sexta-feira, março 07, 2008

CRÍTICA

A crítica do filme Nome Próprio do Murillo Salles. No recorte aqui.

Fim do meu arquivo de textos.
Esse e a entrevista foram publicados no Gaveta, zine de Maceió.
A Carla, garota ótima, adorei conhecer e ganhei um dos melhores presentes de 2008.
:)
Amanhã é dia de juntar maceió, são paulo e essa garota que vos escreve em qualquer bar da augusta.
PLES-SIM-SIMPLES-SIM-PLES

Os outros precisam calcular o sentir. Contar palavras. Entender significados. Os outros precisam de todas as coisas que você entende sem perceber. A força que você guardou sempre aí dentro. E eu entrei, abrindo as janelas pra você enxergar, mudando os vasos de lugar, rindo alto e ficando em silêncio enquanto olhava você. Enquanto falava com você.

Sem nenhum porquê, razão ou explicação. Se você me pedisse para te contar como tudo aconteceu, trocaria todas as palavras, pelos seus olhos. Eu enxergo neles uma coisa que não existe em muitos. Palavras que precisam sair. Mentiras contadas em favor do seu medo. Verdades esmagadas por prudência.

Sabe, quando eu te falei que você precisa se enfrentar, em outras palavras pedia para você fazer isso por mim também. Sem querer te pedi por mim. Pelos outros. Por tudo que os outros ganhariam com a sua coragem. Você quebraria outros em milhares. E esses milhares continuam essa onda de silêncio que as palavras escritas entregam na forma de possibilidades. Algumas pessoas passam pela minha vida na espera. Me esperando ou esperando ser um dia mais do que um passante. Mas, você disse, me disse com seus olhos que eu seria garota para sempre. A garota que mais cedo ou tarde, volta a ser ela. Só ela.


Em mim você deve ver a tormenta. A inconstância. Só não entende como eu atinge essa constância em se tratar de você. Como meus silêncios não pesam e as certezas se enfileiram ao seu lado. Perto do seu sorriso o mundo fica mais simples. As palavras nunca são só palavras. Ações são ações e nesse teatro não existe marcação e nem ninguém que vá te pedir para ficar quando você já não quiser. A sua liberdade trocada pela intensidade de alguns dias. Queria alguns dias nossos. Em outro lugar. Sem ninguém conhecido por perto. E os desconhecidos fariam parte da nossa loucura. Seriam os espectadores enquanto viveríamos e sorriríamos. Complementar frases e me contradizer por várias vezes. Até perceber enquanto você sussurrar que é simples.

Simples
Sim
ples.
Ples
sim.
Sim
Ples
Sim.

ps: me mandaram um e-mail "dizem que as pessoas com as quais devemos casar são aquelas com quem mais gostamos de conversar. vamos começar?". E eu pergunto: QUEM É?

quinta-feira, março 06, 2008

FUGA

Então alguém invade meus pensamentos com a surpresa em ouvir minha voz. Com a demonstração de qualquer sentimento. A verdade que você vai passar bom mais todos os anos atrás. Sem permitir errar ou aceitar. Sem permitir. É tudo culpa sua. Eu fiz. Oh, begin believe me. Eu fiz. Demonstrei de todas as formas que eu sei fazer. E sou só eu. Dentre todas as outras. Entre os outros. No começo ou no fim. Só eu.

Eu escrevi mais do que fui capaz de ler a vida toda. Só para você. Olha, me diz, que estou certa. É melhor sair e nunca mais olhar esse sentimento nos olhos. O melhor lugar para olhar você. Nos seus olhos fugitivos. Sua verdade melindrosa. Me diz. Me diz qualquer coisa, simples ou complexa. Vou entender tudo que você disser. Sorrir de nervoso. Morder mais os meus lábios enquanto escrevo. Então escrevo. Em folhas laranjas, telas em branco e papel reciclado. Colorido, paz e renovação.

Por mais que eu fuja, você me prendeu no ponto de partida. Uma outra voz vai ter que ser muito mais que surpresa para me tirar de você.

Eu queria fugir. Não sentir nada. Não ouvir nunca mais a Fiona Apple ou qualquer uma fazendo sentido. Não achar mais sentido nenhum em nada triste. Só as alegrias que passaram. Queria ser só a leveza que alguns enxergam. Mas não fujo de mim, não dá.

(pausa)

Voltei sem vontade de continuar e uma vontade sobrenatural de viver. Tudo. Como sempre. Sem me arrepender. Errar, errar, errar e no meio de tantos erros encontrar o acerto que me dá dois segundos de uma felicidade inexplícavel. Simples. Insistir, fé, insistir. Fé alguma nas linhas retas de letrinhas pretas de uma mulher com alma demais.
better version of us

A melhor noite de sono dos últimos tempos. Eu preciso de pouco. Tão pouco que nem sabia. Nada há a ser "esperado, nem desesperado", sabiamente falou o Cara.

Tudo certo. A vida sem pesar. O brilho nos olhos. O corpo cansado e do meu jeito feliz. Um livro certo. Daqueles que me fazem esquecer do mundo e lembrar de você. Quando em 1931 alguém descreveu o que várias pessoas jamais vão ter a coragem de sentir.

Meus pés continuam no chão. Mesmo que estrelas façam todo sentido do mundo para saber o que será do meu dia seguinte. Eu tenho o meu inferno particular e construo o paraíso para poucos entrar. Minha mente, meu corpo e a minha voz não podem ser abafados pelo convencional. O jogo está no descarte. Não precisa devolver as cartas, elas ficam bem em você, tem mais de onde veio. Poderia te dar um mundo inteiro. Mas, o meu telefone toca e a verdade é que impossibilidades tem a sua grande graça em filmes. Não assim. Nem por muito tempo ainda. Mentira. A quem eu engano? A mim? Você? Ela lá me falando da minha paciência? A quem eu engano. Talvez ninguém. É do tempo das coisas e pelo tempo que elas tiverem. Sem fugir de nada que ainda possa ser vivido. Vida, vida, vida.

Me dá a segunda melhor noite do ano?


I've got a plan to demand and it just began
And if you're right, you'll agree
Here's coming a better version of me



Sem perceber levamos nossas vidas a lugares desconhecidos. Sem que eu notasse você me entregou calma. Eu, a tormenta, ando pelo centro debaixo do maior sol da humanidade, calma. Com a sis falando e eu discordando da pressa. Ela falando de coragem e eu contente em estar assim. Fudida e serena. A espera existe, óbvio, não demora muito as coisas ficam insustentáveis. As mãos vão continuar chegando e na falta das suas, duas delas vão ser de verdade, vão. Porque eu não sou mais a garota que sofre tanto. Eu sou capaz de morrer por isso. Mas, eu tenho várias vidas, clichê e vida de gato. Clichê e os olhos mais profundos daquele gato de ontem parado preguiçoso me olhando chegar. Se enroscando em pernas. O gato, a vida de gato e a certeza. O começo da morte está nos seus olhos confusos. Mais belos olhos confusos. E talvez não tenha outra forma a não ser aceitar?

quarta-feira, março 05, 2008

CAFÉ


Combustível para as manhãs sonolentas. Líquido de lembranças deliciosas. Nem sete horas da manhã, lá se foram quatro deles, nenhuma fumaça e um dia lindo aparecendo lá fora. A vida simples, leve, sincera e feliz.
Espero sinceramente que tudo hoje dê certo.
:)

Trabalha, garota, trabalha.

terça-feira, março 04, 2008

DO YOU BELIEVE IN WHAT YOU SEE?

Um dia eu vou te contar, você vai sorrir e ouvir, balançar a cabeça enquanto concorda. Me interromper com discordância para me irritar. Olhar para mim enquanto brinco com meus dedos. Mas, vou te contar como foi diferente. Como alguém esquentou minhas mãos e ouviu com o mesmo apego insights geniais e gracinhas.

Com perguntas, comida e uma bandeja na hora de acordar. Sem me deixar esperando onde não incomodasse, como alguém chegou meia hora antes e me trouxe flores. Me avisou quando meus olhos borraram e lágrimas quentinhas rolaram na felicidade do encontro. Enquanto eu sorria com os olhos e a boca fechada. A cabeça encostada nesse mesmo colo. Vou te contar.

Como me fizeram sofrer, sim, porque eu vou sofrer ou inventar algum sofrimento para pensar em possibilidades de não ser feliz com você por perto. Como não poupei ninguém de nada, como não fiz planos e continuei em surpresas. Tentei te ensinar a desistir dos planos e gostar de surpresas, a esperar, porque às vezes me atraso. Voltei a tirar o esmalte com as outras unhas.

Tudo é diferente. Não só mais um corpo. Ouvir como se entendesse, e falar como se soubesse sempre o que dizer, mesmo sem dizer nada tantas vezes, apreciar o silêncio. Omitir para não chatear e não deixar nunca você descobrir. Seriamos bons amigos, parceiros, inimigos, seriamos bons, mas eu seria sua melhor garota. Importantes na história um do outro para sempre, independente do que possa acontecer.

Poderia ser só mais um corpo. Se não fosse só o que eu quero hoje.




ps: um texto pode ser um texto e só. ou não. HAHAHA! :)
internas


Você pode fazer várias coisas 'erradas'. Depois terminar a noite segurando o homem nu. Pode ter idéias originais de garotas românticas e bêbadas. Pode misturar tudo. Inverter os papéis. Pode até ganhar tic tac laranja. Pode fazer um filme e só precisar de frases bacanas, um tripê e a criatividade do seu amigo.

Pode tudo. Porque a gente pode meshmo. E dá risada de si. Com piadas internas.


HAHAHA. PRONTO, NÃO É PRA (todomundo) ENTENDER.


:)
fiquei feliz com o tic tac e a diablo cody tem uma estátua nova.

BIG SIS

Quando todas as palavras não forem suficiente, vai ficar só o meu velho vício de sonhar. No dia que eu olhar a verdade nos olhos, e aceitar, que nem tudo vai ser como eu quero. Porque não. É confusão demais, menina. E você é só uma menina. Sim, uma menina viciada em sonhar e sorrir em noites simples. Os amigos por perto, a sis brava no telefone, nervosa como só um sentimento verdadeiro consegue deixar. Você me aguenta tanto, garota, eu vou estar sempre aqui pra você. Mesmo que você fique discutindo e a gente nunca consiga fazer nossos horários baterem. Ao alcance do silêncio. Tenho algumas coisas para contar, um mar para ouvir.

Lembra daquela coisa? E da paciência que apareceu aqui como surpresa? Lembra daqueles dias de desespero que eu achei ser sentir? E de como eu fiquei feliz quando com ele as músicas baterem, os gostos bateram, e naquele dia no bar tudo bateu. Como foi a semana da ete, e como eu sumi por algumas horas. Da minha segurança andando firme enquanto eles falavam o meu texto. E eu chorei de raiva quando mudaram tudo, até desmudarem e no fim ficar do meu jeito. Não só por birra, era como era. Como eu tinha sonhado e eu sempre corri atrás dos meus sonhos. Você sempre esteve ali. Hoje, você acompanha tudo por telefone e tardes esfumaçadas. Hoje a distância teima em colocar horário marcado nas minhas obrigações.

Garota, você me mostra como eu compliquei e demorei a viver. Agora me diz que se pudesse, faria tudo dar certo na minha vida. É o que tenho para repetir e te garantir que faria por você.

Esse último ano me mudou tanto. Esse começo de ano com sentimentos diferentes, vontades diferentes, sinceridade e paz diferente. Sinto por você não estar em corpo sempre por perto. E pelas horas tentando fazer você entender tudo pelo telefone. A maneira como coloco "sei lá" nas frases quando você interroga os sentimentos. Você sabe, tudo está diferente. Nunca igual. A caixinha de surpresa que eu sou. A minha mania de ir, de sempre ir, mesmo sem conhecer o fundo. Mergulhar de cabeça e depois procurar colo. Um abuso de garota e o porto seguro no meio do mar que a gente construiu. Música, palavras, shows, vida, um monte de vida.

