segunda-feira, julho 20, 2009

Don't explain



Quantas vezes eu esperei que fosse ser diferente? E, então, bastava uma mera oportunidade para você me provar que agiria sempre da mesma forma e que pouco importava algo combinado. A proximidade com o cinza da alma de outra pessoa deixa a sua com uma cor desinteressante. Começou naquela palestra que eu queria tanto assistir, afinal, é da pessoa que faz tanta coisa ter sentido, é a pessoa de quem compro livros, leio colunas e me emociono ao pensar que tudo é sempre possível, combinamos que ninguém iria caso as obrigações não estivessem concluídas, você foi. Não devia ter me preocupado e, depois, jamais ter esperado nenhuma promessa sua ser cumprida.

Mas, daí eu te pedi aquilo que jurei ser o último, era simples demais, sinceridade, era só um sim ou não, era só a verdade. E, de novo, você não fez, não quis, não se importou. O que eu senti sempre te pareceu muito pequeno e você nunca teve o menor cuidado. Agora, é a sua vez, é assim que vão tratar os seus sentimentos, você vai ser a salvação momentânea, a droga necessária, as necessidades, o aconchego oportuno, as palavras certas para acalmar os pesadelos. Você vai ser algo que estará ali quando for preciso, como eu estive milhares de vezes e como alguém também está.

Quero, de verdade, que você possa ser feliz sem se entorpecer. Que você tenha conversas esclarecedores sobre coragem e amor. Que você encontre caminhos para se sentir maior, talvez arte, literatura, cinema ou apenas um trabalho incrível. Torço diariamente para que você descubra o valor das pequenas relações. Entenda, em silêncio, que pior do que uma verdade é sempre a omissão. Adoraria que você aprendesse com a raposa que somos responsáveis por aquilo que cativamos.

Quero, torço, adoraria que... Mas, não espero nada de você.


ps. o título e a foto são Cat Power, a música é um cover da Billie Holiday, que a Chanzim canta lindamente.

domingo, julho 19, 2009

"só queria te dizer que..."

Quando subo no alto de um dos prédios mais altos dessa cidade me sinto gigante, como se pudesse lá de cima mudar as peças de lugar, diminuir tudo para deixar o céu ainda mais visível nessa selva de pedra. Não sinto medo e nem uma falta inexplicavel que se abriu com a sua ausência. Nunca achei que de fato você importasse, às vezes era incomodo te sentir por perto, ali o tempo inteiro, quase como uma certeza. Sempre soube que não podia te pedir para ficar e mesmo do alto do prédio, uma gigante não consegue ser maior do que as suas certezas.

Você falou comigo como nunca antes. Organizou todos os pensamentos para deixar evidente que haviam erros meus, por mais que você sempre tenha feito questão de segurar a onda...

Você fez de toda história um dos seus textos sem final.


ps. o título é de "para uma avenca partindo" do Caio F.
Ainda é muito cedo para desistir, o sol vai nascer amanhã dentro dessa cidade cinza e os prédios escondendo toda a natureza desse lugar vão me lembrar que o melhor está guardado. Então vou me levantar, pegar a minha bolsa, escolher uma roupa, ser meio garota, meio mulher, encontrar novos lugares para sonhar e novos sonhos para desfazer o passado. É preciso coragem para começar em um novo lugar e força para se livrar do que não serve mais. Quero ser importante e não, necessária. Quero que as minhas ideias sejam ouvidas, consideradas, avaliadas e só então, talvez, descartadas. Quero ouvir as minhas músicas sem ninguém dizer que elas são estranhas ou ruins. Quero escrever os meus textos sem ninguém se encontrar neles.

Quero (re)começar.
Sabe, eu ia para o Rio, ia viajar, ia mudar de ares, ia congelar todas as minhas lembranças, lidar com a falta real, ia colocar entre as certezas milhares de km. Ia voltar com um presente bem insignificante para você (assim como tudo que te dei). Ia mudar, ia fazer mil e duzentas coisas... Adiada a viagem e as outras coisas?

"Não andei pensando muito sobre o tempo que passou. Acho que isso é até bom, não é?
Tô com sono, cansada do trabalho, mas just a little bit feliz por ter terminado aquele parto.
Sei lá, continuo na mesma...
Tô com medo.

Não andei pensando muito sobre o tempo que passou desde que nos... enfim... e mesmo que tenha ficado tudo resolvido, não sei se eu voltarei a quebrar palitos de dentes na sua frente, ou tentar inutilmente colocar as folhas do cardápio em ordem. Talvez eu fique embaralhando postais iguais várias e várias vezes até que se misturem. Mas são iguais, né?
Acho que vai ficar aquele silêncio de novo, claro, não temos o que falar! Até me incomoda o seu jeito de não se conformar com um aceno e um sorriso de longe. Aquela sua vontade de tentar ir contra o que é natural: não temos mais nada para conversar.
(Será?)
Mesmo assim fica uma dúvida: será que eu vou ficar... é... assim... tensa daquele jeito? Será que eu temo uma reação sua ou... é... assim... uma reação minha? Não sei se o tempo conseguiu congelar tudo aquilo de uma vez por todas e acho que o que mais temo é você. Desculpe.

Que injustiça! Colocando a culpa em você! Desculpe! Não quero que você fique chateada comigo, mesmo. Mas nunca vi ninguém assim, digo, com tudo tão a flor da pele, mas tão a flor da pele que pode extravasar a qualquer momento. Não sei se para você o tempo congelou tudo isso e se você vai ficar tensa ao falar comigo, se você vai tremer, gaguejar e fugir dos meus olhos como sempre. Calma! Não estou pedindo que faça o contrário... é... assim... eu sei lá.

Assumo que sou curiosa em relação a isso, digo, ao que está dentro de você. Uma parte de mim quer que você esteja completamente curada e a outra parte, sem motivo concreto ou algum que eu saiba explicar, quer que ainda hajam resquícios daquele tempo, passado, ontem, ano passado.
"

Um texto da garota de dezesseis anos (mesmo que agora ela já tenha mais) que escreve melhor do que eu.

segunda-feira, julho 06, 2009

E as noites cada vez mais limpas

Em poucas horas você passou fazer parte da semana seguinte e dos outros dias inteiros. Foram poucos minutos entre a gente que não sei muito bem como começaram, porque aconteceram, você foi um desafio que eu comprei para mim, uma verdade que eu quis inventar naquele bar com luz vermelha. Você me dizia que aquilo era uma merda porque não podíamos, não deveriamos, não era o certo. Nunca fui muito de certo e errado e, nem tive tempo de te contar isso. Você me disse várias coisas quando estava indo embora, lembro de você virando a rua do bar, você anda de um jeito meio infantil, como eu ando. Talvez você marque o meu desencontro. Mas, foi no seu encontro que percebi o quanto deixei outros passarem. E, o quanto precisava me libertar de coisas mal resolvidas para resolver o presente e acreditar no futuro.

Não foi a sua beleza que me chamou a atenção. Foi o sorriso, a forma como você dançava e parecia acreditar na vida e não deixar ela passar entre os seus dedos. Foi a sua liberdade quando levantou os braços em uma música que você parecia gostar muito, que me fez ter certeza que você seria meu, dali aos próximos minutos esperei até a hora certa de sentar no palco. Então você veio e pegou na minha mão me convidando para dançar; continuei sentada, falei uma besteira qualquer então você me calou com um beijo. Mas foi a sua mão quem disse mais de quem você é, o jeito firme como você me segurou, mesmo que naquele momento eu estivesse namorando e não era você. E, mesmo que naquele momento você também estivesse com alguém e, não era eu. Um erro que gostaria de repetir... Só que infelizmente mal sei quem é você.

Quem sabe em outra noite, naquele mesmo bar, eu não repita o erro do desencontro e possa te encontrar, dessa vez: inteiros.


Eu já fingi ser muito melhor
Eu já aprendi ser pior
Mas sem mentira
Eu já fingi muito melhor
Eu já aprendi ser pior
Mas sem mentira

Só de viver no seu mar
De merecer seu olhar
Seu beijo todo dia
E as noites cada vez mais limpas

Quando eu me vi no seu cais

terça-feira, junho 30, 2009

What can I do?

Uma noite dessas vi um sonho colorido se desfazer em realidade. Você levantou e foi até a mesinha pegar uma folha que eu tinha deixado lá, largada, esquecida ou substituida pela sua presença. A sua ausência me fazia poesia. A sua presença era uma crônica diária, quase uma fábula com uma moral infantil no final.

Você pegou a folha, leu as primeiras linhas, sentou e terminou a minha história. O seu final era feliz...

Nós éramos felizes, mas nunca percebemos, quase foi o fim. Mas, você o substituiu com um beijo roubado com a força do desejo reprimido.

As formas do seu corpo do tamanho exato das minhas mãos... Mas, eu já não podia, não agora, não assim... Não mais.
Maybe not


E a cada novo dia aprendo mais sobre cada vez menos. Os dias são diferentes porque cansaram de ser iguais. Atendo o telefone por impulso, repasso na minha cabeça os pedidos, o carinho, a dedicação e a forma como ele me diz coisas bonitas. E, nada disso parece ser o suficiente para finalmente te...

sexta-feira, junho 26, 2009

One day



E todas as vezes que chego até a porta, quando me esqueço de como o seu jogo me fascina, como os seus lábios me mostram caminhos por onde nunca caminhei. Te encontro parado com um livro não lido. Uma verdade não dita. Te vejo vestido de nãos, pedindo em silêncio para te colocar na parede e pedir mais um... O único que você me negaria. A sua falta de palavras me diria tudo que sempre quis ouvir. Era o fim e o começo, enfim.

Você, parede, sim?



ps. tenho uma música nova favorita da Alanis, Incomplete.

quinta-feira, junho 25, 2009

Eram duas pessoas dessas que vemos por aí andando, conversando, sorrindo, maiores e melhores juntas. O colorido e as certezas dela, a razão que ela aprendeu a viver e ensinou para ele que era interessante ser assim. As dúvidas e as emoções dele que ele mostrou para ela serem necessárias existir. Se completavam com a seriedade das diferenças.

Eram dela os livros falando de amor e dele os filmes. Eram dela as canções falando de dor e dele as letras. Era dela a razão aparente e dele a emoção visível. Eram, os dois, resultado dessa mistura.

Se encontravam em noites frias, sem se procurar em um abraço, sem notar que o desejo era evidente...

Será que graças ao tempo... um dia depois já é tarde demais?

quarta-feira, junho 24, 2009

Pequenos prazeres

Foi engraçado ver o tempo passar diante dos nossos olhos enquanto nos perdíamos em planos. Um fim de tarde em um lugar longe daqui talvez fosse o suficiente para transformar os nossos dias em novidade. Uma noite na nossa cidade transformando as palavras em silêncio talvez pudesse mudar a nossa história. Encontraríamos o ritmo perfeito e o equilíbrio do desejo. Todos foram feitos para encaixar perfeitamente desde que a preocupação com o próprio prazer seja proporcional ao do outro. Claro que os papéis se invertem, se desfazem, são interpretados no ritmo da respiração. Espero alguém que eu queira ter com a urgência do agora... Uma novidade, enfim.
because i can't help wonder why you ask me

O que ainda resta do passado é uma vontade reprimida, um carinho contido, um beijo que parou nos lábios. Não quero mais o romantismo literal, prefiro o abraço apertado, o encontro desencontrado das nossas mãos. O romantismo fica mais interessante em atos do que em frases soltas.

