do meu futuro, aceitar que mudei, cresci. São outros gostos, outros dias, parei de procurar a felicidade do meu passado nos meus dias do futuro. É tudo novo e, de novo, é minha responsabilidade fazer essas pequenas coisas, funcionarem.

Estou leve porque deixei de andar pela mesma estrada a procura de uma segurança que nunca existiu. Deixei de beber em uma fonte seca. Simplesmente caminho para novos lugares, sem a menor garantia, sem ao menos um destino.

Me reinventei do começo ao fim, não sei se é aparência que reflete ou sou eu quem reflito, vejo as minhas vontades tão mudadas, minhas certezas tão livres, tenho vontade de descer a Augusta só para sentir se reconheço naquelas luzes alguma parte do que passou, tenho vontade de sair da cidade para respirar longe de qualquer lembrança. Ao mesmo tempo, quero viver os meus sonhos presa no cinza dessa cidade colorida.


quero...



ps. o título é da Pitty porque a Bruna e Denise cantam essa música o dia inteiro na rádio e porque a gente vive tendo ótimos papos na hora do almoço, queridas!

terça-feira, agosto 25, 2009

Queria te contar antes de virar essa última página que poderia reescrever essa história no seu corpo enquanto colocava vírgulas onde cravei um ponto final. Mas, daí, eu acordei pensando que precisava voltar a viver os meus dias, que não poderia mais deixar em suspenso as minhas vontades, era a hora e o momento de realizar.

É...
a intensidade...
outra vez.

domingo, agosto 23, 2009

rollercoaster

Engraçado como as pessoas acham que te conhecem pelas letras que você escolhe. Nunca escondi que sempre fiz da minha realidade os meus escritos, mas sempre alterei a verdade, deixei tudo melhor, maior, mais bonito. Transformei meu descaso em carinho para te tratar assim com as palavras já que não me resta vontade na vida. Te desenhei de tantas formas em letras já que ao te olhar você me parece tão pouco. Passado o momento de cegueira inicial comecei a ver os seus defeitos, a sua personalidade falhando, as palavras faltando, as vontades mudando para virar uma peça daquele quebra-cabeça sem graça.

Acho que sou cheia de sonhos, demais; uma pessoa com muitas vontades, caprichos, certos mimos, a garota que sempre quis o doce que estava na prateleira mais alta. Não aprendi a me contentar com menos do que o máximo, quero ter as coisas até onde eu posso chegar, me cubro de amigos para fazer das estradas mais seguras. Não caberia na sua prateleira, ficaria estranha, desconfortável, parece pequeno o lugar que você reservou para me esquecer. Prefiro me sentir solta demais estando livre para encontrar outras pessoas. Quero subir e descer a Augusta me sentindo em casa, escrevendo nas calçadas do centro dessa cidade de concreto uma história cheia demais, nunca vazia.

Tenho medo de parar, tenho medo do que quase aconteceu comigo, de viver de novo aqueles dias de profunda indiferença. Tenho medo de que esse carrinho desça, o mundo é bem mais bonito visto de cima dessa montanha-russa.

sábado, agosto 22, 2009

All of me


Ah, o frio. O conjunto do acaso com a minha preguiça me prendem ao meu fone de ouvido escutando a Billie Holiday perguntando porque ele não leva tudo dela? Perguntando, sentida mesmo, cheia de amor e alguma dor se ele não nota que sem ele, ela não é boa. Mendigando um pouco de atenção na arte para evitar fazer isso com a vida, mendigar qualquer coisa que seja não está entre as coisas possíveis para quem faz da história, algumas palavras. O platonismo, o erro e a verdade ficam muito bem numa estante. Acho que de alguma forma, elas, assim como algumas de nós, não aceitavam o meio termo, não queriam pouco da vida. Sempre soube com quem queria ficar, era urgente, emergencial e rápido e alguma dúvida sobre com quem não queria. Algum ponto dele é bom para mim. O jeito que ele é bobo me faz rir. A vida certa que ele leva me faz ter para onde voltar. Ou o jeito que o outro me beijou aquela vez, embora ele fosse melhor, muito melhor, mudo, me faz querer outra vez. Não tenho certeza de não querer. Ah, mas quando quero, sei. De imediato.

Graças ao frio estou presa a essas palavras tristes e bonitas da Billie. O adeus deixou meus olhos chorando e como poderia continuar, sem sem sem sem, você. Já que ele levou uma parte do coração dela porque não a levou? Ah, Billie, o que seria de nós se não fosse você, o que seria da música se o seu coração não tivesse sido partido e o que seria de mim nessa tarde de sábado fria, without you?

quinta-feira, agosto 20, 2009

Lembrança


Acordei com o sabor do seu beijo e a confusão dos seus olhos na minha cabeça. Fazia tempo que não te via nos meus sonhos e, que não sentia a sua presença na minha manhã. Você estava naquele lugar que é meu, onde passo a maior parte do tempo, feliz. Era um intruso no meu espaço, assistindo algo que fazia parte da minha vida, cercado pelos meus amigos. Te parei no corredor e de repente te dei um beijo para te colocar dentro de mim. Você retribuiu e depois me olhou cheio de surpresa, me perguntou o que (afinal) queria da vida, se fazia de tudo para te ter longe para que te ter ali. Te respondi em silêncio que você fazia parte de mim, mesmo que não quisesse, mesmo que não pudesse. Sentamos naquele sofá preto e você procurou abrigo no meu pescoço enquanto eu evitava te olhar. Acordei no segundo beijo, o mesmo que te deixou o dia inteiro, dentro de mim.

terça-feira, agosto 18, 2009

All you want


Admito, em letras garrafais, mas sem emprestar a ela grandeza alguma, ao medo que existe entrego o meu desprezo. Mas, admito, eu tenho medo, de você e principalmente, de mim. De te tocar, de sentir necessidade de você, de querer a sua presença e me incomodar com a sua falta. Tenho medo de me entregar aos sentimentos revisados e dos erros já descartados.

Mas, basta os seus olhos de novidade, a sua insegurança juvenil. Você, ali, na minha frente, me pedindo um abraço para calar as suas dores. Você me falando de-va-gar dos seus últimos dias e de como a felicidade pareceu finalmente te encontrar, até ficar ali, na minha frente, indefeso e arrependido de ter feito o que você acredita ter feito comigo. Babe, tudo que aconteceu foi também uma escolha minha, eu me prestei ao ridículo de permanecer enquanto tudo apontava para o outro lado. Logo, naquele jogo não teve polícia, ladrão ou vítima.

Tenho medo de tocar a sua pele e sentir o calor dos meus dedos se transformarem em desejo. Tenho medo de ficar perto demais. Não quero ter você para não te ferir com a minha instabilidade e nem, tão pouco, te dar a chance de ganhar pela primeira vez o meu jogo. Eu não conheço a segunda fase, a que te deixaria entrar de-va-gar na minha vida e se aventurar cal-ma-men-te pelo meu corpo.

Todas as minhas resoluções ficaram em segundo plano na tarde daquele dia que fui te encontrar nisso que você chama de casa e, eu, de Rua Augusta. Você, ali, sentado no sofá preto, com um pequeno bar ao seu lado e uma garrafa quase vazia de Jack Daniels. Você me recebeu tocando uma música que eu não conhecia, me contou que tinha feito aquela nova música, para a minha nova letra que você tocaria com a sua nova banda. Eu te lembrei que não tinha escrito nenhum música e você, com os olhos calmos, me falou que estava escrevendo naquele instante. "Era eu". Eu o que? Não sei.

Não temos nenhuma pequena garantia, nenhum pequeno segredo, só um grande desejo de sermos maiores e melhores, diferentes e simples, só uma vontade de sermos nós.


ps. o título é Dido, porque ela voltou a só representar coisas e pessoas importantes e, de quem, eu adoro lembrar.

segunda-feira, agosto 17, 2009

Countless lovers under cover of the street

Hoje, eu posso dizer que estou onde sempre quis estar, tenho um futuro pela frente com pequenas garantias e grandes possibilidades. Tenho as pessoas necessárias e pouco me importo com o que sobra. Sei para onde ir e de onde fugir. Conheço o meu fim caminhando pelas velhas estradas e enxergo novidades por onde nunca estive.