A sua normalidade me puxa pro chão. Quando eu teimo em sonhar demais a sua razão me empresta rumo. Eu sumo de novo, você sabe que não sei parar e me entrega liberdade em possibilidades. Mostra os caminhos, você pode fazer isso e isso, mas no fundo sabe que só faz o que quer. O jeito como a gente descobriu que não ia ser jamais de todo mundo. Como isso me ajudou com ele, logo no começo, porque ele era parecido com você. Mas, ele passou rápido porque não era para ser. E como você ajuda agora.

Garota, você pode me ligar, xingar, bater o pé, fazer birra. Ficar sem me ver dois anos, ir pra ny. Pode balançar pelo mundo errando e quando menos esperar, estarei lá. Eu sempre estou.
Sis, te amo, tanto.

Já de você. Por você. Pra você. Eu aprendi a ser tolerante. Quase ninguém entendeu, como eu sei que você entende. E quando estou entre um monte de gente sei que minha cabeça continua perto de você.

domingo, março 02, 2008

(sem) MAIS ALGUÉM

Imagino como você organiza isso na sua cabeça. Eu caminho pela vida, com outras folhas, outros carimbos, escritos com outra fonte. E você deve ficar aí tentando bancar o detetive. E vir atrás de mim. No fundo pode achar que é um jogo para te enlouquecer. Ou é lisonjeiro se sentir observado, sentir olhos que gostam dos seus. As palavras que podem de alguém jeito mexer com o seu estomago. De raiva ou de um sentimento que vai além da curiosidade humana.

Você poderia saber, nunca me interessei por alguém assim. Todas as outras vezes, não foram tantas assim, as de verdade, sem brincadeira de pele. Nenhum deles jamais brincou com os meus olhos do jeito que você brinca. Jamais ganharam palavras como você ganha. Sempre teve um pedaço de drama, doses de desespero ou salvação. Por eles eu fui salva. Mas, salvação não é o meu fim, eu sempre me perco e eu só sei viver assim. Ele me salvou de mim quando eu não tinha mais nenhuma auto-estima. E os outros, os outros, foram outros que passaram pelos meus braços e eu passei por eles. Nós passamos, nunca me interessou ficar. Eu nunca quis, querer faz toda a diferença vazia de uma história cheia demais.

"Chegue bem perto de mim. Me olhe, me toque, me diga qualquer coisa. Ou não diga nada, mas chegue mais perto. Não seja idiota, não deixe isso se perder, virar poeira, virar nada. Daqui há pouco você vai crescer e achar tudo isso ridículo. Antes que tudo se perca, enquanto ainda posso dizer 'é você', por favor chegue mais perto." Caio, com a leve adaptação dos fatos todos.

Talvez você sinta coisas que não reconhece e prefere não lidar com elas, um pouco por não gostar de perder o controle dos seus passos e outra parte por culpa minha. Claro, claro, claro. Os outros vão falar e você pode ouvir. Comecei e me envenenei da minha própria brincadeira. E o melhor é caminhar sem receio, brincar no seu jardim e viajar lá longe sem o coração de mais alguém.

A semana é mais leve, os finais dela calmos, os começos sinceros. Uma leve saudades de qualquer coisa que não sei explicar.




Das estrelas que falei, elas nunca mentem, e o dia depois de um dia com o céu estrelado é sempre um dia especial. [esqueci de comentar, esqueci]
AO ACASO

Nas diferenças mora a igualdade. "Quem é de verdade sabe quem é de mentira". Mas qual é a verdade, senão a nossa, aquela que nunca é dita? Aquela verdade que não é uma qualquer, naquela cidade que todo mundo vai falar que não é.

Verdades ditas nas bitucas de cigarro e nas garrafas divididas. Costurando palavras em abertas feridas. Encontrando verdades em olhares cúmplices nas mesas esquecidas. Soluções diluídas em almas fudidas. Passado, presente e futuro se cruzam em qualquer lugar da vida.

Cigarro cigarro. Bebida bebida. O rock'n'roll e risadas acompanham a trilha. Nós largados nessa cidade, cidade nossa de ruas perdidas. A luz amarela, a cidade alerta, a mesa de bar e o cheiro da brisa. O copo vazio, a fumaça levada, a verdade criada é o que vira.

"Quem é de verdade sabe quem é de mentira."


Suellen Santana e Yuri Kiddo



Noite de sábado, eu não ia sair, porque chegar às 7h30 da manhã do domingo passado e o resultado da minha conta não eram interessantes para esse fds. Então, 7h no msn, o que você vai fazer? Ver filme, tenho uns 7 aqui e você? Nada. Ah, to com dor de garganta. Eu também, mas toparia uma cerveja. Poxa, eu também. E aquele bar lá na frente da praça? Ah, cheio e caro. Nossas gargantas não vão aguentar muitas mesmo. Vamos? Vamos, tá, me dá meia hora, vou colocar a lente e desço. E, daí 7h30 da noite. Algumas garrafas a frase sensacional no ar e eu falo: "vamos fazer um texto?". Agora? É.

Foi isso. Eu nunca escrevi com ninguém. Não desse jeito. É diferente. Mas, pode ser legal.
7 DIAS FÁCEIS DE RESOLVER

Eu continuo sem acreditar em tantas coisas.

A minha sensibilidade nem sempre está em lugares comuns. Eu choro em finais de livros como nos filmes. Eu choro lendo textos intermináveis escritos por pessoas que vivem outros lugares. Eu sorrio com finais felizes e penso quando tudo pode só ser simples daquele jeito.

Eu largo as minhas coisas nos desejos de boa noite, boa tarde, boa manhã, boa vida. Troco um adeus por um até logo. E tchau pelo similar em línguas desconhecidas.

Todo dia é arte e eu me reviro do avesso. As minhas palavras só suas. A sis brinca e faz piada, fala que queria alguém escrevendo para ela. Deve ser bom. No fundo você tem certeza que é você. Eu sei. Você sabe. Alguns outros também. Mas nada é tão óbvio assim. Eu carrego nos olhos o mistério. Na vida o passado leve e resolvido. Uma vez por mês nostálgica, com os olhos apagados, o corpo pesado, uma vez por mês todos os sentidos falando muito alto. A saudades, a alegria, a tristeza, os medos e você. Uma vez por mês as certezas piscam e eu sei o que carregarei. E o tempo é anacrônico. Uma vez por mês em todos os meses desde bem cedo.

O almoço em família, amigos dos meus pais, risadas com as cosias que não paravam no prato da mini me. Brincadeiras com o meu gostar de certas coisas. A caipirinha do meu pai. Eu de roxo e mais piadas sobre o óbvio. Ainda é três da tarde e o resto do dia eu divido em uma calçada ou na sala dos meus amigos.

O resto continua com o casal hermano e com quem mais aceitar o convite.
CULPA DO PASSADO

Eu fui aquela criança hiperativa. Imaginando que o nó dos meus dedos eram outras grandes coisas. Olhando os meus brinquedos como pedaços de uma cidade que construiria mais tarde. Fazendo dos desenhos da tv, filmes inteiros. Rabisquei paredes, incontáveis vezes. Quebrei várias coisas que minha mãe remendou e quase me matou outras tantas. Irritei na minha fase 'zequinha'. Lia todas as placas em voz alta e na minha cabeça os outros só saberiam se eu falasse. E eu falava no ônibus, no carro, nas calçadas. Eu falei tanto. Andei de carrinho de rolimã, bicicleta, patins, pulei muro, perdi uma bola de vôlei para a roda de um maldito caminhão que passou por cima dela. Morei em rua sem saída e condomínio fechado. Mentiram pra mim. Amei muito alguns animais. A xuxa, o cachorro do meu primo, o pastor alemão que eles mataram e me fizeram acreditar que era um erro dos outros. Até que minha mãe achou que depois de seis anos eu já poderia saber, o cachorro foi sacrificado.

Cresci e fui ser a menina com uma grande mochila no centro de são paulo. A que depois descobriu em palavras o seu refúgio. Nas músicas o ritmo que faltava e na vida a graça que ela sempre imaginou.

O tempo foi passando. Sem que eu adiasse. Com os planos dos meus gibis. A força da mônica, as idéias infalíveis e fracassados do cebolinha. As músicas dos saltimbancos. A minha época misturada as outras. Como tudo sempre é. Uma mistura: a minha vida.

E tudo ainda está por vir. Sem bobagem e tanta amargura. A vida é dura e eu quase me acostumei. No momento eu preciso me entregar. Ser a mulher de liberdade, um amor de verdade, te fazer fechar os olhos e sorrir. Pensar que dali pra frente, não importa a minha idade, o melhor está por vir.



ps: outra música da mesma banda, não posso falar qual, quando for lançar o cd: palavra de índio, eu falo aqui.
NE ME QUITTE PAS

As frases naquela bela língua que por brincadeira com quem ensinei a escrever casa, vou aprender, por birra de menina que quer aprender a cantar 'ne me quitte pas' também. As palavras doces e o filme que não consegui continuar a assistir nessa noite. O mundo inteiro conspirando a favor de qualquer coisa que não conseguiria prender em palavras.

E a calma nessa noite de sábado quente. A mesa de um bar perto da minha casa, lugares que não conhecia com pessoas que nunca vi. Diferente dos meus desconhecidos íntimos de augusta. E com a liberdade das minhas pernas até em casa. Depois jantar com a mini me guardando coisas e falando de outras. Ela do meu jeito. Mais paciente e com um humor que não pode ter sido só meu. Ela diz que sim, quando estrapola com minha mãe fala que eu ensinei, imagina, ela é melhor do que eu. A garota é esperta, muito esperta, vai aprender tudo isso. Do jeito dela porque falar jamais vai impedir de viver. Porque eu quero ver as pessoas crescerem sem amarras. Perto dos meus braços e livres de mim também. Eu quero a liberdade nos seus pés como coloco nos dela. A garota é esperta.

Eu tenho andado diferente. Os passos são realmente mais firmes. Foi a escolha de caminhos. E a luz no fim de um túnel que posso nunca chegar. Não tenho mais medo de cair. Porque eu sei que um sentimento verdadeiro me levanta. Me faz sorrir. Tira dos meus olhos as incertezas, me dá ombro e mãos para segurar. Sem nenhuma força genial, nem um lugar longe demais, tudo ao alcance dos meus dedos. Grudados em telas em branco. Sem me importar com o resto, com a minha atitude de garota aparentemente bem resolvida, meus ouvidos de menina encantada. Minha verdade da mulher pouco conquistada.

Eu preciso me apaixonar o tempo todo. Pelos detalhes idiotas. Por palavras. Melodia. Cidades. Culturas. Vida, eu preciso me apaixonar se não a vida fica morna. Eu vou levantar segurando os joelhos e ir andar. Eu vou atrás das minhas certezas vazias e dos mundos para construir. Eu vou te fazer brilhar. Porque você precisa disso, você sabe, eu sei que você sabe. E os outros também precisam ver tudo isso que eu enxergo.

Além do francês e da negra cantando ne me quitte pas. Além de quase tudo nessa vida, fica tudo aquilo que importa e importa muito.




ps: ufa, chega de fevereiro, chega. :)

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

BOM DIA

- oiem
- heyturistam.
- hasuashuashuas
- ticatarmmmm
- ahn, micataram?
- vai te catar, suellen
putaqueopariu
não é nem setemeiadamanhã e vc já cozormônios doidos né, bem?
- HAHAHAHA.
TALVEZ ATRAPALHA

Sem mais vontade de fazer. Sem planos, dinheiro ou você. Com a cabeça longe e o corpo risonho. Eu me encontro ao seu lado e me perco. Eu sorrio e paro. Paro e encosto a cabeça em pensamentos. O tanto que as coisas me interessam. E como tudo passa rápido demais com você por perto.

Hoje sorri com uma folha dobrada nas mãos. Uma frase em caneta azul. A minha amiga abraçou um Aquino e escreveu isso. Eu abracei aquino. Porque alguns dos meus amigos escrevem em guardanapos, escutam com o coração e vivem com a cabeça em sonhos.