O romantismo está em alguns livros que gosto de ler, em filmes que gosto de ver, em pequenos detalhes menores do que tudo que um dia usei... O romantismo é pouco, muito pouco.

ps. o título é Alanis... denúncia de que sinto falta da sis.

segunda-feira, junho 22, 2009

You could be happy

Sempre soube que você poderia estar feliz sem que eu soubesse. Ou que estivesse precisando de algo sem ser eu ali te falando coisas legais ou te mostrando como você pode fazer tudo errado e mesmo assim as minhas certezas não se movimentariam um milímetro. Sempre soube que seria você, era você que mudaria a minha vida quantas vezes ela permitisse mudar, era o seu abraço que deixaria o vazio de lado e o nosso amor seria sempre mais do que a nossa pele.

Tantas coisas que não queria ter dito ao te ver partir e, outras que minha racionalidade sempre encaixou no lugar de proibido, você sabe que na minha cabeça tudo sempre teve que ter lógica e nunca fez parte dos meus planos te deixar. Tudo foi mais forte e maior do que era possível aguentar, os problemas pareciam não encontrar soluções reais, estar ao seu lado tinha um peso maior do que eu achei que poderia segurar mesmo que os meus melhores dias fossem ao seu lado.

Será muito tarde para te lembrar de como éramos? Dois adolescentes fazendo planos grandes, dois sonhos em caminhos diferentes, duas vidas próximas e separadas pelas metas. Eu me sentia maior com você por perto, a sua inteligência, as suas piadas certas, as suas manias e os seus defeitos pareciam parte de um pacote grande que sempre gostei de admirar.

A maior parte do que lembro daquele dia tem a luz do pôr-do-sol, as suas lágrimas lavando o seu rosto, o seu sorriso escondido enquanto me contava algo que mudaria as nossas vidas para sempre. E tudo que lembro me faz querer ter esse momento agora para te impedir de sair por aquela porta.

Você pode estar feliz e eu espero que esteja, você me fez mais feliz do que eu jamais fui. E quando penso em fatos, tento pensar que pelo mais curto espaço de tempo, isso não é verdade.

Você escreveu o nosso ponto final em uma conversa durante uma tarde chuvosa de um país que não conheceu nossa história. E, agora, depois de tudo isso, você vai casar e não é comigo.


domingo, junho 21, 2009

I Will Possess Your Heart


Era como se eu vivesse em parte nenhuma e toda parte fosse minha. É estranho se sentir estrangeiro em um país que me ensinou a sua língua, me emprestou seus costumes, escreveu páginas da minha história. Andava olhando para os lados dentro dos aviões, no metrô, corredores frios sempre tão impessoais. Minha cabeça vagava para algum lugar onde estive alguma vez, era essa procura por uma sensação já vivida que me fazia mudar, visitar campos com flores amarelas, dormir em hóteis baratos, andar ao lado do Rio Sena, visitar igrejas, acender velas e ouvir música alta enquanto fecho os olhos a procura de algo.

As luzes sempre foram um encontro, subia mais alguns andares e parava em frente de letreiros sem nada entender, os meus caminhos não conheciam um rumo, estava solta e grudada nas lembranças. Estava guiada pela liberdade e segura dentro de mim. Não falava, não gritava, não sorria, no máximo olhava com vazio a procura de algum olhar desconhecido que me mostrasse a luz.

Li alguns livros enquanto o trem andava. Subi inúmeras escadas a espera de alguma delas me levassem para um lugar menos óbvio do que só para cima. Olhei cada vez mais alto.

Queria poder enxergar o nosso potencial de sermos um. Escrevemos a nossa história em uma língua que não conhecemos, procuramos nos dicionários definições melhores para amor do que as que fazemos existir. Talvez devesse parar de pensar em como tudo isso é só um erro e te dar a mão enquanto andamos por um desses lugares que fazem de nós apenas dois estrangeiros. As nossas piadas ainda se encaixam, o seu sorriso ainda é o mesmo, o seu jeito de garoto no corpo de um homem feito, mas eu? Eu continuo olhando para cima esperando do futuro algumas garantias duradouras. Você tem que passar um tempo comigo.

Eu sei que rejeito os seus passos, ignoro seus pedidos, não deixo você ultrapassar uma distância segura, para mim ou para você, por precaução não podemos tirar a ponte entre nós. Precisamos conter as mãos, segurar os abraços, impedir os olhos de se encontrarem com desejo.

Entre tantas paradas encontrei algumas companhias, apartamentos divididos, sonhos de uma noite só, amores de conveniência, alguém para tirar algumas fotos que gostaria de te mostrar. E, sempre, a forma como deixo a minha cabeça voltar para trás é a procura de uma lembrança sua.

Continuo andando por aí, sempre estrangeira de mim, na neve ou no sol, no futuro ou no passado, em ruínas ou grandes construções, saio quase sempre em meio a tanta gente e tão só. Talvez, a solução, seja eu deixar você possuir o meu coração.


ps. texto feito em oito minutos, em cima do clipe do Death Cab For Cutie que tá nesse link e da música que tem o mesmo título do texto.
Brincadeira com a sis. =)
Não saberia dizer como tudo começou, porque se alongou... Talvez tenha sido aquele dia com o karaokê e o jeito todo seu de gostar de Beatles, a coincidência de a primeira música que entendi sem notar que não era minha língua ter sido Help. Os dias se seguiram, as conversas se encontrarem, os segredos se trocaram. Uma ótima companhia para fazer nada. Um lugar para encontrar conforto em silêncio. Quando você não precisa falar nada, quando não precisa ouvir , e sabe que não precisa entender porque em algum momento aquilo tudo será ou não, compreendido. É como um estalo no meio da tarde quando procuro paz. Algumas palavras, outras letras, alguns sorrisos.

Talvez você note que eu ando meio perdida. Falando alguns "não sei", mais agitada do que todo o comum, talvez perceba que eu não queira nenhum deles porque não sei mais o que quero. Sair de mim. Me livrar de lembranças de fatos não consumados. De sonhos sonhados até o momento ideal, quando meu edredom amarelo me empurrava para realidade, mesmo que ali, parado. Não sei. Você já me ouviu falar alguns "sei lá". Não sei em que instante as coisas deixaram de ser comuns e se tornaram diferentes. Quando notei que você existia de uma forma diferente dos outros. Mesmo que odeie análises, te vejo de muitas formas, forte e decidido, simples e calmo, complexo e sonhador, uma intensidade omitida. Às vezes, tenho vontade de te pedir para sair na chuva e deixar a água molhar todos seus sonhos. E se com isso, você só ganhar um resfriado, existe aquele chá de morangos, que faria sua voz voltar a ser ouvida.

Sabe, tem algumas coisas que eu nunca contei para ninguém, algum detalhe seu, que faz toda a diferença. (...)

05/12/2008

"Pensei uma coisa tão bonita que até nem compreendi. E terminei esquecendo o que era."
(Clarice Lispector)

ps. Foto da Jana.

quinta-feira, junho 18, 2009

You may say,
I'm a dreamer


Engraçado como eu cansei. Sabe? Aquelas mesmas histórias. Os mesmos problemas. Os mesmos modos e as mesmas certezas. O mesmo drama. A mesma felicidade, vazia. As mesmas promessas e o mesmo fim. Será, enfim?

Quero sentir outros cheiros, descobrir outras formas, sorrir de outras piadas. Quero passar tardes inteiras ouvindo músicas, que eu ache boas mesmo que elas não sejam.

Quero alguém que me tire das certezas e me queira com a urgência, certa.

A última vez que te vi, você estava ali, sentado, indefeso, me pedindo coisas que não conseguia entender, não podia ouvir. A última vez que te quis você não estava. Agora sou eu que não estou.


ps. a foto é da sis em um dos muito lugares que eu adoraria estar com ela. Mais fotos aqui.

terça-feira, junho 16, 2009

Janeiro, 2007

E se as escolhas erradas renderam frutos talvez eu abaixe para colher ou simplesmente siga adiante. Não é a minha pretensão te pedir para ficar onde eu jamais estive com você. E os dias que a minha cabeça estava no seu ombro e os pensamentos em outro lugar, meus olhos procurando outro sorriso, talvez me faça te dever um pedido de desculpas. Você foi a pessoa certa no momento errado, ou aquele que fez sentir bem quando mais precisei de alguém, era você quem estava lá para me seguir até o fim do mundo, compartilhar das minhas loucuras, buscar uma coca-cola, sempre foi você quem olhou para os dois lados na Augusta quando eu simplesmente atravessava.

E, o tempo, tão justo e injusto com as lembranças me faz só sorrir quando passo na frente daquela sorveteria que um dia mudou a ordem das coisas e, fez de todos os dias um novo começo. Foi o seu abraço, sem possibilidade de fuga, que mudou a minha vida como ninguém jamais conseguiu. Não sei onde coube o erro e a distância. Em algum momento eu devo ter ficado entediada, egoísta, idiota e fugi, como sempre faço, fujo de tudo e todos que podem se tornar especiais só para continuar com os sonhos intactos, com amores não consolidados, com verdades nunca ditas.

Não te peço para voltar a ser a pessoa que olha dos dois lados da rua antes de eu atravessar, nem para se preocupar como você se preocupou um dia, só posso assumir as consequências da minha distância.

Não tenho um pedido de desculpas, precisava viver algumas outras coisas, lutar - em vão - em outras batalhas, gastar o tempo - sem porquê - em outros problemas, errar e acertar. Precisei da distância, fiel escudeira, para te contar que não me arrependo do que fiz nesse tempo longe, mas reconheço que errei (com você) também.

domingo, junho 14, 2009

Perfect little secrets


Vivemos entre lembranças de amores consumados e divagações de amores não realizados. Marcamos nossos passos enquanto pensamos como foram bons aqueles outros tempos, temos saudades do nosso comodismo, dos domingos, das nossas garantias, do fim da carência certeira. Sonhamos acordados com o romantismo do que nunca virou verdade, um amor que nunca passou de comodismo, lembranças que nunca passaram de mundanas, sonhos que nunca passaram de uma noite. Uma amiga me disse uma vez: "só um amor não vivido pode ser romântico". São esses os que estão nas prateleiras e nos ouvidos de muitos garotos com all star e camisetas legais.


"Você vai ser sempre quem eu vou amar, mas não dá".

sexta-feira, junho 12, 2009

Sem planos

Nunca soube ao certo como se deixar levar, era uma mulher com a alma de uma menina, uma adulta presa em outro tempo. Sempre quis do amor algo além dos sorrisos programados, dos olhares ajustados, do romantismo convencional. Viveu a frente do seu tempo guiada pela liberdade e guardada em outra época, entre aquelas com vestidos longos, tudo isso, convenções que a deixaram fora do agora.