Em dois anos essa é a primeira vez que me sinto plena de tudo, não sinto medo, só uma vontade incrível de viver. É como se o mundo tivesse diminuído e as minhas certezas aumentado de proporção. Sinto dó do meu passado e esperança no futuro. Tenho doces e amargas lembranças e uma esperança ainda sem gosto.

O seu abraço é novidade, as suas palavras nunca foram ouvidas e o inédito é a minha linha de chegada. Quero o ainda nunca vivido...

um novo começo, por fim.

domingo, agosto 16, 2009

O prédio do Banespa e a cidade inteira vista de cima. O alto de uma montanha e todas as árvores aos meus pés. O alto da CN Tower e Toronto 500 metros abaixo. O telhado da bolsa e o centro de São Paulo todo misturado com o meu centro. Tudo isso e o silêncio me fazendo me sentir gigante. Como se uma outra de mim estivesse ali em baixo carregando todos os problemas na bolsa, procurando soluções na arte, sou eu sendo vista lá de cima. Distante dos meus problemas e perto do topo do mundo. A versão de mim que está no chão é engolida pelos arredores enquanto a do alto engole o mundo e encosta os dedos no céu.

Tem horas que sinto vontade de me jogar de cabeça e voltar para os problemas e outras que peço, em silêncio, que eu nunca precise voltar a pisar no chão. Mas, a hora passa, a noite chega, as semanas de distância necessárias e preciosas, acabam. Daí vem a realidade acabar com tudo outra vez. Uma hora é preciso descer e encarar os problemas, os mesmos que pensei ter deixado com a garota aqui em baixo. Doce ilusão, eles estavam lá comigo, o tempo todo.

A minha melhor amiga escreveu "porque você pode se distanciar, mas uma hora tem que descer e encarar, saca?".

Foi dada a largada...

de novo!



(o texto é todo de uma conversa com a melhoramiga)
Amizade


Hoje eu ouvi Sonic Youth e lembrei daquele festival que a gente sentou na lama para ver os caras e brincamos que aquilo parecia Woodstock.

E agora, tanto tempo depois, alguns shows e outros anos...

ainda é a mesma coisa.

sábado, agosto 15, 2009

Encontro

O meu amigo me perguntou porque não te dei a mão naquele dia que subimos a augusta conversando sobre nada em especial, dei de ombros, não achei relevante ou simplesmente não quis notar que as minhas mãos são importantes demais e longe demais do que tínhamos. Te queria sentado ou em pé na hora que o desejo dominasse os instintos primitivos, mas nunca te quis para ser meu. Gostava da conversa, da companhia, das risadas e de tudo que uma amizade poderia ter. Era uma amizade com certas vantagens no momento de carência extrema. Era estranho, mas foi bom te ter, até te encontrar e não sentir mais nada, foi mais um fim.

quinta-feira, agosto 13, 2009

Cansou de esperar

Se eu procuro querer tantas coisas é para negar que quero exatamente o que não deveria. Contrariando todos os meus amigos, todas as certezas e até você, que me diz em silêncio, que pode me salvar e acabar comigo com a mesma facilidade.

Quero um abraço inevitável como o daquela noite. Um sorriso sem jeito para rasgar o silêncio que nossos olhos criaram. "Tudo que fala é do amor, é se isolar ou se render". Já me isolei porque sempre tive medo de me render, de esgotar todas as possibilidades, de sacrificar o que me restava de qualquer coisa que não sei dar um nome.

Já fiz muito. Agora? Agora, eu quero paz.

24/05/2009

terça-feira, agosto 11, 2009

Love me or leave me


Sabe, queria te contar algumas coisas. Encosta na parede e presta atenção e só se mexe quando eu te falar que pode. Sim, pode pegar um copo e acender o seu cigarro. Eu vou fazer o mesmo, mas você vai ficar encostado me olhando nos olhos até eu te dizer que pode parar de ser assim. Pode me chamar de maluca, sim, pode me chamar de maluca. Babe, seria ridículo eu falar que escrevi até não sobrar mais nada de mim que pudesse sair em forma de poesia, porque eu não escrevo poesia, não sou fã de poesia, gosto de uns dois poetas e outros que vezenquando fazem poesia, gosto do Leminski e gosto do Bukowski fazendo poesia e das poucas poesias do Caio Fernando Abreu, não precisa me lembrar que eu gosto de qualquer coisa do Caio, eu ainda sei quem eu sou. É a primeira vez que eu chego tão longe, que te encosto na parede e exijo silêncio e te olho desse jeito, meu. Não gosto de falar de sofrimentos, a Nina Simone sofreu bem mais e melhor do que eu serei capaz e, ainda por cima tinha aquela voz de negra. Então, não vou falar algo de "i put a spell on you", nem te contar que estou tentando aprender a cantar "ne me quitte pas". Você deve se perguntar porque eu simplesmente não fico com algum deles, deve parecer ridículo, mas eu prefiro ficar só a ser feliz com outro alguém que seja conveniente. Minha felicidade é cheia de oscilações estranhas, preciso de alguém que tenha meu respeito, antes do meu desejo, parece simples? Mas, não é, babe, não é. O clima dessa noite parece exato para acabar com as meias palavras. Não, você não precisa de outro cigarro, fica quietinho, bem quietinho, os meus dedos nos seus lábios falaram mais do que o meu pedido de silêncio, né? Interessante. Faz cinco minutos que não digo nada, sim, mas é nada perto dos dois anos que você fez isso comigo. Falou, falou, falou.. sem nunca, jamais, dizer nada. Você quer me agradecer por ter acabado com os seus medos? Por ter feito você se entregar a uma aventura e por ter mudado o rumo das coisas? Oh, bonitinho, de nada. Eu, eu, eu queria só te contar que...

Sem falar nada, sai do bar e nunca mais o coloquei na parede, nunca mais olhei naqueles olhos, voltamos a ser dois estrangeiros... Já vivíamos em outro país.



ps. esse vídeo a melhor amiga gravou pra mim no festival internacional de jazz de montreal, porque ela lembrou que eu ouvi essa música sem parar uns bons dois meses, é o título do texto e uma das minhas músicas preferidas da Nina. :)
O que aconteceu nos últimos dias?

Tenho gostado cada vez mais do silêncio embora esteja vivendo dentro do caos. Me recolho a um canto enquanto todos rodam no centro da sala, me visto para passar por mais um dia e, me apresento pontualmente a cada obrigação. Tudo que sentia foi congelado, está mudado, estava errado; dentro da minha falta de regra nenhum dos últimos acontecimentos fazia o menor sentido. Embora não seja difícil me encontrar em um bar qualquer da augusta, as minhas certezas tem cheiro de naftalina. Preciso de certos momentos, de certas palavras, de certo carinho. Preciso viver o ontem para que o meu amanhã faça um pouco mais de sentido.

Queria algo guiado a puro e simples desejo, sem cobranças, sem a necessidade de se encontrar no que eu escrevo. Alguém que entendesse que as relações da vida real não podem ser escritas para não estragar o acaso. Todas as pessoas que admiro morreram sozinhas porque trocaram a companhia pela arte, viveram e morreram para produzir seres inatingiveis. Eu não posso ser assim, apesar de gostar das palavras, não quero segurar um livro no leito de morte. Quero a vida. Quero sorrir sem uma razão aparente. Quero viver e cantar bem alto em um lugar com luzes vermelhas. Eu quero voltar no meu lugar de sempre...