As seis da tarde a vida pára de correr. Sentir verdade e a vida para viver. Isso é com você e todos os meus amigos. O tempo correndo em todas as direções e as seis horas nós nos encontramos em ligações. No meu caso, antes, pouco antes. E ainda posso abraçar a tarde em carinho no Guimarães. Com o dvd dos los hermanos que tocará amanhã e com quem aparecer. A saudades falando alto. A gastrite me irritando.

Pense bem ou não pense assim. Eu parei em uma cisma, eu sei. Bati piadas e escondi verdades. Não deixei cair. Segurei no ar. E hoje, eu sei. Quis nunca te perder. Então não falei e não ouvi. Arriscar o bem por uma razão que você não enxerga.

Não é fuga de verdades. Porque nenhuma verdade é imutável. Até as certezas mudam. O colorido dos olhos, a leveza dos meus atrasos pontuais, os meus dias com o tempo no lugar. Tudo já esteve tão bagunçado e agora eu dei um jeito no caos que eu sou. Continuo com a minha baderna arrumada, a minha mesinha mostrando pendências, o monitor e a capa do meu bloquinho com o post it onde lê-se "é você". O meu clichê número oitocentos.

Ai, ardido peito, quem irá entender os seus segredos? Quem irá pousar em teu destino e depois viver do teu amor.
COMO TODA PAULISTA

O gosto daquela viagem no lugar com prazer de aceitação. Os braços que não era o que esperava. E o jeito diferente do que sonhei. Mas sentir me deu uma segunda chance de tornar daquela a primeira vez. E então, no meio disso, eu percebi quanto gostar faz diferença. Toda a diferença. Um gostar despretensioso e simples. Sereno e assim foi. Só foi.

No lugar as lembranças todas daquela chuva e do meu medo atravessando a cidade. A insegurança gritando e o medo. Tanto medo. Tanto, e hoje ele não faz mais sentido. Eu fui, senti e fui, caminhei e não me arrependi. Dentro dos erros alguns acertos em frases soltas.

Meu sorvete mais colorido do que das crianças que entraram perguntando quantas bolas podiam pegar. Eu me enchendo do gosto da saudades. Cupuaçu, porque eu morro de dor de garganta e me entorpeço dessa droguinha branca.

A minha vida que no fim encaixa. Sempre encaixa. No bem e no mal. Nas incertezas e nas mais duras certezas. No que aparece e o que está sempre aqui.

E do amor fica o se isolar ou se render. A redenção e os seus males e delícias. Com a minha idade me impedindo de me esconder. Medo da adolescência inconsequente e feliz com minha coragem no lugar só dela. E tudo que faz parecer profundo. O róque. A vida. As palavras. Algumas pessoas e você.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

MAIS UM


Blog novo. Recorte aqui. Notícias, entrevistas, coisas e uma brincadeira mais séria de ser jornalista. Pra começar aquela tão falada entrevista com a Clarah Averbuck.


aqui.
SUCKER LOVERS

Já quis que tudo corresse e que o mundo parasse. Me senti sozinha entre a multidão e acompanhada sem ninguém. Queimei vida em papel e inalei minha própria fumaça. Errei incontáveis vezes e acertei de forma incomparável. O meu maior acerto vai ser sempre sentir. Por pior que vá ser no fim. Mesmo que eu fique andando em círculos pelo mesmo lugar. Escrevi para me entender e para confundir. Sorri para não chorar e chorei para não sorrir. Troquei passos com nada e parei no meio do turbilhão.

Senti tudo até o fim. Me anestesiei para ficar vazia. Já odiei tanto o vazio e olhei a vida cheia demais para mexer nela. Vivi um erro maravilhoso. Já quis que os acertos voltassem e outros fossem direto para as lembranças. Já quis muita gente e precisei ficar sozinha. Tive algumas pessoas. Fui de alguns. Fugi de outros. Entreguei coragem e colori sonhos. Dividi sonhos e quis descansar a cabeça em alguns ombros. Sentir o frio no rosto e o calor da pele.

Corri. Andei. Fui levada e me deixei levar nos caminhos das possibilidades. Ouvi música triste para sofrer e alegres para deixar o corpo ir. Trai letra com melodia e fui traída. Segui minhas vontades e aprendi a lidar com o novo. Conversei madrugadas inteiras antes dos países se separarem. Esperei, troquei mensagens, ouvi e falei muito para confortar a espera. Já fui mais importante do que foram para mim. E já não tive importância nenhuma. Desisti quando não conseguiram me parar. Não gosto de abraços pensando em outros braços. Pele querendo outra. Beijos trocados com o vazio de não ter quem importa.

Adquiri manias. Corri de calma e andei com a pressa. Aprendi a ler o seu olhar. Quis muito que meu celular tocasse e do outro lado a sis. Só a sis para me mandar e-mails brincando com a minha mania de ir. Até quebrar a cara. Até dar certo. Não importa. Eu vou. Eu continuo. Porque eu sempre continuo. ignorei as suas frases. Atendi os pedidos que você nunca me fez. Li tanto e tanta coisa que não me dizia nada. Achei em outras linhas as minhas palavras. Uma intensidade conhecida. Corri da solidão que pesa e construi a minha. Fiz de todos os tropeços, impulso.

Segurei linhas para não ferir. Contive algumas verdades para não ser caos e fui mesmo sem querer. A minha forma desgovernada de sentir virou paz. Sem parar. Nunca parar. Se parasse não seria eu. Sem ser eu, não interessa, nem pra você e muito menos para mim.

Abri mão de coisas para me dedicar a conhecer a mini me. Contei amigos em duas mãos. Cumprimentei milhares de pessoas com a cabeça. Aprendi a tolerar e fazer das diferenças alicerce. Fui intransigente. Mordi quem forçou aproximação. Senti mãos sobre mim que não me interessavam. E no fundo, eu sou sincera, leal e real comigo. Acima do mundo. Acima de quase tudo.

Queimei. Me queimei com a minha coragem falhando. Caminhei para abismos e pulei. Pedi mãos para sair e já gritei para ficar. Exclui gente inteligente da minha vida porque não era a inteligência que me interessava. É a mesma coisa da minha. As mesmas músicas. As mesmas verdades. A mesma coragem. A mesmice que transforma a vida nessa prisão. E eu não sei me sentir presa. Nunca soube. Tirei sorrisos do caminho. Fiz chorar e chorei. Quis magoar e terminei assim. Fui magoada pelos meus acertos e cresci nos erros. Caminhei junto com a minha vida. Corri junto com as possibilidades e conversas do caminho. Levanto se é assim que você quer. Não subestime minha percepção. Eu vejo vida onde você não enxerga. Ouço onde você não escuta. Caminho onde você não sabe como chegar. Se você quiser, se ai no meio valer, vem comigo e o silêncio.

Vou sempre ser a garota que cala quando não tem o que falar. Não comenta quando as palavras fogem. A menina que senta sozinha no banco. Que ouve o que ouve. Mesmo que até minhas músicas sejam insegurança nos olhos alheios. Pouco me importa. Pouco importa, virá palavra e mais certeza.

Os olhos me falam coisas que palavras não conseguem. Eu não sei viver sem enxergar. Não consigo. A miopia deixa tudo meio impressionista. Do mesmo jeito que os pintores faziam a sua arte. A lente, o óculos e o que tiro da minha frente mostra que existe formas para chegar. Fala, me fala tudo, conta os seus medos e eu te ajudo. Eu conto dos meus caminhos. Nada que te impedirá de viver. Vai lá. Eu sei para onde você caminha. Eu vejo, mesmo que você me ache ingênua. As piadas são verdades.

Continuo nos meus lugares. Com um outro para fazer bagunça. Com os meus medos escondidos na minha fortaleza. Essas coisas que você vê. Eu sei que você vê. E no fundo sabe que é só você. Hoje e pelo tempo das coisas passarem. Porque passa e vai passar. Morri algumas vezes e renasci. Agora, caminho sem arrependimento, com tudo feito e resolvido.













é pra você. mesmo que você não saiba. e erram. acham. ouvem. todos ouvem. as mesmas pessoas me falando as mesmas coisas. a sis me mostrando o meu passado e eu só enxergo o presente.






Sucker love, a box I choose
No other box I choose to use
Another love I would abuse,
No circumstances could excuse

In the shape of things to come
Too much poison come undone
Cuz there's nothing else to do,
Every me and every you.







é você.




ps: escrito na aula de telejornalismo. escrito nos pensamentos do filtro de um cigarro.
CORAÇÃO

Ai, dor de cabeça, garganta, febre. Dor, dor, dor.
Mas sempre tem um para fazer rir. Seis da manhã:

- su, tou com uma dor na mão, saindo dos dedos. acho que é tendinite.
- ixi, nem deve ser, ein? seria no pulso.
- é, não sei.
- deve ser coração isso aí.
- é, acho que não chego no fim dessa semana.
hahahahahahahaha


outro


- então podia! =)
- hahaha...
- ia ser a virgem maria [2]
- hahaha
- ia fazer fila pra olhar pra mim =)
iiiixi
- quimprovável
justo vc
nossa deve ser um porre
todo o povo
- néam oO

* justo eu nada.
GAROTO

Se depender da quantidade de estrelas no céu o dia de amanhã vai ser bom. Se depender de mim um sebo empoeirado. A reunião de trabalho. As músicas alto. O centro dessa cidade e o meu centro na mesma comunhão.

Se tudo dependesse só de mim. Eu teria aquele beijo na varanda e as nossas risadas quando a nossa amiga perguntou o que a gente fazia. Nós que riamos dos outros na rua. Nós que fomos sempre os mais livres e apegados. Nós. É garoto, você é um nós que me falta nos dias de caos. Agora você tem uma outra pessoa. Em um estado de diferença. Agora você se assume. Agora você é o meu amigo mais querido. Felipe, garoto, Felipe.

Então a gente conversa no msn e eu te conto dos meus erros. E você me fala de finais de semana. O Rio de Janeiro e quem te quebra em duas cidades. Você que me fez acreditar no amor em todas as suas formas. Não é só putaria. Não é. Com você, por pior que você seja, e você é, não é só isso.

Hoje eu recomecei a ler o livro que você me deu. No que você escreveu: 'vou deixar gravado aqui o que nada, nunca, vai apagar: te amo'. E sim, tudo igual, tudo sempre igual. O quarto no hotel e você falando o que eu sempre soube. Passaram outros amigos como você. Como a nossa amizade colorida. Mas, o que você me mostrou nunca ninguém vai substituir.


Sis, caraleo, saudades. Saudades. Saudades.
Podia pular a quinta e chegar sexta. E o guimarães, as garrafas, a fumaça e você entendendo tudo em me olhar.



ps: depois de uma aula passada no bar e o pensar em nada, tudo encaixa. sempre encaixa.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

'SEM MAIS IDADE PRA SE ESCONDER'

Aqueles dias que gastei me afastando
Boba
Eu sabia que não conseguiria
Já aconteceu antes

Mas nunca olhos falaram tanto
E palavras ficaram no vento
Os enigmas, as brincadeiras e a independência
A vontade de te ter perto
O respeito em te ver longe

Os dias que eu gastei
As conversas no meu bar
Na minha praça
No meu porto seguro de concreto

As coisas que eu não disse e ficaram entaladas
Palavras não ditas
Verdades ouvidas
Algum achismo barato de quem não importa

A minha vida é minha
A sua é sua
É a liberdade e o resto
É a simplicidade
As palavras não ditas
As escritas
As ouvidas
É o que você vê

As coisas que você pode receber
Tudo que eu tenho pra te dar
Você conseguiu o meu melhor
E eu nunca tinha experimentado esse pedaço
Você pegou
Me mostrou
Me fez esperar com a paciência

Você deixou o jogo sério
A vida leve
De sacanagem pegou as minhas cartas
As marcadas
E as que não conhecia
Agora o meu jogo é seu

Com as coisas que não mostro pra ninguém
E as que você vê nos meus olhos
Os seus sorrisos
Os seus braços
Você
Poderia ser simples
Mas, ninguém nunca falou que viver ia ser fácil




ps: eu ainda vou ter algum problema sério com ctrl v. quase foi agora, quase.
SOLTA

Tudo leve. A confusão continua por perto, obrigada. Mas é assim que é. Assim que vai ser. Não importa. Os dias estão leves. As certezas enfileiradas. A paciência mostrou que existe. E tudo, quase tudo, faz sentido agora.
Só queria falar pro mundo: não importa. Você pode complicar tudo. Revirar tudo. Achar que sua ordem é o descontrole. Fazer tudo como uma filhadaputa faria. E escrever demais, não dormir, perder e ganhar. Pode tudo. Porque do meu jeito eu vou continuar. Mas, uma hora a vida mostra que pode ser mais simples e foi.