Viveu amores não consumados, guardou desejo e deixou sair de si aquilo que nunca foi de ninguém. Sempre achou estranho aqueles que falam o tempo inteiro e, se sentia confortavel quando estava com alguém onde o silêncio não fosse incomôdo. Era como se tudo fosse estranho demais e, o seu passado fosse só um rascunho esperando uma nova página em branco para acabar com o impossível, gostaria de escrever a história com uma caneta azul para não confundir o colorido dos dias com o do seu caderno, ainda, em branco.



Levaria um tempo até tudo se transformar mais uma vez, não queria pensar em caminhos nem escolher um lado, sabia que tudo se encontraria em um instante chamado: inevitável.



Por falta de planos, apenas viveu.

quinta-feira, junho 04, 2009



Pensou que poderia ser como uma dessas meninas que ficam lindas com flores nos cabelos. Pensou em um lugar calmo e simples onde a felicidade fizesse parte da paisagem. Pensou nos dias que viveu em paz no seu paraíso particular e intocado. Pensou no chá de morangos selvagens e, na doçura dos dias como aqueles. Pensou, pensou, pensou. Cansada de pensar, saiu...


Cores simples

Alguém disse que esquecer uma guerra não quer dizer que tenha vencido. Simplesmente ignorar pode tornar tudo insignificante, mas não, final. Alguém que em palavras simples a deixou ali, sem nada que pudesse, sem nada do que vestiu só para não sentir frio e, ela quase roubou um abraço para se sentir protegida outra vez; mas não era a proteção dele que queria, ele, que nunca foi a pessoa certa para os momentos errados. Algumas coisas podem ser apenas simples quando acaba o sentir.

Cansada de sentir errado, se tornou incapaz de sentir certo, não sabe como confiar, é arisca como um peixe dentro do seu aquário, não adiantar bater no vidro para conseguir atenção. Ela simplesmente precisa que a liberdade e a naturalidade existam no mesmo espaço. Respostas pontuais para perguntas simples. Sabe onde é o seu lugar e não quer ultrapassar a ponte insegura que separa um lado do outro. Se acostumou, depois de tanto errar, que pode escolher entre gostar do simples ou do lado colorido, porém, novo. Às vezes, queria ter a coragem de parar ao lado do erro colorido, sentir as mãos dele, enquanto não pensa em nada, como todos os momentos mágicos que viveram enquanto ela apenas não se importou. Entre certo e errado, ela fica com a guerra esquecida, outra batalha perdida.


imagem desse site: http://www.thecherryblossomgirl.com/

ps. obrigada a Kamila, que comentou no penúltimo post e, eu adoraria saber quem é.

sexta-feira, maio 29, 2009

Verbo transitivo direto

Quero alguém que seja como os meus amigos, que se divirta com muito pouco e goste de sair para jantar em lugares legais, que seja feliz em um inferninho e não se importe em ir a baladas caras, que não pagaríamos, porque a profissão nos permite pequenos luxos. Alguém que encontre piada na própria desgraça e que se ama antes de me amar. Que se respeite antes de me respeitar. Que conheça seu próprio valor antes de procurar o meu. Alguém que recuse os meus programas e proponha fazer nada em uma noite de sábado. Que me mostre coisas que nunca veria. Que goste da minha família e que eu goste da dele. Alguém para entender que nada é tão simples quando se trata de sentir, mas não existe escolha a não ser aceitar que...

Alguém com histórias que não me cansem nunca, com amigos com assuntos engraçados e de quem, com o tempo, seria amiga também. Ninguém seria importante para mim sem conhecer a sis, sem respeitar a falta que sinto dela, todos os dias. Alguém que entenda a minha semana mágica do mês, quando eu realmente quero atenção, diferente de todas as outras, quando costumo ser simplesmente indiferente.

Alguém que não está no meu agora. Sem rosto, forma ou nada que defina um objeto transitivo para o meu verbo direto. Amar?

Diferente de tudo que senti (tanto tempo), hoje, você me fez indiferente. Sua presença ou ausência não me disse nada. As suas cores não me mostraram luz. A sua forma de ser, não me importou. "Mas bobagem, quanta amargura,eu já sei que a vida é dura, agora é pura questão de se acostumar. Basta ter coragem e finura e o jogo de cintura aprendido dia a dia, bar em bar. Pra que reclamar se tem conhaque, se na tevê tem um craque e o meu Timão só entra pra ganhar? Pra que imitar Chico Buarque, pra que querer ser um mártir se faz parte do momento se entregar?". O pullovers fez poesia em frases simples e eu, com as palavras deles, fiz piada com um garoto. " e a consciência pesada a cada nova vontadinha que surgir de outra mulher, de liberdade, de um amor de verdade, de poder fechar os olhos e sorrir, pensando que então, dali pra frente, seja qual for tua idade, o melhor ainda vai estar por vir!"

E então, sem planos, eu simplesmente volto a me entregar, a vida. Por fim...

quinta-feira, maio 28, 2009

"S e m a n i n h a j ó i a"

Essa semana conseguiu me tirar do meu centro. Esquecer durante todos os minutos porque um dia gostei tanto do meu livro de criança que rege minha vida adulta. Ver o lado bom das coisas mesmo quando isso parece quase impossível e, foi. Fazia tempo que não animava tanto para uma coisa como para palestra, que perdi. São como os planos que não faço, as viagens que não programo, as coisas acontecem e são boas, por fim; mas algo programado pode sempre gerar essa sensação de perda que me incomoda. Depois a festa que tanto queria ter ido e por fim, mas não menos importante, adiar para mais uma semana assistir o filme do livro que li mês passado, aquele com uma dedicatória feliz que ganhei quando fiz dezoito. Essa semana foi de planos adiados e outros desfeitos. Perdi a paciência com quem jurei tentar ser tolerante. Desisti de enfrentar os obstáculos, mesmo que seja necessário perder, mais uma vez. Não quero, não consigo, não sei lidar com tantas coisas (ruins) ao mesmo tempo.

A sis falou que eu não consigo simplesmente porque não tento, será isso mesmo? Eu não tento ser tolerante? Por que todos simplesmente são e, para mim, é algo que preciso tentar? E sem ela aqui, fica tudo um pouco mais solto e sozinho.

Consegui, nessa semana, tratar mal metade das pessoas que me fazem bem. Ela me pediu para confiar que resolveria tudo e, eu não confiei, porque não confio desde quando me decepcionei com a minha mãe e a minha vó (por adoção) que sacrificaram o pastor alemão que era minha vida quando era pequena, até os dezesseis achei que tinha sido a veterinária a culpada por ter dado uma injeção errada no pobre cachorro. Ele passou e, eu nem se quer lembro como se chamava. É essa sensação de perda que dura por alguns dias, talvez anos, mas passa.

Não confiei, insisti, perguntei. Só que ela realmente se virou e resolveu, fez tudo que falou, me mostrou resultados ao invés de problemas e, se irritou com a minha insistência em deixar o passado influenciar tanto no meu presente. São essas algumas das pequenas coisas que me farão sentir arrependimento no futuro. Porque tento arrumar o passado, clarear o futuro e esqueço que estou no presente.

São tantas coisas simples que resolvo em palavras, mas que na vida, na hora de agir, no vamos ver... É essa minha mania de "pensar".

Entre tantas coisas ruins, nessa semana, ele sumiu...

terça-feira, maio 26, 2009

If you were never aware of what was around you

Queria sentir a paz daquele café. Ouvir a forma que ela me acusa com razão e me diz, sem julgamentos, que me avisou em silêncio. Ela sempre foi capaz de entender cada uma das minhas loucuras, das minhas ponderações, do meu sentir sem sentido. Nenhum julgamento, nada, nada, nada. "Todo mundo tem uma pessoa no mundo. Uma pessoa pra tudo, todas as horas, a sua correspondente no mundo. Você é a minha". E a falta da presença dessa amizade nos meus dias e, a sensação de como norte e sul podem estar perto, me faz perceber que ela é a minha. A minha correspondente no mundo. Só que tive que deixar ela se corresponder por outros meios, mais muitos meses até o abraço e, esse um ano ter só passado.

Queria colo. Contar tudo que estou sentindo e ela notar sem nenhuma palavra o que não contei, o que não sei. Queria falar que ela se enganou, que a pessoa de quem ela mais me alertou, é a que mais está aqui para todas as horas. E, fazer ela ir desistindo da implicância.

Quero ouvir ela falar que o meu problema é acreditar nas pessoas. Que devia reconhecer que nem sempre amizade é uma via de mão dupla e, que eu, sempre que encontrar estradas assim devo simplesmente mudar o percurso.

Traz dois cafés e a conta pra mim?


ps. o título é de "Marching bands of manhattan" do Death Cab For Cutie.
ps²: e a minha pessoa é a
melhor amiga.

domingo, maio 24, 2009

Vários mundos, poucas regras e alguma liberdade

Se olhou no espelho naquela manhã e decidiu que iria se sentir bem. Tomou banho enquanto pensava na roupa, leu algumas notícias enquanto esperava o café, sorriu enquanto se sentia leve. Se vestiu com todo o cuidado de deixar os cabelos com aquelas ondas que gostava e de um jeito que não parecesse nenhum animal silvestre, queria controlar aquela onda, embora pretendesse soltar todas as outras.

Fez um telefonema apressado antes de sair de casa, marcou um lugar comum e foi, sem saber se ele realmente iria, mas quem sabe fosse hora de explicar porquê foi embora.Ela nunca quis se entregar para alguém que estivesse entregue a ela. Gostava daqueles jogos complicados, queria conquistar e ser conquistada, nunca foi uma pessoa fácil, já ouviu reclamações o suficiente e mudou, porque admitia que mudava o tempo inteiro, desde que as mudanças não fossem uma ameaça externa. Preferia se não participar a se adequar aquelas regras dos outros. Queria que todos esses que fazem as regras, inventassem uma simples, que um dia, o proibissem de amar. Quem sabe um amor proibido faria muito bem...

Saiu, apressada, ainda decidida a se sentir bem, disse bom dia para o maior número de pessoas possível, brincou com as crianças na rua, estralou os dedos para um cachorro, se sentiu em contato direto com todas os vivos que não conhecia, talvez fizesse parte do dia e eles soubessem da sua decisão.

Percebeu em salto que esteve dormindo por tempo demais, pensando no passado, calculando o futuro, esquecida de que era hora de lembrar do sabor de viver.

Encontrou ele, que ainda a fazia se sentir bem, conversaram e decidirão deixar o tempo decidir por eles. Não fizeram nada, nem ao menos um beijo selaria o compromisso, ela precisava pensar em como era acordar daquele sonho pesadelo e ele precisava decidir se queria entrar em um novo mundo, o dela.


31/03/09


ps. texto guardado porque na época poderia dizer demais de algo que não queria falar nada.

quinta-feira, maio 21, 2009

White Flag

Vamos nos esvaziando do passado, guardando as lembranças boas, descartando as mágoas, nos limpando para um futuro que nem sabemos qual. Esquecendo velhos abraços, procurando novos olhos, mais possibilidades e outros sorrisos. Tive que sentir alívio na forma de um beijo para notar que nada do que procurava estava, definitivamente, fora do meu alcance. O alívio anunciou o fim da urgência e, o começo de uma nova fase, sem necessidade, nem precisão, com a vontade controlada demais para se tornar atitude. E, a vida começa a andar, sem avisar e sem ninguém notar. Ewige wiederkunft.