Quero visitar aquele velho sobrado da Bela Cintra e me sentir em casa.

domingo, agosto 09, 2009

Domingo

Quero sentir essa paz aos domingos. Essa ausência de mim e a união perfeita do acaso com o meu dia vivendo a preguiça do que passou. Quero ler mais alguns desses livros que tem frases perfeitas. Quero me sentir plena de tudo mesmo quando não tiver nada. Quero a perfeição do improvavel enquanto te pego em alguns momentos, preso, na minha lembrança. Quero escrever o roteiro da nossa história. Te sequestrar em uma tarde para te mostrar como vejo a vida. Te levar para experimentar o melhor sorvete de cupuaçu da cidade e discutir os pontos mais simples das histórias mais complexas.

Depois, quando todos estiverem dormindo, te mostrar a vida de dentro dos meus olhos enquanto vejo a vida de dentro dos seus. O instante exato que acabam as promessas, os medos e os pensamentos somem.

É o começo do fim.

Enquanto isso: te sinto cada vez mais longe e sinto que volto cada vez para mais perto...
Descansa...

eu sei que poderia ter alguém como você. alguém que pense como a pessoa com quem passaria noites inteiras pelo prazer te ter por perto. alguém que falasse sem medo dos dias vividos e que sonhasse com novos horizontes. você sabe que eu poderia usar alguém.

não seria difícil encontrar alguém que soubesse tudo que você sabe, falasse todas as suas línguas. quem sabe alguém com menos cabeça e com um jeito diferente. alguém que aceitasse ser meu e, por entrega, fosse simplesmente sua.

não sinto falta de você como uma presença. sinto falta das conversas no ritmo da sinceridade. agora, será que você foi uma doce invenção da minha cabeça esse tempo inteiro?

odeio ver você inalando felicidade para pertencer a algum lugar. odeio ver você se adequar. odeio ver você sempre repetir frases feitas para tentar justificar alguma coisa que você não deveria explicar para mim. odeio o jeito como te odeio por um dia inteiro e quase nada nas horas seguintes.

as noites que você considera vida, eu dedico ao sono. os dias aos quais você se entrega, eu desfaço a rotina. e nesse desencontro, me encontro em um lugar onde jamais estive.

Cansei de tanto procurar
Cansei de não achar
Cansei de tanto encontrar
Cansei de me perder

Hoje eu quero somente esquecer
Quero o corpo sem qualquer querer
Tenhos os olhos tão cansados de te ver
Na memória, no sonho e em vão

Não sei pra onde vou
Não sei
Se vou ou vou ficar
Pensei, não quero mais pensar
Cansei de esperar
Agora nem sei mais o que querer
E a noite não tarda a nascer
Descansa coração e bate em paz
Nara Leão


ps. texto baseado nesse texto. na música "use somebody" do kings of leon. e na música "descansa coração" da nara leão, só que na voz da fernanda takai.

sábado, agosto 08, 2009

SEIS

São 180 dias sem te contar, todos os dias, como me sinto. São 4320 horas que em nenhuma delas tive a sua presença. Mas, mesmo que a distância seja enorme e eu precisasse de um dia inteiro até chegar aí, minha vida nunca saiu de perto da sua. Você sabe que eu já não sou mais apaixonada como fui, conhece os meus medos mais escondidos, sabe das minhas aventuras mais inacreditáveis.

Quando você voltar vamos ter que ir a tantos lugares, teremos que ter tantas tardes de conversas. Continuaremos sem deixar nada interferir na nossa amizade. Quero te contar os detalhes e não só os fatos consumados. Quero ouvir os seus detalhes, guardar as suas histórias, porque a minha memória temporal sempre foi bem melhor do que a sua.

Já se passaram 6 meses, você tem mais 6 para fazer tudo caber e preencher ele de experiência. Quero encontrar no aeroporto alguém muito maior do que levei. Quero chorar de felicidade dessa vez. Quero o abraço que mais me fez falta nesses últimos tantos dias. Melhor amiga, soulsister, gordinha, irmã que escolhi para chamar de minha, são só mais seis meses.

quarta-feira, agosto 05, 2009

a visita

do lado contrário, andando na contra-mão, contrafluxo, contra-regra. a favor do instante, do momento agora, das ruas de duas mãos, da falta de regras.

queria me fazer verdade dentro do seu sorriso. saber o que dizer sempre que você me acusasse das mesmas coisas de antes, eu, que nunca neguei nada nem por um instante.

te vi partir sem querer te conter. acordar com você ao meu lado foi estranho, não reconheci nas suas costas a proteção que sempre notei em silêncio, a sua respiração estava fora do ritmo que encaixávamos nossos desejos. você era um fracasso e eu, uma insistente.

achei que reconheceria o fim antes dele congelar as expectativas, deixaria uma brasa morta, mas ainda existente. mas, o que sobrou foi pó, mero resquício de uma chama.

o maior perigo sempre foi a ligação quase infantil a qual me entreguei para estar ao seu lado, nunca senti nada além das coisas em comum que ligassem os nossos pontos, eram pensamentos parecidos que pareciam terem sido moldados para ser seu. eram sempre os seus filmes, os seus livros, os seus lugares. era tudo tão seu, só seu. eu, sua, só sua.

tudo assim... até aquela noite de lua cheia que deixou um visitante na manhã seguinte. era o fim, eu sabia.

segunda-feira, agosto 03, 2009

someone like you, and all you know, and how you speak

tantas palavras gastas para te mostrar que o silêncio seria muito mais valioso, que a falta de palavras entre um acorde e outro é o que dá ritmo a poesia do nosso cotidiano. pontos fracos variados, espalhados, perto de você ficou um, a sua capacidade de me fazer mudar algumas decisões, dessa vez, não. decisão tomada para facilitar o inevitável, essa não se desfaz porque não existe coragem em você e quase nenhuma força em mim.

domingo, agosto 02, 2009

do you believe in what you see?

Nunca lidei com começo, meio ou fim. Sempre percebi que o destino escrevia dentro do seu próprio ritmo e que haveriam paradas obrigatórias, pessoas que atrapalhariam os passos da minha felicidade mas, que, seriam necessárias para fazer do meu futuro algo menos conto de fadas. Não guardo mágoas mas, concedo a mim o direito de não gostar de todo mundo, de ser chata e particular, me faço assim para os outros enquanto permito a alguns conhecerem uma garota que não sabe onde deixar a vida. Minha falta de regras é o meu bilhete de ida para lugares onde jamais imaginei estar.

Um beijo seu carrega a surpresa de uma música desconhecida, sem letra, só uma melodia leve que embala o corpo para chegar a um lugar além do que imaginamos, planejamos, quase um risco que jamais assumimos. Será obra do destino te fazer poesia?

Já não sei o que se passa aqui, não consigo desvendar os meus sentimentos, nem entender os meus pensamentos. Tudo tão misturado com a vontade que apareceu, assim, de repente.

Enfim... uma nova fase.

ps. o título é zero 7 (in the waiting line)

sábado, agosto 01, 2009

25 minutos

Lembrei do jeito como cada beijo seu me dava mais palavras e, de como quando eu encostei a cabeça na parede enquanto te fazia imóvel e você colocou mais palavras em mim. Acho que tenho um quê dessas mulheres dominadoras de filme que ao mesmo tempo preservam a doçura das músicas de garotas.

Gosto do falso controle, da respiração falha, do ato reflexo de cada gesto. Foram me dados 25 minutos para te fazer ficar comigo, cada minuto gasto com palavras seria um a menos, cada segundo gasto com explicação seria descontado no meu arrependimento. Talvez, te colocar contra a parede fosse um bom jeito de aproveitar o tempo, só que por pura sacanagem, escolhi outra coisa.

Te levei em um dos prédios mais altos da cidade, um restaurante charmoso com um sundae de chocolate maravilhoso, era tudo que tínhamos para viver naquele tempo, um sorvete. Você gastou 10 dos nossos 25 minutos com ele. Durante cinco você olhou a cidade do topo e disse que naquele momento se sentia gigante. Foram mais cinco até voltarmos ao ponto de partida, o carro, que acabaria com o meu tempo. Os últimos cinco foram de silêncio presos a um beijo longo, carinhoso e forte. No último minuto dos meus vinte e cinco, você me pediu para ir com você, para sempre, mesmo sem saber quanto tempo teríamos até lembrar que o "para sempre, sempre acaba".