O que existe
Existe porque as palavras não podem desmentir
O que a verdade vê
Enxergar a verdade é fazer existir
Aquilo que não existi
Porque certas coisas existem e só


Perdido no bloquinho. O bloquinho acabando e vários parágrafos soltos. Frases, sentimentos, lugares. Tudo solto naquele bloquinho com um post it amarelo escrito de canetinha preta: é você.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

VOCÊ

Você queria ouvir
Talvez você quisesse falar
Você queria acreditar
No fundo você queria uma das minhas coisas simples

Mas simplicidade ficou na conta
Uma daquelas que deixei pra depois
E depois eu prometi que voltava
Falei que esperava

Todas as coisas que todo mundo fala
Simplicidade é o lugar raso do mar
Onde você fica quando é criança
Simples é o brilho dos teus olhos

As luzes, os cheiros, a vida
Os outros e nós mesmos
O sentido
Tudo vazio de sentido quando você sorri

Eu sou a menina de botas
Agora, sem longos cabelos
Eu sou a menina que não é doce
Mas seria o seu sentido mais sincero

A menina cresceu
Quase uma mulher
Complicada
Intensa

A menina que queria ser mulher
Um dia ela viu que olhar você
E só você
Fazia dela a menina que ela queria ser
E foi

De todos os erros infantis
Dos gostos que ela não experimentou
Da paciência que ela teve
E da liberdade que ela nunca conseguiu soltar

Você é o acerto mais colorido
O erro mais bonito
A mentira mais verdade
Os seus olhos
As pontas dos seus dedos
Tudo que é só você
Só você dentre todo os outros
As línguas misturadas
As vidas faladas
Essa verdade
Uma mentira
Que ela dizia em pensamento ser só você.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

SEM O MAR

Chuva, sol, frio. Tudo que eles falam é do amor. Eu sentada, ali com as pernas cruzadas e a saia cumprida. As pernas que trocam passos com o silêncio nessas ruas. Em cada poste ou outdoor dizem o que eu já sei de cor. Aquela imagem da Virginia Woolf no muro perto da Soroko. Você lembra? É, eu também. E aqueles haicais. A vida. Os momentos. Essas paredes que já me virão com outros. Esses passos que já seguiram outros. Essa mentira que nunca foi essa verdade que é só sua, hoje e pelo tempo que durar, porque tudo é serviço pra você. Peguei na sua mão. Então, eu fui a tormenta de risadas que eu sei ser. E a intensidade te fazem brilhar os olhos. A incompreensão e os sentimentos se despertando. Eu te falei, o amor verdadeiro não tem vista para o mar.

Toda vez que te vejo é como a primeira que vez. Ou o dia que eu percebi que você era diferente dessa gente toda. Essas coisas que você esconde entre os seus sorrisos. Era 1932. Os primórdios de uma menina cheia de sonhos. Aquela que tentava endurecer e não suspirar. É 2008. Essa menina já estaria uma senhora, se os anos não passassem em segundos pela cabeça. Todas as canções são amor. Tudo igual, virei no fundo do sentir e me lembrei de você.

Eu olho e você nada. Vou te ajudar. Te colocar perto e deixar tudo o mais perfeito que você imaginou. A perfeição que eu imaginei entre sorrisos, dificuldade, bebidas. Talvez, vinho, a única coisa que não bebo a esmo. Tem história e o corpo despedaçado em lembranças. Eu quero mudar. Eu preciso fazer o vinho ter o mesmo gosto bom da adolescência. Assim como eu preciso e não tenho problemas em mudar. É só o teu olhar para que eu me entregue alegre.

Então, vem fazer parte dessa história.


ps: pedaços soltos de quatro músicas do cd conseguido graças a boas amizades (néam, pree) agora é esperar eles lançarem e escrever mais com nome e itálico nos pedaços. em breve, em breve.

domingo, fevereiro 24, 2008

Susi não anda sozinha



Aqui tem outra edição. Como era no começo. Quase como era no começo.

É tudo mentira.
Verdade.
Ou não.
Ou é.
Vai ser.
Um texto pode só ser um texto ou não. Mas é.
TEMPO

Mais de 200 vozes na minha cabeça. Organizadas. Formando pedaços inteiro de vida. Tempo nenhum. Preciso sentar e passar coisas para ficção e transformar tudo em realidade.

Enquanto isso mais da garota.

sábado, fevereiro 23, 2008

SIMPLES

Depois das manhãs os dias ficam melhores. Sábado e uma aspirina.
SEM NORTE/SUL/LESTE/OESTE

As coisas saíram do rumo. De leve tudo ficou fora do lugar. A minha sorte é a minha nova obsessão chamada: paciência. É que eu resolvi pular para fora desse carrinho, em outras palavras decidi ir devagar. Comecei a andar com as pernas. O carrinho parece ser mais divertido. Talvez, eu volte. E tudo fica outra vez rápido. Forte. Maluco. Maluca. Garota, garota, garota. Como será tudo daqui dez anos? Melhora? Piora? Fica assim?

Daqui a pouco aquilo passa. Sem ciúmes. Sem esperança. Sem coragem. Sem eu. Ficou só a necessidade de buscar o meu livro. Eu vou pra Augusta amanhã só buscar meu livro e quem sabe entre no Outs. Quem sabe eu durma hoje. Ou não. Tchau, vou assistir mais desenho. Tv a cabo é vida, Brasil. Será que a mini me fica brava se eu chamar ela pra assistir 'procurando nemo' pela milésima vez? Eu não gosto de ver desenho sozinha, síndrome de filha única por oito anos, pensando bem: uma e trinta e quatro da manhã não vai ser uma boa hora para despertar a sagitarianazinha.
OBSERVAR

Talvez se eu soltasse o muito. Aceitasse as coisas devagar. Tudo devagar. Como eu juro que estava acontecendo. Com certas coisas a paciência continua. Mas com o resto ela, realmente, saiu do lugar. Eu não sei viver no meio de um monte de gente me perguntando coisas. Querendo saber coisas. Achando coisas. Eu juro que não tenho problemas em puxar a barra da sua calça quando precisar. Mas, agora, nesse instante, me deixar quieta, é o melhor a fazer e ainda deixa seus medos de eu estragar o mundo fora de cogitação. A menos que você me prenda demais. Me sufoque e eu acabe falando porque não confio. Não é bem falta de confiança. É só porque eu soube antes de acreditar. Das coisas que eu não aceito. Das poucas coisas que eu não aceito.

Me falam tanto de sinceridade. Porque eu uso meias palavras, e isso, aquilo, o resto e o inteiro. Quem precisa entender, entende, não cobra, espera. As coisas tem o tempo delas. Eu tenho o meu. Daqui há um tempo a gente pode beber todo esse caos diluído em álcool. As coisas que eu só consigo resolver sozinha. Ou com tão poucos que é indiferente contar. E as pessoas defendem as outras. Como se defesa fosse adiantar e eu não fosse sorrir e concordar com a cabeça discordando com os sentimentos.

Alguns acham que nasci ontem. Tem pouco tempo, é verdade, mas o suficiente para colocar coragem na bolsa. Carregar o entorpecimento. Sorrir, andar e ao lado da mini me, ser a pequena. A pequena dela. A garota deitada no sofá voltando no tempo. Com um sanduíche de queijo branco e um copo de coca cola. Isso e o cd mais perfeito tocando. E a tv. E o caos que eu sou. É hora de ser minha. Eu sou. Seria sua. Mas, ser minha por enquanto, me basta.




acabou o bolão, as brincadeiras e espero que a curiosidade. acharam, acharam tanta coisa errada. eu falei e enrolei. eu não falei e disse muito mais. o mais destrutivo é tentar entender. quem senti, senti e ponto. sabe e ponto. entende e ponto. e sim, eu tou bem, muito obrigada. só não acha que eu não sei, eu sei e uso ponto e vírgula quando pedem para não me falar nada.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

AGORA

Com a leveza dos primeiros dias. Não é o fim. Nunca é. Podia ser o começo. Mas pode ser para outros vocês. Muita vida para respirar e músicas para balançar o corpo devagar. Outros braços, mais abraços, uma cabeça sensacional cheia de música boa, gosto bom, idéias e ideais. Algumas certezas imutáveis. E principalmente coragem.

Sis, te amo tanto, tanto, tanto. Minha vida seria impossível sem você.
E a garota sueca é MAIS do que sensacional. céus.
DE SACO (muito) CHEIO

As pessoas me perguntam. E falam, falam, falam. Um monte de coisas que eu não quero escutar. Um monte de pergunta que eu não quero responder. Um monte de gente que não importa. Não importa porque poucos me bastam. Eu conheço muita gente. Posso ir em uma festa com pessoas, bebidas, papos e lugares diferentes toda a noite. Se eu tivesse um pouco mais de idade e dois fígados no lugar do coração. Mas, são três ou quatro pessoas no mundo que me acalmam aos poucos. Me fazem encostar a cabeça quietinha. E ficar, só ficar. Nas minhas melhores relações não existe cobrança. A gente dividi muito bem o certo, errado, o que eu faria, o que você faz. Eu ouço o certo, olho o errado, entendo o que você faria e faço o que quero.

Quando eu cair, lá embaixo, quando todas as palavras sempre aparecem. Essas que saem dos meus dedos. É sozinha ou com uma pessoa que aguenta. Quem já me viu dormir, acordar, ficar bêbada, chata, legal, quem dividiu tudo isso desde o começo. Desde quando eu comecei a viver a minha vida. Dezesseis anos talvez. Nem tanto tempo assim. Mas, já vivi coisas que nem minhas avós viveram. Eu grito, mordo, me defendo, bato o pé. Faço cara feia para quem não importa. Sorrio sem jeito para quem importa e por qualquer motivo dividi a calçada como estranho.

Sabe por que muita gente não entende? Porque não tem nada para entender.

Eu devo parecer uma menina fraca sentada com fumaça saindo entre os dedos. Os olhos perdidos. Meu fone amarelo. Alguém triste berrando nos meus sensíveis ouvidos. Eu devo parecer tanta coisa. E acabei sem querer jogando com o imaginário dos outros. Não importa mesmo. Está escrito. Se existe, existiu ou é mentira não importa. Porque eu não ganho cinquenta centavos com essas palavras. Agora, tirarem a minha paz é que não vão. Não mesmo. É para ser lida? Talvez, mas desde que leiam em silêncio ou digam quando tenham o que dizer. Opiniões sobre minha vida não são bem vindas.

Não é o bbb das palavras, meu amigo, você não pode me mandar para o paredão. Você pode ser mais querido, carismático, engraçado, simpático. Mas, não é o líder. Vai ter que confabular, eu vejo que você faz, talvez consiga mesmo. E se eu tiver que sair, eu saio. Nunca tive problema nenhum com mudanças. Nenhum.

Ela falando, ela cantando e a sis gritando sem ouvir nada, pelo barulho ou porque eu falava rápido demais: acalmaram tudo.

E pra você: vai se fuder, obrigada.