And when we meet which I'm sure we will
All that was then will be there still
I'll let it pass and hold my tongue
And you will think that I've moved on....

quarta-feira, maio 20, 2009

"só vive e vai vivendo"

Em uma caixa guardo todos os meus defeitos e o maior deles é essa preocupação infinita com os outros. Procuro deixar todos em posições confortáveis, não descartar nenhuma das pessoas que passaram pela minha vida, não magoar e principalmente não ignorar ninguém. E, no meio disso, passo horas pensando em como fazer tudo caber, não quero ou consigo, me virar para quem esteve por perto quando eu teimava em estar longe e, ainda mais alguém que notou antes de tudo, que era preciso alimentar minha coragem e por desprendimento, me mandou ir atrás do que eu quero. Pela falta de um lado, fico no meio. Queria, apenas, somar sem precisar dividir.

Em outro lado dessa caixa está minha intolerância, meu humor ácido, meu sarcasmo sem limites. Uma dose de drama. Um monte de piadas sem graça. Entre os meus defeitos encontro a falta de tato com certos assuntos. Uma vontade enorme de me arriscar, de deixar que o mundo me acerte, da falta de auto-proteção. Simplesmente sigo as minhas vontades, assumo meus erros, me orgulho do meu passado ainda que ele fragilize o meu presente.

Entre os meus defeitos está minha falta de atitude em relacionamentos. Posso falar muito, escrever mais ainda e, nenhuma atitude além dessa é tomada. Embora isso seja controverso porque já me falaram que eu tenho atitude. Depois de beber, nada gerencia os atos além de um desejo quase reprimido, embora eu tenha certeza que nem bêbada tomei atitude alguma. Eu sou (meio) mané.

Quero tirar dos outros a tristeza mesmo que tenha que lidar com ela. Quero me sentir grande e viva. Quero ser uma mulher sem nunca deixar de ser menina. Lido com as responsabilidades como quem lida com a diversão. Transformo tudo em uma rima que não sei continuar.

Penso em milhares de coisas ao mesmo tempo. Começo coisas sem nunca chegar ao fim. Esqueço de mandar um e-mail importante. De ligar para falar de algo realmente relevante. O meu julgamento de importância é diferente dos outros. Me sinto sozinha rodeada de gente demais.

Não suporto que me interrompam. Não sei ser cobrada. Nunca pegue meu celular sem que eu deixe ou interrompa uma ligação. Não me pergunte para quem estou escrevendo. Não me irrita com coisas óbvias e não me deixa esperar. Embora, eu, faça esperar.

Já levei muito tempo para estar pronta até dar um passo a frente. Demorei demais para dar o meu primeiro beijo porque queria que fosse especial. Guardo as primeiras vezes, a primeira música, o primeiro texto, o primeiro sorriso. É um desafio me regar de novidades.

Dentro de uma caixa mantenho defeitos e recolho qualidades.
Pela ausência de um fim melhor, faço dessa a minha caixa favorita, o exato momento que me procuro e reconheço a imperfeição.

terça-feira, maio 19, 2009

Equalizar

Basta eu me soltar para chegar tão perto. E, na minha cabeça começa a passar aqueles filmes que gravamos em frases soltas. Se eu pudesse te transformar em uma frase com sujeito, verbo e predicado seria uma bem curta, simples e sem nenhum sentido só para esconder tudo que não posso falar. Lembro dos seus olhos pertos dos meus e quando eles se fecharam em um instante (quase) perfeito.

Você decifra os meus sonhos, sabe do que eu gosto e me abraça fazendo o tempo ser só meu. E tudo, de repente, parece mais insignificante. Os medos, os lados, as mentiras e entre tudo que acontece todo o tempo, entre guerras e a fome, você poderia ser a paz; só que é particular, meu momento de paz insegura, quando questiono todas as minhas vontades e relembro das verdades.

Adoro essa sua cara de sono
E o timbre da sua voz
Que fica me dizendo coisas tão malucas
E que quase me mata de rir
Quando tenta me convencer
Que eu só fiquei aqui
Porque nós dois somos iguais

Até parece que você já tinha
O meu manual de instruções
Porque você decifra os meus sonhos
Porque você sabe o que eu gosto
E porque quando você me abraça
O mundo gira devagar


Música breguinha que lembra mil coisas e me dá saudades das histórias contadas enquanto eu não parava de tomar chá com (muito) limão na ETE. haha!

domingo, maio 17, 2009

Novo capítulo

Na prática as coisas são bem mais simples do que nas teorias que a minha cabeça, sem motivo, cria. Eu só precisei notar quais são os meus direitos e o maior deles é: ter os meus amigos e, se para isso tiver que relevar uma diferença dessas que a gente simplesmente suporta, vou fazer isso. Não ignoro o meu passado, só não preciso alimentar as mágoas. Vou voltar a ser a menina que quer um sorriso depois de uma discussão com lágrimas. A mesma que se entregava pra vida sem medo, desde que meu porto seguro mudou de país, me mantive longe de tudo que pudesse me derrubar, caminhei por caminhos seguros, só que, eu não fui feita para ficar no chão, se cair bastará levantar. Não será a primeira, nem tão pouco a última.

Começa mais uma das páginas da minha vida a ser escrita e o capítulo chama: acaso.

Chega de pensar ou levar as pessoas a sério. É a hora de voltar a ser adolescente com a vida. Ser adulta demais, com responsabilidade demais, com cuidado demais não faz parte da minha personalidade. Afinal, o demais me cansa. Gosto de sentir a calma do equilíbrio.

"Tudo mudou, menos o que ficou igual", já diria alguém.

sexta-feira, maio 15, 2009

So hello, good friend, i wanna be next to you

Tenho medo de ouvir um pedido, desses que a gente não espera, e preferia que não existisse: "é hora de você voltar pro seu lugar". Pro lugar que criaram para me deixar, onde eu fico em silêncio e longe. Mesmo que, eu sempre volte para o meio do caos, para pegar coisas que não derrubei, para arrumar a bagunça que daria a vida para não criar. Só que dessa vez, não me esforçaria para reconquistar algo que provaria não valer a pena existir.

Minhas últimas noites tem sido calmas, meus sonhos desapareceram. Não tenho força ou vontade de lutar por ninguém ou por nada que não envolva uma linha de chegada concreta. Queria a paz da minha garota sagitariana, da irmã que escolhi, dos cafés e das broncas em tom de "sabedoria" que só ela sabe me dar. Quero um abraço onde caiba tudo. E a certeza, que dessa vez, não vai ser como no passado.



ps. é the rocker summer, o título.

terça-feira, maio 12, 2009

All my thoughts were real

O que me importa chama: verdade. Sou capaz de perdoar erros quase imperdoáveis, desde que sinta sinceridade e não usem o drama como chantagem. Sou capaz de assumir meus erros e, lidar com as consequências. Sou capaz de passar dias feliz porque uma criança sorriu para mim. Uma noite com estrelas e uma lua brilhante pode me fazer acordar feliz no dia seguinte.

Perdi a razão sem um porquê. A vontade sem uma explicação. Estaria condenada se fizesse e, continuaria assim, se não tivesse dado um passo a frente. Fui sincera e nunca neguei que poderia te dar a superfície, mas as minhas palavras, os meus verdadeiros sorrisos, a minha calma e a forma como tudo parecia simples, jamais faria parte do que tivemos. Você nunca foi capaz de fazer os meus dias começarem sorrindo, por ironia, as duas músicas que me acordam são controversas, cada uma lembra alguém e, é sempre quando toca Beatles que eu levanto.

A Cat Power canta com seu coração de metal que "uma vez estive perdida mas agora sei que estive cega, mas agora te vejo... que egoísmo seu acreditar no significado de todos os pesadelos". E, todas as vezes que acreditei nas suas palavras de destruição, de que meus sonhos estavam errados e, o meu jeito de acreditar era, simplesmente, um erro, deixei uma parte de mim apagar. O céu, esse mesmo, cheio de estrelas, me diz agora, que você valeu meu fim e criou meu novo começo... The problem is for many years I lived my life, publicly.

domingo, maio 10, 2009

You try at working out chaotic things


Vestido do melhor sorriso ele diz:

- levei um fora super bonito seu.

- Sou chata e complicada, o melhor é fugir de mim e dos problemas. Gosto de poucas pessoas, respeito o silêncio, vicio em séries, gosto de músicas da minha adolescência até hoje, iria em shows que todos consideram ridículos, perderia dias dentro de um lugar com livros e música, posso discutir a formação nuclear do ar ou a crise financeira. Já me magoaram de tal forma que pensei nunca mais ser capaz de me entregar e magoei, como agora, alguém. Prefiro ferir com a verdade do que acariciar com a ilusão. Não te dei um fora, não. Não te quero para mim, simplesmente porque gosto de você. Uma distância segura nos fará muito bem. Nunca achei que isso pudesse ser verdade, que podemos estar longe de alguém, mesmo se queremos estar perto, que essa coisa de proteção é a falta de coragem de admitir que não quer. Mas, não é isso.

- eu não quero me proteger de você. se são só essas as condições, eu aceito.

Duas mãos se encontram, outra segura o pescoço dele com o carinho reprimido, a respiração acelera ditando o ritmo e, finalmente um beijo. Perceberam, não adiantava fugir, era real.





ps. a segunda frase eu ouvi, mas respondi com uma piada qualquer, os outros paragráfos chamam ficção. já o título é Radiohead, porque eu gosto de variar. hahaha
where we gonna go from here

Queria fazer cada uma das mágoas aprendizados e não, marcas. Cada uma das dores lembrança e não, proteção. Queria conseguir me entregar infinitas vezes para sentir a alegria dos primeiros dias e, que sempre, fossem os primeiros dias. Queria alguém que conseguisse reinventar a história a cada nova manhã. Uma pessoa que acabasse com a minha urgência de viver e, me fizesse sentir bem, protegida, calma, acolhida. Que a preocupação fosse consolo para solidão e, não, amarra para liberdade. Vamos juntos enxergar a beleza dos transtornos. Ganhar mais a medida que nos entregamos para o acaso, mudar as certezas, refazer as dúvidas, construir uma nova verdade. Vamos conquistar o prazer sem limites e, a liberdade sem condição, acabar com a urgência estando em paz. Posso fazer o que quero, mas não é mais o suficiente, simplesmente notei que um dia depois de ontem não me diz mais nada, além de ser amanhã. Não quero nenhuma das ligações, nenhum abraço, nenhuma palavra que me tire dos meus pensamentos. Quero te ter perto, signifique o que significar.

Mesmo que existam belas palavras, não teremos um livro de história, quem sabe, apesar de tudo, possamos ser a nossa salvação.

domingo, maio 03, 2009

Come and be free, you know who I am

Talvez pudesse resolver todas as incertezas por decreto. A partir do momento agora, esqueceria de uma vez por todas, como é bom me sentir em paz ao seu lado. Como o seu sorriso pode iluminar qualquer lugar e as minhas dúvidas, de repente, virão certezas irredutíveis. Cansada de procurar verdade em tanto lugares errados, fico com a inércia, embora saiba que não me satisfaz apenas continuar.