Depois de 25 minutos tínhamos o fim de uma espera de dois anos e o começo de uma história sem prazo de validade. Talvez o amanhecer, o ano novo ou quem sabe... muito mais.

sexta-feira, julho 31, 2009

there's a tangled thread inside my head with nothing on either end

Essa solidão dentro de uma terra habitada por tantas pessoas que fariam como um favor ao mundo somente em: sumir. Pode ser tão estranho e, eu sigo iludindo tantas pessoas com a minha presença para não assumir que é melhor assim. Não penso nas consequências de nenhuma das minhas escolhas para evitar me sufocar entre novas possibilidades. Encarar o fim não parece ser uma opção válida, não encontro nada que seja confortavel nos sábados frios e nos domingos sempre tão tediosos, por medo, continuo.
De novo

O que a distância faz? Eu posso estar feliz e você não vai saber, mesmo que não estivesse quando você partiu. Posso pensar em tantas coisas novas, ter resoluções mirabolantes, traçar planos e precisar de alguém que discorde do jeito exato que você faz. Posso fazer mil coisas e conhecer outras milhares de pessoas. Posso encontrar em um novo sorriso as chaves do desconhecido.

Eu nunca te contei, mas queria ser importante e não, necessária. Nunca contei que o meu medo era cheio de orgulho. Que o meu cansaço era muito mais físico do que emocional, você nunca me cansou nesse sentido. Os meus pensamentos estão amontoados e fingem se comportar. A insegurança está descartada por decreto e a realidade nua. É tudo novo, de novo.

São Paulo, 19 de julho de 2009

quinta-feira, julho 30, 2009

Nobody does it better


Quando você apareceu hoje a noite estava mais bonito, o frio te faz muito bem, posso sentir a elegância se transformar em música nos seus ouvidos. Você sempre teve essa mania de falar em palavras, músicas, letras, confundir arte com a realidade só para nunca me falar nada diretamente. Como fui terminar dessa vez onde comecei?

Tenho vontade de enfrentar cada um dos meus medos para te ouvir sussurar as verdades no meu ouvido. Eu seria louca se fosse incapaz de seguir as suas instruções, o ritmo da sua respiração é exatamente o necessário para ordenar essa orquestra de sentimentos malucos. Você constrói um castelo de cartas só que as suas mãos seriam mais habilidosas longe de tanta instabilidade. A sua construção é quase infantil, cartas são frágeis demais para se manterem por muito tempo. Não adianta trapacear usando uma estrutura qualquer, não adianta procurar formas de transformar pequenas cartas em grandes feitos. Pode até ser divertido e você decidirá construir mais algumas vezes depois que a primeira cair, a insistência sempre foi uma virtude, mas a paciência nunca te acompanhou.

Desculpa, estava falando do frio e de como você fica muito mais elegante nessa época do ano. O seu nariz vermelho é o diferencial que ninguém nunca percebeu. É nessa época que todas as suas particularidades são aquecidas com as farsas do cotidiano. Tudo sempre igual, os domingos e as manhãs. Queria te contar que aprendi a fazer um chocolate quente diferente, vou esconder para sempre a receita só para você imaginar como será acordar com o cheiro dele pela casa, talvez, quem sabe, te mostre, em segredo, um dia.

Pequenos segredos em uma vida constantemente mudada pelo ritmo das músicas. mais 15 passos!



ps. o título é um cover do Radiohead, um link pruzamigu.
Luz... (ação!)

Já fui muitas coisas. Desempenhei alguns papéis, declinei de outros, cobri alguns personagens, improvisei e decorei a marcação para que alguém soubesse exatamente onde a luz me encontraria. Já fui de um (quase) tudo. Bebi horrores e esqueci da noite anterior. Já visitei hospitais, fui em orfanatos, subi um morro. Já me apaixonei e fui correspondida. Já me apaixonei e nunca soube ao certo como seria. Já estive em alguns dos lados, mas você, me colocou em um novo. Só que o meu personagem pede que eu seja egoísta, que observe os tolos e seja como um deles. Uma oficina ingrata da vida real.

Visitei o meu passado para encontrar algo parecido, revirei as lembranças, arrastei uns móveis para encontrar umas anotações que preferia ter perdido. Achei a forma como é esperado que eu desempenhe o meu papel e, achei de extremo mal gosto te fazer sentir desse jeito. Desculpa, mas não cabe mais ninguém. Os papeis estão completos, o figurinista maluco com algumas mudanças e encaixar mais um personagem vai ser impossível. Essa parte da história terá que ser cortada. O papel de egoísta me faz sentir mal, tenho que te informar, será necessário limitar a arte para continuar a vida. Preciso recusar desempenhar essa figura para que possa, sem arrependimentos, continuar onde não deveria estar.

Você poderia ser meu fim, mas não pode ser assim, por respeito a tudo que (ainda)...





(algumas) decisões já foram tomadas
Mãos

"Por que você não fica?
Porque não quero que você deixe de me amar."


É a convivência que mata as relações? É a rotina? É o conforto? É a falta de surpresas, os domingos, o tudo igual outra vez?

Fico pensando em como gostaria de te ter. Sem responsabilidade, sem compromisso, sem cobrança. Queria que fosse uma necessidade mútua, quando as mãos dadas não fossem mais uma ligação suficiente. Nunca contei para ninguém que, para mim, mãos dadas podem ser um contato maior do que um beijo. Quando a força do outro fica ao seu alcance, o nervosismo é denunciado por dedos trêmulos, o carinho é trocado enquanto os dedos fazem uma dança leve e as mãos quase soltas são recuperadas em um aperto necessário. É quando as mãos já denunciam o silêncio que os olhos se encontram e, as bocas desfazem o riso para se encontrar. Só alguém completamente desconhecido notou e calou todas as minhas teorias com um beijo.

(não é fielmente o começo do texto mas tem uma coisa muito parecida na peça "a noite mais fria do ano" do Marcelo Rubens Paiva)

quarta-feira, julho 29, 2009

Sinto falta de andar pela Augusta para te encontrar naquele mesmo café de sempre, com o mesmo sorriso, esperando paciente para ouvir as minhas histórias.

ou

Sinto falta de te ver chegar com uma sacola cheia de discos, falando que tava tudo super barato em uma promoção naquela loja lá do centro e, por isso, você demorou um pouco. Lembro das suas histórias absurdas, mais parecidas com um roteiro de filme que sempre me faziam sonhar e, de você me pedindo para usar os compartimentos.

Sempre achei a sua invenção dos compartimentos a coisa mais inteligente, mesmo que eu nunca tenha me esforçado o mínimo para aprender a usar, o equilíbrio está no jeito como sentimos e pensamos as mesmas situações de formas diferentes.

Queria te contar algumas coisas, uns detalhes que ficaram guardados na correria dos fatos, algumas verdades e outras coisas que estão na minha imaginação. Na verdade...

Queria te esperar no mesmo café de sempre.

segunda-feira, julho 27, 2009

What's happening to my head and to my dreams

Queria te ligar para desejar "boa noite". Já é quase madrugada e eu coloquei o cd de uma banda que perdi, alguma coisa aconteceu na noite que eles resolveram vir de tão longe tocar na cidade, quase para mim. Perdi o show e agora a voz deles, junto com a melodia triste, me lembram um momento que não vivi. Ou talvez seja só a distância misturada a língua diferente mas também compreensível.