Hoje vai fazer uma noite linda na praça rusvel e eu tenho aula. ôcaralho.
TARDES

saudades desses dias (2004)

Olha no fundo dos meus olhos e diz que não compartilha de um milésimo desse sentimento. Diz que não é nada disso. Me faz viver em paz. Preciso pegar aquelas cartas que escondi entre o passado, revirar o meu outlook, descobrir alguns passos que não vi antes e recomeçar. Mas, antes de recomeçar, antes mesmo de pensar em qualquer coisa. Queria olhar no fundo dos seus olhos. Te ver sorrir. Brincar com as pontas dos seus dedos. Queria olhar tudo aquilo que sempre gostei de ver voar. Aprecio a sua liberdade.

Ontem, eu sentei na Augusta com a garota da assessoria. Conversas de quarta à tarde: os relacionamentos, as pessoas, o entra e sai. E esse cair, levantar, cair, levantar. Deve ser falta de procura e um gostar tímido das sensações que sentir empresta. Chegamos na liberdade. No quanto gostamos da nossa. Eu realmente acredito que as coisas caminham juntas quando a liberdade importa pouco. Tão pouco que seria mais fácil continuar junto porque sozinha o mundo fica menor. E eu gosto dele enorme.

Andei na chuva com meu guarda-chuva vermelho e o meu amigo. Rindo das piadas do nosso passado. Lembrando do dia que a Lee perdeu a dignidade na correnteza da Augusta. Rindo, rindo, rindo. Porque ontem aquela água toda entregou leveza ao dia. Chorei de rir. Chorei por não acreditar no que falei pra sis. Chorei e ri mais. O cara lá na frente nos pediu atenção. Mas, tinham as canetas novas e agora preciso de um lugar para guardar. Devia ser isso. Deve ser isso. Você é o lugar que eu queria guardar. Resolvo. Me resolvo. Transformo esse sufoco em letras. Cada vez que eu fujo, me aproximo mais, as minhas lembranças tentam suprir o que eu não quero mais de você. E os seus olhos vão e voltam.

Talvez não dormir seja o jeito de não sonhar. Você foi dos mais complicados e o mais simples para mim. Um dos meus maiores erros e a mais estranha história que eu escrevi. Mentira sincera, brincadeira séria. Das lembranças de agora você é a saudade que vou gostar de ter.
OH SAILOR

Se tem alguém aí, vamos ajudar a acabar com a palhaçada? Mas, é mentira, não deve ter mesmo ninguém controlando alguma coisa aqui embaixo. Se tiver, esqueceu de dar um jeito nos meus caminhos. Largou tudo para eu resolver sozinha e sozinha eu vou rápido demais. Sem cinto, sem medo, sem jeito. Sozinha eu desisto rápido demais. Mentira. Você acredita mesmo? Será que no fundo eu acredito mesmo que dessa vez minhas definições vão funcionar. Talvez daqui a alguns dias. Quando a falta passar.

Agora? Eu vejo várias coisas fora dos seus lugares. Um pouco é raiva; o resto é rima. O ruim é pensar que você mentiu. Sim, porque você poderia ter dito quando te perguntei. Poderia ter contado. Eu ia ouvir e falar que você errava. Porque você realmente erra. Eu vi essa mesma história acontecer e o final não foi feliz. Mas, você não me perguntou e não precisa ser genial para perceber. Leva o seu sorriso para longe. Segura a confusão que você vê acontecer. Abraça essa possibilidade. Dá risada das piadas iguais. Dos problemas iguais. Da história triste de abandono que está escrita. Seja o ombro e a leveza. Só não entrega seu braço aos cortes. O garoto que queria me ajudar a estacionar o carro no muro. Mais para fundo com essas palavras. Longe, tão longe. Não é bonito. Não era para ser. Não é para o seu ego inflar. Mas, você estourou esse balão que construiu com uma frase que não percebeu.

É, talvez, eu deixe você deitar a cabeça no meu colo qualquer dia desses. Quem sabe eu doe os meus sentimentos verdadeiros em qualquer lugar com pessoas que use eles com mais cuidado. Não, eu não vou desmoronar, o meu castelo não é de cartas. Precisou muito para cair da última vez e mais ainda para levantar. Precisa, quase sempre, de muito. Você conquistou a simplicidade de quem há muito não deixava as coisas acontecerem. Sem eu perceber você mudou umas peças certas, sem perceber mexeu. As mesmas peças que você destrói aos poucos. Ou talvez, tudo tenha sido de uma vez. Só não quer sair de uma vez, só não vai de uma vez. Porque uma parte ainda é emoção. E, o resto é sua razão. Ainda, por mais algum tempo, você. Quem sabe.

Sabe olhar no fundo dos olhos de outra pessoa e lá no fundo o medo e impossibilidade piscarem? Sabe o que é sentir o peito doer e a cabeça ir para longe enquanto qualquer um fala fala fala ao seu lado. E você ri para não contar que não é ali o seu lugar. Mas, algumas vezes a gente acaba achando que é melhor ficar para não enfrentar a vida. Lidar com os sentimentos nunca foi fácil. E eu volto. Eu sempre volto. Para recolher as coisas importantes que eu deixo quando saio. Tirar as palavras que larguei. Os medos que escondi debaixo daquele livro na estante. Eu sempre volto. Mas, antes eu preciso ir. E eu saio das suas mãos como entrei. Sem que você perceba. Ou se percebe deve pular de satisfação com o meu corpo fora dos seus caminhos. A cabeça eu te empresto mais um pouco, bem pouco. Eu realmente espero que consiga ser tudo isso que acham de mim. Que a sis falou e eu ouvi. Concordei. Balancei a cabeça. Sentei de preto na escada. Encostei o celular e o corpo na parede. Enquanto tudo apitava e ela falava. Eu dei sorte de encontrar uma irmã no meio de toda essa gente. Eu quase tenho sorte no meio dessas coisas todas.


Oh sailor, why'd you do it?
What'd you do that for?
Saying there's nothing to it then lettin' it go by the boards

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

PIOR E MELHOR

Aprendi a esconder o olhar. Guardar a palavra. Esquecer os gestos. Aprenderei. Guardarei. Esquecerei. No tempo que as coisas tiverem. Porque ontem quando eu decidi, acreditei que ia ser simples, mas simplicidade não existe. São só as pessoas escondendo os pensamentos. Minha vida só foi simples quando eu não ligava para uma vírgula dela. Era mais fácil? Sim. Mas, é melhor assim. Porque as coisas ficam piores e mais produtivas.

Sabe o que é mais estranho de tudo isso? Essa preocupação repentina de algumas pessoas. Eu não sou de vidro. Eu já quebrei. Já levantei. Já cai de novo. Tudo pode ter sido só uma desculpa para escrever. Tudo pode ter sido o nada que eu inventei para enfeitar você. Tudo é só a parte que você não aceitou. E de volta, eu não quero nada, que não seja interesse seu me dar.

Eu vou me irritar com várias pessoas por esses dias. Porque eu não acho que preocupação seja ficar discutindo a minha vida. O blog não é um diário. Parece. Mas, eu não canso de falar que nem tudo é o que parece. Nem tudo, mesmo.

Os meus peões desse xadrez já foram. E desse jeito, eu não sei se quero arriscar as outras peças. Xadrez se joga em duas pessoas. A terceira só atrapalha e desconcentra. Sem cortes, por favor.




ps: não é para os meus amigos, quem é sabe, a preocupação de vocês me deixa feliz de saber que há com quem contar. Mas, meus amigos não são tantos assim. Não há auditoria pública para decidir o meu próximo passo. Eu só decido quando toco o chão e é sentindo ele que caminho para onde for.
CLICHÊ



If you had only seen, take control and don't be afraid of me.

Nos mesmos momentos, mesmo que os sentimentos sempre sejam outros. As coisas dependem de quantos sorrisos levam e da intensidade que acontecem. O resto, é invenção da mídia.
Extraordinary Machine


O que foi aquilo? A minha tarde de todas as semanas. Ir, desistir, voltar e dar de cara com o passado. Nem tão passado, o ponto final mais parece um ponto e vírgula. Só dividiu em versículos a confusão. Parar, andar, fingir que não vi. Tudo muito rápido e a sis do meu lado me falando da minha família e de quanto tudo consegue ser errado. A necessária união com a mini me. A faculdade de jornalismo contra a vontade. A liberdade forçada.

O dia podia terminado ali. Mas, sempre tem o resto. É você, era você, já não sei. Talvez eu tenha entendido hoje o que isso significa. As minhas palavras, os meus textos, as letras pretas nesse fundo branco. E o ego alheio. Eu coloquei flores no seu, é verdade, mas não vou continuar. Não é para continuar. Seria como ouvir um garoto maldoso ajudando a estacionar o carro. Vai, vai, vai e bateu. Porque vai bater.

Metade já nasci morto. A parte que o passado impede de entrega. E a minha liberdade não vale de nada. Frases bonitas também não. A persistência nesse erro sem fim. Os mesmos olhares. Não te importo como você me importa. No fundo tem gente que me vê como uma máquina de escrever. Só que eu sou quem está sentada atrás dela. Sentindo tudo em doses enormes e agoniantes. Eu queria ver tudo dar certo e sorrir no fim de contentamento. Mas, 'não há nada mais desgastante do que insistir sem fé nenhuma'. Como o Caio escreveu e eu acredito nele. Como alguns acreditam em deuses eu acredito em palavras. Escritas, é assim que eu sei ser só eu, que eu não cubro o rosto com as mãos e nem fico com a bochechai vermelha.

Uma parte disso é a minha cabeça e essa avalanche sentimental. As mudanças que já não eram tão constantes. As insônias que não mais sentia. E isso por esse mês, talvez o próximo, tudo bom ou ruim. Só que não existe mais só subidas e descidas a pista cresceu e parece que os loopings aparecem um na frente do outro. Preciso subir mais. E não descer. Ficar em uma reta. Simples. Complicado vindo de mim não é mais novidade. Nunca ninguém falou que viver ia ser fácil. Mas, esqueceram de contar que tinha essas coisas no meu caminho.

Meus olhos caminham nas músicas, nos livros, na profissão que me escolheu, nas certezas que me ganharam, no passado do qual falo com carinho. Do meu carinho largado em algumas vidas. Do abraço carregado de abandono que troco com alguns.

Saudades da leveza do começo do ano passado e da saudades apertada. Do medo e da certeza. E do que aconteceu depois no meio de um monte de sentimentos. As coisas passaram. Se apaziguaram. Deixaram a liberdade voltar ao lugar dela. E as lembranças para esquecer dos dias que seguem o seu curso de decepção. Só isso. Pior do que a falta de fé, o desânimo em andar, os olhos ressecados pela lente é perceber que não te importa. Tudo em vão. Ou não. Porque a vida é como aquela música dos novos baianos que eles cantam os encontros. Eu deixo e recebo um tanto. Disso eu recebi a certeza que eu preciso ser menos eu, por mais que me falem que não sou, menos intensa em sentimentos. Menos compulsiva por palavras. Eu vou te deixar caminhar sem estar por perto.

Isso vai fazer crescer o comprimido para dor de cabeça que ainda não passou inteiro pela minha garganta. E sufocar o peito. Nessas horas em que a razão quase não mostra sua cara. As pessoas falam comigo de como ando armada pela vida. Protegida por esse castelo, mesmo que não tenha tido nunca vocação para princesa. Eu só sei ser assim. Porque eu cresci me protegendo aqui dentro para conseguir sair depois. E agora, eu me protejo, até quando isso acontece sem eu perceber. Sem que eu talvez quisesse mesmo sentir. Mas, o sentimento é bom, o contexto é o que eu sublinhei nas minhas possibilidades. Só nas minhas.

E por que eu não consigo mesmo fazer tudo que pensei? Onde é a fila do guichê para trocar sentimento por razão? Tá enorme, eu vi. Pois é. Todos eles também acham que a vida seria mais simples. Vou sentar ali com a minha senha na mão. Sua vez de me chamar ou eu espero a vez da fila.

Não há mais NADA a ser dito. Nem esperado. Nem tão pouco desesperado. Há só sinais de repulsa evidente. Mas, e o resto? Ah, claro a fila andou, mais alguns passos convertidos em textos e é minha vez. Só mais algumas mordidas nessa maçã pecaminosa.