Então saio por aí, como se não houvesse um amanhã, conheço pessoas que não me interessam em nada. Arrumo o passado que tanto já me incomodou e, percebo como o tempo pode ser um bom remédio. Faço tudo para fugir do que um dia senti, tudo que ficou subtendido em frases pela metade.

Vestindo ironia encontrei um amigo em um show ontem, ele estava com uma camiseta escrita “distraídos venceremos”, adoro esses garotos vestidos sem pretensão, distribuindo ironia e me lembrando do Leminski.





ps:O título é Maybe Not da Cat Power.
ps²: O meu amigo que tem a camiseta bacana publicou "Passageiro de mim mesmo", eu que (quase) nem gosto de poesia, curti. Quem quiser, pode comprar no sebo do Bac na Praça Roosevelt.
and after all... you're my wonderwall

Não tenha medo do destino, os caminhos certos podem te manter aquecido, seus olhos brilhando devem bastar para guiar seus passos.

Pegue apenas aquilo que precisa e, siga em frente.

sábado, maio 02, 2009

Gordinha

Eu sei que se você estivesse aqui, teria ido para minha casa, deixado suas coisas no meu quarto. A gente se maquiaria por lá enquanto eu mudava de roupa umas 30 vezes e você ia perdendo a paciência porque queria ver algum show e, eu, estava atrasando.

Se você estivesse aqui, eu não teria passado em um lugar para jantar, lido no metrô, não teria mudado os meus planos de ver uma peça antes do show da banda que você também ia querer assistir.

E se eu estivesse aí, iria amanhã, com você, assistir o show do No Doubt, meio cansada, porque teriamos passado o dia no festival em Tribeca, se eu estivesse aí, teriamos ingressos porque não teria deixado você esquecer de comprar.

Nós iriamos virar a noite com a pulseira de imprensa, enquanto eu fazia algumas entrevistas pra matéria do concurso e você iria sorrir, feliz por eu ter encontro o meu caminho.

Mas, você não está aqui. Não posso ligar e ouvir o "hey", não posso te apresentar como "a sis".

Sabia que ia sentir a sua falta e o Estados Unidos ia parecer cada vez mais longe. Notei que além do que imaginei, os nossos respectivos aniversários, não ter você para ir na virada, me faz lembrar que provavelmente não vou passar a madrugada inteira na praça roosevelt com os meus amigos que sempre tem formas de felicidade em estados "sólidos".

Sem você aqui, as incertezas são maiores e, a palavra saudades faz mais sentido.


Sis, amo tanto que nem cabe.

quarta-feira, abril 29, 2009

A little gambling is fun when you're with me

E se eu te falar que não consigo explicar os sentimentos, talvez porque eles quase não existam, estão guardados para um dia voltarem a brilhar nos meus olhos. Pelos motivos certos deixo eles longe do meu alcance. Se as coisas forem acontecer, terão o movimento do acaso, como nos grandes jogos, nem sempre ganhar é a recompensa. Eu sempre preferi o caminho a chegada.

E mesmo perto, sabemos que longe é mais seguro.



*o título é Lady Gaga, admito que ando achando ela ótima, haha.

terça-feira, abril 28, 2009

Pelo tempo que precisar


Tem horas, como agora, que queria me desculpar por não poder me entregar. Queria deixar a minha história nas suas mãos e, te deixar, livre, para mudar tudo de lugar. Abrir os meus sonhos, alargar minhas certezas, me desarmar de toda essa alegria fria que me tomou. Queria ser a velha menina para você transformar em uma nova mulher.

Formando novas palavras, vou me despedindo do passado e entrando no futuro, que ainda está sendo reconstruído das ruínas que ficaram. A arte de me reinventar a partir de um ponto final. Afinal, a linha de chegada pode ser a linha de partida, depende da perspectiva.

Enquanto juro para todos que esqueci, lembro em não deixar de sentir e, desse pensamento doce começam a aparecer novos sonhos.

Que eu nunca perca a capacidade de me entregar, embora, não (consiga) ainda.

quarta-feira, abril 22, 2009

try to see it my way*

Era uma garota acostumada a sonhar. Cresceu em volta dos livros. Leu todos os clássicos até os quinze. Acompanhou séries até os dezoito. Se apaixonou por música e por ele aos vinte. Sentiam que o mundo poderia parar enquanto conversavam naquele mesmo café de sempre. Almoçavam em um restaurante bonito quando queriam se ver e, em um outro, quando precisavam discutir, tinham o cuidado de separar as lembranças boas e ruins.

A certeza dela foi estremecida por um sonho. Alguém do passado a tirava do rumo, dentro de um trem eles partiam sem destino e então ela era beijada sem chances de recusa, mesmo que ela quisesse e, não queria. O beijo do sonho, foi tão real, tão estranho, tão forte. Foi tomada naquelas mãos que a tiveram uma vez, mas dessa vez tudo estava mais forte, mais simples. Ela esqueceu da música e de Jude. Acordou atormentada por um sonho.

Escolheu o restaurante da discussão e o contou do sonho, de como se portou em sua ausência, afinal Jude ficará envolto em suas próprias dúvidas durante os últimos onze meses. Lucy o havia aceitado, porque sentia falta de tudo que foi interrompido quando ele resolveu partir.

Diante do sonho, ela não sabia se era ilusão ou se esperava um segundo beijo real. Amava Jude como a música e os livros da sua infância, como cultivava sonhos, amava a simplicidade do seu olhar e como suas mãos conheciam os caminhos do seu corpo.

Entretanto, Lucy pergunta-se: poderia aquele sonho ser mais forte que a realidade?



* Beatles

domingo, abril 19, 2009

Expectativas

A música era muito alta, as pessoas precisavam falar ainda mais alto e cada tom acima do normal fazia da cena, caótica. Ele olhava as mãos dela sobre o colo e se sentia acolhido dentro daquele olhar sereno. Já não existia algo entre eles, porque João conseguiu reverter todas as certezas em dúvidas, não conseguiu se desgrudar da sua própria liberdade para compartilhar com ela os seus sonhos, os seus anseios, as dúvidas.

O que João queria de Marina não existia.

Esperava que ela o surpreende-se, Marina que nunca sabe onde deixou as chaves e o pedia todos os dias para deixar o apartamento aberto, não percebeu que ele queria surpresas. Esperava que ela falasse dos seus sentimentos, Marina que vivia espalhando cds pela casa, mas ele não percebeu que era essa a sua forma de falar. Esperava que ela ficasse brava após uma discussão, Marina que parecia ter um estoque dos chocolates preferidos dele, e sempre deixava alguns pela casa após as discussões. Esperava que ela gostasse de músicas tristes, Marina que adorava sair para dançar, e até o acompanhou em um show que detestou. Esperava que ela não fosse tão inteligente e o fizesse se sentir estúpido, Marina que falava quatro línguas e conhecia metade do mundo, se esforçava para parecer menor ao seu lado. Esperava que ela não dormisse de meias todas as noites, Marina que não sabe dormir sem elas desde os cinco anos de idade, João não notava que ela esperava ele dormir para vesti-las. Esperava que ela não perdesse horas na frente do computador, Marina que sempre adorou assistir séries e filmes com seu notebook nas pernas, João não soube que ela pensou em vender o computador. Esperava que ela não fosse tão feliz, Marina que descobriu cedo o valor do seu lindo sorriso, João não notou quando perguntaram o que havia acontecido com a alegria dos seus olhos e Marina sorriu para escapar da resposta, antes que ele pudesse ouvir a conversa. Esperava que ela conhecesse a tristeza e vivesse dias na escuridão, Marina que não conhecia dor até trombar com João e achar que poderia se adaptar.

João queria se desculpar com Marina, contar que seus olhos ainda eram serenos e por isso continuava esperando dela, a cumplicidade. Queria contar que se sentia egoísta porque ela estaria melhor longe daquilo. Talvez, encontrasse alguém que pudesse querer dela, o que poderia dar. Músicas substituindo algumas palavras, chocolates no lugar de rancor, alegria em noites coloridas mesmo que fosse durante um filme debaixo do edredom comendo pipoca doce, a inteligência e o silêncio, um verdadeiro desfile de meias coloridas, spoilers de muitas séries que demorariam décadas até chegar no Brasil, sorrisos iluminados pela pureza que ele quase conseguiu apagar.

João queria ver Marina feliz, mas sabia que não podia sentir nada perto dela além de calma, só que ele não queria isso. Precisava encontrar em alguém tudo que Marina não tinha. O rancor, as palavras, as mesmas músicas tristes, conhecimentos menores que os seus e os olhos tristes. Ele sabia que Marina poderia se tornar tudo aquilo, mas era justo querer Daniela no corpo de Marina?







ps. ficção.
Você

Entre o que eu sinto de verdade e o que eu preciso pensar, existe você. Entre o que é o simples para mim e o que envolve outras coisas, existe você. Entre o real e a ilusão, existe você. Entre o que eu posso ter e o que preciso persistir em errros, existe você. Entre todo o resto e a verdade, existe você.

Muito maior e quem sabe mais forte do que o inteiro...
Você.

sexta-feira, abril 17, 2009

She’s got to do the best that she can, yeah!


Foi o tempo que a fez crescer antes de se sentir próxima, se desfez das dores antes que pudesse de fato senti-las e, sempre esteve alguns passos à frente das suas próprias vontades. Importava-se com o caminho e não com a linha de chegada. Estudava cada uma das ações e verificava, mesmo que não parecesse, se o chão não a derrubaria, esbarrou muitas vezes, bateu o dedinho na quina de algumas portas, machucou-se (é claro), mas não caiu. Segurou-se em cordas bambas, se muniu de indiferença e fingiu, muito bem, que nada mais importava.

Sentia falta das coisas simples. Das noites frias. Da cumplicidade. Sentia falta da humildade dele, pra quem ela, muitas vezes, tentou mostrar todas as coisas que enxergava em seus olhos. Sentia falta de mostrar para ele que, além de tudo que podiam ver, havia o horizonte e era dali, que os sonhos dela partiam.

Talvez, ela simplesmente tivesse notado a ausência, de sentir.


(apatia é um estado de espírito irritante)

ps. foto e título são um oferecimento Cat Power.

terça-feira, abril 14, 2009

Conversa de botas batidas*



Eu queria sentir que posso sentir tudo outra vez. Quero o meu estomago revirar com um e-mail, mensagem de celular ou porque a janelinha do msn piscou. Quero pensar em coisas que podem roubar um sorriso. Quero um abraço sincero no fim do dia para garantir que o dia seguinte vai ser melhor. Quero fugir de frases prontas e de como todos se acomodam com a segurança. Quero sentir medo de me entregar e, notar que não é uma escolha. Quero uma pessoa que faça a minha história acontecer sem palavras. Quero o silêncio preenchendo a respiração acelerada. Quero contar e ouvir histórias sem que ninguém se canse. Quero conhecer cada um dos caminhos que alguém escolheu para chamar de felicidade e, mostrar os meus. Quero alguém que não pense durante cada segundo que eu vou fugir ou me desinteressar. Quero acreditar e que acreditem em mim. Quero companhia e quero solidão. Quero respeito entre cada uma das diferenças e solidariedade nas igualdades. Quero entender cada uma das particularidades que escondemos a princípio. Quero um beijo roubado em um noite linda. Quero a calma de mãos dadas. Quero simplesmente sentir que tudo é outra vez possível.