Vivemos falando línguas diferentes que o outro também entende. Você se arrisca em outros pontos, eu coloco mais vírgulas, procuramos pausas para deixar essa história, calma. Como se empurrássemos ao máximo um novo paragrafo. Sabemos, mesmo que nunca cheguemos de fato a admitir, o que provocaria mais uma linha. Penso em como você responderia a um impulso e afirmo que de todas as músicas, só a melodia da sua respiração me importaria. Trocaria todas as palavras pelo seu olhar surpreso e complexo. E, só então, um novo paragrafo, com menos pontos e vírgulas começaria a ser escrito, com fatos para substituir sonhos.

Esses dias lembrei de um abraço em um dia frio, não lembro do dia, da circunstância, livre de detalhes, eram só braços firmes em uma noite esquecida. Minha memória anda se recusando a te manter por perto, os dias enganam a ausência com obrigações e os outros mantém minha cabeça ocupada com cobranças.

Por que ainda? Por que assim? Por que (não)?

domingo, julho 26, 2009

Pequeno

No meio de tanta luz, tanta gente aparentemente tão feliz, eu me perguntei em silêncio quando alguém me fará ter vontade de sair dali. De me fazer parar. De trocar tudo para estar só a seu lado.

Alguém que faça um apartamento vazio estar completo porque a sua presença preenche de paz cada um daqueles cantos. Alguém que me fale que estou errada quando estiver e não tenha medo de dizer que estou certa. Alguém que me cale com um sorriso simples. Quero alguém que descubra como desvendar o meu corpo e não ande sempre pelo mesmo lugar, como aqueles que não sabem o que fazer e por segurança nunca saem do mesmo. Quero alguém que tente fazer outras coisas, que se aventura, que grite se tiver vontade de gritar, que não tenha com os pudores um contrato reconhecido em cartório, só um acordo verbal que podemos mudar com o escuro das noites. Quero algo diferente...

Não sei do impossível mas, o possível, está cada vez menor para mim.

sábado, julho 25, 2009

This modern love

Talvez eu esteja perdida em um lugar que já estive. Perdida porque o caminho já descoberto não me interessa e refazer a rota me levará ao mesmo lugar, onde descansei e não pretendo voltar. Talvez falar seja um jeito de acabar com a dúvida. Talvez ouvir o silêncio seja um jeito mais eficaz de encontrar palavras.

Não se ofenda se eu parecer cada dia mais ausente, continue a me mostrar os fatos, me mostre como está desse lado da vida para que eu tenha uma luz para onde caminhar ou de onde me ausentar. Continue me fazendo rir. Não sei o que é bom para mim, apenas porque não sei muito bem onde estou, para onde vou, o que vou encontrar. Talvez se você for mais exigente, possa me fazer sua.

Ao que estamos resistindo? Por que tanto medo em algo que não precisamos pensar no depois? O que falta para um agora?


Do you wanna come over and kill some time? Throw your arms around me.



ps. o texto é inspirado na música (do título) do Bloc Party, que é uma boa banda gravada e uma péssima banda ao vivo.

sexta-feira, julho 24, 2009

[susi] 27/07/2008
[death cab for cutie]

Someday you will be loved

Quando conheci você nunca imaginei que um dia fosse usar da minha fraqueza para te deixar. Você era o garoto com a verdade que os outros omitiam. Enganava os espectadores da vida com aparente inocência enquanto guardava para mim os seus segredos e vontades escondidas. Uma alma curiosa. Minha alma.

Naquela manhã tudo parecia demais. Os seus olhos brilhavam, as suas mãos encaixavam perfeitamente na minha, o seu toque era o meu, juntos formávamos uma melodia leve sem testemunhas. Fazer dos momentos, poesia, sempre foi a especialidade dos seus olhos. Mas era demais ficar.

Não posso fingir arrependimento, cada coração partido se remendará e um dia alguém te amará como amei. Como você nunca soube que seria amado. E as nossas lembranças poderão parecer mais sonhos ruins. Talvez você nunca vá entender os meus motivos e nem tão pouco posso te explicar.

Se você se sentir sozinho quando estiver adormecendo, olhe para o céu, procure a estrela mais brilhante, estaremos nela. O seu coração pertencerá a alguém que ainda está para conhecer e nesse dia será amado com a força que eu não pude te entregar. Mesmo que tenha amado cada doce palavra sua. Cada um dos mil momentos que chamamos de um. As músicas que desenharam nossa trilha.

Enganando as palavras e iludindo o futuro, te deixei com um bilhete, que dizia:



Na verdade,
tentei te deixar...
A resposta do rei

As minhas mudanças parecem abrir uma nova estrada, onde nunca estive, onde nunca imaginei estar. Cansei de cuidar dos outros. Cansei de tentar imaginar rotas perfeitas. Cansei de segurar cada uma das minhas vontades para não ferir as expectativas das pessoas que nem ao menos me conhecem. Mantenho a minha vida perto dos que estão próximos a mim, gostos e gestos parecidos já me interessam. Cansei de ficar do lado de lá, onde estão os apenas diferentes. Cansei das pessoas que pensam demais em coisas de menos.

Fui tão frágil perto de quem prometi manter distância e criar limites. Naquele momento era como se cada uma das resoluções pensadas não tivessem sido difíceis de encontrar, uma vez jogado tudo para o ar, a bagunça se refaz. No fundo as decisões valem o instante do agora e a falta de explicação do que me faz agir. Engraçado observar as suas reações inesperadas e, notar que, a sua inocência é encantadora de uma forma pura, quase boba, de um jeito que ainda te faz conservar algo raro no olhar.

Sigo nessa estrada com a resposta da majestade ao coelho.

- Comece pelo começo - disse o Rei, com ar muito grave - e vá até o fim. Então pare.

(e, só então, pararei... até lá, não sei onde, não tenho pistas, não tenho rota, bússola ou mapa... não tenho medo)

quinta-feira, julho 23, 2009

When I feel the unknown

Eu não sei o que aconteceu com o sentimento, não diria que ainda sinto, porque acho que isso ficou algumas ruas atrás. Ficou essa vontade de ser verdadeira sem garantia nenhuma de que posso esperar isso de volta. Ficou essa incerteza. Ficou essas pequenas mudanças. Ficou o pouco caso misturado a outra coisa que não sei identificar. Ficou essa coisa estranha que parece boa.

Claro que ninguém entende os meus motivos e de forma alguma algo justifica a confiança (talvez desperdiçada). Não espero resquícios de compreensão, não procuro formas de aceitação, me importo muito pouco (quase nada) com os outros. Vivo a minha vida seguindo uma política que criei para tentar ser feliz, sigo sempre guiada pelas regras que o acaso me impõe.

É o segundo que antecede o beijo. São os desvios contínuos do olhar para não encontrar no sorriso uma chave para um lugar desconhecido. É uma coragem cheia de medo, diferente da que encontro na ausência de sentimentos, talvez sentir seja todo o problema dessa equação com resultado simples. É o começo que escreverá o fim. Será tudo uma questão de um passo?


ps. título é zero 7.

segunda-feira, julho 20, 2009

Don't explain



Quantas vezes eu esperei que fosse ser diferente? E, então, bastava uma mera oportunidade para você me provar que agiria sempre da mesma forma e que pouco importava algo combinado. A proximidade com o cinza da alma de outra pessoa deixa a sua com uma cor desinteressante. Começou naquela palestra que eu queria tanto assistir, afinal, é da pessoa que faz tanta coisa ter sentido, é a pessoa de quem compro livros, leio colunas e me emociono ao pensar que tudo é sempre possível, combinamos que ninguém iria caso as obrigações não estivessem concluídas, você foi. Não devia ter me preocupado e, depois, jamais ter esperado nenhuma promessa sua ser cumprida.

Mas, daí eu te pedi aquilo que jurei ser o último, era simples demais, sinceridade, era só um sim ou não, era só a verdade. E, de novo, você não fez, não quis, não se importou. O que eu senti sempre te pareceu muito pequeno e você nunca teve o menor cuidado. Agora, é a sua vez, é assim que vão tratar os seus sentimentos, você vai ser a salvação momentânea, a droga necessária, as necessidades, o aconchego oportuno, as palavras certas para acalmar os pesadelos. Você vai ser algo que estará ali quando for preciso, como eu estive milhares de vezes e como alguém também está.