Extraordinary Machine - Fiona Apple


um pouco menos de infantilidade da minha parte me deixa concordar com ela.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Anyone Else But You

Os pedaços se juntam e em um quebra-cabeça de palavras você decifra o enigma. Procure os mesmos lugares ainda que os sentimentos sejam outros. Pense nas suas verdades concretas e nas novidades.

Eu ouvi as frases que você me disse daquelas vez não fazer sentido. Mas, faz, faz e infelizmente eu não costumo errar quando prevejo sentimentos.

Enquanto olhava o céu cheio de estrelas e ele me contava de um eclipse lunar por esses dias. Esses dias de leveza. Da garota maluca que fica vermelha com tapas de brincadeira. A garota maluca que não se acostumou a acertar. A menina que revira o mundo atrás do seu sorriso. Aquela que sou o tempo inteiro. Andando de montanha-russa sentimental. A que não espera e, tenta, mesmo, não desesperar.

Você não vê meus sinais mas compartilha dos silêncios. Então eu olho para você rindo das coisas que aquela pessoa diz. Um monte de coisa diferente de mim. Nem sempre eu entro em competições. Meu lado ariano não gosta de brincar sem desafio real. Não faço piadas na pura esperança de te fazer sorrir. E nem te olhar nos olhos com expectativas juvenis. Mentira. Eu te olho nos olhos, ainda sem esperar, e quase sem querer. Eu gosto, sim, de te ver sorrir. Penso nos encontros e no passado que marcará o final dessa semana. Queria o seu presente. Mas, o meu amigo falou da minha liberdade e eu percebi, por mais que já tenham me entregado isso nas mãos, eu acabo jogando pro alto, não sei segurar a liberdade alheia. E as possibilidades de erros e acertos nos outros lugares.

Eu gosto de passarinhos soltos, vida solta, sorrisos sinceros, Eu gosto de toda aquela sinceridade de mulher que conquistei com minhas verdades.

Tem aquela menina que é tão parecida com os meus dezesseis anos, e isso faz menos de três. A mesma insegurança envolta em palavras, muitas vezes, mais diretas que as minhas. Pequena, seria bom dividir a minha cidade cinza. Eu talvez erre ao te bombardear com novidades do meu você. Mas, você escreve coisas lindas e eu tenho carinho por palavras.

Tem a grande falta de todo aquele passado das manhãs frias com sol e a grama. O zip de fotos para ajudar alguém a dar um presente lindo de ganhar. O meu computador travado. As mensagens da madrugada no msn. O relógio me mostrando a insônia, ou que deveria ir para faculdade. E as obrigações. A atuação no horário de trabalho. Mas, tem o meu amigo que pedi para me cuidar.

Cuido, de mim, dos outros, de você. Me cuido porque no fundo eu não sei ser de outro jeito.


ps: escrever em carros em movimento, no escuro não é boa idéia, fica praticamente impossível decifrar a letra.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

CANETA AZUL

Ontem, acabou a caneta azul da sorte. Porque eu tenho umas frescuras fudidas na vida. E hoje, apareceu uma caneta igualzinha no meio das minhas coisas. Estranho. Só que não é essa e agora eu preciso de outra caneta azul da sorte.
POSSIBILIDADES

Quando eu pensei tudo isso foi mais fácil. Uma mão era só uma mão. Um olhar eram só dois olhos. A boca era só um espaço. As palavras eram só os dois ouvidos que queria atingir. Os dedos eram só calafrios. Tudo era explicado de forma simples. Os sentimentos, os medos, os dados. Eu cataloguei a vida da minha forma. Deixei tudo acessível. Mas, sempre tem a hora que alguém resolve revirar o arquivo e bagunçar tudo. Alguns até tentam arrumar, mas sou eu que já esqueci os lugares certos. Depois de cada um que passou na minha vida eu fechei uma porta. Só que elas abrem dos dois lados. Eu aceito visitas e às vezes vou para ver o que já fiz.

Não que eu volte. Porque voltar não faz partes dos planos. Tem esse lugar que eu deixei você entrar e agora olho as suas costas enquanto você brinca com o nó dos dedos. Se diverte com enigmas que eu criei. Com os jogos que eu invento. E as palavras que eu nem sempre digo. Você e só você. Mesmo que o passado tente voltar com frases bonitas e lembranças boas. Eu coloquei tudo aquilo nas coisas vividas. Não apago vida. E nem passado. Mantenho a amizade no lugar dela. Todas as minhas relações são fundamentalmente de amizade. E o resto é só consequência do que pode ser melhor ainda.

Só importa o seu olhar e a vontade de te levar. Os seus olhos sorriem enquanto você se perde nessa confusão. Quando falo dos seus medos, guardo os meus, não comento com você que não quero ser mal na sua vida. De você espero coisas novas e a possibilidade de isso ser bom. Então, eu olho as suas costas, as suas mãos, seus olhos fugitivos, as palavras não ditas enquanto eu escrevo as que gostaria de falar. De te falar com suas mãos segurando as minhas quando eu ficar nervosa. Sem razão e motivos para explicar. E as nossas diferenças tem encaixe, as frases se unem, os amigos se misturam, os modos se entendem, as frases se completam em pensamento. Fica o dito pelo não dito. Fica o impossível pelo possível que você guarda no seu olhar.
HERE COMES THE SUN


Você consegue ser a melhor confusão e a mais dolorosa. Odeio ler suas palavras para mentiras. Odeio o pouco com que você se contenta, embora goste de ver você contente. Odeio o jeito que você sorri de nervoso e adoro o seu sorriso. As suas caras de indefinição e o jeito que mexe a cabeça para espantar os pensamentos. A maneira que me chama de complicada e essa forma simples que você tenta se convencer de ser seus olhos.

Odeio te ver queimando. Acabando com toda essa lenha que você carrega em beleza. Odeio o jeito que controlo o fogo. Os passos. Deve ser a primeira vez na vida que controlo alguma coisa. Aprendi a lidar comigo. Um pouco mais de segurança para trocar por palavras. Conheci um pedaço de mim adormecido no meio da tormenta e da pressa. E as nossas enormes diferenças. O meu sentir, o seu pensar, as minhas frases encaixadas em silêncios, o seu falar e sorrir, a minha cara fechada pros outros e a sua reciprocidade, a minha plena intolerância e a sua maneira de tolerar.

Talvez eu guarde as suas verdades no mesmo lugar que nunca abri para ninguém. Mas, não abri porque você guarda as chaves. As chaves que você perde dentro dessas ponderações. Here comes the sun. E começa a derreter o passado. Transformar tudo no rio que leva o desconhecido.

Se você sentisse eu prometeria ser verdadeira. Como eu tenho sido. Transparente e franca dentro do possível. Até onde você me deixa mostrar. Eu sei que você já sentiu antes e percebeu que não ia ser simples. De outras formas você criou os seus modelos. Eu te dei coisas sem ter certeza que você queria. Porque eu pulo e quando volto a margem sorrio para não ter que perguntar se fiz certo. Os caminhos, a paciência, o carinho, a certeza. É você.

É.

Só não me pergunta, não dúvida da certeza que você constrói ai. Dentro dos seus medos mora a certeza de que é você. Me dá a sua mão quando todo mundo for. Me olha nos olhos quando todo mundo estiver ocupado demais. Esqueci os outros. Esqueci o resto e vem. Só vem.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

'PARA ABRIR OS OLHOS'

Hoje eu caminhei pela cidade sentido os cheiros da saudades. O cheiro daquela viagem sensacional. O cheiro do mar agitado de Salvador. O cheiro do sorvete de cupuaçu com o gosto que não existe aqui.

Na fila do banco eu percebi que vou viver sempre quebrada em dois tempos. Como eles falam que o que importa é o que te quebra em duas cidades. Eu esqueci a minha cabeça. E vou seguir quebrada por toda essa cidade. Passado e presente se equilibrando. O passado me pega pela mão com a seriedade. Me fala: 'senta, garota, lê nessa tela o que eu tenho para te falar'. E me agradece por um bem que eu não sabia ter feito. Me enfeita de coisas que talvez não mereça. Porque eu devo milhares de agradecimentos a essa pessoa. Se hoje eu me quebro, se hoje eu espero, se hoje o mundo é um campo cheio de possibilidades coloridas. Eu agradeço. Agradeço os e-mails impressos e guardados que eu vou xerocar, eu apaguei, apaguei porque não queria outros olhos nesse passado que guardo na memória. A preocupação de eu não me machucar e gostar de quem não merece. De falar que eu sou especial quando eu tenho dúvida disso. Tanta dúvida.

Os meus novos conceitos desfilam pela vida. Meu caminhão de possibilidades. Eu vou voltar para vida. Não que eu tenha estado longe da roda. Sem saber se você quer o meu tempo. Mesmo que você e metade das pessoas que lêem essa verborragia em forma de blog queiram saber. E se você fosse o você? E se eu te contasse, se te dessa essa certeza que você procura, você conseguiria segurar? Eu vou com a minha vida junto. E os meus amigos que podem me ligar quando quiserem. Os meus sonhos que podem falar alto. Os meus medos que me escondem em fone e livro. Eu vou com um monte de coisas. Eu vou. Mas, eu vou.

Deve ser só essa a diferença. Não sei ficar esperando o acaso se mostrar. Nunca soube. Mas, o que você tá fazendo? Como você me deu a paciência que eu JAMAIS tive na vida. Então eu brinco com o meu amigo falando da eternidade de cento e vinte dias, mais ou menos horas, não importa. Foi em um dia qualquer e um involuntário gesto seu.

Mas, hoje o mundo me fez bem. Eu ouvi que sou especial. E li um poema que fizeram para mim. Não sei do que mais você precisa e como você não sente. Talvez seja só eu que sinto demais. Mas, eu me senti a pessoa mais importante, lembrada, querida, mesmo que seja no fundo pura brincadeira. Porque a gente vive de "brinks". A menina carioca que alegra as tardes com conversas. Li meu nome no blog da minha amiga. A que eu cobro e compreendo. Cobro porque ela entra dentro dela e eu não faço igual. Entendo porque a minha fuga é outra, mas também existe. Então, ela voltou para roda e no fim dessa semana a gente acerta a nossa conta na mesa do charm ou do samba na praça.

E você? Você continua sendo você. Não tem mais o que ser dito, trocado em palavras escritas, as faladas tem medo de como você vai ouvir ou de como eu falaria. Não sei. Falta alguma coisa. Falta mesmo. Falta você perto e os medos na mesa ao lado.



ps: não vou linkar ninguém, preguiça, tá tudo ali do lado.
JIGSAW FALLING INTO PLACE


Certo. Errado. Certo. Errado. Errado. Certo. Certo. Errado. Certo. Certo. Errado. É você mexendo no fundo da minha cabeça enquanto nem sabe que está aqui. E apertando os botões, remoendo meus acertos, rindo de tudo que deixei para arrumar depois. Uma grande confusão dentro de mim. E eu perdida dentro dos seus olhos. Enquanto eles sorriem e você fica em silêncio.

Quando você pega na minha mão no escuro e eu te sinto perto. Tão perto que as mãos já quase não conversam. E o quebra-cabeça se encaixa. Assim que a sua música favorita toca. Eu pego minha bebida. As luzes piscam. O chão fica ainda mais quadriculado. Os outros mais insignificantes. Eu segurando a sua mão no escuro. Eu vou me cansar. Antes disso, o seu sorriso desfoca tudo ao redor e, nada importa tanto assim. Os seus olhos se perdem nos outros rostos que não te olham. Enquanto eu procuro qualquer outra coisa para entorpecer a sua falta e a minha vontade de estar mais perto.