Talvez seja irreal demais acreditar que...






não acredito.




* Los Hermanos

sábado, abril 11, 2009

Um dia, velho será

Tem horas que eu penso em como tudo mudou tão rápido. Uma luz iluminou todo o caminho, o mesmo antes tão cheio de incertezas e simplesmente me fez caminhar, sem esbarrar em nada, sem derrubar, mas também sem arrumar ou ter cuidado com o que se passava ao lado, segui a luz, mesmo sem saber aonde ia dar.

Sabíamos que a estrada iria se dividir em algum ponto onde a incerteza se tornasse insustentável. Talvez parar no meio, fosse um jeito de nunca terminar. Era como se déssemos uma continuação selada pelo mesmo. Guardando sempre os mesmos respiros, esperando os mesmos toques, sendo daquele jeito inteiro que sempre reclamamos na vida: cheio de marasmo.

Somos tão jovens ainda, que o melhor é caminhar, mesmo sem saber aonde vai dar.

quinta-feira, abril 09, 2009

Sonhos não envelhecem



Os anos passam e a cada novo aniversário, pode tudo correr muito mais rápido, de outro jeito, em um dia de trabalho eu só consigo pensar em como tenho sorte de com 20 anos, fazer o que gosto, em um lugar em que gosto de estar e com pessoas que a gente aprende a gostar um pouquinho por dia.

20 anos.

Como sonhos não envelhecem, espero para sempre ser a menina em corpo de mulher.
“Que coisas maravilhosas aconteçam especialmente no seu dia e que você consiga carregá-las, ou pelo menos suas sensações, pra sempre!”

E ouvi o melhor “hey!”, que deixa tudo muito melhor simplesmente porque existe. Sis, amo!


Primeira festa amanhã (10) no astronete.
8 reais
Lista para cá: claritromicina@gmail.com
Quem passar por aqui e for ficar em São Paulo no feriado, manda o nome pro e-mail e seja bem-vindo ;-)

domingo, abril 05, 2009

It was a small mistake

Sou uma menina feita de piadas guardadas em um sorriso. Sou uma garota de fases esperando que os meus amores mal-resolvidos simplesmente se resolvam. Sou uma garota escolhendo músicas para montar a trilha sonora imaginaria de um beijo que não vai acontecer. Sou aquela que escreve histórias e reinventa o fim, só para acreditar que ainda existem sonhos e, que as pessoas em um futuro próximo serão simplesmente felizes.

Ainda gosto das histórias cheias de magia que lia quando era criança, é uma forma de não cair de vez no real, porque já é um fato que é preciso dormir pouco, se esforçar muito e se esquivar de pessoas com a energia ruim durante o dia inteiro. Eu tenho um problema com pessimistas ou otimistas demais, considero que tudo possa ser um erro, mas gosto de achar que podemos estar certos.

Sou menina por cinco minutos do meu dia, o tempo de cinco abraços especiais, quando eu simplesmente acredito que estamos no caminho certo. Depois, sou mulher resolvendo problemas, pensando em como será o próximo fim de semana, o que é preciso comprar e do que eu já não preciso. Sou adolescente viciada em um personagem com a ironia e a arrogância que eu suporto em pessoas inteligentes demais.

Sou criança, adolescente e mulher. Sou a garota que gosta de estar perto... de você.

sexta-feira, abril 03, 2009

Saudades

Eu queria me sentir segura, centrada e menos vulnerável como naquelas tardes de conversas com a sis.

quarta-feira, abril 01, 2009

Trabalho

Porque além de escrever, eu falo. ;-)



Os novos rumos no rap para o radiojornal da Metodista, com muita ajuda do Eduardo Ribas.

terça-feira, março 31, 2009

Vários mundos, poucas regras e alguma liberdade

Se olhou no espelho naquela manhã e decidiu que iria se sentir bem. Tomou banho enquanto pensava na roupa, leu algumas notícias enquanto esperava o café, sorriu enquanto se sentia leve. Se vestiu com todo o cuidado de deixar os cabelos com aquelas ondas que gostava e de um jeito que não parecesse nenhum animal silvestre, queria controlar aquela onda, embora pretendesse soltar todas as outras.

Fez um telefonema apressado antes de sair de casa, marcou um lugar comum e foi, sem saber se ele realmente iria, mas quem sabe fosse hora de explicar porquê foi embora.Ela nunca quis se entregar para alguém que estivesse entregue a ela. Gostava daqueles jogos complicados, queria conquistar e ser conquistada, nunca foi uma pessoa fácil, já ouviu reclamações o suficiente e mudou, porque admitia que mudava o tempo inteiro, desde que as mudanças não fossem uma ameaça externa. Preferia não participar a se adequar aquelas regras dos outros. Queria que todos esses que fazem as regras, inventassem uma simples, que um dia, o proibissem de amar. Quem sabe um amor proibido faria muito bem...

Saiu, apressada, ainda decidida a se sentir bem, disse bom dia para o maior número de pessoas possível, brincou com as crianças na rua, estralou os dedos para um cachorro, se sentiu em contato direto com todas os vivos que não conhecia, talvez fizesse parte do dia e eles soubessem da sua decisão.

Percebeu em um salto que esteve dormindo por tempo demais, pensando no passado, calculando o futuro, esquecida de que era hora de lembrar do sabor de viver.

Encontrou ele, que ainda a fazia se sentir bem, conversaram e decidirão deixar o tempo decidir por eles. Não fizeram nada, nem ao menos um beijo selaria o compromisso, ela precisava pensar em como era acordar daquele sono pesado e ele precisava decidir se queria entrar em um novo mundo, o dela.

sexta-feira, março 27, 2009

Apesar de

Talvez seja difícil entender porque eu gosto de pessoas que simplesmente não negam o que são ou porque eu simplesmente pego no pé quando vejo alguém mudando de personalidade para agradar ou se encaixar em alguma coisa. difícil, porque eu nunca expliquei, não falo sobre, prefiro guardar os meus motivos. Mas um episódio de house, uma garota com câncer e uma mesma força que eu vi por perto, me fez rever esse silêncio.

Foram os três melhores e piores anos da minha vida. Uma guerra que conhecíamos o vencedor, mas cada batalha vencida era comemorada com extrema alegria, a cada vez que ela voltava para casa e a gente sabia que não iria durar muito. Cada dia como os outros, para todos que passavam apressados, para ela, era um dia a mais e a peruca que ela comprou era usada para se esconder dela mesmo no espelho.

Eu não estava pronta para entender tudo, me contavam o que eu precisava compartilhar e deixavam os motivos maiores para os "adultos" discutirem. Só que eu cresci no meio de tudo isso e percebi que a força dela vinha de outro lugar. Talvez, quem sabe, se ela ficasse boa, pudesse voltar a viver a vida dela, o erro dela, o homem errado que ela escolheu para sentir o certo. A família não aceitava ele e quando você tem câncer em estado terminal, você precisa escolher, nessas horas a família sai do álbum de fotografia e entra na vida real.

Só que ela não ficou bem para quem saber ir viver o amor que ela escolheu, ela morreu antes, morreu carregando a vontade de ter sido ela, para agradar a nós, a família despregada do álbum de fotografia, morreu longe dele.

É por isso que eu senti que estava no caminho certo quando a Gordinha falou que o de mais importante eu fiz para ela, era mostrar que podemos ser nós mesmos, independente de. Não é preciso agradar ninguém e nem viver o pouco ou muito tempo que nós resta condicionados a isso. Temos todo uma juventude pela frente para procurar acertos e muitos terão uma velhice para se acomodar nos erros.

Desculpa, se parece que eu tento analisar as situações, mas eu queria mesmo, poupar as pessoas delas mesmas. Das amarras e dos buracos em que elas se enfiam para provar que são maleáveis. Não, não somos maleáveis, temos as nossas próprias vontades, os nossos próprios sonhos, a nossa própria maneira de encarar a vida e isso não mude, me desculpa, eu aceito que certas coisas aconteçam e a gente aprenda a viver de outro jeito, mas não mudamos. Temos sempre aquela essência que nós faz sermos diferentes e maiores. Virar a sombra de alguém, mesmo que da nossa própria família, pode levar aquela mesma dor dela.

E o meu maior arrependimento é ter sido criança demais, ao ponto de no meu auge dos meus quinze anos, não pedir para ela ir viver os seis meses que restavam ao lado de quem ela realmente queria. Ninguém sabe onde o cara foi parar, talvez preso, talvez morto. Mas, ela, ela está enterrada naquele cemitério onde as pessoas do álbum de recordações nunca mais se aproximou.

Tia, se eu pudesse te pedir uma coisa seria: seja você mesma e se eu pudesse te agradecer por uma coisa, era por ter me ensinado que eu deveria ser eu, apesar de.

quinta-feira, março 26, 2009

Papéis

O problema não está em quão grossos não somos com o mundo, quem me conhece está acostumado a saber que eu não sou dócil e nem por isso eu me desculpo com todos, me desculpo sempre que acho que não agi como eu faria, quando meus argumentos são simples demais ou quando a violência é gratuita. Você deve ter prestado atenção na brincadeira do cachorro, não era uma brincadeira, eu estava realmente insinuando que você virou um cachorrinho de madame, luta por um "bom garoto", como eles esperam um osso.

Só que a madame sua dona gosta do sabor do triste, quer conhecer a morte, briga para ficar sozinha junto a você, onde pode brincar de ser normal, onde encontra um pouco de paz e de quem não sabe como se livrar. A madame, quer um bom cachorro, raivoso às vezes, dócil sempre. A sua madame te transformou em um cachorrinho que sabe exatamente quando abanar o rabo e eu sinto dó de você sempre que vejo isso.

Mas, se a gente escolhe o papel que desempenha na vida... Esse é o seu?


ps. qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência, eu gostei da analogia com cachorros.

terça-feira, março 24, 2009

Resoluções pós-radiohead

Se já não encontro respostas, deve ser pelo ritmo das mudanças nas perguntas, não sei mais o que procurar dentro de tanta coisa e nem como acabar com cada uma das interrogações.

Você chegou no momento oportuno, me envolveu em um abraço enquanto os olhos se encontravam no silêncio e, de repente o seu corpo ficava cada vez mais perto e a nossa respiração se encontrou em um beijo sem fim...

Só que depois disso, não parei, não paramos, continuamos vivendo um dia após o outro, cada uma das coisas que envolviam essa coisa simples demais para ser algo além. Você sabia as clausulas do meu contrato com a vida e eu conhecia o seu na superfície. Foi quando envolvemos os defeitos que isso ficou interessante. Nos envolvemos sem sentido. Procurávamos a verdade da juventude que escorregava pelos nossos dedos, cada gota dissolvida em obrigações, nos obrigávamos o tempo inteiro a ser perfeitos, pros outros. Agora e, para nós, será que queríamos mesmo essa vida?

Consegui o que queria. Transformar o meu passado em uma variante com valor definido. Sei quanto vale cada uma daquelas coisas e já reconheço quanto tempo perdi com pessoas que tem a personalidade sólida como massinha de modelar, alguém que aceita se transformar em uma bolinha oca, quando poderia ser do tamanho de um castelo. Eu nunca tive paciência para massinha de modelar, usava pelo tempo da novidade e, logo procurava algo mais complexo, que me desafiasse mais ou que fosse no mínimo menos monótono.