Quero, de verdade, que você possa ser feliz sem se entorpecer. Que você tenha conversas esclarecedores sobre coragem e amor. Que você encontre caminhos para se sentir maior, talvez arte, literatura, cinema ou apenas um trabalho incrível. Torço diariamente para que você descubra o valor das pequenas relações. Entenda, em silêncio, que pior do que uma verdade é sempre a omissão. Adoraria que você aprendesse com a raposa que somos responsáveis por aquilo que cativamos.

Quero, torço, adoraria que... Mas, não espero nada de você.


ps. o título e a foto são Cat Power, a música é um cover da Billie Holiday, que a Chanzim canta lindamente.

domingo, julho 19, 2009

"só queria te dizer que..."

Quando subo no alto de um dos prédios mais altos dessa cidade me sinto gigante, como se pudesse lá de cima mudar as peças de lugar, diminuir tudo para deixar o céu ainda mais visível nessa selva de pedra. Não sinto medo e nem uma falta inexplicavel que se abriu com a sua ausência. Nunca achei que de fato você importasse, às vezes era incomodo te sentir por perto, ali o tempo inteiro, quase como uma certeza. Sempre soube que não podia te pedir para ficar e mesmo do alto do prédio, uma gigante não consegue ser maior do que as suas certezas.

Você falou comigo como nunca antes. Organizou todos os pensamentos para deixar evidente que haviam erros meus, por mais que você sempre tenha feito questão de segurar a onda...

Você fez de toda história um dos seus textos sem final.


ps. o título é de "para uma avenca partindo" do Caio F.
Ainda é muito cedo para desistir, o sol vai nascer amanhã dentro dessa cidade cinza e os prédios escondendo toda a natureza desse lugar vão me lembrar que o melhor está guardado. Então vou me levantar, pegar a minha bolsa, escolher uma roupa, ser meio garota, meio mulher, encontrar novos lugares para sonhar e novos sonhos para desfazer o passado. É preciso coragem para começar em um novo lugar e força para se livrar do que não serve mais. Quero ser importante e não, necessária. Quero que as minhas ideias sejam ouvidas, consideradas, avaliadas e só então, talvez, descartadas. Quero ouvir as minhas músicas sem ninguém dizer que elas são estranhas ou ruins. Quero escrever os meus textos sem ninguém se encontrar neles.

Quero (re)começar.
Sabe, eu ia para o Rio, ia viajar, ia mudar de ares, ia congelar todas as minhas lembranças, lidar com a falta real, ia colocar entre as certezas milhares de km. Ia voltar com um presente bem insignificante para você (assim como tudo que te dei). Ia mudar, ia fazer mil e duzentas coisas... Adiada a viagem e as outras coisas?

"Não andei pensando muito sobre o tempo que passou. Acho que isso é até bom, não é?
Tô com sono, cansada do trabalho, mas just a little bit feliz por ter terminado aquele parto.
Sei lá, continuo na mesma...
Tô com medo.

Não andei pensando muito sobre o tempo que passou desde que nos... enfim... e mesmo que tenha ficado tudo resolvido, não sei se eu voltarei a quebrar palitos de dentes na sua frente, ou tentar inutilmente colocar as folhas do cardápio em ordem. Talvez eu fique embaralhando postais iguais várias e várias vezes até que se misturem. Mas são iguais, né?
Acho que vai ficar aquele silêncio de novo, claro, não temos o que falar! Até me incomoda o seu jeito de não se conformar com um aceno e um sorriso de longe. Aquela sua vontade de tentar ir contra o que é natural: não temos mais nada para conversar.
(Será?)
Mesmo assim fica uma dúvida: será que eu vou ficar... é... assim... tensa daquele jeito? Será que eu temo uma reação sua ou... é... assim... uma reação minha? Não sei se o tempo conseguiu congelar tudo aquilo de uma vez por todas e acho que o que mais temo é você. Desculpe.

Que injustiça! Colocando a culpa em você! Desculpe! Não quero que você fique chateada comigo, mesmo. Mas nunca vi ninguém assim, digo, com tudo tão a flor da pele, mas tão a flor da pele que pode extravasar a qualquer momento. Não sei se para você o tempo congelou tudo isso e se você vai ficar tensa ao falar comigo, se você vai tremer, gaguejar e fugir dos meus olhos como sempre. Calma! Não estou pedindo que faça o contrário... é... assim... eu sei lá.

Assumo que sou curiosa em relação a isso, digo, ao que está dentro de você. Uma parte de mim quer que você esteja completamente curada e a outra parte, sem motivo concreto ou algum que eu saiba explicar, quer que ainda hajam resquícios daquele tempo, passado, ontem, ano passado.
"

Um texto da garota de dezesseis anos (mesmo que agora ela já tenha mais) que escreve melhor do que eu.

segunda-feira, julho 06, 2009

E as noites cada vez mais limpas

Em poucas horas você passou fazer parte da semana seguinte e dos outros dias inteiros. Foram poucos minutos entre a gente que não sei muito bem como começaram, porque aconteceram, você foi um desafio que eu comprei para mim, uma verdade que eu quis inventar naquele bar com luz vermelha. Você me dizia que aquilo era uma merda porque não podíamos, não deveriamos, não era o certo. Nunca fui muito de certo e errado e, nem tive tempo de te contar isso. Você me disse várias coisas quando estava indo embora, lembro de você virando a rua do bar, você anda de um jeito meio infantil, como eu ando. Talvez você marque o meu desencontro. Mas, foi no seu encontro que percebi o quanto deixei outros passarem. E, o quanto precisava me libertar de coisas mal resolvidas para resolver o presente e acreditar no futuro.

Não foi a sua beleza que me chamou a atenção. Foi o sorriso, a forma como você dançava e parecia acreditar na vida e não deixar ela passar entre os seus dedos. Foi a sua liberdade quando levantou os braços em uma música que você parecia gostar muito, que me fez ter certeza que você seria meu, dali aos próximos minutos esperei até a hora certa de sentar no palco. Então você veio e pegou na minha mão me convidando para dançar; continuei sentada, falei uma besteira qualquer então você me calou com um beijo. Mas foi a sua mão quem disse mais de quem você é, o jeito firme como você me segurou, mesmo que naquele momento eu estivesse namorando e não era você. E, mesmo que naquele momento você também estivesse com alguém e, não era eu. Um erro que gostaria de repetir... Só que infelizmente mal sei quem é você.

Quem sabe em outra noite, naquele mesmo bar, eu não repita o erro do desencontro e possa te encontrar, dessa vez: inteiros.


Eu já fingi ser muito melhor
Eu já aprendi ser pior
Mas sem mentira
Eu já fingi muito melhor
Eu já aprendi ser pior
Mas sem mentira

Só de viver no seu mar
De merecer seu olhar
Seu beijo todo dia
E as noites cada vez mais limpas

Quando eu me vi no seu cais

terça-feira, junho 30, 2009

What can I do?

Uma noite dessas vi um sonho colorido se desfazer em realidade. Você levantou e foi até a mesinha pegar uma folha que eu tinha deixado lá, largada, esquecida ou substituida pela sua presença. A sua ausência me fazia poesia. A sua presença era uma crônica diária, quase uma fábula com uma moral infantil no final.

Você pegou a folha, leu as primeiras linhas, sentou e terminou a minha história. O seu final era feliz...

Nós éramos felizes, mas nunca percebemos, quase foi o fim. Mas, você o substituiu com um beijo roubado com a força do desejo reprimido.