Antes de fugir. O barulho te leva para dentro dele. Antes de você atravessar aquela porta. Eu te conto. Eu falo. Palavras são balas perdidas. E parece que atingi tanta gente antes de passar por você. Está escuro e eu estou confusa. Sem conseguir pensar em como começar. A luz pisca. Eu me perdi em outras mãos. A gente se olha quando cruza. Uma vez. E várias outras. A gente se olha quando cruza. Faça o medo desaparecer. Vou procurar mais copos, falar com mais pessoas e fazer o medo desaparecer.

A noite vai acabar e o quebra-cabeça não se encaixa.



ps: era o texto do zine. mas, tem coisas que só me sinto a vontade em falar aqui.


para você ouvir.
ALGUNS DOMINGOS

Um dia daqueles que você respira sinceridade e fica vermelha. Porque eu tenho vergonha, mesmo que o mundo ache o contrário. Respondi tudo e agora, talvez, me conheçam mais do que boa parte do resto. Ainda com certas coisas escondidas. Porque me pedem para falar quem é o você e insistem, perguntam, fazem piada. Seria mais fácil falar "eu te amo, ué". Mas, não sei se amor. Porque eu não acredito em amor desse jeito. Não sem que você saiba e, retribua ou não. É o gostar mais sincero que já experimentei na vida, é verdade, e a felicidade mais simples. Em estar perto, dividir, sorrir, ser segura para chorar se for preciso. É um gostar sincero e o resto eu não sei explicar.

Vou contar uma coisa que só eles e alguns vão entender. Porque eu nunca coloquei em palavras. Eu tenho a terrível mania de só contar o que eu quero. Minhas palavras não são toda minha verdade. É só até onde minha sinceridade chega, ou até onde os outros podem enxergar. Como foi? Foi bom, mesmo que o começo tenha sido péssimo, eu me sentia condenada por gostar. E beleza, burrice ou qualquer coisa não importava. Eu odiava a minha cabeça por pensar e só. Então, eu quis que tudo corresse e eu pudesse experimentar o "maior" erro da minha vida. Porque tudo sempre teve proporções desastrosas, muito mais aqui dentro, do que para o lado de fora.

Então, eu fui, fiz. Não é ruim. Não é preferência. É só minha outra terrível mania de ser livre. E procurar a felicidade nas coisas que são certas para mim naquele momento. E naquele momento eu precisava ir. Por que não contei antes? Porque não precisava. Não precisa. E porque eu vou continuar procurando verdade onde existe para mim. Pelo tempo que for, com a intensidade que tiver, com os olhares e as mãos que me interessar. Essa coisa entre certo e errado não importa. Não foi fácil, mas foi tudo que eu precisava sentir, e se hoje eu sou assim, um tanto eu devo a ter aceitado aquilo.

O meu você não está no passado. Eu não vou falar sério com ninguém que não me interessa. Meu você tem sorriso e olhar incógnito. E medo, tanto medo, que me faz sorrir.


ps: o melhor foi não ter ido ao show de hoje. o passado não interessa tanto assim. e tem coisas que ainda não é hora de resolver.

sábado, fevereiro 16, 2008

As long as I have you near me

Nossas conversas me dão força para continuar acordada quando o sono aparece. Até que suas frases me fazem querer ir para debaixo do meu cobertor até o seu medo do desconhecido ir embora. E seus olhos brilharem sem essa névoa de proteção. Até seus passos alcançarem os meus. Talvez você sabote a si com medo do que a felicidade poderia causar. Medo da solidez e de ser importante. Medo nas suas formas mais complexas esquecidas dentro da sua simplicidade.

Você realmente não me deve nada em troca. Eu dou atenção a todos seus direitos adquiridos e os apoio, se você quiser. Te dou a coragem para escolher o seu caminho, eu falar, não te impede de viver. Poderíamos deitar com nossas raivas, dúvidas, medos e loucuras misturadas nas nossas certezas vazias. Você pode me contar seus erros mais vergonhosos e eu não vou julgar. Sem laços para prender, sem nada de volta, você não me deve nada por eu me importar.

Você pode pedir um espaço só para você e eu vou sair com a minha cabeça para procurar solidão em outro canto dessa cidade. Eu quero ver você com a sua liberdade e o meu ciúmes sorrindo na outra mesa. Você pode viver e amar outra pessoa. Eu te apoio, eu guardo dentro dos meus sorrisos toda raiva. Raiva, dos outros lábios que encostam nos seus. Outras mãos que apertam as suas.

Eu te mostro a única forma de gostar na qual acredito. Suas verdades mais profundas mesmo que signifique perder. Abismos mais escuros no caminho da felicidade. Você pode largar tudo e ter uma crise de idade, e eu vou ouvir.

Seria mentira te falar que tudo é sanidade e eu estou salva pelas minhas certezas. Poderia te provar com silêncio ou esconder certeza na não reação. Não posso deixar de pensar em porquê você me perguntou.

Todas as vezes que entramos em conflito eu imagino um final diferente. Longe da rotina e da enorme frieza. Sua tendência em querer terminar aparece naturalmente. Enquanto eu sonho com lugares mais leves. Todas as vezes que estou confusa, penso que há de haver meios mais simples. Enquanto estamos perplexos procuramos fuga das dificuldades.

Eu não consigo mentir para você. Nem guardar na bolsa qualquer verdade que possa ser vista. Os meus olhos me traem. Minhas mãos se perdem. Os sorrisos se encontram e é outra vez como se nada disso importasse.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

LAZY CONFESSIONS

Você contêm todos os sentimentos. Medi cada milímetro. Tem o corpo sem marcas e a vida coberta por uma névoa de proteção. Uma mania evidente de querer tudo no lugar, deve dormir e acordar do mesmo jeito, como se estivesse em uma propaganda. Nada de muito verdade nos seus sonhos coloridos. E, eu. Eu sou a verborragia em forma de adjetivos. Poucos verbos, já deu para notar que agir não anda sendo o meu forte. Então, eu fui até a porta, andei até o portão, fiquei brava porque minha mãe saiu com a minha chave e o meu chaveiro de coração todo cortado, todo dentro um do outro. O fundo preto e as partes rosa.

Mas, daí, não queria. Encontrei a mini me e voltei para casa carregadas de sacolas com a nossa janta. Eu fui fazer pizza, ouvir Madonna e depois o 'is this it' dos strokes. Quase como quando ele existiu. Como você existe agora, nessa noite quente de sexta, com beatles no ouvido direito, o esquerdo foi quebrado (o fone), naquele dia do quase assalto da consolação. Eu vou ficar surda, doida, e feliz. Porque tá tudo uma merda, mas ainda assim é bom.

Só não espere que eu fale o óbvio. Não vou falar. Não sai voz e nem palavras. Não deu, não dá, preciso achar mais verbos.
Tá ficando chato:

Eu falando com você. Sempre com você. Olhando pra você. Só você. Mas, você precisa de outras coisas. Um cartão assinado com meu nome entregue na sua casa. Porque você nunca ouve. E, quando ouvir, eu paro.



Mentira.



Mas, ouve? Fora de brinks.
THAT'S ALL I DO


"E uma compulsão horrível de quebrar imediatamente qualquer relação bonita que mal comece a acontecer. Destruir antes que cresça. Com requintes, com sofreguidão, com textos que me vêm prontos e faces que se sobrepõem às outras. Para que não me firam, minto. E tomo a providência cuidadosa de eu mesmo me ferir, sem prestar atenção se estou ferindo o outro também. Não queria fazer mal a você. Não queria que você chorasse. Não queria cobrar absolutamente nada. Por que o Zen de repente escapa e se transforma em Sem? Sem que se consiga controlar".

Então tudo que senti nas últimas horas é mentira. Porque precisa muito pouco para transformar raiva em palavras e outra vez os sorrisos. E a leveza da menina que anda pelas ruas do centro com a cabeça longe. A garota que perde o crachá do prédio na reunião de trabalho. Uma mulher que precisa resolver a vida e as coisas em uma mesa com água e assuntos sérios. Porque a mulher é menina na doçura das noites quentes. Não para de se mexer, ver você se mexendo e mudando as peças do lugar me dá vontade de fazer isso também. Não adianta ficar tentando encaixar as mesmas coisas em lugares que já não existem. Perdi algumas peças pelo caminho, é verdade, deixei outras. Culpei pessoas pelo fim das minhas mais verdadeiras paixões. Quando na verdade, não era isso. Nem nada parecido. Foi duas ou três vezes. Talvez seja essa também.

Ainda sorrio com meu passado e as pessoas que não estão longe demais para serem esquecidas. As palavras de oráculo que alguns guardam e a sinceridade de outros. Meu passado é a minha escolha e o meu presente me escolhe. Sem perceber alguns sorrisos e lágrimas me prendem.

Talvez querer outro fosse uma opção para a sair da minha solidão. Mas, eu voltaria, porque eu vivo voltando. Ou hoje, não seja uma opção. Eu preciso dos meus amigos. Só eles são opção para a solidão que você entorpece aos poucos com sua ausente presença. A simplicidade daqueles dias de frio com sol. As mochilas no mastro, quatro se amontoando deitados uns nos outros. Eu amarrando os cadarços deles no outro sapato, para alguém levantar atordoado com o sinal e eu rir daquela pequena desgraça. Garrafas, carinho, trabalho e esperança. Hoje cada um tem uma vida. Cada um é aquilo que pode ser. Todos sorrindo a sua maneira. Sem mais cadarços amarrados um no outro.

Para você, a minha desistência te soltaria um mar de dúvidas, porque eu realmente não valeria a pena e o resto você já viu acontecer. Uma equação qualquer que você fechou os olhos. Mas, não desistir é a única coisa que posso te dar. Mesmo que isso possa me machucar, é a única coisa que posso oferecer a mim e a você no momento, mesmo que isso possa matar é a única salvação possível. Cansei do resto e do imaginário. De onde nunca tem nada no fim. Das frases feitas e de pessoas que procuram me falar o que eu gosto de ouvir. Você não fala. Talvez, porque às vezes não fale nada e me deixe trocando frases com meus mortos . O seu não esforço é quase a certeza e o sinal que esperei para virar as costas. Talvez, o dia chegue e um outro qualquer, seja o corpo que eu procurei. Mas, cansei de corpos também. Eu cansei de quase tudo e não de você. No agora eu só quero ser como sou. E, esquecer que existem outros olhos me perseguindo, esquecer que não é você e que se não é, pouco importa. São os resto e se é resto, não importa. É passado e se não tem cicatriz, passou. É amizade e se não tem carinho, é vazio. É amor e paixão, silenciosa, diferente. Eu deixo os meus dias não serem iguais e abro o peito a vida e confusão. Sinto muito, eu só sei ser assim.

"À medida em que o tempo passava tudo caía num espaço enorme, amar esse espaço enorme entre eu e você, mas não se culpe, deixa eu falar como se você não soubesse"

As frases são Caio F. Abreu


Hermano, te dedico.
Rá. Eu não acho nada dessa música. N A D A. Até que provem o contrário. Podiam P R O V A R do contrário, aprovo. haha
PENSAR, NÃO

"Em luta, meu ser se parte em dois. Um que foge, outro que aceita. O que aceita diz: não. Eu não quero pensar no que virá: quero pensar no que é. Agora. No que está sendo. Pensar no que ainda não veio é fugir, buscar apoio em coisas externas a mim, de cuja consistência não posso duvidar porque não a conheço. Pensar no que está sendo, ou antes, não, não pensar, mas enfrentar e penetrar no que está sendo é coragem. Pensar é ainda fuga: aprender subjetivamente a realidade de maneira a não assustar. Entrar nela significa viver." Caio Fernando Abreu


Quando eu me parti em duas na porta dessa situação. Deixei a que ia pensar esperando e fui com a que diz não. Caminho então, sem pensar, vez ou outro ouço o chamado na porta. Já cheguei a ouvi-la. Até quis realmente trocar quem caminha comigo por aquela que pensa. Mas, no fim, as duas sou eu. E dentro do não o pensamento em aceitar e ter coragem. E na que pensa a porta, o pensar é o meu não. Por tudo que pode ser. Ou por nada. Não sei quais são as cartas que guardo. Nem onde espalhei as minhas cinquenta e duas cartas para enfrentar a vida. Os meus amigos vão ao lado. Enquanto eu sigo, no meio, sozinha. às vezes não e às vezes pensando. Mas, todas as vezes, são vezes que eu queria te emprestar coragem e deixar a vida simples.
Antes disso

"Então me vens e me chega e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para libertar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que nada devo esperar além dessa máscara colorida, que me queres assim porque assim que és..."
Caio (supremo) Fernando Abreu

muitas palavras. depois disso o silêncio...
EVERYWHERE

Eu esperei tanto até esse pega pega de palavras acabar. Na esperança de encontrar calma no piques. Mas, parece que a corrida acabou de começar e ainda existem palavras e silêncio para dividir. E risadas no caminho. Todas essas coisas que importam mesmo e o resto, eu realmente, penso depois.