Por sorte, me livrei do meu passado em um beijo naquele dia, que já não lembro mais a cor. Relembrar é viver?




ps. ficção acontece o tempo todo, para quem não entende que nem tudo é verdade (ou mentira), eu explico. ;-)

segunda-feira, março 23, 2009

Radiohead

Luzes, vozes, pessoas e já nos primeiros acordes de 15 Step não via ninguém, não me importava com nada, foram anos esperando por duas horas e quinze que valeram cada um dos dias de espera, meus companheiros de tristeza, basta ouvir eles e sentir que as coisas na vida real são bem mais simples e que de cada mágoa minha, não nascerá nada comparável a tudo deles, talvez eu use a tristeza deles para encontrar a minha própria felicidade.

Passei músicas inteiras em silêncio. Cantei. Pulei. E chorei, como uma criança, só que na forma de mulher que realiza seus sonhos com as próprias pernas, as custas do próprio dinheiro, rodeada de si.

O que eu senti durante o show? Eu não senti e foi ótimo. Tive uma overdose de pensamentos que de repente deram lugar para nada. As pessoas que passaram pela minha vida, alguns deixaram marcas boas que a gente sempre rega com piadas, e outros, eram melhor não ter passado, existido, vivido.

O show deles marcam um novo começo e uma garota com mais certezas.


Milla e Matheus, brigada pela companhia, queridos ;-)
Gordinha, eu olhei pro céu e pensei que em Wilton também existe um, então, estávamos sobre o mesmo céu. Você fez a maior falta do mundo.

quarta-feira, março 18, 2009

Wilton, USA



Sinto a falta do seu abraço e das ligações diárias. Sinto falta do seu sorriso e como eu sentia que o mundo podia cair ao nosso redor. Sinto falta dos dias fazendo nada e dos filmes assistidos. Sinto falta de sentir falta de você com data marcada para te encontrar. Sinto falta das manhãs no nosso inferno verde. Sinto falta de saber que você estaria comigo. Sinto falta de você me chamando de flor e de detestar isso. Sinto falta das nossas dúvidas e certezas. Sinto falta da minha melhor amiga.

Te amo, gordinha!

domingo, março 15, 2009

I feel it all

Depois daqueles dias, acostumei a não me importar, já não quero chegar antes para encontrar o começo de cada coisa, entrego a vida ao seu tempo leve, deixo simplesmente que as coisas se soltem e os sentimentos se fortaleçam da forma que for inevitável.

Eu sei que sinto tudo, só não vôo mais com tanta facilidade, um pouco mais de sinceridade no seu sorriso talvez nos fizesse bem. Quando me soltar do chão acho que consigo ver os seus olhos nessa altura segura em que você se colocou.

Conheço as suas cartas, imagino o próximo descarte, compreendo as suas regras e exatamente por isso, decidi que era hora de tirar as minhas apostas.

Nessa madrugada conversamos durante um sonho, um beijo inesperado seguido de passos que transpareciam indiferença. Te contei que naquela noite "te queria pra mim", com sorriso no rosto, você falou que eu nunca te quis de verdade.

Talvez seja verdade, gosto exatamente do jeito que é, livre e por perto.



ps. homenagem a música da Feist do título e também meu toque de celular. ;)

terça-feira, março 10, 2009

Four letter word just to get me along

Nessa noite vamos trancar o mundo lá fora e segurar na mão das nossas verdades. Já paguei o preço de crescer. Não quero perder, mas eu não posso te garantir nada.

Perdemos a noção de certo e errado, construímos vida, destruímos certezas, reformulamos dúvidas. Somos pequenos e gigantes, não cabemos nos nossos próprios corpos, mas sabemos que seriamos a extensão perfeita de um para o outro. Talvez, sejamos tão comuns, só que nunca encontramos pedaços como os nossos. Talvez isso seja tão necessário quanto as palavras.

Eu vou te contar só (mais) uma coisa: sentimos.



Ps: esse texto é baseado em uma música do Incubus e o título é The Ting Tings.

segunda-feira, março 09, 2009

TPM

Uma vez por mês eu entendo toda a humanidade, o jeito que todo mundo anda sem fé ou esperança no futuro, que banalizam o amor, que esquecem a simplicidade do sorriso de uma criança. Uma vez por mês eu entendo e sou como todos os outros. Me falta esperança, fé e vontade. Nesse mês, o meu dia de me sentir igual, veio depois de um em que me senti diferente. Esperança de que toda vida se encaixaria naquele melhor sorriso, que nada importaria tanto assim, que todo esse desencontro era armadilha da vida para armar algo maior e mais bonito. Um dia antes do meu dia de todos os outros, me senti feliz e acolhida por um lugar que já reconheci como parte da minha rotina, que fez de algum dos meus dias os melhores, perto de quem fez de toda diferença, equilíbrio. Um dia antes do meu dia de todo mundo, eu consegui dormir uma noite inteira calma, com sonhos doces dos quais não me lembro, mas eram doces, isso eu sei.

Depois do meu dia de todo mundo. Dormi poucas horas um sono agitado e cheio de pesadelos. Um maldito rato, que a maldita pessoa que estragou tudo apareceu para brincar, uma cobra e um leopardo em um restaurante moderno demais, todas essas coisas que sendo hippie o suficiente para pesquisar o significado dos sonhos, simboliza falsidade. Uma vez por mês, eu sinto medo, não só de mim, como é habitual, dos outros, sinto medo de todos que não entendem absolutamente nada das diferenças, dos que banalizam os sentimentos, da indiferença que você se veste. Uma vez por mês eu sinto algumas coisas, ruins.

Uma vez por mês, eu sinto uma vontade absurda de ouvir Cranberries até o mundo acabar. Sabe, o que é? Uma vez por mês eu quero que o mundo acabe. Meus sentimentos se explodão. A verdade caia como uma luva nas suas mãos. Os sonhos se desfaçam. E a esperança morra. Devia querer isso todos os dias, mas eu li Pollyanna demais, percebi cedo que só os riscos valem a pena na vida e viver sem eles, é a inércia que torna os dias previsíveis, demais, para mim, que não sei viver assim. Mas, uma vez por mês, eu sei.

Eu continuo, dia após dia, testando os limites das palavras. Confissão, impulso, uma falta completa de razão, uma vida inteira de emoção, uma das nossas eternas diferenças é que eu não sei esconder o coração, eu já te pedi para me ensinar, mas essa é uma das coisas que você me negou com um sorriso. Uma vez por mês, eu queria ser diferente, só para não ser assim todos os dias. Uma vez por mês, eu tenho TPM e canso da fé. Sempre, uma vez por mês.

30/11/2008
I really miss u

Hoje, eu sinto tanto a sua falta. O seu jeito de me dizer que tudo vai ficar bem, enquanto critica a minha mania de não saber resolver as coisas pela metade, porque eu sou feita de extremos e você nunca entendeu isso. Hoje, eu sinto falta de ouvir você atender o telefone com o "hey!". Hoje, eu sinto tanto a sua falta, que não consigo sentir mais nada.

Sis, saudades.

domingo, março 08, 2009

Fora de tempo


Apareci no meio da tarde, você parecia esperar minha presença, na mesa tinha suco de laranja e nos seus olhos marcas de uma noite mal dormida. Entrei ali sem anúncio, coberta com meu óculos escuro que não te deixava ver dentro de mim.

Me aproximei e outra vez sem avisar, fizemos o que sabíamos que aconteceria outras vezes ainda, como nunca duvidamos da primeira. Os nossos lábios se encontraram em um misto de doçura e desejo. As suas mãos procurando o meu corpo enquanto as minhas faziam a mesma rota no seu. Éramos um, por falta de opção e, sem passado ou futuro, um presente.

sexta-feira, março 06, 2009

Just a girl

Uma questão de proteção. Talvez eu já não saiba mais como me entregar, como deixar que as pessoas me levem até qualquer lugar desconhecido, um pouco de segurança, moço? Eu que sempre fui o oposto de tudo isso. Mas, agora tem coisas demais envolvidas, passado demais e no futuro? aceito.
Trabalho

Certo ou errado, eu coloco meu trabalho em um lugar muito alto na minha vida. Quer me ver feliz um mês? Algo dê (muito) certo no meu trabalho.

E o programa com a Carol na rádio foi lindo. =)

Parabéns, xuxu!

quinta-feira, março 05, 2009

Escolha

Tem horas que finjo que não me importo. Mas, você, em silêncio, me conhece o suficiente para saber que tanta inquietação não é da minha personalidade complexa. Já passamos horas conversando em círculos, cheio de metáforas, sem jamais falar de fato o que se passava, tanta coisa não dita fez com que o presente fizesse da distância algo necessário. Nos afastamos e nos aproximamos sem notar, é quase como natural, você adivinha quando eu não estou bem e aparece falando as coisas certas. Jamais admiti que você conhece as palavras certas. Porque não me impõe nada, é doce, sendo tão amargo. A sua falta de coragem de enfrentar a vida, o faz de conta, a maneira como foge de colocar os fatos na parede. Os defeitos que eu nunca entendi, parecem menores quando você volta devagar a se enxergar. Espero, em silêncio, que você recupere sozinho o seu brilho. É o seu caminho. E, é preciso soltar a sua mão para que vá.

Já não me sinto bem, não como antes, você vai e volta, não decide, não sabe, não conhece e me provoca problemas. Nunca imaginei que fosse me importar de brigar com alguém com tantos bons argumentos, sempre comemorei encontrar pessoas que soubessem exatamente onde acertar. Só que toda firmeza é frágil. Penso em porquê me deixo envolver por tanta confusão. Quando sei que o mais simples, seria não me importar.

Queria pedir desculpas a você, se já não posso, continuar no seu caminho.

quarta-feira, março 04, 2009

and how can i complain?

Por gostar de você, eu prefiro te proteger de mim.
settle down*

Sabe a liberdade? Essa que eu julguei a vida inteira importante. Agora, me parece tão frágil. Queria alguém para me fazer parar de pensar. Um lugar onde nada de ruim pudesse me atingir só porque o abraço certo me envolveria nos meus momentos de ira, nas alegrias, nas dúvidas e quando o medo bater na porta. E então, não ligaríamos para o calor insuportável lá fora.

Eu cansei de me sentir gigante nesse mundo tão pequeno. Essa vida cheia de possibilidades vazias. E nada me prende, nada nunca me prendeu. Nenhuma pessoa foi capaz de me fazer esquecer que no momento seguinte eu teria de voltar para as obrigações. Ninguém nunca me fez perder o sentido de certo e errado, foi sempre a minha própria liberdade falando mais alto do que um abraço.

É inegável que eu sempre levei a minha vida por lugares certos, mesmo nos momentos de tempestade, achava em palavras ou músicas abrigo. Só queria alguém que conseguisse fazer dos meus abrigos corriqueiros menores do que o olhar e, então, eu voltasse para aquele olhar ao invés daquelas coisas tão distantes.