As formas do seu corpo do tamanho exato das minhas mãos... Mas, eu já não podia, não agora, não assim... Não mais.
Maybe not


E a cada novo dia aprendo mais sobre cada vez menos. Os dias são diferentes porque cansaram de ser iguais. Atendo o telefone por impulso, repasso na minha cabeça os pedidos, o carinho, a dedicação e a forma como ele me diz coisas bonitas. E, nada disso parece ser o suficiente para finalmente te...

sexta-feira, junho 26, 2009

One day



E todas as vezes que chego até a porta, quando me esqueço de como o seu jogo me fascina, como os seus lábios me mostram caminhos por onde nunca caminhei. Te encontro parado com um livro não lido. Uma verdade não dita. Te vejo vestido de nãos, pedindo em silêncio para te colocar na parede e pedir mais um... O único que você me negaria. A sua falta de palavras me diria tudo que sempre quis ouvir. Era o fim e o começo, enfim.

Você, parede, sim?



ps. tenho uma música nova favorita da Alanis, Incomplete.

quinta-feira, junho 25, 2009

Eram duas pessoas dessas que vemos por aí andando, conversando, sorrindo, maiores e melhores juntas. O colorido e as certezas dela, a razão que ela aprendeu a viver e ensinou para ele que era interessante ser assim. As dúvidas e as emoções dele que ele mostrou para ela serem necessárias existir. Se completavam com a seriedade das diferenças.

Eram dela os livros falando de amor e dele os filmes. Eram dela as canções falando de dor e dele as letras. Era dela a razão aparente e dele a emoção visível. Eram, os dois, resultado dessa mistura.

Se encontravam em noites frias, sem se procurar em um abraço, sem notar que o desejo era evidente...

Será que graças ao tempo... um dia depois já é tarde demais?

quarta-feira, junho 24, 2009

Pequenos prazeres

Foi engraçado ver o tempo passar diante dos nossos olhos enquanto nos perdíamos em planos. Um fim de tarde em um lugar longe daqui talvez fosse o suficiente para transformar os nossos dias em novidade. Uma noite na nossa cidade transformando as palavras em silêncio talvez pudesse mudar a nossa história. Encontraríamos o ritmo perfeito e o equilíbrio do desejo. Todos foram feitos para encaixar perfeitamente desde que a preocupação com o próprio prazer seja proporcional ao do outro. Claro que os papéis se invertem, se desfazem, são interpretados no ritmo da respiração. Espero alguém que eu queira ter com a urgência do agora... Uma novidade, enfim.
because i can't help wonder why you ask me

O que ainda resta do passado é uma vontade reprimida, um carinho contido, um beijo que parou nos lábios. Não quero mais o romantismo literal, prefiro o abraço apertado, o encontro desencontrado das nossas mãos. O romantismo fica mais interessante em atos do que em frases soltas.

O romantismo está em alguns livros que gosto de ler, em filmes que gosto de ver, em pequenos detalhes menores do que tudo que um dia usei... O romantismo é pouco, muito pouco.

ps. o título é Alanis... denúncia de que sinto falta da sis.

segunda-feira, junho 22, 2009

You could be happy

Sempre soube que você poderia estar feliz sem que eu soubesse. Ou que estivesse precisando de algo sem ser eu ali te falando coisas legais ou te mostrando como você pode fazer tudo errado e mesmo assim as minhas certezas não se movimentariam um milímetro. Sempre soube que seria você, era você que mudaria a minha vida quantas vezes ela permitisse mudar, era o seu abraço que deixaria o vazio de lado e o nosso amor seria sempre mais do que a nossa pele.

Tantas coisas que não queria ter dito ao te ver partir e, outras que minha racionalidade sempre encaixou no lugar de proibido, você sabe que na minha cabeça tudo sempre teve que ter lógica e nunca fez parte dos meus planos te deixar. Tudo foi mais forte e maior do que era possível aguentar, os problemas pareciam não encontrar soluções reais, estar ao seu lado tinha um peso maior do que eu achei que poderia segurar mesmo que os meus melhores dias fossem ao seu lado.

Será muito tarde para te lembrar de como éramos? Dois adolescentes fazendo planos grandes, dois sonhos em caminhos diferentes, duas vidas próximas e separadas pelas metas. Eu me sentia maior com você por perto, a sua inteligência, as suas piadas certas, as suas manias e os seus defeitos pareciam parte de um pacote grande que sempre gostei de admirar.

A maior parte do que lembro daquele dia tem a luz do pôr-do-sol, as suas lágrimas lavando o seu rosto, o seu sorriso escondido enquanto me contava algo que mudaria as nossas vidas para sempre. E tudo que lembro me faz querer ter esse momento agora para te impedir de sair por aquela porta.

Você pode estar feliz e eu espero que esteja, você me fez mais feliz do que eu jamais fui. E quando penso em fatos, tento pensar que pelo mais curto espaço de tempo, isso não é verdade.

Você escreveu o nosso ponto final em uma conversa durante uma tarde chuvosa de um país que não conheceu nossa história. E, agora, depois de tudo isso, você vai casar e não é comigo.


domingo, junho 21, 2009

I Will Possess Your Heart


Era como se eu vivesse em parte nenhuma e toda parte fosse minha. É estranho se sentir estrangeiro em um país que me ensinou a sua língua, me emprestou seus costumes, escreveu páginas da minha história. Andava olhando para os lados dentro dos aviões, no metrô, corredores frios sempre tão impessoais. Minha cabeça vagava para algum lugar onde estive alguma vez, era essa procura por uma sensação já vivida que me fazia mudar, visitar campos com flores amarelas, dormir em hóteis baratos, andar ao lado do Rio Sena, visitar igrejas, acender velas e ouvir música alta enquanto fecho os olhos a procura de algo.

As luzes sempre foram um encontro, subia mais alguns andares e parava em frente de letreiros sem nada entender, os meus caminhos não conheciam um rumo, estava solta e grudada nas lembranças. Estava guiada pela liberdade e segura dentro de mim. Não falava, não gritava, não sorria, no máximo olhava com vazio a procura de algum olhar desconhecido que me mostrasse a luz.

Li alguns livros enquanto o trem andava. Subi inúmeras escadas a espera de alguma delas me levassem para um lugar menos óbvio do que só para cima. Olhei cada vez mais alto.

Queria poder enxergar o nosso potencial de sermos um. Escrevemos a nossa história em uma língua que não conhecemos, procuramos nos dicionários definições melhores para amor do que as que fazemos existir. Talvez devesse parar de pensar em como tudo isso é só um erro e te dar a mão enquanto andamos por um desses lugares que fazem de nós apenas dois estrangeiros. As nossas piadas ainda se encaixam, o seu sorriso ainda é o mesmo, o seu jeito de garoto no corpo de um homem feito, mas eu? Eu continuo olhando para cima esperando do futuro algumas garantias duradouras. Você tem que passar um tempo comigo.

Eu sei que rejeito os seus passos, ignoro seus pedidos, não deixo você ultrapassar uma distância segura, para mim ou para você, por precaução não podemos tirar a ponte entre nós. Precisamos conter as mãos, segurar os abraços, impedir os olhos de se encontrarem com desejo.

Entre tantas paradas encontrei algumas companhias, apartamentos divididos, sonhos de uma noite só, amores de conveniência, alguém para tirar algumas fotos que gostaria de te mostrar. E, sempre, a forma como deixo a minha cabeça voltar para trás é a procura de uma lembrança sua.

Continuo andando por aí, sempre estrangeira de mim, na neve ou no sol, no futuro ou no passado, em ruínas ou grandes construções, saio quase sempre em meio a tanta gente e tão só. Talvez, a solução, seja eu deixar você possuir o meu coração.


ps. texto feito em oito minutos, em cima do clipe do Death Cab For Cutie que tá nesse link e da música que tem o mesmo título do texto.
Brincadeira com a sis. =)
Não saberia dizer como tudo começou, porque se alongou... Talvez tenha sido aquele dia com o karaokê e o jeito todo seu de gostar de Beatles, a coincidência de a primeira música que entendi sem notar que não era minha língua ter sido Help. Os dias se seguiram, as conversas se encontrarem, os segredos se trocaram. Uma ótima companhia para fazer nada. Um lugar para encontrar conforto em silêncio. Quando você não precisa falar nada, quando não precisa ouvir , e sabe que não precisa entender porque em algum momento aquilo tudo será ou não, compreendido. É como um estalo no meio da tarde quando procuro paz. Algumas palavras, outras letras, alguns sorrisos.