Desde o início procurei certeza nos seus olhos. Mas, eu não sei ficar quieta. Não consigo esconder dos outros quando descubro em mim. Você só deve saber que não faria mal a você e o resto são todos os clichês desses livros que acreditamos no final. Onde tudo é possível e mágico. Parecido com os filmes da sessão da tarde que dividiu nossa adolescência entre quadrinhos, computador, livros, computador, e finais felizes.

Deve ser algo no jeito simples como você vê a vida e como eu complico. Deve ser a minha constante confusão. O seu pensar demorado. Queria estar aí, com as mãos no seu cabelo pensando que tudo poderia só ser simples. Mas, daí talvez não fosse virar isso. Tantas palavras. Tanto tempo. Faz algum tempo. A paciência que você sem querer me ensinou a ter. E tudo que foi dividido até aqui. I hate waiting, but I'm not complaining.


frase dos garotos de niuorkêcit: locksley
qualquer semelhança com beatles não é mera semelhança, eles são mais "conhecidinhos" pelos covers. dois clipes: esse e esse que eu adoro.
SOMETHING

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

CAOS

Me diz se é isso?
Só diz e depois eu te deixo.
Eu prometo que não procuro mais. Não falo mais. Nem escrevo. Você pode continuar procurando verdades onde quiser.
Mas, me diz. Só porque eu só consigo fechar portas com certeza.
Se você não souber, não diz nada, eu prometi esperar. Eu espero.


INTERNAL DIALOGUE


Eu acho que sinto a sua falta. Eu que sempre detestei rotina. Qualquer que fosse e principalmente se fosse a minha. Eu que nunca fui pura e simplesmente eu para (quase) ninguém, sou assim para você, mesmo que viva coberta de mistério.

Talvez você me veja como uma garotinha. A que senta segurando as pernas ou tira o sapato quando coloca os pés debaixo do corpo quando veste shorts branco e a pulseira de mesma cor. Sinto falta da rotina e dos dias todos iguais. Os dias voltam aos poucos a ser assim. Se eu sinto falta é porque gosto do meu agora. Do meu novo corte de cabelo e do jeito que ele me fez parecer menos menina até quando cai no olho. Das unhas vermelhas sempre descascando e a caneta azul já no fim escrevendo o que coloco nessa tela agora. Gosto do jeito que escrevia no metrô esperando a Saúde chegar. E depois pouco até o Jabaquara e os dias que só te tinha no computador.

Eu gosto de atravessar a Paulista de ônibus. Parada olhando os lugares que já fui. Todos os lugares dessa avenida. As pessoas que conheci. O passado que vivi. Aquela vez que andei com amigos até a IBM para rir com a Letícia. Sinto falta também daqueles outros dias iguais. Minha cabeça em outro você. Um que vive voltando e me chamando para ir em lugares que já não fazem mais sentido. Porque não é o você que interessa. Você, o que interessa, apagou parte do passado para roubar meu olhar pro hoje. Sem cinemas, casas, dúvidas e acertos. O meu único jogo está nas suas mãos. Com seus medos e palavras de fuga.

Já senti pelo seu você não ser eu. E pedi para muitas pessoas procurarem algo que não consegui ver e provavelmente não existe. A caneta vai acabar, minha casa vai demorar para chegar. Vou encostar a cabeça no vidro e pensar com as palavras da Maria Mena, falando em perder o controle. Enquanto você guarda o seu, perto, tão perto que irrita. Se perde, me encontra e vamos. Só vamos.



ps: escrito na rua. no ônibus e em qualquer outro lugar. porque eu virei (por pouco tempo ainda) a abobadinha das palavras. escrever saiu do controle para o resto entrar. troca justa e assim eu te presenteio com mais e mais palavras.
palavras, palavras e mais palavras. SÓ PALAVRAS. se fossem boas, seria quase como Bandini, mas eu vivo em São Paulo não no Bunker Hill. Cada um tem da vida o que merece. Eu sei.
Agora, vou dormir, sono, dor de cabeça, frio(?), sabe por que? Porque amanhã é sexta. Daí essas coisas aparecem pra encher o saco. Repito amanhã é sexta e eu tomo cinquenta aspirinas se for preciso. Fim de semana. Depois da reunião de hoje, e os mesmos problemas de sempre. O cara perdeu a linha com o "garota, você é muito mimada". HAHAHAHA. Tá, eu adoro meu trabalho e tem dias que alguns merecem ouvir. De verdade. E eu nem precisei falar. :)

Maria Mena
MSN

Eu e a gina/mia/tantofas no emêssénê dias desses -

mia says:
sue, vou desistir das pessoas.
sue. says:
é? vai tentar o que agora: plantas ou animais?
mia says:
plantas, sou vegetariana não rola comer animal.
sue. says:
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA.

emêssénê agora-

sue. says:
ah tava postando no fotologuei de valentine's day.
mia says:
eu ia postar uma foto de uma árvore
mia says:
achei melhor não
sue. say:
HAHAHAHAHAHAHAHAHA!
sue. diz:
verdade, vc tá nas plantas
mia say:
é
mia say:
não dá pra comer animais
sue. diz:
HAHAHAHAHA
happy valentine's day
I PROMISSE TO BE TRUE AND HELP YOU UNDERSTAND


A minha vida é a repetição das cenas do passado. E eu olho e vejo tudo igual. Mas, com você eu realmente acho que pode ser diferente. E se for igual, esses dias bons, que meus sentimentos se encostam na vida para olhar a menina andando leve pelas ruas do centro valem a pena.

Não, eu não sei o que acontece comigo. Vou sair daqui a pouco sem saber. Vou andar sem saber. Vou beber um pouco para procurar verdade no fundo de algum copo, talvez eu vá ao cinema ou ao teatro. Talvez eu volte para casa e fique escrevendo mais para você. Até você finalmente cansar de fingir que não sabe. Porque eu poderia escrever um livro só com essa história e jogar na tua cabeceira. Mas, ia demorar muito e tem horas que tempo é pele. E a minha pele gosta das suas mãos. Ou é minha cabeça. Ou meu coração. Qualquer parte do meu corpo gosta de você. Talvez todas elas. Mas, eu não te diria que gosta de você. Porque isso também me assusta. Gosta dos momentos com você. Porque isso é um dia atrás do outro e mais um e finalmente outro. Mais confusão, mais coisas, mais você, mais Suellen.

Porque eu fui feita para isso da cabeça aos pés. Não tenho medo. Tenho, todo mundo tem. Mas, é diferente do seu. É, nunca mais é a primeira vez, então eu não tenho medo de água fria e da vida.

Quanto mais confusão, mais palavras, quanto mais indefinição, mais palavras, quanto mais nada, mais palavras. Tantas palavras vazias trocadas com uma tela em branco. Vou escrever até acabar. E daí, depois, não vai sobrar nada para você. É melhor você fazer minhas palavras mudarem. Então vai ser menos e melhor. Porque daí eu te mostro tudo e faço você acreditar que é só você. Dentre todos. Dentre qualquer pessoa desse mundo enorme e injusto é só você. Mesmo que você nunca acredite no que eu falo.

Me faz perder o ônibus como ele fez da primeira vez. E eu sem saber o que fazer depois. Menina, toda menina com um garoto completamente avesso ao que eu sempre fui. E nossas horas no telefone, nossos milhares de e-mails, nossas conversas enormes e o final cheio de carinho. Não acaba. Amor não acaba. Se transforma ou volta de onde saiu. Mas, eu realmente, não consigo ver depois agora.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

SILÊNCIO

Hoje, eu durmo. Como antes as horas necessárias para tudo ficar no lugar. Então eu dormi hoje à tarde com a janela do quarto aberta e todos os bichos do planeta pousando em mim. Minha mão, meu braço e minhas costas coçam. Minha alma se eu conseguisse tocar, coçaria.

Entre um sonho e outro você aparecia. No sonho que esquecia de uma reunião importante. Você falava: "corre, garota, ainda falta meia hora". Mesmo que em meia hora eu jamais fosse estar lá. Seus olhos me acalmando enquanto eu inventava uma desculpa e falava que ia ficar porque a sua presença valia aquela reunião hoje. Desmarcaria e pediria desculpas pelo nó que está minha cabeça e a vontade nenhuma de discutir as mesmas coisas de sempre.

Então, eu te abraçava forte, como se fosse entrar por baixo da sua pele e correr junto com sua confusão. Nisso não há lugar para dúvidas. Com as minhas mãos preenchendo o seu coração de sonhos inteiros e a sua cabeça de certezas diferentes. Duas vidas salvas do marasmo em forma de tédio e sono. Cansaço acumulado recuperado com as suas mãos.

Não sei as regras desse jogo. Até onde é seguro pisar. Quando é a minha vez de jogar. As suas jogadas me confundem e eu sei que nada daquilo é para mim. No fundo eu gostaria da menor reação. Minha amiga apareceu fazendo piada da quantidade de textos e disse que se fosse pra ela, ela estaria entregue para o "mentor do textos" - mentor é foda - mas, eu só escolho as pessoas mais difíceis ou me escolhem com sorrisos confusos e indefiníveis. Com olhares vagos. Com mãos seguras.

O que eu faço a você, deve fazer você se ver como algo diferente, apesar de eu tentar falar coisas com sentido. Eu simplesmente não consigo falar e você vai embora? Eu não sou boa com confissões, meus olhos são, mas as palavras me traem quando precisam sair. Gastei tudo que tinha e agora parece que sinto a rejeição batendo na porta. Enquanto eu olhava com calmo afeto, você procurava defeitos, para não se deixar levar e tornar tudo muito mais fácil para você. Você continua nesse jogo desengonçado de fuga e medo. Mas, eu respeito os seus limites, os medos e enquanto isso continuo de braços dados com a liberdade. Até que não me importe mais, a liberdade, não você. Enquanto isso me recolho em palavras enigmáticas e esse gostar calado.


ps: sis, parabéns por ser bixete, sabe.
ela vai ser a melhor advogada que esse país conheceu. porque ela é a garota mais foda e seria foda até se fosse fazer biomedicina, não é piada e nem tem trocadilho. eu juro. (essa nem ela vai entender, porque eu esqueci de contar, duas coisas)
WAITING


Os dias corriam. E eu vivia tudo de uma vez. Sentia tudo ao mesmo tempo. Me perdia em olhares que nunca foram como os que você não segura. Um turbilhão em forma de garota bem resolvida. Era o que eu achava e fazia os outros acreditarem. E eles acreditaram, achavam que o meu sorriso e o dele eram alegria, nós dois sabíamos a confusão e o caos que desenhavam nossos finais de semana. Garoto, você sempre foi eu um pouco piorado. Sinto falta de você entendendo tudo e ouvindo aquelas coisas que eu detestava e aprendi a gostar. O seu livro ficou aqui, assim como as lembranças de você me derrubando na frente do bloco três.

Meu dia de hoje se dividi entre lembranças e incompreensão. Sem você, meu medo, fica enorme. Se você não descobrir, e aceitar, e me aceitar com alguma confusão. Mesmo que eu não consiga pensar no depois. Agora, só penso nas horas que seguem. Depois a gente decide junto. Sem mais eles para entorpecer a impossibilidade. Por um longo tempo, espero você.