Alguém forte o bastante para me mostrar que eu posso ser melhor, maior e mais feliz. Uma pessoa que viesse com defeitos suportáveis e qualidades incomparáveis.

Detesto a perfeição, mas não suporto a falta de coragem de se sentir feliz.

Quem sabe, um dia, encontro a boca que diz as coisas certas, as mãos que conhecem a rota perfeita e o sorriso que ilumina um dia chuvoso.

E finalmente, eu entenda que a liberdade só vale quando soubermos compartilha-la.



a sis explica o título assim:

۶.livya | -20C, prazer. diz:
ah, as traduçoes num são boas.... mas é tipo sossegar no seu canto, se estabelecer, se nortear na sua base, saca? nesse sentido.

E conta da vida dela no Leitura de Viagem.


Don't Speak
é a música que me faz lembrar ela.
Isso explica porque eu acredito na doçura das crianças.


۶.livya | -20C, prazer. diz:
e minha irmã é apaixonada pela nicky
۶.livya | -20C, prazer. diz:
só pq ela tem diabetes, usa uma bombinha 24h e nem liga.
sue. [19] diz:
haha
sue. [19] diz:
q linda
۶.livya | -20C, prazer. diz:
e pede todo ano no desejo da vela do bolo de aniversário a cura da diabetes

domingo, março 01, 2009

Feliz ano novo

E assim, sem querer, você conhece umas das melhores pessoas que conheceu nos últimos tempos. Quem entende de verdade a falta de um pedaço seu do outro lado do continente. A pessoa que te deixa bem e te faz bem. Alguém com a liberdade em todos as suas melhores formas. As coisas simples sempre me disseram mais do que toda a complexidade de alguém que não consegue se ver. E então, esse novo alguém se enxerga, se conhece, parece muito mais forte, inteligente e esperto do que podemos sentir quando os olhos estão próximos. Eu gosto dessa fragilidade que escondem dentro dessa dose extra de segurança.

Só que a gente joga e bons jogadores não entram para perder.

É um ano novo, feliz ano novo...

Alguém diferente.
Eu não sou simples. Não sou fácil e as pessoas nunca me tem nas mãos....

Dona de mim, só!

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Inocentes

Hoje eu conversei bastante, era o silêncio preencido em um sorriso. Então ele me pedia para mostrar uma canção que me deixava feliz, chegou primeiro o "c", era a Cat Power cantando devagar todo aquele monte de sentimentos. O sorriso se desfez e no lugar dele a interrogação de quem não entende como a tristeza e a calma dela me deixam alegres.

Expliquei que gosto de opostos. De um lado a calma, do outro a tormenta de pensamentos. Contei em silêncio que não me entrego ao sofrer sem fim, que gosto de sorrisos como aqueles, tão sinceros. E das histórias que contavamos em poucas palavras.

Contei da guerra onde encontrei a paz. Das contradições. Dos medos. Das vontades. Revelei em segredo que sou uma mulher dividida em muitas. Que sonho como as escritoras de antigamente. Penso como aquelas belas mulheres de filmes antigos que eram fortes demais para ser apenas mais uma, daquelas com roupa de época mesmo estando fora do contexto. Tenho um pedaço da insensibilidade dos homens. Dos jogos onde o final é previsivel. Hoje, queria terminar a noite em um lugar qualquer, com alguém que conquistei para mim.

O sorriso me pedia para falar do improvável, do impossível, do inadiável. Me pedia em silêncio que falasse do mundo lá fora, como eu o via. Era isso, como vemos, de um jeito tão diferente cada um desses olhares cansados.

Foi quando o sorriso se afastou sem uma palavra...



Era uma criança para quem falei da minha forma de me dar.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Fake plastic trees

Há alguns meses eu te pedi uma coisa, como quem se despede de um amigo que ficaremos sem ver por muito tempo, eu pedi que você não deixasse que apagassem o brilho dos seus olhos. Não moldassem a tua personalidade. Não te reduzissem a alguém que não sabe estar só. Em silêncio, pedia também que alguém te mostrasse que você precisava se enfrentar a cada novo dia, olhar sem medo o que é e que talvez fosse preciso estar sozinho. E se fosse necessária a solidão, que você tivesse a dignidade de enfrentar as dificuldades do começo daquele fim de costumes.

Daí nos despedimos em um abraço e os meses foram te transformando a olhos nus. Eu via, mas acreditava que alguma coisa você estivesse aprendendo. Até que você mostrou que não tem medo de estar sozinho, não é bem isso, o medo é um pouco maior. É medo de enfrentar em o que você transformou. O brilho dos seus olhos estão opacos. As suas frases estão truncadas de insegurança. E os seus pés estão acostumados com uma mesma trilha. Medo de sujar os seus sapatos novos em um lugar desconhecido. Medo de notar, junto comigo, que você não existe mais. Se perdeu no meio de todo comodismo barato e o jeito que alguns acham "legal ficar mal".

Todos os sonhos grandes de dominar o mundo ou fazer algo incrível ficaram em segundo plano, enquanto você se acostuma com as migalhas do caminho. Nada mais é bom o bastante, mas você ainda sabe o que é bom?

O pior é que sempre achei que o erro estivesse em mim. Que eu não podia lidar com isso. Que era acima do eu que era capaz. Só que não, não é culpa minha. É você que não sabe, não consegue ou não quer lidar com o que ainda resta.

Sempre achei que por qualquer caminho que você tomasse, eu estaria ali, mas parece que não vai ser mais assim.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Perder-se também é caminho

Eu procurava certa ordem. Queria que as coisas se acalmassem e eu pudesse voltar para um porto seguro. Queria mãos confiaveis e dedos carinhosos. Queria tanta coisa e agora? Agora, eu quero doses de felicidade, sem perder jamais a capacidade de me entristecer.


A frase do título é Clarice.


Eu sei que errei ao te deixar enxergar coisas demais dentro dos meus olhos. Nunca vi um futuro além de linhas que se completariam muito bem na teoria, mas na prática a nossa forma tão diferente de ver a vida, não deixaria a história se escrever em linhas reais. Eu sempre deixei que o mundo me visse e você se escondeu. Sempre preferi a liberdade mesmo que ela me enfraquecesse e, você mesmo sem notar, queria se prender. Desculpa, eu sempre me dei melhor com o acaso.

independente...



ps. um texto que tava nos rascunhos desde o dia 02/08/08

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Se ela pudesse compraria aquela casa, só para poder viver em cada um daqueles cantos a continuação de tudo que começou ali. A casa onde passou noites em claro brincando de coisas bobas. Onde ela tomou porres. Onde ela voltou...

a sonhar.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Sentir. Esquecer. Controlar. Reinventar. Escrever. Viver. Terminava os pensamentos com a premissa máxima de que era preciso viver. Cada uma daquelas novas formas que apareciam nos dedos dele, no jeito que ele sorria de encontro e se desfazia com uma voz doce. Ela sabia que ainda não tinha se livrado, esquecido, controlado ou reinventado aquele sentimento que já não cabia mais porquê, nenhuma dúvida responderia com nada além do silêncio. Ela procurava onde tinha deixado a sua capacidade de fazer ficção com a sua história. E se lembrava por fim, que no seu novo sorriso, estava escrito: liberdade. Sentiu. Esqueceu. Controlou. Reinventou. Escreveu. Viveu.

Um novo começo, espera.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Condicional


Às vezes eu penso nas condições que as pessoas vivem, a forma como alguns se condicionam a necessidade de ser alegre o tempo inteiro, e eu acredito no punk brega do Wander Wildner. A minha única condição se chama liberdade, me prender exige uma dose de desprendimento.

Eu não sei muito bem porquê, mas gosto dos seus olhos e acredito quando você diz que tudo vai ficar bem, mesmo que a gente saiba que as coisas não são bem assim.

We'll be fine.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Metal Heart

Em tão pouco tempo foi tudo isso que aconteceu. Eu já quis que tudo corresse e agora espero a calma que encontro nas histórias absurdas do meu dia a dia, sempre rápido, nunca devagar. Porque os dias se dividem entre obrigações e desejos. Queria que por obrigação os meus dias fossem sempre mágicos. Que os sonhos sempre sorrissem. Que as pessoas pudessem ser simplesmente sinceras com elas e quem sabe, um dia, comigo. Queria não ter perdido tanta coisa em tão pouco tempo, mas eu só sei que ganhei também, ganhei a incapacidade de me apaixonar por olhares e desconfio...

É triste, mas de você, eu desconfio.

Enfim.

domingo, fevereiro 08, 2009

Sobre partidas

Não é injusto com ninguém falar que depois de você o sentido de amizade mudou e ficou cada vez mais forte. Você é a única pessoa que eu ouço, para quem eu permito qualquer tipo de discussão. Quem vai notar antes de todo mundo quando eu estiver apaixonada. Você vai ser sempre uma irmã. A minha família também te vê assim. Porque você faz parte da minha vida como os dias, existem sempre, mas nunca é do mesmo jeito.

Eu sei que depois do domingo, 8 de fevereiro, os dias continuarão a existir, mas por 365 vezes, eles terão uma coisa incomum. A distância maior do abraço que sempre me garantia em silêncio que tudo vai ficar bem. E do seu abraço, eu nunca duvidei.

Você é responsável por parte das minhas vitórias. Pelos melhores shows. Por algumas músicas boas.

O mais difícil vai ser não te ter do meu lado no show do Radiohead. Você sabe que como ele, eu prefiro Radiohead enquanto você gosto da Alanis.

Eu sou a garota que gosta de músicas tristes com letra demais. E para quem elas falam um monte de coisas, enquanto eu vou me despedindo devagar da sua presença.

Vou cobrar a promessa de que você não vai por nenhum dos 365 dias fingir que é forte, porque eu não me importo que você seja fraca às vezes, nem que você sinta falta de casa e do brigadeiro brasileiro.

Repito a mensagem que você me mandou sábado (7 de fevereiro) 5:50 da manhã. "Amo mais que tudo. Nós duas vamos ficar bem. Temos que ficar. =)"

Nós duas juntas, aprendemos o valor dos outros, e por isso não ficaremos sozinhas jamais, em qualquer deserto encontraremos pessoas especiais. Você me deixa rodeada com algumas e eu tenho certeza que você encontrará outras que falam outra língua e tem outros costumes.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Ausente

Me falaram que eu sumi. Eu tenho estado para poucos e longe para muitos. Ainda falo com as pessoas, mas já não as vejo, não procuro, não quero, não sei. Estou distante por alguns minutos e perto por muitas horas.

Me sinto minúscula nessa selva de pedra.

Pequena e mais forte, porque eu já finjo absolutamente nada, resolvi esquecer tudo que me faz mal e aproveitar cada um dos momentos e dos sorrisos precisos.

Sabe o que eu mais gosto em você? Do jeito que sorri com os olhos e deixa a alma transparecer. Me faz esquecer de todos os problemas e ajuda o mundo a conhecer o meu melhor.

Só que, agora, o meu melhor chama silêncio.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Let's get out of this country


Eu já não quero segurança
Se isso me impedir de sentir

Já não quero ficar tranquila
Se isso me impedir de enxergar


Já não quero esquecer
Se isso me impedir de sonhar

Quero o melhor do mundo guardado em um sorriso inevitável

ps. título dessa música, Camera Obscura.