Talvez você note que eu ando meio perdida. Falando alguns "não sei", mais agitada do que todo o comum, talvez perceba que eu não queira nenhum deles porque não sei mais o que quero. Sair de mim. Me livrar de lembranças de fatos não consumados. De sonhos sonhados até o momento ideal, quando meu edredom amarelo me empurrava para realidade, mesmo que ali, parado. Não sei. Você já me ouviu falar alguns "sei lá". Não sei em que instante as coisas deixaram de ser comuns e se tornaram diferentes. Quando notei que você existia de uma forma diferente dos outros. Mesmo que odeie análises, te vejo de muitas formas, forte e decidido, simples e calmo, complexo e sonhador, uma intensidade omitida. Às vezes, tenho vontade de te pedir para sair na chuva e deixar a água molhar todos seus sonhos. E se com isso, você só ganhar um resfriado, existe aquele chá de morangos, que faria sua voz voltar a ser ouvida.

Sabe, tem algumas coisas que eu nunca contei para ninguém, algum detalhe seu, que faz toda a diferença. (...)

05/12/2008

"Pensei uma coisa tão bonita que até nem compreendi. E terminei esquecendo o que era."
(Clarice Lispector)

ps. Foto da Jana.

quinta-feira, junho 18, 2009

You may say,
I'm a dreamer


Engraçado como eu cansei. Sabe? Aquelas mesmas histórias. Os mesmos problemas. Os mesmos modos e as mesmas certezas. O mesmo drama. A mesma felicidade, vazia. As mesmas promessas e o mesmo fim. Será, enfim?

Quero sentir outros cheiros, descobrir outras formas, sorrir de outras piadas. Quero passar tardes inteiras ouvindo músicas, que eu ache boas mesmo que elas não sejam.

Quero alguém que me tire das certezas e me queira com a urgência, certa.

A última vez que te vi, você estava ali, sentado, indefeso, me pedindo coisas que não conseguia entender, não podia ouvir. A última vez que te quis você não estava. Agora sou eu que não estou.


ps. a foto é da sis em um dos muito lugares que eu adoraria estar com ela. Mais fotos aqui.

terça-feira, junho 16, 2009

Janeiro, 2007

E se as escolhas erradas renderam frutos talvez eu abaixe para colher ou simplesmente siga adiante. Não é a minha pretensão te pedir para ficar onde eu jamais estive com você. E os dias que a minha cabeça estava no seu ombro e os pensamentos em outro lugar, meus olhos procurando outro sorriso, talvez me faça te dever um pedido de desculpas. Você foi a pessoa certa no momento errado, ou aquele que fez sentir bem quando mais precisei de alguém, era você quem estava lá para me seguir até o fim do mundo, compartilhar das minhas loucuras, buscar uma coca-cola, sempre foi você quem olhou para os dois lados na Augusta quando eu simplesmente atravessava.

E, o tempo, tão justo e injusto com as lembranças me faz só sorrir quando passo na frente daquela sorveteria que um dia mudou a ordem das coisas e, fez de todos os dias um novo começo. Foi o seu abraço, sem possibilidade de fuga, que mudou a minha vida como ninguém jamais conseguiu. Não sei onde coube o erro e a distância. Em algum momento eu devo ter ficado entediada, egoísta, idiota e fugi, como sempre faço, fujo de tudo e todos que podem se tornar especiais só para continuar com os sonhos intactos, com amores não consolidados, com verdades nunca ditas.

Não te peço para voltar a ser a pessoa que olha dos dois lados da rua antes de eu atravessar, nem para se preocupar como você se preocupou um dia, só posso assumir as consequências da minha distância.

Não tenho um pedido de desculpas, precisava viver algumas outras coisas, lutar - em vão - em outras batalhas, gastar o tempo - sem porquê - em outros problemas, errar e acertar. Precisei da distância, fiel escudeira, para te contar que não me arrependo do que fiz nesse tempo longe, mas reconheço que errei (com você) também.

domingo, junho 14, 2009

Perfect little secrets


Vivemos entre lembranças de amores consumados e divagações de amores não realizados. Marcamos nossos passos enquanto pensamos como foram bons aqueles outros tempos, temos saudades do nosso comodismo, dos domingos, das nossas garantias, do fim da carência certeira. Sonhamos acordados com o romantismo do que nunca virou verdade, um amor que nunca passou de comodismo, lembranças que nunca passaram de mundanas, sonhos que nunca passaram de uma noite. Uma amiga me disse uma vez: "só um amor não vivido pode ser romântico". São esses os que estão nas prateleiras e nos ouvidos de muitos garotos com all star e camisetas legais.


"Você vai ser sempre quem eu vou amar, mas não dá".

sexta-feira, junho 12, 2009

Sem planos

Nunca soube ao certo como se deixar levar, era uma mulher com a alma de uma menina, uma adulta presa em outro tempo. Sempre quis do amor algo além dos sorrisos programados, dos olhares ajustados, do romantismo convencional. Viveu a frente do seu tempo guiada pela liberdade e guardada em outra época, entre aquelas com vestidos longos, tudo isso, convenções que a deixaram fora do agora.



Viveu amores não consumados, guardou desejo e deixou sair de si aquilo que nunca foi de ninguém. Sempre achou estranho aqueles que falam o tempo inteiro e, se sentia confortavel quando estava com alguém onde o silêncio não fosse incomôdo. Era como se tudo fosse estranho demais e, o seu passado fosse só um rascunho esperando uma nova página em branco para acabar com o impossível, gostaria de escrever a história com uma caneta azul para não confundir o colorido dos dias com o do seu caderno, ainda, em branco.



Levaria um tempo até tudo se transformar mais uma vez, não queria pensar em caminhos nem escolher um lado, sabia que tudo se encontraria em um instante chamado: inevitável.



Por falta de planos, apenas viveu.

quinta-feira, junho 04, 2009



Pensou que poderia ser como uma dessas meninas que ficam lindas com flores nos cabelos. Pensou em um lugar calmo e simples onde a felicidade fizesse parte da paisagem. Pensou nos dias que viveu em paz no seu paraíso particular e intocado. Pensou no chá de morangos selvagens e, na doçura dos dias como aqueles. Pensou, pensou, pensou. Cansada de pensar, saiu...


Cores simples

Alguém disse que esquecer uma guerra não quer dizer que tenha vencido. Simplesmente ignorar pode tornar tudo insignificante, mas não, final. Alguém que em palavras simples a deixou ali, sem nada que pudesse, sem nada do que vestiu só para não sentir frio e, ela quase roubou um abraço para se sentir protegida outra vez; mas não era a proteção dele que queria, ele, que nunca foi a pessoa certa para os momentos errados. Algumas coisas podem ser apenas simples quando acaba o sentir.

Cansada de sentir errado, se tornou incapaz de sentir certo, não sabe como confiar, é arisca como um peixe dentro do seu aquário, não adiantar bater no vidro para conseguir atenção. Ela simplesmente precisa que a liberdade e a naturalidade existam no mesmo espaço. Respostas pontuais para perguntas simples. Sabe onde é o seu lugar e não quer ultrapassar a ponte insegura que separa um lado do outro. Se acostumou, depois de tanto errar, que pode escolher entre gostar do simples ou do lado colorido, porém, novo. Às vezes, queria ter a coragem de parar ao lado do erro colorido, sentir as mãos dele, enquanto não pensa em nada, como todos os momentos mágicos que viveram enquanto ela apenas não se importou. Entre certo e errado, ela fica com a guerra esquecida, outra batalha perdida.


imagem desse site: http://www.thecherryblossomgirl.com/

ps. obrigada a Kamila, que comentou no penúltimo post e, eu adoraria saber quem é.